Afroamericalatinidade – Autor lança em Salvador livro sobre Tradição e Apropriação Crítica


“Afrolatinidade pra mim é aquilo que envolve memória, diversidade, luta, resiliência e indicativos de uma vida melhor para nossa gente. A latinidade é também negra”.

Ele é psicólogo, psicoterapeuta e doutor em Psicologia Social, atua na área de Saúde Mental, Psicologia Comunitária e Educação. E vai lançar – em Salvador – seu livro “Tradição e apropriação crítica: metamorfoses de uma afroamericalatinidade”, no próximo dia 14 de julho na Katuka Africanidades (Pelourinho). Estamos falando de Alessandro De Oliveira Campos, que traz em sua obra uma análise da tradição e apropriação crítica a partir de uma interlocução pautada pela afrolatinidade de Brasil e México. Ele conversou com o portal SoteroPreta, confere:

alessandro de oliveira campos

Portal SoteroPreta – Como se deu a escrita desta obra, o que a fundamentou?

Alessandro De Oliveira Campos – Esse livro é o resultado de minha pesquisa de doutorado. A escrita é aquele caminho continuo com etapas animadores e as vezes sobrecarregada e árdua. Ela se baseia na ideia de que a tradição pode e deve ser a apropriada por aqueles que a vivem de maneira crítica. Ela pode ser percebida de modo reflexivo e arguitivo sem temor de questionamentos. A tradição tende a dois entendimentos mais comuns.

Um que é ela uma maneira de atualizar o passado no presente, e a outra que é a prática de compartilhamento de usos e costumes, ou seja a divisão daquilo que faz sentido aos seus membros e os modos de pertencimento. Está presente aspectos da identidade, a memória, a oralidade, os mitos e ritos, e um bocado de coisas mais que organizam a vida comum e compartilhada.

A psicologia social que busco praticar é essa alinhada a toda uma escola que existe com as camadas populares de nossa terra, que dialoga com a sabedoria popular e valoriza a existência em comunidade. Gosto de dizer que acreditamos em uma psicologia cabocla, caipira e quilombola.

Portal SoteroPreta – Como você descreve esta afrolatinidade pautada no Brasil-México que seu livro traz?

Alessandro De Oliveira Campos – Penso que a latinidade para o Brasil ainda é um tema caro. A ideia de que ser latino é o “espano hablante” é bastante limitada. Antes de mais nada a americalatinidade é um desdobramento de relações complexas que envolvem inúmeros processos de independência que ainda não terminamos de realizar. O que ficou entendido como panlatinismo é um acúmulo de diversidade e uma tentativa de encontrar seu próprio caminho. Não acredito em uma latinidade que também nao seja afro! A percepção de que a latinidade é apenas o encontro entre as matrizes indígena e europeia é equivocada. A presença da matriz africana foi negligenciada também nesse reconhecimento. A história nos ensina que – guardadas as devidas proporções territoriais e independentistas – não há lugar em que a presença negra não se faça notar no que se convencionou chamar de América Latina. O que busquei fazer no meu livro foi ampliar a interlocução entre o norte e o sul dessa afrolatinidade.

São quatro vozes: uma mulher indígena zapoteca de Juchitan e uma homem indígena mixe de Tlahuitoltepec do Estado de Oaxaca no México, e uma mulher negra mineira e um homem negro baiano. Eles compartilham seus entendimentos sobre as tradições que fazem parte da produção de análise de seus contextos e que compartilham generosamente de suas histórias de vida. Essas quatro vozes revelam que não há caminho único para a luta por reconhecimento de suas comunidades e trabalhos.

alessandro de oliveira campos

Portal SoteroPreta – De que apropriação você trata nestas relações?

Alessandro De Oliveira Campos – A ideia de apropriação é uma constante elaboração da crítica. Ela não pode se dar ao luxo de não ser reflexiva. Tomar algo para si sem entender minimamente o seu significado e seu percurso é ocorrer em risco de ser negligente e invasivo. Os processos de colonização que nos afetam ainda se fazem notar em nosso cotidiano. São processos que criam hierarquias no convívio e nos espaços de destaque de nossa sociedade. Isso representa na prática os muitos privilégios de alguns e os abandonos de muitos.

Eu, como homem numa sociedade machista, preciso no mínimo pensar sobre meus privilégios enquanto membro de uma sociedade que produz hierarquizações de gênero. Superar o machismo é interessante para os homens pois já de cara os libera de uma papel social falso de que são superiores às mulheres. Isso serve para as pessoas brancas também. O que é ser branco numa sociedade racista como a nossa? A pessoa pode se considerar não racista e etc, pode ser inclusive aliada de causas e lutas antirracistas protagonizadas por negros, mas não pode evitar os privilégios que sua brancura lhe garante no cotidiano.

O racismo é um problema dos brancos também! Isso é o que envolve apropriação. Quando alienada, é indevida, mas quando crítica é instrumento para emancipação. A apropriação crítica da tradição que aposto é capaz de sustentar sentidos emancipatórios mesmo que diante de fragmentos contraditórios. Não se trata de produzir santos e pessoas sem contradições, mas de dimensões suficientemente maduras para identificá-las e metamorfoseá-las. Apropriação crítica que trata de aceitar os paradoxos da vida e da desafiante partilha das alegrias e frustrações do mundo.

 

O lançamento acontecerá na loja Katuka Africanidades, tem curadoria da escritora Cidinha da Silva e começa às 18h, aberto ao público.

Fotos: Reprodução Facebook

Livro sobre Escolas de Samba em Salvador será lançado este mês!


escola de samba de salvador
Diplomatas de Amaralina – Foto Arestides Baptista

Com o lançamento do livro O Carnaval de Salvador e suas Escolas de Samba, no próximo dia 13 de julho, na Cantina da Lua (Vila Caramuru, antigo Mercado do Peixe do Rio vermelho), das 18h às 22h, o compositor e cirurgião-dentista Geraldo Lima, 68 anos, presta uma homenagem aos sambistas baianos e resgata a memória de um tempo em que criatividade, cultura popular e beleza animaram o carnaval da cidade.

Nascido no bairro do Garcia, o autor vivenciou os bastidores e a organização da festa carnavalesca que consagrou escolas como Ritmistas do Samba, Filhos da Liberdade, Filhos do Tororó, Juventude do Garcia, Diplomatas de Amaralina e Filhos do Politeama, entre outras, no período de 1963 a 1978, quando a Prefeitura de Salvador promoveu concursos e as agremiações desfilavam do Campo Grande à Praça da Sé.

Ilustrado com fotografias da época, o livro mostra o surgimento, os anos de glória e a decadência das escolas de samba. O autor registra os enredos que emocionaram os foliões, como Os Negros na BahiaPrimeiro Aniversário da aboliçãoSamba – Canto livre de um PovoHomenagem aos 50 Anos de Ialorixá de Mãe Menininha do GantoisEpopeias de uma Raça, e também avalia o legado das escolas no carnaval atual.

“Tenho muita honra de fazer parte desta geração. Só o trabalho que era feito nessas comunidades carentes ou desassistidas para organizar e realizar um espetáculo com pouco dinheiro, já era uma coisa fantástica. Tudo era feito na base do esforço e da abnegação”, afirma Lima, que compôs sambas-enredos, foi secretário da Juventude do Garcia e é autor da música Deusa do Ébano, sucesso do bloco-afro Ilê Aiyê.

Geraldo Lima
Geraldo Lima

 

Para a pesquisa, Geraldo Lima utilizou documentação que preservou daquele período, além de livros, arquivos de jornais e depoimentos de participantes de várias escolas, construindo um panorama ao mesmo tempo histórico e afetivo. “A memória não é só minha, a memória de todos é importante”, diz o autor.

O Carnaval de Salvador e suas Escolas de Samba (168 páginas, R$40) apresenta apêndices com registros das músicas campeãs, os títulos conquistados pelas escolas do primeiro grupo, a repercussão nos meios de comunicação e entrevistas exclusivas com Walmir Lima, Ninha, João Barroso e Nelson Rufino, que relembram episódios curiosos e refletem sobre o carnaval contemporâneo.

 

SERVIÇO

Evento: Lançamento do livro O Carnaval de Salvador e suas Escolas de Samba, de Geraldo Lima

Local: Cantina da Lua (Vila Caramuru, antigo Mercado do Peixe do Rio Vermelho)

Data: 13 de julho (quinta-feira)

Horário: das 18h às 22 horas

Preço do livro: R$ 40

 

Coletivo de Mulheres Negras Abayomi será lançado este mês!


abayomi

O Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha também é o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra Brasileira. O dia 25 de julho vai ser comemorado com o lançamento do Coletivo de Mulheres Negras Abayomi.

O Coletivo surgiu da necessidade de lutar contra a vulnerabilidade social e violência – seja ela psicológica, física, moral, patrimonial e sexual – propagada contra a mulher. Temos a missão de observar, diagnosticar estas mulheres.

O evento contará com uma Mesa de Debate com o tema As Mulheres Negras e o Processo Organizativo Pelo Bem Viver. Os principais meios pelos quais o Coletivo pretende atuar serão no enfrentamento à violência em comunidades, no meio acadêmico, o racismo institucional, na saúde, a violência emocional e na mídia.

Quer saber mais sobre o Coletivo? Vai lá!

Coletivo de Mulheres Negras Abayomi
Quando: 28 de julho, sexta-feira, 18h
Onde: Casa de Angola, Barroquinha.
Aberto ao público

Escritora lança livro infantil “Os Contos de Fada N’uma Realidade Afro-baiana”!


maria izabel Nascimento Muller
Foto: Roberto Leal
Baiana e, hoje, residente na Suiça, a  professora aposentada Maria Izabel Nascimento Muller lançará, nesta sexta (7), seu primeiro livro “Os Contos de Fadas na Realidade Afro-Baiana”. Um livro inusitado e necessário: a Rapunzel é Rastafari e seu príncipe encantado é jamaicano….e tem mais!
Ao longo das 60 páginas ilustradas por ela mesma, Maria Izabel traz Chapeuzinho Vermelho protegida de Oxóssi; a Bela Adormecida que só veio acordar na Bahia ao som da Axé Music, e a Branca de Neve, que visita a Chapada Diamantina pra desmascarar o espelho da Bruxa Malvada.
Mas tem também os três porquinhos, que se transformam nos santos meninos: Cosme, Damião e Do’ou. Já João e Maria perambularam pelas ruas, dançando e cantando ao som do Olodum, da Timbalada e de outros ritmos. O lançamento será na Biblioteca Infantil Monteiro Lobato (Nazaré), vinculada à Fundação Pedro Calmon/SecultBA e é aberto ao público, a partir das 15h.
O livro é muvulcultura, uma forma de incentivar as crianças negras, criando uma identificação com os personagens, antes pertencentes ao mundo tido como dos brancos.
"Os Contos de Fada N'uma Realidade Afro-baiana"
“Os Contos de Fadas na Realidade Afro-Baiana” é uma publicação da Editora Òmnira/BA-2017, e será comercializada ao valor de R$ 30 e seu lançamento tem apoio da UBESC-União Baiana de Escritores e da Fundação Pedro Calmon. 

SERVIÇO

Lançamento do livro “Os Contos de Fada N’uma Realidade Afro-baiana”

Quando: sexta-feira (7), às 15h

Onde: Biblioteca Infantil Monteiro Lobato, Largo de Nazaré, em Salvador

Valor do livro: R$ 30

Projeto “Escritoras negras da Bahia” terá mapeamento, website, oficinas e e-book!


Calila das Mercês
Calila das Mercês

A arte de mulheres negras baianas será o tema do projeto “Escritoras Negras da Bahia”, iniciativa da a escritora Calila das Mercês, mulher negra, baiana, jornalista e pesquisadora em Literatura que vai reunir o trabalho de poetas, contistas, romancistas e artistas literárias em geral, no estado.

Será uma mapeamento e diagnóstico das escritoras negras da Bahia. O projeto contempla três diferentes produtos. O primeiro deles é o website, que será lançado no dia 7 de julho. Entre 7 e 20/7, será feito um ciclo de oficinas voltadas a mulheres de comunidades afro-indígenas; e um e-book bilingue (Português e Inglês), com textos acadêmico-culturais relacionados à negritude e à autoria negra, perfis de escritoras negras e intervenções artísticas na Bahia. Calila conversou com o Portal SoteroPreta, confere:

Portal SoteroPreta – Escritora, negra, brasileira. O que está por trás desta descrição?

Calila das Mercês – Por trás desta descrição existem centenas de mulheres que fizeram e fazem arte literária e que ainda continuam invisibilizadas nas nuances das diversas esferas do sistema literário. Ser mulher negra escritora é ter um repertório plural de vivências individuais e coletivas que vão desde as memórias de nossos ancestrais até os dias de hoje. Ou seja, as tentativas de marginalização das nossas vozes são ainda recorrentes e presentes nos jogos literários. E pensar o porão de um navio negreiro ou as vielas dos livros de Conceição Evaristo nos traz sensações fortes e nem sempre confortáveis, mas são essas tantas feridas e silenciamentos que planam o nosso coração e nossa arte. Não é sossegado estar nesse lugar de escritora negra, nunca foi, nunca estivemos sentadas na Academia Brasileira de Letras. É muito raro vermos mulheres negras em eventos literários que legitimam este lugar de escritora que representa o país, estamos ainda vivendo o “arraiá da branquitude”, como disse a Evaristo.

E ainda alguns acadêmicos tendem a analisar equivocadamente a obra de Carolina Maria de Jesus, sem se darem conta de como uma das escritoras brasileiras mais lida e traduzida no mundo é tratada por aqui. É lamentável, mas seguiremos, resistiremos.

negro escrevendo
Banco de Imagens

Portal SoteroPreta –  Nesse universo literário feminino negro, onde a Bahia está situada?
Calila das Mercês –  Tanto no Brasil quanto na Bahia temos lacunas das autoras negras na cadeia produtiva do livro. É muito difícil para os leitores terem acesso a livros de autoria negra brasileira. Não os vemos nas grandes livrarias. É muito raro! Quando pergunto quantas escritoras negras brasileiras foram publicadas por editoras de grande ou médio porte, reina um silêncio. E se pensarmos profundamente o porquê de não estarmos sendo publicadas, é só pensarmos nos setores dessa cadeia, nos perfis que continuam sendo curadores, editores, críticos… Bem, acho que vamos cair novamente nas questões estruturais.

Portal SoteroPreta – Quais nomes você considera imprescindíveis ao se tratar de Literatura Negra de mulheres hoje? 
Calila das Mercês – As mineiras Carolina Maria de Jesus e Conceição Evaristo são leituras obrigatórias para qualquer pessoa que queria entender e perceber o Brasil plural e cheio de becos e lacunas. É importante lermos Maria Firmina dos Reis, que foi nossa primeira romancista negra ainda no século XIX. No cenário baiano, temos Mãe Stella de Oxossi, Lívia Natália, Rita Santana, Vânia Melo, Mel Adún, Urânia Munzanzu… Outras contemporâneas brasileiras, recomendo Ana Maria Gonçalves, Elisa Lucinda, Miriam Alves, Cidinha da Silva, Meimei Bastos e Cristiane Sobral. Estrangeiras, recomendo leitura das obras da cubana Teresa Cárdenas, das estadunidenses Toni Morrison, Alice Walker, Audre Lorde e da nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie.

Insubmissas lágrimas de mulheres Conceição Evaristo

Portal SoteroPreta – Quais outras fundamentaram este caminho, na sua avaliação?
Calila das Mercês – Na minha vivência, primeiro fui marcada pelas narrativas orais das minhas três avós, a minha avó paterna Carlinda, que sempre contou suas histórias e das ancestrais, e as minhas avós maternas Zélia e Miguelina, mãe de criação e biológica da minha mãe, respectivamente. Todas viveram em tempos muitos difíceis, trabalharam muito desde crianças, todas trabalharam no campo, em zonas rurais, em algum momento da vida, e, depois, algumas delas como domésticas, lavando roupas de casas de família, costurando, etc., e ainda cuidando dos filhos e da própria casa. Então, inicialmente, foram as narrativas destas mulheres que chegaram trazendo perspectivas de vidas diferentes das representações de branquitude que sempre tive nas escolas e que sempre questionei.

Portal SoteroPreta –  O mapeamento nasce de um contexto de invisibilidade. O que você considera ainda como entraves a esta visibilização?
Calila das Mercês –  Não tem como falarmos de invisibilidade da mulher negra sem citarmos problemas sistêmicos e estruturais – como o racismo e o machismo – e pensarmos nos dados alarmantes que vemos nas tantas pesquisas da ONU, do IBGE, do IPEA, sempre mostrando as mulheres negras preteridas na sociedade. Mas, agora, a minha sugestão é que também precisamos pensar em ações que promovam melhorias, sendo a primeira delas compreender epistemologias da mulher negra, agregando saberes ancestrais e compreender o feminismo interseccional. Precisamos falar de privilégios, de apropriação cultural e de como nós, na sociedade, podemos atuar em prol de uma visão mais humanista e sensata em relação a quem sempre esteve preterida e ao mesmo tempo trabalhando para construir boa parte deste país.

E, claro, pensarmos em políticas públicas que viabilizem melhorias para as mulheres negras, inclusive dentro dos campos literários. É lamentável pensar o momento em que o país passa agora, são muitos indicativos de retrocessos em tão pouco tempo. Já dá para sentir… Resistiremos como sempre fizemos. Mesmo sendo por um lado triste, não deixa de ser intenso e fortalecedor. Nunca desistimos, e não será agora que iremos temer. 

Programação do projeto:

Palestra “Literatura de autoria negra: resistência e pluralidade da memória”

Quem: Calila das Mercês, doutoranda em Literatura na Universidade de Brasília (UnB)

Dias e locais: dia 07/07, na Universidade do Estado da Bahia em Teixeira de Freitas, às 19h, e 08/07, no Fórum de Cultura de Caravelas, às 18h

Inscrição gratuita no link https://goo.gl/rq9q28

 

Oficina “Escrevivências: resistência e representações na literatura de escritoras negras”

Quem: Calila das Mercês, doutoranda em Literatura na Universidade de Brasília (UnB)

Dias e locais: 09 e 10/07, em Caravelas; 11 e 12/07, em Alcobaça; e 13 e 14/07, em Prado (Cumuruxatiba)

Horário: 9 às 18h

Inscrição gratuita no link https://goo.gl/rq9q28

 

Oficina “Literatura e tecnologia — Mídias e mobilizações em rede”

Quem: Raquel Galvão, doutoranda em Teoria e História Literária da Universidade de Campinas (Unicamp)

Dias e locais: 11 e 12/07, em Caravelas, 13 e 14/07, em Alcobaça, e 17 e 18/07, em Prado (Cumuruxatiba)

Horário: 9 às 18h

Inscrição gratuita no link https://goo.gl/rq9q28

 

Oficina “A magia da mulher negra: poéticas e estéticas das cineastas negras”

Quem: Kênia Freitas,doutora em Comunicação e Cultura da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Dias e locais: 13 e 14/07, em Caravelas, 17 e 18/07, em Alcobaça, e 19 e 20/07, em Prado (Cumuruxatiba)

Horário: 9 às 18h

Inscrição gratuita no link https://goo.gl/rq9q28

Cantora Luedji Luna é indicada 3 vezes ao Prêmio Caymmi de Música!


luedji luna

Um corpo no mundo! Dentre as indicações da segunda edição do Prêmio Caymmi de Música está a cantora e compositora baiana, Luedji Luna, que angariou três indicações com seu primeiro trabalho – completamente autoral – “Um corpo no mundo”. As indicações foram anunciadas na noite desta terça (4), no Teatro Gregório de Mattos, e toda expectativa e torcida agora é para a Cerimônia de Premiação, marcada para 11 de agosto.

Luedji está indicada nas categorias “Melhor Intérprete Feminino” e “Revelação” e “Melhor Videoclipe”, com “Um corpo no Mundo”, que também está indicado na categoria técnica de Direção, com Joyce Prado. Luedji conversou conosco sobre este momento, confere:

Portal SoteroPreta – Luedji, como foi pra você receber estas indicações com seu primeiro trabalho!?

Luedji Luna – Foi uma surpresa imensa e uma confirmação dos caminhos ao mesmo tempo. Essa indicação me chega com a sensação que minhas escolhas e todo meu esforço fazem sentido. É um prêmio desejado, mas só o fato de ter sido indicada, sobretudo a indicação de Melhor Clipe, que foi um divisor de águas na minha carreira, e que foi produzido por uma equipe composta quase 100% por mulheres negras, me traz muita felicidade. Reconhecimento é importante, de fato!

luedji-luna

Portal SoteroPreta – O que isso representa pra você, jovem artista negra, militante, feminista, afro-religiosa?

Luedji Luna – É preciso que a gente entenda o nosso direito de ter sonhos!

Portal SoteroPreta – Quais são os planos agora com tudo que está acontecendo?

Luedji Luna – Trabalhar, trabalhar, e trabalhar. Em agosto começo a gravação do disco, e fico concentrada nesse processo até outubro, quando ele deve ser lançado. A gravação de mais dois clipes também já está prevista para o ano que vem.

Ventos bons….

E outra notícia boa para Luedji e quem a segue, ama, curte, compartilha: o CD “Um corpo no mundo”, que buscava recursos para ser gravado via financiamento coletivo, foi contemplado no Prêmio Nacional de Expressões Culturais Afro-Brasileiras, ou seja, será gravado como a cantora desejou! A noite do prêmio Caymmi será na Concha Acústica do TCA e o público poderá participar, por meio da venda de ingressos. até lá, torcer!

Brincos, colares, blusas, livros e mais no Desapega das Pretas em São Lázaro!


Bazar Desapega
Sabe aqueles  brincos, colares, blusas, livros, calça, sapatos super fofos que você pode comprar por R$1, R$2? Vai rolar pela terceira vez o Bazar Desapega, só que vai ser especial: o Desapega das Pretas. A atividade integra a programação na cidade do Julho das Pretas e vai rolar no dia 9 de julho – domingo, a partir das 14h.
“Nosso evento de amor continua visando o social, solidariedade e o cuidado. Estaremos desta vez arrecadando produtos de higiene pessoal de uso feminino para acrescentar aos kits de alimentos para doação” – Dai Costa
Bazar Desapega
O evento vai ter espaço para conversas sobre a saúde da mulher preta, alimentação e auto cuidado, com poesia e música. Vai ser na comunidade de São Lázaro, bairro de Federação. A referência é “próximo ao Salão de Beleza Jacques Janine, ao lado do Mercadinho Mini Preço.
QUANDO
Dia: 09/07 (domingo)
Hora: 14h às 20h
Colaboração: Produtos de higiene pessoal.

Associação de Capoeira Angola Navio Negreiro abre sede para vivência de Capoeira Angola


mestre rene bittencourt

Você nunca jogou Capoeira mas fica olhando de longe com vontade? Este dia é pra você: a Associação de Capoeira Angola Navio Negreiro (ACANNE) abrirá as portas do Quilombo para uma vivência gratuita de Capoeira com o Mestre Renê Bittencourt. Será neste sábado  – dia 8 de julho – no bairro do Dois de Julho.

A vivência é direcionada a pessoas que nunca jogaram Capoeira ou capoeiristas não vinculados a grupos. Serão 8h horas de treino de Capoeira Angola.

É Capoeira do auto conhecimento. O movimento do corpo pelo/para o movimento da vida. A capoeira Angola é resposta, caminho e religação. Filosofia ancestral que orienta e revela sobre nós.

Será na Rua do Sodré, 48, Largo Dois de Julho, a partir das 8h. Pra participar, uma singela contribuição: levar um fruta pra compartilhar!

Quem faz

A Associação de Capoeira Angola Navio Negreiro (ACANNE) foi fundada em março de 1986, na Fazenda Grande do Retiro e, após alguns anos, o grupo mobilizou-se e construiu uma sede própria no mesmo bairro. Por volta de 2000, a sede foi transferida para Largo Dois de Julho e tem Núcleo na Fazenda Grande, em Poços de Caldas (MG), Olinda (PE), Porto Alegre, Erexim e Passo Fundo (RS); Equador, Trinidad Tobago, Estados Unidos, Ucrânia e França.

Coordenada pelo Mestre Renê Bitencourt, discípulo do saudoso Mestre Paulo dos Anjos, o grupo sempre se caracterizou por manter atividades sociais e comunitárias, fortalecendo a identidade e a auto-estima de crianças e jovens em situação de risco através da capoeira angola e da cultura popular afro-brasileira. O grupo também se constitui como um dos principais herdeiros do Mestre Paulo dos Anjos, preservando a memória de uma linhagem que remete aos mestres Canjiquinha e Aberrê.

Prêmio AIAP Mulheres no Design seleciona promover trabalhos de mulheres no Design e Comunicação Visual


mulher negra

A terceira edição do Prêmio AIAP Mulheres no Design está com convocatória aberta para submissão de projetos. A competição, que ocorre a cada dois anos, visa promover o trabalho de mulheres no design e na comunicação visual. A realização do prêmio baseia-se em atividade de pesquisa realizada pela AIAP (Associação Italiana de Design de Comunicação Visual) cujo objetivo é investigar as linguagens, a poética e as diferentes abordagens do design gráfico e a contribuição do universo feminino na aréa das artes gráficas. A competição é composta por 4 categorias:

• Profissionais

• Pesquisadoras e professoras

• Estudantes

• Prêmio especial de carreira

Podem participar mulheres de todo o mundo com trabalhos produzidos a partir de 2012. Cada participantes pode inscrever até três projetos. Para participar, as interessadas devem pagar uma taxa de 80 euros, cerca de R$292,00. Para designers associadas ao AIAP o valor da taxa cai para 25 euros, aproximadamente R$ 91,00.

As participantes da categoria “ Estudantes” estão isentas da taxa de inscrição.

Para cada trabalho inscrito é preciso enviar um arquivo em pdf que contenha o raciocínio do projeto, a natureza do processo, a complexidade e a estrutura do trabalho. É preciso incluir também esboços, fotografias e textos, (em italiano e inglês) que não excedam 1000 caracteres por página.

Um júri internacional selecionará os projetos adequados para publicação e, entre eles, identificará aqueles que receberão o Prêmio AIAP Women in Design Award 2017. A cerimônia oficial de entrega dos prêmios ocorrerá em 30 de setembro de 2017, durante a próxima edição do AIAP Design Per, Semana Internacional do Design Gráfico, que será realizada no Istituto Centrale per la Grafica em Roma (Itália).

A submissão dos trabalhos deve ser feita até o dia 28 de julho AQUI

Fonte: Prosas

Roda de Samba Terreiro de Crioulo chega a Salvador com Feijoada na Liberdade!


renata nerys

Há seis anos nascia em Realengo, zona oeste subúrbio do Rio de Janeiro, a Roda de Samba Terreiro de Crioulo, um encontro todo primeiro sábado do mês. lá, tudo gira em torno do samba: a decoração do espaço, os convidados, os ritmos tocados, que vão do Partido Alto, Samba de Terreiro, Samba Enredo, Samba de Roda, Jongo ao Maculelê. E tudo isso vai chegar em Salvador para apresentações especiais no bairro da Liberdade neste sábado – dia 8. O Portal SoteroPreta conversou com Renata Nerys, produtora da Roda sobre essa vinda à terrinha, veja:

Portal Soteropreta – Conte-nos um pouco sobre como a Roda tem se reverberado RJ…

Renata Nerys – Atuamos no subúrbio do RJ no bairro de Realengo há seis anos e na Roda temos músicos renomados e importantes para o movimento sambístico. Destacamo-nos pois o Terreiro de Crioulo não é somente musical, trabalhamos com o resgate da cultura de nossos ancestrais. Em toda roda de samba fazemos o “Minuto da Cultura” e nele falamos de diversas pessoas importantes que contribuíram com a luta dos negros, pobres, sambistas, oriundos de comunidade e excluídos da participação plena nos processos produtivos e políticos formais, perseguidos. Nossa ideia é sempre reconstruir o samba na nossa e em outras comunidades e, há pouco mais de um ano, levamos este projeto pra cidade de São Paulo nas zonas Leste e Sul.

Portal Soteropreta – Quem são os músicos que compõem a Roda e quais suas histórias?

Renata Nerys – O samba é composto por 11 músicos. Paulo Henrique Mocidade na voz e pandeiro, ele foi intérprete da escola Mocidade Independente de Padre Miguel, estandarte de ouro como Revelação no ano de 2000, partideiro da melhor qualidade que faz um samba de improviso. Um dos pioneiros a introduzir o samba na zona oeste do RJ. Tem Luciano Pereira Santos (voz e cavaquinho), músico, cantor e compositor prestes a lançar seu primeiro trabalho “Luciano Bom Cabelo em Gambiarra”. É compositor do samba mais tocado nas rodas de samba do país (“Nossa Escola”). Marcio Vanderlei na voz e banjo que está há mais de 13 anos na banda oficial da cantora Beth Carvalho. Tem Fellipe Feijão, um dos mais considerados violão 7 cordas, tocando por varias Rodas e Escolas de Samba como Império Serrano, Vila Isabel, Unidos  e Mocidade Independente de Padre Miguel…o Abidu e Marcelo Gomes, percussionistas de primeira integrantes do grupo Autonomia Brasil, Rogério Família na voz e cavaco, Arifan Junior (voz e banjo) e integrante do grupo Soul + Samba. Tem também Nene Brown – Repique de mão e Percussão geral e Feijão no Pandeiro e percussão.

terreiro de crioulo

Portal Soteropreta – Como surgiu a ideia de vir a Salvador e qual está sendo a expectativa?

Renata Nerys – Nosso objetivo maior é propagar o samba, nossa linha de criação é o Partido Alto, Samba de Terreiro, Samba Enredo, Samba de Roda, Jongo, Maculelê…Nosso evento é mensal no RJ e em SP e não conta com nenhuma ajuda governamental. O que nos move é a paixão pelo gênero musical. A ida a Salvador é mais um sonho “Nosso samba vai além…”. Sentimos o dever de difundir nosso movimento e cultura e agregar com as culturas de outros estados. A expectativa é de reconhecimento do trabalho!

Do Rio, Roda de Samba Terreiro de Crioulo chega em Salvador para lançar DVD na Liberdade!