Mulher preta, reconheça que você é gente e gente chora, ama e se apaixona! – Por Janaína Candeias


Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A maioria das mulheres pretas já tiveram, de alguma maneira, a sua autoestima dizimada, já sofreram por serem quem elas são, já se sentiram “feias” e incapazes de serem amadas por alguém.

O amor para muitas mulheres pretas é algo idealizado e quase inalcançável, já que seu corpo – historicamente erotizado – muitas vezes é visto apenas como uma ferramenta de prazer, onde seu atributos sexuais chegam primeiro do que a sua essência (no ideário de pessoas que reproduzem a ideia da mulher preta que serve única e exclusivamente para fins sexuais).

E quando alguém se apaixona por ela verdadeiramente, a “utopia” se torna realidade. Mas onde ficaram os sentimentos e a afetividade dessa mulher, dessa que se esforça para ser forte a fim de sofrer e sentir menos? Respeite a força que essa mulher muitas vezes foi forçada a criar para se proteger, respeite o receio, a resistência e esse medo de amar verdadeiramente e ser abandonada, trocada e usada.

janaína_candeias_afetividade_mulher_negra
Janaína Candeias

Mulher preta, permita-se ser fraca também, permita-se chorar apesar de todos os estigmas que carregamos, cMas é difícil falar isso para uma mulher que teve diversas desilusões amorosas, que já se entregou em um acordos amorosos que só ela cumpriu e a outra parte estava engajada apenas em um relacionamento firmado no âmbito sexual, banal e descartável.

Ter uma relação afetiva e amorosa com uma mulher negra é saber de toda hiperssexualização que a mesma sofre, é compreender os danos que o machismo e o racismo deixaram (e continuam deixando) na vida dela, é reconhecer as especificidades que ela tem.

Texto de Janaína Candeias especialmente para o Portal SoteroPreta. Email jana.candeias201697@gmail.com