AFROO! Vem aí a III Marcha do Empoderamento Crespo em Salvador!


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Na foto, vereador Silvio Humberto (PSB), um dos apoiadores da Marcha. Foto: Milla Carol

Mais de 10 mil pretas e pretos marchando pelas ruas do centro de Salvador, ostentando com orgulho seus cabelos crespos, coloridos, diversos e até a ausência deles, mas com autoestima lá em cima. É a Marcha do Empoderamento Crespo, que chegará a sua 3ª edição em novembro. Nascida em Salvador, a ideia já chegou em outros municípios baianos, reunindo crianças, jovens, adultos e até idosos.

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Naira Gomes e Lorena Lacerda

Elas estão em Marcha – individual e coletivamente – o tempo todo, como afirmam as coordenadoras, Ivy Guedes e Naira Gomes, em entrevista ao Soteropreta. “Ela surgiu de um consenso nas redes sociais, de jovens que se viram impressionadas com o fato de São Paulo conseguir fazer uma Marcha crespa e nós, em Salvador, não. A Marcha nos empoderou de tal forma que as pessoas que mobilizaram a primeira edição, hoje, estão em vários lugares. A Marcha cresceu para além de nós”, afirma Ivy Guedes.

E um crescimento não apenas de crespos e crespas. “A Marcha hoje não é só cabelo, já é um lugar político de maior alcance, está mais forte, conseguiu criar uma rede em torno dela, sendo um lugar assertivo que fala de pessoas inteiras – física e simbolicamente”, pontua Naira Gomes.

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Ivy Guedes

“A Marcha é uma catarse coletiva, culmina todos os pontos de disputa e discussão durante um ano lá no Campo Grande, este grande lugar extraordinário que as pessoas esperam,  um evento diferenciado onde senhoras se sentem contempladas, as crianças podem ir, famílias inteiras que lá encontram referências e representatividade, acrescenta Naira.

Este ano, tem novidades: terá momentos de falas políticas sobre Genocídio, mulheres negras, domésticas, racismo e intolerância religiosa, ponto forte do tema, que aliás, é a primeira vez que a Marcha vem com tema.

“A cada parada em locais históricos para nossa população negra, como a Piedade, teremos estas falas políticas. A Marcha do Empoderamento Crespo é inclusão pela estética, ao contrário do que o racismo faz”, explicam.

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Kenia Matos

Redes sociais, parcerias, conquistas subjetivas e empoderamento

A Marcha não é um movimento sectário, as alisadas também devem ir, inclusive. No Facebook, já agrega mais de 14 mil pessoas e vem este ano em rede. Instâncias como o Movimento LGBTQI, Coletivo Luiza Bairros, Transs pra Frente, Marcha das Vadias, dentre outros movimentos e coletivos, já se manifestaram como parte da Marcha.

E as crespas até já ganhara prêmios, como a Comenda Mãe Runhó (Terreiro Bogum) e o Troféu Luiza Mahin (Terreiro Oxumaré), em reconhecimento do trabalho.

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Foto: Milla Carol

Para Naira Gomes, a Marcha é cura para as subjetividades, ela terapeutiza as dores, incentiva as mulheres, em especial, a construir suas falas. Nós resignificamos e construímos conceitos. É uma preocupação nossa ter isso, pois precisamos levar este debate para fora, mas com consistência. Temos mulheres hoje em setores onde pautam suas competências política, profissional e acadêmica”, diz Ivy Guedes – a mais velha do Coletivo.

Além de Ivy e Naira, tem também Andreia Souza, Hilmara Bittencourt, Vanessa Ribeiro, Nadja Santos e Lorena Lacerda na comissão organizadora, e de lá já saíram Samira Soares e Milla Carol.

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E por falar em empoderamento, a Marcha teve um grande papel no fortalecimento deste termo, pois antes era do “Orgulho Crespo”. “Fomos muito felizes quando resignificamos o conceito de empoderamento, um termo que não era recorrente no vocabulário de ninguém. A Marcha o tornou um conceito da contemporaneidade, que está em tudo”, explica Ivy.

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Com tanta revolução crespa, preta e feminina por meio da estética, a Marcha do Empoderamento Crespo vem no dia 18 de novembro, um sábado, colocar mais provocações e afirmações na ordem do dia.

“Agora sou eu”, é a frase mais recorrente dentre as mulheres que acompanham a Marcha e relatam suas transformações. Então, agora são elas: rumo à Marcha!

III Marcha do Empoderamento Crespo

Quando: 18 de novembro (sábado), 13h

Local: Concentração no Campo Grande

Programação: sarau de poesia, pintura facial, performances e mais!

Fotos: Amanda Pinto

Edicão: Milla Carol