Djs comandam RAVE com ritmos africanos no Casarão do Lord dia 5


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Imagina uma RAVE somente com músicas de origem africana, que estão fazendo sucesso na África Subsaariana, por exemplo? Tipo Kuduro, Kizomba…e imagina que vai rolar em Salvador. É a AFRO RAVE (Misturas & Ritmos Africanos), comandada pelos DJ Elton Santos, DJ Jack Nascimento e DJ Fabio Lima (Angola), que vai acontecer no primeiro sábado de novembro – dia 5 – a partir das 21h no Casarão do Lord (Pelourinho).

Além de dançar muito, o público poderá fazer pinturas étnicas com cores em neon, promovidas pelo artista visual e tatuador Carlos Tattoo. A AFRO RAVE é destinada a jovens e adultos interessados na cultura africana contemporânea, aqueles que a admiram, fortalecem e promovem. “A proposta da RAVE é mostrar que nós também temos condições de produzir um grande evento regado a musica eletrônica de qualidade, tendo como foco nossas raízes, mas deixando bem claro que o Afro Rave é um evento para jovens e adultos interessados em trocar experiências culturais”, dá o recado, Elton Santos – Dj e idealizador do projeto.

afrorave2Tá rolando lista amiga: acesse www.afrorave.com.br, cadastre seu nome, garanta sua presença e ganhe desconto no ingresso que está no valor de R$20. Além disso, quem for ao evento “O Poder da Minha Cor” (saiba mais deste evento), no mesmo sábado (5) e levar o panfleto da Rave, carimbado com “Passaporte de Meia Festa Afro Rave”, garantirá desconto de R$10 no valor do ingresso.

SERVIÇO

Festa AFRO RAVE (Misturas & Ritmos Africanos)

Quando: 5 de novembro, 21h

Onde: Casarão do Lord – Pelourinho

Quanto: R$20, R$15 (lista amiga)

Fotos: Débora Monteiro

Novo single da Banda Ifá já tá disponível: “Sava Dor”


Foto: Heder Novaes
Foto: Heder Novaes

“Uma sonoridade que remete às contradições de uma cidade. Quem ouve tem a sensação de percorrer as vias engarrafadas e becos estreitos da cidade que pulsa de forma intensa por todos os cantos.” É o que promete a banda IFÁ, já bem conhecida pelo público soteropreto, que lota suas apresentações com seu novo single: “Salva Dor” (ouça abaixo).

Com lançamento previsto para novembro, o novo disco propõe um diálogo musical: de um lado o Ijexá, do outro ,a música da diáspora africana, a exemplo do Funk de James Brown e o Afrobeat de Fela Kuti.

O projeto foi selecionado pelo Edital Natura Musical 2015, e inclui a gravação do disco e show de lançamento. Desde 2012, o edital Bahia já contemplou 22 projetos, dentre eles a digitalização do acervo de Batatinha e o primeiro DVD do Ilê Aiyê, além dos novos trabalhos de Russo Passapusso, Larissa Luz, Manuela Rodrigues e agora IFÁ.

Ficha técnica: “Salva Dor” Átila Santtana, Jorge Dubman, Fabricio Mota, Junix, Prince Áddamo,Vinicius Freitas, Juliano Oliveira Fabricio Mota: Baixo Jorge Dubman: Bateria e Agogô Vinicius Freitas: Sax Barítono Normando Mendes: Trompete Léo Couto: Sax Tenor Alexandre Espinheira: Percussão Junix: Guitarra Átila Santtana: Guitarra Prince Áddamo: Guitarra Juliano Oliveira: Teclados

OUÇA: 

 

#SoteroRelato – Laísa Gabriela sobre ser de Candomblé


laisagabriela“Deus é mais!”, “Você está cultuando o demônio?”, “Logo você, que já foi da igreja se envolvendo com essas coisas? Sai disso!”, “Você tem que procurar Deus, porque esse Deus aí que você diz que cultua não é o meu”, “Jesus disse que os feiticeiros não teriam o reino dos céus, vá buscar Jesus, ele é o único que salva”.

Essas foram algumas das coisas que após passar por um resguardo, usando roupas brancas por 21 dias. Ouvi isso de pessoas na rua, familiares e até mesmo de um rapaz no ônibus que nunca vi na vida.

Dói ter que ouvir essas coisas. E o que mais dói é lembrar que um dia fui evangélica e também preconceituosa, então, agora consigo entender o que as pessoas sentiam quando eu agia de forma ignorante e desrespeitando a fé delas.

Acho que na nossa vida tudo serve como aprendizado, aprendi da pior forma, passando pelo mesmo e estando no lugar daqueles que um dia ofendi.

A situação quanto à intolerância religiosa está tão alarmante no país, que só em 2015 o Disque 100 registrou 556 casos. Segundo dados da Secretaria de Direitos Humanos, vinculada ao Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, de 2011 até 2015 o número de denuncias subiu de 15 para 556 (http://bit.ly/1T6EzeX e http://bit.ly/1TKJtg3). Esse aumento pode ter se agravado devido à coragem das pessoas de denunciar.

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No Brasil, já tivemos diversos casos conhecidos nacionalmente. Desde casas de candomblé queimadas (http://glo.bo/2buXccK), imagens das divindades queimadas (http://glo.bo/2buZ3y8), casos de intolerância dentro do coletivo (http://bit.ly/2aZYbho) e pasme, até criança sendo apedrejada (http://glo.bo/1Ce1hUV). Diante de tudo isso, me pergunto: onde vamos parar e o que vai ser feito pelo nosso povo? Esses são apenas alguns tristes exemplos, mas por aí a fora tem muito mais!

Fico incomodada quando as pessoas usam o que creem como verdade absoluta, desmerecendo as demais religiões, desrespeitando e sendo intolerante e muitas vezes, sendo racista também, associando a nossa cultura a algo ruim.

Vivemos em um mundo onde existem milhares de culturas, religiões, sendo que todos precisam aprender a conviver no mesmo espaço e respeitando as diferenças de cada um, não é o que acontece.

Meu desejo é que um dia as pessoas entendam que para mim Orixá é amor, respeito, união, é o ar que respiro, é o vento que toca meu rosto, é a coragem que surge em mim para enfrentar as mais diversas situações é o desejo de justiça que tenho quando vejo alguém injustiçado, é a força ao acordar, é vida!

Não cultuo ao diabo, cultuo divindades e exijo respeito, não só para mim, mas para todos os irmãos de Asè! Desejo força para cada um de nós que precisa lidar diariamente com essas situações.

Não nego minha fé, sou candomblecista sim e não tenho vergonha disso. Asè ooo!

Laisa Gabriela de Sousa é SoteroPreta, estudante de Jornalismo, candomblecista e doceira.

O #SoteroRelato é um espaço aberto a todos e todas que queiram relatar uma experiência em algum campo da Cultura Negra vivenciada em Salvador: eventos, projetos, ações formativas, etc. Participe, conte-nos seu relato: [email protected] 

Vilma Reis recebe Comenda 2 de Julho na Assembleia Legislativa esta quinta (27)


vilmaReferência em ações de defesa e garantia de direitos da população negra, mulheres, jovens e da comunidade LGBT, a socióloga e ouvidora da Defensoria Pública da Bahia, Vilma Reis, recebe nesta quinta-feira, 27, às 10h, no Plenário da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), a Comenda 2 de Julho. A honraria é proposta pelo deputado estadual Gika Lopes (PT).

Em agosto deste ano, Vilma recebeu a Medalha Zumbi dos Palmares, proposta pelo vereador Sílvio Humberto (PSB). A Medalha é a maior condecoração no município que pode ser outorgada a pessoas que se destaquem na luta contra o racismo e intolerância.

Vilma Reis

Entre 2009 e 2012, participou do Movimento de Defesa das Comunidades Quilombolas na Chapada Diamantina. A socióloga Vilma Reis foi coordenadora executiva do Ceafro e presidente do Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra (CDCN). Atuou na coordenação do Centro de Combate ao Racismo do Estado da Bahia. Natural de Nazaré das Farinhas, Recôncavo Baiano, é ativista do Movimento de Mulheres Negras, foi professora da Universidade Estadual da Bahia (Uneb), pesquisadora associada do projeto Raça e Democracia nas Américas e da Associação Nacional de Cientistas Políticos Negros (as) dos EUA.

Foto destaque: Lúcio Távora (A Tarde)

Cidadania Cultural em Debate retorma nesta quarta (26) debatendo políticas culturais


Monique Evelle
Monique Evelle

No próximo dia 26 de outubro (quarta-feira), das 18h30 às 20h30, será dada continuidade ao ciclo de debates “Cidadania Cultural em Debate”, com o tema “Infância e juventude: a cultura como chave para o desenvolvimento”. Os encontros, que são mensais, acontecem no auditório do PAF 5 da Universidade Federal da Bahia (UFBA), abertos ao público.

Quatro mulheres vão compor a mesa, mediadas por Luísa Saad, diretora de Cidadania Cultural da SecultBA. A primeira convidada é Monique Evelle, fundadora da Desabafo Social, espaço que, desde 2011, realiza e compartilha práticas alternativas de direitos humanos da infância e da juventude, comunicação e cidadania, tendo recebido o Prêmio de Protagonismo Juvenil pela Associação Brasileira de Magistrados, Promotores de Justiça e Defensores Públicos da Infância e da Juventude. Monique, colocada entre as 25 negras mais influentes da internet brasileira, é também sócia-proprietária da Kumasi e da Tríade – Comunicação e Marketing Digital, além de curadora do Catarse, maior plataforma de financiamento coletivo do Brasil.

Também estará presente Ilka Bichara, graduada, mestre e doutora em Psicologia, professora associada da Universidade Federal da Bahia (UFBA), atuando como pesquisadora e docente na graduação e pós-graduação. Tem experiência na área de Etologia e Psicologia do Desenvolvimento, focada principalmente nas temáticas de crianças e brincadeira, brincadeira e contextos culturais, brincadeiras em espaços urbanos. É atualmente diretora do Instituto de Psicologia da UFBA e coordenadora do GT “Brinquedo, educação e saúde” da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia (ANPEPP).

Milla Carol
Milla Carol

Milla Carol é a terceira da lista. Estudante de Administração na Faculdade Regional da Bahia, é produtora da festa TOMBO – Empoderamento Feminino, que visa dar espaço e visibilidade para as mulheres nas noites soteropolitanas, e coprodutora da BATEKOO, que busca trazer as novas performances da juventude negra, através da estética e da arte. Militante pelo Coletivo Juventude Negra ENEGRECER e pela Marcha do Empoderamento Crespo.

Fechando o quarteto e também trazendo a perspectiva da atuação do poder público nesta área, estará Milena Mariz, educadora, psicóloga e artista da dança. Atualmente, trabalha na Fundação da Criança e do Adolescentes da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (FUNDAC/SJDHDS), com adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas. Mestre em Educação, cursando especialização em Psicologia Social, Milena tem interesses diversos que permeiam as áreas da educação e socioculturais. Há algum tempo, se dedica a conhecer estratégias pedagógicas que estabelecem metodologias diferenciadas de construção do conhecimento.

A iniciativa marca uma nova proposição da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), por meio da Diretoria de Cidadania Cultural (DCC), setor vinculado à Superintendência de Desenvolvimento Territorial da Cultura (Sudecult), no sentido de incorporar em suas políticas perspectivas mais profundas das diversidades culturais.

Cidadania Cultural em Debate
“Infância e juventude: a cultura como chave para o desenvolvimento”
Com: Monique Evelle, Ilka Bichara, Milla Carol e Milena Mariz
Quando: 26 de outubro de 2016 (quarta-feira), das 18h30 às 20h30
Onde: Auditório do PAF 5 da UFBA (Ondina)

Inscrições abertas para III Congresso Internacional de Direito dos Povos e Comunidades Tradicionais


quilombolasDias 24, 25 e 26 de novembro de 2016, a Faculdade de Direito da UFBA realiza o III Congresso Internacional de Direito dos Povos e Comunidades Tradicionais, com o intuito de aprofundar o diálogo e revelar o estado das pesquisas, práticas e efetivação dos direitos dos povos e comunidades tradicionais. O evento contemplará a apresentação de trabalhos orais com palestras e conferências; sessões temáticas e mesas redondas, minicursos, que darão a oportunidade aos participantes de debater fundamentos teóricos e experiências implementadas na defesa do direito destes povos

O III Congresso tem como tema central: ” Direito dos Povos e Comunidades Tradicionais, diálogos de saberes e emancipação”e coordenação científica dos professores Ordep José Trindade Serra (FFCH UFBA) e Julio Cesar de Sá da Rocha (Direito UFBA).

Confira aqui toda programação e faça sua inscrição.

Anderson Petti e João Almy apresentam Berimbau Aparelhado Violão Inventável (B.A.V.I)


Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Os músicos Anderson Petti e João Almy – formados pela Universidade Federal da Bahia – se encontram para formar o B.A.V.I. Berimbau Aparelhado Violão Inventável, um encontro onde o berimbau e o violão se unem na construção de texturas, ambiências e melodias. O encontro acontece no Teatro Gamboa Nova (Aflitos), dias 5 e 6 de novembro, às 20h.

A ideia é explorar o uso do berimbau, agregado à aparelhagem eletrônica,unindo a experimentação a referências musicais populares, como a música regional ou estilos urbanos.

Onde: Teatro Gamboa Nova (Rua Gamboa de Cima, 3, Aflitos)
Quando: 04 e 05 de Novembro
Horário: às 20h
Valor: R$ 20,00 (inteira) R$ 10,00 (meia)

Foto destaque: Patricia Almeida

Áfricas Criativas – Debates preparam III Encontro Internacional da Economia Criativa na Bahia


Mário Lúcio - Cabo Verde
Mário Lúcio – Cabo Verde

No próximo dia 26/10, o Observatório da Economia Criativa da Bahia (OBEC-BA) dará início a uma série de debates presenciais e online com o objetivo de preparar coletivamente o III Encontro Internacional da Economia Criativa, que terá como tema “Áfricas Criativas”. A terceira edição do evento, que ocorrerá em 2017, discutirá as influências históricas e contemporâneas da cultura africana na produção artística e na economia da cultura na Bahia, no Brasil, no próprio continente africano e nas mais diversas diásporas negras no mundo.

A primeira roda de conversa (26/10) sobre o tema, a ser realizada no Museu de Arte da Bahia (Corredor da Vitória), contará com a presença especial do músico e ex-ministro da Cultura de Cabo Verde, Mário Lúcio, e da professora e pesquisadora da Economia Criativa, Cláudia Leitão. Mário Lúcio falará das experiências como músico e à frente do Ministério da Cultura caboverdiano, ressaltando as políticas para a Economia Criativa daquele país. O músico também lançará o livro “Meu Verbo Cultura” e fará um show case apresentando alguns dos principais sucessos da carreira.

O evento é gratuito e as inscrições podem ser feitas aqui. A iniciativa conta com o apoio da EDUFBA, do Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade e do Museu de Arte da Bahia.

AfricasCriativas facecard1III Encontro Internacional da Economia Criativa

Buscando dar continuidade ao processo de discussão sobre a economia criativa em Salvador, na Bahia, no Brasil e no mundo, de modo a ofecerer oportunidades de qualificação aos profissionais criativos, o OBEC Bahia realizará o III Encontro Internacional de Economia Criativa (#EIEC2017), em Salvador e em Santo Amaro, no primeiro semestre de 2017. Na pauta, temas referentes ao vetor socioeconômico das artes e da cultura, com destaque para as políticas públicas, as iniciativas de sustentabilidade e inovação, as cidades e suas dimensões criativas. No evento de 2017 o tema principal é “Áfricas Criativas”, com o objetivo de discutir o sistema cultural e os elos das cadeias produtivas das artes e da cultura afro-brasileira e afro-baiana, no Brasil, bem como no continente africano e nas mais diversas diásporas negras no mundo.

I Jornada de Direito, Educação, Cultura e Relações Étnico Raciais acontece na OAB


Maria Luísa Passos
Maria Luísa Passos

Nesta sexta feira (28) e na próxima (4), a Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Bahia realiza sua I Jornada de Direito, Educação, Cultura e Relações Étnico Raciais, das 18 às 22h. O evento ocorrerá na Escola  Superior de Advocacia (ESA), no Campo da Pólvora. A inscrição é 1kg de feijão.

A iniciativa é da Comissão de Promoção a Igualdade Racial, em parceria com a ESA e contará com a Conferência de Abertura da Dra. Maria Luísa Passos, pedagoga, que falara do tema: “A Lei 10.639/2003 no combate ao racismo com olhar da Pedagogia”. Em seguida, a Dra. Cléia Costa Costa, procuradora do Estado da Bahia, representante na OAB/BA do Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra, com a exposição “Regularização fundiária das áreas quilombolas e o racismo institucional”.

A inscrição pode ser realizada pelo email [email protected] e a entrega do feijão deverá ser realizada no mesmo dia (28), às 17h30, na sede da ESA, local do evento. Os alimentos serão entregues à Associação Beneficente Viver Melhor Raimunda Nádia.

Aprovado parecer que defende tombamento do terreiro Mokambo, em Salvador


mokambo-2O parecer de autoria da conselheira de cultura Ana Vaneska, que defende o tombamento do terreiro Mokambo – Onzó Nguzo za Nkizi Dandalunda Ye Tempo, localizado no bairro do Trobogy, em Salvador, foi aprovado em reunião da Câmara de Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Natural, principal instrumento de trabalho do Conselho Estadual de Cultura.

A conselheira, que preside a Câmara de Patrimônio, defende o tombamento e recomenda o cumprimento da lei municipal de proteção da área de mata atlântica, com base na legislação vigente que protege o Sistema de Áreas Verdes do Município, sendo levada em consideração que trata-se de uma Área de Proteção Cultural e Paisagística (APCP). O texto sugere que se façam valer as medidas jurídicas ao reflorestamento da área e assim garantir as características simbólicas e culturais típicas da religiosidade de matriz africana vinculadas aos elementos da natureza.

mokambo-1O início do processo consta de 2005, quando o Taata Anselmo José da Gama Santos, sacerdote do Terreiro Mokambo, solicitou ao Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) a aplicação da Lei de Patrimônio a fim de afirmar a condição necessária para preservação do espaço. O processo foi encaminhado à Câmara de Patrimônio após o IPAC ter elaborado um Dossiê de Inventário para Preservação. Em 2007, foi aplicado o tombamento provisório do terreiro e sua inscrição no Livro do Tombamento dos Bens Imóveis, como medidas preventivas que garantissem, no decorrer da ação, a inviolabilidade dos direitos culturais da comunidade detentora do patrimônio em questão.

Depois de minuciosa leitura dos documentos reunidos tanto pelo IPAC como pelo Taata Anselmo, e de feitas visitas técnicas ao local, a defesa da importância do instrumento de tombamento se faz agregando força às medidas protetivas e de salvaguarda em desenvolvimento e capitaneadas pela comunidade tradicional. O templo religioso possui o Memorial Mokambo Kisimbiê – Águas do Saber, é detentor do primeiro plano museológico de um memorial de terreiro no Brasil e tem o Plano de Salvaguarda dos Bens Imateriais daquele sítio religioso em fase de elaboração, sendo construído pela sua própria gente.

mokambo-3O parecer menciona ainda a árvore genealógica espiritual do terreiro, fazendo referência à tradição do culto na Bahia e aos caminhos percorridos pelo povo bantu durante o período escravocrata no Brasil. Além disso, cita objetos de extrema relevância, como a cadeira de Jubiabá, batizada há mais de cem anos, e faz menção à intolerância religiosa que acomete as religiões de matriz africana, bem como a violência direcionada aos terreiros, a exemplo dos prejuízos sofridos com a especulação imobiliária.

Fonte: Ascom – Conselho Estadual de Cultura

Fotos: Ana Vaneska