#PoesiaSoteroPreta – A poesia problemática de Geilson de Andrade!


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Poesia marginal e problemática é como o poeta Geilson de Andrade define sua produção artística, que inclui, ainda, peças de teatro e contos. Mas é na escrita e na récita que ele se encontra, se entrega.

De corpo e alma, em busca de atingir o psicológico de quem lhe ouve, ele faz um bombardeio de rimas, expressões corporais e faciais. É impossível vê-lo em atividade e não arrepiar, não sentir os olhos apertarem e o coração se angustiar. A verdade dói! Os primeiros versos tratavam de amor, questões existenciais e sobrenaturais, conflito entre vida e morte, durante a infância e adolescência, lá pelos 13 e os 15 anos de idade. Em 2010, já pesquisador de História, o veio de protesto e afirmação lhe tomou.

Os textos passam a expressar esta identidade que lhe acompanha desde então. Questões sócio raciais e referentes à opressão institucional assomam sua produção textual, toda escrita na tela de um computador. “Não lembro a última vez que usei papel e caneta”, assume Geilson.

Para além de válvula de escape, a poesia é, para Geilson de Andrade, “uma forma de conscientizar as pessoas, uma espécie de mecanismo educacional que desperte o pensamento e o sentimento das pessoas”. E complementa: “A poesia para mim é um veículo pedagógico e de resistência, utilizo o contexto histórico para situar o sujeito psicologicamente enquanto pessoa importante dentro da sua própria existência e resgate de valores”.

A fonte de inspiração é a família, tanto a biológica, normativa, mas, também, aquela que acolhe e abriga no seio da comunidade, seja a vizinhança ou a comunidade dos saraus, dos slams de poesia, os que pensam e defendem os direitos humanos. Este é o poeta, humano, Geilson Andrade.

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Sistema Nazista

Perdeu-se o brilho daquela esteira de estrelas

Que se estendia a caminhar tranquilamente sobre o asfalto

Os brotos morreram, as flores murcharam

Vidas foram ceifadas a flor da idade

Pela foice que corta, na frieza da morte

Por displicência da carne

Foi-se a juventude da alma

E perdeu-se o brilho e ofuscaram o asfalto

Mancharam de sangue coração dilaceraram

Caminhos tortuosos e destinos cruéis

Em meio a frágeis e poderosos

Injustiças entre vítimas e réus

Tenho que parar

Tenho que parar porque não cabe no poema

Esse triste cenário pobre miserável

De mentes estúpidas e corações insensatos

Me tirem desse sistema nazista

Sem perspectiva otimista

Sem que me tirem a vida

Sem que massacrem minhas crianças

Sem que prostituam as minhas meninas

Me tirem desse sistema tão ego

Me tirem desse sistema tão ísta

Por favor, favela

Me tirem desse sistema nazista

 

#PoesiaSoteroPreta – O jardim imaginário de poesias de Marcos Paulo (Sarau do Jaca)


 

Marcos_Paulo_Sarau_da_jaca

Marcos Paulo é um dos coordenadores do Sarau do Jaca – Juventude Ativista de Cajazeiras e escreve desde 2005 sobre temas variados. O foco, no entanto, é o racismo. Com a arma nos dentes, a palavra, o poeta usa a poesia para combater o sistema opressor.

Seus textos são recheados de metáforas, não utiliza muitas rimas e emposta a voz quando declama, para viver outros personagens. Além da palavra, tem outras paixões com teatro, música e artes visuais. Desenha poesias nas paredes, em quadros, cartolinas, onde houver uma superfície.

Sua poesia rima com guerrilha, “porque o espírito da poesia se manifesta insurrecta contra a ordem”, assegura Marcos, mas não deixa de falar de poemas como elo entre familiares, sejam de sangue ou de afeto, porque “a família é uma invenção nossa”, decreta.

Poeta de gaveta, sem textos publicados em livros, Marcos Paulo se espalha mesmo é nas redes sociais e em um blog antigo que ele não revela o link pra ninguém. No mais, ele se expõe em saraus e encontros de poetas, com uma presença peculiar. Quem o vê declamando, além de ouvir sua voz possante tomando conta do texto, o percebe como performer, pois a poesia lhe toma inteiro, cada dread, cada gesto com braços, pernas, o corpo todo.

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Fruto de trabalhos sociais vivenciados durante toda a vida, o poeta, sensível e meticuloso, é, também, arte educador e usa a palavra poética para libertar a si e aqueles que lhe rodeiam, incentivando a todos e todas a experiências que mesclem arte e educação. E, assim, Marcos Paulo sai por aí, semeando poemas e cultivando poetas e artistas no seu jardim imaginário.

Lombra

Da satisfação obtida com o unguento

À tortura praticada por seu experimento.

Da calma recebida no uso do ópio

À campanha feita para nos mantermos sóbrios.

Dos amigos em roda trocando um baseado

À política de drogas que engendra o tráfico.

Do mito construído sobre o crack

À falta de sentido que encontramos na sociedade.

Da perspectiva de mundo obtida pelo ácido

À cegueira preconceituosa de quem o torna inválido.

Da teogonia transcendental do peiote

Ao ateísmo inerte e torpe.

Da oração muda degustada na ayahuasca

À descrença num mundo de plantas sagradas.

Dos debates incessantes sob goles de cervejas

Ao carro que te atropela onde quer que você esteja.

Da fragrância de um loló em pano úmido

Ao odor hipócrita encontrado no mundo.

Do êxtase que transborda de comprimidos

À apatia de uma ciência que não os tem reconhecido.

Dos duendes mágicos que dançam sobre cogumelos

À negação absoluta dos universos paralelos.

Das ilusões provindas no ato de cheirar cola

À necessidade daquele que sobrevive de esmola.

Da maldita heroína injetada na veia

Às doenças e males que a medicina semeia.

Do verde absinto que convida às fadas

À angustia de uma geração que vive acuada.

Das carreiras brancas de cocaína

À falta de coragem para enfrentar a vida.

 

Marcos_Paulo_Sarau_da_jaca

A tudo o que nos faz viajar

A tudo que nos faz pensar

A tudo que nos faz amar

A tudo que nos faz gozar

A tudo que nos faz sentir

A tudo que nos agrega e lança

A tudo que nos dá uma sensação de poder

A tudo que nos aproxima da verdade

A todas as coisas que nos levam a Deus

 

Eu agradeço.

A realidade é uma melodia

Nós somos os músicos.

 

 

 

#PoesiaSoteroPreta – Yuretta e sua Trans-Poesia! – Valdeck Almeida


Yuretta Santanna

No começo, jogos de RPG online foram inspirações, pois era necessário narrar, em forma de contos, coletivamente e online, histórias e ações de personagens. Isso foi em 2005. O gosto pela escrita veio daí e Yuretta deu início a seus próprios romances e fanfictions, depois contos, crônicas e, por fim, poemas, que lhe fascinaram e lhe conquistaram por inteira. Num outro universo paralelo, compunha letras de música.

Atualmente a temática que prevalece são provocações de gênero e sexualidade, e a poesia é a ferramenta pela qual a trans-poetisa dá voz às coisas que não conseguiria dizer de outra forma senão pela poesia!

Para Yuretta, poesia é “pulsão de vida. É beleza. É fôlego. E também seus avessos. É intenção. Aquilo que nos move, nos ostraciona, nos provoca e nos afeta. É a mensagem transmitida de maneira sensível. Ou, ainda, o sensível transmitido através de mensagens”, declama, lindamente!

Com estilo transgressor, Yuretta diz que, em seus textos, “o uso de alguns recursos linguísticos não são intencionais nem com a pretensão de enquadrar obras em determinados modelos por considerá-los superiores a outros menos criteriosos”.

Mas a poetiza investe em burilar suas criações, e diz que “abusa de figuras de linguagem como aliteração, metáfora, prosopopeia” e completa, já pensando como musicista: “metrifico alguns poemas, especialmente na forma de soneto, minha paixão. Gosto de valorizar o ritmo e a musicalidade do texto, acho que são as palavras chaves de uma boa poesia”.

Como a música e a poesia são indissociáveis para esta menina sapeca, ela se expressa também através do canto, da performance e, com menos frequência, dança e teatro. Transita pelas artes.

Suas músicas-poemas rimam com família sempre, pois “família é sinônimo de amor e respeito. Família é o sentimento de pertencimento a um núcleo de afeto e também o grupo unido por esse sentimento. Que poesia maior poderíamos ter?”, questiona Yuretta.

Se você quiser conferir mais das criações poéticas de Yuretta, procure a página Vale dos Alfarrábios, no Facebook, onde tem poemas publicados do livreto do Coletivo Atuar, da revista eletrônica do CEPA e de antologias poéticas como Várvara e Liberdade. Vai lá!

Yuretta Sant’Anna é cantora, compositora e poetisa transgênera. Baiana, natural de Salvador, apaixonada pela transdisciplinaridade, aborda em seu trabalho artístico a generificação dos corpos e suas performatividades. Graduanda em Artes pela Universidade Federal da Bahia, é ativista dos estudos de gênero e diversidade, área de concentração de suas pesquisas e produções.

 

Transfiguração

Se me percebo, me questiono.
Se me questiono, me perco.
Se me perco, me acho.
Se me acho, me toco.
Se me toco, me percebo.
E tudo recomeça.
E tudo é vã conversa.
Ou vil engano,
ou grã acerto,
mas sempre um firme acordo
de fins e recomeços,
onde cada tempo é O Tempo
e todo T maiúsculo é uno,
verdadeiro,
dispensando a obrigação
de servir ao lado A
ou ao lado B
pois no alfabeto do ser
nasceu entre o fim e o meio,
no seio do início de um anseio
marcado por
trans
figura
ação.

Yuretta

 

Por Valdeck Almeida de Jesus para o espaço “Poesia Soteropreta”, que vai evidenciar, divulgar e fortalecer a Poesia Preta, Periférica e de Resistência do cenário literário de Salvador.

 

#Soteropoesia – Alex Bruno, de repente nasce um texto!


Poesia preta

Leo escreve desde a infância, entre os 10 e 12 anos, e revela que tinha a mania de relatar os seus afazeres em “diários”, por apenas algum tempo, mas que os textos foram logo perdidos…

Aos 18 anos ele diz que começou a compor uma obra que considera realmente literária, com uma compilação de textos de onde nasceu um romance, hoje, já esquecido. A partir de então, a escrita lhe acompanha, o que tem desenvolvido o hábito da leitura e que, com uma pausa aqui outra ali, escreve poemas, crônicas, resenhas filosóficas e atualmente, voltou à escrita dos diários.

Leo não tem preferência por uma temática específica. Segundo ele, “de repente nasce um texto, porém, hoje tenho dado prioridade aos textos que analisem a minha existência Homem – Artista – Criador – Cidadão de um meio conflituoso e complexo como o mundo moderno”.

Sua pretensão na poesia é “Apenas dizer… Dizer o que no geral, as pessoas fecham os ouvidos. Trazer à tona tudo que é dissimulado. A poesia é uma forma de dizer para mim mesmo, em primeiro lugar, o que acontece ao meu redor, contemporâneo a minha existência”.

Poesia preta

O sentido da poesia para Leo é a catarse, desabafo, na mesma linha do que Freud definiu na Psicanálise. Uma forma de terapia, nos moldes em que os gregos faziam quando levavam para os palcos as grandes tragédias que relatavam os anseios e as adversidades da vida. Como a vida do poeta é repleta desses questionamentos, a fonte de inspiração não termina nunca!

A atuação de Leo não se limita à escrita, apesar de ter livro solo e textos divulgados em sites e blogs, o que ele considera “passado”, um lugar onde ele não pode mais alcançar. Na atualidade, ele transita pelo teatro, música, dança e segue filosofando, poetizando, como na descrição sobre si.

Leo por ele mesmo:

Estranho escrever sobre si. Eu poderia escrever sobre tantas coisas. Sobre o mar, o vento, os sonhos que não existem mais. Acho que todo o ser é latente. Move-se o tempo inteiro. Está acima dos gêneros, das raças, da conta bancária, da roupa que veste ou do corte do cabelo. Todo ser é antes ser. 

Posso dizer que ainda estou numa descoberta, que se abre a cada dia. Surpreso pelas ironias da vida, não devia, mas é difícil não surpreender.

Daí penso, Aristóteles estava certo quando disse que a filosofia nasce do espanto – surpresa. Então nasce a filosofia. Hoje, posso dizer que sou um ser filosófico, tenho mil questões ainda, sem respostas, mas a cada dia, sinto que construo um degrau. E sinto que é preciso continuar, mesmo que um tsunami de caos e desilusões venha se abatendo sobre mim, é preciso continuar, implacavelmente deve-se continuar, afinal, é para isso que estamos aqui.

Por Valdeck Almeida de Jesus para o espaço “Poesia Soteropreta”, que vai evidenciar, divulgar e fortalecer a Poesia Preta, Periférica e de Resistência do cenário literário de Salvador.

jovem negro vivo
Banco de Imagens

CABULA

“Pela decisão dos anjos, e julgamentos dos santos. Excomungamos, expulsamos, execramos e mal dizemos” (Baruch de Espinosa). Verdadeiramente maldito é o homem detido em sua arte diante do poder e do Estado. As suas fábricas infestam os nossos céus com suas cores artificiais. A vitrola em seu gabinete, toca uma melódica de mentiras.

Tupi, índio guarani, Angola, Guiné, Negros Bantos e seus orixás, AXÉ! A câmara de gás engolindo os olhos no holocausto. A ciência desenvolve armas para conter as mentes mais exacerbadas, a cura? Está na moeda! O governo recruta uma polícia especializada em disseminar uma doença racista.

Bala! E Fogo, comem carne preta!

Adriano de Souza Guimarães, Agenor Vitalino dos Santos Neto, Bruno Pires do Nascimento, Caíque Bastos dos Santos, Évison Pereira dos Santos, Jeferson Pereira dos Santos, João Luís Pereira Rodrigues, Natanael de Jesus Costa, Ricardo Vilas Boas Silva, Rodrigo Martins Oliveira, Tiago Gomes das Virgens, Vitor Amorim de Araújo

Aos 12 mortos do Cabula! E por mais que vocês nos matem, eu renasço!

Vejam nossas maternidades agora, estão cheias do choro da vida. Martin Luther King, Malcom X!

Meus heróis tombaram pela intolerância de seus Estados! O desatino da sucessão de novidades vazias, não varrerá da história o que foi escrito com sangue…

#PoesiaSoteroPreta – Teimosia é o nome dessa menina-poesia-preta, Fabrícia de Jesus!


Fabricia de Jesus

O poema “Dor” foi o debut, a estreia de Fabrícia de Jesus. Escondido no final do caderno, estripulia de quem ainda não sabia que é poeta. Poeta de poesia preta, escrita em 2003 durante o cursinho pré vestibular no Instituto Cultural Steve Biko. A cumplicidade foi com a professora de Português, que lhe batizou poetisa, em 2013. Até então Fabrícia não se sabia escritora nem se compreendia negra. Foram duas descobertas fascinantes, libertadoras!

Este recorte racial, agora consciente, atravessa toda a sua produção, carrega as vivências, que é molhada de suor, labutas, abstratos expressos, cotidianos de quem sente a negritude em pele.

Na escrita, Fabrícia fala da alma, estampa a retina do seu terceiro olho, evoca os alvoroços de suas dúvidas, a complexidade das verdades questionáveis. A poesia desta menina-poeta é linha de partida; seus meios, seu chegar, seu fio de alta tensão, a arritmia do seu apanhador, do seu carrega-dor, do pulsante afagador que lhe guia. A poesia é sua fuga, sua busca; é ela mesma, poeta, empurrando as portas, as normas; se traduz em seus caminhos, os passos, os laços, os nós, a própria voz.

“A poesia tem o poder de unir gente, neste aspecto faz rima com família, já que nos fortalece, integra, identifica, nos torna pertencentes e usuários de mesmo corpo – língua”, afirma Fabrícia de Jesus.

Além de escrever nos ônibus, ela publicou no Sarau Brasil, Revista Quilombo e na coletânea “O Diferencial da Favela: Poesias e Contos de Quebrada” (Sarau da Onça, Editora Galinha Pulando), além de postar no Facebook.

E sobre a publicação, Fabrícia viaja: “acho que tenho mais escritos no busu do que publicados (rsrs), embora reconheça a importância de estar nestes impressos, visto que precisamos sair da posição de “estudados” para sermos sujeitos contadores e protagonistas de nossa própria história. Mas confesso que gosto de pensar que no coletivo, entre um destino e outro vários ‘eus’, viajam nas minhas curvas e linhas, em trânsito está a subjetividade das minhas poesias”.

Fabrícia_de_Jesus

A Menina-Poesia Soteropreta

Fabrícia de Jesus, mãe de uma linda e moleca menina, preta, suburbana, filha de uma família dominada por mulheres valentes, foi gerada por amor e criada nele. Já vendeu quiabos, já vestiu robalos, já passou maus bocados, e teve um período que sofria escondida, fase brusca da vida, outros tempos…

É estudante de Serviço Social, poetisa, ativista, parte do coletivo Sarau do Cabrito (pelo qual carrega uma enorme gratidão), membro do Coletivo de Entidades Negras–CEN, é feliz e desenvolve um trabalho na ONG E². É atravessante de mar para amar de perto, é o próprio verso, seja ele cortante em protesto ou doce feito riso rio. É uma errante encabulada que pede suco de acerola no bar e se embriaga sem nem sentir o pecado na boca.

É teimosa, às vezes engraçada, segundo os amigos. É desenfreada e fascinada pelos detalhes mais baratos, e repete pra si: “já que a vida é indefinida eu prefiro sentir”.

 

A Solidão é Preta

Como se não bastassem as mazelas excludentes erguidas pelas dimensões de direitos sociais negados, resguardados a nós diversos crivos psicoemocional. Somos perpassantes em construções machistas racistas. Somos assassinos e vítimas desta sociedade perversa.

A dor lateja, maltrata e adoece o corpo… Somos frutos da história. A poesia de raça única não declama-se diante um povo brutalmente violentado. Quanto mais negroide nossos traços quanto mais preta nossa pele, mais preterimento mais exclusão mais dor mais solidão.

Fomos sentenciadas ao celibato definitivo. A invisibilidade. Ao prazer momentâneo. Ao esquecimento. Aos danos. Aos danos.

Somos seres sem sermos, pedaços… Sobreviventes nestes 128 anos de alforria desencontrada, marginalizada. Fomos as estupradas para o nascimento do Brasil mestiço. Somos desumanizadas, confinadas ao encolhimento do corpo, ao silêncio da sala. Na frieza do colorismo, nos índices dos feminicídios, as tristezas não ficaram nas senzalas. 

Na falácia que o amor não tem cor, a conta nunca bate exata, sobram as pretas, multiplicam-se as mágoas. Proclamaram que status é loira ao lado. Que peso. Que fardo… Gosto é construção social e o homem preto também fora submetido aos padrões eurocêntricos. Subjetividades agredidas. A solidão tem cor. Desconstruir é preciso. Se o amor faz bem… nós queremos também. Ficar só é normal… quando opcional. (Fabrícia de Jesus)

Valdeck Almeida

Poesia Soteropreta

Texto inaugural de Valdeck Almeida de Jesus para o espaço “Poesia Soteropreta”, que vai evidenciar, divulgar e fortalecer a Poesia Preta, Periférica e de Resistência do cenário literário de Salvador. O Espaço será alimentado semanalmente pelo escritor, pautando novos e novas [email protected] que despontam na Poesia negra da cidade. Valdeck é escritor, poeta, jornalista, ativista cultural. Membro-fundador da União Baiana de Escritoress – UBESC e do Fala Escritor (2009).