Mestre Curió recebe Medalha Zumbi dos Palmares esta terça (13)


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O capoeirista Jaime Martins dos Santos, conhecido como Mestre Curió, receberá a Medalha Zumbi dos Palmares, em sessão solene na Câmara dos Vereadores, nesta terça-feira (13), a partir das 19h. A iniciativa é conjunta, dos vereadores Alemão (PRP) e Silvio Humberto (PSB).

A Medalha é concedida a pessoas atuantes no combate ao racismo, discriminação e intolerância na cidade de Salvador e no estado da Bahia. Mestre Curió foi discípulo fiel do Mestre Pastinha, um dos principais mestres de Capoeira da história.

mestre-curio-Nasceu em 1939, filho de José Martins Malvadeza e dona Maria Bispo, família tradicional de angoleiros, que transmitiu os primeiros ensinamentos da capoeira angola quando  tinha apenas cinco anos. Para ele “Capoeira é arte, dança, malícia, filosofia, malandragem, teatro, música coreografia.”

Curió é conhecido por sua personalidade forte, exigente, disciplinada e aguerrida, o que contribuiu para que seu conhecimento da capoeira fosse passado mantendo-se a essência dos movimentos, dos ritmos, da música e da história da capoeira angola. Em sua trajetória, difundiu a arte em países como: México, Equador, Argentina, Estados Unidos, Iraque, Alemanha, Bélgica, Suíça e Japão.

Fotos: Banco de Imagens

Ativismo contra Violência – Gordinhas de Ondina ganham novo visual até dia 10


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Foto: Marcio Gualberto

Até este sábado – 10 de dezembro, Salvador está em campanha pelos “21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres”. O Coletivo de Entidades Negras (CEN), em parceria com Instituto Avon, encabeça a programação. A partir desta segunda (5), um dos monumentos mais populares na cidade se unirá ao Elevador Lacerda e ficará laranja- cor da campanha: as gordinhas de Ondina.

À frente da campanha em Salvador, a coordenadora de Gênero do CEN, Iraildes Andrade reforça que a campanha este ano chama a atenção para a maior incidência de violências de gênero contra mulheres negras.

“As ações, em todo país, começaram no dia 20 de novembro, justamente, no mês da Consciência Negra, e seguem até dia 10, pautando a mudança de comportamento dos homens e um debate sobre os marcos legais que existem no combate a estas violências”, enfatiza.

Em 10 anos, o feminicídio entre mulheres negras aumentou em 54%, quanto que a incidência em entre mulheres brancas caio cerca de 10%.

Neste sentido, já foram realizados debates junto a órgãos como Secretaria Estadual de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, Secretarias de Políticas para as Mulheres – municipal e estadual -, Defensoria e Ministério Público, OAB/BA, Polícia Militar, além de diálogos junto a mulheres em cumprimento de penas e medidas alternativas e regime fechado, em Salvador.

A Campanha segue com debate junto à juventude em Lauro de Freitas e distribuição de material informativo no município e em Simões Filho, além de Salvador. Saiba mais das ações realizadas pela Campanha aqui.

 

Empoderamento, Identidade e Gordofobia são temas de debate e exposição no CEPAIA


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Renata Trindade

O foto-etnógrafo Alberto Lima expõe, a partir da próxima terça (13), suas fotos do projeto Afro Stillos, que aborda a estética negra baiana fora do padrão eurocêntrico. Neste dia, para contextualizar as fotos, será realizado bate papo sobre “Empoderamento, Identidade e Gordofobia”, com as professoras Marluce Macedo e Maria Luísa Passos.

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Caúra Santos e Cristiane Boaventura

Além disso, que estiver presente poderá ter sua foto estampada em um calendário 2017, a partir de estúdio que será montado no local. A atividade acontece no CEPAIA, Largo do Carmo (Pelourinho) e a abertura é a partir das 18h30, aberta ao público.

Fotos: Alberto Lima

Alunos de Comunicação participam de palestra com especialistas em Webjornalismo


unime soteropretaEmpreendedorismo em Jornalismo Digital foi o tema do debate realizado pelos estudantes de Jornalismo da Faculdade Unime Salvador, ao final do último mês. O evento reuniu, no auditório do Campus II da instituição, localizada no Imbuí, vários nomes do Webjornalismo da capital baiana, que contaram suas experiências e desafios aos mais de 30 alunos que estiveram presentes no local, segundo os organizadores.

A jornalista Jamile Menezes, do portal Soteropreta, website que aborda notícias voltadas, prioritariamente, a produção cultural soteropolitana construída, formada, mobilizada e destinada à comunidade negra de Salvador, contou que depois de 10 anos trabalhando em assessoria de comunicação, sentiu a vontade de se dedicar ao que realmente a entusiasmava.

“Encontrei no portal a oportunidade de escrever sobre o que eu gosto. Mas, ainda estou no processo de descobrir a melhor forma de me dedicar ao portal, pois sou eu quem cuido de todas as etapas do desenvolvimento das matérias, desde a criação das pautas até a edição”, explica a profissional, que se preocupa com a atualização constante de notícias no site.

Já o jornalista João Paulo Costa, do portal Opinião e Política, disse que a mudança no mercado da comunicação, o atraiu para o webjornalismo. “Observei o aumento do acesso da população às redes sociais, sites e a diminuição da leitura, principalmente, dos jornais tradicionais”, expressa.

UNIME SoteroPreta

De acordo com Costa, a imprensa baiana não abre espaço para o diálogo político, e, por isso, ele resolveu criar este lugar. “Temos visto um jornalismo de política sectário, partidário, que passa até informação, mas não dá espaço para o debate entre a população, o que é importante”, inteira.

O publicitário Gabriel Carvalho, do São João na Bahia, junto aos colaboradores Donjorge Almeida e Marcelo Seixas, consegue espalhar a cultura do interior da Bahia para todo estado e para o país através do site. “Trouxe o amor pelo São João e pelo Forró para o meu trabalho.

Mas o sucesso do portal está no conteúdo com isenção e na credibilidade que adquirimos dos leitores”, revela. Carvalho explica também o valor de um bom relacionamento com o público. “As atualizações no site devem ser frequentes, assim como nas redes sociais, onde temos muitos leitores. Outro ponto, é saber ouvir e responder as críticas e sugestões dos seguidores”.

O coletivo do Flor de Dendê é formado pelas jornalistas Cleidiana Ramos, Meire Oliveira e Susana Rebouças e pela designer Ludmila Cunha, e trata da cultura afro-sertaneja.

“A ideia inicial era produzir uma revista em papel. Depois, o projeto tomou um rumo diferente. A oportunidade de usar a multimídia em uma única reportagem fortaleceu o nosso interesse pelo Jornalismo Digital”, conta Susana. Mesmo com o sucesso do empreendimento, elas afirmam a relevância da preparação. “Fiz um curso específico à distância, voltado para jornalistas de plataformas digitais”, relata Cleidiana.

Matéria colaborativa para a disciplina de webjornalismo: por Nailan Brasil, Welber Santiago, Daniel Batista, Antonio Carlos

Fotos de Jamim Gois 

Juraci Tavares leva show “Umbilical” ao Parque São Bartolomeu


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Foto: Marina Cardoso

O cantor, compositor e poeta, Juraci Tavares, levará para o Parque de São Bartolomeu seu show Umbilical, neste domingo (11). O show traz sua poesia, musicada na liberdade e autonomia das palavras e dos sons. A atração integra a  2° edição do Regue Poesia, que este ano convida músicos, poetas, professores, produtores, artesões, crianças, mulheres e, principalmente, a comunidade do entorno. Objetivo: levar o diálogo e a reflexão sobre o cotidiano.

Juraci Tavares é autor de várias músicas de blocos afro como Ilê Aiyê, Malê Debalê, Cortejo Afro, Filhos de Gandhy, além de afoxés de Olinda e Recife Oyá Tokolê Afoxé, Oxum Pandá e Alafin. Venceu, em 1999 e 2000, o 25º e 26º Festivais de Música Negra do Ilê Aiyê, com o tema “Força das Raízes” e “Terras Remanescentes de Quilombos”, respectivamente. Em Umbilical, Juraci tavares propõe o diálogo entre a música e a poesia, pautadas na sonoridade afrobaiana.

Na grade do evento Regue Poesia, o público terá ainda bate-papo, feira comunitária e atividade para crianças, a partir das 8h.É aberto ao público e segue até as 19h.

SERVIÇO

O QUÊ: Regue Poesia

QUANDO: 11/12

ONDE: Parque São Bartolomeu

HORÁRIO:  08h às 19h / Participação de Juraci Tavares às 15h

Angola – Carol Barreto desfila coleção inspirada em religiões de matriz africana


Carol Barreto moda afro
Foto: Helemozão Fotopoesia

Por ter um pé fincado no passado e outro no futuro, o faro criativo de Carol Barreto tem uma forte conexão com o contemporâneo. Talvez seja por isso que a produção de moda da baiana esteja pronta para alçar mais um voo internacional, chegando, dessa vez, em Luanda. A nova coleção da estilista será desfilada durante a Angola Fashion International Show, que acontece nos dias 2 e 3 de dezembro. Além de integrar o evento, a marca Carol Barreto passa a fazer parte do casting de descobertas internacionais da agência de moda Adama Paris.

A nova empreitada da designer de moda, que também é professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA), entra para uma lista de experiências fora do país que inclui participação numa exposição no Canadá (Toronto), palestra nos Estados Unidos (Chicago) e desfiles na França (Paris) e Senegal (Dakar).

“Tenho refletido sobre os impactos que essas vivências causaram no meu processo criativo. Em 2013, por exemplo, quando fui para o Senegal, me confrontei com muitas questões. Estava indo para África, que é a minha grande referência, mas é preciso ter cautela para não acreditar que as interpretações pessoais sobre culturas africanas são as melhores, mais verdadeiras ou universais”, destaca Carol.

Carol Barreto moda étinca
Foto: Helemozão FotoPoesia

Na nova coleção, que será desfilada em Angola sob o título Asè, a estilista pensa espaços religiosos de matriz africana como quilombos urbanos, também responsáveis pela manutenção da saúde, intelectualidade e espiritualidade das pessoas negras no Brasil.

“Expando essa abordagem para refletir sobre o protagonismo das mulheres negras nas religiões de matriz africana, de modo geral. Parto tanto das nações de Candomblé quanto da Umbanda, Xangô do Nordeste, Jurema, e outras formas de expressão que foram se constituindo no Brasil”.

A mola propulsora usada por ela para a criação dos 15 looks, compostos por saias e vestidos brancos, veio da sua memória afetiva: a colcha richelieu que sempre cobria a cama de casal dos seus avós e data do casamento deles lá pelos idos da década de 1950. “Isso foi usado a vida inteira lá em casa, assim como as toalhas de mesa feitas em crochê, por exemplo.

Esse é o ápice de outras histórias que foram contadas em coleções passadas, como Fluxus e Vozes”. Decidida a trabalhar com fazeres artesanais, Asè também apresenta o resultado de um arquivo de peças em richelieu, renda renascença e renda filé colhidos em cidades como João Pessoa (PB), Recife (PE) e Salvador (BA).

Carol Barreto moda afro
Foto: Helemozão Fotopoesia

Processo colaborativo

No trajeto entre definição conceitual e execução das peças, aconteceu o encontro de uma equipe engajada no compromisso com a criação. Além de contar com a assessoria técnica da modelista e pesquisadora Cllaudia Soares, Carol Barreto resolveu se aventurar num processo em colaboração. “Queria saber o que acontece quando nos abrimos ao outro também no contexto criativo. Me senti como aprendiz e criadora todo o tempo”, comenta.

Numa primeira reunião com profissionais que já trabalharam com ela em coleções anteriores, a designer de moda sentiu a autonomia da equipe para interferir no resultado.

“Eles tinham liberdade para dizer: ‘você está fugindo do traço autoral’, ‘não queira simplificar para ser mais rápida’, ‘não abandone a complexidade do seu trabalho’”, completa. Além disso, Carol Barreto convocou, via Facebook, voluntários para ajudar na execução da imagem de moda da coleção.

Produzida numa parceria entre a estilista e o Centro Técnico do Teatro Castro Alves (TCA), que cedeu espaço e equipamentos, a coleção Asè tem a marca de muitas mãos e vozes. “Esse foi um laboratório criativo, de costura e confecção. Um processo que partiu dos tecidos, das conversas entre a equipe e meu arquivo afetivo”, finaliza.

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Foto: Acervo Pessoal

Texto de Luis Fernando Lisboa – Jornalista e pesquisador na área de moda. Mestrando do Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade (Pós-Cultura) da Universidade Federal da Bahia (UFBA), integra o Grupo de Pesquisa Corpo e Cultura (UFRB/CNPQ). Atuou como colunista de moda e repórter de cultura no jornal A TARDE.

Eddy Veríssimo leva “SOBEJO” de volta aos palcos dias 8 e 9


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Foto: Andréa Magnoni

Violência física, psicológica, doméstica, violência que machuca o corpo e fere a alma. Essa é a proposta do solo teatral SOBEJO da atriz e produtora Eddy Veríssimo em cartaz dias 8 (quinta) e 9 (sexta) de dezembro, 20h, na Casa da Outra, Centro Comercial Politeama.

A peça – escrita e dirigida pelo ator, dramaturgo, diretor e figurinista, Luiz Buranga – integrou a programação do Festival A Cena Tá Preta, realizada pelo Bando de Teatro Olodum em novembro. Na trama, Eddy Veríssimo interpreta Georgina Serrat, uma dona de casa que apostou no casamento e teve sua felicidade e sonho frustrados pelas agressões de um marido violento.

 

 

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Foto: Andréa Magnoni

“Esse ano está completando 10 anos de Lei Maria da Penha e ainda temos que falar sobre violência contra mulher. Sobejo foi um presente, estou falando sobre nós mulheres em um cotexto atual que ainda é forte em nossa sociedade”, diz Eddy Veríssimo. 

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Foto: Andréa Magnoni

Ao longo da peça, Veríssimo apresenta o ambiente mental da personagem em meio ao caos da violência. “Esse é meu primeiro solo e já começo abordando um tema tão caro para as mulheres de todos os lugares em todos os tempos, que é a violência à qual nós, mulheres, somos submetidas o tempo todo. Fazer Sobejo mostra que precisamos gritar e não nos conformarmos nunca com essa situação”, enfatiza a atriz.

SERVIÇO

SOBEJO

Onde: Casa da Outra, Centro Comercial Politeama

Quando: 8 (quinta) e 9 (sexta) de dezembro, 20h

Quanto: R$20/10

Informações: (71) 3565-4623

Fotos: Andreia Magnoni

Espetáculo KAIALA volta em cartaz no Espaço Barroquinha


kaiala sulivã bispo

Ele encantou, emocionou e foi aplaudido demais na primeira temporada de seu primeiro solo, KAIALA, encenado no Espaço Cultural da Barroquinha no início deste mês. Com o sucesso, o ator Sulivã Bispo (Frases de Mainha) retorna para o mesmo espaço com apresentações dias 3, 4, 10 e 11 de dezembro, às 17h. 

“Fazer um espetáculo assim, dessa grandeza de identidade e de pertencimento, é muito importante. Tem sido maravilhoso ter casa cheia, discuntindo racismo, preconceito, denunciando, falando do Orixá, do Nkisse, do Vodun, de uma maneira tão forte nesse momento que vivemos. Isso me toca muito, é especial. Fico emocionado e muito grato a todos”, diz Sulivã.

“O que mais ficou forte pra mim foi falar de intolerância, respeito e, de certa forma, pontuar o Candomblé Bantu, de Angola, que é uma nação que foi muito exterminada no Brasil. Já trabalho há um tempo falando de Candomblé e tudo que exalta nossa cultura e religião é muito importante no momento de intolerância em que a gente vive, esse foi o norte pra conceber esta direção”, diz o diretor Thiago Romero.

Na segunda temporada do espetáculo em que atua no seu primeiro solo, Sulivã Bispo percorre a trajetória da menina Kaiala a partir de três pontos devista: a avó, o irmão de santo e uma evangélica, para discutir temas como racismo, intolerância religiosa e a morte sistemática de jovens negros no Brasil. 

kaiala sulivã bispo

“É muito emocionante pra mim, com apenas 23 anos, um ator negro que passa tanta dificuldade pra fazer arte nesse país, fazer um primeiro solo falando dessa violência que a gente sofre diariamente por ser de Candomblé. Subir no palco pra falar de intolerância religiosa é muito forte e todo processo me ensinou que é possível fazer uma arte militante, consciente. A partir do momento que nós, dentro do terreiro de Candomblé – um espaço político, de afirmação e de aceitação-, entendermos que incomodamos porque é lá que construímos nossos heróis, nossa herança,a  gente se fortalece. Kaiala me ensinou muito isso” – Sulivã Bispo.

KAIALA é uma divindade das grandes águas, dos mares e oceanos, tida, segundo a visão Bantu, como o útero gerador de todas as espécies, inclusive a raça humana. Com esta referência, a trama conta a história de uma menina de 10 anos, assassinada em uma invasão ao seu Terreiro. Com direção de Thiago Romero, o espetáculo faz parte do Projeto de Extensão e Experimentação artística PibiexA – UFBA 70 ANOS que tem Maurício Pedrosa como tutor. Confira aqui crítica feita pelo ator Ricardo Gonzaga, especial para o Portal SoteroPreta. Ingressos serão vendidos na bilheteria do espaço, R$20/10.  

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Serviço:

Datas: 3, 4, 10 e 11 de dezembro
Horário: 17h
Local: Espaço Cultural da Barroquinha
Valor: R$20,00 inteira | R$10,00 meia
*Ficha Técnica*
Direção/cenografia: Thiago Romero
Orientação: Maurício Pedrosa
Figurino: Tina Melo
Iluminação: Alisson Sá
Coreografia: Nildinha Fonseca
Direção Musical: Luciano Bahia
Instrumentista: Sanara Rocha
Direção de Produção: Luiz Antônio Sena Jr.
Produção Executiva: Bergson Nunes, Ícaro Piton e Diego Moreno
Produção: DAGENTE PRODUÇÕES
Desing Gráfico: Diego Moreno
Fotos: Andréa Magnoni

#100AnosBateFolha – “É um feito repleto de grandiosidade, fé e perseverança.”


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São 100 anos de resistência histórica do povo Bantu que chegou a Salvador e aqui fundou um dos mais tradicionais Terreiros de Candomblé da Bahia: o Terreiro do Bate Folha. Localizado no bairro da Mata Escura, o Terreiro está em plena festa de celebração deste centenário, com atividades que vão de lançamento de selos comemorativos, passando por exposição fotográfica, seminário e lançamento de um Memorial sobre a história da Casa. As atividades seguem até este domingo (4).

O Portal SoteroPreta entrevistou, com exclusividade o líder religioso do Terreiro, Cícero Rodrigues Franco Lima, o Tata Muguanxi. Confira:


Historicamente, como o Terreiro do Bate Folha se insere na comunidade e quais relações históricas perduram nos dias de hoje?

Tata Muguanxi – Historicamente, o Terreiro do Bate Folha está inserido no contexto da comunidade do bairro da Mata Escura há mais de cem anos. Atuamos como  um marco referencial de instituição religiosa de matriz africana participativa, representativa e engajada com a comunidade de seu entorno, seja por abrigar a memória coletiva do bairro, por receber os moradores ou abrir as portas para realização de atividades que sejam de extensão. Temos bom relacionamento com cooperativas, grupos culturais e até mesmo, outras entidades religiosas da Comunidade.

As invasões eram mais recorrentes, as ofensas e, inclusive, as penalidades legais às lideranças religiosas. Pensando neste contexto, a gente até entende o porquê das casas serem tão afastadas dos centros das cidades.

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Qual a importância de um Terreiro completar 100 anos em uma cidade como Salvador, no contexto de intolerâncias e agressões legais e políticas ao Candomblé?

Tata Muguanxi – A importância reside na constatação de que resistimos às dificuldades de cada período da sociedade e estabelecemos laços de família, união e amor aos Nkisses. É um feito repleto de grandiosidade, fé e perseverança. Quando imaginamos e sofremos com o processo de intolerância religiosa, ocorridos ainda hoje, nos dias atuais, fico pensando em 1916. O processo de abolição dos negros escravizados ainda estava recente e, como consequência, o racismo estava institucionalizado em todas as práticas de matriz africana, principalmente, o Candomblé.

“É importante frisar que na reverência aos Nkisses ela terá a mesma grandiosidade e importância de todas as nossas celebrações e o compromisso com os ritos sacros estão mantidos.”

terreiro bate folhaNesta história centenária, o que, historicamente, não pode ser esquecido?

Tata Muguanxi – Primeiramente, o que não pode ser esquecido de maneira nenhuma nesse processo histórico é a força dos Nkisses, como também a visão de família, de comunidade, de função social de um homem chamado Manoel Bernadino da Paixão, nosso fundador. Essa importância na divulgação, socialização e manutenção de uma religião tão discriminada, tão combatida, como foi e ainda é o Candomblé, embora em menor grau nos dias de hoje. E em segundo, a força do candomblé Congo-Angola, de tradição Banto, em Salvador, que apesar de ser reservado, consegue perpassar toda essência do culto.

É a primeira vez que o Terreiro abre suas portas para uma atividade deste porte?

Tata Muguanxi – Não é a primeira vez que o Terreiro do Bate Folha abre e sedia eventos e atividades de porte expressivo e significativo, basta lembrar do encerramento do 2º Congresso Afro-brasileiro, realizado em 1937, onde seu Bernadino teve participação expressiva, contribuindo, inclusive, com um artigo publicado em 1942 no livro “O Negro no Brasil”. Na verdade, é mais incomum. Geralmente, nossas portas são abertas apenas para cultos religiosos ou visitas de grupos agendados.

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Fotos: Marisa Vianna

“Só que são 100 anos e, por si só, já requer uma celebração à altura, com música, história, debate,
teatro, dança, pesquisadores de casa, olhar de dentro da casa, selo, exposição fotográfica.. enfim! Tudo que um centenário tem direito. E nada mais justo do que isso ocorrer no espaço, na Casa que abrigou o Centenário. “

 

terreiro bate folha
Tata Muguanxi e Nengua Guaguanssesse

 

Terreiro do Bate Folha – Rua Dionísio Brito Santana, antiga Travessa São Jorge, n. 65-E, bairro da Mata Escura, Salvador.

Abertas inscrições para curso de História da África e Cultura Afro-brasileira no MAM


CURSO história da áfrica

Entre os dias 05 e 07 de dezembro (segunda a quarta-feira), o Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA) sediará o curso de‘Formação em História da África e Cultura Afro-brasileira – Ensinar com África’, ministrado pelo pesquisador e integrante do Programa de Pós-Graduação em História Social da Universidade Federal Fluminense, Moisés Corrêa, e pelo jornalista Kauê Vieira.

 

As aulas acontecem nas Oficinas do MAM-BA das 13h às 17h, e o valor custa R$70 (pago no ato da inscrição até o dia 05 de dezembro). Serão ofertadas 30 vagas com direito a certificado. Mais informações através do email [email protected] ou pelo telefone (71) 3117-6141.

 

A iniciativa é direcionada a professores de História, educadores e articuladores educacionais interessados. Temas como constituições políticas, econômicas e culturais da África serão tratados no decorrer da atividade.

Além disso, o programa dá conta da discussão de mídia e de como a não presença de mulheres e homens negros contribui para a manutenção das estruturas exclusivas, violentas e racistas contra a população afrodescendente brasileira. Ainda falando de mídia, o conteúdo apresenta exemplos de veículos de comunicação do continente africano, apresentando seu lado inovador e tratando também do domínio da imprensa estrangeira na comunicação dos países de África.

 

história da áfrica
Moisés Corrêa Foto: Aimê Uehara

Sobre os facilitadores

Moisés Corrêa é integrante do Programa de Pós-Graduação em História Social da Universidade Federal Fluminense, desenvolvendo um projeto com tema relacionado à historiografia acerca da história da África na contemporaneidade. É pesquisador no tema há pelo menos cinco anos, e já participou da produção de grandes eventos relacionados à história da África.

curso cultura africanaKauê Vieira é jornalista formado pela Universidade Anhembi Morumbi, foi produtor de conteúdo do Projeto Afreaka durante quatro anos, tendo relações e criando textos acerca da África contemporânea e também do seu passado. Já trabalhou como jornalista do Portal Terra, do Portal AreaH e do IBOPE, além de ter sido colaborador no blog Preta e Gorda e produtor de textos para a empresa Chiara Comunicações.

SERVIÇO

‘Formação em História da África e Cultura Afro-brasileira – Ensinar com África’

Quando: Dias 05, 06 e 07 de dezembro (segunda a quarta-feira)

Horário: Das 13h às 17h

Onde: Oficinas do MAM-BA

Valor: R$70

Forma de Pagamento: À vista (no ato da inscrição)