Artes Plásticas e Identidade Afro- Baiana serão temas de Conversa aberta na Biblioteca dos Barris


A próxima edição do projeto Conversando com a sua História continua com o tema “Cultura Negra”. Na próxima segunda (28/11), o tema será “Artes Plásticas e Identidade Afro- Baiana”. Na ocasição, serão convidados os artistas J. Cunha e Ayrson Heráclito. A Conversa será na Biblioteca dos Barris, às 17h e é aberta ao público.

J CunhaJ Cunha

Cunha começou a estudar artes aos 18 anos no curso livre da Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia. Artista plástico, designer, cenógrafo e figurinista, participou de importantes bienais de artes plásticas e de exposições individuais e coletivas, entre elas a “Exposição de Arte Contemporânea: As Portas do Mundo” na Europa e na África em 2006. Seu nome ainda é bastante vinculado ao carnaval por ter criado a concepção visual e estética do bloco Ilê Aiyê durante 25 anos.

Ayrson HeráclitoHeráclito

Ayrson Heráclito é artista visual, curador e professor, doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC São Paulo (2016), mestre em Artes Visuais pela Universidade Federal da Bahia e professor do Centro de Artes, Humanidades e Letras da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. Suas obras transitam pela instalação, performance, fotografia e audiovisual, e lidam com frequência com elementos da cultura afro-brasileira e suas conexões entre a África e a sua diáspora na América.

Fotos: Divulgação

Milsoul Santos apresenta seu primeiro livro “Pássaro Preto”


pássaro preto
Reprodução Facebook

Ele é soteropreto e mora em terras cariocas. Ele é músico, poeta, escritor e está em plena realização enquanto tal. É que ele acaba de lançar seu primeiro livro “Pássaro Preto”, no Centro Cultural de Londrina, no Rio. Antes, no início do mês, o lançamento foi em Santo Amaro, interior da Bahia. Ele é Milsoul Santos, que compartilha nesta obra suas vivências e inspirações – que vão de 1995 até 2016. São mais de 10 anos de trajetória “músico-literária”, digamos assim.

Seus 31 textos/poemas são marcados com cenas do cotidiano da população negra brasileira. Lá tem temas como solidão, valorização da mulher negra, masculinidade do homem negro, extermínio, lutas e fé. Em “Pássaro Preto”, Milsoul provoca, mas aponta saídas. Segundo o escritor, os textos propõem uma auto revisão. “É educar minha própria masculinidade e o meu ser macho, sem ferir o ser fêmea nem a feminilidade”.

Agô

Quem não souber usar Agô,
peça licença.
O limite é o céu da consciência.
Aprender a aprender é melhor que saber,
gratidão é a palavra que nos representa.

Acordo cedo,
durmo tarde,
isso não é novidade,
quem é de correria,
quem madruga,
é quem sabe
o preço que se paga pela honestidade,
as manhas
e a flexibilidade.

Agô pra fazer seu pensamento pensar,
Agô pra fazer seu sentimento sentir,
Agô pra deixar umas palavras aqui
Agô pra falar de amor.

 

“O livro surgiu depois da minha experiência, relativamente nova, com a poesia. Comecei a fazer poesia, casualmente, no Sarau Bem Black, em 2012. Mas foi no rap, em 1995, quando eu era MC do grupo Umkhonto – Nordeste de Amaralina, que minha escrita conheceu o público e “Pássaro Preto” era uma das nossas músicas”, conta o poeta.

milsoul santos
Reprodução Facebook

O grupo findou em 2007 e, nos 12 anos que lá esteve, Milsoul fortaleceu “Pássaro Preto”, letra que passou a acompanhá-lo onde fosse. “Fiquei só na escrita e apareci na cena fazendo o velho Rap Pássaro Preto, sem batida, e o pessoal começou a me chamar de poeta. Gostei da ideia e aqui estou. Os textos do livro são vivências novas e velhas a partir disso”, diz.

“Para um negro, cria de favela, lançar um livro é foda! Você provoca uma reflexão deprimente, você entende o que fizeram para que sua gente não avançasse; você entende, na própria pele, como é que isso funciona e o que mais dói, é você não encontrar apoio em quem você esperava encontrar. Isso te deixa triste e você caminha e resiste porque seu desejo é mais forte que tudo. A vida acaba lhe mostrando que tem muita gente com você, apostando em você e apoio deixa de ser problema”.

No dia 29 de novembro, Milsoul lançará “Pássaro Preto” no Sopapo Poético, em Porto Alegre (RS). Milsoul recita aqui seu “Pássaro Preto”, assista!

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Reprodução Facebook

Juliana Ribeiro fala de carreira e da “Preta Brasileira”


a cena ta preta
Foto: Junior Assis

A Preta Brasileira é essa mulher negra contemporânea, que dá conta de várias funções como ser mãe, mulher, autônoma e, no final do dia, é capaz de fazer suas próprias escolhas e ser altiva apesar de tantas demandas”.

Assim a cantora Juliana Ribeiro define seu show “Preta Brasileira”, que integrou, na noite do último sábado (19), a programação do Festival A Cena ta Preta, no Vila Velha.

A canção “Preta Brasileira” traz, em sua letra, a mulher negra contemporânea, inspirada na própria vivência da artista.

O show, com direção artística e concepção de Juliana Ribeiro e direção musical de Marcos Bezerra, uniu linguagens artísticas diferenciadas.

Teve música, teatro, audiovisual e poesia. “Faço questão de agregar meus parceiros poéticos que me inspiram, como Cecília Meireles. No audiovisual, toda cenografia é composta pela exposição “A cor do invisível” de Gal Meireles, antropóloga que trabalha com marisqueiras do recôncavo baiano. Aqui mostro a atualidade das mulheres negras do nosso interior, que é tão diversa e que pode ser contemplada através da Preta Brasileira”, diz Juliana.

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Foto: Junior Assis

O show estreeou no verão do ano passado e já levou a diferentes palcos as artistas, |Iracema Kiliane do Ilê Aiyê, Ana Mametto, Di Ribeiro (Brasília) e a cantora Lia Chaves, que participou do show no Vila. Na ocasião, ambas homenagearam a sambista, Clementina de Jesus.

“Sempre quero trazer a arte pra dentro da minha música e Preta Brasileira

me deixa muito feliz, pois tem conseguido concretizar essa minha vontade”.

Sobre o Festival A Cena Tá Preta, a artista é certeira: “Só de pegar uma expressão negativada (“A cena ta preta) e positivá-la, levando-a ao palco, isso já é essa vanguarda. Fazer parte disso é um sonho, sempre acompanho, vou e freqüento o Teatro Vila Velha. Estar lá, e ver várias pretas brasileiras na platéia confirma que o festival é tão vanguarda quanto a preta brasileira”, enfatiza.

“Ele me instiga: a mecha loira, que agora é vermelha, será azul. Ela tá sempre se metamorfoseando, e o artista não pode estacionar nunca. Agora é a hora de mexer, e estou mexendo nestas referências, trazendo outros lados”, diz.

O show Preta Brasileira marca, para Juliana Ribeiro, uma nova fase: a de renovação de sua carreira, que já registra 15 anos. “Há uma grande transformação em vários aspectos, tanto no cenário, quanto em minha construção enquanto artista. São vários desejos, canções e sensações que sempre quis imprimir e, com o “Preta Brasileira””, posso fazer”, diz.

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Acervo Pessoal – Clipe nas escolas

O Clipe

Para divulgar o seu novo trabalho e ampliar o alcance do debate que ele traz, Juliana lançou este ano o clipe “Preta Brasileira”, no qual convida mulheres negras do cenário cultural, político de Salvador (veja aqui). “O clipe traz a ideia de que ser negro é ser diverso. Nele há varias formas de ser mulher e negra sem o clichê. Temos que entender que é nosso direito nos expressar da forma como a gente se vê: cabelos trançados, black, vermelhos. A ideia é poder levar essa linguagem de negritude para um número maior de pessoas”, afirma.

O clipe vem sendo trabalhado em escolas públicas na cidade, para onde Juliana tem levado a discussão de gênero e raça a partir do vídeo.

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Acervo Pessoal – Gravação Clipe

“Existem muitas negras que não conseguem se afirmar enquanto tal. Se esta pessoa do outro lado até então não teve essa coragem e, com o clipe, enxergar alguém como ela, já terá valido a pena. Pessoas tem me retornado, dizendo que conseguiram se afirmar depois de ver o clipe. Ou seja, ele está fazendo seu papel para além da arte”.

Juliana Ribeiro tem apresentações já agendadas para 2017, registre:

Todas as quartas de Janeiro, no Teatro SESI RIO Vermelho, com o Show “Na Batucada da Vida”.

Luana Assiz lança seu videoclipe “Encrespei”


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Foto: Peu Teles

Neste domingo – 20 de novembro -, a jornalista e musicista soteropreta Luana Assiz lança, em seu canal no YouTube, o clipe da música “Encrespei”, de sua autoria. A composição versa sobre a naturalização capilar e carrega a bandeira da valorização da identidade negra. O tema nasce de um processo vivido pela autora, que há um ano decidiu iniciar sua transição capilar, caminho que abre janelas para além da estética.

A escolha do Dia da Consciência Negra para o lançamento da obra tem como objetivo acrescentar o projeto às diversas expressões que fazem parte do dia 20 de novembro. “É uma forma de colocar a minha voz ao lado de tantas outras que gritam por representatividade numa data que nos convida a (re)avaliar nossos caminhos e lutas”, afirma a compositora, que utilizou o samba como forma de expressão dessas ideias.

A música “Encrespei” tem direção musical e mixagem de Ataualba Meirelles. A gravação é interpretada por Luana Assiz, acompanhada por Jurandir Santana no violão, Hugo Sambone no trombone, Giba Conceição nos instrumentos percussivos e Lorena Dias, no backing vocal. O clipe tem direção geral, roteiro, fotografia, captação de imagens e edição assinados por Peu Teles e direção artística e maquiagem de Dominique Meirelles. Luana Assiz falou com o SoteroPreta sobre este trabalho:

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Foto: Peu Teles

Como foi o processo vivido por você que a levou a fazer a música/clipe?

Luana Assiz – Eu fiz essa música em agosto, depois de assistir ao episódio de encerramento da última temporada de Mister Brow, que trouxe a cena em que a personagem de Taís Araújo falava com uma menina negra sobre a beleza dos cabelos crespos. E a garota dizia que havia chegado a pensar em fazer alisamento antes de ver na TV alguém como ela. Eu já estava em processo de transição capilar desde janeiro deste ano e aquele diálogo me tocou porque eu já fui aquela criança, só que sem referências de uma estética negra como aparecia ali no episódio do seriado. E pensei, mais uma vez, no quanto a representatividade é importante, porque, após passar a maior parte da minha vida alisando os cabelos por ter me habituado a esse padrão estético, no final do ano passado passei a me incomodar com essa prática e notei que não fazia mais sentido me submeter a esse procedimento que agredia não apenas a saúde dos meus cabelos, mas a minha natureza. E esse processo de reencontro com as minhas raízes me trouxe inspiração para escrever e também para compor essa música, que nasceu de uma experiência pessoal, mas com certeza dialoga com muitas outras mulheres e meninas que passaram e passam pelas mesmas questões que eu. Por isso, decidi levar essa música adiante, daí a gravação em estúdio e o clipe.

O que o clipe significa pra você?

Luana Assiz – Esse clipe representa um processo muito bonito de autoconhecimento e empoderamento. É o resumo artístico de um momento marcante em minha vida, em que aprofundei a minha consciência como mulher negra. E nesse caminhar, tenho tido ao meu lado pessoas importantes, principalmente os meus parceiros neste trabalho: meu namorado, Peu Teles, e as amigas Dominique Meirelles e Lorena Dias.  Então agora é assistir, clica aqui! 

Ficha Técnica 

Música “Encrespei”

Composição: Luana Assiz

Arranjo e direção musical: Ataualba Meirelles

Violão: Jurandir Santana

Trombone: Hugo Sambone

Percussão: Giba Conceição

Vocal: Luana Assiz

Backing Vocal: Lorena Dias

Clipe “Encrespei”

Imagens, roteiro, fotografia, edição e direção geral: Peu Teles

Maquiagem e direção artística: Dominique Meirelles

Produção: Luana Assiz e Peu Teles

Black Week será aberta nesta segunda (21) com desfile de modelos afros e oficinas


aliancafrancesaSerá realizada de segunda (21) a quarta-feira (23), na Aliança Francesa, em Salvador, a Black Week, Alfaiates e a Moda. O objetivo é revelar profissionais da moda negra, por meio do fomento ao empreendedorismo étnico, dando visibilidade aos seus serviços e produtos.

A cerimônia de abertura inicia às 18h30, no Teatro Moliere, com oficina de bijuterias e acessórios, pela designer Fátima Dantas, e desfile moda praia, do estilista Marcelo Moura. Os modelos são jovens negros de bairros da capital baiana, como Cosme de Farias, Piedade, Pernambués, Periperi e Liberdade.

A iniciativa é da Associação Civil Filhos de Bárbara (ACFBA) e conta com o apoio da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do Estado (Sepromi) por meio do Edital Agosto da Igualdade, no eixo Desenvolvimento, da Década Estadual Afrodescendente.

A programação conta, ainda, com exposição e feira. Já na terça-feira (22), sempre no mesmo horário, serão promovidas oficinas de torsos e cabelos afro, respectivamente, por Dandara Tolegí e Pretinha do Curuzu. O encerramento da Black Week será marcado pelo desfile de moda candomblé e alta modelagem, pela equede Conceição Aflitos e beneficiários da ACFBA.

Black Week, Alfaiates e a Moda

Data: segunda-feira (21/11) a quarta-feira (23/11).
Horário: 18h30.
Local: Aliança Francesa – Av. 7 de Setembro, 401 – Ladeira da Barra.
Produção: Pai Roberto

Unime promove debate sobre mídia e movimentos sociais


jornalismo-digital
Banco de Imagens

Alunos e especialistas poderão discutir o comportamento da grande imprensa brasileira diante das minorias ideológicas nesta quarta e quinta (30/11 e 1/12), na Faculdade Unime. O convite é do Fórum Odara e apresenta debate sobre como negros, homossexuais e mulheres são vizibilizados neste campo.

O encontro é promovido pelo curso de jornalismo da faculdade e aberto ao público. Será realizado no auditório da Unime, Campus II, Imbuí, próximo ao supermercado Extra, a partir das 19h. As inscrições são realizadas pela página do evento no facebook: facebook.com/forumodara ou através do e-mail [email protected].

representação de negros na midia
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Programação

Na quarta-feira (30/11), o mestre em cultura e sociedade pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Éder Santana, e o jornalista especializado em democracia participativa, república e movimentos sociais, Nilton Lopes, falam sobre como a mídia representa as minorias ideológicas.

Na quinta-feira (1º/12), líderes de movimentos sociais trazem sua visão sobre como a mídia representa as minorias ideológicas, com participação dos jornalistas e mestre em Comunicação e Cultura pela UFBA, André Luís Santana; a jornalista e mestre em Artes Cênicas pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da UFBA, Mônica Santana, e a jornalista e mestra do Programa Multidisciplinar em Cultura e Sociedade da UFBA, Thais Faria.

“Por isso, o exercício da autocrítica é tão importante quanto o da crítica aos poderes instituídos. Os cursos de jornalismo têm um importante papel de identificar e criticar as formas como o jornalismo difunde preconceitos, ajuda a estigmatizar ou invisibilizar grupos sociais. Este é um papel que cabe também aos cursos que estão formando as novas gerações de jornalistas” – Fred Burgos, coordenador do curso de Jornalismo da instituição. 

SERVIÇO

Fórum Odara: A Mídia e a Representação das Minorias Ideológicas

QUANDO: 30 de novembro e 1º de dezembro

HORARIO: às 19h

ONDE:Faculdade Unime Salvador – Campus II – R. Prof. Jaíro Simões, 3172 – Imbuí, Salvador – BA, 41720-375

QUANTO: Gratuito

Representatividade será tema de debates e oficinas no Salvador Shopping esta terça (22)


MONIQUE EVELLE

No mês em que se celebra a Consciência Negra, o Salvador Shopping participa das comemorações reunindo nomes que se destacam no cenário atual pelo engajamento no debate acerca da representatividade, nas mais diversas esferas da sociedade. O evento ocupa a pauta do Teatro Eva Herz (Livraria Cultura) nos dias 21 e 22 de novembro (segunda e terça). As inscrições, gratuitas, podem ser feitas a partir deste sábado, dia 19, no local.

Bate-papos e oficinas se combinam na programação, que tem curadoria assinada por Ilka Danusa, uma das fundadoras do Instituto de Mídia Étnica, organização focada na garantia do direito à comunicação e uso das ferramentas tecnológicas por grupos socialmente excluídos, especialmente a comunidade afro-brasileira.

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Djamila Ribeiro

No dia 22, às 14h30, os convidados se reúnem em torno do tema Representatividade Importa Sim!. O bate-papo conta com a presença da filósofa Djamila Ribeiro, colunista do site Carta Capital e do blog da editora Boitempo, atualmente secretária adjunta da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo.

Ela ganha a companhia da produtora Noemia Oliveira e do ator Orlando Caldeira, idealizadores do projeto carioca Identidades, exposição fotográfica que traz ícones populares originalmente brancos representados por pessoas negras. É a primeira vez que os autores saem do Rio de Janeiro para falar desta experiência.

O encontro ganha a mediação da influenciadora digital baiana Monique Evelle, fundadora da Desabafo Social, plataforma que desenvolve projetos que contemplam as áreas de educação, comunicação e empreendedorismo.

OFICINA

O público participa de uma Oficina de Turbantes, sob o comando da estilista Dete Lima, diretora e uma das fundadoras do bloco afro Ilê Aiyê, e de Catarina Lima, historiadora e especialista em estudos étnicos e raciais. Juntas, elas encabeçam o Curso de Estética Afro oferecido gratuitamente pelo Ilê Aiyê, dando aulas de turbante, amarrações no corpo e trança.

dete lima turbantes

Também integra a programação a exposição Sou Negro, Sou Índio, Sou Branco, Sou Brasil, que pode ser conferida entre os dias 21 e 30 de novembro, no piso L2 do Salvador Shopping (próximo à loja Oakley). Fruto da Oficina de Cidadania realizada pelo IJCPM (Instituto João Carlos Paes Mendonça de Compromisso Social), o ensaio fotográfico traz jovens das comunidades de Pernambués, Saramandaia e Boca do Rio, clicados pelo fotógrafo Eduardo Lubisco. Idealizada e produzida por Daniela Andrade, instrutora do IJCPM, a mostra busca ressaltar a beleza afrodescendente dos jovens e fortalecer sua autoestima.

22 de novembro (terça-feira)

12h às 14h – Oficina de Turbante, com Dete Lima e Catarina Lima (BA)

14h30 às 17h – Bate-papo Representatividade Importa Sim!, com Djamila Ribeiro (SP), Noemia Oliveira (RJ), Orlando Caldeira (RJ) e Monique Evelle (BA)

Única especialista em pele negra no país estará em Salvador esta segunda (21)


ketleen conceição

Quantas vezes procuramos um serviço médico que seja especializado em nossas particularidades? No caso da pele negra, este diferencial parece ser impossível em Salvador, apesar de sua população ser mais de 80% negra. O primeiro passo para preencher esta lacuna será dado nesta segunda (21). A única dermatologista no país com esta especialização  – Dra. Katleen Conceição – estará na cidade nesta data, às 15h, para participar de um debate sobre “Estética Negra e Empoderamento”. O debate será no Teatro Eva Herz (Livraria Cultura) e é aberto ao público.

Ketleen se unirá a Naira Gomes, antropóloga, uma das coordenadoras da Marcha do Empoderamento Crespo, que já reuniu – em suas duas edições – mais de 15 mil mulheres, homens e crianças negras nas ruas de Salvador. O debate será mediado pela editora chefe do Portal SoteroPreta, Jamile MenezesTem muito mais na terça-feira, dia 22. 

Conheça as debatedoras:

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Banco de Imagens

Dra. Katleen Conceição

Dermatologista pela Sociedade Brasileira de Dermatologista do Rio de Janeiro e membro da Sociedade Brasileira de Laser. Já esteve à frente dos Ambulatórios de Dermatologia da Pele Negra do Hospital Federal de Bonsucesso e da Santa Casa de Misericórdia, ambos no Rio de Janeiro. Também é especialista em lasers, desenvolvendo trabalhos com Cutera, Starlux, Lightsheer, Laser CO2, Fraxel Repair, Dual, entre outros. Atende na Clínica Paula Bellotti, no Leblon, uma das mais conceituadas da América Latina. Em sua cartela de pacientes, nada menos que famosos como Lázaro Ramos, Taís Araújo, Preta Gil, Cris Vianna, Thiaguinho, Juliana Alves e Érica Januzza.

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Acervo Pessoal

Naira Gomes

Ela é antropóloga, com pesquisas na temática da estética negra, eme special a transição capilar. Suas pesquisas embasam o conceito de um dos movimentos mais reconhecidos de Salvador em torno do empoderamento de negros e negras a partir de seus cabelos: a Marcha do Empoderamento Crespo, que já reuniu – em suas duas edições, de 2015 e 2016 – mais de 15 mil pessoas nas ruas de Salvador. Confira aqui artigo de Naira Gomes aqui no SoteroPreta sobre o assunto.

BELEZA NEGRA – A beleza e a estética negras também terão lugar no Curso de Automaquiagem, neste mesmo dia (21), das 12h às 14h, com as maquiadoras Karoline Lima e Cláudia Isabele, da Afromake. As inscrições são presenciais e gratuitas.

 

Katlleen Conceição concedeu uma mini entrevista ao Portal SoteroPreta, confere:

Pq se especializar em pele negra? O que fundamentou essa decisão profissional?

Katleen: Meu pai é dermatologista, minha referência e vi que havia uma carência na dermatologia para pele negra, logo fui para os EUA e comecei a realizar cursos especializados para pele negra.

Como lidou com sua negritude ao longo dessa sua trajetória médica?

Katleen: Como meu é dermatologista e sempre foi minha referência e com uma auto estima incrível, sempre me posicionei quanto à questão do preconceito. Encarava de frente qualquer situação que era criada para me desfavorecer é transformava a meu favor. Auto estima é tudo!

Pq é importante ocupar espaços como o Shopping para falar de beleza Negra?

Katleen: Porque não nos vemos em nenhum lugar,sempre são as pessoas brancas ou de pele clara, que aparecem em destaque. Logo, se nos vermos,nos fortalecemos. isso nos faz acreditar que realmente podemos qualquer coisa.

Quem são suas referências na área em que atua?

Katleen: Meu pai, Dr. João Paulo, foi e sempre será a minha referência. Ele é “o cara”, veio do nada lá do sul e com quatro filhos fez a sua história e fez com que nós fizemos a nossa. Ele colocou a auto estima e o poder de sempre se superar e transpor qualquer barreira colocada em nosso caminho. João Paulo meu pai é a MINHA REFERÊNCIA!

PROGRAMAÇÃO

21 de novembro (segunda-feira)

12h às 14h – Oficina de Automaquiagemcom Karoline Lima e Cláudia Isabele

15h às 17h – Bate-papo Mulher Negra, Estética e Empoderamento, com Katleen Conceição (RJ), Naira Gomes (BA) e Jamile Menezes (BA)

Festival A Cena Tá Preta terá teatro, música, dança e cinema no Teatro Vila Velha este mês


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Um verdadeiro Festival de Arte Negra está sendo preparado pelo Bando de Teatro Olodum e Teatro Vila Velha para acontecer de 4 a 27 de novembro. Um mês, praticamente, de espetáculos, música, moda, cinema, várias linguagens estarão juntas no Vila ao longo destes dias. Estamos falando do Festival “A Cena Tá Preta”, que há 13 anos pauta a Cultura de legado africano nos palcos do Vila. A meta: “fortalecer, divulgar e festejar esta arte, destacando sua representatividade na constituição da identidade cultural do povo brasileiro”. O Portal SoteroPreta apoia o Festival e trará matérias especiais da programação! 

opaiobandoteatroolodumTEATRO

Quem abre alas neste Festival é o renomado espetáculo “Ó, Paí, Ó!” (4, 5 e 6/11), montagem do Bando de Teatro Olodum dirigida por Marcio Meirelles, já conhecida em todo Brasil. Já no dia 8, será a vez da peça “Sobejo”, primeiro solo da atriz e produtora Eddy Veríssimo, da Outra Companhia de Teatro.

A peça é escrita e dirigida pelo ator, dramaturgo, diretor e figurinista, Luiz Buranga e retrata a biografia fictícia da personagem Georgina Serrat. Ela é uma dona de casa que depositou a fé sobre sua felicidade no casamento e, como muitas mulheres do nosso tempo, tem seus sonhos frustrados pelas agressões de um marido violento. 

Nos dias 10 e 11, a peça “Rebola” – dirigida por Thiago Romero, com texto de Daniel Arcades e direção musical de Jarbas Bittencourt – vai problematizar a questão da invenção do gueto, uma homenagem à criação e resistência de espaços de articulação para a comunidade LGBTQI. Em seguida, 12 e 13, será a vez de “O Contentor (O Contêiner)”, com dramaturgia do premiado autor angolano José Mena Abrantes e direção estreante de Ridson Reis. O espetáculo traz à tona questões como imigração, direitos humanos e a busca de um sonho. No palco, ao lado do próprio Ridson, estão os intérpretes EddyFirenzza e Cell Dantas.

julianaribeiroacenatapretaMÚSICA

O palco do Vila também terá espaço para a música negra e quem abre é o espetáculo FAYA”, dirigido pelo ator do Bando, Jorge Washington. No dia 18, FAYA terá a musicalidade do cantor e compositor Dão com o multi-instrumentista Maurício Lourenço, unidos a quatro negras mulheres: a atriz Valdineia Soriano, a ativista e socióloga Vilma Reis, a professora e poeta Livia Natália e a cantora norte americana, Michaela Harrison, de Nova Orleans.

Os músicos prometem revisitar grandes clássicos de compositores negros e outros bambas do passado. A música embalará mulheres que desfilarão para a Negrif, da estilista Madalena Bispo – é o  desfile “Sexta do Branco”, apresentando indumentárias na cor branca, simbolizando a PAZ e os referentes culturais afro brasileiros.

Dia 19, sábado, será a vez da cantora e compositora Juliana Ribeiro, com seu show “Preta Brasileira”, que fala de miscigenação racial e das inúmeras denominações para os tons de pele do brasileiro. Suas letras falam da mulher negra contemporânea, inspirada na própria vivência da artista.  . O show tem direção artística e concepção de Juliana Ribeiro e direção musical de Marcos Bezerra.

naracoutooutrasafricasNo dia 27, a cantora baiana Nara Couto apresentará seu show “Outras Áfricas”, sob a direção artística de Elísio Lopes Jr. Com o show, a artista busca estabelecer uma ponte musical entre o continente africano e a Bahia, com releituras contemporâneas de canções clássicas e novas propostas sonoras.

DANÇA

As artes negras também estarão expressas na Dança com o “O Corpo na Cena”, que reunirá as coreografias “Negra Fé” e “Vozes D’África”, da companhia Lekan Dance. “Negra Fé” é baseada nos itans do Phateon Africano onde bailarinos movem-se com força e graça. Já a coreografia “Vozes D’África” traz toda luta do povo negro por sua liberdade desde o início na época da escravidão. A apresentação será no Dia da Consciência Negra – 20 de novembro.

“Da própria pele não há quem fuja”  é o nome do espetáculo de coreografias que será encenado nos dias 25 e 26. Elas exploram a simbologia dos orixás e os aspectos das manifestações populares como Zambiapunga e Mandus, através de um olhar contemporâneo. Aqui a dramaturgia transita entre memórias pessoais, e nas ressignificações destas manifestações na composição coreográfica.

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Filme ÒRUN ÀIYÉ

CINEMA

Uma grande novidade do “VII Festival A Cena tá Preta” – no dia 22 – será o “Cine na Cena”, com apresentação de três curtas: Cinzas, da diretora Larissa Fulana de Tal; ÒRUN ÀIYÉ, das diretoras Jamile Coelho e Cintia Maria; e O Tempo dos Orixás, da cineasta Eliciana Nascimento.

Após a exibição dos filmes, haverá um bate-papo com elenco e equipe, sobre a criação dos curtas e a nova geração de cineastas baianas.

CONFIRA HORÁRIOS E VALORES

Ó Paí, Ó!
Quando: 4, 5, 6/11, sexta-feira e sábado às 20h, domingo às 19h
Onde: Teatro Vila Velha – Sala Principal
Valor: R$ 30 e 15
Classificação indicativa: 14 anos

Sobejo 
Quando: 8/11, terça-feira, 20h
Onde: Teatro Vila Velha – Sala Principal
Valor: R$ 30 e 15
Classificação indicativa: 15 anos

Rebola

Quando: 10 e 11/11, quinta e sexta-feira, 20h
Onde: Teatro Vila Velha – Sala Principal
Valor: R$ 30 e 15
Classificação Indicativa: 16 anos


O Contentor (O Contêiner)

Quando: 12 e 13/11, sábado às 20h, domingo às 19h
Onde: Teatro Vila Velha – Sala Principal
Valor: R$ 30 e 15
Classificação Indicativa: 12 anos

Show “FAIYA”
Quando: 18/11, sexta-feira, 19h30
Onde: Teatro Vila Velha – Sala Principal
Valor: R$ 30 e 15
Classificação Indicativa: LIVRE

Juliana Ribeiro – Show “Preta Brasileira”
Quando: 19/11, sábado, 20h
Onde: Teatro Vila Velha – Sala Principal
Valor: R$ 30 e 15
Classificação Indicativa: 14 anos

O Corpo na Cena 

Quando: 20/11, domingo, 19h
Onde: Teatro Vila Velha – Sala Principal
Valor: R$ 30 e 15
Classificação Indicativa: 14 anos

Cine na Cena
Quando: 22/10, terça-feira às 19h
Onde: Teatro Vila Velha – Cabaré dos Novos
Valor: R$ 20 e 10
Classificação Indicativa: 12 anos

Da própria pele não há quem fuja  

Quando: 25 e 26/11, sexta-feira e sábado, 20h
Onde: Teatro Vila Velha – Sala Principal
Valor: R$ 30 e 15
Classificação Indicativa: 14 anos

Nara Couto: Outras Áfricas
Quando: 27/11, domingo, 19h
Onde: Teatro Vila Velha – Sala Principal
Valor: R$ 30 e 15
Classificação Indicativa: 12 anos

Poetas promovem Batalha Poética com adolescentes da Case Feminina


saraucasefemininaEle é um dos idealizadores do Sarau da Onça e do Grupo Recital Ágape, é instrutor de Teatro e Poesia na Fundac – Unidade de Atendimento Sócio Educativo, Case Feminina. Evanilson Alves, poeta, decidiu unir sua paixão, que é a Poesia, ao seu trabalho, realizando na última quarta-feira (16), na Case, o “II Slam Força Feminina”.

A batalha poética que teve as pretas Dayse Sacramento, Negreiros Souza, Gleise Sousa, Débora Santos, Lane Silva e Joyce Melo como juradas, junto à Insurreição RAP, com Rafael Silva e Kozak Souza.

A força pôde ser sentida por quem lá esteve e participou. “Foi uma explosão de sentimentos, sensações, encontros, corações acelerados, arrepios, choros de emoção, abraços apertados, carinho, luta, cuidado, poesia, talento e atenção”, relata Evanilson.

Para Negreiros Souza, que relatou a experiência em sua Rede Social, “as meninas arregaçam com qualquer estrutura psicológica”.

“Chorei de alegria, chorei de satisfação, chorei por elas, por mim, por essa oportunidade.

Ideias poderosas estão brotando da minha mente.” – Negreiros Souza

Gleise Sousa vai na mesma linha. “Não encontro palavras para descrever a grandeza do dia. Aquelas meninas e suas histórias me ensinaram muito e me emocionaram na mesma medida. Só consigo ser grata por vivenciar aquele momento”, diz.

O “Slam Força Feminina” foi o resultado das diversas oficinas de poesia que Evanilson ministra no dia a dia da unidade. As oficinas demandam das adolescentes deixar vir à tona todo talento que há nelas, escrever com a alma, com sentimento. “A palavra que reina é liberdade”, diz o instrutor.

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O trabalho não seria possível sem uma grande equipe junto a Evanilson: Patricia Souza, Marcia Almeida, Edvalda Figuereido, Marcia Oliveira Freitas, Luciana Lima, de Alice Lopes, Daniela Ferraz Matos, Luziane Luzia Santos. O prêmio? Um kit contendo: Camisas da loja Afreeka, livros de autores baianos, como Fábio Mandingo, cadernos, produtos de beleza, cds, camisas e o livro “A poesia cria asas”, do Grupo Recital Ágape. Agradecimentos aqui a Rangell Santana, Fábio Mandingo, Zezé Ifatolá Olapetun Olukemi, Indemar Nascimento e Taís Sousa.

Veja uma das poesias…

Texto: Cela fria

A pressão bate 
Quando escuto o barulho das grades.
Ao ouvir o cadeado bater
Sinto calafrio
O coração aumenta as batidas
Sem saber a que temer.
Numa cela fria
Sem alegria
Sentindo muita agunia.
Cheguei até pensar em chorar
Mais sabendo eu que já vi 
Muitas tentar se enforcar
E até se matar.
Tento ser forte pra não surtar
Pois sei que essa vida do cão
Nunca vai compensar.

Autora: S. S. 16 anos.

“Foi importante ver o sorriso no rosto, o respeito e a satisfação de cada adolescente ao recitar sua poesia e mostrar pra todo mundo o poder que a escrita e as palavras tem. Estou imensamente feliz. E não tenho dúvidas que o caminho para  mudança passará pela arte educação.
Nenhum passo atrás”, relata Evanilson.

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Débora Santos Foto: Revista Quilombo

Com a palavra, uma das juradas, Débora Santos:

“Eu sou Maria, sou Joana, sou Rita, sou Patrícia, sou Josefa, sou Camila, sou Juliana. Sou mulher negra, sou todas as mulheres negras. Eu sou as que adoeceram emocionante por conta dos percalços do racismo. Eu sou as que adoeceram fisicamente, porque o racismo consumiu todo o psicológico e depois correu para os seus membros. Eu sou as que morreram na fila do hospital depois de ter trabalhado anos sendo mão de obra barata pra sustentar o capitalismo que excluí, adoece e mata.

Eu sou as que tem que deixar o filho em casa para ninar o filho da patroa branca. Eu sou as maiores vítimas de feminícidio no Brasil. Eu sou as maiores vítimas de morte no momento do parto, pq os médicos tratam como um ser desumanizado e incapaz de sentir dor. Eu sou as 13 que choram diariamente, quando um jovem negro é assassinado no Brasil. Eu sou as que criam seus filhos sozinhas porque os pais somem.

Eu sou mulher negra, eu sou todas as mulheres negras. E ontem, no momento que entrei na Unidade Socioeducativa CASE Feminina, conheci mais umas partes do meu Eu, passei a ser mais 19. Agora eu também sou as privadas da liberdade. Sou as que ficam presas meses, e às vezes anos, e não recebem visitas. Sou as menores detidas, transtornadas sem entender o porquê do abandono do pai. Sou elas tentando provar pra mãe que vai mudar e tudo será diferente. Eu fui as dezanove que recitaram, as cinco irmãs q compuseram o júri comigo. Agora eu sou mais 24”.

Poesia: Quem é você?

Quem é você?
Que tipo de pai é você?
Que da sua filha esqueceu?
Que deixou sua filha crescer longe de você?
Que tipo de pai é você?
Que preferiu criar as filhas de outra mulher,
menos os seus?
Que nem liga pra saber se sua filha ja comeu, ou ja morreu?
Que tipo de pai é você?
Que se eu não avisasse,
não saberia que hoje estou presa mais uma vez.
Que tipo de pai é você?
Que nunca procurou me entender?
Que nunca me deu uma oportunidade de mostrar,
o quanto eu gostava de você?
E que não estava do meu lado quando eu mais precisei.
Que só serviu pra me julgar, quando eu comecei a me envolver.
E só via meus erros, menos os seus.
E que sempre pensou só em você.
Na verdade quem é você?
Autora:
J. Esmeralda. 16 anos.