#NegrasRepresentam – ANAADI, negra, múltipla, das Artes!


ANAADI
Fto Raul Krebs

Que música é para aquecer nossos corações, não temos dúvidas. Explicar o que a música provoca é como escrever pra primeira paixão das nossas vidas. Aquele bilhetinho no auge do sentimento. E é assim que podemos descrever ANAADI, artista que muitos descrevem como a que canta o que compõe e compõe quando canta. Ela já cativou ouvidos de artistas como Rick Wakeman, Roberto Menescal, Ivan Lins e Ronaldo Bastos.

Destaque na segunda edição do programa The Voice Brasil, Anaadi é o que podemos considerar multi. Como produtora, idealizou o documentário “Arte das Musas?”, cujo destaque são as mulheres na Música. Sua atuação enquanto artista caminha ainda por composições para o documentário “Madrepérola”, que fala sobre  mulheres gordas, beleza e autoestima.

Portal Soteropreta – Como exatamente sua carreira se iniciou?

ANAADI – Minha carreira iniciou compondo canções, e mostrando pros amigos na escola e no cursinho pré-vestibular. Foi assim que fui descobrindo o potencial que tinha, de tocar as pessoas de alguma forma através da Música. Isso foi pelos 16 ou 17 anos, época que  comecei a dar canjas em bares de Jazz da minha cidade.Me formei em Psicologia em 2010, com essas experiências, eu aprendi o poder incrível de contar a própria história, e o quanto isso pode ser transformador tanto pra quem conta, como pra quem escuta. A vontade de fazer documentários veio muito daí. Da minha convivência com pessoas, da música. Sou apaixonada por autobiografias, por ouvir as histórias das pessoas no dia-a-dia, e quando consegui criar a oportunidade de ouvir tantas mulheres que vivem de música e para a música, fiz tudo para que essas histórias ganhassem espaço e chegassem a mais pessoas. Assim nasceu o “Arte das Musas?”. Participar do “Madrepérola” também foi incrível, e é até hoje. O que nos levou a  ganhar um prêmio de juri popular num festival de cinema em Chicago.

Portal Soteropreta – Você lembra quando sua trajetória a levou para produções que exaltam a beleza negra ou combate padrões vigentes?

ANAADI – Lembro sim. Foi em 2011, quando compus a música Sexyantagonista, que busca valorizar outros tipos de beleza, pra além do corpo e dos padrões físicos e comportamentais vigentes. Ela questiona o que é ser sexy. A partir dela, descobri que conseguia levantar essas questões através da minha música, então aos poucos fui compondo outras canções e investindo em outras produções que pudessem colaborar para a desconstrução de conceitos violentos contra as mulheres, por exemplo. O termo “Musa” é um conceito que a gente tenta desconstruir no meu filme “Arte das Musas?”. A gente tenta mostrar que as artistas da Música não têm vidas perfeitas nem nascem com um talento perfeito.

#NegrasRepresentam – Ilka Danusa, mulher de negócios, comunidades e sustentabilidade!

Tenho me unido com muitas mulheres negras que também se descobriram há pouco, e tem sido fantástico finalmente poder me ver no espelho através de outras mulheres, e admira-las, ama-las, chorar com elas, rir com elas. Acredito  que tem rolado um despertar coletivo, sabe? O Brasil parece estar vivendo um momento de despertar da população negra para a sua identidade, o seu valor e a possibilidade de trocas, aprendizados e crescimento juntos.

Portal Soteropreta – Como foi transitar por áreas diferentes das artes? Como você percebe esse impacto na sua atuação social?

ANAADI – Hoje a gente vive num mundo que pensa em rede, não pensa mais em linha. Consideramos muitas possibilidades ao mesmo tempo, e isso é interessante e libertador inclusive socialmente. A questão de ser uma mulher negra é cada vez mais importante no meu caminho artístico e na minha identidade, mas é uma descoberta recente, sabe? Eu não sabia que eu era uma “mulher negra” até 2016. Eu sabia que era uma mulher, e eu sabia que era negra. Ponto. Mas eu nunca tinha me dado conta de que eu vivo essas duas realidades ao mesmo tempo, inseparavelmente. Ou seja, que eu sou da única classe que sofre pelo machismo e pelo racismo ao mesmo tempo, e que pertenço a um grupo de mulheres que sofrem das mesmas aflições e compartilham tantas coisas que implica estar fora de uma rede de privilégios e ser destituído dos seus direitos.

#NegrasRepresentam – Renata Dias, preparada para repensar a Cultura!

 Enfim, a gente considera muitas possibilidades ao mesmo tempo, e todas existem dentro de seus contextos. Essa multiplicidade nos liberta de um padrão de pensamento muito limitante que dizia que tudo era A ou B.  Portando  unir diferentes formas de arte amplia os canais de discussão e dar mais visibilidade pras questões importantes pra a gente. Sendo múltiplo, transitando por mundos diferentes,  vamos encontrando novos jeitos de falar sobre o que precisamos falar.  Eu escolhi a música  e o cinema, outros escolhem a academia o que importa é que estamos falando.