Espetáculo KAIALA volta em cartaz no Espaço Barroquinha


kaiala sulivã bispo

Ele encantou, emocionou e foi aplaudido demais na primeira temporada de seu primeiro solo, KAIALA, encenado no Espaço Cultural da Barroquinha no início deste mês. Com o sucesso, o ator Sulivã Bispo (Frases de Mainha) retorna para o mesmo espaço com apresentações dias 3, 4, 10 e 11 de dezembro, às 17h. 

“Fazer um espetáculo assim, dessa grandeza de identidade e de pertencimento, é muito importante. Tem sido maravilhoso ter casa cheia, discuntindo racismo, preconceito, denunciando, falando do Orixá, do Nkisse, do Vodun, de uma maneira tão forte nesse momento que vivemos. Isso me toca muito, é especial. Fico emocionado e muito grato a todos”, diz Sulivã.

“O que mais ficou forte pra mim foi falar de intolerância, respeito e, de certa forma, pontuar o Candomblé Bantu, de Angola, que é uma nação que foi muito exterminada no Brasil. Já trabalho há um tempo falando de Candomblé e tudo que exalta nossa cultura e religião é muito importante no momento de intolerância em que a gente vive, esse foi o norte pra conceber esta direção”, diz o diretor Thiago Romero.

Na segunda temporada do espetáculo em que atua no seu primeiro solo, Sulivã Bispo percorre a trajetória da menina Kaiala a partir de três pontos devista: a avó, o irmão de santo e uma evangélica, para discutir temas como racismo, intolerância religiosa e a morte sistemática de jovens negros no Brasil. 

kaiala sulivã bispo

“É muito emocionante pra mim, com apenas 23 anos, um ator negro que passa tanta dificuldade pra fazer arte nesse país, fazer um primeiro solo falando dessa violência que a gente sofre diariamente por ser de Candomblé. Subir no palco pra falar de intolerância religiosa é muito forte e todo processo me ensinou que é possível fazer uma arte militante, consciente. A partir do momento que nós, dentro do terreiro de Candomblé – um espaço político, de afirmação e de aceitação-, entendermos que incomodamos porque é lá que construímos nossos heróis, nossa herança,a  gente se fortalece. Kaiala me ensinou muito isso” – Sulivã Bispo.

KAIALA é uma divindade das grandes águas, dos mares e oceanos, tida, segundo a visão Bantu, como o útero gerador de todas as espécies, inclusive a raça humana. Com esta referência, a trama conta a história de uma menina de 10 anos, assassinada em uma invasão ao seu Terreiro. Com direção de Thiago Romero, o espetáculo faz parte do Projeto de Extensão e Experimentação artística PibiexA – UFBA 70 ANOS que tem Maurício Pedrosa como tutor. Confira aqui crítica feita pelo ator Ricardo Gonzaga, especial para o Portal SoteroPreta. Ingressos serão vendidos na bilheteria do espaço, R$20/10.  

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Serviço:

Datas: 3, 4, 10 e 11 de dezembro
Horário: 17h
Local: Espaço Cultural da Barroquinha
Valor: R$20,00 inteira | R$10,00 meia
*Ficha Técnica*
Direção/cenografia: Thiago Romero
Orientação: Maurício Pedrosa
Figurino: Tina Melo
Iluminação: Alisson Sá
Coreografia: Nildinha Fonseca
Direção Musical: Luciano Bahia
Instrumentista: Sanara Rocha
Direção de Produção: Luiz Antônio Sena Jr.
Produção Executiva: Bergson Nunes, Ícaro Piton e Diego Moreno
Produção: DAGENTE PRODUÇÕES
Desing Gráfico: Diego Moreno
Fotos: Andréa Magnoni

#100AnosBateFolha – “É um feito repleto de grandiosidade, fé e perseverança.”


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São 100 anos de resistência histórica do povo Bantu que chegou a Salvador e aqui fundou um dos mais tradicionais Terreiros de Candomblé da Bahia: o Terreiro do Bate Folha. Localizado no bairro da Mata Escura, o Terreiro está em plena festa de celebração deste centenário, com atividades que vão de lançamento de selos comemorativos, passando por exposição fotográfica, seminário e lançamento de um Memorial sobre a história da Casa. As atividades seguem até este domingo (4).

O Portal SoteroPreta entrevistou, com exclusividade o líder religioso do Terreiro, Cícero Rodrigues Franco Lima, o Tata Muguanxi. Confira:


Historicamente, como o Terreiro do Bate Folha se insere na comunidade e quais relações históricas perduram nos dias de hoje?

Tata Muguanxi – Historicamente, o Terreiro do Bate Folha está inserido no contexto da comunidade do bairro da Mata Escura há mais de cem anos. Atuamos como  um marco referencial de instituição religiosa de matriz africana participativa, representativa e engajada com a comunidade de seu entorno, seja por abrigar a memória coletiva do bairro, por receber os moradores ou abrir as portas para realização de atividades que sejam de extensão. Temos bom relacionamento com cooperativas, grupos culturais e até mesmo, outras entidades religiosas da Comunidade.

As invasões eram mais recorrentes, as ofensas e, inclusive, as penalidades legais às lideranças religiosas. Pensando neste contexto, a gente até entende o porquê das casas serem tão afastadas dos centros das cidades.

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Qual a importância de um Terreiro completar 100 anos em uma cidade como Salvador, no contexto de intolerâncias e agressões legais e políticas ao Candomblé?

Tata Muguanxi – A importância reside na constatação de que resistimos às dificuldades de cada período da sociedade e estabelecemos laços de família, união e amor aos Nkisses. É um feito repleto de grandiosidade, fé e perseverança. Quando imaginamos e sofremos com o processo de intolerância religiosa, ocorridos ainda hoje, nos dias atuais, fico pensando em 1916. O processo de abolição dos negros escravizados ainda estava recente e, como consequência, o racismo estava institucionalizado em todas as práticas de matriz africana, principalmente, o Candomblé.

“É importante frisar que na reverência aos Nkisses ela terá a mesma grandiosidade e importância de todas as nossas celebrações e o compromisso com os ritos sacros estão mantidos.”

terreiro bate folhaNesta história centenária, o que, historicamente, não pode ser esquecido?

Tata Muguanxi – Primeiramente, o que não pode ser esquecido de maneira nenhuma nesse processo histórico é a força dos Nkisses, como também a visão de família, de comunidade, de função social de um homem chamado Manoel Bernadino da Paixão, nosso fundador. Essa importância na divulgação, socialização e manutenção de uma religião tão discriminada, tão combatida, como foi e ainda é o Candomblé, embora em menor grau nos dias de hoje. E em segundo, a força do candomblé Congo-Angola, de tradição Banto, em Salvador, que apesar de ser reservado, consegue perpassar toda essência do culto.

É a primeira vez que o Terreiro abre suas portas para uma atividade deste porte?

Tata Muguanxi – Não é a primeira vez que o Terreiro do Bate Folha abre e sedia eventos e atividades de porte expressivo e significativo, basta lembrar do encerramento do 2º Congresso Afro-brasileiro, realizado em 1937, onde seu Bernadino teve participação expressiva, contribuindo, inclusive, com um artigo publicado em 1942 no livro “O Negro no Brasil”. Na verdade, é mais incomum. Geralmente, nossas portas são abertas apenas para cultos religiosos ou visitas de grupos agendados.

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Fotos: Marisa Vianna

“Só que são 100 anos e, por si só, já requer uma celebração à altura, com música, história, debate,
teatro, dança, pesquisadores de casa, olhar de dentro da casa, selo, exposição fotográfica.. enfim! Tudo que um centenário tem direito. E nada mais justo do que isso ocorrer no espaço, na Casa que abrigou o Centenário. “

 

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Tata Muguanxi e Nengua Guaguanssesse

 

Terreiro do Bate Folha – Rua Dionísio Brito Santana, antiga Travessa São Jorge, n. 65-E, bairro da Mata Escura, Salvador.

Abertas inscrições para curso de História da África e Cultura Afro-brasileira no MAM


CURSO história da áfrica

Entre os dias 05 e 07 de dezembro (segunda a quarta-feira), o Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA) sediará o curso de‘Formação em História da África e Cultura Afro-brasileira – Ensinar com África’, ministrado pelo pesquisador e integrante do Programa de Pós-Graduação em História Social da Universidade Federal Fluminense, Moisés Corrêa, e pelo jornalista Kauê Vieira.

 

As aulas acontecem nas Oficinas do MAM-BA das 13h às 17h, e o valor custa R$70 (pago no ato da inscrição até o dia 05 de dezembro). Serão ofertadas 30 vagas com direito a certificado. Mais informações através do email [email protected] ou pelo telefone (71) 3117-6141.

 

A iniciativa é direcionada a professores de História, educadores e articuladores educacionais interessados. Temas como constituições políticas, econômicas e culturais da África serão tratados no decorrer da atividade.

Além disso, o programa dá conta da discussão de mídia e de como a não presença de mulheres e homens negros contribui para a manutenção das estruturas exclusivas, violentas e racistas contra a população afrodescendente brasileira. Ainda falando de mídia, o conteúdo apresenta exemplos de veículos de comunicação do continente africano, apresentando seu lado inovador e tratando também do domínio da imprensa estrangeira na comunicação dos países de África.

 

história da áfrica
Moisés Corrêa Foto: Aimê Uehara

Sobre os facilitadores

Moisés Corrêa é integrante do Programa de Pós-Graduação em História Social da Universidade Federal Fluminense, desenvolvendo um projeto com tema relacionado à historiografia acerca da história da África na contemporaneidade. É pesquisador no tema há pelo menos cinco anos, e já participou da produção de grandes eventos relacionados à história da África.

curso cultura africanaKauê Vieira é jornalista formado pela Universidade Anhembi Morumbi, foi produtor de conteúdo do Projeto Afreaka durante quatro anos, tendo relações e criando textos acerca da África contemporânea e também do seu passado. Já trabalhou como jornalista do Portal Terra, do Portal AreaH e do IBOPE, além de ter sido colaborador no blog Preta e Gorda e produtor de textos para a empresa Chiara Comunicações.

SERVIÇO

‘Formação em História da África e Cultura Afro-brasileira – Ensinar com África’

Quando: Dias 05, 06 e 07 de dezembro (segunda a quarta-feira)

Horário: Das 13h às 17h

Onde: Oficinas do MAM-BA

Valor: R$70

Forma de Pagamento: À vista (no ato da inscrição)

#21DiasAtivismo – Debate na OAB pautará marcos legais contra violências de gênero (5)


16 dias de ativismoAtivismo contra violências de gênero também perpassam pela formação daqueles e daquelas que estão na condução das leis, no dia a dia do atendimento às vítimas. Para dialogar com este público, o Coletivo de Entidades Negras (CEN) levará à sede da Ordem dos Advogados da Bahia (OAB/BA), na Piedade, um debate sobre a Legislação Contra a Violência de Gênero.

O debate acontece nesta segunda (5), a partir das 9h e é aberto ao público e reunirá órgãos públicos como a OAB, Ministério Público, Secretarias Municipal e Estadual de Políticas para as Mulheres, Defensoria Pública.

A ideia é falar das leis que tratam da temática hoje, além dos atendimentos dados às mulheres que sofrem com vários tipos de violência – moral, sexual, física, psicológica, patrimonial.

Além dos órgãos, o Coletivo de Entidades Negras articulou a ida de mulheres que cumprem medidas alternativas para o debate, além de lideranças de entidades comunitárias.

“Mulheres têm acessado seus direitos, realizando denúncias, não só quando vitimizadas pelas mesmas, mas também quando sabem que há alguma mulher sendo violentada em seus direitos próximo a elas”, diz Iraildes Andrade, coordenadora de Gênero do CEN.

A atividade integra as ações do CEN, em parceria com o Instituto AVON na campanha pelos 21 Dias de Ativismo Pelo Fim da Violência de Gênero, que segue até dia 10 de dezembro. Até aqui, o CEN já realizou debates junto a policiais militares, detentas do regime fechado, no Presídio Feminino, em Salvador, além de intervenções na cidade e região metropolitana, com distribuição de materiais informativos e conversas com a população sobre o tema.

Também na segunda (5), as intervenções chegarão a dois importantes monumentos de Salvador: as gordinhas de Ondina e a a Praça das Mãos, no Comércio receberão ornamentação laranja, cor da campanha.

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Lauro de Freitas também em Campanha

Na próxima quarta (7), a campanha chegará a Lauro de Freitas, Região Metropolitana de Salvador. Lá será realizado debate com a juventude, no intuito de conscientizá-los quanto a práticas cotidianas que revelam machismo e violências. Segundo a coordenadora de Gênero do CEN, Iraildes Andrade, este comportamento tem sido identificado com incidência entre jovens.

“Eles tem reproduzido comportamentos que revelam estas violências. Em nossas ações no município, podemos identificar, então precisamos falar deste tema com eles, levar informação e conversar sobre machismo e suas consequências no dia a dia”, explica.  

A Campanha pelos 21 Dias de Ativismo Pelo Fim da Violência de Gênero, realizada pelo Instituto AVON em todo país, vem este ano, evidenciando – desde o dia 20 de novembro – a maior incidência da violência de gênero sobre mulheres negras.

Além disso, tem pautado a mudança de comportamento, em especial dos homens, evidenciando a violência doméstica, propagada por companheiros, maridos, namorados, pais e demais familiares do sexo masculino, mais próximos das vítimas.

Sarau Enegrescência convida Cidinha da Silva este sábado (3)


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Banco de Imagens

Há dois anos, jovens se reúnem, em Salvador, para falar de culturas negras através da educação, da literatura e das artes. É o Projeto Enegrescência que tem como principal atividade o Sarau Enegrescência, que acontece no Centro Cultural Casa de Angola na Bahia. Na última edição do ano, este sábado (3), às 15h, a convidada será a escritora Cidinha da Silva.

Na ocasião, Cidinha conversará com o público e pré-lançará seu novo livro de crônicas, intitulado “#paremdenosmatar e o “Canções de amor e dengo”, de poemas. As obras poderão ser adquiridas no local. O livro #paremdenosmatar (Ijumaa, 2016) já foi lançado em outras cinco cidades.

“Não é um livro que se tenha alegria ao fazer, é o contrário disso, pois fala da morte imposta à população negra no Brasil, na diáspora e em África, tanto pelo extermínio físico, quanto pela morte cultural e simbólica. Mas a Ijumma o fez belo como objeto-livro sonhado e o entregamos muito felizes às mãos leitoras” – Cidinha da Silva.

A obra tem 240 páginas e, ao longo de 72 crônicas escritas entre 2012 e 2016, fala de resistência. “Trata-se de leitura densa que exige estômago e coragem. É um livro que exige mais do que o desgastado uso do termo “denúncia” para caracterizá-lo. Este #Paremdenosmatar! é testemunha de acusação do genocídio contemporâneo da população negra. É memória viva em transformação que se vale da crônica como suporte”, enfatiza a autora.

“Para nós, do Enegrescência, é muito gratificante ter em nosso Sarau a presença da escritora Cidinha da Silva, umas das referências da literatura negra brasileira. Finalizar o ano com um lançamento de livros que tratam sobre genocídio e afetividade negra, o primeiro como elemento cerceador dos nossos afetos, é alimentar o Sarau Enegrescência com discussões estéticas e questões urgentes para o povo negro. É perceber como a literatura negra é algo que reafirma a humanidade de negras e negros através de sua estética afetiva” – David Alves, um dos organizadores do Sarau Enegrescência.

Com o Sarau Enegrescência os/as organizadores/as visam difundir obras de autores/as negro-brasileiros/as e africanos/as. Com a ação, também busca-se dar visibilidade à estética literária negra e afrodiaspórica, além de discutir questões referentes à identidade etnicorracial, africanidades e afrobrasilidades.

SERVIÇO

O quê: Sarau Enegrescência
Quando: 03 de dezembro de 2016, 15H
Onde: Casa de Angola na Bahia, em frente ao Corpo de Bombeiros da Barroquinha
Entrada gratuita
Livro #paremdenosmatar (crônicas) – R$ 45
Livro Canções de amor e dengo (poemas) – R$ 30
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Programa Direito e Relações Raciais da Ufba entrega Medalha Luiz Gama nesta sexta (2)


Luiz Gama
Banco de Imagens

Nesta sexta (2), a partir das 8h, o Programa Direito e Relações Raciais da Universidade Federal da Bahia (PDDR/UFBA) realiza a terceira edição de entrega da Medalha Luiz Gama. A honraria foi criada pelo PDRR em 2014 e vem homenageando pessoas e instituições que atuam no enfrentamento ao racismo.

Neste ano, a medalha será entregue à Profa. Dra. Ana Célia da Silva e ao Coletivo Poético Ogum’s Toques Negros, em cerimônia na Sala da Congregação da Faculdade de Direito da UFBA. A  atividade é aberta ao público.

Para a advogada Marli Mateus, membro do Núcleo de Mulheres do Coletivo Ogum’s, a homenagem ‘É uma forma de oxigenar o Coletivo e resistir diante do cenário social genocida.” Também do Núcleo, a escritora Mel Adún considera “Uma grande honra, especialmente por trazer o nome de Luiz Gama, e por entender que nossa maior força reside na coletividade. Solidão não faz parte de nossas heranças.”

Em sua concepção, a iniciativa tem o objetivo de homenagear a memória do legado do jurista, poeta, jornalista e abolicionista Luiz Gama, referência para o Movimento Negro contemporâneo.

“O poeta e advogado baiano Luiz Gama, lá atrás, chamou atenção para a necessidade de fortalecermos nossas redes de afeto, nossos entrelaçamentos político-ético-estéticos. Aparentemente, somente assim poderemos fazer frente, com vida, com postura biófila, com vigor, a essa corrente temerária que hoje vigora”, enfatiza Guellwaar Adún, escritor e membro da Ogum’s Toques.

Para a professora Ana Célia da Silva, receber a Medalha é um misto de surpresa e honra. “Estendo esta homenagem a todos e todas militantes que atuam no estabelecimento da igualdade de direitos e oportunidades, uma vez que não temos. O tempo inteiro operam para nos desumanizar, então temos que reforçar nossas representações, nossa solidariedade com nós mesmos”, afirma.

“O reconhecimento de que estamos contribuindo não só para o debate ou a visibilização da literatura e de escritores e escritores negros e negras, mas também para o combate ao epistemicídio, bem como a necessária produção de epistemologias negras para fazer a mediação de nossos textos, nossos afrossaberes”, diz o escritor e membro do Coletivo Ogum’s Toques, Henrique Freitas. 

Tacun Lecy & Os Soldados de Ògún é a atração desta sexta (2) no D’Venetta


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Foto: Divulgação

O cantor Tacun Lecy & Os Soldados de Ògún se apresentam na noite desta sexta-feira (2), no Espaço Cultural D’Venetta, no bairro Santo Antônio Além do Carmo. O show começa às 19h30 e está recheado de ilustres canções da música negra. O couvert é R$12.

Formado por Tacun Lecy (voz e guitarra), Junior (bateria) e Giba (baixo), o grupo apresenta, um repertório especialmente marcado por releituras de artistas como Bob Marley, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Lazzo, Gerônimo, Jorge Ben Jor bem como de artistas mais contemporâneos; além das experimentações com forte influência das músicas de candomblé.

“Já era desejo há um tempo tocar no D’Venetta. A energia fincada nesse local é carregada da ancestralidade do nosso povo. Ela fica ali, pulsando,  e sendo muito bem cuidada. Nossa música dialoga com essa energia e o show vai fluir naturalmente, como se estivéssemos num grande terreiro” – Tacun Lecy.

 

Serviço

Quando: 2 de dezembro de 2016, às 19h30

Onde: Espaço Cultural D’Venetta – Rua dos Adobes, nº 12, Santo Antônio

Atração: Tacun Lecy & Os Soldados de Ògún

Quanto: R$ 12

Sergio Laurentino e Jean Pedro apresentam “Se Deus fosse Preto”, no Teatro Gamboa


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Foto – Guilherme Malaquias/Max Fonseca

E se Deus fosse PRETO? Com essa indagação, o ator Sergio Laurentino (Bando de Teatro Olodum) e o ator e diretor, Jean Pedro pretendem inquietar quem for ao Teatro Gamboa Nova (Aflitos) até sábado (3) para conferir a peça Se Deus Fosse Preto – O Legado de LOID.

Com apresentações às 20h, a peça tem como personagem central LOID, homem negro preso injustamente pelo assassinato de sua filha e de sua esposa.

Na trama, LOID está preso, escreve textos que, após a sua morte, criarão uma nova religião universal. Sua escrita descreve um percurso até os anos 3.000, num misto de ficção e realidade, revelando surpresas de um mundo que viu a queda das religiões vigentes e o surgimento de um novo messias.

“Falo da criação e imagem de Deus, um problema mundial. Esta imagem, este nome que baseou muitas guerras, mortes e que não nos representa. A ideia é falar de uma ancestralidade, nossa herança energética, espiritual. Chegou a hora de sabermos dessa verdade, que é nossa”, enfatiza Laurentino.

O solo apresenta reflexões sobre a vida, a fé, a humanidade e questiona: Como seria se o deus cristão, ocidental, cultuado pela maior parte das religiões, desaparecesse? No lugar dele, um deus negro, com outros valores, outra doutrina e outro templo. 

Sérgio Laurentino

Sergio Laurentino integra o Bando de Teatro Olodum e, em maio deste ano, deu vida ao personagem Paulo Sultão na minisérie “O Caçador”, seu segundo trabalho na Rede Globo, após a série “Ó  Paí, Ó!”. No cinema, atuou no filme “Besouro, de João Daniel Tikhomiroff, e “Jardim das Folhas Sagradas”, de Pola Ribeiro, além do longa “Tropikaos”, do diretor Daniel Lisboa, que será lançado em breve.

Sergio Laurentino segue em novos voos. Ele acaba de gravar o filme “Tungstênio”, de Heitor Dalia, história originada de HQ está escrevendo “Exus: o menino da cabeça de fogo”, segundo solo que pretende estrear no primeiro semestre de 2017.

se deus fosse preto
Foto: Max Fonseca

Debate na Biblioteca dos Barris terá Juliana Ribeiro e Nelson Rufino


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O samba e a identidade baiana serão os assuntos abordados na próxima edição do Conversando com a sua História, que acontece na próxima segunda – dia 05 de dezembro, às 17h, na Biblioteca Pública dos Barris. Os convidados para essa edição serão os sambistas baianos Juliana Ribeiro e Nelson Rufino.

Com a temática “O Samba da Minha Terra: música e identidade baiana”,os dois palestrantes participantes irão abordar o assunto baseados no que descobriram ao longo de suas carreiras, além do que vivenciaram crescendo na cidade de Salvador.

Juliana Ribeiro é natural de Salvador e iniciou sua carreira em 2001. Desde o início, a cantora une seu trabalho de criação artística com a pesquisa. Também historiadora, a musicista foi aluna especial da Faculdade de Canto Popular da UNICAMP e tem formação técnica em canto lírico pela UFBA. Com seu timbre de voz marcante, Juliana foi indicada ao Troféu Caymmi 2007 na categoria Cantora Revelação.

Em seu trabalho, traz um repertório de variações rítmicas do samba, como Lundu, o Batuque, Jongos, Sambas Angolanos, Maxixe, Samba-de-Umbigada, entre outros gêneros. É mestra em Cultura e Sociedade (UFBA) com a Dissertação ‘Quando canta o Brasil: uma análise do samba urbano carioca na Rádio Nacional nos anos 1950’.

Nelson Rufino
Foto: Rosilda Cruz

Nelson Rufino nasceu em Salvador, no bairro do Garcia, mas escreveu a sua primeira música, “Bahia, meu 1º travesseiro”, quando morava no Rio de Janeiro e estava inspirado pela saudade que sentia da mãe. Sua carreira foi iniciada nas Quadras de Escolas de Samba de Salvador, mais precisamente na Escola “Filhos do Tororó”, onde ganhou o seu primeiro prêmio com a canção “Veneno”.

Com 22 anos, desfilou com seu primeiro samba-enredo, “Postais da Bahia”, em Salvador, ganhando o primeiro lugar. Na década de 60, começou a trabalhar com Blocos de Carnaval, compondo o seu primeiro Samba de Bloco, o “Apache não é de Guerra”, e, nos próximos anos, “O Machado que trago na mão” e “Blusão do Ano Passado”, que venceu o 1º Festival de Samba de Bloco, em 1971.

 

Coletivo de Entidades Negras e Instituto AVON juntos em campanha contra violência de gênero


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Foto: Ruy Barbosa Pinto

A partir desta sexta (25), o Coletivo de Entidades Negras (CEN) inicia, em Salvador e Região Metropolitana, ações pautadas na campanha dos “21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres”, em parceria com Instituto Avon e a Prefeitura de Salvador.

A campanha envolve uma extensa programação que começa com a iluminação especial do maior símbolo de Salvador – o Elevador Lacerda. Desta sexta até dia 10 de dezembro, o Elevador refletirá a cor laranja – em solidariedade à luta pelo enfrentamento a todas as formas de violência sofridas pelas mulheres.

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Banco de Imagens

Tradicionalmente, é de 16 dias, mas este ano, para evidenciar a maior incidência da violência de gênero que vitimiza mulheres negras, a Campanha foi antecipada para o dia 20 de novembro, culminando os 21 dias em 10 de dezembro. As ações que serão realizadas pelo CEN, a partir desta sexta (25), envolvem a sociedade civil, o aparato de segurança pública (Polícia Militar e Sistema Penitenciário), Universidades Públicas e órgãos do Legislativo e do Executivo.

“A mudança começa onde o silêncio termina”

Com este mote, a Campanha busca, nestes 21 dias, ressaltar a “violência invisível”, com o intuito de provocar uma mudança de comportamento, em especial dos homens. É voltada para a violência doméstica, propagada por companheiros, maridos, namorados, pais e demais familiares do sexo masculino, mais próximos das vítimas.

“Muitos homens justificam seus atos violentos contra as mulheres com base no amor, dizem que amam demais, que sentiram ciúmes demais e vários outros motivos, sempre baseados no amor. A imprensa costuma chamar esses casos de “crimes passionais”, como se eles tivessem sido motivados por amor. Mas amor não mata! O que mata é a sensação de poder que o agressor tem sobre a vítima”, diz Iraildes Andrade, coordenadora de Gênero do CEN.

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Banco de Imagens

Conforme dados do Ligue 180, no primeiro semestre de 2016 foram registrados cerca de 68 mil relatos de violências, sendo mais de 86% delas referentes situações previstas na Lei Maria da Penha. Na Bahia, criada em 2015 no âmbito da Polícia Militar da Bahia, a Ronda Maria da Penha – comandada pela Major Denice Santiago – tem atuado no policiamento ostensivo a estas chamadas.

Para sensibilizar os profissionais que atendem estas mulheres, em Delegacias ou ocorrências, o Coletivo de Entidades Negras, em parceria com a Ronda, promoverá formações junto a policiais e comandantes no dia 29 de novembro e 5 de dezembro. “Mulheres sofrem quando tentam fazer uma denúncia, são desanimadas pela atitude de alguns profissionais, então precisamos falar sobre isso”, enfatiza Iraildes.

“Quanto mais invisível for a violência, mais difícil dela ser identificada e mais prejudiciais e profundos são os danos causados por ela. Por isso, não podemos partir da premissa de que apenas apontar o erro já é suficiente para provocar uma mudança de comportamento. Precisamos que as pessoas sejam protagonistas e passem a reconhecer que existe um problema que é de todos nós e só pode ser enfrentado com mudanças de atitude”, afirma Mafoane Odara.

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O gênero no cárcere

As mulheres encarceradas também terão atenção especial ao longo desta Campanha. No Presídio Feminino, em Salvador, o Coletivo de Entidades Negras realizará, dia 28, uma “Oficina de Estética”. Na ocasião, serão ofertadas aulas de auto maquiagem – com produtos da AVON -, cuidados com os cabelos, além de conversa sobre violência de gênero.

“Fomentar estas discussões junto às mulheres do sistema penitenciário é trazer à baila uma discussão ainda incipiente e que precisa acontecer para que o chamado empoderamento feminino possa fortalecer as mulheres. É fazê-las, a cada dia, mais autônomas e capazes de refutar todas as formas de violência”, enfatiza Andréa Mércia, coordenadora geral da  Central de Apoio e Acompanhamento às Penas e Medidas Alternativas (CEAPA).

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Foto: Charles Guerra / Agencia RBS

O debate continuará no dia 5/12, com a Roda de diálogos sobre Racismo e Gênero, na sede a OAB, em Salvador, onde 25 mulheres que cumprem pena alternativa estarão presentes. Já em Lauro de Freitas – Região Metropolitana de Salvador -, no dia 7 de dezembro, o diálogo chegará à juventude.

“Temos percebido discursos e comportamentos por parte de jovens daquela região, que reproduzem violências de gênero, então precisamos também conversar com eles de forma mais direta”, aponta Iraildes, que coordena toda a programação que o Coletivo realiza neste período.

Ao longo dos 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres também serão realizadas diversas intervenções na cidade: a cor laranja estará nas gordinhas de Ondina, na Reitoria da UFBA, na Estação da Lapa, na Fábrica da AVON – em Simões Filho -, e na Caminhada do Samba, em Salvador, neste final de semana (27/11). No Shopping Barra, uma ação fotográfica reúne 42 personalidades, incluindo artistas, que aderiram à Campanha. O Portal SoteroPreta fará matérias especiais sobre a programação.

Confira aqui algumas das peças já criadas pelo Instituto AVON que podem ser compartilhadas nas redes sociais, com a hashtag #vamosconversar.

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