Marlon Marcos e Wesley Correia estreiam a Série Duo Poético!


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Wesley Correia

No próximo dia 16 de dezembro (sábado), às 15h, o Cinema do Museu vai receber o lançamento da nova série editorial Duo Poético (Pinaúna Editora), com obras de dois atuantes escritores no cenário contemporâneo da Bahia: “Cinzas de Sonho Desabam sobre mim”, de Marlon Marcos, e “Íntimo Vesúvio”, de Wesley Correia. O evento será no café da Saladearte Cinema do Museu, no Museu Geológico, Corredor da Vitória (Salvador, Bahia).

A seleção das duas obras e dos poetas para o primeiro volume, além do que entregam artisticamente nas suas produções anteriores e nos poemas dos novos livros, se deu pelo ponto comum das trajetórias de Marlon (Poemar – 2015/ Oyá Bethânia – 2016) e Wesley (Pausa para um Beijo – 2011 / Deus é Negro – 2013), que, em seus históricos literários, imergem no campo cultural, com produções relacionadas às identidades e à religiosidade afro-brasileira, por exemplo.

Está na proposta da série literária os encontros e trocas que ocorrem a cada edição, entre dois poetas, cujas criações apresentam elementos que dialogam entre si – na estrutura dos poemas, em temas contextuais ou outra convergência do momento criativo dos autores – fazem parte da atmosfera simbólica em que a Duo Poético está inserida.

SERVIÇO:

O quê? Lançamento da Série Duo Poético e do seu primeiro volume com os livros “Cinzas de Sonho de Desabam sobre Mim”, de Marlon Marcos e “Íntimo Vesúvio, de Wesley Correia

Quando? 16/12/2017, Às 15h

Onde? Café da Saladearte Cinema do Museu, Museu Geológico, Corredor da Vitória, Salvador, Bahia

Editora: Pinaúna Editora

Preço do exemplar: R$ 35,00

UFBA homenageia Mestre João Pequeno com cerimônia na Reitoria!


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O mestre João Pereira dos Santos (João Pequeno) será homenageado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) na próxima sexta-feira (15),  às 18h, no Salão Nobre da Reitoria. Em cerimônia que celebra os 100 anos do nascimento do capoeirista, a Universidade prestará uma homenagem especial, considerado o mais importante discípulo e continuador da obra do mestre Pastinha.

Participam do evento discípulos e mestres de capoeira, estudiosos da academia, o reitor João Carlos Salles e o reitor Valder Steffen Júnior, da Universidade Federal de Uberlândia, instituição que, assim como a UFBa, outorgou o título de doutor honoris causa ao mestre João Pequeno.

A iniciativa surge da compreensão que a Universidade necessita, urgentemente, dar dignidade e reconhecer os saberes populares como fundamentais para uma maior humanização do mundo. Hoje, a UFBA tem dado passos importantes na superação dessa contradição através de inúmeras iniciativas da atual gestão, muito sensível a essa causa” –  Pedro Abib, professor da Faculdade de Educação da UFBA, discípulo do mestre João Pequeno e organizador do evento.

Mestre João lutou capoeira até seus 91 anos em plena forma. O centenário está sendo celebrado durante todo o mês de dezembro, com atividades culturais e rodas na academia do mestre, no forte de Santo Antônio além do Carmo.

Confira a programação completa do centenário:

Dia 15/12:

18h – Homenagem ao título de Doutor Honoris causa (Salão Nobre da Reitoria da UFBA)

Dia 21/12:

19h – Intervenção na praça do Santo Antônio além do Carmo/ Mostra do vídeo: O velho capoeirista (Pedro Abib)/ Roda na praça Santo Antônio além do Carmo I

Dia 26/12:

19h – Tradicional roda do mestre João Pequeno – com abertura do semeando “Mestre Jogo de dentro/ 21h: confraternização

Dia 27/12:

9h – Oficina de Capoeira Angola com mestre Aranha

15h: oficina de Capoeira Angola com Nani de João Pequeno

17h: Homenagem ao mestre João Pequeno em memória aos seus 100 anos

18h: roda em memória aos 100 anos do mestre João Pequeno

20h30: confraternização com tradicional mesa de frutas

ÀTTOOXXÁ começa festas “Tá Batenu” no Pelô e lança novos singles!


ÀTTOOXXA
Foto Rafael Ramos

E vai rolar ÀTTOOXXÁ na próxima sexta-feira (15) no Pelô! No esquenta do Carnaval, o grupo vai lançar dois singles, além da estourada “Elas Gostam (Popa da Bunda)”: “Tá Batenu” e “Rebola a Raba”. As duas faixas serão lançadas virtualmente pelas principais plataformas digitais.

“Achamos que essas músicas trazem o calor necessário para o #METEDANÇA acontecer. São músicas que já trazem outro tipo de groove e outras experimentações sonoras que a gente se amarra em fazer. São músicas q a gente dedica aos paredões que levam a cultura do #GRAVE às ruas”, adianta Rafa Dias.

E “Tá Batenu” será a o nome das festas do ÀTTOOXXÁ no verão, que começará dia 22 de dezembro (sexta-feira), no Largo Tereza Batista (Pelourinho). E o convidado especial será o rapper Rincon Sapiência (SP).

O primeiro lote dos ingressos está à venda no SYMPLA, por R$ 22 (meia), R$ 44 (inteira), além da inteira solidária por R$ 22 + 1kg de alimento (para ser entregue no dia).

 

SE LIGUE!

“TÁ BATENU – ÀTTOOXXÁ e Convidados”

Atração: ÀTTOOXXÁ, participação especial de Rincon Sapiência

Data/Hora: 22 de dezembro (sexta-feira), às 21h

Local: Largo Tereza Batista (Pelourinho)

Ingresso: 1º lote à venda no SYMPLA, por R$ 22 (meia), R$ 44 (inteira), além da inteira solidária por R$ 22 + 1kg de alimento (para ser entregue no dia) – http://bit.ly/2AJIbx3

Última Concha Negra de 2017 será com Cortejo Afro e Baiana System!


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Encerrando o primeiro ano do Concha Negra e abrindo alas para o verão, o Cortejo Afro comanda a quarta edição do projeto, no dia 17 de dezembro (domingo), na Concha Acústica do Teatro Castro Alves (TCA), às 18h. O espetáculo terá como convidados especiais a banda BaianaSystem e o Núcleo de Ópera da Bahia (NOP), além de abertura com a dupla performática Kaylane e Kathleen.

Iniciativa do Governo da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), através do próprio TCA e do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI), e em alinhamento com a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), a ação garante o lugar da música afro-baiana na programação mensal deste que é o maior complexo cultural da Bahia.

Os ingressos custam R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia) e podem ser adquiridos aqui! no  ou nas bilheterias do Teatro Castro Alves e dos SACs do Shopping Barra e do Shopping Bela Vista.

Último Culinária Musical do ano terá Moqueca, Denise Correia e recital Vozes Negras!


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O próximo Culinária Musical – neste sábado (9), será com Denise Correia e a Banda NaveiaDaNêga, juntamente com o Recital Vozes Negras, dirigido pelo afro-chef Jorge Washington!

Realizado em um dos redutos do gênero na capital baiana– a Casa de Pedra, no bairro do Garcia– o evento promovido por Jorge Washington será embalado pelo encontro de música e gastronomia popular. No cardápio: Moqueca de Ostra e Moqueca de Siri. Este será o último Culinária Musical do ano.

Quando: 9 de dezembro, das 13h às 17h

Onde: Casa de Pedra, Rua Prediliano Pita, final de linha do Garcia

Quanto: R$15 (entrada) prato R$ 30 (o local aceita cartão de crédito e débito)

Atrações: Denise Correia e a Banda NaveiaDaNêga, com performance do Recital Vozes Negras

Cardápio: Moqueca de Ostra e Moqueca de Siri

Documentário “O Caso do Homem Errado” estreia em Salvador na Sala Walter!


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Camila de Moraes

O documentário “O Caso do Homem Errado” tem lançamento previsto na capital baiana no próximo dia 19 (terça-feira), na Sala Walter da Silveira (Barris), às 19h, seguido de um debate com a equipe.

“O Caso do Homem Errado” aborda a questão do genocídio da juventude negra e é prroduzido por duas mulheres negras, Camila de Moraes (diretora) e Mariani Ferreira (produtora executiva), em parceria com a Produtora Praça de Filmes. O longa-metragem documental retrata um caso específico que ocorreu no Rio Grande do Sul na década de 1987 com o operário negro Júlio César – que ao ser confundido com um assaltante – é assassinado pela Brigada Militar. O filme também apresenta dados atuais sobre essa violência contra a comunidade negra.

“Estamos apresentando dados, estáticas, mas precisamos entender que falamos de vidas e sim a minha vida negra importa, as nossas vidas negras importam para a construção dessa sociedade. Então, ao reconhecer que é uma questão de discriminação racial no país, podemos começar a dialogar para buscar soluções concretas ao enfrentamento desse problema que não é apenas de pessoas negras e sim de toda a sociedade”, afirma Camila Moraes.

Em Salvador o lançamento do filme conta com o apoio da Diretoria de Audiovisual, da Fundação Cultural do Estado da Bahia e os ingressos serão vendidos no dia, com 2h de antecedência – R$10/5. Após a exibição, ocorrerá um bate papo com integrantes da equipe.

SERVIÇO

O Quê: Lançamento do documentário “O Caso do Homem Errado” em Salvador

Quando: 19.12.2017 (terça-feira)

Onde:  Sala Walter da Silveira (Rua General Labatut, 27 – Barris, Salvdor/Bahia)

Horário: 19h

Ingressos: R$10,00 (inteira) e R$5,00 (meia)

#PoesiaSoteropreta – Riick Lima, a voz contra a homofobia e a intolerância religiosa!


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Riick Lima é o nome social que Rian Henrique Lima usa nas redes sociais, e para se identificar como um poeta da quebrada. Ele se define como um jovem bem extrovertido, brincalhão e que luta pelos seus direitos, em busca de quebrar tabus e preconceitos.

Sua inserção no mundo poético foi iniciada em 2016, exatamente há um ano e as temáticas que aborda são várias, recorrentes, e que dizem muito de sua identidade na poesia: negritude, homossexualidade e intolerância religiosa.

Claro, os limites da escrita de Riick não estão todos aí. É somente o início de uma jovem e promissora carreira na escrita.

Como ele mesmo revela, “minha poesia é meio para conscientizar as pessoas e quebrar tabus sociais e familiares”, eis a deixa dos caminhos que sua inspiração pretende. E olhe que não há campo mais fértil para a inspiração, pois, em se tratando de barreiras, o nosso país, nos temas citados, é um dos mais injustos e reincidentes em tratar mal sua população.

 

Claro, o desejo do poeta não é se perpetuar nem que as intolerâncias permaneçam. Suas musas e musos migram e transmigram, e assim deve ser, para melhor, sempre. Mas enquanto houver qualquer resquício de desigualdade, ele, Riick Lima, estará a postos para combater, denunciar.

E tem dito e agido em saraus e encontros de luta. A expressão de Riick é coletiva, e luta por direitos individuais e da população, e suas armas são caneta e papel. Dança é outra arte que lhe move, sempre em busca de ocupar espaços que lhe são negados, e que são negados à grande parte dos habitantes das cidades brasileiras, principalmente para jovens negros e moradores das periferias. Sua luta, é, portanto, coletiva.

 

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Aliás, a poesia de Riick tem tudo a ver com coletividade, família. “A poesia e os poetas são uma grande família e reúnem várias outras pessoas, que, juntas, lutam por vários objetivos, querendo, assim, quebrar vários preconceitos”, convoca.

 

Um poema:

Fobia, já vi de várias pessoas, escuro, altura

a mais nova é de cultura

aonde a arte está sendo cassada

por uma sociedade que vem armada:

de palavras, covardia e comunicação

aonde a violência sempre passa na televisão

aonde também informou a mais nova lei, que sou doente por ser gay

tá bom, ser gay agora é doença

daqui a pouco vai ser minha cor, meu cabelo, minhas crenças

aí cê pensa

a sociedade prega igualdade e respeito

mas não te dá o direito de amar e ser amado

amar? menos se você for viado

é meio engraçado

ver toda sociedade testando criar uma cura favorável, para uma coisa incurável

aonde o padrão é clarear eu prefiro escurecer

se esse ditado certo

que tal clarear a mente da sociedade para ela perceber, que não há diferença entre eu e você

com esse mesmo assunto, mesmo ranço

porque na telinha existe um conto de fadas e uma menininha no balanço

enquanto para eles existiu magia

para os meus antepassados o mal agia

e até hoje eu sinto essa dor

 

aonde eu luto sem cessar

para minha brisa não acabar

porque eu fumo palavras

que te atingem como rajadas indo no seu subconsciente

minha fumaça? são os versos

que te revira do certo ao inverso

e meu trago? meu trago é a inspiração

aonde eu levo informação aos irmãos

divulgando meu trabalho de busão a busão

trazendo o caminho da cultura, tirando eles da prisão

aonde sempre canto com alegria

e digo não

à homofobia

#OpinãoPreta – Os tambores rufaram, salve o furacão da Bahia!!


Olodum
Foto: Sepromi/BA

Domingo, voltando do trabalho, alguém no metrô puxou algumas cantigas do Olodum. Qual não foi minha surpresa, ver todo metrô respondendo aos hits desse furação que toma nossa vida de maneira única. Estava aqui pensando o que para cada olodúnico significa esse “se tornar patrimônio imaterial” e, acima de tudo, ter seu festival de música institucionalizado?

Construir o projeto Olodum, é uma batalha constante de conscientização, não somente de quem não o conhece, mas acima de tudo de quem o curte. Não falamos somente de um bloco, mas de uma filosofia de vida com seus ritos, acordos e  religiosidade africana, que se mostram presentes a cada tema trabalhado.

Só quem vai ao Olodum domingo ou sai às sextas de Carnaval, sabe do que estou falando. O Olodum é uma banda que se escuta tanto nos grandes prédios onde a população negra habita, como nas periferias violentadas cotidianamente. Estamos falando de uma banda que – diferente do imaginário social – possui uma relação muito forte de compromisso e respeito com o combate às opressões. 

Estamos falando de patrimônio social constituído em torno de um amor único, o Bloco Afro Olodum, e possui uma relação de irmandade medida no monitoramento um do outro para saber se chegou bem após cada ensaio e não foi abatido pelo racismo institucional  cotidiano em nossa vida.

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Crédito: Globo/ Luiz C. Ribeiro

“Pular” corda do Olodum na sexta, por exemplo, é um destes momentos ímpares do bloco. É na sexta de carnaval que o “furacão da Bahia”  se encontra com aqueles cujos momentos de celebração não fazem sentido se na trilha sonora não tocar “nossa porra”,  forma como se  referem à banda. Tornar o Olodum imaterial é reconhecer uma instituição que não é  somente um bloco, mas que de maneira política e cultural faz a  transformação através da Escola Olodum, de eventos de formação de professores para uso da 10. 639, dentre outros.

Estamos falando da imaterialidade de uma instituição, que combate a escravidão mental e o racismo institucional que nos atinge diariamente. Ele é imaterial porque agrega um público que, historicamente, carrega o estigma de criminoso, ainda que faça seus “corres”  honestos durante todo o ano.

Portando, esse reconhecimento é o primeiro passo para construção de um respeito perdido. O Olodum  vem resignificando seus passos a duras penas e, como dizia Germano, “Não somos mais aqueles”. Mudamos. Somos historiadores, publicitários, advogados, empresários. Somos pedreiros, carpinteiros, ambulantes, empregadas domésticas, marginalizados e excluídos. Agradeço todos os dias ao meu amigo amado, Marcelo Gentil, por me fazer voltar a beber desta energia que emana de forma única sua resistência e existência. Graças a ele, pude voltar a ver o Olodum que muitos se recusam a ver.

A institucionalização do festival é a valorização dos tambores, seus vocalistas e, acima de tudo, da história africana – que vem em cada letra puxada e respondida por vozes sintonizadas – como uma veia sanguínea. É a proteção do pulsar negro que se faz presente em cada ensaio, junto a pessoas que o estado não dialoga e que consolida o mesmo como um  espaço de agregação independente de como se chega. Damos nós em madeira e levantamos poeira, já dizia nosso poeta Lazinho. Vida longa ao furação da Bahia.

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Luciane Reis é publicitária, pesquisadora de etno desenvolvimento e negócios inclusivos, idealizadora do Merc’Afro e acima de tudo OLODÚNICA.

#NegrasRepresentam – Valdineia Soriano e as conquistas da atriz negra!


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Banco de Imagens

Atriz do Bando de Teatro Olodum desde sua formação em 1990,Valdineia Soriano é produtora de diversos espetáculos baianos e tem hoje uma imagem consolidada no cenário teatral. Ela escolheu discutir o passado para não deixar que a história negra desapareça.

Sua experiência de palco envolve mais de 30 montagens, dentre elas “Essa é a nossa praia”, “Medeamaterial” (de Heiner Muller), “Cabaré da RRRRRaça”, “Áfricas”, “Ó, Paí, Ó”, “Bença” e “Dô”. Produtora do Festival Internacional de Arte Negra: A Cena Tá Preta, ela não se cansa. No cinema, integrou o elenco de Jenipapo (1994) e Ó, Paí, Ó (2006), de Monique Gardenberg, O Jardim das Folhas Sagradas (2006), dirigido por  Póla Ribeiro,  Tim Maia (2014) de Mauro Lima e Café com Canela (2016) de Glenda Nicácio e Ary Rosa.

Recentemente, foi eleita melhor atriz no Festival de Brasília. Estamos falando de uma atriz que, através de sua arte, luta para que alguma dessas memórias continuem vivas dentro de nós.

 

Portal Soteropreta – O Teatro Experimental do Negro foi nossa primeira experiência teatral pautando a ausência do negro na dramaturgia e nos palcos do Brasil. Neste sentido, qual a sua perspectiva sobre a presença negra feminina nos palcos?

Valdineia Soriano – O TEN foi o percursor na perspectiva da (o) artista negra (o) poder dizer: “NÓS TAMBÉM PODEMOS E SABEMOS FAZER ARTE!”. Contudo, ainda é muito difícil viver de arte no Brasil, principalmente, sem pertencer a uma grande Cia que seja patrocinada. A condição feminina na arte cênica vem mudando, não é o ideal de visibilidade considerando a gama de atrizes negras que temos na “cena negra”, mas nós estamos conduzindo divinamente nossas trajetórias. Com escritas, produções, direções, atuação e, desta forma, pautando nossos temas, com o nosso olhar, sensibilidade e (RE) existindo – seja no teatro, TV, cinema, circo, dança ou até mesmo nos bastidores destas produções!

Portal Soteropreta – Em que o Teatro contribui para que a atriz Valdineia seja uma referência na luta anti racista?

Valdineia Soriano – Verdadeiramente, é presunçoso de minha parte receber este lugar de referência. Eu sou apenas um corpo, que tem sua importância, a partir da minha arte e da minha postura política-cidadã, na luta para combater as formas do racismo! A minha arte me possibilita falar para muita gente, de todas as etnias e classes sociais, isso é ótimo, mas, eu faço parte de um corpo-coro enorme.

Portal Soteropreta – Você é atriz, produtora, conselheira, ativista, mãe, mulher… Como é ser múltipla neste cenário artístico? O que você mais tem a comemorar?

Valdineia Soriano –  O ano de 2017, tirando todos os golpes, foi e é um ano que vai entrar para minha história enquanto atriz. Eu fiz muitos e bons trabalhos, tive bons encontros profissionais e ganhei um prêmio de extremo reconhecimento na cena brasileira, o troféu de melhor atriz do cinema de Brasília. Essa será minha comemoração por um bom tempo. Mas, eu sempre espero uma surpresa…

 

 

#PoesiaSoteroPreta – A poesia-liberdade-libriana Larissa Barros!


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Larissa Barros escreve pequenos poemas desde a adolescência, mas somente há cerca de três anos, confessa, passou a vivenciar a poesia como uma arte potencial de expressão. “Escrevo majoritariamente sobre amor e questões de gênero e desejo expressar o que sinto e penso, assim como despertar no outro as suas próprias reflexões”.

 

A arte da palavra lhe toma por inteira. “A poesia pra mim é como falar, andar, respirar. Faz parte do meu ritual de vida. Vejo poesia pela janela do ônibus, em todo canto. Ela é instintiva, involuntária, pode brotar de todo lugar. Gosto de utilizar algumas figuras de lingaguem, como a personificação e anáfora. Não existe uma intenção exatamente, mas essas figuras me auxilam a transmitir a minha mensagem”.

 

A poesia de Larissa dialoga e rima com família, quando família representa acolhimento, segurança e liberdade; rima, sobretudo, com qualquer espaço de diálogo e libertação do pensamento. “Se não tiver isso, acredito que não pode rimar com família”, sussurra.

 

Além de poemas, Larissa se aventura, também, pela prosa, e diz que já escreveu alguns pequenos contos, mas ainda está em processo de identificação com essa linguagem. Apesar de usar as redes sociais, prefere não se divulgar como poetisa nestas plataformas. Prefere outros suportes, como declara: “Publiquei uma fanzine como trabalho final de um componente curricular no curso que faço na Ufba, na qual coloquei três pequenos poemas”.

 

Em suas próprias palavras ela tenta se resumir: “falar de uma libriana clássica como eu não é facil. Sou a mistura de muita coisa e não me envergonho disso. Não gosto de ser encaixada em quadrados e me dou a oportunidade todos os dias de mudar os meus pensamentos. Acho que essa é a minha marca maior, essa capacidade de me refazer sempre e não me sentir obrigada a manter sempre a mesma linha de pensamento. Acho que o segredo pra viver nesse mundo louco está na renovação diária”.

 

SEM ESCAPATÓRIA

 

Em todo o meu percurso,

Em cada canto deste mundo

Mundo insano por sinal

Não encontrei quem tenha escapado

De um grande amor

Tão pouco ter saído ileso dele

Espontâneo como criança

Leveza de um passarinho

Perspicaz, rápido, voraz

Há quem o chame de paixão

Loucura, cegueira, desejo ou tesão

Fica a vontade, a mercê e a toa

Chame do que quiser

Quantos apelidos couber

Só não se negue e nem recue

Não gosta de ser rejeitado

E não se faz de rogado

Mas sem dúvida

Seu lugar, seu porto, seu chão

O lugar para onde sempre volta

É o repouso tranquilo

Na letra da canção.