Jovem negro armado – Por Hisan Silva


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Hisan Silva

Ser negro, jovem e reconhecer o mundo no qual se está inserido é ao mesmo tempo anestesiador e assustador. Isso força qualquer jovem negro a testar possibilidades, isso significa ampliar sua mente e inteligência a níveis brilhantes. O ponto é: usa-se essa ferramenta apenas para teste e para prová-la como operante ou essa ferramenta é alimentada para se tornar uma arma de conquistas?

O conhecimento e a informação tornam a juventude negra do século 21 ativa. A criatividade e tempestade de ideias destrói a muralha construída durante séculos entre pessoas de cor e o desenvolvimento.

A cada segundo temos provas diferentes de como essa parcela se encontra faminta de realizações em espaços políticos, culturais e econômicos. Mas essa inteligência é aproveitada de forma superficial quando cada pauta deveria ser revisada e estudada de forma minuciosa.

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Matheus Silva, Marcio Santana, Gilson Reis e os irmãos Israel e Misael Silva. Foto: Anderson Valentim

Em 2014 foi aberto um curso de Produção Cultural pela Nufac/Pracatum no qual só participavam pessoas negras e eu fui um dos estudantes. Durante o desenvolvimento do curso era fácil notar que na sala de 30 alunos, cada um tinha um apanhado de ideias incríveis, que gerariam conteúdo cultural, econômico e político. Todos ali estavam à espera de qualquer pessoa que só sentasse e ouvisse o que eles tinham a dizer.

A maioria dos projetos de baixo custo, já que boa parte surgia de apanhados de coisas que aconteciam ao redor dos jovens. Sendo assim, poderiam ser realizados por eles mesmos. Mas a freqüência de apenas testar o conhecimento dos jovens negros, e não usá-lo como gatilho para conquistas, faz com que eles travem no exato momento de dar início ao processo de realização.

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Foto: Modelos da Kumasi (Divulgação)

Fazer dinheiro entrou no dicionário popular e comunitário. A população marginalizada busca por medidas paralelas de construir seu próprio império sobre suas próprias ideias. A juventude negra tem provas de que seu mérito pode ir além de ”técnicos’. Não que seja ruim, mas ter isso como única opção é perturbador.

“Os jovens tem heróis vivos de que é possível se sustentar em suas próprias idéias, como a loja Kumasi, fundada por três pessoas dentre eles os jovens Lucas Santana e Monique Evelle.”

Precisa-se de gente disposta a incentivar os jovens a puxar o gatilho e usar suas inteligências como armas remuneradas. Precisa-se de pessoas dentro de cada comunidade dispostas a ouvir idéias. Produtores que não só mostrem as possibilidades, mas que incentivem essas ideias a saírem do papel.

Que mostrem aos jovens que seguir seus sonhos e fazer com que isso gere dinheiro é possível, que isso não significa abandonar seu ritmo de conquistas, mas que existe a possibilidade de cursar seu próprio caminho. Então, vale a tentativa.

Hisan Silva é formado em Produção Cultural pela PRACATUM

Coletivo Cacos promove debates sobre estética negra nesta sexta (18)


estética negraNa próxima sexta (18), o Coletivo Cacos realiza na Casa da Música (Parque Metropolitano do Abaeté), uma mesa de diálogos com o tema “A estética negra como empoderamento”. O diálogo acontece das 14h às 17h e entrada é gratuita.

Participam do debate a fundadora do projeto “Bonita Também”, Tereza Rocha, a blogueira do “Gata Crespa Cacheada”, Aline Silva e Dira Verdiano do site “Ubuntu: Mulheres Negras”, com mediação da jornalista Donminique Azevedo.

O evento faz parte do projeto Ciclos de Boa Prosa e, na ocasião, serão abordadas questões ligadas  à representatividade, consumo, arte, autoafirmação e estética diaspórica negra.

SERVIÇO:

O quê: Mesa de debates “A estética negra como empoderamento”.

Onde:  Casa da Música (Parque Metropolitano do Abaeté)

Quando: 18 de novembro de 2016 (sexta-feira), das 14h às 18h

Quanto: Gratuito

Foto: Dominique Azevendo

“Zumbido no Muncab” terá conversas, exposições e Paulinho da Viola


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foto: Andrea Fiamenghi

Duas grandes exposições de artes visuais, uma oficina sobre cor da pele, um projeto que aborda a ancestralidade negra, conversa sobre ações afirmativas na área da educação e um show inédito de Paulinho da Viola. Cansou?

Esta é a programação de novembro no Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab), intitulada “Zumbido no Muncab”. Ela começa no dia 18 de novembro e se estende até 7 de dezembro, com atividades gratuitas no próprio espaço do Muncab, no Centro Histórico. Já o  show de Paulinho da Viola, será realizado na Concha Acústica do TCA no dia 25 de novembro, às 19h.

Toda programação no Muncab tem início no dia 18, às 18h, com a abertura de duas exposições: “Salão de Doações”, que reúne telas, esculturas, fotografias e outras obras doadas ao Muncab por artistas como Juarez Paraiso, Emanoel Araújo, Cesar Romero, J. Cunha, Justino Marinho, Graça Ramos, Andrea Fiamenghi e Márcio Lima.

A outra mostra, intitulada “Imagens da Ancestralidade em Tramas da Pele”, é da artista plástica Aislane Nobre, que recorre à fotografia, pintura e bordado para tratar das cores de pele de seus ancestrais.  

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Divulgação.

A oficina “Tramas da Pele”, a partir do dia 22, investiga e busca refletir sobre essa mesma temática – a cor da pele – , porém a partir das tintas comercializadas no mercado artístico nacional. A programação ainda contará com uma Mesa de Conversa no dia 30, às 14h30, tendo como temática “Os desafios da educação e as ações afirmativas”.

Já no dia 7 de dezembro, será lançado o projeto “Nós, Transatlânticos”, idealizado pelo diretor teatral e professor Paulo Dourado, com a curadoria de José Carlos Capinam (presidente da AMAFRO – Associação de Amigos da Cultura Afro-Brasileira), Jaime Sodré (professor e PhD em História da Cultura Negra) e João Jorge Rodrigues (presidente do Olodum). “Nós, Transatlânticos” é um site sobre o legado africano no Brasil e na Bahia.

#ACenaTaPreta – Música, Moda e Poesias no espetáculo “FAIYA”


jorgewashingtonbandodeteatroolodumE Jorge Washington inova mais uma vez na cena negra baiana. Há sete anos o Festival A Cena Tá Preta propõe algo que é bem conhecido em termos de cultura negra: a mistura. Na programação do Festival, Jorge levará ao público o espetáculo FAIYA, “mistura” em iorubá, no dia 18 de novembro.

Será um encontro de diferentes linguagens com propostas inovadoras. A maior delas, talvez, seja a presença de ícones da militância negra de Salvador, a exemplo da socióloga e Ouvidora da Defensoria Pública do Estado, Vilma Reis. Não como ela sempre está presente nas variadas atividades em Salvador: para palestras. O mesmo convite se estendeu  à escritora Lívia Natália e à cantora norteamericana, Michaela Harrison.

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Vilma Reis

Em FAIYA, haverá música com Dão e Maurício Lourenço, que acompanharão leituras de textos de Carolina Maria de Jesus, por exemplo, interpretações de canções, de poemas e darão a trilha sonora de conversas sobre temas que as tocam.

Além deste encontro, terá a performance artística da atriz – também do Bando de Teatro Olodum – Valdinéia Soriano. “Queremos dar o toque feminino, fazer um encontro poético descontraído. A ideia é misturar mesmo. O sentimento de FAIYA será de encantamento geral”, anuncia Jorge.

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Madalena Bispo

E além destes elementos, a Moda Étnica também estará presente. A estilista da Negrif, Madalena Bispo convidou 16 mulheres negras acima de 35 anos, com diferentes tons de pele e cabelos – assíduas clientes de sua loja na Carlos Gomes – para o Desfile “Sexta do Branco”, com o qual pretende levar a mensagem da paz.

“Não teria como pensar em algo simples no contexto mulher. A Negrif é uma marca de mulheres maduras, independentes, ousadas, politizadas. Quando decido colocar mulheres com este perfil na passarela, estou valorizando esta cliente, que também é a amiga. A Negrif constroi uma história através de suas roupas, vai além da marca”, explica Madalena. E terá surpresas neste desfile!

O Festival

O Festival “A Cena Tá Preta, que há 13 anos pauta a Cultura de legado africano nos palcos do Vila, tem como meta: “fortalecer, divulgar e festejar esta arte, destacando sua representatividade na constituição da identidade cultural do povo brasileiro”. O Portal SoteroPreta apoia o Festival e trará matérias especiais da programação! 

Show “FAIYA”
Quando: 18/11, sexta-feira, 19h30
Onde: Teatro Vila Velha – Sala Principal
Valor: R$ 30 e 15
Classificação Indicativa: LIVRE

#SoteroRelato – Analú Ribeiro, a intolerância religiosa e de cor


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Analú Ribeiro

Todos os anos fico afoita para ver o tema da redação do ENEM e, nesse ano, estava como chefe de sala. Só depois de coletar os dados biométricos dos participantes pude dar uma olhadinha no tema da temida dissertação argumentativa. Olhei e sorri. Explicarei o porquê.

Sou católica desde sempre, mas nunca tolerei a intolerância vivida por nenhuma religião. Nós (católicos) passamos por maus bucados nos tempos antigos, e ainda hoje, em locais de guerra, onde nossa fé precisa ser cultuada nos “porões”. Mas, muito além de tudo isso, o povo de santo vive uma intolerância que perpassa tempos e gerações, e nenhuma outra crença é tão sofrida quanto essa.

Ontem, diante da efervescência que foi esse tema, muitos católicos se mostraram indignados pelo fato de – ao falar intolerância religiosa  -automaticamente esse tema ser relacionado ao Candomblé. E, sim, não tem como ser diferente. Além de todos estigmas, o povo de santo também, em sua maioria, é preto!

Penso que toda essa discussão vai muito além do culto a um Deus, aos santos ou aos orixás. Ela também é política e racial. Enquanto se tem um racismo enraizado em nosso país e um preconceito latente em todas esferas, a intolerância religiosa ainda será constante em nosso meio.

*Analú Ribeiro é estudante de jornalismo da Faculdade de Comunicação da UFBA.

 

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MAMcestralidade inicia com exposição “Caminhos” de Rodolfo Carvalho


Dando início às comemorações ao Mês da Consciência Negra e ao Projeto MAMcestralidade, o Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA) inaugura a exposição ‘Caminhos’, do artista plástico Roddolfo Carvalho, nesta quinta-feira (10), às 18h, na Galeria 3. Com uma trajetória de representações humanas dos Orixás através dos traços e da expressão estética, suas pesquisas sobre a mitologia Iorubá e Bantu tomaram grandes proporções, levando o artista a desenvolver uma exposição como um marco para dividir caminhos em seu trabalho.   Cada tela foi desenvolvida sob vários critérios de pesquisa, respeitando os aspectos arquetípicos de cada Orixá. Dentre as diversas representações estão Exu, Iemanjá e Oxum. “Eu trabalho com a temática dos Orixás há algum tempo, e minha ideia foi criar uma diversidade de figuras sempre vinculadas ao elemento mitológico, já que eu não faço figura sacra nem religiosa”, afirma Roddolfo Carvalho.   A exposição busca desenvolver um olhar crítico e sensível, explorando as possibilidades de expressão e interpretação da diversidade cultural como uma forma de ver, viver e conviver com a arte. “As figuras são baseadas numa poética da mitologia, sejam Iorubá ou Bantu, trazendo o elemento humano dessas pessoas que viveram entre os homens e se tornaram divindades, deixando sua linhagem aqui na Terra”, explica o artista.   Além de mesclar a cultura da diáspora trazida pelos povos escravizados, as obras têm misturas de diversos elementos da cultura europeia e islâmica, “trazendo essa nova ótica da figura dos Orixás aos olhos dos soteropolitanos. Os elementos do passado servem para nos trazer aprendizado e construirmos o presente. A contemporaneidade, de forma geral, é muito plural e global. Essa exposição é um fragmento da minha própria vida enquanto artista e pesquisador, pois busco sempre criar novas possibilidades, trazendo os Orixás ao campo do compartilhamento”, reflete.   Sobre o artista   Graduado em Artes Plásticas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), e mestrando em Belas Artes, o artista plástico, designer, professor e ilustrador Roddolfo Carvalho aposta na percepção de sentidos para inspirar-se. Suas obras seguem a linha de retratos de Orixás. Além de ser seu trabalho, desenhar é sua atividade cotidiana, garantindo bons momentos de imersão profunda em seu mundo particular.   A exposição ‘Caminhos’ integra o projeto MAMcestralidade, onde uma série de atividades estão sendo preparadas em comemoração ao mês da consciência negra em Salvador. A mostra segue em cartaz até o dia 11 de dezembro de 2016. Conheça o trabalho do artista plástico Roddolfo Carvalho no Facebook ‘Atelier Rodolfo Carvalho’, Instagram @atelierroddolfocarvalho e atelierrodolfocarvalho.blogspot.com.br. Confira as novidades na página do Facebook do MAM-BA ‘Museu de Arte Moderna da Bahia’.   Serviço  O quê: Lançamento do projeto MAMcestralidade com abertura da Exposição ‘Caminhos’ Quando: Dia 10 de novembro Onde: Galeria 3 do MAM-BA Visitação: 11 de novembro a 11 de dezembro (terça a domingo, das 13h às 18h) Entrada gratuita
Foto Genilson Coutinho

Dando início às comemorações ao Mês da Consciência Negra e ao Projeto MAMcestralidade, o Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA) inaugura a exposição ‘Caminhos’, do artista plástico Rodolfo Carvalho. Tudo começa nesta quinta-feira (10), às 18h, na Galeria 3 e vai até dia 11 de dezembro.

Cada tela foi desenvolvida sob vários critérios de pesquisa, respeitando os aspectos arquetípicos de cada Orixá. Dentre as diversas representações estão Exu, Iemanjá e Oxum. “Eu trabalho com a temática dos Orixás há algum tempo, e minha ideia foi criar uma diversidade de figuras sempre vinculadas ao elemento mitológico, já que eu não faço figura sacra nem religiosa”, afirma Roddolfo Carvalho.

Além de mesclar a cultura da diáspora trazida pelos povos escravizados, as obras têm misturas de diversos elementos da cultura europeia e islâmica, “trazendo essa nova ótica da figura dos Orixás aos olhos dos soteropolitanos. Os elementos do passado servem para nos trazer aprendizado e construirmos o presente. A contemporaneidade, de forma geral, é muito plural e global. Essa exposição é um fragmento da minha própria vida enquanto artista e pesquisador, pois busco sempre criar novas possibilidades, trazendo os Orixás ao campo do compartilhamento”, reflete.

Rodolfo Carvalho

Graduado em Artes Plásticas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), e mestrando em Belas Artes, o artista plástico, designer, professor e ilustrador Roddolfo Carvalho aposta na percepção de sentidos para inspirar-se. Suas obras seguem a linha de retratos de Orixás. Além de ser seu trabalho, desenhar é sua atividade cotidiana, garantindo bons momentos de imersão profunda em seu mundo particular.

Foto Genilson Coutinho
Foto Genilson Coutinho

Serviço

O quê: Lançamento do projeto MAMcestralidade com abertura da Exposição ‘Caminhos’

Quando: Dia 10 de novembro

Onde: Galeria 3 do MAM-BA

Visitação: 11 de novembro a 11 de dezembro (terça a domingo, das 13h às 18h)

Entrada gratuita

#SoteroEntrevista – Rapper MV Bill fala de Salvador


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Foto: Carlo Locatelli

Ele esteve em Salvador na última sexta (4), uniu rappers da cena local, uniu jovens que tem na cultura hiphop seu maior referencial e cantou para um público fervoroso. Alex Pereira Barbosa, o MV Bill, conversou com o Portal SoteroPreta sobre Salvador neste cenário, confere:

Portal SoteroPreta –  O que precisa ser dito hoje sobre o cenário hip-hop no Brasil?

MV Bill – Alguns avanços significativos. O cenário se expandiu por todo o território nacional, tenho feito meu papel para ajudar a escoar toda essa produção através do programa que apresento no canal Music Box Brazil, que vai ao ar aos sábados, às 22h exibindo clipes de rap nacional. Aliás, o único programa exclusivo de clipes de rap brazuca na TV. Isso é um grande passo.

Portal SoteroPreta –  A Bahia, sob seu olhar, que papel ela tem nesse contexto? 

MV Bill – Papel importantíssimo! A Bahia sempre teve público para o rap, e de um tempo pra cá também vem contribuindo com bons grupos. Tem muitas pessoas que admiro! Gosto muito da cultura e modo de vida local.

Portal SoteroPreta –  Que paralelo você faz entre seu rap, seus livros e seu audiovisual? 

MV Bill – Todos são conectados, um se alimenta do outro. Não tem como dissociá-los.

Portal SoteroPreta –  De que poder o povo negro de fato precisa?

MV Bill – Empoderamento político! Mas antes é necessário se organizar

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Visita a comunidade na Boca do Rio Reprodução Facebook

Portal SoteroPreta –  Na cena cultural, em especial?

MV Bill – Os artistas fazem sua parte, mas continua sendo o povo quem escolhe aquilo que vai fazer sua cabeça.

Portal SoteroPreta –  Como foi seu show em Salvador e o que esse lugar significa pra você?

MV Bill – Foi maravilhoso, sensacional… O povo de Salvador me trata como um familiar, me sinto em casa. Isso faz toda a relação ser diferenciada.

Portal SoteroPreta –  Você e a mídia, como avalia esta relação hoje?

MV Bill – Isso eu não “avalio”, isso eu vivo!

Portal SoteroPreta –  O que vem por ai de MV Bill?

MV Bill – Muitas novidades! Fiquem de olho nas redes sociais!

Se liguem!

Exposição Benssangana homenageará ialorixás no Shopping Liberdade esta sexta (11)


exposicaobessananga-2Nesta sexta (11), às 18h, no Shopping Liberdade, será lançada a nova edição da Exposição Bessangana, uma homenagem fotográfica a cinco ialorixás do bairro da Liberdade.

Dentre elas: Mãe Hildelice, filha carnal e sucessora de Mãe Hilda Jitolu, matriarca do Ilê Aiyê, comemorando 40 anos de iniciação no Candomblé; a Nengua de Inkice, Mãe Xagui de Oxaguiã, que também comemorará 80  anos de iniciação religiosa.

O evento contará com o show de Carla Lis, vocalista da Banda Didá. O acervo traz fotografias inéditas feitas por Patricia Pinheiro Crisóstomo, autora da Exposição Benssangana e curadora do acervo, e tem como objetivo contemplar o universo feminino de mulheres dedicadas ao sagrado afrobrasileiro e a preservação do legado religioso e cultural do povo negro baiano.

Sarau da Onça prepara II Festival de Arte, Cultura e Concurso Literário


saraudaoncaA onça vai ganhar mais fôlego agora! O Sarau da Onça foi contemplado no edital Setorial de Literatura da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb) com o projeto “II Festival de Arte, Cultura e Concurso Literário Sarau da Onça”.

Ele que propõe uma série de ações culturais no bairro de Sussuarana, onde o Sarau atua.

Dentre elas está o Concurso Literário Sarau da Onça, que selecionará 90 poemas e 10 contos de autores locais, além da publicação em 5 mil exemplares desta Antologia Poética.

A publicação será entregue aos poetas participantes e também vendida, cuja renda será revertida para financiar ações culturais do Sarau da Onça em Sussuarana. O lançamento da publicação será no Espaço CENPAH – Centro de Pastoral Afro – Anfiteatro Abdias do Nascimento (Sussuarana – Novo Horizonte), onde o Sarau atua, em maio de 2017.

“A gente se integra assim, fazendo com que elas entendam que a Sussuarana é um local positivo, trazendo a boa visibilidade para o bairro, promovendo nelas o orgulho, a partir daí elas divulgam, participam” – Sandro Sussuarana

saraudaoncasussuaranaProgramação – Além do concurso literário, serão oferecidas oficinas de Teatro, Dança, Hip Hop, Criação Literária, que vão ser ministradas por membros do Sarau da Onça e convidados, aos sábados ou domingos.

O Festival terá encontro no qual poetas, dançarinos, músicos e atores. E, claro: terá o Sarau da Onça, no qual serão feitas homenagens a pessoas e entidades ligadas à cultura popular, educação e história do bairro e do seu entorno.

Sarau da Onça

As ações do Sarau da Onça ocorrem quinzenalmente na comunidade de Sussuarana e integram uma rede de ações afirmativas fundada nas questões sociais. Veja aqui entrevista com um dos membros do Sarau, Sandro Sussuarana.

Fotos: Lissandra Pedreira

Balé das Iyabás e #MaisAmorEntreNós – Encontros de afeto entre SSA e RJ


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Ludmilla Almeida e Sinara Rúbia, duas mulheres negras cariocas à frente do Grupo Cultural Balé das Iyabás (RJ). Elas estiveram em Salvador para participar de mais um Encontro de Auto Cuidado e Segurança de Ativistas (últimos domingos do mês), uma iniciativa pautada no movimento #MaisAmorEntreNós, idealizado pela jornalista soteropreta, Sueide Kintê.

A programação deste Encontro é definida a partir da necessidade de um grupo de mulheres ou de uma mulher. Fazemos tudo que ela gosta, além de fazermos, em grupo, a Técnica de Redução de Stress (TRE), reflexologia e conversar bem descontraidamente sobre as intempéries da militância e da nossa vida”, explica Sueide.

Conheça mais um pouco do Balé (fotos de Safira Moreira):

baledasiyabasPortalSoteroPreta – Como o Balé tem atuado no RJ? 
Elas – O Grupo Cultural Balé das Iyabás é um grupo de Mulheres Negras que propõe a reflexão sobre o protagonismo da mulher na sociedade a partir da mitologia dos Orixás. Pensando a arte de forma política, trabalhamos com as questões de gênero e raça, tendo como missão o fortalecimento, emancipação e empoderamento de mulheres, sobretudo Mulheres Negras. Desde o início do trabalho, sobretudo das oficinas que começaram em 2013, temos um público frequente de mulheres que reconhecem a nossa vivência como o espaço que ela se propõe: um espaço permanente de diálogo, resistência, manutenção da nossa cultura, combate ao racismo, ao machismo, à violência contra a mulher e empoderamento feminino.
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PortalSoteroPreta –  Como as mulheres têm interagido com as vivências?
Elas – Devido à dinâmica e forma como conduzimos a oficina, a Vivência se torna um espaço de acolhimento, em que muitas mulheres se sentem motivadas a compartilhar suas experiências, mesmo as mais traumáticas. As mulheres vão em busca de conhecimento, trocas de experiências, afetividade, empoderamento, identidade. Já presenciamos filhas que levaram as mães, mães que levaram filhas e filhos, mulheres com seus companheiros e mesmo empreendimentos que surgiram inspirados no nosso trabalho.

“Todo esse retorno nos impulsiona para seguir com a missão do nosso trabalho, que traz resultados importantes e gratificantes!”

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PortalSoteroPreta – Onde vocês atuam e qual tem sido o alcance do Balé?
Elas – As Vivências do Balé acontecem uma vez por mês em um espaço fixo, que se reveza entre o Centro Cultural Municipal Laurinda Santos Lobo e o Sindsprev/RJ. Por sermos apoiadas pelo Fundo Fale Sem Medo – parceria entre o ELAS Fundo de Investimento Social e o Instituto Avon -podemos, desde 2014, ampliar nossa área de atuação, levando a oficina para um abrigo de mulheres em situação de violência doméstica e algumas comunidades/favelas do Rio de Janeiro como, Morro dos Prazeres, Cidade de Deus, Batan, Vidigal e Maré. Além disso, levamos as Vivências para outras cidades, como Salvador , Redenção (CE), São Paulo, Vitória (ES), Brasília (DF).
baledasiyabasPortalSoteroPreta – Como se dá as vivências propostas por vocês?
Elas – A Vivência do Balé é uma oficina com dinâmicas de interação entre a mitologia das Iyabás e suas manifestações e ressignificações em nosso cotidiano, propondo analisar aspectos políticos, sociais e culturais das mulheres no nosso dia-a-dia. Trazemos também para o corpo, movimentos inspirados na gestualidade das Iyabàs, propondo uma leitura que dialogue com este universo no contemporâneo e nos fortaleça através do balé dessas Orixás. Já as performances desenvolvidas pelo grupo, correspondem a uma linha de pesquisa e criação que aborda a semelhança entre os Itans – “mitos”ancestrais – e as vivências da vida cotidiana das mulheres de nossa sociedade contemporânea.
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Encontro em Salvador
PortalSoteroPreta – Qual importância de Encontros como este proposto pelo #MaisAmorEntreNós aqui em Salvador?
Elas – Esse encontro entre nós mulheres negras, nos fortalece para continuarmos abrindo espaço, caminhando e nos empoderando juntas. Consideramos ainda, a importância de reconhecer na nossa ancestralidade, história, religiosidade e cultura negra, a força e o conhecimento que atuam como alicerces para toda nossa compreensão de mundo.
A ida para Salvador, além contribuir com a missão do nosso trabalho, possibilita a ampliação de uma rede de afetividade, autocuidado e conhecimento entre mulheres de diferentes estados, que se encontram por questões semelhantes: sermos mulheres, sobretudo mulheres negras, numa sociedade racista e patriarcal como a nossa.

baledasiyabasPortalSoteroPreta – Como vocês vêem a crescente preocupação quanto à afetividade das mulheres negras?

Elas – As mulheres negras no Brasil, ainda sofrem as consequências de uma sociedade escravagista, em que foram objetificadas enquanto mercadoria de trabalho braçal, doméstico e sexual. Aprendemos desde cedo que somos mulheres fortes, que devemos servir ao trabalho e nunca nos foi ofertado o lugar de fragilidade dado às mulheres brancas. Aprendemos desde cedo também, o que é o abandono e solidão, já que a realidade de muitas mulheres negras é de conduzirem sozinhas suas vidas, famílias, filhas e filhos; ou com a ajuda de mães, avós e outras mulheres que formam essa rede de cuidado e sororidade. Aprendemos a odiar nossos traços, nosso cabelo, nossa cor. Como pensar em amor, com toda essa realidade imposta de dor?

“Acreditamos que os diversos grupos e coletivos de mulheres negras que promovem diferentes iniciativas e encontros, são fundamentais neste processo de autoconhecimento, autocuidado e transformação, colaborando assim para a mudança desse quadro estrutural e possibilitando a consciência que nos estimula a lutar pelo nosso direito à vida, à felicidade e ao amor.”

 

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Júlia Couto

POR Júlia Couto, presente no Encontro realizado em Salvador:

Um balé de emoções!

As Ayabás se fizeram presentes

Bussoladas por águas raras, caras de Kinté

Ela trouxe um batalhão de flores, borboletas, cores

Os sabores sentidos, vistos, tocados no olfato

Duas belas rainhas bailando as sentimentalidades do meu ser

Senti Orisá perto, junto, tranquilo, feliz

O #MaisAmorEntreNós me faz sentido

Pois “Eu sou ela e ela sou eu!”

Fui dormir sonhando auto-cuidado!

Sonhos bons!