#PoesiaSoteropreta – Riick Lima, a voz contra a homofobia e a intolerância religiosa!


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Riick Lima é o nome social que Rian Henrique Lima usa nas redes sociais, e para se identificar como um poeta da quebrada. Ele se define como um jovem bem extrovertido, brincalhão e que luta pelos seus direitos, em busca de quebrar tabus e preconceitos.

Sua inserção no mundo poético foi iniciada em 2016, exatamente há um ano e as temáticas que aborda são várias, recorrentes, e que dizem muito de sua identidade na poesia: negritude, homossexualidade e intolerância religiosa.

Claro, os limites da escrita de Riick não estão todos aí. É somente o início de uma jovem e promissora carreira na escrita.

Como ele mesmo revela, “minha poesia é meio para conscientizar as pessoas e quebrar tabus sociais e familiares”, eis a deixa dos caminhos que sua inspiração pretende. E olhe que não há campo mais fértil para a inspiração, pois, em se tratando de barreiras, o nosso país, nos temas citados, é um dos mais injustos e reincidentes em tratar mal sua população.

 

Claro, o desejo do poeta não é se perpetuar nem que as intolerâncias permaneçam. Suas musas e musos migram e transmigram, e assim deve ser, para melhor, sempre. Mas enquanto houver qualquer resquício de desigualdade, ele, Riick Lima, estará a postos para combater, denunciar.

E tem dito e agido em saraus e encontros de luta. A expressão de Riick é coletiva, e luta por direitos individuais e da população, e suas armas são caneta e papel. Dança é outra arte que lhe move, sempre em busca de ocupar espaços que lhe são negados, e que são negados à grande parte dos habitantes das cidades brasileiras, principalmente para jovens negros e moradores das periferias. Sua luta, é, portanto, coletiva.

 

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Aliás, a poesia de Riick tem tudo a ver com coletividade, família. “A poesia e os poetas são uma grande família e reúnem várias outras pessoas, que, juntas, lutam por vários objetivos, querendo, assim, quebrar vários preconceitos”, convoca.

 

Um poema:

Fobia, já vi de várias pessoas, escuro, altura

a mais nova é de cultura

aonde a arte está sendo cassada

por uma sociedade que vem armada:

de palavras, covardia e comunicação

aonde a violência sempre passa na televisão

aonde também informou a mais nova lei, que sou doente por ser gay

tá bom, ser gay agora é doença

daqui a pouco vai ser minha cor, meu cabelo, minhas crenças

aí cê pensa

a sociedade prega igualdade e respeito

mas não te dá o direito de amar e ser amado

amar? menos se você for viado

é meio engraçado

ver toda sociedade testando criar uma cura favorável, para uma coisa incurável

aonde o padrão é clarear eu prefiro escurecer

se esse ditado certo

que tal clarear a mente da sociedade para ela perceber, que não há diferença entre eu e você

com esse mesmo assunto, mesmo ranço

porque na telinha existe um conto de fadas e uma menininha no balanço

enquanto para eles existiu magia

para os meus antepassados o mal agia

e até hoje eu sinto essa dor

 

aonde eu luto sem cessar

para minha brisa não acabar

porque eu fumo palavras

que te atingem como rajadas indo no seu subconsciente

minha fumaça? são os versos

que te revira do certo ao inverso

e meu trago? meu trago é a inspiração

aonde eu levo informação aos irmãos

divulgando meu trabalho de busão a busão

trazendo o caminho da cultura, tirando eles da prisão

aonde sempre canto com alegria

e digo não

à homofobia

#OpinãoPreta – Os tambores rufaram, salve o furacão da Bahia!!


Olodum
Foto: Sepromi/BA

Domingo, voltando do trabalho, alguém no metrô puxou algumas cantigas do Olodum. Qual não foi minha surpresa, ver todo metrô respondendo aos hits desse furação que toma nossa vida de maneira única. Estava aqui pensando o que para cada olodúnico significa esse “se tornar patrimônio imaterial” e, acima de tudo, ter seu festival de música institucionalizado?

Construir o projeto Olodum, é uma batalha constante de conscientização, não somente de quem não o conhece, mas acima de tudo de quem o curte. Não falamos somente de um bloco, mas de uma filosofia de vida com seus ritos, acordos e  religiosidade africana, que se mostram presentes a cada tema trabalhado.

Só quem vai ao Olodum domingo ou sai às sextas de Carnaval, sabe do que estou falando. O Olodum é uma banda que se escuta tanto nos grandes prédios onde a população negra habita, como nas periferias violentadas cotidianamente. Estamos falando de uma banda que – diferente do imaginário social – possui uma relação muito forte de compromisso e respeito com o combate às opressões. 

Estamos falando de patrimônio social constituído em torno de um amor único, o Bloco Afro Olodum, e possui uma relação de irmandade medida no monitoramento um do outro para saber se chegou bem após cada ensaio e não foi abatido pelo racismo institucional  cotidiano em nossa vida.

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Crédito: Globo/ Luiz C. Ribeiro

“Pular” corda do Olodum na sexta, por exemplo, é um destes momentos ímpares do bloco. É na sexta de carnaval que o “furacão da Bahia”  se encontra com aqueles cujos momentos de celebração não fazem sentido se na trilha sonora não tocar “nossa porra”,  forma como se  referem à banda. Tornar o Olodum imaterial é reconhecer uma instituição que não é  somente um bloco, mas que de maneira política e cultural faz a  transformação através da Escola Olodum, de eventos de formação de professores para uso da 10. 639, dentre outros.

Estamos falando da imaterialidade de uma instituição, que combate a escravidão mental e o racismo institucional que nos atinge diariamente. Ele é imaterial porque agrega um público que, historicamente, carrega o estigma de criminoso, ainda que faça seus “corres”  honestos durante todo o ano.

Portando, esse reconhecimento é o primeiro passo para construção de um respeito perdido. O Olodum  vem resignificando seus passos a duras penas e, como dizia Germano, “Não somos mais aqueles”. Mudamos. Somos historiadores, publicitários, advogados, empresários. Somos pedreiros, carpinteiros, ambulantes, empregadas domésticas, marginalizados e excluídos. Agradeço todos os dias ao meu amigo amado, Marcelo Gentil, por me fazer voltar a beber desta energia que emana de forma única sua resistência e existência. Graças a ele, pude voltar a ver o Olodum que muitos se recusam a ver.

A institucionalização do festival é a valorização dos tambores, seus vocalistas e, acima de tudo, da história africana – que vem em cada letra puxada e respondida por vozes sintonizadas – como uma veia sanguínea. É a proteção do pulsar negro que se faz presente em cada ensaio, junto a pessoas que o estado não dialoga e que consolida o mesmo como um  espaço de agregação independente de como se chega. Damos nós em madeira e levantamos poeira, já dizia nosso poeta Lazinho. Vida longa ao furação da Bahia.

olodum

 

 

 

Luciane Reis é publicitária, pesquisadora de etno desenvolvimento e negócios inclusivos, idealizadora do Merc’Afro e acima de tudo OLODÚNICA.

#NegrasRepresentam – Valdineia Soriano e as conquistas da atriz negra!


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Banco de Imagens

Atriz do Bando de Teatro Olodum desde sua formação em 1990,Valdineia Soriano é produtora de diversos espetáculos baianos e tem hoje uma imagem consolidada no cenário teatral. Ela escolheu discutir o passado para não deixar que a história negra desapareça.

Sua experiência de palco envolve mais de 30 montagens, dentre elas “Essa é a nossa praia”, “Medeamaterial” (de Heiner Muller), “Cabaré da RRRRRaça”, “Áfricas”, “Ó, Paí, Ó”, “Bença” e “Dô”. Produtora do Festival Internacional de Arte Negra: A Cena Tá Preta, ela não se cansa. No cinema, integrou o elenco de Jenipapo (1994) e Ó, Paí, Ó (2006), de Monique Gardenberg, O Jardim das Folhas Sagradas (2006), dirigido por  Póla Ribeiro,  Tim Maia (2014) de Mauro Lima e Café com Canela (2016) de Glenda Nicácio e Ary Rosa.

Recentemente, foi eleita melhor atriz no Festival de Brasília. Estamos falando de uma atriz que, através de sua arte, luta para que alguma dessas memórias continuem vivas dentro de nós.

 

Portal Soteropreta – O Teatro Experimental do Negro foi nossa primeira experiência teatral pautando a ausência do negro na dramaturgia e nos palcos do Brasil. Neste sentido, qual a sua perspectiva sobre a presença negra feminina nos palcos?

Valdineia Soriano – O TEN foi o percursor na perspectiva da (o) artista negra (o) poder dizer: “NÓS TAMBÉM PODEMOS E SABEMOS FAZER ARTE!”. Contudo, ainda é muito difícil viver de arte no Brasil, principalmente, sem pertencer a uma grande Cia que seja patrocinada. A condição feminina na arte cênica vem mudando, não é o ideal de visibilidade considerando a gama de atrizes negras que temos na “cena negra”, mas nós estamos conduzindo divinamente nossas trajetórias. Com escritas, produções, direções, atuação e, desta forma, pautando nossos temas, com o nosso olhar, sensibilidade e (RE) existindo – seja no teatro, TV, cinema, circo, dança ou até mesmo nos bastidores destas produções!

Portal Soteropreta – Em que o Teatro contribui para que a atriz Valdineia seja uma referência na luta anti racista?

Valdineia Soriano – Verdadeiramente, é presunçoso de minha parte receber este lugar de referência. Eu sou apenas um corpo, que tem sua importância, a partir da minha arte e da minha postura política-cidadã, na luta para combater as formas do racismo! A minha arte me possibilita falar para muita gente, de todas as etnias e classes sociais, isso é ótimo, mas, eu faço parte de um corpo-coro enorme.

Portal Soteropreta – Você é atriz, produtora, conselheira, ativista, mãe, mulher… Como é ser múltipla neste cenário artístico? O que você mais tem a comemorar?

Valdineia Soriano –  O ano de 2017, tirando todos os golpes, foi e é um ano que vai entrar para minha história enquanto atriz. Eu fiz muitos e bons trabalhos, tive bons encontros profissionais e ganhei um prêmio de extremo reconhecimento na cena brasileira, o troféu de melhor atriz do cinema de Brasília. Essa será minha comemoração por um bom tempo. Mas, eu sempre espero uma surpresa…

 

 

#PoesiaSoteroPreta – A poesia-liberdade-libriana Larissa Barros!


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Larissa Barros escreve pequenos poemas desde a adolescência, mas somente há cerca de três anos, confessa, passou a vivenciar a poesia como uma arte potencial de expressão. “Escrevo majoritariamente sobre amor e questões de gênero e desejo expressar o que sinto e penso, assim como despertar no outro as suas próprias reflexões”.

 

A arte da palavra lhe toma por inteira. “A poesia pra mim é como falar, andar, respirar. Faz parte do meu ritual de vida. Vejo poesia pela janela do ônibus, em todo canto. Ela é instintiva, involuntária, pode brotar de todo lugar. Gosto de utilizar algumas figuras de lingaguem, como a personificação e anáfora. Não existe uma intenção exatamente, mas essas figuras me auxilam a transmitir a minha mensagem”.

 

A poesia de Larissa dialoga e rima com família, quando família representa acolhimento, segurança e liberdade; rima, sobretudo, com qualquer espaço de diálogo e libertação do pensamento. “Se não tiver isso, acredito que não pode rimar com família”, sussurra.

 

Além de poemas, Larissa se aventura, também, pela prosa, e diz que já escreveu alguns pequenos contos, mas ainda está em processo de identificação com essa linguagem. Apesar de usar as redes sociais, prefere não se divulgar como poetisa nestas plataformas. Prefere outros suportes, como declara: “Publiquei uma fanzine como trabalho final de um componente curricular no curso que faço na Ufba, na qual coloquei três pequenos poemas”.

 

Em suas próprias palavras ela tenta se resumir: “falar de uma libriana clássica como eu não é facil. Sou a mistura de muita coisa e não me envergonho disso. Não gosto de ser encaixada em quadrados e me dou a oportunidade todos os dias de mudar os meus pensamentos. Acho que essa é a minha marca maior, essa capacidade de me refazer sempre e não me sentir obrigada a manter sempre a mesma linha de pensamento. Acho que o segredo pra viver nesse mundo louco está na renovação diária”.

 

SEM ESCAPATÓRIA

 

Em todo o meu percurso,

Em cada canto deste mundo

Mundo insano por sinal

Não encontrei quem tenha escapado

De um grande amor

Tão pouco ter saído ileso dele

Espontâneo como criança

Leveza de um passarinho

Perspicaz, rápido, voraz

Há quem o chame de paixão

Loucura, cegueira, desejo ou tesão

Fica a vontade, a mercê e a toa

Chame do que quiser

Quantos apelidos couber

Só não se negue e nem recue

Não gosta de ser rejeitado

E não se faz de rogado

Mas sem dúvida

Seu lugar, seu porto, seu chão

O lugar para onde sempre volta

É o repouso tranquilo

Na letra da canção.

#NegrasRepresentam – Eliane Marques, a diversidade feminina nas letras!


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Escritora, poeta, editora e roteirista. Eliane Marques encanta seus leitores com livros como “Relicário” e “E se alguém o pano”, este último vencedor do Prêmio Açoriano de Literatura 2016, na categoria poema. Tradutora de livros como “O Trágico em Psicanálise” (2012), da argentina Marcela Villavella, e inquieta, Eliane vem desenvolvendo a produção executiva e direção do documentário Wole Soyinka – A forja de Ogum. Mestra em Direito Público, especialista em “Constituição, Política e Economia”, ela é a auditora pública que vem resgatando nossa negritude.

Portal Soteropreta – Como a sua experiência como o Direito e a Pedagogia influenciou na hora de escrever seus poemas?

Eliane Marques – A experiência com a Pedagogia e o Direito não são mais determinantes para a minha trajetória no campo da poesia do que as histórias que ouvi da boca das minhas avós em torno do fogão à lenha nos dias de inverno na fronteira entre o Brasil e o Uruguai. Também não são mais determinantes do que as leituras que realizei, especialmente de poetas e escritorxs de língua espanhola, como Vicente Huidobro, Jorge Luís Borges, Cortázar, AlejandraPitzarnick, e de escritorxs e poetas nascidxs no continente africano como Wole Soyinka, ChinuaAchebe e Chimamanda N. Adichie. Contudo, é o trabalho com o Direito que me permite sustentar financeiramente a minha vida de poeta, de escritora e, mais recentemente, a de produtora, roteirista e diretora de cinema.   Quanto à Pedagogia, eu a abandonei faz muito tempo, mas foi durante esse curso que escrevi e dirigi a minha primeira peça de teatro, apresentada num seminário para professores no Teatro Municipal de Rivera, no Uruguai.

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Portal Soteropreta – Como foi participar de um prêmio literário e vencê-lo?Quais são seus próximos projetos literários?

Eliane Marques – O Açorianos de Literatura é o prêmio mais importante do gênero no Rio Grande do Sul. Eu não o recebi como algo pessoal e exclusivamente meu, por que o livro “e se alguém o pano” é o produto do trabalho de muitas pessoas. Então o recebi como representante das diversas mulheres afro-diaspóricas que me antecederam, pois, como digo num dos poemas do livro, da dinastia das lavadeiras, advenho; da dinastia das planchadeiras, advenho …o destino que me guarda é o ruído das espumas que passou com aquele arroio. Neste momento em que finalizei o trabalho com o documentário Wole Soyinka – A Forja de Ogum e com a edição dos livros de poesia da coleção Adire, em sua homenagem, pretendo me dedicar com mais intensidade à feitura do meu próximo livro de poemas – O poço das Marianas –e, possivelmente, à produção de um outro documentário sobre a rota dos imigrantes senegaleses em Porto Alegre.

Portal Soteropreta – Como sua trajetória pela literatura e cinema contribui para o fortalecimento da história negra?

Eliane Marques –  É muito difícil definir o tipo de contribuição que se possa auferir da minha produção como poeta, editora e documentarista, por que ainda estou lutando para ser reconhecida nesses lugares, especialmente como poeta, tanto na comunidade negra como entre os não-negrxs. Talvez, no futuro, alguém possa estudar e escrever sobre esse tema. Percebo que a minha poesia, assim como a de outras poetas hifenizadas como afro-diaspóricas, ainda é vista menos como arte e mais como objeto de curiosidade da sociologia e de outros campos de um suposto saber. O Prêmio Açorianos de Literatura que recebi em 2016, talvez possa se constituir num marco no processo de reconhecimento dessa poesia como arte. Contudo, ainda não sei se foi uma ruptura com a velha concepção ou apenas exceção que confirma a regra.

 

#NegrasRepresentam – Fernanda Júlia, Onisajé, das Artes, da Academia e do Axé!


fernanda júlia

Contam os mais velhos que, certa feita, mãe Aninha – muito preocupada com a educação dos seus filhos – fez a seguinte afirmação: “Quero ver meus filhos aos pés de Xangô com anel de doutor”. Para muitos iniciados nesta religião ancestral, essa profecia foi o que os alicerçou nos bancos da Academia, enquanto iniciados para o Candomblé.

Fernanda Júlia ou Onisajé como é chamada, é uma destas mulheres. Mãe pequena do Ilê Axé Oyá L´adê Inan, colocou seu conhecimento a serviço da exaltação dos orixás e seus mitos. Mestra e doutoranda em Artes Cênicas, professora da Escola de Teatro da UFBA, é fundadora do Núcleo Afro brasileiro de Teatro de Alagoinhas – NATA. Indicada ao prêmio Braskem pelos espetáculos  “ Siré Obá “A festa do Rei” e Erê, ela vem em seus espetáculos mostrando a beleza e o aprendizado dos mitos e deuses africanos.

Portal Soteropreta – Como é dirigir espetáculos que exaltam não somente a cultura religiosa africana, mas  principalmente mexe  com as pessoas de maneira tão profunda?

Onisajé – É uma busca sem fim de cada vez mais poder ofertar ao espectador um espetáculo que o atravesse, que o afete. É para nós muito importante falar, mostrar, divulgar, exaltar a nossa contribuição negra na concepção do Brasil, legitimar nossas identidades negras e nossa origem africana. Falar de ancestralidade é um desafio enorme e é impossível sair desta discussão do mesmo jeito que entramos nela. Acreditamos muito no poder da memória, na capacidade que a memória tem de nos unir e reunir, desta forma vivemos numa eterna busca para conhecer e lembrar sempre.

#NegrasRepresentam – Campanha homenageia mulheres no Novembro Negro

 

Portal Soteropreta – Você é conhecida por usar de seu conhecimento para aproximar os mitos africanos da sociedade através da Arte. O que motivou esse olhar?

Onisajé – A indignação e revolta por não nos vermos nos espaços midiáticos, nos espaços de poder, nos espaços de concepção da nossa vida em sociedade. A história do nosso povo negro e indígena merece ser contada e preservada tanto quanto a história do povo branco europeu e norte americano. Outra questão é que temos tanta beleza, e é uma violência não sabermos disso. O imaginário simbólico de um povo faz dele um povo e é muito importante sabermos quem somos para povoarmos nossos imaginários e nos compreendermos enquanto povo diverso culturalmente.

#NegrasRepresentam – Renata Dias, preparada para repensar a Cultura!

fernanda júlia

Portal Soteropreta – Quais dos espetáculos montados por você te marcou mais? O que os tornou tão especial?

Onisajé – Cada montagem é muito singular, em cada processo de montagem aconteceram coisas que não se repetiram em outras, porém é importante falar dos espetáculos Exu – A Boca do Universo, Macumba – Uma Gira sobre Poder e Traga-me a cabeça de Lima Barreto! No espetáculo Exu – A boca do Universo amadureci bastante como pessoa, como artista, como candomblecista e como mulher negra e lésbica. Esta montagem me provou que é o amor que pode mudar as coisas, que a beleza e a poesia podem desarticular violências e emancipar discursos afirmativos. Exu – A Boca do Universo foi um desafio muito grande, é sem dúvida o espetáculo mais conhecido do NATA, pois circulou o país divulgando a força, importância e beleza de Exu e do Candomblé.

O Macumba – Uma Gira sobre Poder foi um desafio enorme, passei três meses em Curitiba dirigindo os atores da Companhia Transitória e pude contribuir para o empoderamento de mulheres e homens negros num espaço que deseja ser a capital europeia no Brasil e renega e invisibiliza seus 22% de negras e negros.

Foi um experiência incrível e o espetáculo continua vivo depois da temporada de estreia que foi em julho de 2016, já ganhou quatro prêmios e circulou pelo interior do Paraná, e agora busca circular nacionalmente.

#NegrasRepresentam – Major Denice Santiago, a segurança das mulheres, sua escolha de vida!

 

Já o Traga-me a cabeça de Lima Barreto! Foi uma enorme honra ter dirigido o monólogo de 40 anos de um ator negro importantíssimo Hilton Cobra, e celebrar os 135 anos de Lima Barreto, além da honra de dirigir um texto de Luiz Marfuz e uma equipe com nomes como Zebrinha, Jarbas Bittencourt, Márcio Meirelles, Jorginho de Carvalho, Biza Viana. Trazer a cena a genialidade e a obra incomparável de Lima Barreto foi sem sombra de dúvida um momento inesquecível em minha carreira.

#NegrasRepresentam – ANAADI, negra, múltipla, das Artes!


ANAADI
Fto Raul Krebs

Que música é para aquecer nossos corações, não temos dúvidas. Explicar o que a música provoca é como escrever pra primeira paixão das nossas vidas. Aquele bilhetinho no auge do sentimento. E é assim que podemos descrever ANAADI, artista que muitos descrevem como a que canta o que compõe e compõe quando canta. Ela já cativou ouvidos de artistas como Rick Wakeman, Roberto Menescal, Ivan Lins e Ronaldo Bastos.

Destaque na segunda edição do programa The Voice Brasil, Anaadi é o que podemos considerar multi. Como produtora, idealizou o documentário “Arte das Musas?”, cujo destaque são as mulheres na Música. Sua atuação enquanto artista caminha ainda por composições para o documentário “Madrepérola”, que fala sobre  mulheres gordas, beleza e autoestima.

Portal Soteropreta – Como exatamente sua carreira se iniciou?

ANAADI – Minha carreira iniciou compondo canções, e mostrando pros amigos na escola e no cursinho pré-vestibular. Foi assim que fui descobrindo o potencial que tinha, de tocar as pessoas de alguma forma através da Música. Isso foi pelos 16 ou 17 anos, época que  comecei a dar canjas em bares de Jazz da minha cidade.Me formei em Psicologia em 2010, com essas experiências, eu aprendi o poder incrível de contar a própria história, e o quanto isso pode ser transformador tanto pra quem conta, como pra quem escuta. A vontade de fazer documentários veio muito daí. Da minha convivência com pessoas, da música. Sou apaixonada por autobiografias, por ouvir as histórias das pessoas no dia-a-dia, e quando consegui criar a oportunidade de ouvir tantas mulheres que vivem de música e para a música, fiz tudo para que essas histórias ganhassem espaço e chegassem a mais pessoas. Assim nasceu o “Arte das Musas?”. Participar do “Madrepérola” também foi incrível, e é até hoje. O que nos levou a  ganhar um prêmio de juri popular num festival de cinema em Chicago.

Portal Soteropreta – Você lembra quando sua trajetória a levou para produções que exaltam a beleza negra ou combate padrões vigentes?

ANAADI – Lembro sim. Foi em 2011, quando compus a música Sexyantagonista, que busca valorizar outros tipos de beleza, pra além do corpo e dos padrões físicos e comportamentais vigentes. Ela questiona o que é ser sexy. A partir dela, descobri que conseguia levantar essas questões através da minha música, então aos poucos fui compondo outras canções e investindo em outras produções que pudessem colaborar para a desconstrução de conceitos violentos contra as mulheres, por exemplo. O termo “Musa” é um conceito que a gente tenta desconstruir no meu filme “Arte das Musas?”. A gente tenta mostrar que as artistas da Música não têm vidas perfeitas nem nascem com um talento perfeito.

#NegrasRepresentam – Ilka Danusa, mulher de negócios, comunidades e sustentabilidade!

Tenho me unido com muitas mulheres negras que também se descobriram há pouco, e tem sido fantástico finalmente poder me ver no espelho através de outras mulheres, e admira-las, ama-las, chorar com elas, rir com elas. Acredito  que tem rolado um despertar coletivo, sabe? O Brasil parece estar vivendo um momento de despertar da população negra para a sua identidade, o seu valor e a possibilidade de trocas, aprendizados e crescimento juntos.

Portal Soteropreta – Como foi transitar por áreas diferentes das artes? Como você percebe esse impacto na sua atuação social?

ANAADI – Hoje a gente vive num mundo que pensa em rede, não pensa mais em linha. Consideramos muitas possibilidades ao mesmo tempo, e isso é interessante e libertador inclusive socialmente. A questão de ser uma mulher negra é cada vez mais importante no meu caminho artístico e na minha identidade, mas é uma descoberta recente, sabe? Eu não sabia que eu era uma “mulher negra” até 2016. Eu sabia que era uma mulher, e eu sabia que era negra. Ponto. Mas eu nunca tinha me dado conta de que eu vivo essas duas realidades ao mesmo tempo, inseparavelmente. Ou seja, que eu sou da única classe que sofre pelo machismo e pelo racismo ao mesmo tempo, e que pertenço a um grupo de mulheres que sofrem das mesmas aflições e compartilham tantas coisas que implica estar fora de uma rede de privilégios e ser destituído dos seus direitos.

#NegrasRepresentam – Renata Dias, preparada para repensar a Cultura!

 Enfim, a gente considera muitas possibilidades ao mesmo tempo, e todas existem dentro de seus contextos. Essa multiplicidade nos liberta de um padrão de pensamento muito limitante que dizia que tudo era A ou B.  Portando  unir diferentes formas de arte amplia os canais de discussão e dar mais visibilidade pras questões importantes pra a gente. Sendo múltiplo, transitando por mundos diferentes,  vamos encontrando novos jeitos de falar sobre o que precisamos falar.  Eu escolhi a música  e o cinema, outros escolhem a academia o que importa é que estamos falando.

 

 

 

Elza Soares e Larissa Luz se apresentam em entrega do XV Festival de Música Educadora FM.


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 A “voz do milênio” – Elza Soares _ vem a Salvador no dia 10 de dezembro, na Concha Acústica do TCA, com o luxuoso show “Elza Canta Lupi”, com canções de Lupicínio Rodrigues. A apresentação marca a entrega da premiação do XV Festival de Música Educadora FM. O evento terá ainda o show de abertura da baiana Larissa Luz.

Com o show “Elza Canta Lupi”, a cantora ganhou o prêmio de “Melhor Álbum do Ano” na 28ª edição do Prêmio da Música Brasileira, em julho de 2017, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. O show é inédito na Bahia. Neste show, alguns dos maiores sucessos incluem “Se Acaso Você Chegasse”, “Boato”, “Cadeira Vazia”, “Só Danço Samba”, “Mulata Assanhada” e “Aquarela Brasileira”.

A atriz e cantora Larissa Luz abre a cerimônia da XV Festival de Música Educadora FM, com as músicas do álbum “Território Conquistado”, segundo da sua carreira. Larissa compõe o júri especializado desta edição do festival.

XV Festival de Música Educadora FM – Ele chega à décima quinta edição mantendo o objetivo original de estimular a produção musical independente baiana. O evento conta com uma premiação de 62 mil reais e dá visibilidade ao trabalho de jovens artistas – com pouco espaço na mídia tradicional – através da veiculação na rádio. Neste ano o Festival teve 285 participantes com 401 obras inscritas, entre músicas com letra e instrumentais. Saiba mais!

Os ingressos custam R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia).

Guiguio Shewell faz show no Pelô e celebra 38 anos de carreira!


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Foto Edgar de Souza

No próximo dia 07 de dezembro, o Largo Tereza Batista, no Pelourinho, será palco do “Guiguio Pérola Negra – ano II”, com o cantor e compositor Guiguio Shewell. É pra celebrar seus 38 anos de carreira. A noite trará participações de cantores como Cristiano Leão, Lazinho do Olodum e Marquinhos Marques e as cantoras Graça Onasilê a Vanessa Borges. O show, agendado para 20h, tem ingressos por R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).

Guiguio Shewell reúne histórias por suas passagens pelas alas de cantores dos Badauê, Apaches do Toróró, Olodum e Ilê Aiyê (por onde ficou 27 anos e ganhou o nome artístico de Guiguio do Ilê). As vivências nesses blocos refletiram-se nas composições do músico: “O Mais Belo dos Belos”, “Por Amor ao Ilê”, “Pérola Negra” e “Musa Calabar”, sucessos gravados por Daniela Mercury; “Adeus Bye Bye”, que está em um dos primeiros discos de Ivete Sangalo ainda na Banda Eva; “Candelária”, “Tequila” e “Valente Nordeste”, gravados pelo Olodum. São canções que marcaram grandes momentos da história da música baiana.

“Guiguio é um patrimônio do povo da Bahia ofertado ao mundo , dono de uma voz marcante, inconfundível, com maestria no estilo e suingue afro”, comenta o rapper Mr. Armeng, filho de Guiguio. A primeira edição do evento foi promovida em 2016, também no Pelourinho. “Beirou a lotação da praça e foi uma mistura de sorrisos, lágrimas, encontros e celebração”, lembra.

O show da próxima quinta-feira vai marcar o começo de uma série de ações em homenagem à carreira de Guiguio do Ilê. No início de 2018, serão gravados um disco e um documentário sobre o trabalho do cantor. A partir de um site de financiamento coletivo, apoiadores poderão adquirir kits, que oferecem produtos como cd, ingressos, camisetas e vestidos. Os valores arrecadados subsidiarão o projeto “Guiguio do Ilê – CD + Documentário”.

SE ADIANTE, VEJA COMO COLABORAR AQUI!

SERVIÇO:

Guiguio Pérola Negra – ano II

Quando: 17 de dezembro de 2017

Onde: Largo Tereza Batista (Rua Gregório de Matos, 6, Pelourinho, Salvador – BA)

Ingressos: R$ 10 (meia) e R$ 20 (inteira)

Pontos de venda: Salão Negra Jhô (Pelourinho), Loja N Black (Rua Carlos Gomes) e Loja Black Atitude (Rua Quinta dos Lázaros). Ou no evento, na bilheteria do Largo Tereza Batista.

Banda Afrocidade comanda mais um Afrobaile no Barra 33!


Afrocidade
Afrocidade

É sábado agora (09)! Vai rolar mais uma edição do Afrobaile, no Barra 33, a partir das 22h. A festa, que é idealizada e comandada pela banda Afrocidade, convida para esta edição, os artistas Hiron, Xarope Mc, Mis Ivy (SP), Eric Melo e Pivoman. Na pista rola Dancehall, Ragga, Shatta, Twerk, Afrohouse, Kuduro, Rap, Hip Hop, Pagodão e Funk Carioca.

No repertório do Afrocidade, músicas já conhecidas do público como “Que Swing é Esse?” e “Afrocidade na Pixta”, entre outras que ainda não foram lançadas oficialmente, como “Aduba” e “Tá Mó Barril”. A banda traz uma mistura de letras politizadas, com ritmos populares como o arrocha e o pagode, além da música afro, dub jamaicano, o reggae, o ragga e o afrobeat.

SERVIÇO 
O que? Afrobaile – 4ª edição
Quem? Afrocidade convida Hiron, Xarope Mc, Mis Ivy (SP), Eric Melo e Pivoman
Onde? Barra 33 (Rua Dias D’ávila, 33, Barra, próximo ao farol)
Quando? Sábado, 09 de Dezembro, às 22h
Quanto?
15 reais | com nome na lista até 0h ou antecipado pelo sympla
20 reais | no local, até 0h
25 reais | após 0h