Annie Ganzala: em Salvador e no mundo aquarelando mulheres negras


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Nascida em Salvador, a soteropreta Annie Ganzala Lorde tem um estilo único de fazer sua arte: ela usa a técnica da Aquarela para pintar suas memórias, encontros e experiências. E mais: ela pinta o amor. Mas não é qualquer amor, ela usa suas multicores para dar vida ao amor preto e lésbico, em especial. Em suas telas, Annie se destaca por esta sensibilidade, retratando momentos de afeto, de intimidade e de partilha entre mulheres negras que se amam. Em suas quase 80 (atualizar) aquarelas pintadas ao longo de mais de 20 anos, Annie – filha de D. Lina, mãe de Lila, candomblecista, grafiteira e artista visual – é daquelas jovens pretas empoderadas que não estão aí para ser enquadradas, ela enquadra o mundo sob suas próprias cores e vai aquarelando suas narrativas.

1859_1705071486418444_4589409769137311645_nÉ no bairro da Federação que ela pinta suas Aquarelas lesbofeministas, antiracistas e decoloniais, onde mora e se inspira. Assim ela define seu trabalho, o que pode ser sensivelmente percebido em cada tela. São mulheres negras, gordas, magras, cabeludas, carecas, de Candomblé, desinibidas, cheias de sentimentos transbordando em cores múltiplas. Elas se tocam, choram, brincam, fazem amor, se beijam e trocam afagos, se unem a multidões…é tanta coisa que Annie pinta. E é preciso contemplar tela por tela para que se possa ter uma dimensão do que todas aquelas cores querem passar. Tudo fruto do aprendizado que obteve junto a outras mulheres quanto à importância de se situar em suas identidades.

“Eu pinto memórias, utopias, nossos sonhos que nos permitam sair desses traumas, dores e mortes que vamos tendo durante a vida, sonhar com cores, alegrias, amores, lugares e relações possíveis.”

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Ela já pintava antes desse auto reconhecimento – começou criança, autodidata – e, na medida em que foi se entendendo, sentiu necessidade de manifestar estas novas descobertas. Como falar não era seu forte, as cores passaram a ser suas aliadas. Com o grafite e a aquarela, passou a atender aos apelos de amigas que a visitavam e viam seu trabalho em casa. Como são seus encontros e memórias que transporta para as telas, Annie passou a pintar não só a afetividade lésbica, mas o Candomblé, a irmandade comandada por mulheres, na qual encontra força artística e espiritual.

Em 2014, veio a janela para o mundo, com o Encuentro LesboFeminista da America Latina e Caribe, na Colômbia, para o qual teve a iniciativa de pedir apoio para exibir suas aquarelas. E conseguiu. Pela 1ª vez Annie saiu do Brasil e mostrou seu trabalho. Logo depois, com uma campanha de arrecadação virtual junto a amigas, chegou a Berlim, onde fez oficina e expôs suas telas. Em 2016, a soteropreta chegou a Viena, por onde ficou durante um ano executando projeto sobre feminismo decolonial, antirracista e lésbico.

ane3De volta às origens, Annie vê a arte negra feminista ganhar força em Salvador. Para ela é um privilégio poder estar entre estas artistas, influenciando-as e sendo influenciada. A diversidade de temas em uma arte com identidade, mostrando afetividade e empoderamento negro e com crítica social é o que importa para esta artista de 28 anos, apesar do mercado não contemplar tamanha produção e criatividade. Ela é certeira: “Se fosse uma pessoa branca fazendo arte, com o capital cultural que tenho hoje, não estaria nesta condição. Ainda é muito fechado, fazemos, mas quem consome são as mulheres negras que valorizam meu trabalho. A arte negra só é bonita e valorizada quando o branco faz, como Carybé, Jorge Amado, Verger”.

E nesse corre do dia, Annie faz encomendas para todo Brasil. Está aprendendo a fazer logomarcas, leva ímãs com suas artes para atividades diversas e trabalha uma nova série chamada “Casa das Diferenças”, na qual ela retrata lésbicas negras, indígenas, com deficiência, adolescentes, idosas… É só procurar por Annie Gonzaga Lorde’s e entender como ela usa as infinitas cores para transbordar e falar de tudo isso e muito mais. 

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Danielle Anatólio: uma história de Águas, Ventos, Matriarcas e exemplos


WhatsApp Image 2016-09-05 at 5.11.16 PMEla é mineira, da Vila Suzana, primeira filha de Glória e Daniel, neta de Ercília, espiritualista que admira o Candomblé e as Irmandades do Rosário. É atriz, terapeuta reikiana, mestranda em Artes Cênicas pela UNIRIO e hoje mora no Rio de Janeiro. O sotaque ainda revela sua naturalidade, mas suas iniciativas profissionais, suas experiências de vida e planos para o futuro legam a Salvador um cabedal de histórias e de expectativas.

Estamos falando de Danielle Anatólio, a Flor de Lótus que encantou centenas de mulheres – e homens também – com sua performance homônima, encenada entre os meses de julho e agosto, em Salvador. Danielle é guiada pelas Águas e pelo Vento, como ela mesma diz; guerreira incansável, desbravadora mas, ao mesmo tempo, muito sensível, que gosta de gente, movimento e que ainda acredita no ser humano. Ela pode ter tido muitos motivos, quando criança e adolescente, para pensar diferente. Sua estética sempre foi daquelas que geram olhares e comentários. Uma mulher grande, de corpo negro fora dos “padrões”, um corpo que não conhecia e que, por isso, a fez recuar muitas vezes diante das agressivas insinuações de homens em seus caminhos. Mas ela sempre teve uma inspiração: vó Ercília, uma lavadeira mineira que a ensinou sobre gratidão. “Faça chuva, faça Sol vamos plantar e vamos agradecer… uma hora a colheita é certa!”, Danielle ouvia.

“A resiliência da minha avó nas enchentes, quando perdia as coisas e ainda assim conseguia levantar a cabeça e seguir em frente sorrindo. Isso foi uma grande aula para meu amadurecimento!”

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Foto: Lis Pedreira

A primeira neta de D. Ercília aprendeu a ser adulta ainda muito nova, a lidar com casa alagada todo fim de ano, com a ausência do pai Daniel, assassinado antes dela ecoar seu primeiro choro. O racismo na escola a testou por muito tempo a acreditar e ver beleza em si mesma, uma luta diária que muitas jovens negras ainda passam hoje. Mas os tempos são outros, muita munição já lhes foi e ainda é dada para serem maiores que o racismo.

Mulheres como Danielle pavimentaram esse caminho de descobertas e a influenciaram em suas buscas. Ariana – ou “Satanáries” como a amiga Carla Akotirene a chama nas redes sociais -, encontrou seu lugar na Arte, em especial no Teatro. Foi como arte-educadora que ela conseguiu acreditar em seu “poder, inteligência, beleza e magnitude”. Aos 19 anos começou a formar outras mentes, lecionando Teatro, coordenando o pré-vestibular comunitário Educafro Minas e se descobrindo enquanto mulher e negra.

No rol das inspirações tem nada menos que Ruth de Souza, Léa Garcia e Chica Xavier, nas quais se vê, e Lázaro Ramos, exemplo de inteligência e profissionalismo para Danielle. As letras negras de Conceição Evaristo a emocionam e, na música, Maria Bethânia, Legião Urbana, Jovelina Pérola Negra, Zé Ramalho e Mateus Aleluia a transformam. Essa parte merece destaque: “Estamos no caos e, às vezes, é realmente difícil manter a fé viva. É nessa hora que o poder de transformação tem que entrar em cena e nos impulsionar para onde quer que queiramos ir.”

E não é? O caos está aí, mas Danielle Anatólio é guiada pelas Águas e pelos Ventos, lembram? Ela quer deixar um legado: o exemplo de alguém que “foi à luta, rompeu com a correnteza, mas alcançou o objetivo”. Foi desacreditada, como muitas, e hoje ela tem a sala de aula e o palco onde pode dar seu recado às crianças e jovens, que é esse: “Seja a mudança que você quer ver no mundo”. ” Aprendi desde cedo que é consigo mesmo que tudo se inicia e é entre os nossos que deve ser feita a transformação, porque “a revolução começa em casa”, conclui.

Conheça aqui sua mais recente iniciativa: a “Vivência de Auto gestão do corpo feminino”, realizada em Salvador em agosto e que pretende voltar em novembro.

Comunidade de Tubarão encerra projeto Circular do Samba de Roda


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Entre junho e setembro deste ano, comunidades do Subúrbio Ferroviário de Salvador receberam atividades por parte do projeto Circular do Samba de Roda na Cultura Popular, iniciativa do Quilombo A CORDA, espaço de estudos, diálogos e ações afirmativas na região que vem promovendo o intercâmbio cultural entre artistas, pesquisadores e a comunidade há quatro meses. Com patrocínio do edital Arte em Toda Parte Ano II, da Fundação Gregório de Matos, a Circular retorna, no próximo dia 24/9, à comunidade de Tubarão, com cortejo pelas ruas a partir das 14h.

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Sob o comando de Luisão Negão da Mata, discípulo de Mestre Ivan, do Centro Cultural Mata Inteira, o cortejo sairá do Quilombo A CORDA (2ª Travessa Bela Vista de Tubarão) seguirá com música, batuques e danças, celebrando a cultura popular e terminando com samba de roda. Tubarão é uma comunidade localizada em Paripe, fica em torno da praia e de três principais ruas: a Rei Charles e a Primeira e Segunda Bela Vista.

“O projeto tem nos contemplado com muito aprendizado. As trocas nas comunidades por onde passamos só reforça o quanto é rica a nossa cultura. Em cada localidade, tratamos do território e personalidades da região, reafirmando nossas heranças e referências culturais afro e indígenas. Temos sempre o Samba de Roda fechando com chave de ouro as atividades, dando conta da continuidade e salvaguarda de nosso patrimônio imaterial”, frisou a coordenadora do projeto, Natureza França.

12360421_1284571364893682_3563449834602503711_nA Circular do Samba de Roda na Cultura Popular, já visitou a Cidade de Plástico – Ocupação Guerreira Zeferina (Periperi), o Parque São Bartolomeu, a Biblioteca Edgard Santos (Ribeira), além da comunidade de Tubarão. Na equipe: Juliana Santos, Ádila Barretto, Daniela Lisboa, Luisão da Mata, Rodrigo Araújo, Jonatan da Oliveira e Daniel Pinho.

Fotos: reprodução Facebook

Segundo Canto Skol Salvador pautará empoderamento das mulheres negras


Foto: primeira edição Canto Skol
Foto: primeira edição Canto Skol

Mulher negra na arte será tema principal da segunda edição do projeto Canto Skol Salvador, que acontece nos dias 9 e 10 de setembro, na quadra do Apaxes do Tororó, em Salvador. A ação faz parte da plataforma de música da Skol e ocupa pontos culturais da cidade com o objetivo de valorizar a “Cidade da Musica”, título concedido a Salvador pela Rede de Cidades Criativas da Unesco, em dezembro de 2015.

O evento é aberto ao público e terá diversas expressões artísticas dialogando com a temática do emponderamento da mulher. O evento contará com oficinas, diálogo temático e performances artísticas, durante a tarde da sexta-feira (9), a partir das 14h, com a produção e curadoria do Minavu, plataforma artística de arte de mulher. O tema será debatido pelas artistas Larissa Luz, Mônica Santana e Laís Machado, que será acompanhado por momentos lúdicos e de performances. Terá ainda oficinas de Break Dance e Rap Freestyle, para as quais as vagas são limitadas.

A programação contará ainda, com o mutirão “Mulheres no Grafite”, coordenado por Carol Su e Chermie, que poderá ter participação das mulheres da comunidade junto às integrantes do Crew Donas do Rolê e outros grupos de mulheres grafiteiras de Salvador.

Shows Gratuitos

No sábado, dia 10, as atividades começam às 17h com instalações artísticas. A partir das 18h, o palco principal recebe a apresentação do grupo Batekoo. Em seguida, haverá uma batalha de MCs, liderada pelo Rima Mina, Viola e participantes da oficinas de Break Dance.

A partir das 20h30 a rapper curitibana Karoline dos Santos de Oliveira, mais conhecida como Karol Conka, assumirá o palco. O Canto Skol

 

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Karol Conka

PROGRAMAÇÃO

Sexta-feira (9/9)

13h – Mulheres no Grafite – Mutirão aberto para participação das mulheres da comunidade. Participação do Crew Donas do Rolê + orientadora Chermie.

13h às 15h – Diálogo temático e performances artísticas – Emponderamento da mulher negra através da arte. Participação de Larissa Luz, Laís Machado e Mônica Santana

15h – Oficina de Break Dance / BGirling. Mediadora: Viola Luba

16h30 – Oficina de Rap Freestyle. Mediadora: Mira Potira e Cíntia Savoli (Rima Mina)

Sábado (10/9)

17h – Exposição Artística – Curadoria Minavu. Artes visuais, fotografia, moda.

17h – Oficina de Turbante – com Luma

18h – Festa Batekoo (1 ano) – Batalha de MCs liderado pelo Rima Mina e participantes da oficina. Performance de Break Dance com Viola e participantes da oficina

20h30 – Karol Conká

Ciclo de debates na Casa do Benin aborda mulher negra e espaços de poder


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Nos dias 16, 23 e 30 de setembro, a Cepafro convoca mulheres negras de Salvador a participar do “Ciclo de Palestras: A mulher negra e os espaços de poder”, um debate que acontecerá em três encontros para abordar diversos pontos que tocam a vida destas mulheres. O Ciclo acontecerá no Museu Casa do Benin, localizado no Pelourinho.

O primeiro dos Encontros será sobre o “Empoderamento”. Neste debate, no dia 16/9, a ideia é falar do conceito de “Empoderar”, o que é estar nos espaços de poder e lutar por empoderamento. Também será um espaço de reflexão sobre poder dentro dos espaços negros de militância. No dia 23, será a vez do debate girar em torno das militâncias e resistências.

Neste dia, a reflexão será sobre o tema “Militância e resistência: chinelo, salto e coturnos… as mulheres negras à frente dos movimentos sociais e a luta pelos espaços”, abordando também os muitos tipos de violências contra as mulheres negras. Já no dia 30, encerrando o ciclo, o tema será “Responsabilidade social e política”, sobre as que as mulheres negras carregam e que não são distribuídas entre as mesmas.

Inaycira Falcão leva sua lírica negra ao Sesc-Senac Pelourinho no concerto “Memórias”


Há 30 anos, a intérprete soprano Inaicyra Falcão iniciava sua carreira musical, enaltecendo o canto lírico e dando corpo a performances singulares. Sua veia dramática toma novo fôlego agora com o Concerto Memórias no dia 3 de setembro, às 20h, que será apresentado no palco do SESC-SENAC PELOURINHO. No repertório, músicas que marcaram estes 30 anos em vozes como as de Nelson Gonçalves, Ângela Maria, dentre outros artistas que encarnaram as relações humanas.

Na performance, Inaycira pretende levar ao público, sua característica versatilidade, acompanhada dos músicos Dainho Xequerê e Gabriel Carneiro que. As canções são das décadas de 50 e 60 e a cantora levará ao público um reflexo de seu convívio com sua mãe, Edvaldina Falcão dos Santos, contadora de histórias no dia a dia familiar. Filha de Deoscóredes Maximiliano dos Santos – mais conhecido como Mestre Didi, Inaycira também traz influências musicais paternas, a partir dos LPS que escutava.

O Concerto Memórias é uma iniciativa da Acosta produções, da produtora cultural Josiane Acosta e tem ingressos a R$30 (inteira) e R$15 (meia), que podem ser comprados na bilheteria do local – apenas no dia do show.


Sobre Ela

Inaicyra é cantora lírica, professora doutora, livre-docente, foi pesquisadora das tradições africano-brasileiras, na educação e nas artes performáticas no Departamento de Artes Corporais da Unicamp. Graduada em Dança pela Universidade Federal da Bahia, com mestrado em Artes Teatrais pela Universidade de Ibadan na Nigéria, doutora em Educação pela USP.

inaicyra foto sidney rocharte (6)Ainda na celebração de seus 30 anos, Inaycira lança o Projeto Encontro ETNOLÍRICO-DESTINO São Paulo, de financiamento coletivo, que propõe intercâmbio com o Runsó, grupo de artistas independentes paulistas que valorizam a musicalidade de comunidades tradicionais de matrizes africanas.

Contemplado no Edital de Mobilidade Artística e Cultural 2016, através do Fundo de Cultura, o projeto já possui passagens aéreas, hospedagem e alimentação garantidas, necessitando ainda cobrir outros custos como assessoria de imprensa, técnicos dos teatros que irão realizar as apresentações, ajuda de custo para os artistas e equipe técnica envolvida no projeto.

O mesmo prevê uma roda de diálogos sobre canto etnolírico e apresentações musicais. A verba arrecadada na ação coletiva será utilizada também para produção de um curta documentário que registrará os melhores momentos do evento e será lançado em Salvador, no decorrer do mês de outubro. Colabore aqui.

SERVIÇO:
CONCERTO MEMÓRIAS

ONDE: TEATRO SESC-SENAC PELOURINHO (71) 3324-4502

QUANDO: 03 DE SETEMBRO
HORÁRIO: 20H
VALOR: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia)

Fotos: Sidney Rocharte

CEAO e Fenatrad realizam Seminário Nacional sobre o Emprego Doméstico


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A CASA LAUDELINA de Campos Mello – Organização da Mulher Negra, vinculada ao Núcleo de Estudos e Pesquisas de Gênero, Raça/Etnia e Geração (NEP-GREG) do Centro de Estudos Afro-orientais (CEAO) e a Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (FENATRAD) realizam, de 15 a 17 de setembro, o II Seminário Nacional sobre o Emprego Doméstico.

O evento terá como tema “O emprego doméstico entre o passado e futuro: Uma reflexão a partir de Gênero e Raça” e será embasado na discussão da militante negra, Dª Laudelina de Campos Mello, que lutou pelo acesso das empregadas domésticas aos direitos sociais, políticos e trabalhistas. Em paralelo, será realizado também o I Seminário de Capacitação Regional Para as/os Empregadas/os Domésticas/os: Rediscutindo a Violência Doméstica.

Ambos eventos contam com a parceria da Universidade Federal da Recôncavo Baiano (UFRB), do Instituto de Psicologia/UFBA, o Sindomésticas – Sindicato das Empregadas Domésticas, a Pró-Reitoria de Ações afirmativas e Assistência Estudantil da UFBA, dentre outros parceiros e apoiadores. Integrando o projeto “Coleções Vozes Oprimidas – Laudelina de Campos Mello”, os eventos visam a capacitação das empregadas domésticas, desconstruir estereótipos, e disseminar informação sobre a organização da categoria, seus direitos e condições de trabalho.

Na pauta estarão ainda questões ligadas às doenças ocupacionais adquiridas por falta de prevenção e segurança em saúde. O Seminário tem ainda o intuito de sensibilizar a Universidade Federal da Bahia (UFBA) quanto à formação das/os trabalhadores domésticos.

Laudelina de Campos Mello no Baile da Pérola Negra - Campinas 1957 (Foto: Arquivo Pessoal de Glória Boardi)
Laudelina de Campos Mello no Baile da Pérola Negra – Campinas 1957 (Foto: Arquivo Pessoal de Glória Boardi)

Na história

Dª Laudelina de Campos Mello nasceu em 1904, organizou a primeira Associação das Empregadas Domésticas em 1936 na cidade de Santos/SP. Na época, Laudelina já pensava na associação como um sindicato, pois já percebia a diferença entre as mulheres, pontuava as desigualdades entre as mesmas: patroas e empregadas; empregadas brancas e empregadas negras.

Responsabilizava o Estado com as políticas públicas, e assim, organizou na década de 60 uma creche para as empregadas domésticas, mantida com as subvenções públicas.

Preocupava-se também com a saúde física e mental dessas mulheres como a solidão e com a capacitação dessas mulheres, qualificando-as para o exercício dessa profissão.

Cineastas realizam oficinas gratuitas de animação em terreiros baianos


d574f031-2ae4-44d7-a5c1-40b62805a380No mês de setembro, onde são festejados os Erês nas religiões de matrizes africanas, o Núcleo Baiano de Animação em Stop Motion, apoiado pelo Edital Arte em Toda Parte, realiza a segunda etapa do projeto Òrun Àiyé: Oficina de Animação em Stop Motion, que visa o empoderamento dos jovens de Terreiro por meio da formação audiovisual, evidenciando as narrativas orais fundamentais para o Candomblé aliando-as com o poder de comunicação e de difusão linguística possível através do cinema.

Fazendo uso das novas tecnologias como ferramenta de enfrentamento do racismo e da intolerância religiosa, as cineastas Jamile Coelho e Cíntia Maria iniciam as atividades nesse sábado (03) no terreiro Ilê Axé Iboro Odé, em São Gonçalo do Retiro, segue para o Ilê Axé Omo Omin Tunde em Plataforma (10/09), encerra a etapa no Hunkpame Savalu Vodun Zo Kwe no Curuzu (18/09).

Na ocasião também será exibido o filme “Òrun Àiyé: A Criação do Mundo” premiado recentemente no Festival Largo Film Awards, em Genebra, na Suíça. A atividade já foi realizada no Terreiro Manso Dandalungua Cocuazenza (Estrada Velha do Aeroporto), no Terreiro Junsun (Alto do Cabrito) e no Zoogodô Bogum Malê Rundó (Federação).

Programação
03/09 – Ilê Axé Iboro Odé (São Gonçalo do Retiro)
10/09 – Ilê Axé Omo Omin Tunde (Plataforma/Parque São Bartolomeu)
18/09 – Hunkpame Savalu Vodun Zo Kwe (Curuzu)

Autores lançam livros na Katuka Africanidades este sábado (3)


 

14021447_530422680495973_7148884599501909986_nA Katuka Africanidades promoverá o lançamento do livro “LEITURA E LITERATURA DO CENTRO AS MARGENS: ENTRE VOZES, LIVROS E REDES”, neste sábado (3). O evento acontece própria loja localizada na Praça da Sé, em Salvador. A obra, organizada por Elizabeth Lima, Luciana Moreno e Verbana Cordeiro, reúne textos das palestras proferidas por escritores, pesquisadores convidados, além de dois Relatos de Experiência Literária que materializam abordagens enriquecedoras.

Os 16 capítulos do livro são reflexões sobre as múltiplas possibilidades que a leitura e a literatura podem estabelecer e interagir em lugares diversos e por meio de formas plurais.  Seus escritos perpassam pelo Centro, Margens, Vozes, Livros e Redes, demonstrando a capacidade de adaptação em diferentes registros estéticos e cenários culturais. Estão entre os autores, Cidinha da Silva, Edil Silva e Alexandre Furtado, que farão o lançamento dos livros “Sobre-Viventes!” (re-lançamento), “Sete Estudos de Literatura Oral e Popular” e “Os Mortos não Comem Açucar”, respectivamente.

SERVIÇO
Lançamento Coletivo de Livros

Quando: 03 de setembro, às 14h
Onde: Katuka Africanidades – Praça da Sé, nº 1
(Em frente ao Museu da Misericórdia)
Contato: (71) 3322-1634