#FlicaPreta – Mulheres Insubmissas pautam a literatura preta feminista em Cachoeira!


A roda de “Diálogos Insubmissos de Mulheres Negras” que acontece nesta sexta-feira, dia 12 de outubro, às 15h, na Casa Educar para Transformar faz parte da programação da oitava edição da Festa Literária Internacional de Cachoeira (FLICA), no recôncavo baiano.

O Diálogo terá o lançamento dos livros “Sobre o breve voo da borboleta e suas esquinas”, da Mestranda em Literatura e Cultura Vânia Melo (UFBA) e “O Caminho das Estações”, da professora e escritora Jovina Souza. As autoras participarão do debate, que contará com a mediação da doutoranda em Literatura e Cultura Dayse Sacramento (IFBA), idealizadora do projeto, que pelo segundo ano consecutivo integra a programação da Flica.

Com um formato que contempla breves intervenções artísticas, alternadas por leitura de contos e poesias, seguidas de reflexões e debates, o projeto foi inspirado na obra “Insubmissas lágrimas de mulheres”, lançada em 2011, pela escritora Conceição Evaristo, que será homenageada nesta edição da Flica. Segundo Dayse, “as convidadas para as mesas de debate sempre são mulheres negras que, em alguma medida, dentro do seu campo de produção do conhecimento, discutem, combatem questões de gênero e raça”.

Lançado pela Editora Organismo, “Sobre o breve voo da borboleta e suas esquinas” é o primeiro livro solo de Vânia Melo. Na publicação a escritora fala sobre vidas que se entrelaçam e se encontram nos feminismos negros. “É sobre me entender, sobre me compreender, me ver como a mulher negra que sou, sobre como se construiu e se constrói esse “autoamor” e como esse processo me enegrece mais e mais e sempre. Sei que esse “eu”, na verdade, é um “nós” porque somos eu e as observações de muitas vivências. O casulo, a borboleta, o voo… Falo sobre o que há em mim e compartilho com mulheres negras como eu; sobre o que aprendi e aprendo com essas irmãs todos os dias”, diz. 

A obra fala sobre os “olhares atravessados” que recebeu durante todos esses anos, mas também sobre os afetos que lhe acolheram: “A poesia vem me ensinando, através das minhas mais velhas e através de nossa ancestralidade, sobre como trilhar caminhos tão difíceis, mas, ao mesmo tempo, tão bonitos porque foram marcados pelos sábios passos das que nos antecederam. A poesia vem me acompanhando e eu a ela, nós duas; e vamos guiadas pelos Orixás, pelas Águas e pelos ensinamentos dos nossos corpos negros”.

Vânia Melo afirma que durante algum tempo, viu uma Flica branca e estrangeira, muito distante de sua realidade. Porém ano após ano, esse cenário vem mudando e hoje ela consegue ver nesse evento mulheres negras e homens negros que lê, aplaude e com os quais aprende.

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Foto Lucian Hely – Coletivo Zeferinas

“A homenagem a Conceição Evaristo foi uma felicidade imensa pra mim! Que alegria! Sinto-me participando da Flica quando vejo uma mulher negra lá, falando, mostrando sua arte-luta-trabalho, sua vida. Mas ainda faltam muitas de nós lá. Todas nós precisamos de espaços com visibilidade positiva. Precisamos exercer o nosso espaço de fala, dizer de nossas lutas, de nossas pesquisas, livros, trabalhos de modo geral. Ficarei feliz mesmo no dia em que todos os eventos artísticos oportunizarem espaços de debate para tudo o que produzimos em tantos campos diferentes”.

O encerramento da Flica 2018 será no domingo, dia 14 de outubro, às 10h, com mais uma edição do evento “Diálogos Insubmissos de Mulheres Negras”, com a participação da Doutora em Literatura Comparada Florentina Souza (UFMG) e da Mestra em Crítica Cultural Manoela Barbosa (Uneb). O encontro será mediado pela criadora e coordenadora do projeto, professora Dayse Sacramento, e com a participação especial do Coletivo ZeferinaS.

 

SERVIÇO

O quê: Flica – Diálogos Insubmissos de Mulheres Negras

Onde: Casa Educar para Transformar – Cachoeira – BA

Quando: 12 e 14 de outubro de 2018

Quanto: Gratuito

#FlicaPreta – Mawó Adelson de Brito lança livro “Exu, èsu Elegbará é Vodun Legbá” em Cachoeira!


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Entre os dias 11 e 14 de outubro, o recôncavo baiano será palco da Festa Literária Internacional de Cachoeira (FLICA), que em 2018 chega a sua oitava edição trazendo a forte presença de autores negros.

Nesta quinta-feira, o público acompanhará o lançamento do livro “Exu, èsu Elegbará é Vodun Legbá”, com a presença do autor Mawó Adelson de Brito. A obra é um registro do resgate de uma tradição anterior à censura imposta pelo cristianismo às religiões e culturas trazidas ao Brasil pelos nossos ancestrais, que foram trazidos à força pela economia escravagista.

Segundo o autor, este resgate inclui a retomada do significado das frases que compõem as peças litúrgicas, no intuito de demonstrar de forma irrefutável que as religiões tradicionais de matriz africana, conhecidas como Candomblé de Ketu e Candomblé Jeje, têm estrutura de culto religioso com base em panteões compostos por seres divinizados e hierarquizados.

“Com base na realidade perversa e irresponsável do sistema que “substituiu” o escravismo sem promover a reparação, emancipação do ex-escravo, e que usa como justificativa uma plataforma racista e pseudocientífica que inferioriza o negro frente ao europeu”.

Mawó Adelson de Brito afirma que teve a intenção de construir um texto no qual desconstrói essa inferioridade, partindo da desmistificação de alguns conceitos, como por exemplo, a visão de que a língua Ioruba dos nossos ancestrais nagô seria uma “forma primitiva de comunicação”.

A publicação traz os cânticos mais conhecidos entoados para Exu e Leba, com suas letras originais em língua ioruba (para Exu) e língua fon (para Leba), com suas respectivas traduções em português. Faz parte da obra um CD com esses cânticos gravados em estúdio.

O autor apresenta textos em Ioruba, mostrando que é uma língua dotada de semântica como qualquer língua ocidental. A obra descreve e contextualiza os cânticos nos respectivos processos litúrgicos. Após o lançamento, o livro segue para Brasília e Rio Grande do Sul, e possivelmente também será lançado na Suíça.

 

Sobre a Flica

Mawó Adelson de Brito ressalta que a Flica é uma importante vitrine internacional. “Estar na Flica é o sinal de acolhimento literário da narrativa do negro e da sua forma de contar a nossa história, com uma autoridade que nos vinha sendo negada historicamente”, explica.

O autor comemora a oportunidade de mostrar o seu trabalho ao lado de nomes exponenciais da literatura internacional, e torce para que este espaço permaneça aberto: “Estar na Flica como autor, sendo um sacerdote afroreligioso que descreve um processo que vivencia é uma novidade que, espero, tenha vindo para ficar”.

 

SERVIÇO

O quê: Flica – Lançamentos de Livros com Temática Negra

Onde: Casa Educar para Transformar – Cachoeira – BA

Quando: De 11 a 14 de outubro de 2018

Quanto: Gratuito

 

#FlicaPreta – Carla Akotirene leva seu livro “O Que é Interseccionalidade?” para Cachoeira!


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Foto: Lucas Seixas

A oitava edição da Festa Literária Internacional de Cachoeira (FLICA), que acontece entre os dias 11 e 14 de outubro, no recôncavo baiano é marcada pela forte presença de autores negros em lançamentos de livros, mesas de debate e recitais.

No sábado, dia 13 de outubro, às 11h, tem o lançamento do livro “O Que é Interseccionalidade?”, da doutoranda em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismo, Carla Akotirene (UFBA). O livro é o quinto da Coleção Feminismos Plurais, coordenada pela filósofa Djamila Ribeiro.

#FalaPreta – Carla Akotirene fala de seu livro na coleção “Feminismos Plurais”, de Djamila Ribeiro!

A obra traz a origem, o fundamento e as críticas ao conceito de interseccionalidade, uma sensibilidade analítica pensada por feministas negras, cujas experiências e reivindicações políticas eram desrespeitadas tanto pelo feminismo branco quanto pelo movimento antirracista, a rigor, focado nos homens negros.

A autora apresenta nesse volume sete críticas a interseccionalidade, dialogando com as pensadoras negras Angela Davis, Ochy Curiel, Gilza Marques, Jasbir Puar, Sueli Carneiro, Patrícia Hill Collins e Houria Bouteldja. “Quero explicar as condições estruturais do racismo, capitalismo e heteropatriarcado inseparadamente, bem como sob quais condições as mulheres negras como Marielle Franco são atingidas pela colonialidade”, diz Carla.

 

Sobre a Flica

Carla Akotirene afirma que “a Flica é a celebração intelectual do pensamento feminista negro nordestino para o Brasil e das trocas literárias pelo mundo. É a oportunidade de validação das nossas experiências como pontos de partida do conhecimento”.

A escritora também citou algumas mulheres inspiradoras: “Conceição Evaristo, Patricia Hill Collins e Djamila Ribeiro representam a nossa disputa de narrativa por outro modelo de humanidade. Estamos enfrentando os racismos epistêmicos, o espaço de fala. O lugar da nossa fala mostra que viemos aqui nos levantar contra os epistemicídios”.

 

SERVIÇO

O quê: Flica – Lançamentos de Livros com Temática Negra

Onde: Casa Educar para Transformar – Cachoeira – BA

Quando: De 11 a 14 de outubro de 2018

Quanto: Gratuito