Série “GIANTS” começa a ser exibida na TVE em outubro!


série_giants_tve
A TVE exibe, a partir do dia 9 de outubro, a primeira temporada da série Giants, uma produção norte-americana escrita, dirigida e estrelada por James Bland acompanha a rotina de três jovens amigos negros que estão determinados a tomar as rédeas de suas vidas a qualquer custo. Giants ainda conta com a assinatura dos produtores Issa Rae (“The Misadventures of Awkward Black Girl”) e Jussie Smollett (“Empire”).
Na trama, os três protagonistas rapidamente aprendem que quando a vida começa a bater, só há duas opções: se entregar ou revidar. Não ficam de fora temas caros à comunidade negra, como a evidente brutalidade e o abuso policial por conta do racismo. E também há espaço para temáticas que nem sempre são abordadas de forma vinculada à raça, como transtornos psíquicos e homofobia.
A série tem um delicado equilíbrio entre o humor e momentos mais intensos, fazendo com que os espectadores consigam se identificar em muitos momentos com os personagens em suas histórias diárias e dramas pessoais. Com seis episódios de aproximadamente vinte minutos cada, Giants vai ser transmitida toda segunda-feira, às 21h – as reprises acontecem às quartas, 22h.
“O trabalho vem de uma parceria com David Wilson, criador do primeiro e mais importante portal com conteúdo voltado para afro-americanos, que é o The Grio.com. Em uma de nossas conversas, percebemos a necessidade de trazer conteúdo de entretenimento negro para Salvador, sobretudo na TV”, diz Bruno Almeida, responsável pela tradução e legendagem da série para português.

Atriz Cassia Valle lançará “Calu: uma menina cheia de histórias” na FLICA!


A Fundação Pedro Calmon levará para a Festa Literária Internacional de Cachoeira – Flica 2017, a atriz Cássia Valle (Bando de Teatro Olodum), para pré-lançar seu primeiro livro, intitulado Calu: uma menina cheia de histórias. Será no sábado (7), às 14h30, na Biblioteca Móvel, que estará estacionada na Praça da Fliquinha.

#FPCnaFlica -  Atriz Cássia Valle leva seu primeiro livro infantil para Cachoeira

 

 

“Participar mais uma vez da Flica e, especialmente com a Biblioteca Móvel e, agora, como escritora, é desejo realizado que me enche de alegria ter o livro e a literatura infantil como veículos de comunicação da minha pesquisa. Ela penetra no universo infantil e contribui para o fomento da leitura, da escrita e da contação de histórias”,

contou Cássia.

 

                                             Foto: Divulgação

O livro foi escrito em parceria com a também museóloga Luciana Palmeira e conta a história de Calu uma pequena griot, contadora de histórias, que vive grudada num bloquinho e esse bloquinho é a sua ferramenta mágica para entrar neste mundo da imaginação. “Ela é uma menina rara, num mundo onde papel e lápis estão ficando obsoletos entre as crianças”, ressaltou a escritora.

Como tudo começou

#FPCnaFlica - Atriz Cássia Valle leva seu primeiro livro infantil para CachoeiraA ideia surgiu há mais de cinco anos, quando as museólogas queriam se aproximar do universo infantil, sobre questões relacionadas à memória, patrimônio, identidade e museu. Depois de escrever o livro, elas apresentaram à editora Malê, e através de algumas parcerias conseguiram finalizar.

No livro, Calu procura uma forma de transformar o bairro em que mora em um museu a céu aberto. Cássia ressaltou a importância de trabalhar o sentimento de pertencimento da população para o patrimônio material e imaterial.

“Considero Salvador e Cachoeira grandes museus abertos. Precisamos passar por um processo de (re) apropriação do nosso patrimônio. Temos que trabalhar o sentido de pertencimento da população, através da educação específica para o patrimônio material e imaterial”, disse a escritora.

Texto Jônatas Almeida/FPC-SecultBA

Temas como Racismo e Intolerância Religiosa no cotidiano estarão em debate na Flica!


sergio_sao_bernardo_livro

O tema Racismo e Intolerância Religiosa no cotidiano estará no centro do debate entre os pesquisadores Cléia Costa dos Santos e Sergio São Bernardo, que estarão na Festa Literária Internacional de Cachoerira (Flica), no dia 07 de outubro (sábado). Na ocasião, será lançado o livro “Comentários ao Estatuto da Igualdade Racial e Combate à Intolerância Religiosa do Estado da Bahia”, uma publicação que reúne artigos de 21 autores e demonstra  a pluralidade e a diversidade  de vozes que contribuíram e contribuem para a efetividade do estatuto, que consagrou-se como  sendo a lei  da agenda das lutas de resistência. O convite é da Secretaria de Promoção da Igualdade – Sepromi.

 

Em suas reflexões os autores deixam claro que a Bahia deu o exemplo que é possível construir o seu arcabouço legal, de forma participativa, na medida em que, posto o projeto à discussão, o movimento social, a academia, os pensadores e articuladores sociais da pauta da igualdade substantiva foram chamados para o  debate, para as contribuições, resultando no texto avançado e pontuado de ações afirmativas. Segundo Cléia Costa o debate “não pode parar, e sempre será pauta do dia”.

 

Festa Literária Internacional de Cachoeira – Flica 2017

Quando: 5 a 8 de Outubro
Onde: Cachoeira/Ba

#CulináriaMusical – Jorge Washington prepara Xinxim de Bofe e chama Afoxé Bamboxê!


Jorge_Wasghinton_culinária_musical_garcia_casa_de_pedra
No dia 7 de outubro (sábado), a partir das 13h, acontecerá mais uma edição do Culinária Musical, projeto do ator e afro-chef Jorge Washington que reúne boa música e pratos especiais em um clima de descontração na Casa de Pedra, final de linha do bairro do Garcia.
A atração desta edição será o Afoxé Bamboxê, encontro de diferentes referências musicais que reúne o samba de caboclo e as ladainhas de capoeira. A sonoridade do Bamboxê tem até a batida eletrônica do hip-hop. Um projeto musical oriundo do Nordeste de Amaralina.
Desta vez o afro-chef promete caprichar no Xinxim de Bofe e na Frigideira de Repolho com camarão seco, em mais uma receita singular ao seu imaginário afetivo e já aprovada, em dose dupla, por amigos e familiares. O encontro da música, gastronomia, cerveja gelada, ambiente agradável e boa conversa faz do Culinária Musical o seu lugar para aguçar todos os sentidos.
xinxim_de_bofe_culinária_musicalSERVIÇO
Culinária Musical, encontro de música e gastronomia
Cozinha sobre o comando de Jorge Washington
Show Afoxé Banboxê
Prato Xixim de Bofe e Frigideira de repolho com camarão seco
Sábado, 07 de Outubro  , das 13h às 18h
Local: Casa de Pedra – Rua Prediliano Pita, final de Linha do Garcia
Acesso R$10,00 / Prato R$30,00 (o local aceita cartão de crédito e débito)

Arany Santana se torna a primeira mulher a assumir a Secretaria de Cultura da Bahia


Arany Santana secretaria de cultura
Foto Rosilda Cruz

Autoridades, gestores, artistas, agentes culturais e militantes estiveram entre as centenas de pessoas presentes na tarde desta segunda-feira (02), no Salão de Atos da Governadoria, para dar as boas vindas à nova Secretária de Cultura da Bahia, Arany Santana. Recebida com calorosos aplausos, a primeira mulher a assumir a pasta tomou posse do cargo em cerimônia celebrada pelo Governador do Estado, Rui Costa.

“Continuamos escrevendo história, com a primeira mulher a assumir a Secretaria de Cultura da Bahia. E uma mulher negra. Eu tenho certeza que Arany, com a sua sensibilidade, alma, coração e ligação com o povo, terá muita energia pra gente continuar trabalhando e edificando os pilares da nossa cultura, que é algo estruturante na vida humana e, sobretudo, para os baianos”, declarou Rui.

Arany Santana secretaria de cultura

Arany assume a pasta após Jorge Portugal ter entregue o cargo na última quinta-feira (28). O ex-secretário participou da cerimônia para abraçar e desejar sucesso à nova gestora.

A secretária de cultura na oportunidade reiterou o seu compromisso com a comunidade do setor e em contemplar e assegurar a cidadania cultural através da agregação de nomes das mais diversas linguagens, atividades e vertentes. “É preciso fazer saber como a Secult é importante e o quanto ela faz. – Arany Santana

Ex-diretora do Centro de Culturas Populares e Identitárias (2011-2017), unidade da SecultBA, Arany Santana possui um histórico atrelado à cultura e militância étnica que resiste há anos. Ela é ex-diretora do Ilê Aiyê, mais antigo movimento negro do Brasil; e co-fundadora do Movimento Negro Contra a Discriminação Racial (hoje Movimento Negro Unificado). Como educadora, tem uma trajetória voltada para a alfabetização de adultos iletrados, a arte-educação e o ensino de cultura africana. Também atriz, participou de filmes como A Idade da Terra, de Glauber Rocha, O Jardim das Folhas Sagradas, de Póla Ribeiro, e Capitães da Areia, de Cecília Amado. Na gestão pública, foi a primeira secretária municipal da Reparação, no ano de 2003, e esteve à frente da Secretaria de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza do Estado da Bahia, em 2010. Confira o perfil completo da secretária.

Minha expectativa é de poder garantir os direitos culturais da mesma forma que garantir os direitos humanos fundamentais. Ampliar as parcerias entre os vários órgãos. Reconhecer e valorizar as diversidades, as diferenças, as convergências e as confluências da cultura da Bahia”, afirmou Arany.

Texto: Windson Santos/SecultBA

Vai rolar Bazar Desapega das Pretas no Cabula, afro!


Bazar Desapega
O Bazar Desapega das Pretas está com uma edição especial na UNEB, nos dias 5 e 6 de outubro, circulando os looks de garimpos com preços bem pequenos. A ideia é que todas e todos possam fazer suas compras! Serão peças a partir de R$1 até R$20, dentre sapatos, roupas, acessórios, livros.
“O bazar é para desapegar, mas tem como um dos seus objetivos principais, resistência e a solidariedade a outras mulheres, principalmente as em situação de vulnerabilidade. Por isso nesta edição estaremos arrecadando absorventes para agregar a kits a serem doados”, afirma Dai Costa, uma das organizadoras.
CHEGUEM!
BAZAR DESAPEGA DAS PRETAS!
DATA:5 e 6 DE OUTUBRO
HORA:10h às 17h
LOCAL: UNEB – CABULA – QUADRA”

Insubmissão na FLICA: Lívia Natália e Cidinha da Silva são as convidadas dos Diálogos Insubmissos!


dia_bonito_pra_chover_livia_natalia
Lívia Natália

A insubmissão vai chegar em Cachoeira, afro! Os Diálogos Insubmissos de Mulheres Negras, projeto idealizado pela doutoranda em Literatura e Cultura, Dayse Sacramento, estará na principal festa literária do estado, que originou muitas outras. Este será o primeiro de muitos – com certeza – que virão por aí. E não podia ficar por menos. As insubmissas vão chegar com peso na no Casa Educar para Transformar/IPHAN. Tudo aberto ao público, sem inscrições.

Confira aqui tudo que rolou nos Diálogos Insubmissos!

Nos dias 6 e 07 de outubro (sexta e sábado) e em parceria com a Secretaria de Promoção da Igualdade (Sepromi), o público poderá compartilhar da literatura feminista e negra das escritoras Cidinha da Silva e Lívia Natália, que farão um “afetuoso bate-papo com sessão de autógrafos, lançamento e pré-lançamento de dois títulos de cada escritora.

dialogos_insubmissos_de_mulheres_negras
Camila Sodré e Mayana Rocha

No dia 6 (sexta), às 16h, os Diálogos receberão Cidinha da Silva, que lançará seu livros “#Parem de nos matar” e “Canções de Amor e Dengo”. Na mediação do bate papo será Camila Sodré de Oliveira Dias, mestranda em Estudo de Linguagens PPGEL/UNEB que há cinco anos se dedica ao estudo da literatura produzida por escritoras negras brasileiras.

cidinha2
Cidinha da Silva

No sábado (7),  o papo e o afeto serão com a poeta Lívia Natália, que lançará seu mais recente livro “Dia bonito para Chover”, também às 16h. Aqui a mediação será por conta de Mayana Rocha Soares, doutoranda no Programa de Pós-graduação em Literatura e Cultura (PPGLITCULT/UFBA), com pesquisa voltada para a lesbianidade em textos literários contemporâneos.

Entre julho e agosto, os Diálogos Insubmissos reuniram mais de mil pessoas em seus debates, culminando com a presença da origem de tudo: Conceição Evaristo, em uma mesa dos Diálogos na Festa Literária do Pelourinho – a FLIPELÔ. Confira aqui como foi toda essa insubmissão.

Então AGENDE-SE:

06/OUT – Bate-Papo com escritora Cidinha da Silva + Lançamento dos livros #Parem de nos matar e Canções de Amor e Dengo

Mediadora: Camila Sodré de Oliveira Dias

Horário: 16h
Local: Casa do Governo – Cachoeira
Entrada Gratuita

07/OUT – Bate-Papo com a poeta Lívia Natália + Lançamento do livro Dia bonito para Chover

Mediadora: Mayana Rocha Soares

Horário: 16h
Local: Casa do Governo – Cachoeira
Entrada Gratuita

 

 

 

A literatura negra ganhará reforço na Flica: Elisa Lucinda, confirmada!


Elisa Lucinda.
Crédito: TV Brasil. Atriz Elisa Lucinda.

Uma das autoras que mais vende livros no Brasil, Elisa Lucinda estará na Festa Literária Internacional de Cachoeira. A poetaatrizjornalistaprofessora e cantora participa da mesa “A máxima potência que habita as palavras” junto a Paulina Chiziane, com mediação de Lívia Natália.

Os livros de Elisa Lucinda, em sucessivas edições, percorrem o país sendo lidos, interpretados, encenados, enquanto seu nome figura dando títulos a bibliotecas e outros espaços de leitura. A autora possui dezessete livros publicados, entre os quais a Coleção “Amigo oculto”, de livros infanto-juvenis, que lhe rendeu, em 2002, o prêmio Altamente Recomendável (FNLIJ) por “A menina transparente”.

Flica 2017 – A sétima edição, que acontece entre os dias 5 e 8 de outubro, traz para o Recôncavo baiano influentes nomes da literatura nacional e internacional, com programação para adultos e crianças. Em 2017, estão programados debates literários, lançamento de livros, exposições, apresentações artísticas, contações de histórias e saraus.

Serviço

Festa Literária Internacional de Cachoeira – Flica 2017

Quando: 5 a 8 de Outubro
Onde: Cachoeira/Ba

Slam das Minas, Grupo Ágape, Sarau da Onça e Sarau do Jaca estarão na FLICA!


Dricca_Silva_Fabiana_lima_slam_das_minas
Slam das Minas

Biblioteca Móvel da Fundação Pedro Calmon/SecultBA levará atividades de leitura, “contação” de histórias, palhaços, oficinas de recicláveis, peças teatrais e saraus literários para a Praça da Fliquinha. A ideia é despertar a leitura em quem nunca se interessou ou se aproximou dela, ou quem está começando. Uma das ações será a Árvore Literária, que distribuirá livros gratuitamente aos leitores, ao redor da praça, Serão mais de 300 livros distribuídos.

Destaque nesta programação – que ocupará a Praça da Fliquinha – será o Sarau Itinerante Poesia Viva, que reunirá representantes de Saraus de Poesia Periférica de Salvador. Estarão por lá participantes do Slam das Minas, do grupo Ágape, Sarau da Onça (Sussuarana) e Sarau do Jaca (Cajazeiras).

SANDRO sussuarana
Foto: Lissandra Pedreira

Sussuarana-Cajazeiras-Cachoeira

O primeiro a rimar seus versos será Sandro Sussuarana, integrante do Sarau da Onça, que se apresentará na sexta (6), às 9h30. Formado em 2012, no bairro de Sussuarana, o Sarau da Onça, nasceu com o objetivo de usar a arte como uma estratégia de ressocialização dos jovens do bairro e como protesto contra o alto índice de violência contra os jovens negros da região, a desigualdade e preconceito. É formado tem uma coordenação que participa dos grupos de poesias da região.

Já à tarde, às 15h, será a vez de Fabiana Lima e Drica Silva – participantes do Slam das Minas, grupo formado por quatro mulheres negras com o objetivo de fortalecer o cenário das mulheres na poesia em Salvador. Além de descentralizar o campo cultural da cidade para a periferia, sendo esse um dos motivos para que a sede do grupo funcione no bairro do Cabula. As poetisas começaram o trabalho com a poesia marginal e, há três anos, começaram a expor sua arte nos ônibus da cidade. “É muito importante participar da Flica, porque é a voz da mulher preta em uma festa literária que ocorre há anos”, disse Fabiana, que faturou, em 2016, o segundo lugar no Slam BR – batalha nacional de poesia.

O sábado da Poesia Preta e Periférica começará com Marcos Paulo e Cairo Costa Andrade, do Sarau do Jaca, que se apresentarão na Biblioteca Móvel, às 11h. A sigla JACA significa Juventude Ativista de Cajazeiras, bairro onde está a sede do grupo. Pela tarde, às 15h, se apresenta a poetiza Joyce Melo, participante do Grupo Ágape de Poesia, que também é presença registrada no Sarau da Onça. “O Sarau da Onça veio transformar o bairro em um centro cultural, mostrar que a Sussuarana não é só marginalidade, tráfico de drogas”, contou Joyce.

Joyce Melo
Joyce Melo/Fto Lis Pedreira

Ela ressaltou a importância de participar da Festa Literária Internacional de Cachoeira. “Sempre tive vontade de participar, vamos poder mostrar um pouco sobre o que realizamos nos saraus, nos eventos e mostrar que a literatura marginal é tão importante como qualquer outro tipo de literatura”, disse Joyce.

Confira aqui toda programação da Fundação Pedro Calmon na FLICA 2017!

#PoesiaSoteropreta – Lidiane Ferreira: poesias desenhadas na imaginação! – Por Valdeck Almeida


lidiane_ferreira_sarau_enegrescencia_poesia_negra (1)

Lidiane do Espírito Santo Ferreira de Jesus, ou Lidiane Ferreira, não escolheu escrever sobre a temática negra. A Literatura que lhe escolheu, inclusive a forma, o gênero e o assunto, fruto, inclusive, das discussões que seus textos suscitavam. Desde sempre! A infância lhe traz lembranças dos diários cheios de ficção e dos desenhos “com vida”, fruto de muita imaginação.

O lugar de mulher negra é a vertente de sua produção atual, fruto de seu ingresso na Universidade Federal da Bahia – UFBA, e, consequentemente, depois do contato com as literaturas afro-brasileiras e africanas de língua portuguesa; e, em especial, com a sua construção identitária. Segundo Lidiane Ferreira, sua escrita foi, por muito tempo, “uma rota de fuga do racismo. Hoje, ela é o símbolo da minha luta contra o racismo, o machismo, o sexismo, dentre outros fatores discriminatórios de nossa sociedade. A minha escrita resiste a tudo isso, mas também serve de seta, apontando novos caminhos”.

Esta sua descoberta e militância literária, entretanto, não afloraram tão facilmente. Para Lidiane, “O racismo fez com que, por muito tempo, eu escondesse a minha escrita. Faz cerca de dois anos que eu os divulgo. Tenho poemas publicados na Antologia Poética do Servidor Público Estadual (2015) e no livro Enegrescência Coletânea Poética, publicado pela Editora Ogum’s Toques Negros (2016)”.

Lidiane se considera uma poetisa que escreve a partir do silêncio, do isolamento. Além de poemas, escreve contos e tem um romance em construção, e se declara amante de teatro, com planos de fazer um curso, mesmo que amador. Com temática diversificada, o que escrevia durante a infância era o cotidiano e o universo familiar. “Lembro que eu utilizava muito as características da minha irmã mais velha, Paloma, nos personagens.

Durante a adolescência, consigo perceber os reflexos do racismo em minha escrita, pois a maioria dos poemas continha temas como a morte, a solidão e a perda”. Com a entrada na Steve Biko, a inspiração se redirecionou. “O meu ingresso no Instituto Cultural Steve Biko não apenas me preparou para o vestibular, mas para a superação e o enfrentamento ao racismo. A Biko pôde me mostrar que há outras possibilidades para uma mulher negra e pobre como eu”.

Lidiane Ferreira sempre usou a Literatura como refúgio, não para se esconder, mas para explorar e expor tudo o que lhe consome, intriga, incomoda. Ela versa sobre o lugar da mulher negra na sociedade, sobretudo no que tange às várias sexualidades. Para além de aconchego, ela se utiliza da produção artística como arma, intencionalmente, como ato político, para retratar as vivências do povo negro mas, principalmente, para influenciar mudança social.

lidiane_ferreira_sarau_enegrescencia_poesia_negra (2)

Isso resultou no coletivo Enegrescência, criado com amigos, cuja busca é apresentar e divulgar as literaturas afro-brasileiras e africanas, de forma não hierarquizada. Lidiane acredita que “a literatura é um fator relevante para a mudança social”. Fruto deste trabalho em conjunto, nasceu uma coletânea poética, da qual Lidiane Ferreira participa, também, como escritora.

A poetisa Lidiane Ferreira se auto define: mulher negra, bikuda do ano de 2010, periférica, feminista, graduada em Letras Vernáculas, e pós-graduanda em Educação em Gênero e Direitos Humanos, ambos pela Universidade Federal da Bahia – UFBA; uma jovem escritora de literatura preta.

 

 

 

 

 

Desenlace

No emaranhado dos fios o tempo,

pentes desembaraçam nós.

E eu rio

escorrendo maçãs

abaixo

Estiagem: trinco nunca mais aberto.

Valdeck Almeida

Por Valdeck Almeida de Jesus para o espaço “Poesia Soteropreta”, que vai evidenciar, divulgar e fortalecer a Poesia Preta, Periférica e de Resistência do cenário literário de Salvador. Confira aqui outros textos desta coluna.