Giovane Sobrevivente lança clip “Melanina” em comunidades de Salvador e RMS


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Após seis meses de gravações em comunidades de Salvador e Região Metropolitana, o poeta, cantor e cineasta, Giovane Sobrevivente apresenta ao público seu vídeo clip “Melanina”, trazendo a reflexão acerca da humanidade negra. “Que, historicamente, vem sendo negada pela ratificação de um modelo eurocêntrico de sociedade”, diz.

O clip já foi apresentado nas comunidades da San Martins, São Caetano e hoje (16), chegará a Lauro de Freitas. A agenda de apresentações públicas segue no dia 17, 18 e 21 (programação abaixo).

“O clipe é baseado em minha poesia “Tia Anastácia”, e na música “Melanina”. Falar de comunidade não é nada distante de mim, porque sou a comunidade, sei o que elas passam. A agenda de apresentação visa contribuir para o fortalecimento comunitário e para o reconhecimento e importância da participação negra na sociedade”, enfatiza Giovane.  

Para quem quer conhecer o poeta Giovane Sobrevivente, veja perfil publicado aqui no Portal.

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O trabalho é fruto de uma força conjunta, unindo grupos de rap, poetas, músicos. Assinado pela Coisa Forte Produções, produtora independente de Giovane, “Melanina” nasceu após parceria com a CafarNaum Filme e JR Nascimento, com a direção do próprio Giovane e Marcão Dois H e participação dos grupos Fúria Consciente, A Rua Se Conhece e Militância Poética.

Além destes, teve o músico Eduardo Oduduwa, Pedro Lucas – poeta do Coletivo Boca Quente -, o músico Cleber da Paixão, a DJ Nai Sena e o Professor Jorge Conceição da UNIRAAM (Universidade da Construção Ancestral Amorosa).

Em 7 de Janeiro de 2017, Giovane lançará o Clip “Melanina” na TV Coisa Forte Produções, canal no Youtube voltado para o fortalecimento, registro e divulgação da cultura negra no estado.

Veja onde o clipe já rodou:

Batalha de MCs Caranga, na Praça do Caranguejo, em Itinga – Lauro de Freitas;

Bar Quilombo da Eliana, Fonte do Capim – Avenida San Martins;

Bar de Luís, rua Tanque do Meio – Alto do Peru;

Rua Fruta-Pão, Alto do Peru.

Fotos: Divulgação

Coletivo Nova 10 Ordem promove a 9ª edição do “Papai Noel Desordeiro”


MUSAS
O Coletivo Nova 10 Ordem promove a 9ª edição  do “Papai Noel Desordeiro”, atividade que visa arrecadar brinquedos, recursos, roupas e outras doações para crianças de comunidades de Salvador. A iniciativa é do coletivo de grafiteiros Nova 10 Ordem, que já realiza a ação há nove anos. Em 2015, foram distribuídos mais de 2 mil brinquedos.

A concentração de ações fica por conta do MUSAS (Museu de Street Art de Salvador), movimento independente que ocupa a Comunidade do Solar do Unhão, promovendo arte e iniciativas culturais.

MUSAS Este ano, a atividade visa ampliar o campo de atuações nas comunidades: rodas de debate, atividade cultural, mutirão de grafite, dentre outra ações. A ação é realizada de forma colaborativa, tanto a coleta quanto a distribuição dos objetos arrecadados.

A arrecadação já está acontecendo e quem quiser contribuir pode doar – até a manhã do dia 25 de dezembro – os itens acima elencados, além de ideias que ajude o coletivo a formular novas ações e estratégias.

Com as doações, serão beneficiadas crianças de comunidades onde o MUSAS atua, como a Ladeira da Preguiça, Gamboa e Massaranduba. Alguns pontos de coleta estão disponíveis nesta ação: a Mil Muros Loja de Graffite, localizada no Shopping Colonial ao lado da Biblioteca dos Barris e na Ladeira da Preguiça. Lá a orientação é: perguntar a qualquer morador por Cris, Marcelo ou Gabriel do Centro Cultural.

Para saber mais do projeto, veja aqui. Para ter mais informações sobre como doar, os contatos são:

Iale Almeida – (71) 992755037
Bigod –  (71) 988413656

 

Guiguio volta aos palcos para show com convidados no Pelourinho


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Foto – Max Gaggino

São 34 anos de carreira. Anos de história passados por espaços de resistência cultural negra na cidade, como o Badauê, Apaches do Toróró, Olodum e Ilê Aiyê, onde passou mais de 26 anos nos vocais. Era o “gogô de diamante do Ilê Aiyê”

Ele é Agnaldo Pereira da Silva – Guiguio -, e no dia 17 de dezembro (sábado), voltará aos palcos da cidade para celebrar. O Show “Guiguio Pérola Negra & Convidados” acontecerá na Praça Tereza Batista, Pelourinho. Ingressos estão sendo vendidos – antecipadamente – com desconto: R$15 (veja local abaixo)

O show é uma homenagem ao cantor e compositor com mais de três décadas de negritude em sua arte, a música. Na bagagem, um currículo de lutas refletidas em suas letras e canto.

Suas canções ultrapassam fronteiras de idioma, idades e gerações. Guiguio é dono de uma voz marcante, forte, inconfundível, com maestria no estilo Afro. Seu bordão “Shewell” ficou conhecido em suas apresentações e, até hoje, é usado por seus admiradores. 

No repertório que será apresentado dia 17, esarão sucessos como “O Mais Belo dos Belos”, “Por Amor ao Ilê”, “Adeus Bye Bye”, “Negra Baila”, “Negrice Cristal”, “Poeira” , “Sou Preto da Cor de Carvão”, “População Magoada”, dentre outros negros hits. A noite terá convidados especiais, ainda não divulgados pela produção. mas uma coisa é certa: Todos fizeram parte de sua carreira.

A cantora e compositora Vanessa Borges abrirá o evento, ocasião em que lançará seu novo projeto Remixtura – proposta sonora percussiva e poética que mescla o afro, reggae, eletrônico e tantas outras modalidades.

 

SERVIÇO

Show “Guiguio Pérola Negra & Convidados”

Dia 17 de dezembro (sábado), 20h
Onde: Praça Tereza Batista Pelourinho
Quanto: Antecipado  ($15) nos lojas Black Atitude (Baixa de Quintas), CrespoSim (CrespoSim) e Salão Negra Jho (pelourinho). No dia, R$30 (bilheteria). 

Ilê Aiyê convida Margareth Menenzes e Edu Casanova este domingo (18)


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Foto: Shai Andrade

Neste domingo (18) , a Senzala do Barro Preto, no Curuzu, será palco da Finalissíma do Festival de Música do Ilê Aiyê. Na ocasião, serão escolhidas as canções do Carnaval 2017.

O festival acontece em duas categorias, “Tema” e “Poesia”, dentro do tema do Carnaval deste ano – Os povos Ewe Fon e outros. O evento começa às 14h e a anfitriã da festa, a Band’Aiyê, receberá Edu Casanova e Margareth Menezes.

Os ingressos custam R$ 30 (pista) e R$ 50 (camarote) e podem ser adquiridos na Senzala do Barro Preto (Curuzu) ou na Boutique do Ilê (Pelourinho).

Margareth Menezes
Banco de Imagens

Frases de Mainha convida youtubers para último espisódio da temporada


frases de mainha
O ultimo episódio desta temporada de Frases de Mainha foi gravado na ultima quarta, 14, no bairro do Barbalho. A equipe convidou youtubers baianos para fazerem parte do elenco a fim de reafirmar a qualidade e força do conteúdo produzido na Bahia. O episódio acontece numa comemoração de fim de ano na qual Mainha e Junio se encontram, pois não sabiam que iriam para a mesma festa.
frases de mainha
Entre os convidados estão personalidades que já conhecemos como Tia Má, Rita Batista, Alan Miranda, Seu Pimenta, integrantes dos canais 10ocupadosCanal FlopouOuriçado ProduçõesHumor Cyclonizados e personagens que já passaram pela série como Keylane com K, interpretada pela atriz Barbara Portugal. “É um prazer para nós receber tantos amigos queridos, que nos apoiam tanto, para gravar um episódio especial” pontuam os atores Sulivã Bispo e Thiago Almasy.
frases de mainha
A grande novidade é que o episódio será bem maior que de costume. “Recebemos muitos pedidos para que os vídeos sejam maiores e agora, finalmente, conseguimos” conta Caio Cezar Oliveira, Relações-Públicas. Para Erick Paz, Designer e videomaker, “é muito satisfatório conceber um produto audiovisual baiano com tantas pessoas importantes e que têm dado protagonismo para o estado nesta área”.
O episódio tem previsão para ser lançado na próxima quarta, 21, às 20h no Youtube e no Facebook.
 
Bastidores:
 
Fotos: Divulgação

Quartinhas de Aruá terá edição especial com lançamento do 39º Cadernos Negros


quartinhas de aruá

Há 11 anos, um grupo de poetas dava início ao primeiro Sarau de Literatura Negra em Salvador: A Quartinhas de Aruá – Encontros de Literatura Negra. A ideia da professora Lindinalva Barbosa e dos poetas José Carlos Limeira e Lande Onawale era criar um espaço que possibilitasse a reflexão sobre literatura negra no Brasil, África ou diáspora e deu certo. Neste tempo, as Quartinhas se consolidaram enquanto espaço de visibilização de autoras e autores negros – sobretudo baianos.

E na próxima quarta (21) – última do ano -, no Ceao (Dois de Julho), em edição especial da Quartinhas, haverá o lançamento dos Cadernos Negros – Vol. 39, que conta com a participação de 14 autores baianos e que residem na Bahia. São eles e elas: Alessandra Sampaio, Ana Fátima, Benício dos Santos Santos, Cláudia Gomes, Fernando Gonzaga, Guellwaar Adún, Fausto Antonio, Luís ‘Aseokaýnha’, Jocelia Fonseca, Jovina Souza, Lande Onawale, Louise Queiroz, Negranória d’Oxum e Urânia Munzanzu. A atividade é aberta ao público e o Portal SoteroPreta é parceiro do evento.

A publicação surgiu em 1978, reunindo – anualmente – poemas e contos de estilos e autorias diversas. Com o tempo, a distribuição foi ampliada, chegando a escritores e poetas negros de vários estados do Brasil. Os Cadernos Negros são, hoje, a principal antologia publicada regularmente com textos de autores afro-brasileiros, sendo um dos mais tradicionais veículos de visibilidade desta literatura.

“Este espaço se constituiu como um tipo de território de aquilombamento de poetas, escritorxs, pesquisadorxs e estudiosxs da literatura e demais artistas de outras linguagens. Costumamos dizer que a Quartinhas tem vida própria e, mesmo depois de perdermos a regularidade de edição, de repente, a Quartinhas se insurge. Agora ela chega em celebração aos Cadernos Negros 39 – Poemas, numa reafirmação da literatura negra brasileira feita por Quilombhoje, um dos mais exitosos projetos da luta anti-racista e da cultura negra na diáspora”, diz Lindinalva Barbosa.

 

quartinhas de aruá
Quartinhas 2010

Na ocasião, a partir das 18h30, será dado início à ritualística característica das Quartinhas, com performances artísticas da atriz Vera Lopes, da cantora Alexandra Pessoa e da dançarina Tainara Cerqueira, tendo a literatura como base. Logo após a abertura, o público dialogará com a profa. dra. Florentina Souza, que falará da importância dos Cadernos Negros na literatura brasileira.

 “O passar do tempo, para nós do Candomblé, é engrandecedor quando persistimos no tempo realizando coisas com dedicação, inteireza. Começamos em um momento em que não havia saraus de literatura negra como hoje, quando temos iniciativas brilhantes e diversas. A Quartinhas se encaixa neste cenário com sua prática de integrar os enfoques políticos, acadêmicos e artísticos, aliados à ancestralidade africana”, pontua Lande Onawale.  

 

No lançamento do 39º Cadernos Negros, os autores autografarão os livros. Logo após, o espaço será da poesia, com o tradicional recital “poétnico” das Quartinhas de Aruá.  O nome é emblemático, permeado por símbolos: os encontros sempre ocorrem às quartas, “quartinhas” são vasos de barro ligados à pré-iniciação no Candomblé e o “aruá”, bebida da culinária afro-baiana também comum na religião, que é servido ao público ao longo do Sarau.

 

Itinerância

A Quartinhas de Aruá já foi realizada em diversos espaços de Salvador, sempre ligados a demandas da comunidade negra da cidade, como a Casa de Angola, o CEAO, CEPAIA, ONG Quilombo Cecília, no Pelourinho, na biblioteca comunitária Betty Coelho, na Boca do Rio, no Teatro Solar Boa Vista, dentre outros espaços. Diversos/as escritores/as, poetas já passaram pelo projeto, que resiste em prol da preservação da literatura feita por negros e negras.

“Escrever é uma forma de me manter viva, escrever nos Cadernos Negros é vida,

honra e dignidade para mim e para os nossos”, – Urânia Munzanzu. 

 

SERVIÇO

O que: Quartinhas de Aruá – Lançamento do 39º volume dos Cadernos Negros

Quando: 21/12 (quarta-feira), 18h30

Onde: CEAO (Dois de Julho)

Aberto ao público

Rolezinho reunirá juventude e afroempreendedores no Pelourinho (18)


rolezinho

“Diminutivo de rolê ou rolé, gíria brasileira, significa “fazer um pequeno passeio” ou “dar uma volta””. Assim se define o chamado Rolezinho. Mas para as baianas Monique Evelle, Luma Nascimento e Yasmin Reis, era necessário criar um novo conceito, uma nova ação de ocupação de outros espaços e construção de novas narrativas: o Rolezinho Oficina de Investigação Musical (OIM).

E já tem data: dia 18 de dezembro, no Pelourinho, a partir das 10h. Serão 13h de programação, com música, cinema, performance, moda, rodas de conversas entre outras atividades.Onome é porque vai acontecer na Oficina de Investigação Musical (OIM), fundada pelo Mestre Bira Reis, um espaço de pesquisa estudos e ampliação da música de diversas culturas, no Carmo.

“A proposta é acessar espaços e fazer cultura, quebrar o pejorativo deste termo ocupando Salvador, seus bairros, comunidades”, enfatiza Luma Nascimento.

PROGRAMAÇÃO ROLEZINHO

10h – Brechó de 10,00 + Encontro de colecionadores de vinil (Vitromina com vinil)
Quem dos Desapegos: Bazar da Gina, Gordivas com Sista Katia, Luã Lima, Luma nascimento, Dai Costa e Juh Almeida.
11h – Instalação de corte para cabelos crespos.
12h30 – Alimentação / almoço (Culinária por Dona Lilian Almeida)
14h – Aula de dança contemporânea + oficina de autocuidado
15h – Exibição do curta CINZAS – dirigido pela cineasta Larissa Fula de Tal (TELA PRETA)

16h – 2 TALKS Papo retos:


Por uma outra Produção Cultural

Com Luma Nascimento (Dresscoração), Monique Evelle (Desabafo Social), Jéssica Hipólito (Don’t touch my hair) Alan Costa e Rogério Teodoro (AfroBapho) e Larissa Fulana de Tal, cineasta (TELAPRETA).

Tema: Como tornar operacional uma ideia, a importância de pensar o impacto social de um projeto, desafios, alternativas e oportunidades na área de produção cultural.


Empreendedorismo e Afroconsumo
Com Kumasi, Marketplace, AfroBox

Suporte para empreendedores afrodescendentes, da Encrespando, empreendimento de turbantes e acessórios e a Dresscoração, moda e garimpo de tendências.

18h30 – Festa de abertura do #CircuitoRolezinho

Com Djs da BATEKOO + AFROBAPHO + DJ NAY SENA + Dont Touch My Hair; Instalação @1Pretxspordia.

CRIA reunirá 19 comunidades para debater o genocídio da juventude negra


genocídio da juventude negra

Acontece, nos dias 15 e 16 de dezembro, na Casa e no Cine 14 – Pelourinho, o Resistência CRIAtiva Ano I. O evento realizado pelo CRIA – Centro de Referência Integral de Adolescentes em parceria com a organização internacional Pão Para o Mundo – PPM, traz como pauta o extermínio da juventude negra. Na ocasião, cerca de 19 comunidades de Salvador articuladas pelo CRIA e representações expressivas na luta contra o genocídio da juventude negra estarão presentes.

A iniciativa foca no empoderamento de jovens para desenvolver estratégias, utilizando a arte e a cultura. A programação inclui Rodas de Conversas, exibição de Documentário sobre a temática e apresentação de Espetáculo Teatral. Confira: 

Programação:


Dia 15.12 (de 9h às 12h) – Casa 14 – Pelourinho.

Roda de Conversa: Genocídio da Juventude Negra: Eu tenho Direito a vida não quero ser estatística!

Convidados:
Silvio Humberto – Fundador da Steve Biko/Vereador
Pedro Zack – Jovem Dinamizador Cultural do CRIA
Grassyela Nobre – Anistia internacional
Juliana Santos – Movimento sem Teto da Bahia MSTB (Mediadora) –

15.12 (15h às 17h30)

Apresentação do espetáculo Pra Lá de Tempo seguido de Debate

Convidado:
Alex Hercog – Vida Brasil

16.12 (de 9h às 12h) Sala de Arte Cine XIV

Exibição do documentário – Retalhos – a memória viva de Saramandaia

Roda de Conversa: “Onde não há Arte a violência vira espetáculo – Estratégias de enfrentamento ao Genocídio da Juventude Negra”.

Convidados:
Lúcio Lima – Fundador da Companhia de Teatro Seguidores de Dionísio e diretor do documentário
Francislene Sales – Arte educadora e pesquisadora de teatro negro infantil
Gabriel Leal – Desabafo Social
Islânia Almeida – BUMBÁ

#OpiniãoPreta – PEC 55: O que muda na vida da população negra, por Ícaro Jorge


pec 55 e negros

A PEC 55, antiga 241,  tem como principal ação o congelamento das despesas do Governo Federal, com cifras corrigidas pela inflação, por até 20 anos.

Os governantes que foram a favor da PEC 55 a tratam como uma das melhores e maiores mudanças fiscais de toda a história do Brasil, uma saída para a crise econômica brasileira.

Entretanto, é uma política de anulação social daqueles que estão à margem da sociedade, portanto, negras e negros serão os mais atacados, pois grande parte dessa população está em índices sociais afetados pela proposta.

A PEC foi votada e aprovada no Senado, em primeiro turno e, com isso, novas preocupações são acrescidas aos nossos debates.

Uma das preocupações mais evidentes são as ações repressivas desse governo não legítimo, pois as pessoas que manifestaram sua insatisfação foram recebidas com tamanha violência da Polícia Militar, em Brasília, quando ocorreu a votação no dia 29 de novembro. Agora, aguardamos a votação no segundo turno, dia 13 de dezembro.
A educação pública e saúde, que já não atendem com a qualidade que deveriam, serão ainda piores com os investimentos públicos congelados por 20 anos, afetando a grande maioria da população negra. Segundo o Inep, quase 57% dos estudantes de escolas públicas sãos pretos ou pardos.
não à pec
Não se pode deixar de falar das interferências que esta PEC trará para o salário mínimo. Segundo a proposta, o salário mínimo será congelado e só sofrerá reajuste a depender da inflação, indo contra a regra atual – reajuste baseado no crescimento do PIB somado ao da inflação. O que causaria um não aumento do salário mínimo.
O que é evidente que causaria diversas consequências para a população negra que recebe 59% do salário das pessoas brancas, em média. E que, na grande maioria, está inserida no mercado em empregos remunerados com salário mínimo.
Em relação à saúde, a Associação Brasileira de Saúde Pública divulgou carta aberta criticando a PEC. No documento, afirma que a proposta sucateará o Sistema Único de Saúde, utilizado principalmente pela população de baixa renda que não dispõe de plano de saúde, na grande maioria negra.
pec 55 e negros
Foto: Joa Souza (A Tarde)

Essa PEC trará o aumento da desigualdade social, o deficit na educação, a falta de saúde pública e o aumento da pobreza. O mais triste, é que se antes estávamos lutando pelo acréscimo dos nossos direitos, agora nós vamos lutar para não perdê-los.

 

Ícaro Jorge, 19 anos, é fundador e conciliador de histórias do Ocupa Preto, blogueiro, youtuber e mobilizador social. Siga: ocupapreto.webnode.com
Fotos: Banco de Imagens

Paulo Rogério Nunes – do Alto da Terezinha para o mundo


paulorogerionunesEle é filho de Zenaide Nunes e Paulo Valentino, seus primeiros e maiores incentivadores. Em tudo. Deram a ele – e a seus irmãos – o melhor: na força, nos meios e na formação. Seu primeiro computador, por exemplo, foi um dos maiores esforços da família, pois viam nele um potencial de criatividade e de iniciativa.

Estamos falando de Paulo Rogério Nunes – publicitário, especialista em Política e Estratégia pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e em Jornalismo e Novas Mídias pela Universidade de Maryland (EUA). E não somente…

É cofundador do Instituto Mídia Étnica – que há 11 anos pauta a mídia negra no Brasil e no mundo – e tem apenas 35 anos de idade. Um jovem negro que teve, dentro de casa, a sua primeira referência empreendedora.

Aquele primeiro computador – lembra Paulo – também foi um dos primeiros do bairro do Alto da Terezinha, no subúrbio de Salvador, onde cresceu.  É irmão de Camila Evangelista e Yan Lucas.

O empreendedorismo começou na adolescência, produzindo um jornal (era Xerox mesmo) para circular na comunidade junto a sua prima Cintia Matos. Também alugava videogame para os colegas, produzia shows com os amigos, fazia camisetas grafitadas pra vender. Tudo isso lá em 1992-93.

Onde eu nasci não havia grupos culturais ou políticos de referência. O Subúrbio de Salvador é historicamente afastado desses movimentos, apesar disso vir melhorando nos últimos anos. Como todo bairro negro, pouca infraestrutura, mas ao mesmo tempo um senso de comunidade bem interessante. Ali cresci de uma maneira tranquila  e toda aquela experiência certamente moldou o que sou hoje.”

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Posse no Conselho Consultivo do Olodum

Na adolescência ainda, a consciência enquanto homem negro em Salvador chegou com a música. Foi no rap dos Racionais MCs que Paulo Rogério ouviu, pela primeira vez nomes como “Nelson Mandela, Spike Lee e Zumbi”.

Foi no ofício enquanto técnico de informática por seis anos, naquela época, que ele entendeu as desigualdades sociais. Era entre os bairros ricos de seus clientes e o retorno para casa que as comparações entre as realidades acionaram seu senso crítico. Mas foi no Instituto Steve Biko que as coisas começaram a fazer sentido.

Aqui começou sua trajetória militante, paralela à entrada na Universidade Católica (Ucsal), onde estudou Publicidade. “Comecei a circular mais no movimento negro, o que me ajudou a ter base para enfrentar os embates dentro da Universidade, onde participei de núcleos negros e dos debates pelas ações afirmativas”, diz.

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Com Spike Lee e o amigo Rosalvo Neto

“O fato de ter tido a oportunidade de conhecer Carlos Moore e outros intelectuais negros que circulavam na cidade me fez ter uma visão mais panafricanista e entender que o nosso problema não é local, mas internacional.”

O panafricanismo e a internacionalização desta pauta andaram juntos na influência do seu trabalho. Seu maior interesse: as produções feitas por negros na diáspora. No Brasil, Reino Unido, Canadá, Colômbia, EUA ou Alemanha, ou seja, toda experiência negra no mundo lhe interessa. Destaque para a comunicação, a tecnologia e a área dos negócios.

Detalhe: Paulo Rogério também é afiliado ao Berkman Center for Internet and Society da Universidade Harvard, onde dá consultoria em uma pesquisa sobre inclusão no meio digital.

Paulo também é o responsável por trazer a tecnologia VOJO para o Brasil. Desenvolvida por pesquisadores vinculados ao MIT Media Lab (EUA), a VOJO é um sistema que permite qualquer pessoa enviar reportagens para a Internet por telefone, mesmo que esta pessoa não tenha um smartphone. O lema desta tecnologia se encontra com o que pauta a vida de Paulo Rogério: “o futuro é vivido e não imaginado”.

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Seu interesse crescente pelo Afrofuturismo e a Cibercultura é mais do que visível. Em tudo que Paulo faz, comenta, posta, debate e produz, estas duas temáticas se encontram, lastreadas pela Comunicação. “Sigo muitos blogs, canais do YouTube e assisto a TEDx sobre esse assunto…ao mesmo tempo, gosto muito de história e política internacional.  E claro, muitas séries.”

No presente, o que ele está vendo e indica? Black Mirror – sobre os desafios da evolução tecnológica –  “Luke Cage”, um herói negro da Marvel que vive nas ruas do Harlem (EUA). O que ele lê? “Revista Piauí”, a “Meio e Mensagem”, “Super Interessante” e a “Exame”.

Livros? Ele adora biografias. “Agora mesmo estou lendo a do filho do Pablo Escobar, sobre essa loucura que foi os anos 80 na Colômbia. Antes, li um sobre os últimos anos do Rei Haile Selassie. Isso quando dá tempo, nessa loucura de trabalho e viagens”, conta. Estas últimas que, para ele, foram experiências libertadoras.

paulo rogerio nunes
Trono do imperador Haile Selassie

A Etiópia foi a que mais marcou Paulo Rogério, em 2011 e 2014. “Visitar a cidade sagrada de Lalibela, que tem quase mil anos, conhecer uma cultura tão diferente e ser acolhido em um local, por meu tipo físico, foi algo encantador”. também adorou Istambul, na Turquia – “uma cidade linda e muito diferente”.

Recentemente, esteve na Colômbia, onde foi tocado pela constatação de que lá, negros e negras estão ainda mais excluídos que aqui no Brasil. “Estas viagens foram fundamentais para ampliar minha perspectiva de vida, minha participação política. Essa nova geração que tá vindo tem que explorar o mundo, mesmo com pouco recurso, dá pra fazer muita coisa. Quando eu tinha 22 anos, essa ideia ficou na minha cabeça: a de que viajar era possível para uma pessoa negra e que era o que eu queria pra mim”, diz.

Poderia compartilhar mais destas experiências, não é, Paulo?

“Poderia escrever um livro de viagem..aliás, quando tiver mais velho devo fazer isso mesmo (risos)”.

Tempo é algo que Paulo tem buscado estender, até porque suas leituras, viagens e trabalhos entre Brasil e o mundo não parece mais caber na agenda. Hoje ele atua em duas frentes: consultoria para empresas na área de comunicação e a criação de um projeto chamado VALE DO DENDÊ. Entre ambas, uma meta comum: criar uma ponte entre o setor privado e a comunidade negra, unindo a publicidade e a comunicação.

Paulo enxerga já há algum tempo um “hiato” entre o que as empresas acreditam ser o desejo da população e o que realmente é. Em suas viagens e leituras ele já entendeu que conceitos como marketing multicultural e responsabilidade social são práticas bem consolidadas. Mas no Brasil…o hiato é ainda maior.

Ele quer atrair grandes investimentos sociais para Salvador e é com o VALE que pretende atingir esta meta. Aqui, ele é enfático: já viajou muito e é uma das coisas que mais gosta de fazer. Mas sair de Salvador não está nos planos deste jovem idealizador e realizador.

Com Al Dixon - um dos líderes do movimento pelos direitos civis nos EUA
Com Al Dixon – um dos líderes do movimento pelos direitos civis nos EUA

“Como bom baiano, quero viver em Salvador. Porém, percebi que por conta da falta de oportunidades muitas pessoas saem da cidade e cada vez mais vamos perdendo nossos talentos para outros estados do Brasil e do mundo. Então, quero criar uma espécie de escritório de atração de negócios que possa atrair para nossa cidade empresas e projetos inovadores para gerar oportunidade para nossa juventude que, infelizmente, é vítima desse genocídio diário. “

Tantos planos, trabalhos, protagonismos e idéias…dá tempo pro amor, pro prazer, pro lúdico? Tem que dar! Aqui um espaço para apresentar Keila Costa, por quem Paulo Rogério se diz grato, sortudo. “Uma companheira incrível, que me apoia e compartilha comigo uma mesma visão de mundo e personalidade. Uma mulher negra que também viveu muitas coisas que vivi, por nascer em uma comunidade pobre e ter batalhado para crescer profissionalmente”, se declara.

Paulo Rogério
Com Keila Costa, Carlos e Ayeola Moore

Eles estão casados há quase dois anos, se viram, pela primeira vez em 2004, na Ucsal e, desde então, tem sido uma presença marcante nesta trajetória que, sim, é de sucesso. “Fico feliz em poder apoiar os projetos dela e vice-versa”.

Paulo adora música – apesar de ter menos tempo para ela do que gostaria. Ele já passou do Rap ao Rock, do Jazz ao AfroBeat. Adora Mulatu Astatke – músico etíope que popularizou o EthioJazz  e tem especial atenção para a música árabe, de “sonoridade incrível”, diz.

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Lançamento da edição do inverno da Revistas Americas Quarterly

Enquanto homem, negro, jovem, o que te inspira?

“Me inspira ver que há um oceano de possibilidades que ainda não foram navegadas…ver que podemos, sim, transformar muitas realidades se usarmos nossa criatividade e canalizarmos nossa energia para produzir soluções. Vejo que se motivarmos nossa juventude, podemos conseguir deixar um mundo melhor para as próximas gerações”.

paulorogerionunesO que te amedronta?

“Ver que ainda há tanto ódio no mundo e que muita gente fica tentando impor sua visão ao outro de maneira tão agressiva. Eu gosto muito de uma frase do poeta angolano Agostinho Neto quando ele diz “”Não basta que seja pura e justa a nossa causa, é necessário que a pureza e a justiça existam dentro de nós.”

Sobre, talvez, a experiência que deu a Paulo Rogério Nunes a experiência inicial para pavimentar todo esse caminho até aqui – o Instituto de Mídia Étnica -, uma certeza: é uma Escola. “ “É claro que nem tudo foi fácil, tivemos muitas dificuldades internas e também demorou para as pessoas de fora realmente entenderem o que nós estávamos tentando dizer, que é basicamente…”a comunicação é importante para qualquer militância política e será algo fundamental no futuro próximo…”.

“Somos o resultado desse mosaico de visões, ideias e percepções de mundo.  Hoje não estou mais na direção da organização e temos pessoas tocando os projetos. Estou dedicado a novas coisas, mas sempre conectado com o IME e compartilhando a mesma visão de que precisamos tornar as mídias mais plurais e representativas.” 

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Integrantes do IME

Sobre o Afro Futuro de que Paulo tanto tem lido e se aproximado, uma deixa: “Estou trabalhando com o professor Hélio Santos e o jornalista Rosenildo Ferreira, colunista da Isto É Dinheiro, para fazermos um movimento semelhante ao que foi feito em Medellin, que era a cidade mais violenta do mundo no início dos anos 2000 e agora é considerada a mais inovadora. Queremos dialogar com o poder público, empresas e universidades, além da diáspora baiana que está pelo mundo e precisa voltar para nossa cidade tão bonita, mas que hoje é violentada”.

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União Africana – Etiópia

Que o filho de Zenaide Nunes e Paulo Valentino tenha muito mais tempo pra compartilhar ainda mais de tudo que esse cérebro brilhante tem pra nos oferecer! “Por todos os meios necessários”.

Fotos: Acervo Pessoal