Artista plástico Renato Carneiro é curador de Ocupação do Ilê Aiyê em São Paulo!


Fotos: Fafá Araújo

O artista plástico paulista radicado na Bahia, Renato Carneiro, é o curador da 42ª Ocupação Artística do Itaú Cultural que, neste ano, homenageia o bloco afro baiano Ilê Aiye. O proprietário da loja Katuka Africanidades, que passou por reforma recentemente e reabriu as portas nesta semana, no Pelourinho, recebeu o convite para curadoria do evento em janeiro e aceitou o desafio de pensar a concepção cenográfica da ocupação.

Ao Portal Soteropreta, Renato Carneiro contou o que podemos esperar a partir desta quarta-feira (03), em São Paulo, a partir das 20h, na exposição “Ocupação Ilê Aiyê”, que segue até 06 de janeiro com entrada gratuita.

Portal Soteropreta – Como é/foi ser curador de uma ocupação que traz o Ilê Aiyê, que existe há 44 anos, como homenageado? 
Renato Carneiro – O grande barato da historia é o interessante do meu lugar de paulistano que adotou  Bahia e foi adotado pela Bahia, me tornar esse veiculo de auxilia para mostrar a grandeza que é o Ilê Aiyê lá em São Paulo. É um ir e vir que é muito rico e muito interessante. É um desafio. No começo fiquei temeroso, pois é muita responsabilidade. Mas o processo foi muito bom, sabe? Recheado de sensibilidade e com uma equipe que trabalhou de forma muito coesa.

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Portal Soteropreta – Como foi sua preparação para a curadoria após o convite?
Renato Carneiro – Logo após receber o convite fui ao Ilê Axé Jitolu conversar com pessoas da casa. Fiquei muito feliz porque as pessoas reagiram bem. Depois da aproximação no Jitolu, transitei pela historia do Ilê: anos, temas, roupas, estamparia de Jota Cunha, compositores. Sendo que busquei o olhar pela centralidade no feminino, no observar as trajetórias que vão desde mãe Hilda a agora, com Dete Lima e todas mulheres que compõem o bloco e são as grandes criadoras que fazem com que o bloco aconteça na avenida.

Portal Soteropreta – Como foi a produção da curadoria?

Renato Carneiro – Tenho acompanhado durante 10 meses, entre idas e vindas para São Paulo. Está bonito e vai ser um trabalho interessante que as pessoas vão gostar porque foi de muito carinho. O mais interessante foi o caminho da curadoria de aproximar as pessoas do bairro onde o Ilê Aiyê nasceu: o Curuzu. Buscamos levar os rostos das pessoas que compõem o Ilê Aiyê.

Portal Soteropreta – A Avenida Paulista é um bairro de elite em São Paulo. Como você  enxerga essa ocupação preta neste espaço?

Renato Carneiro – É um dos pontos mais caros de São Paulo, com grandes empresas, que a elite branca passa. É muito simbólico trazer essa estética, força, história, elementos que compõem o Ilê Aiyê para dentro da avenida paulista.

Portal Soteropreta – O que você pode nos dizer e sintetizar sobre essa experiência que será aberta ao público a partir desta semana?

Renato Carneiro – Para minha história pessoal é algo muito simbólico e mágico.