#SoteroRelato – “Eu Sopapo, Tu Sopapas”, por Juraci Tavares


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Este texto foi escrito alguns dias após a realização da grande festa noturna da Poesia Negra, do Sopapo Poético, da Associação de Cultura Negra, no Centro Referencial de Cultura Negra Nilo Feijó. Certamente você, leitor atento e amante da língua portuguesa, está se perguntando porque foi usado o verbo no presente, e não o passado concluído, uma vez que o evento foi realizado antes desta escrita.
A língua portuguesa no Brasil, apesar de ser fruto do entrelaçamento construtivo das culturas indígenas – os donos da terra – africanas e europeia, também divide o tempo em fatias: passado, presente e futuro, distanciando os fatos, abrindo a possibilidade de deixá-los estanques.
Na minha visão, a poesia Sopapo Poético, do 25 de outubro, contrariou a lógica da divisão temporal, pois poetizou se transformando em verbo Sopapear com a capacidade de unificar o tempo em uno, tempo sankofiano. Passado e presente caminham juntos, no mesmo instante: ancestralidade e contemporaneidade entrelaçando-se circularmente, sem rupturas temporais, abrindo possibilidades  de transformar a poesia negra do Sopapo Poético em perene herança cultural.
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Quando a minha produtora, a jornalista, professora e militante negra, Camila Lopes de Moraes  e a atriz e militante negra Vera Lopes, uma das fundadoras do Sopapo Poético convidaram-me para participar como homenageado da edição do mês de outubro a fim de sopapear com os meus parceiros e parceiras porto-alegrenses, fiquei muito feliz. O dia vinte e cinco chegou, perenizando-se em mim. Foi uma noite de muita poesia negra, marcando a singularidade da cultura, confirmando-se como construção no aqui e agora.
O Centro de Referência da Cultura Negra Nilo Feijó se transformou em uma grande e compacta nuvem negra poetizando. Senti-me entrelaçado dentro dela, porque todos os olhares, saberes e sonoridades poéticas formaram um grande círculo aberto, cabendo- me. Aquela noite  histórica, memorável e atemporal foi se transformando e vestindo roupas poéticas. 
À medida que as poetas e os poetas foram tornando as suas poesias em Verbo Sopapear, o Tambor Sopapo acenou e tocou para mim, Juraci Tavares, o homenageado da noite, expressando o seu lirismo e a sua expressão de felicidade. A grande mistura de música, olhares, saberes, poesias e outras expressões que não cabem na escrita foram me abraçando e sopapeando-me. As expressões citadas tornam-se fundantes, fundentes, transformando-se em nuvem poética negra sopapeada.
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A noite e o Sopapo Poético, melaninas fortes, se conheceram em 2012, ano da fundação deste. Sopapo Poético, fundição de valores, como: atmosfera densa, negra e escura, desaguando toda última terça-feira do mês, no Centro de Referência da Cultura Negra Nilo Feijó em Porto Alegre. Fomos inundados por água poética negra que a cada momento foi penetrando pelos nossos poros, hidratando os nossos seres, particularmente, o meu, repleto de poesia e felicidade. Inundação muito profícua, salutar, permitindo-me contrariar, nos versos abaixo, uma das armadilhas do racismo, quando diz que eu sou um negro bonito, negro inteligente: 
NEGRO LINDO É PLEONASMO,
 NEGRO LINDO É EXCLUSÃO
O NEGRO LINDO AÍ É DISPENSÁVEL
É EXCESSÃO É CONTRAMÃO
Esta poesia busca desarmar o racismo quando este afirma que eu sou um negro  bonito. Fiquemos atentos, pois o suposto elogio é uma exaltação à exclusão. Sopapo Poético, Cecune, Museu de Percurso do Negro em Porto Alegre, amigos e amigas da capital gaúcha também me proporcionaram afirmar naquela noite: TROUXEMOS O BRASIL  NO FUNDO DO NAVIO.  
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A perenidade é utopia e busca constante nos meus fazeres. Aproveito para ratificar a minha fala no início do texto, dizendo que a poesia daquela noite, 25 de outubro, me levou a transformar o poético Sopapo Poético  em verbo,  conjugando-o e perenizando-o em mim. Além disso, as minhas participações nos inúmeros espaços porto-alegrenses trouxeram-me grandes prazeres, alegrias e aprendizagens, fortalecendo a minha utopia de continuar percebendo-me e construindo-me na condição de sujeito inacabado, não pronto.
Finalizo agradecendo à produção do Sopapo Poético, aos participantes e simpatizantes as homenagens que me foram oferecidas. Neste momento estendo, particularmente, estes agradecimentos  a Vera Lopes e Camila de Moraes, minha produtora, que foram as setas e pontes que me levaram a Porto Alegre.
                                            
Ah! Noite de 25 de outubro de 2016! Ainda me sinto poetizando,
cantando e o Sopapo em mim tocando!  Abraços sopapeados.
                                                                                                                                             Texto do compositor, poeta, Juraci Tavares
Fotos: Divulgação Sopapo Poético

Intervenção “Corra pro Abraço” atuará com pessoas em situação de rua na cidade


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Foto: Camila Souza/GOVBA

O Programa Corra pro Abraço, da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social do Governo da Bahia (SJDHDS),  realiza em 29 e 30 de novembro, nas localidades do Aquidabã e Comércio, respectivamente, em Salvador (BA), a intervenção urbana “De Reis e Rainhas na África aos Quilombos no Brasil”, para levar ludicidade, reflexão e informação sobre esse contexto social à toda população baiana.

A ação ocorre no âmbito das comemorações do Novembro Negro, adaptado pelo Corra pro Abraço de “Novembro Negro na Rua”. Haverá atividades de arte educação, como escrita ou declamação de poesias, expressões musicais, dança e teatro, tanto na Praça Tiradentes (conhecida como Praça das Mãos), no Comércio, quanto na Estação do Aquidabã na Baixa dos Sapateiros.

Cada circuito terá o nome de personalidades negras inspiradoras:  o líder quilombola Zumbi dos Palmares, a intelectual Lélia Gonzalez, a escritora Carolina Maria de Jesus (foto abaixo) e “Professor Arnaldo” – Arnaldo Farias de Santana, pessoa em situação de rua que faleceu em 2015 e era conhecido pelos companheiros de sobrevivência como “paizão conselheiro”.

Foto: Banco de Imagens
Foto: Banco de Imagens

“O objetivo das intervenções urbanas no Corra pro Abraço é chamar atenção da cidade para os espaços de concentração dessa população, para suas condições de vida e para o abandono e degradação desses locais”, destacou Jamile Carvalho, coordenadora do programa. Ao longo dos três anos de existência, o Corra pro Abraço já realizou seis intervenções nesses espaços, sempre em parceria com a população em situação de rua e a comunidade local.

As mesmas atividades serão realizadas em cada bairro, com início previsto para às 14h, com abertura da Banda Som na Praça, seguida de apresentações do poeta, ativista e escritor Nelson Maca e dos MCs Xarope e Gug. A intenção é que toda e qualquer pessoa com interesse em participar da intervenção compareça para somar e conhecer o potencial criativo surgido das ruas, como as canções “Maloqueiro Não” e “Correria da Rua”.

Corra pro Abraço

O Programa Corra pro Abraço tem como objetivo a promoção da cidadania de usuários de substâncias psicoativas, baseado nas estratégias de redução de danos físicos e sociais e prevenção ao uso abusivo de substâncias psicoativas, junto às pessoas em situação de rua, aproximando-os das políticas públicas existentes, entendendo que o estigma e a vulnerabilidade  social interferem na sua capacidade de busca, acesso e acolhimento pelos serviços públicos.

SERVIÇO

O quê?

Intervenção Urbana “De Reis e Rainhas na África aos Quilombos no Brasil”

Quem?

População em situação de rua, poeta Nelson Maca, Xarope (Mc e Dj), Gug (Mc), artistas e educadores do Corra pro Abraço, transeuntes e quem quiser somar.

Quando?

29 de novembro (Estação do Aquidabã, Baixa dos Sapateiros) e 30 de novembro (Praça Tiradentes – Praça das Mãos – Comércio)

Horário?

A partir das 14h. | Informações: (71) 3493-3004

Banda Verona’s encerra o Ubuntu Festival de Negras Artes neste domingo (4)


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Foto : Gerson Garibalde

 

Ubuntu Festival de Negras Artes, idealizado pela Ouriçado Produções, continua até o próximo domingo (4), no Teatro Gamboa Nova. Neste dia, a partir das 17h, subirá ao palco a banda Verona’s, formada por cinco mulheres negras, sob a liderança da cantora Verona Reis.

A banda traz mistura inusitada de MPB com Rock e passeia pelo samba, afoxé e Ijexá, nas composições da vocalista Verona. Na formação somente mulheres musicistas: Amanda Cerqueira, Sâmara Rosa, Aline Santana e Deyse Fatuma.

O festival já teve bate papo, teatro, e muita arte, protagonizado por artistas negros e negras. Veja aqui.

Show da banda Verona´s

4/12 (domingo) – 17h

Teatro Gamboa Nova

Ingressos serão vendidos a R$ 20 (inteira) | R$10 (meia).

Coletiva MUITAS realiza bate papo “Mulher, Negra, Feminista” no Gamboa


Banco de Imagens
Banco de Imagens

O Teatro Gamboa Nova, nos Aflitos, recebe, nesta terça (29), o bate papo “Mulher, Negra e Feminista”, centrado nas experiências e vivências das mulheres negras dentro do movimento feminista.

Nesta edição, estarão no papo a advogada feminista e presidenta da TamoJuntas, Laina Crisóstomo, a jornalista, produtora, poetisa e integrante do Mais Amor Entre Nos Brasil, Sueide Kintê, a socióloga e presidenta da UNEGRO, Ângela Guimarães e Aíla Oliveira, estudante e integrante do Enegrecer – Coletivo Nacional de Juventude Negra

A realização é da Coletiva MUITAS, organização plural e suprapartidária,que reúne mulheres de diferentes áreas, criando uma rede de articulação estratégica e colaborativa, com diferentes frentes de atuação. O evento começa às 19h e a entrada é gratuita, sujeita à lotação do espaço, de 60 lugares.

A Coletiva MUITAS tem como prioridade dialogar diretamente com as mulheres, promovendo atividades formativas, encontros e discussões que aproximem, empoderem e fortaleçam mulheres, de forma individual e coletiva. A Coletiva também articula uma rede de amparo a mulheres em situação de vulnerabilidade, através de assessoria jurídica e apoio psicológico e à saúde feminina.

#21DiasdeAtivismo- Campanha promove conversa com Policiais Militares sobre violência de gênero


Foto Mateus Pereira GOVBA
Foto Mateus Pereira GOVBA

 

É no Subúrbio Ferroviário de Salvador que se registra o maior número de vítimas de violência doméstica na cidade. E foi de lá que surgiu a Ronda Maria da Penha, que atua no atendimento, apoio e orientação das ocorrências policiais envolvendo mulheres vítimas deste tipo de violência.

A atuação se estende em prol do cumprimento das Medidas Protetivas de Urgência, além do encaminhamento das vítimas à Rede de Atendimento à Mulher vítima de violência doméstica.

À frente desta iniciativa no âmbito da Polícia Militar da Bahia está a major Denice Santiago, que já contabiliza mais de três mil visitas e atendimentos desde sua criação, em março de 2015.

Em Salvador são 27 PM’s atuando na Ronda, sendo 10 femininas, que lidam, diariamente, com as múltiplas violências vividas por mulheres na cidade.

“Uma violência legitimada pela sociedade devido à sua formação patriarcal. Em diversos rincões de nosso estado é aceito e estabelecida a posse do masculino sobre o feminino, o que normaliza a violência doméstica”, enfatiza Denice.

O trabalho da Ronda consiste na construção de um novo saber e fazer na atuação policial, segundo a comandante Santiago. “É uma nova atuação frente a esta invisibilidade. A Ronda tem se proposto a realizar atividades de prevenção e esclarecimentos à sociedade sobre a violência doméstica”, diz.

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Banco de Imagens mi

E é o que vai acontecer nos próximos dias 29 de novembro e 5 de dezembro, junto a policiais militares e comandantes de batalhões, respectivamente. Nestes dias, a Ronda Maria da Penha integrará a na campanha dos 21 Dias de Ativismo Pelo Fim da Violência Contra a Mulher, realizada na cidade pelo Coletivo de Entidades Negras (CEN) em parceria com o Instituto AVON.

Teremos um programa, em 2017, para atingir todas as unidades policiais militares em uma capacitação exclusiva sobre violência doméstica. Será apresentado e empregado um protocolo específico para normatizar a postura militar em ocorrências de violência doméstica“, explica a comandante, Denice Santiago.

Nos dias em questão, a coordenadora de Gênero do CEN, Iraildes Andrade, dialogará com o efetivo sobre a temática.

“Ouvir do outro como estamos e como podemos melhorar ainda é uma excelente forma de evolução, então ações como estas sempre serão bem e necessárias para nós”, enfatiza a comandante. Veja aqui outras ações que o Coletivo realiza neste período a Campanha pelos dos 21 Dias de Ativismo Pelo Fim da Violência Contra a Mulher.

Instituto AVON pauta mudança de comportamento no combate às violências


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Foto – Mafoane Odara/Banco de Imagens

As diferentes formas de violência que acometem as mulheres são, ainda, pouco conhecidas pelas próprias vítimas. Reconhecer, quando de uma denúncia, que violência psicológica, sexual, patrimonial, moral, se equiparam à violência física e que devem ser combatidas ainda é um desafio.

Mas um desafio ainda maior é unir homens no ativismo pelo fim destas violências. Este é um dos objetivos principais do Instituto AVON ao propor, no Brasil, a Campanha dos “21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres”. Em Salvador, o Instituto está em parceria com o Coletivo de Entidades Negras (CEN) e a Prefeitura de Salvador, na realização de ações de conscientização.

Além de enfatizar a maior incidência destas violências entre mulheres negras – a Campanha iniciou no dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra – o Instituto AVON vem pontuar, com ações em todo país e nas Redes Sociais, a importância de chamar os homens à responsabilidade neste ativismo.

“Enquanto não compreendermos e não chamarmos os homens para este debate, não conseguiremos acabar coma violência, uma vez que o machismo é o fator estruturante dela, assim como o racismo é estruturante em nossa sociedade” – Mafoane Odara,  pontua a coordenadora de projetos do Instituto Avon, responsável pela pauta da violência contra a mulher.

Nesta agenda, o Instituto, segundo Mafoane, tem pautado suas ações na construção do conhecimento – por meio de pesquisas, na articulação com outras empresas e no apoio a projetos que pautem a temática em todo o país, além do engajamento em meio a seus postos de revenda e funcionários. “Ao pautarmos nossas ações, não temos como ignorar o recorte racial, uma vez que as mulheres negras sofrem três vezes mais violências, além dos novos dados do feminicídio, que vitima 54% mais mulheres negras”, explica.

Naira Gomes, Olívia Santana, Jucy Silva
Naira Gomes, Olívia Santana, Jucy Silva

Com a Campanha, que tem como mote “A mudança começa onde o silêncio termina”, o Instituto apoia nestes 21 dias, mais de 100 ações em todo o Brasil. Na Bahia, as ações são capitaneadas pelo Coletivo de Entidades Negras (veja aqui). A foto acima integra exposição fixada durante estes 21 dias no Shopping Barra, reunindo artistas e personalidades baianas na luta pelo empoderamento feminino.

Mafoane chama a atenção para a “violência invisível”, aquela que mora no comportamento, no dia a dia e sobre a qual não se fala. “Precisamos encontrar novas formas de falar sobre o tema, não apenas no julgar e no culpar, mas propor a conversa, na mudança dos nossos hábitos. Apontar o erro não é a única forma”. A Campanha também associa o mote à hashtag #VamosConversar, com ações nas Redes Sociais.

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Banco de Imagens

Uma das ações para a qual Mafoane Odara chama a atenção aqui na Bahia é a que será realizada junto à Polícia Militar, protagonizada pela Major Denice Santiago (comandante da pioneira Ronda Maria da Penha). Nos dias 29 de novembro e 5 de dezembro, serão realizados encontros de formação sobre atendimento às mulheres vítimas de violências junto a policiais militares e comandantes de batalhões na cidade, respectivamente. Confira aqui as ações que o Coletivo de Entidades Negras realiza neste período.

Foto destaque: Banco de Imagens

Mulheres em cárcere receberão ação especial nos 21 Dias de Atvismo Contra Violência


Foto: Pedro Moraes/GOVBA
Foto: Pedro Moraes/GOVBA

Até dia 10 de dezembro, Salvador e Lauro de Freitas receberão ações tendo como pauta o combate à violência de gênero que vitima uma mulher a cada 2 minutos no país.

Junto ao Instituto AVON e à Prefeitura de Salvador na campanha dos 21 Dias de Ativismo Pelo Fim da Violência Contra a Mulher, o Coletivo de Entidades Negras (CEN) também incluirá uma população especial destas estatísticas: as mulheres encarceradas. Elas são 115 no Presídio Feminino, em Salvador.

A situação de abandono afetivo e o recorrente quadro de baixa autoestima nestas mulheres serão os alvos do Dia de Cuidado, nesta segunda (28).

Momento em que será ofertado a estas mulheres, oficinas de estética com cursos de auto maquiagem com produtos da AVON, cortes e cuidados com os cabelos. Além disso, elas terão uma roda de conversas sobre racismo e violência de gênero.

“As mulheres que cumprem penas privativas de liberdade, ou mesmo as restritivas de direitos são, em sua maioria, negras e provenientes de comunidades populares. São historicamente vulnerabilizadas pela ausência de políticas de atenção que discutam a violência e seus desmembramentos de forma aprofundada”, enfatiza Andréa Mércia, coordenadora geral da Central de Apoio e Acompanhamento às Penas e Medidas Alternativas (CEAPA).

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Foto: Charles Guerra / Agencia RBS

“Apesar de termos avanços nas discussões de gênero e uma discreta queda no índice de violência nos últimos 10 anos, ainda somos vítimas contumazes do feminicídio, alimentado pelo machismo, misoginia e patriarcalismo arraigados na sociedade brasileira”, pontua Andreia Mércia.

“Sabemos que a maioria aqui é tão vítima que se transformam em rés. Isso é muito triste. Debates como estes são necessários para estas mulheres pra que elas possam se conscientizar, abrir seus olhos. Muitas estão tão acostumadas a serem mal tratadas que acham que não tem direitos ou alternativas diante das violências que sofrem. Então, tudo que possa vir a trazer esclarecimento para elas é muito bem vindo na unidade. Sempre as digo que o direito do qual estão privadas é o de ir e vir, os demais elas devem estar cientes de quem tem.” – Luz Marina, diretora do Presídio Feminino.

Já no dia 5/12, o CEN realiza a Roda de diálogos sobre Racismo e Gênero, na sede a OAB, em Salvador, onde 25 mulheres que cumprem pena alternativa estarão presentes.

A Campanha pelos “21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres”, conta anda com parceria da Prefeitura de Salvador e começou na última sexta (25), com a iluminação especial do Elevador Lacerda na cor laranja, que simboliza o ativismo em todo o mundo. O mesmo assim ficará até o dia 10 de dezembro, quando finda a Campanha.

O Coletivo de Entidades Negras realizará, ainda, debates com policiais e comandantes militares, órgãos públicos do Poder Executivo, jovens de Lauro de Freitas.  Saiba mais das ações aqui.

Após vandalismo, Busto de Mãe Gilda, em Itapoan, será restaurado com Ato Religioso


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Banco de Imagens

Iniciada no Candomblé em 1976, Tobojinan (Gildásia dos Santos) inaugurou o Ilê Axé Abassá de Ogum, em Itapoan, no ano de 1988. Doze anos depois, em 21 de janeiro de 2000, ela faleceu. Um dia depois de iniciar uma ação contra a igreja Universal do Reino de Deus, após esta utilizar sua imagem associada ao charlatanismo. Nestes 16 anos, Mãe Gilda vem sendo homenageada a cada ano, com a instituição desta data como o Dia de Combate à Intolerância Religiosa.

No dia 28 de novembro (segunda), um Ato Religioso será realizado em torno do Busto de Mãe Gilda, construído há dois anos (28 de novembro de 2014) no Abaeté, no intuito de marcar, naquela comunidade, a luta contra a intolerância religiosa que ceifou a vida da ialorixá.

Hoje, liderado por sua filha, a ialorixá Jaciara Ribeiro, o Ilê Axé Abassá de Ogum encabeça o Ato, que contará com rituais religiosos e programação cultural a partir das 8h. É aberto ao público e tem apoio da Secretaria de Promoção da Igualdade (SEPROMI) e o Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra (CDCN).

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Banco de Imagens

Acompanhe o caso

Em 28 de novembro de 2014, o Busto foi inaugurado no Abaeté com grande mobilização de comunidades de terreiro do entorno e de outras localidades. Para a ialorixá Jaciara Ribeiro, uma ação que marcou a luta contra o ódio à religião do Candomblé e seus adeptos.

Em maio de 2016, o monumento teve parte da placa de informações quebrada e as plantas ao redor arrancadas por pessoas até então não identificadas pelas câmeras de segurança do local. Por conta desta não identificação, a investigação foi interrompida, sem conclusão.

“Mãe Gilda foi desrespeitada e atacada duas vezes: quando teve uma bíblia arremessada na cabeça, dentro do Terreiro, e com essa depredação que sabemos que tem motivação religiosa por trás. Após nosso empenho, conseguimos, agora, restaurar o Busto e estaremos vigilantes”, enfatiza Jaciara Ribeiro

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Foto: Joana Brandão tavares (DW)

Ações

Para reforçar a mobilização em prol do respeito ao Candomblé, o Ilê Axé Abassá de Ogum (Itapoan), o Terreiro de Lembá (Camaçari) e o Terreiro Tanuri Junsara (Engenho Velho da Federação) se unirão no dia 26 (sábado), às 14h, no Museu de Artes da Bahia (MAB- Corredor da Vitória).

Estão convocados religiosos e militantes para debater estratégias diante da polêmica em torno da eminente decisão do STF quanto à proibição do sacrifício de animais nos rituais religiosos. O evento é aberto ao público.

SERVIÇO

Dia 26/11, 14h – Debate sobre proibição do sacrifício de animais nos rituais religiosos no MAB (Corredor da Vitória)

Dia 28/11, 8h – Ato Religioso em homenagem à restauração do Busto de Mãe Gilda em Itapoan

StartUp Vale do Dendê será lançada em Salvador esta terça (29)


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Hélio Santos

Falar de uma outra Salvador. Transformar a cidade em um pólo de investimentos a partir das periferias da cidade. Este é o objetivo do Vale do Dendê, que já foi anunciado aqui no portal Soteropreta, no Perfil com um dos idealizadores do projeto, o publicitário Paulo Rogério Nunes

O lançamento será nesta terça (29), no São Salvador Hotéis e Convenções (Costa Azul), em evento para convidados.

O Vale do Dendê é uma startup qiue nasce com o objetivo de liderar projetos econômicos e sociais que tenham como protagonistas os jovens empreendedores que atuam na capital baiana.

Com os conceitos de Economia Criativa, a startup terá sua primeira fase de atuação na Cidade Baixa/Pelourinho. Junto a Paulo Rogério, estão na direção desta iniciativa, o professor universitário e economista Hélio Santos, e o  jornalista e empreendedor Rosenildo Ferreira.

“Queremos ajudar a transformar a criatividade e o talento dos jovens baianos em negócios de alto impacto social e econômico no qual eles sejam os protagonistas. Para tornar esta ambição uma realidade, é preciso que seja articulado e implantado um ecossistema propício à inovação, também nas áreas mais carentes.” – Hélio Santos

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Paulo Rogério Nunes

A Vale do Dendê vai estruturar e liderar negócios nos quais o uso das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs) sejam as ferramentas principais. Elas viabilizarão empreendimentos que gerem renda e conhecimento. Dentre seus projetos, terá a instalação de FabLabs (espaço para incubação de empresas inovadoras) e de Casas de Cultura (destinadas a abrigar e qualificar escritores, poetas e músicos), além da realização de eventos (feiras POP-UP reunindo empreendedores de diferentes segmentos).

“Cada negócio será operado por um ou mais parceiros locais, sob a supervisão dos sócios do Vale do Dendê. A inspiração do Vale do Dendê vem de experiências de sucesso coletadas em diversas cidades dos Estados Unidos (Detroit, Oakley e Austin), da África (Kigali, Adis Abeba e Nairóbi) e também do Brasil (Recife, Curitiba e São Paulo). Queremos que a riqueza gerada neste processo seja a alavanca para o desenvolvimento da periferia da cidade.” – Paulo Rogério Nunes

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Rosenildo Ferreira

Para o jornalista, Rosenildo Ferreira, “O surgimento das impressoras 3D e o barateamento no custo de aquisição de ferramentas tecnológicas, de modo geral, estão tornando possível tirar mais rapidamente as ideias do papel. Essa economia baseada na criatividade, na co-criação e na colaboração é que deverá moldar o futuro do emprego e dos negócios, especialmente em cidades cuja atividade produtiva se baseia no setor de serviços.”.

Saiba tudo sobre este empreendimento aqui. 

Lazzo retorna com projeto “Nosso Jeito de Ser” no MAM este domingo (27)


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Foto: Mateus Pereira (Secom/BA)

A próxima edição do projeto ‘Nosso Jeito de Ser’ acontece dia 27/11 (domingo), no pátio do Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA) Terá feira às 13h (entrada franca) e shows logo após o pôr do sol, em área paga, com ingressos à venda no Sympla e no local.

Realizado pela Aláfia Produções & Eventos, ‘Nosso Jeito de Ser’ reúne múltiplas linguagens artísticas em um mesmo espaço. No pátio, jovens empreendedores exibem seus produtos e projetos ao público. No palco, Lazzo Matumbi apresenta grandes sucessos da sua carreira, faz releituras de canções consagradas na voz de outros intérpretes, recebe convidados que dialogam com a temática do projeto e mescla o tradicional ao moderno das muitas vertentes musicais.

A comercialização de produtos confeccionados pelos próprios expositores será feita na área livre do MAM, com acesso gratuito para o público, a partir das 13h. O show de Lazzo pretende, além de divertir, reforçar o empoderamento negro e debater importantes questões sociais.

Parte disso vem da força das imagens projetadas nas paredes e dos videografismos criados por VJ Gabiru. A proposta do evento é unir arte, informação e boa música em um só lugar.

SERVIÇO

“Nosso Jeito de Ser”

Quando: 27 de novembro (domingo)

Feira de afro empreendedores: 13h (entrada franca)

Show de Lazzo e convidados: 18h (começa ao pôr do sol)

Onde: Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA) – Avenida do Contorno, Salvador – BA

Ingressos: R$ 30 (Inteira) e R$ 15 (Meia)

Onde comprar: SYMPLA e no local

Classificação: Livre