Thiago Romero estreia espetáculo “Desviante” este mês!


Thiago Romero - Foto Diney Araújo
Thiago Romero – Foto Diney Araújo

Com texto inédito escrito por Daniel Arcades, o diretor Thiago Romero estreia Desviante, que fica em cartaz nos dias 22, 23, 29 e 30 de setembro, às 19h, no Teatro Gregório de Matos. O espetáculo, que tem números musicais e coreográficos, tem como inspiração os movimentos artísticos e culturais dos anos 60 e 70 e o período de ditadura militar no Brasil.

A proposta divide o grupo e instala provocações políticas jamais pensadas naquelas pessoas que até então tinham convicções de que sabiam quais eram os seus ideais. Sair do Brasil em um momento onde é tão necessário ficar e lutar seria fugir da luta ou expandir suas ideias? Com tantos artistas exilados na Europa, seguir como convidado para lá seria uma boa ideia?

O espectador acompanha a noite em que este grupo necessita definir como será o próximo semestre em um momento onde as pessoas não sabiam se estariam vivas nos próximos dias. A ideia do espetáculo é promover um debate entre Homossexualidade, Teatro e Ditadura Militar. “Desviante é um espelho que se reflete um passado tão semelhante aos tempos atuais”, declara Romero.

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Gleison Richelle, Fábio Nascimento, Caique Copque, Rafael Brito e Antenor Azevedo- Diney Aráujo

“Desviante é uma história datada, mas que traz uma grande proposta de reflexão sobre o papel de nós artistas nessas revoluções sociais, sobre o que queremos e devemos dizer/fazer. É um chamado para estarmos em constante alerta, que qualquer deslize parece que a história vai se repetir e o quanto perigoso é não cuidar disso. No espetáculo, estamos falando de uma história da década de 1970 que parece ser 2015”, diz Daniel Arcades.

 

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Antenor Azevedo, Thiago Almasy e Rafael Brito – Diney Aráujo

 

Desviante tem como pano de fundo o período da ditadura no Brasil, um período que era invisível as discussões de gênero, ao mesmo tempo que surgiram movimentos e grupos muito importantes para o país como os Dzi Croquettes, o Vivencial e o movimento tropicalista, que eram chamados da “Geração do Desbunde”.

Faz parte de uma pesquisa de Thiago Romero em debater a homossexualidade pelo viés do teatro. “Essa pesquisa surgiu em 2014 quando tive contato com o livro Devassos no Paraíso, do João Silvério Trevisan. Na época, estava montando Revelo e naturalmente foi se tornando o gancho do meu trabalho em teatro que seria busca da construção de uma identidade gay em paralelo a uma identidade brasileira que muito tem no livro e assim foi nos espetáculos que criei Revelo, Rebola, Delicado, Anoitecidas”.

Serviço

O quê: Desviante – direção de Thiago Romero

Quando: 22, 23, 29 e 30 de setembro, às 19h

Onde: Teatro Gregório de Matos – Praça Castro Alves, s/n – Centro

Ingresso: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)

Juliana Ribeiro e Fernando Marinho voltam com show “Na Batucada da Vida”!


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Foto; Dôra Almeida

A cantora Juliana Ribeiro e o pianista Fernando Marinho retornam aos palcos com o espetáculo, “Na Batucada da Vida”, homenageando a diversidade da obra de Ary Barroso. A releitura contemporânea de Barroso em voz, piano e percussão terá quatro apresentações no Teatro SESI Rio Vermelho: dias 19 e 20, 26 e 27, sábados e domingos de agosto, sempre às 20h.

Os shows terão, pela primeira vez, participações especiais de cantoras e cantores, que serão revelados a cada semana. “Montar um espetáculo piano e voz traz à tona a relação de Ary Barroso com este instrumento desde a sua tenra infância. Por mais que tocasse flauta, violão e percussão, suas composições nasceram da sua relação com o piano”, relembra Juliana. O show traz histórias curiosas, como a chegada de Ary Barroso a Salvador em 2 e dezembro de 1940.

O figurino, desenhado especialmente para o show, remete a estética dos anos 40 e 50 e tem a assinatura do estilista Renato Carneiro da Katuka Africanidades. A inspiração veio das cantoras do Rádio que personificavam a vanguarda de um tempo onde ser mulher e artista era um tabu social.  No repertório, canções como “Rancho Fundo” (1931), o bolero “Risque” (1952), o teatro de revista “Boneca de Pixe” (1938), marchinhas de carnaval, além das antológicas “Aquarela do Brasil” (1939) e “Sandália de Prata” (1941), que criaram o subgênero samba-exaltação.

PROGRAME-SE!

O que? Show “ Na Batucada da Vida” com Juliana Ribeiro e Fernando Marinho

Quando?  Dias 19, 20, 26 e 27 de agosto (sábados e domingos)

Onde? Teatro SESI – Rio Vermelho

Quanto?  R$ 20 meia entrada e  40 inteira

Horário: 20 H

Mostra Elas – Filmes Dirigidos por Mulheres chega à Saladearte da UFBA!


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Adelia Sampaio

A 1ª Mostra Elas – Filmes Dirigidos por Mulheres acontece entre os dias 17 e 20 de agosto, na Saladearte Cinema da UFBA, em Salvador. O público poderá assistir filmes nacionais dos gêneros de ficção, documentário e animação e parte desta seleção é inédita na capital baiana, como os longas “Modo de Produção”, de Dea Ferraz (Pernambuco, 2017, 75 min.), e a “A Destruição de Bernardet”, de Cláudia Priscila e Pedro Marques (São Paulo, 2016, 72 min.).

Esta edição do evento vai homenagear Adélia Sampaio, a primeira cineasta negra a dirigir um longa-metragem de ficção no Brasil. O filme “Amor Maldito” (76 min., RJ, 1984) será exibido às 20h30 do dia 17 de agosto, e a sessão terá a presença da diretora.

Além dos filmes, a programação conta com três mesas de debate, nos dias 17, 19 e 20 de agosto, com os temas “Políticas de fomento à participação das mulheres no audiovisual”, “Mulheres por trás das câmeras no cinema brasileiro” e “Coletivos e ações coletivas de mulheres no audiovisual”.

 
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Entre as debatedoras convidadas estão Myriam Assis, representante da Agência Nacional do Cinema (Ancine), a cineasta Dea Ferraz (Mulheres no Audiovisual Pernambuco – MAPE), a colorista Samanta do Amaral, Ana Luiza Penna, diretora de som de cinema e TV, Samantha Brasil, do Coletivo Elviras e Cineclube Delas, a vereadora Aladilce Souza, também presidente da Comissão de defesa dos direitos das mulheres, e Janaína Rocha, coordenadora de projetos colaborativos do IRDEB.


O evento ainda traz uma consultoria e uma oficina de roteiro, ambas ministradas pela premiada roteirista Francine Barbosa, também professora, educadora e parecerista em editais de audiovisual. As sessões dos dias 17, 19 e 20 de agosto serão encerradas, respectivamente, com a discotecagem do Coletivo Tombo e com os pockets shows de Lívia Nery e de Jadsa Castro. Os ingressos para a Mostra Elas valem R$ 4 (inteira) e R$ 2 (meia). Para as mesas de debates, a entrada é gratuita, sujeita à lotação do espaço. A programação completa está no site.

Sessões especiais

A Mostra Elas também terá uma sessão especial em parceria com a Mostra Lugar de Mulher é no Cinema, que aconteceu em Salvador no mês de abril. No total, serão exibidos no dia 19, às 14h30, quatro curtas-metragens, que trazem diversidade das temáticas, abordagens e gênero. Já no domingo, 20, a partir das 14h30, a sessão Curtas para Todas as Idades reúne cinco filmes de ficção, documentário e animação. Os temas abordam o universo infanto-juvenil, com crianças e jovens como protagonistas.
Serviço
O quê: 
1ª Mostra Elas – Filmes Dirigidos por Mulheres
Quando: de 17 e 20 de agosto
Onde: Saladerte Cinema da UFBA (Avenida Reitor Miguel Calmon, s/n, PAC – Vale do Canela, Salvador-BA)
Quanto: R$4 (inteira) e R$2 (meia-entrada). Para as mesas de debates, a entrada é gratuita, sujeita à lotação do espaço
Mais informações: www.mostraelas.com ou [email protected]

Estrelas Além do Tempo: um filme necessário para todas nós.


Estrelas Além do Tempo
Katherine Jhonson

Katherine Johnson, Física, responsável pelos cálculos que possibilitaram os primeiros voos a Mercúrio, a missão americana à lua (Apollo 11), a corrida a Marte e a viagem do primeiro norte-americano em torno da Terra (1962). Negra.

Dorothy Vaughn, cientista que liderou mais de 20 mulheres negras chamadas “computadores de cor”. Ela programou a primeira máquina IBM na NASA, quando dezenas de homens brancos não deram conta. Negra.

Mary Jackson, primeira Engenheira da NASA, sem a qual não seria possível construir a cápsula que lançaria o homem no espaço. Conseguiu estudar para entrar na Universidade após ação judicial, na qual ela mesma se defendeu. Negra.

O título original deste filme – que concorre em três indicações ao Oscar (“Melhor Filme”; “Atriz Coadjuvante” e “Roteiro Adaptado”) é “Hidden Figures”, que podemos traduzir por “Personalidades Escondidas”. Mas no Brasil você assistirá como “Estrelas Além do Tempo”, nos próximos dias. Uma decisão ingrata, aliás, renomear tão rasamente. Deveriam ter sido fiéis, ao meu ver.

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Mary Jackson

A pre-estreia do filme, nesta segunda (30), contou com a presença de mulheres negras soteropretas que em muito podemos identificar em cada personagem retratada pelas brilhantes atrizes Taraji P. Henson, Octavia Spencer (indicada a Atriz Coadjuvante) e Janelle Monáe, respectivamente.

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Dorothy Vaughn

Digo isso, pois é um filme que fala de algo muito reverberado por nós, mulheres negras, Brasil a fora: a tal REPRESENTATIVIDADE.

Talvez nós não tivéssemos jovens negras sem confiança em si próprias e em seus ideais, se logo cedo elas soubessem a história de Mary Jackson. Uma mulher negra que enfrentou a Justiça norte-americana, e a seu marido negro que tentou silenciá-la, para poder cursar as aulas que a levariam a ser a primeira mulher engenheira a determinar o curso da história dos EUA no espaço. Ela conseguiu e muitas de nós poderíamos tê-la como referência.

Talvez nós não tivéssemos jovens negras pensando que seu lugar é apenas o que tá posto: o último, o mais simples, o mais “fácil”, o mais “adequado” para sua cor de pele, se a história de Dorothy Vaughn fosse pauta de conversas em suas famílias ou de aula, em suas escolas. Uma mulher negra que – escondida – conseguiu o que os mais brilhantes cérebros não deram conta.

Ela programou a primeira máquina IBM que ameaçava seu próprio emprego enquanto “computador de cor”, ao fazer milhões de cálculos em segundos. Ela estudou, aprendeu, programou, ensinou às suas mulheres negras também “computadores”, e se tornou professora e supervisora das brancas e brancos que vieram depois.

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Ivy Guedes, Anhamona de Brito, Jamile Menezes, Andréa Souza e Nadja Santos (esq-direita).

Talvez nós não tivéssemos jovens negras amedrontadas de dizer o que pensam, de enfrentar patrões, chefes, homens e mulheres que tentem “colocá-las em seus lugares”, por serem negras. Não teríamos jovens negras isoladas em suas inteligências e brilhantismos intelectuais, com medo de se destacarem em seus espaços, de assinarem seus nomes em seus projetos e colocarem “a cara no sol que não é pra todos”, se elas conhecessem Katherine Johnson. A primeira em tudo, precoce, destemida, que se colocou à frente de quem a quis dominar e silenciar para provar suas ideias e conclusões. Ela era um computador. De cor.

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Todas negras, como nós que estávamos na plateia desta pre-estreia e vibramos com cada resposta, cada olhada, cada ato destas norte-americanas que vieram de longe. Mas elas estão muito mais próximas do que imaginamos.

“Eu não conhecia suas histórias, mas agora, posso falar delas em um Portal de Notícias que eu criei e mantenho com a força que me mantém viva todos os dias. Sejamos o que não esperam de nós: computadores a desafiar os cálculos e números que nos oprimem todos os dias. Mas sejamos juntas, levando as outras, pois do contrário, já nos fazem.”

O filme “Estrelas Além do Tempo” estará em cartaz em todos os cinemas a partir desta quinta (2). Veja o trailler e só vá!

Texto de Jamile Menezes – Editora Chefe do Portal SoteroPreta

O Portal foi convidado para pre-estreia do filme “Estrelas Além do Tempo”,

em sessão exibida nesta segunda (30), no Cinemark. 

#OpiniãoPreta – X, deixe de vitimismo!


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X acordou neste dia e sequer agradeceu. Teve tempo de banhar-se tranquilamente, cantarolar, assistir ao jornal em sua TV de plasma, indignar-se com mais uma notícia favorável ao Bolsa Família e se isentar de emoção com o novo aumento do gás. Afinal, X nunca comprou gás, X não cozinha, outras pessoas fazem isso.

X entrou em seu carro do ano sem se despedir da reduzida família que ficou à farta mesa do café da manhã de todos os dias. Eles não têm pressa, são chefes, apenas controlam o que outras pessoas estão fazendo. Então, podem viajar mais tarde, dar um pulo em outro estado e voltar no mesmo dia. Outras pessoas providenciam isso com rapidez.

X sempre estudou em escolas onde a média era 7, os professores eram “TOP”, “gladiadores da aprovação” e seus colegas de todas as classes sempre foram como X. Mesmo perfil, mesma história, mesma realidade.

Se encontram neste final de semana na mais TOP balada da cidade, seus gastos conjuntos ultrapassam um “mínimo” e a noite está só começando. X flerta, gasta, ri, gasta, dança, gasta…Aliás, X nunca sabe bem quanto já gastou, gasta ou pode gastar. Outras pessoas dão conta disso.

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Mas quando X volta para casa, sob todos os efeitos da balada top, em companhia dos seus iguais, há uma blitz que para o carro à sua frente conduzido por jovens como X, vindo de outra balada. X passa, mas o outro carro não: jovens como X, só que tinham na pele a cor daquela mesma noite.

Então, conclui: “só podem ter roubado”. X segue com alívio, afinal, teria muito o que explicar antes que tudo fosse rapidamente pago, resolvido. Até porque, outras pessoas que resolveriam isso, não X.

racismoDia de aula. X segue para a faculdade, onde estuda e passou sem cotas. Afinal, X não se enquadra neste perfil e não precisou. Tem pele branca, parece protagonista de todas as telenovelas ou propagandas de que já ouviu falar ou assistiu. Parece com todos que já viu e todo dia vê nas posições de poder.

X tem renda acima de 20 salários mínimos, está na Classe “A”, mora bem e nunca fez a cama onde dorme. Aliás, X não sabe bem como funciona seu lar, pois outras pessoas dão conta disso.

Tema da aula: racismo. X não gosta deste tema, acha uma bobagem sem tamanho esse vitimismo. Opa!? Sim, para X não passa de vitimismo, afinal “quem quer ser alguém na vida basta batalhar para isso, parar de reclamar”.

X acredita que para se educar, basta querer, estudar muito e não faltar aula por “qualquer coisa”. É preciso esforço, vontade e que as oportunidades estão aí para todos, que “à sua semelhança”, querem sucesso na vida .”

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Naquela aula, X olhou ao redor e viu apenas 2 iguais. A cor da noite estava à frente de novo, aliás, por todos os lados. Falou o que achava e recebeu toda chuva de argumentos contrários, perguntas sobre quais privações já teve em sua vida. Recebeu olhares tensos.

Questionaram quantas abordagens desconfiaram de sua índole. Quantos nãos já recebeu por ter a pele da cor do dia. Quantas vagas disputou para sustentar o ótimo ensino que desfrutara.

Quantas piadas com seu cabelo, nariz, roupas, boca…com sua cor de pele, com sua família ou antepassado, já tinha ouvido na vida? E quantas vezes teve que ser 10 vezes melhor que alguém para conseguir algo só por refletir a cor da noite por todo o corpo? Quantas comparações a animais, escravos, inúteis, imbecis já haviam lhe feito? Quantos…quantas…quantos, X? Quantos?

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X chorou, não aguentou. Clamou-se vítima de assédio, hostilidade, disse que isso sim era racismo, só que ao contrário. Que ali estava em minoria e que não tinha como melhor se defender. X alegou desigualdade naquele momento.

Não havia oportunidades iguais de defesa, era uma opressão tudo aquilo. Queria morrer ali, acabar com a vergonha e humilhação por ser “diferente”.

Saiu da sala, da faculdade e, desta vez, pediu para alguém ir lhe pegar e levar para casa. Afinal, outras pessoas havia em seu oprimido mundo que pudessem aliviar sua dor.

Moral da história….X, deixe de vitimismo!

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Fotos de Lorena Monique, estudante de Antropologia da Universidade de Brasília (UnB) que, inspirada na campanha organizada por alunos negros e negras em Harvard (EUA), fotografou estudantes no campus segurando cartazes com frases que já ouviram.

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Jamile Menezes é Jornalista, Assessora de Comunicação e Imprensa, diretora da Ayo Comunicação e editora chefe do Portal SoteroPreta.