Programa Direito e Relações Raciais da Ufba entrega Medalha Luiz Gama nesta sexta (2)


Luiz Gama
Banco de Imagens

Nesta sexta (2), a partir das 8h, o Programa Direito e Relações Raciais da Universidade Federal da Bahia (PDDR/UFBA) realiza a terceira edição de entrega da Medalha Luiz Gama. A honraria foi criada pelo PDRR em 2014 e vem homenageando pessoas e instituições que atuam no enfrentamento ao racismo.

Neste ano, a medalha será entregue à Profa. Dra. Ana Célia da Silva e ao Coletivo Poético Ogum’s Toques Negros, em cerimônia na Sala da Congregação da Faculdade de Direito da UFBA. A  atividade é aberta ao público.

Para a advogada Marli Mateus, membro do Núcleo de Mulheres do Coletivo Ogum’s, a homenagem ‘É uma forma de oxigenar o Coletivo e resistir diante do cenário social genocida.” Também do Núcleo, a escritora Mel Adún considera “Uma grande honra, especialmente por trazer o nome de Luiz Gama, e por entender que nossa maior força reside na coletividade. Solidão não faz parte de nossas heranças.”

Em sua concepção, a iniciativa tem o objetivo de homenagear a memória do legado do jurista, poeta, jornalista e abolicionista Luiz Gama, referência para o Movimento Negro contemporâneo.

“O poeta e advogado baiano Luiz Gama, lá atrás, chamou atenção para a necessidade de fortalecermos nossas redes de afeto, nossos entrelaçamentos político-ético-estéticos. Aparentemente, somente assim poderemos fazer frente, com vida, com postura biófila, com vigor, a essa corrente temerária que hoje vigora”, enfatiza Guellwaar Adún, escritor e membro da Ogum’s Toques.

Para a professora Ana Célia da Silva, receber a Medalha é um misto de surpresa e honra. “Estendo esta homenagem a todos e todas militantes que atuam no estabelecimento da igualdade de direitos e oportunidades, uma vez que não temos. O tempo inteiro operam para nos desumanizar, então temos que reforçar nossas representações, nossa solidariedade com nós mesmos”, afirma.

“O reconhecimento de que estamos contribuindo não só para o debate ou a visibilização da literatura e de escritores e escritores negros e negras, mas também para o combate ao epistemicídio, bem como a necessária produção de epistemologias negras para fazer a mediação de nossos textos, nossos afrossaberes”, diz o escritor e membro do Coletivo Ogum’s Toques, Henrique Freitas. 

Tacun Lecy & Os Soldados de Ògún é a atração desta sexta (2) no D’Venetta


Tacun Lecy espaço d venetta
Foto: Divulgação

O cantor Tacun Lecy & Os Soldados de Ògún se apresentam na noite desta sexta-feira (2), no Espaço Cultural D’Venetta, no bairro Santo Antônio Além do Carmo. O show começa às 19h30 e está recheado de ilustres canções da música negra. O couvert é R$12.

Formado por Tacun Lecy (voz e guitarra), Junior (bateria) e Giba (baixo), o grupo apresenta, um repertório especialmente marcado por releituras de artistas como Bob Marley, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Lazzo, Gerônimo, Jorge Ben Jor bem como de artistas mais contemporâneos; além das experimentações com forte influência das músicas de candomblé.

“Já era desejo há um tempo tocar no D’Venetta. A energia fincada nesse local é carregada da ancestralidade do nosso povo. Ela fica ali, pulsando,  e sendo muito bem cuidada. Nossa música dialoga com essa energia e o show vai fluir naturalmente, como se estivéssemos num grande terreiro” – Tacun Lecy.

 

Serviço

Quando: 2 de dezembro de 2016, às 19h30

Onde: Espaço Cultural D’Venetta – Rua dos Adobes, nº 12, Santo Antônio

Atração: Tacun Lecy & Os Soldados de Ògún

Quanto: R$ 12

Sergio Laurentino e Jean Pedro apresentam “Se Deus fosse Preto”, no Teatro Gamboa


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Foto – Guilherme Malaquias/Max Fonseca

E se Deus fosse PRETO? Com essa indagação, o ator Sergio Laurentino (Bando de Teatro Olodum) e o ator e diretor, Jean Pedro pretendem inquietar quem for ao Teatro Gamboa Nova (Aflitos) até sábado (3) para conferir a peça Se Deus Fosse Preto – O Legado de LOID.

Com apresentações às 20h, a peça tem como personagem central LOID, homem negro preso injustamente pelo assassinato de sua filha e de sua esposa.

Na trama, LOID está preso, escreve textos que, após a sua morte, criarão uma nova religião universal. Sua escrita descreve um percurso até os anos 3.000, num misto de ficção e realidade, revelando surpresas de um mundo que viu a queda das religiões vigentes e o surgimento de um novo messias.

“Falo da criação e imagem de Deus, um problema mundial. Esta imagem, este nome que baseou muitas guerras, mortes e que não nos representa. A ideia é falar de uma ancestralidade, nossa herança energética, espiritual. Chegou a hora de sabermos dessa verdade, que é nossa”, enfatiza Laurentino.

O solo apresenta reflexões sobre a vida, a fé, a humanidade e questiona: Como seria se o deus cristão, ocidental, cultuado pela maior parte das religiões, desaparecesse? No lugar dele, um deus negro, com outros valores, outra doutrina e outro templo. 

Sérgio Laurentino

Sergio Laurentino integra o Bando de Teatro Olodum e, em maio deste ano, deu vida ao personagem Paulo Sultão na minisérie “O Caçador”, seu segundo trabalho na Rede Globo, após a série “Ó  Paí, Ó!”. No cinema, atuou no filme “Besouro, de João Daniel Tikhomiroff, e “Jardim das Folhas Sagradas”, de Pola Ribeiro, além do longa “Tropikaos”, do diretor Daniel Lisboa, que será lançado em breve.

Sergio Laurentino segue em novos voos. Ele acaba de gravar o filme “Tungstênio”, de Heitor Dalia, história originada de HQ está escrevendo “Exus: o menino da cabeça de fogo”, segundo solo que pretende estrear no primeiro semestre de 2017.

se deus fosse preto
Foto: Max Fonseca

Debate na Biblioteca dos Barris terá Juliana Ribeiro e Nelson Rufino


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O samba e a identidade baiana serão os assuntos abordados na próxima edição do Conversando com a sua História, que acontece na próxima segunda – dia 05 de dezembro, às 17h, na Biblioteca Pública dos Barris. Os convidados para essa edição serão os sambistas baianos Juliana Ribeiro e Nelson Rufino.

Com a temática “O Samba da Minha Terra: música e identidade baiana”,os dois palestrantes participantes irão abordar o assunto baseados no que descobriram ao longo de suas carreiras, além do que vivenciaram crescendo na cidade de Salvador.

Juliana Ribeiro é natural de Salvador e iniciou sua carreira em 2001. Desde o início, a cantora une seu trabalho de criação artística com a pesquisa. Também historiadora, a musicista foi aluna especial da Faculdade de Canto Popular da UNICAMP e tem formação técnica em canto lírico pela UFBA. Com seu timbre de voz marcante, Juliana foi indicada ao Troféu Caymmi 2007 na categoria Cantora Revelação.

Em seu trabalho, traz um repertório de variações rítmicas do samba, como Lundu, o Batuque, Jongos, Sambas Angolanos, Maxixe, Samba-de-Umbigada, entre outros gêneros. É mestra em Cultura e Sociedade (UFBA) com a Dissertação ‘Quando canta o Brasil: uma análise do samba urbano carioca na Rádio Nacional nos anos 1950’.

Nelson Rufino
Foto: Rosilda Cruz

Nelson Rufino nasceu em Salvador, no bairro do Garcia, mas escreveu a sua primeira música, “Bahia, meu 1º travesseiro”, quando morava no Rio de Janeiro e estava inspirado pela saudade que sentia da mãe. Sua carreira foi iniciada nas Quadras de Escolas de Samba de Salvador, mais precisamente na Escola “Filhos do Tororó”, onde ganhou o seu primeiro prêmio com a canção “Veneno”.

Com 22 anos, desfilou com seu primeiro samba-enredo, “Postais da Bahia”, em Salvador, ganhando o primeiro lugar. Na década de 60, começou a trabalhar com Blocos de Carnaval, compondo o seu primeiro Samba de Bloco, o “Apache não é de Guerra”, e, nos próximos anos, “O Machado que trago na mão” e “Blusão do Ano Passado”, que venceu o 1º Festival de Samba de Bloco, em 1971.

 

Coletivo de Entidades Negras e Instituto AVON juntos em campanha contra violência de gênero


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Foto: Ruy Barbosa Pinto

A partir desta sexta (25), o Coletivo de Entidades Negras (CEN) inicia, em Salvador e Região Metropolitana, ações pautadas na campanha dos “21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres”, em parceria com Instituto Avon e a Prefeitura de Salvador.

A campanha envolve uma extensa programação que começa com a iluminação especial do maior símbolo de Salvador – o Elevador Lacerda. Desta sexta até dia 10 de dezembro, o Elevador refletirá a cor laranja – em solidariedade à luta pelo enfrentamento a todas as formas de violência sofridas pelas mulheres.

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Banco de Imagens

Tradicionalmente, é de 16 dias, mas este ano, para evidenciar a maior incidência da violência de gênero que vitimiza mulheres negras, a Campanha foi antecipada para o dia 20 de novembro, culminando os 21 dias em 10 de dezembro. As ações que serão realizadas pelo CEN, a partir desta sexta (25), envolvem a sociedade civil, o aparato de segurança pública (Polícia Militar e Sistema Penitenciário), Universidades Públicas e órgãos do Legislativo e do Executivo.

“A mudança começa onde o silêncio termina”

Com este mote, a Campanha busca, nestes 21 dias, ressaltar a “violência invisível”, com o intuito de provocar uma mudança de comportamento, em especial dos homens. É voltada para a violência doméstica, propagada por companheiros, maridos, namorados, pais e demais familiares do sexo masculino, mais próximos das vítimas.

“Muitos homens justificam seus atos violentos contra as mulheres com base no amor, dizem que amam demais, que sentiram ciúmes demais e vários outros motivos, sempre baseados no amor. A imprensa costuma chamar esses casos de “crimes passionais”, como se eles tivessem sido motivados por amor. Mas amor não mata! O que mata é a sensação de poder que o agressor tem sobre a vítima”, diz Iraildes Andrade, coordenadora de Gênero do CEN.

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Conforme dados do Ligue 180, no primeiro semestre de 2016 foram registrados cerca de 68 mil relatos de violências, sendo mais de 86% delas referentes situações previstas na Lei Maria da Penha. Na Bahia, criada em 2015 no âmbito da Polícia Militar da Bahia, a Ronda Maria da Penha – comandada pela Major Denice Santiago – tem atuado no policiamento ostensivo a estas chamadas.

Para sensibilizar os profissionais que atendem estas mulheres, em Delegacias ou ocorrências, o Coletivo de Entidades Negras, em parceria com a Ronda, promoverá formações junto a policiais e comandantes no dia 29 de novembro e 5 de dezembro. “Mulheres sofrem quando tentam fazer uma denúncia, são desanimadas pela atitude de alguns profissionais, então precisamos falar sobre isso”, enfatiza Iraildes.

“Quanto mais invisível for a violência, mais difícil dela ser identificada e mais prejudiciais e profundos são os danos causados por ela. Por isso, não podemos partir da premissa de que apenas apontar o erro já é suficiente para provocar uma mudança de comportamento. Precisamos que as pessoas sejam protagonistas e passem a reconhecer que existe um problema que é de todos nós e só pode ser enfrentado com mudanças de atitude”, afirma Mafoane Odara.

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O gênero no cárcere

As mulheres encarceradas também terão atenção especial ao longo desta Campanha. No Presídio Feminino, em Salvador, o Coletivo de Entidades Negras realizará, dia 28, uma “Oficina de Estética”. Na ocasião, serão ofertadas aulas de auto maquiagem – com produtos da AVON -, cuidados com os cabelos, além de conversa sobre violência de gênero.

“Fomentar estas discussões junto às mulheres do sistema penitenciário é trazer à baila uma discussão ainda incipiente e que precisa acontecer para que o chamado empoderamento feminino possa fortalecer as mulheres. É fazê-las, a cada dia, mais autônomas e capazes de refutar todas as formas de violência”, enfatiza Andréa Mércia, coordenadora geral da  Central de Apoio e Acompanhamento às Penas e Medidas Alternativas (CEAPA).

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Foto: Charles Guerra / Agencia RBS

O debate continuará no dia 5/12, com a Roda de diálogos sobre Racismo e Gênero, na sede a OAB, em Salvador, onde 25 mulheres que cumprem pena alternativa estarão presentes. Já em Lauro de Freitas – Região Metropolitana de Salvador -, no dia 7 de dezembro, o diálogo chegará à juventude.

“Temos percebido discursos e comportamentos por parte de jovens daquela região, que reproduzem violências de gênero, então precisamos também conversar com eles de forma mais direta”, aponta Iraildes, que coordena toda a programação que o Coletivo realiza neste período.

Ao longo dos 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres também serão realizadas diversas intervenções na cidade: a cor laranja estará nas gordinhas de Ondina, na Reitoria da UFBA, na Estação da Lapa, na Fábrica da AVON – em Simões Filho -, e na Caminhada do Samba, em Salvador, neste final de semana (27/11). No Shopping Barra, uma ação fotográfica reúne 42 personalidades, incluindo artistas, que aderiram à Campanha. O Portal SoteroPreta fará matérias especiais sobre a programação.

Confira aqui algumas das peças já criadas pelo Instituto AVON que podem ser compartilhadas nas redes sociais, com a hashtag #vamosconversar.

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#MAMcestralidade – Oficinas e Cursos de Artes Negras no MAM


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Foto: Eric Lopes

Durante a última semana do projeto MAMcestralidade, idealizado para celebrar o mês da consciência negra, o Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA) segue com uma série de atividades gratuitas voltadas para a temática.

Entre os dias 29 de novembro e 02 de dezembro (terça a sexta-feira), serão ministradas oficinas de ‘Mosaico’ e ‘Xilogravura’ e o mini-curso ‘Ilustração e Ancestralidade’.  As inscrições são gratuitas para as 30 vagas disponibilizadas (cada oficina/mini-curso).

Para o mini-curso ‘Ilustração e Ancestralidade’, o artista e facilitador Roddolfo Carvalho explica que “será relatado como funciona o processo criativo, de planejamento e como é possível ser aplicado de forma prática ao trabalho. Vamos desenvolver um projeto de ilustração com um elemento textual, transformando-o em gráfico para depois disponibilizar em download”. Mais informações através do email [email protected] ou pelo telefone (71) 3117-6141. Todas as atividades serão nas Oficinas do MAM-BA.

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Foto: Eric Lopes

 SERVIÇO

OFICINAS:

Oficina de Mosaico

Dias: 30/11 a 02/12 (quarta a sexta-feira)

Horário: Das 14h às 17h

Facilitadoras: Geisiane Cordeiro e Patricia Anjos (parceria Museu Udo Knoff)

 

Inscrições pelo link:

https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfZlaFSwZY9e6x_m9A1W0CTz5ag-VBPPv-lWNE9WfL-Lg4J7w/viewform?c=0&w=1

 

Oficina de Xilogravura

Dias: 29/11 a 01/12 (terça a quinta-feira)

Horário: 14h às 17h

Facilitador: Ceceu Evangelista

Obs: Podem participar adolescentes a partir dos 16 anos

Inscrições pelo link:

https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSegkEopOo3QTdXFrYIBoPFzRsmk3cYectvL30weVb4FYUODew/viewform?c=0&w=1

 

MINI CURSOS:

 Ilustração e Ancestralidade

Dias: 29/11 a 01/12 (terça a quinta-feira)

Horário: Das 9h às 12h

Facilitador: Roddolfo Carvalho

Obs: Podem participar adolescentes a partir dos 14 anos

Inscrições pelo link:

https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSdIoRYl1Mm21CCjaEgcC16iLYd9thjYMx0ixsmYfti8l3V6Fg/viewform?c=0&w=1

 

#21DiasAtivismo – Coletivo de Entidades Negras debate violência de gênero com policiais militares


“Ele nunca me agrediu, só me xinga as vezes mas, durante esses 13 anos, ele nunca me bateu. Quero que ele saia da minha casa e ele não quer sair”, relata C.S, que estava na Delegacia de Atendimento à Mulher (DEAM), em Periperi na manhã desta terça (29).

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Iraildes Andrade (CEN) Foto – Ascom/Ronda

O relato dela é o de muitas outras que chegam à linha de frente do atendimento às vítimas de violência doméstica – seja em ocorrências atendidas nas Delegacias ou pela Ronda Maria da Penha, criada em 2015 no âmbito da Polícia Militar da Bahia.

Para capacitar agentes policiais quanto aos tipos de violência contra a mulher, o Coletivo de Entidades Negras (CEN) esteve na Deam de Periperi neste dia, para falar com policiais sobre o tema. Na ocasião, a coordenadora de Gênero do CEN, Iraildes Andrade, falou de violência psicológica, sexual, patrimonial e moral – cujas características ainda são desconhecidas por muitas mulheres.

A ação integra a Campanha dos 21 dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra a Mulher, encabeçada, em Salvador e Região Metropolitana, pelo CEN, em parceria com o Instituto AVON e Governo do estado. A Campanha segue até dia 10 de dezembro, já tendo realizado atividades junto a mulheres em situação de cárcere, intervenções em espaços públicos com distribuição de materiais informativos. As ações seguem durante a semana, veja aqui. Na ocasião, a Ronda Maria da Penha integrou seu projeto “Papo de Homem” à Campanha, reunindo seus policiais para a formação.

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Foto: Suzana Batista

O objetivo foi educar para a prevenção à violência doméstica e familiar, para que eles tenham o conhecimento das cinco formas de violência a que a mulher é vitima. A Ronda, comandada pela Major Denice Santiago, já vem acontecendo em outros municípios como Piritiba, Riachão de Jacuípe.

“Nós temos uma preocupação aqui na Ronda de atender a tudo que se configure a Lei Maria da Penha. Pela prática, nós percebemos que quando a Ronda também conversa com o agressor, ela explica para ele a medida protetiva e dialoga sobre sua violência. Aqui, o agressor tende a compreender mais a necessidade de seu afastamento da companheira (ou ex)”, explica major Santiago.

A violência não é só física

A violência física, psicológica, sexual, patrimonial e moral são as formas mais comuns de violência contra a mulher e são essas violências que a Ronda Maria da Penha vem tentando impedir que aconteça com tanta frequência.

 A denunciante que citamos no início deste texto, por exemplo, é retrato do que os policiais da Ronda Maria da Penha relatam, quando questionados sobre dificuldades neste tratar: lidar com a falta de informação dessas vítimas quanto ao que é violência. No caso, averiguado pelos policiais, ela sofre de dois tipos de violência: a moral e a patrimonial, uma vez que seu companheiro se nega a sair de sua casa, ameaçando seu patrimônio.

 

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Foto: Suzana Batista

A capitã Ana Paula Queiróz, subcomandante da Ronda Maria da Penha, fala sobre esta atuação. “O crime de violência doméstica é perpetuado pela cultura. Para além de atender à demanda dessas mulheres, a Ronda tem o compromisso de instruir as pessoas sobre o que são estas violências e como as mulheres podem não sofrê-las, não figurem como vítimas. É também para os homens, para que eles não comentam se tornem agressores”, explica.

“Os policiais foram receptivos à temática. Ouvimos relatos sobre patriarcado, cultura de machismo, de se colocar no lugar da mulher e entender suas dificuldades, o que nos deu a certeza de que há jeito de transformar a realidade que ainda encontramos, que é a da falta de acolhimento relatada pelas mulheres vítimas de violências. Eles são a porta da frente para elas, elas precisam enxergar nesta farda que há alguém do outro lado que pode ajudá-las. De eles estiverem conscientizados disso, sensibilizados, já teremos avançado”, afirma a coordenadora de Gênero do CEN, Iraildes Andrade. 

Estima-se que, no Brasil, cerca de 2 milhões de mulheres sofram agressão a cada ano e a Lei Maria da Penha descaracteriza esta agressão enquanto crime de menor poder ofensivo, punido com multa ou cestas básicas, tornando-a crime com pena de 1 a 3 anos de prisão. Além disso, o judiciário pode obrigar o agressor a participar de programas de reeducação ou recuperação.

Para o Cabo Djair, que é um dos primeiros integrantes da Ronda Maria da Penha, fazer parte desse projeto é muito importante ainda mais sendo homem. “Uma coisa que vem do patriarcado, uma coisa bem antiga de criar o homem com a bola, criar mulher com essa separação, essa falta de explicação de gêneros. Criou-se essa dificuldade hoje da aceitação masculina com relação à compreensão sobre a mulher e suas necessidades. Hoje, muitos homens não veem a mulher com a igualdade que elas merecem, mas a gente está tentando desconstruir isso”, afirma.

As ações do CEN na Campanha dos 21 dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra a Mulher – em parceria com o Instituto AVON – continuam em Salvador, Simões Filho e Lauro de Freitas. Saiba tudo aqui.

#21DiasAtivismo – Ação leva beleza e cuidado a detentas do Presídio Feminino


mulheres presas

Os olhos brilhavam ao se ver no espelho, invariavelmente um abraço e um beijo marcavam a despedida entre a encarcerada que havia acabado de ser maquiada e a pessoa que a estava maquiando ou fazendo seu cabelo. Gestos de afetividade assim marcaram a ação especial Dia de Cuidado, promovida pelo Coletivo de Entidades Negras (CEN), em parceria com o Instituto AVON. A parceria resultou em uma série de atividades em torno dos  21 Dias de Ativismo Pelo Fim da Violência Contra a Mulher, que acontecem em Salvador, Simões Filho e Lauro de Freitas. Nesta segunda, 28, a ação foi Presídio Feminino de Salvador.

Esta ação visou trabalhar a noção do resgate da auto-estima de mulheres, em sua maioria, encarceradas por motivos de certa forma ligados às mais distintas formas de violência contra a mulher.

mulheres presas

Andréa Mércia, coordenadora geral da Central de Apoio e Acompanhamento às Penas e Medidas Alternativas (Ceapa), falou de sua emoção em participar desta atividade atuando pela primeira vez como maquiadora. “O contato, o tocar, a troca de energia, tudo isso faz parte de um elo de confiança que acho fundamental que seja construído com essas mulheres. No trabalho que faço, a busca pela reassocialização é constante e acho extremamente significativo que ações como essas sejam cada vez mais desenvolvidas”, ressaltou.

Estavam presentes, a diretora do Presídio, Luz Marina Ferreira Lima, a professora Iole Macedo Vanim, da Ufba e integrantes do CEN. Mais de 20 mulheres foram maquiadas com produtos da AVON e tiveram seus cabelos feitos.

Joselita Gavião, uma das detentas que está há mais tempo na unidade falou da importância de eventos como estes “para ocupar a mente, aprender e se capacitar quando cumprir a pena”. Joselita afirmou que participa de todas as atividades, sonha em estudar Literatura – para isso fez o Enem neste ano – e escreve sobre o cotidiano da prisão e dos eventos mais marcantes.do seu período no sistema.

AVON

Em agradecimento, ela presenteou a equipe com este escrito:

“Consciência Negra

“O negro sofre diversos tipos de violência e o mecanismo de inclusão da sociedade nas práticas sociais ainda são pouco consideradas. A melhora das condições de vida das pessoas negras são de compromisso político que assegure o enfrentamento do racismo. O cabelo pixaim e a cor da pele infelizmente ainda é colocada como empecilho até para conseguir um bom emprego e, com o passar do tempo e a luta constante seremos vencedores, porque o negro é lindo e acima de tudo merece todo respeito”. (Joselita G47).

Ao fim da atividade foram distribuídas gargantilhas às detentas e agentes, com o símbolo da campanha. No dia 5 de dezembro, 25 mulheres que cumprem pena alternativa participarão de roda de conversa na OAB/BA, sobre racismo e violência de gênero. Confira toda a campanha aqui. 

Texto de Marcio Gualberto – Coordenador Nacional de Política Institucional do CEN

Fotos: Ivana Flores

Direitos da juventude brasileira será tema de Encontro este sábado (3)


juventude negra
Foto: Militão

CESE – Coordenadoria Ecumênica de Serviço, em parceria com CIPÓ – Comunicação Interativa,Levante da Juventude, MCPS – Movimento de Cultura Popular do Subúrbio,  REPROTAI – Rede de Protagonistas em Ação de Itapagipe e Visão Mundial promovem o Debate Juventude no Foco – Nenhum Direito a Menos, no dia 03 de dezembro, sábado, das 8h às 19h, no SINDAE (Rua General Labatut, 64 – Barris – Salvador).

O evento vai contar com mesas de trabalho discutindo temas como a efetivação do Estatuto da Juventude, direito à participação, igualdade entre outros, divididos em 11 eixos e debatidos por mesas de trabalho. A programação também contará com intervenções poéticas, apresentações musicais e trocas de experiências.

A expectativa das organizações envolvidas é promover o debate conjunto entre jovens de diferentes contextos e origens, convidando à reflexão sobre as lutas, enfrentamentos, sonhos e conquistas da juventude.

Serviço

Encontro Debate Público “Juventude no Foco – Nenhum Direito a Menos”

Quando: dia 03 de dezembro, das 8h às 19h

Onde: SINDAE (Rua General Labatut, 65, Barris)

INSCRIÇÕES NO LINK: https://goo.gl/AITknt

Programação

Programação Geral:

8h – 9h Credenciamento / Cortejo Levante + Grupo de Capoeira + Grupo de Dança

9h – 10h Mesa de Abertura

10h – 10h30 Intervalo + Grupo de Poesia Sarau da Onça

10h30 – 12h30 Trabalho em Grupo sobre os eixos do Estatuto da Juventude

12h30 – 14h Almoço + Grupo de Rap Evolução

14h – 15h30 Apresentação dos Grupos

15h30 -16h Intervalo da tarde + Peça em Defesa da Petrobrás (Levante)

16h – 17h Mesa de encerramento

17h – 18h Apresentações culturais: Grupo de Rap Contenção 33 + Grupo de Samba

 

Mesa de abertura – Eixo de Direito à Cidadania, à Participação Social e Política e à Representação Juvenil

Representantes: a) Daniel Souza, do Conselho Nacional de Juventude

  1. b) Elen Rebeca – Levante Popular da Juventude

 

GT / Oficinas/Eixos:

Diversidade e Igualdade / Território e Mobilidade / Segurança Pública e Acesso à Justiça

Facilitador (a) do GT: Sirlene Assis

Representantes: Sirlene Assis, da UNEGRO

Fabiana Mendes da Associação Quilombola de Conceição das Crioulas 

Maurílio Truká do Conselho Estadual da Juventude de Pernambuco

Rafaela Borges, Fórum das Juventudes de Pernambuco; Sabiá

 

Educação/ Cultura/ Comunicação e Liberdade de Expressão

Facilitador (a) do GT: Nilton Lopes

Representantes: a) Cipó – Nilton Lopes

Nadja Santos, do Empoderamento Crespo

Branco, CMA Hip Hop

Genilson Taquary – Pataxó

  

Saúde/ Direitos sexuais e reprodutivos

Facilitador (a) do GT: Mayara Silva

Representantes:

Ana Carolina Cruz

Diogo Souza, representante do Odara

Mayara Silva – Secretaria de Saúde de Salvador

 

Profissionalização, Trabalho e Renda

Facilitador (a) do GT: Luiz Paixão – Movimento de Cultura Popular do Subúrbio

Representantes: a) Roseli Cordeiro de Souza – Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos – Coopercuc

Jabes Soares – Conselho Estadual de Juventude

Cristiane Patinho (CUT)

Terreiro do Bate Folha abre as portas para celebrar 100 anos


Terreiro Bate Folha
Foto: Marisa Vianna

Um Terreiro centenário, com muitas histórias de resistência religiosa e cultural negra. É o Terreiro do Bate Foilha, que celebrará esta trajetória com Seminário no próximo sábado (3) e domingo (4), no Terreiro, localizado no bairro da Mata Escura.

Na ocasião, a Casa vai abrir suas portas para debater e apresentar sua história, tendo como foco a salvaguarda o culto afro-brasileiro de Nação Congo-Angola (ou apenas Angola) na Bahia. É aberto ao público e são esperadas cerca de 200 pessoas.

Terão conferências e palestras com a proposta de preservar o legado histórico dos 100 anos do Terreiro. No sábado (3), a programação será iniciada às 9h30 com as falas dos zeladores do terreiro Nengua Gaguanssesse, Tata Muguanxi e Tata Kissendu, presidente da Sociedade Beneficente Santa Barbara.

Terreiro Bate Folha
Foto: Marisa Vianna

Às 10h40, o diretor geral da Fundação Pedro Calmon/SecultBA, Zulu Araújo – que apoia o Centenário do Bate Folha – fará palestra com o tema “Preservação de espaços sagrados: a importância da memória para terreiros de candomblé”. Na ocasião, será oficializado convênio entre a Fundação e o Terreiro para a constituição do Memorial Terreiro Bate Folha. 

Pela tarde, a programação retorna com a conferência “Terreiro Bate Folha – espaço de salvaguarda da memória afrodescendente”, com a participação de Yeda Pessoa de Castro e de Ordep Serra, ambas da UFBA. A mediação será de Rogério Lima Vidal, da Uneb. Às 16h30, será lançado Selo Comemorativos aos 100 anos do Terreiro Bate Folha e, encerrando o primeiro dia do evento, às 17h, terá a presentações do Bloco Alvorada e do músico Gerônimo.

Domingo – 4 de dezembro 

Neste dia, as atividades começam com a mesa “Protagonismos das religiões de matriz africana”, às 9h30, com Erivaldo Nunes, da UFBA, Camilo Afonso, Adido cultural de Angola, e Tata Tauá, do Terreiro Bate Folha. A mesa “O candomblé de Angola e sua resistência cultural” será apresentada às 14h com os palestrantes Tata Nzazi, do Terreiro Tumbansé, João Monteiro, do Ilê Ogum Maata, e Carla Nogueira, do Terreiro Bate Folha.

terreiro Bate Folha
Foto: Marisa Vianna

A conversa será mediada pelo professor da UFBA, José Roberto Severino. Por fim, encerrando a programação de atividades comemorativas do terreiro, será realizado o show de encerramento, às 17h30, com apresentação do Maracatu Nação Raízes de Pai Adão.

Exposição

Com a curadoria da fotografa Marisa Vianna, de 3 a 18 de dezembro, estará aberta à visitação uma exposição fotográfica sobre os 100 anos do Terreiro. Nela, são apresentados documentos, fotos antigas e atuais, estabelecendo uma linha do tempo neste centenário. Estão retratadas lideranças religiosas, além da da área geográfica do Terreiro – conhecida pelo amplo espaço de vegetação, são 16,5 hectares de Mata Atlântica – além das casas e outros aspectos arquitetônicos. A exposição é resultado do acompanhamento da fotógrafa, nos últimos dois anos, das atividades do Terreiro.

Terreiro Bate Folha
Foto: Marisa Vianna