Casa do Benin apresenta Narrativas Literárias: encontros e reencontros entre Benin e Brasil


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A autora do livro infantil Adjokè – e as palavras que atravessam o mar, Patricia Matos, realiza na próxima quinta-feira (15) a roda de conversa Narrativas Literárias: encontros e reencontros entre Benin e Brasil. Este encontro abordará o intercâmbio cultural Brasil/Benin, históricos entre os dois países e a importância de um espaço que permita essa interação rica em curiosidades, cultura e história.

O evento acontece às 10h30, na Casa do Benin e é aberto ao público de todas as idades. A ação integra o Projeto Erês nas Instituições – Intercâmbio de Saberes e Práticas entre a Coordenadoria de Políticas Públicas de Igualdade Racial em Fortaleza e a Casa do Benin em Salvador. Patrícia Matos é professora e integrante do Núcleo de Africanidades Cearenses (NACE), da Universidade Federal do Ceará e no ano passado, lançou o livro infantil Adjokè – e as palavras que atravessam o mar na Casa do Benin. 

 

 

 

Sobre a escolha do local e a importância de encontros como esse, Matos afirma que “a Casa do Benin atua como um elo de ligação entre os dois países irmãos valorizando e difundido a história e a memórias de África na diáspora. Partindo do pressuposto de que o bem – coletivo, o bem-viver e o bem – conviver ocorre a partir das aprendizagens que acontecem através da interação, o diálogo, da leveza do ser que nos possibilita aprender. Aprender sobre nós, sobre o outro e sobre as coletividades. Aprender não somente conteúdos conceituais, visto que não somos apenas razão, mente. Mas também conteúdos procedimentais que nos farão, enquanto construtores das relações sociais, ter atitudes de transformação e justiça social.”.

 

SERVIÇO

O queNarrativas Literárias: encontros e reencontros entre Benin e Brasil – roda de conversa sobre o intercâmbio cultural Brasil/Benin, históricos entre os dois países e a importância de um espaço que permita essa interação rica em curiosidades, cultura e história

Quando: 15/03, às 10h30

Onde: Casa do Benin

Quanto: GRATUITO

Informações: Casa do Benin – 3202-7890

Mosiah e Diamba encerram temporada de verão da Feira CoretoHype


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Foto: Além do ter

No próximo final de semana (10 e 11 de março), das 10h às 22h, a Feira Coreto Hype encerra sua temporada de verão em frente ao Grand Hotel Stella Maris – Stella Maris. Com shows das bandas MosiahDiambaRetr80Forró no Kilo e Mondaze, a feira apresenta um espaço com mix de shows, arte, empreendedorismo, brincadeiras, moda e gastronomia.

Com atividades para todas as idades, a programação prevê ações que agradem toda a família, a exemplo da Oficina de Mini Chefinhos (sábado e Domingo, 16h30), Jogos de Tabuleiro (Sábado e Domingo, o dia todo), Contação de Histórias (Sábado, 16h) e Oficina de Defumação e Incenso Natural (Domingo, 15h), além de DJs, Feira para Adoção de Animais, brincadeiras e a presença do Mágico Dragon (Domingo, 17h).

“Nosso verão foi marcado por muita música, brincadeiras e diversão. Chegamos aqui com aproximadamente 100 empreendedores criativos que veem na Feira Coreto Hype um espaço para lançar ideias, inovações, produtos e serviços. A partir de abril voltamos a circular pelas praças de Salvador, sempre com a melhor vibe positiva e o melhor clima de união”, explica Breno Barreto, sócio idealizador da Feira.

Com entrada gratuita, a Feira Coreto Hype é uma realização da LB Produções e conta com ambientação da Gato Maloko. O evento tem o apoio institucional da Secretaria de Turismo e Cultura (Saltur) e da Prefeitura Municipal de Salvador.

 

 

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Foto: Além do Ter

PROGRAMAÇÃO COMPLETA | MÚSICA

Sábado

DJ Nathy Brandão – 14h

Mondaze – 17h

Restgate Blues – 18h

Suinga – 19h

Diamba – 20h

Domingo

Cadeira de Brin – 12h

DJ Lu Muhana – 14h

Retr80 – 17h

Forró no Kilo – 18h

Mosiah – 19h

PROGRAMAÇÃO INFANTIL E OFICINAS

Sábado

Filó e Sofia (Contação de histórias) – 16h

Oficina de Mini Chefinhos – 16h30 e 17h

Jogo de Tabuleiro – Dia todo

Domingo

Oficina de Compostagem – 10h

Eureka Ideias Brincantes – 11h

Oficina de Mini Chefinhos – 16h30

Mágico Dragon – 17h

Jogo de Tabuleiro – Dia todo

Feira para Adoção de Animais – 11h

Oficina de Defumação e Incenso Natural – 15h

 

SERVIÇO

Feira Coreto Hype

Stella Maris – em frente ao Grand Hotel Stella Maris

Dias 10 e 11 de março

A partir das 10h

Entrada Franca

Evento gratuito reúne marcas baianas neste fim de semana


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foto: divulgação

Moda, gastronomia, tattoo e música marcam a primeira edição do Vizu, evento itinerante que acontece neste fim de semana, dias 17 e 18 de março, das 12h às 22h, no Solar Gastronomia, Rio Vermelho. À frente do evento, dez mulheres empreendedoras propõem um novo jeito de visualizar o mundo, com produções que impulsionam o modelo de consumo consciente e a economia criativa.

Além de flash day tatto com Cheetara – Lívia MC Gramacho – nos dois dias, o evento contará com a exposição dos óculos de sol da Sonbrille, acessórios em prata daMoai Pratas, bijoux e peças em tecidos das Outerelas, moda feminina com a Cor de Dendê, os calçados da Born Store, moda infantil com DuoKids e Nicobaldo, moda praia com 3K e decoração em macramê com a Arché. No primeiro dia, sábado, integra a programação a banda Gagabirô. Já no domingo, o som será com Adriana Prates.

 

 

 

SERVIÇO

Vizu – Moda, gastronomia, decoração e tattoo

Dias: 17 e 18 de março

Horário: Das 12h às 20h

Local: Solar Gastronomia

Endereço: Rua Fonte do Boi, 24, Rio Vermelho

ENTRADA GRATUITA

#Ouro&Negro – Um resgate ascendente do Samba em Salvador, Por Camilla França


samba carnaval salvador

Em meio às discussões sobre se nasceu na Bahia ou no Rio de Janeiro, o Samba vem protagonizando a história dos dois maiores carnavais do Brasil. É impossível ter memória do carnaval carioca, sem falar da presença do ritmo nas rodas de samba ou esquinas da cidade. Aqui na Bahia, não é diferente. Desde os primeiros registros carnavalescos, o toque do samba embalou as fanfarras e as marchinhas.

Ao final do século XIX, os tradicionais clubes como Cruz Vermelha e Fantoches da Euterpe desfilavam com glamorosos carros alegóricos, reunindo a elite baiana com todo luxo da época.

Na virada do século XX, o samba se firmou como gênero musical popular dominante nos subúrbios, onde a comunidade negra promovia festas, a partir da base do samba, seja com os Cordões Carnavalescos ou com as Batucadas.

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Também, o ritmo esteve presente nos blocos das classes operárias como Cordão das Costureiras e As Cozinheiras; nos sons das entidades afro e de índios; nas Escolas de Samba e nos dias atuais, com os blocos de Samba.

Associada a outros elementos sociais, esta presença cultural inspira a reflexão da dualidade cultural entre o espaço negro e o poder branco, inclusive, no carnaval de Salvador. E, assim como outros ritmos de matriz africana, o samba sempre foi alvo de discriminação racial. Ancorado na desvalorização da cultura do negro, marginalizado ou associado apenas a grupos de menor poder aquisitivo.

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Foto: Rosilda Cruz

Isso porque é um som oriundo das senzalas, vindo do canto de negros escravizados; em seguida, associado aos descendentes destes, que promoviam festas nas ruas (julgadas como arruaças) e no começo do século XX, pelos negros que exerciam as funções serviçais como faxineira, cozinheira, lavadeira e postos como baianas.

O samba é uma construção e uma produção coletiva e, neste contexto histórico carnavalesco, destaca-se a forte articulação nas celebrações nos bairros populares – através das Escolas de Samba ou entre os muros dos colégios públicos.

Pautavam e demarcavam, assim, o espaço do negro na sociedade, através dos grupos culturais colegiais. Esta geração surfou na onda do processo de reafricanização do carnaval – ocorrido na década de 70 -, tornando a sonoridade do samba mais evidente através das percussões, marchinhas, blocos de índios ou travestidos.

Além disto, esta juventude negra se fortaleceu a partir das movimentações nacionais no campo da estética e da cultura negra e dava sinais da busca por melhores condições de vida.

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Foto: Edgar de Souza/G1

Estes fatores, concomitante com o fortalecimento financeiro das classes média e baixa, impulsionou o surgimento de entidades que abrigassem um público preterido pelas entidades de trio. Inclusive, esta foi a porta de entrada para o fortalecimento do samba no carnaval: o samba reggae, influenciado pelo samba de roda.

A essa altura já ecoado pelo grupo Gera Samba (atual É O Tchan) e o fortalecimento midiático e fonográfico do samba.

E é justamente neste nicho do mercado que as entidades de samba se fortalecem e se multiplicam, dando nome e demarcando o espaço no carnaval. Estreitam, portanto, as relações entre os blocos, artistas do Sul/Sudeste e o público de Salvador. Este elo foi essencial na missão da ruptura da monocultura do carnaval baiano, em torno da estrutura do trio elétrico e do ritmo axé music.

Isso porque, a partir dos anos 2000, identificamos um aumento significativo de entidades que se firmam como exclusivas de samba, e em sua grande parte, promovidas na quinta e sexta-feira de carnaval.

Uma política que reafirma o compromisso das entidades de apenas trabalhar e fortalecer um ritmo. Também um objeto de demonstração do empoderamento da comunidade negra, que é a maioria do público presente nestas entidades.

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Foto: Max Haack/Ag Haack

Esta é a lógica de fortalecimento de uma classe social que ocupa um espaço que muitas vezes lhe é negado pelos “blocos de branco”; um movimento que reforça o potencial comercial e midiático das entidades perante a hegemonia da relação entre o axé e o trio elétrico.

Este movimento ainda é tímido, mas expressa o potencial da relação com o público consumidor (embora, as empresas continuem negligenciando e discriminando as entidades negras, financeiramente). Mas ainda assim é um avanço. A história já aponta os sinais de interferências e transformações possíveis a partir do carnaval e hoje marca presença a partir das dezenas de entidades de samba na folia.

Uma presença aportada em grandes estruturas, com trios povoados, em grande parte, de atrações renomadas nacionalmente, com carro de apoio, cordeiros, segurança. Toda estrutura similar às dos maiores blocos. E, que infelizmente, ainda luta para marcar no carnaval a relevância e o potencial econômico do samba e dos sambistas, como já é feito no Rio de Janeiro.

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Camilla França – Foto Fernanda Campos

Camilla França, jornalista, mestranda em Cultura e Sociedade, com pesquisa sobre a participação de entidades negras no Carnaval de Salvador, sob orientação de Paulo Miguez . Este é o primeiro artigo da série “Carnaval de Ouro & Negro”, que o Portal SoteroPreta trará até a folia, resgatando a história negra no Carnaval soteropolitano.