#Paremdenosmatar é Letramento Racial em crônicas! – Por Valdeck Almeida


parem-de-nos-matar cidinha da silva

O livro #Paremdenosmatar, de Cidinha da Silva, composto de crônicas publicadas antes em sites e blogs na internet, chama a atenção por vários aspectos. Dentre eles, a alta qualidade editorial (papel, fontes, coloridos) e o esmero, na leve e cuidadosa linguagem da escrita e na promoção da humanidade das pessoas negras.

Tudo isso, apesar de tratar de temas áridos como as mortes simbólica e cultural, massacres, extermínios, genocídio do povo negro, homofobia, apagamentos e invisibilizações de negros e negras, crimes bárbaros, racismo institucional, racismo velado, intolerância religiosa, violência policial, violência de gênero, negação da condição humana para negros e negras, etc. Para além do registro humanizado, é ferramenta de insubmissão e incentiva a autoestima, memórias, estética, beleza, histórias, humanidades, religiosidades, cultura.

O título, na primeira pessoa do plural, já nos inclui e chama para o coletivo (ninguém nasce só, vive só, morre só): o grito uníssono, o afetivo, o convívio comunitário, familiar, o desespero dos que morrem e dos que podem estar na fila. Evoca um chamado por socorro, para que cada um/a de nós atente para o perigo real e iminente que acomete negros e negras todos os dias. Principalmente jovens das periferias de todo o Brasil.

Denuncia chacinas orquestradas pelo racismo institucionalizado, sofisticado, engendrado e enraizado nesse país desde sua fundação, em que negros e negras são subjugados, subalternizados e mortos. O mesmo racismo mantido até hoje, disfarçado, mascarado de democracia racial – propalado, inclusive, por redes nacionais de mídia, como a Rede Globo -, que exclui e elimina, nega direitos, encarcera e aniquila.

O mesmo racismo que sonega informações, direitos inalienáveis como o direito à vida; o mesmo racismo exercido pelo Estado, através do seu braço armado, a Polícia, que acusa, julga e executa com “balas perdidas”, sob a justificativa do “Auto de Resistência”, sem direito a apelação, muitas vezes sem direito a um funeral digno. O mesmíssimo racismo genocida do povo negro, cujos corpos são numerados para estatística e dos quais se retira a alma.

parem de nos matar
Banco de Imagens

São enterrados como indigentes, em valas comuns, ou desovados em pontos bem conhecidos de todos; o mesmo racismo midiático que sequer cita nome e sobrenome dos assassinados e que serve carne negra em banquetes macabros na hora do almoço, em que pseudojornalistas justiceiros são coniventes com o linchamento de corpos e subjetividades e com essa barbárie, equivalente à queda de um grande avião por dia.

#Paremdenosmatar sangra em cada parágrafo, rememora o massacre de Ruanda (1994), o genocídio e crimes sexuais praticados pelo Boko Haram, na Nigéria (2014/15), que causam menos comoção que um atentado a um jornal satírico em Paris. O massacre dos treze rapazes do Cabula, em Salvador, em 2015.

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Banco de Imagens

#Paremdenosmatar faz a denúncia da morte física, mas também a espiritual e das subjetividades, da morte em vida, dos choros engolidos, do medo de depor e ser o/a próximo/a da lista. Escancara os crimes de ódio, que destroem e invadem casebres, ofendem em redes sociais ou em bancadas de jornais em rede nacional – caso Maju: Maria Júlia Coutinho. Humilham em estádio de futebol – Mário Lúcio Duarte Costa, o goleiro Aranha.

Mas o livro é também a resistência, trincheira e porta-voz de mães/pais, filhos/as, irmãos/ãs, amigos/as desses jovens mortos a cada dia. Nas crônicas, linhas e entrelinhas, a dignidade do ser humano é resgatada, não cai no esquecimento. As mortes não são contadas como meros números, muito menos comparadas às partidas de futebol, nem coisificadas. A beleza do livro é demostrar a luta contra toda sorte de preconceitos: racial, de classe, de gênero, religioso. Nos chama à responsabilidade, através da literatura de Cidinha da Silva. Denunciemos os criminosos, façamos justiça a cada gota de sangue, a cada agressão. E matemos o racismo!

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Reprodução facebook

Texto produzido, especialmente, para o Portal SoteroPreta.

Valdeck Almeida de Jesus é jornalista, escritor, ativista cultural, poeta e blogueiro.

Bloco Os Negões oferece oficinas de Estamparia, Alegoria, Corte, Costura e Modelagem


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Foto: Rosilda Cruz

Quer conhecer os bastidores de criação de um Bloco Afro, com suas alegorias, figurinos e beleza? O Bloco os Negões, celebrando 35 anos neste Carnaval 2017, dará esta oportunidade. Serão promovidas, em parceria com a marca de sandálias Ipanema, as “Oficinas de Verão”, a partir do dia 12 de fevereiro. As inscrições são gratuitas.

Nas oficinas, que acontecerão na sede do Bloco, na Vasco da Gama, o público poderá aprender conceitos e práticas de Estamparia, Alegoria, Corte, Costura e Modelagem, com artistas plásticos, costureiras, designers, entre outros criadores.  Além do conhecimento, serão dadas fantasias aos participantes das oficinas, que desfilarão em ala exclusiva no cortejo do Campo Grande. Este ano, o Bloco Os Negões virá com o tema “O Mensageiro”, em referência à entidade Exú., conhecido como o que se comunica entre os Orixás.

“Trazendo isso para nossa realidade, pensamos em conectar mensageiras e mensageiros sociais que movem o carnaval de tradições e os movimentos culturais da cidade de Salvador” – Paulo Roberto Nascimento, presidente do Os Negões.

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Dresscoração – Banco de Imagens

As “Oficinas de Verão” também ocorrem no âmbito do projeto #SouDessas, da Ipanema, que já ocorre no Rio de Janeiro e tem como objetivo dar visibilidade para “mulheres incríveis que fazem o carnaval”.  Para se inscrever, interessados tem até dia 21/02 e devem ser feitas pela internet.

Veja o que será oferecido: 

  • Oficina I – Estamparia manual

           Técnicas e prática mediada pela designer e estilista Loo Nascimento da Dresscoração Conectores: Tamara Nascimento da Ofá Bèmin, Tiago Ramsestencil, artista visual especializado em estêncil, Lucas Batatinha, artista plástico especializado em arte gráfica de estamparia)

 

  • Oficina II – Alegoria e peças alegóricas

A oficina será mediada por Julio Costa do Projeto MUSAS (Museu Street Art de Salvador). Conectores: Ananda Santana, grafiteira e ilustradora, Alan Costa e Rogério Teodoro, da AfroBapho, performance e peças alegóricas.

 

  • Oficina III – Corte, costura, modelagem e finalização de peça

Mediado por Tamara Nascimento da Ofá Bèmin. Conectores: Jaci Mendes e Hilda Correia, ambas costureiras da comunidade do Dique do Tororó, Loo Nascimento, da Dresscoração,  Rey Vilas Boas – designer e Vinicius Carmezim da Ziê.

 

Mais informações em (71) 991279607 / 988361271

Seleção contemplará filmes de curta, média e longa metragens produzidos por negros


Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul
O 10º Encontro do Cinema Negro Brasil, África e Caribe Zózimo BulBul está com inscrições abertas até 18 de fevereiro. O Encontro contempla filmes de curta, média e longa metragens que tenham sido produzidos por realizadores e produtores negros e será realizado em maio e junho no Rio de Janeiro, .

A programação contemplará filmes, oficinas e espaços de intercâmbio entre o cineastas brasileiros, africanos e caribenhos.As inscrições são gratuitas e as produções selecionadas serão divulgadas até o dia 31 de março de 2017. Elas integrarão o acervo do Centro Afro Carioca de Cinema Zózimo Bulbul. Para esta edição, serão aceitas, preferencialmente, produções realizadas a partir de 2015. Confira estas e outras informações do Regulamento aqui. 

A Outra Companhia de Teatro inscreve para Laboratório de Atores


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Foto Andréa Magnoni

Para celebrar 13 anos de produção artística, a Outra Companhia de Teatro lançamento seu novo site, no qual se pode encontrar histórico do grupo; a agenda de espetáculos, intercâmbios e oficinas e outras informações. Por meio dele também é possível se inscrever para o Laboratório de Atores. Os interessados podem se inscrever até 02 de março.

As oficinas iniciarão dia 06 de março e ocorrerão de segunda à sexta, no turno noturno (19h às 22h), na sede do grupo: Casa d’A Outra (Polietama). O Laboratório de Atores, durante os quatro meses, irá compartilhar as ferramentas de criação e gestão de grupo, resultando numa encenação dirigida por Luiz Antônio Sena Jr..

Direcionado a artistas ou não, o laboratório ocorrerá entre março e junho, com inscrições gratuitas, e a seleção ocorrerá em duas etapas: preenchimento do formulário de inscrição; em seguida, uma audição com práticas do cotidiano de criação d’A Outra. Ao final, 20 pessoas serão selecionadas.

SERVIÇO

Onde fica: Rua Politeama de Cima, 114, Ed. Centro Comercial Politeama, 1º andar

Onde se inscrever: Site da Outra Companhia de Teatro

Até quando: 02/3/2017

Gratuito

Aulas começam: 6/3/2017

Mostra convoca artistas visuais até dia 3 de março


 SSA_MAPPING

Artistas visuais de todo o Brasil e de outros países podem enviar suas obras para a seleção da mostra aberta do SSA Mapping, primeiro festival de vídeo mapping de Salvador. O evento será realizado no dia 25 de março, na Praça Municipal, Centro Histórico e interessados tem até o dia 3 de março para enviar suas obras.

A seleção será através de formulário de cadastro on-line, disponível nas redes sociais do festival. Os trabalhos escolhidos para a mostra aberta serão projetados na fachada do Palácio Rio Branco, junto com a mostra principal.

Como tema, a escolha é livre, trabalhos inéditos ou não. Podem participar artistas com obras em diferentes linguagens (vídeos, fotografias, vídeo-performances, vídeo arte, desenhos, gravura digital, grafites, animações 2D, 3D, gifs, entre outros) e não somente projeções mapeadas.

A curadoria, sob coordenação da artista visual paraense Roberta Carvalho, vai escolher entre 10 e 25 obras nesta chamada livre, sendo que pelo menos 30% serão de artistas baianos.

Serviço:
O quê: SSA Mapping – Olhares de uma memória
Quando: 25 de março de 2017, 20h
Onde: Praça Municipal – projeções no Palácio Rio Branco
Evento gratuito
Produção: Baluart e Ilimitado
Facebook: facebook.com/SSAmapping
Instagram: @ssamapping

Feministas negras na TV aberta: o feminismo que alcança mainha! – Por Lorena Lacerda


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Foto: GShow

Uma vez eu debati com uma amiga o fato dela achar errado ou incoerente militantes, feministas, pessoas de esquerda e intelectuais negras irem dar entrevista na Globo. Para ela, era incoerente gritar “Globo golpista” nas ruas e depois ir lá no Programa da Fátima Bernardes falar sobre racismo, feminismo, LGBTfobia e várias outras opressões.

Pois bem, eu não concordei com ela. A Globo é uma rede de televisão e é concessão pública, ou seja, ela passa por um processo licitatório para ir ao ar, precisa cumprir regras em relação a sua programação dentro dos parâmetros da constituição e tem por obrigação representar a sociedade brasileira.

E, por falar em representar, sabemos muito bem que os programas de televisão e novelas são, em sua maioria, protagonizados e roteirizados por pessoas brancas, o que não garante a pluralidade do Brasil. Portanto, não vejo problema algum em feministas negras ocuparem espaços que estão lá para serem ocupados, pois, como foi dito, as emissoras de televisão tem por obrigação representar à diversidade e suas demandas. E, dentre essas demandas, temos o feminismo e o racismo para serem tratados com urgência.

Culpar ou cobrar coerência de mulheres negras porque elas foram à Globo, é ser no mínimo ridículo e, dependendo dos autores, é racista e machista. Muitas dessas críticas e acusações partiram de pessoas de esquerda e feministas brancas. Mais uma vez, malhando mulheres negras feministas e intelectuais. O racismo e o machismo da esquerda já estão mais do que escancarados: sempre que as pretas avançam no debate e tem um alcance grande de público, vocês, ditos de esquerda, desqualificam esses avanços que, são necessários e urgentes.

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Foto: GShow

E as feministas brancas ainda insistem em dar lição de moral ou bancar as sinhás para cima das mulheres negras nos ensinando e dando cartilha do que é ser feminista, como se mulheres não fossem múltiplas e lutassem por diferentes pautas.

Então, a partir desses fatores descritos, eu quero acordar de manhã, ligar a televisão no Programa da Fátima e ver sim, pautas como racismo e feminismo negro sendo tratado em tv aberta por pessoas que sofrem e constroem mecanismos de enfrentamento contra tais opressões. Eu quero ver sim, mais programas como o “Amor & Sexo”, que abordou o sexo não só pelo viés branco, mas de uma perspectiva enegrecida através do debate pautado pela competente e diplomada Djamila Ribeiro.

Vocês precisam entender que a Globo não vai acabar porque algum esquerdo-macho gritou “Fora Globo” ou “Globo golpista” na rua. Esse mesmo esquerdo-macho não sai da bolha do privilégio para entender que muitas pessoas no Brasil ainda não tem internet e nem TV a cabo.

Então, é de suma importância à participação de mais negras falando sobre racismo e machismo, de forma diluída e direta para as mães, tias, avós que nunca leram Simone de Beauvoir, Sueli Carneiro, Angela Davis, mas que, se lembrarão de nomes como a mulher do fim do mundo, Elza Soares e a professora e filósofa Djamila Ribeiro falando sobre empoderamento na perspectiva das mulheres negras, porque as viram, de forma despretensiosa ou não, no programa “Amor & Sexo” da Globo.

Ps: Eu não quero ver o feminismo apenas na academia ou só no clube da luluzinha, eu quero ver o feminismo chegando em mainha.

 

feminismo negroOpinião Preta de Lorena Lacerda, museóloga (Ufba), integrante da coordenação da Marcha do Empoderamento Crespo. 

#Ouriçadas – Upload Representatividade*


representatividadeO que coça o nosso queixo quando falamos de representação de beleza? (vamos ponderar..é a representatividade na beleza mesmo que estamos buscando?)

Tipos e estereótipos negros espalhados pela mídia (TV aberta ou fechada, cinema, comerciais, teatro, revistas, outdoors, etc)? (é uma pergunta?)

Esqueça a barraqueira, a versão nua da Globeleza, a rainha de bateria ou a “mulata” arrasa quarteirão. Estes estereótipos comuns para as mulheres negras não representam, em absoluto, tudo o que somos. Em tempos de Gabriela Flor, Viola Davis, Michele Obama, Beyoncé, Miss Raíssa Santana…já podemos mesmo comemorar? Chegamos onde queríamos?

Se compararmos o atual cenário com o que há alguns anos era mostrado, avançamos, mas não podemos parar. É muito pouco colocar uma de nós em um comercial e achar que a “cota” foi cumprida.

Precisamos – e exigimos – representatividade dentro das organizações, concorrendo em seleções, trabalhando criativamente, ocupando posições de poder. Sendo a sociedade tão múltipla, se esta diversidade não alcança as muitas áreas, os vários níveis, alguém está sendo prejudicado, alguém não alcançou estes locais. Ah, e por favor, nos poupem dos padrões!

Será mesmo que não somos suficientemente bonitos? Por isso não nos mostram?

Será mesmo que não somos suficientemente qualificados? Por isso não nos empregam?

Será mesmo que não somos suficientemente capazes? Por isso nos restringem?

representatividade

Talvez a lógica excludente do mercado seja: aquilo que eu vejo não é aquilo eu sou. Se o que sou não é mostrado, só pode ser feio. As nossas crianças negras não podem ser formadas dentro desta argumentação fútil e, ao mesmo tempo, cruel.

Desenhos, novelas, séries, comerciais não podem continuar a colocar na vitrine a raça branca, apenas. A protagonista, a super-heroína, a boneca, a referência não pode ser mais apenas branca. Por muitos motivos….e o mais rasteiro deles é por sermos um país e um povo diversos.

Identidade negra fortalecida nas mídias é crucial e urgente. Representatividade negra é construção para muitos espaços. É tijolo e cimento para mais Obamas, Martins, Zezés e Elisas. Fomentar a representatividade é como reconstruir e recriar, simbolicamente, a identidade e a história. É reescrever os traços da beleza usando outras cores, outros elementos, outros alicerces.

É deparar-se com a colheita das sementes de outrora e dar a ela o tratamento que a transformará, de dentro para fora, em um incontestável exemplo de beleza…e de grandeza!

“A única coisa que separa as mulheres negras de qualquer outra pessoa é oportunidade”

Viola Davis

viola davis

*Upload – ato de enviar uma informação / Representatividade (subs. fem.) – qualidade de representativo; qualidade de alguém, de um partido, de um grupo ou de um sindicato, cujo embasamento na população faz que ele possa exprimir-se verdadeiramente em seu nome.

Fotos: Banco de Imagens

coletivo crespas e cacheadasA Coluna Ouriçadas é assinada pelo Coletivo Cacheadas e Crespas de Salvador.

Pierre Onasis sobe ao palco do Olodum mais uma vez no Pelô!


Pierre Onassis

Foto: Aline Bahia

O cantor Pierri Onasis, que já liderou os vocais do Olodum, se unirá a Gabriel Diniz,no próximo ensaio da banda, que acontece na próxima terça (21),no Pelourinho.

Esta será uma previa do cantor para o Carnaval 2017, já que ele foi confirmado para puxar o trio do bloco, junto a Mateus Vidal, Lazinho e Narcizinho, no domingo, dia 26. Na sexta, a convidada, que também já passou pelos ensaios, será Margareth Menezes.

A festa da terça é fundamentada no tema do Carnaval do grupo, “O Sol – Akhenaton: Os Caminhos da Luz”, também festejará os 30 anos de Samba Reggae e da campanha “Eu Falei Faraó”, relacionada com os 30 anos do primeiro LP da Banda Olodum, Egito Madagascar de 1987.

 

 

 

 

 

 

 

Olodum
Divulgação

Terça da benção do Olodum

Dia: 21 de fevereiro (terça-feira)

Horário: a partir das 20 horas

Onde: Praça Tereza Batista

Ingresso: R$70,00 (meia)

Vendas no local

 

I Fórum Negro de Artes Cênicas acontece de 13 a 17 de fevereiro


IYA ILU FOTO ANDREA MAGNONI
IYÁ ILU – Fto Andrea Magnoni

De 13 a 17 de fevereiro, Salvador vai receber o I Fórum Negro de Artes Cênicas, com o objetivo de discutir a inserção de referenciais da cultura negra no ensino, pesquisa e formação nos âmbitos da Graduação, Pós-graduação e Extensão da Universidade.

O foco é a atuação da Escola de Teatro e o Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas (PPGAC/UFBA) e trará extensa programação de debates e apresentações. Terá ainda viodeoconferências, ateliês temáticos, mostra artística, feira empreendedora, lançamento de publicações e roda de pesquisadores.

Para o Fórum são esperados estudiosos e especialistas brasileiros e internacionais de diversas áreas, para compartilharem suas experiências de implantação de iniciativas e contribuições ao debate sobre estes referenciaisafricanos e afro-diaspóricos no contexto do ensino superior no Brasil.

I Fórum Negro das Artes Cênicas
PRETATO – Foto Eziel Santos

Tudo acontecerá no Teatro Martim Gonçalves (Canela) e em outros espaços da Escola de Teatro. A cada dia, de  9 às 21h, toda programação será aberta ao público.

Confira a programação confirmada: 

13/02
9 às 12h – Credenciamento
14 às 17h

MESA 01: “Culturas negras, ensino, pesquisa e formação em Artes Cênicas – um convite à reflexão” – Inaicyra Falcão , Hilton Cobra. Mediação: Fernanda Júlia.

18 às 21h – Apresentação + Bate papo: YLÁ ILU (Solo de Sanara Rocha/ NATA)

 

14/02
9 às 12h – Ateliês Temáticos
14 às 17h

MESA 02: “Negras poéticas e processos I: Discurso negro como escritura cênica” – Ângelo Flávio, Fernanda Júlia e Toni Edson. Mediação: Tina Melo
19h – Conhecendo a Organização Dandara Gusmão: PRETato – 4 cenas curtas, com temática preta combativa ao fim das apresentações, plenária aberta para debate / Entrada franca / Sala 5

 

 

I Fórum Negro de Artes Cênicas
Lótus – Fto Lissandra Pedreira

15/02
9 às 12h – Ateliês Temáticos
14 às 17h

MESA 03: “Negras poéticas e processos I: Cultura negra – poéticas e processos criativos em artes cênicas” – Evani Tavares, Tom Conceição. Mediação: Érico José
19h – Conhecendo a Organização Dandara Gusmão: AFROclube: Exibição da série “RAIZES”, seguido de plenária aberta para debate.

 

Vera Lopes - Foto Alisson Batista
Vera Lopes – Foto Alisson Batista

16/02
9 às 12h – Ateliês Temáticos
14 às 17h

MESA 04: “Negras práticas pedagógicas e epistêmicas”. Licko Turle, Rosangela Malachias, Carlindo Fausto. Mediação: Eliene Benício
18h – Leitura Dramática + Bate papo: Tenho medo de monólogo (Vera Lopes)

19h

MESA 05: “Editoriais Negros” – Marcus Guellwaar (Ogum´s Toques Negros), Diego Pinheiro (Revista Barril) . Mediação: Vera Lopes . * os participantes devem levar um livro de cabeceira.
20h – Lançamentos

I Fórum Negro das Artes Cênicas
PRETATO – Foto Eziel Santos

17/02
9 às 12h – Videoconferências: Victor Ukaegbu (Inglaterra) – Mediação: Evani Tavares

Participação do grupo de pesquisa Poéticas Tecnológicas: corpoaudiovisual

14 às 17h

Roda de Pesquisadores/as: Arte e presença Negras. Mediação: Mabel Freitas e Erico José
18h

PLENÁRIA: “Avaliação e relatório das propostas elaboradas e perspectivas dos ateliês temáticos”

Conferência de Encerramento
20h – Apresentação + Bate papo: LÓTUS (solo de Danielle Anatólio)

#OcupA! – Novos diálogos e narrativas no Circuito Rolezinho, Por Ícaro Jorge


rolezinhoA branquitude se desestabiliza quando vê a juventude negra ocupando os espaços, criando e inovando. Seja na produção cultural, na moda, na arte, na saúde. Com sua identidade, a juventude negra traz novas esperanças para essa conjuntura brasileira, que dificulta o engajamento cultural e a inovação social, ignorando as novas narrativas.

No Circuito Rolezinho, evento realizado no dia 11 de fevereiro, em Salvador, o tema foi “XS NOVXS PANTERAS NEGRAS + O MENSAGEIRO EXU”. A iniciativa, idealizada pelas baianas Monique Evelle, Luma Nascimento e Yasmin Reis, traz estas novas narrativas através da moda, cultura e arte e me fez pensar novas perspectivas de luta relacionadas à juventude negra

Durante todo o evento, fiquei bastante atento para conseguir captar toda a emoção do espaço, porém transcrever é quase impossível, visto a quantidade de emoções sentidas. Logo quando cheguei, avistei a quantidade de espaços com brechós, vendendo roupas incríveis e super baratinhas, fazendo o dinheiro correr entre os negros de forma criativa, barata e solidária. Logo fui conferir as peças de roupas e curti bastante o que vi.

A identidade do evento também é incrível, o espaço ajuda bastante, já que possui uma carga representativa gigantesca e uma vista incrível pela janela, da qual você consegue enxergar toda a ladeira e os momentos que acontecem. Ao andar pelo circuito, tive que parar para apreciar a maravilhosa exposição “Orixás”, feita por Tauan Carmo. Deslumbrante ver a forma que ele faz a arte, utilizando ferramentas simples, como o Paint, para criar uma nova identidade para as fotos.

Outro ponto que me chamou bastante atenção e que mais me emocionou durante todo o “rolê”, foi a oficina de auto cuidado ministrada por Larissa Almeida. A saúde como um completo envolvimento do ser, pensar, agir, sentir e estar. Foi maravilhoso entender e sentir o quanto a saúde mental, física e espiritual precisam estar em equilíbrio para que se possa seguir em luta e feliz.

O ato de se auto cuidar para que se possa cuidar do outro é tão esquecido que nos transformamos em máquinas que não sentem. A oficina me fez perceber o quanto precisamos de afetividade em nossas vidas para que possamos seguir bem os caminhos pautados e ocupados.

rolezinhoA oficina de gastronomia vegana, ministrada por Sista Katia, foi o momento mais descontraído. Sista Katia é uma mulher incrível, que nos trouxe uma nova narrativa, nos mostrando que pode ser barato ser vegano e que “a comida também é política”. Ela explicou como, na História, diversos confrontos foram trazidos por conta do alimento e fez um alerta sobre a indústria farmacêutica. Um dos momentos mais legais foi quando ela estava preparando o cuscuz de tapioca e o bolinho de estudante e convidou as pessoas para enrolarem o bolinho. Achei que estava na cozinha da minha casa.

Logo depois, rolou aquela oficina de stencil com @DoisDetalhes e grafitti com Srt.AS, na qual aprendemos a pintar. Paralelo, rolava desenho enorme na parede do espaço, com referências do próprio Rolezinho.

Antes da festa, rolou o papo reto com o tema: A arte como forma de diálogos, com Luma Nascimento, Yasmin Reis, Canal Flopou, Dois detalhes e Sista Katia, além do Cine Rolezinho, com exibição do filme “CINZAS”, da diretora Larissa Fulana de Tal. A partir dele, dialogamos sobre o ser negro no Brasil. Já a apresentação das bonecas Preta Pretinha e Afrotour possibilitou viajarmos para outros países da diáspora ou do continente africano de forma mais fácil e segura.

Encerramento com festa!

A mistura #CircuitoRolezinho foi uma festa com pessoas de diversos estilos, uma festa democrática e diversa com uma perspectiva maravilhosa de trocas culturais e musicais. Um dos momentos mais importantes foi a performance de “Ah Teodoro”, que durante o espetáculo chamou atenção utilizando cera de vela quente na própria pele enquanto atuava.

Destaque e palmas para as Djs Nai Sena, Jack Nascimento da Batekoo, Tia Carol, Alan Costa da AfroBapho, Coletivo Crokant com Mauro TelefunkSoul + Dj Leandro + Dj Raiz, que também fizeram o maior show e mostraram a importância da diversidade musical e cultural entre nós, jovens. OcupA!

Confiram entrevista com Yasmin Reis, uma das idealizadoras:

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Foto: João Daniel

OcupA – Qual a diferença da primeira edição para essa edição?

Yasmin Reis – Acho que dessa vez a galera foi mais presente, prestou mais atenção nas oficinas. A ocupação foi maior por conta do teaser que a gente fez e chamou atenção para a galera que é importante fortalecer e entender esses novos diálogos. Tem muitos diálogos sendo repercutidos por aí e a gente não sabe quem está por trás deles, inclusive pessoas brancas que falam de maneira errada sobre algo que elas não tem propriedade.

OcupA – Curti bastante a forma que vocês abordaram a alimentação durante as oficinas. Como surgiu a idéia de abordar alimentação como política?

Yasmin Reis – Comer alimenta seu corpo e espírito e uma das coisas que a estrutura racista quer é nos enfraquecer. Se você para de comer, enfraquece e é isso que o sistema quer. Se alimentar bem é importante e não é caro, você pode comer bem de forma barata e é isso que a gente quer divulgar, fazer novas ocupações que falem sobre alimentação.

OcupA –  Em relação à festa, qual a identidade que vocês pretendem abordar e qual a diferença de outras festas?

Yasmin Reis – Então, eu acho que a gente sempre busca temas. Da última vez, fizemos homenagem a galera do rolezinho que é sobre aquele movimento que começou em 2013, com jovens negros. Nós queremos trazer uma nova perspectiva porque nos jornais e na internet você só enxerga coisas negativas, então a gente quis trazer uma nova abordagem sobre o que é Rolezinho. Nesta segunda edição, escolhemos o tema “XS NOVXS PANTERAS NEGRAS + O MENSAGEIRO EXU”, porque os “Novos Panteras Negras” é o tema do bloco afro de meu pai e “O mensageiro Exu” é o tema do bloco afro do pai de Luma, então resolvemos unir. Esse é o diferencial, sempre buscando novas narrativas.

OcupA –  Já tem tema para o próximo?

Yasmin Reis – “Tons de pele”. A fotógrafa Juh Almeida fez um ensaio com esse tema e estamos nos inspirando nisso. Queremos pautar tons de marrom, junto com uma dança africana chamada Coupé Décalé, então acho que próxima edição vai dar o que falar também.

Fotos: Divulgação

 

A coluna OcupA! é assinada por Ícaro Jorge, 19 anos, fundador e conciliador de histórias do Ocupa Preto, blogueiro, youtuber e mobilizador social.