#PoesiaSoteropreta – Ana Fátima e a poesia-martelada para adolescer!


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Foto: Leo Ornelas

Licenciada em Letras Vernáculas e Mestra em Crítica Cultural (UNEB), Ana Fátima Cruz dos Santos escreve desde os oito anos, uma poetisa precoce. Ou melhor dizendo, já nasceu com o dom. Mais conhecida como Ana Fátima, ela é ativista do movimento negro, filha do Ilê Axé Iboro Odé, educadora e consultora de beleza.

Estuda e analisa a formação de professores(as) em educação para as relações etnicorraciais e, atualmente, desenvolve pesquisa sobre produção de materiais didáticos para Educação Escolar Quilombola e educação antirracista sob a ótica da Linguística Aplicada.

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Foto: Leo Ornelas

Além de poemas, Ana romanceia para adolescer. E se joga mesmo nas letras: conto e literatura infanto-juvenil e literatura acadêmica (artigos, resenhas), com o sonho de libertar seus sonhos e fazer outras pessoas negras creem em seu potencial. E pra quem pensa que escrever é um ato complicado, para Ana Fátima é como respirar. Para ela, a “poesia é vida. Brota, vinga, cresce e floresce. Uso muitas aliterações e frases curtas como marteladas, lembretes da memória”.

Para além da escrita, uma arte da solidão, ou que requer um certo isolamento na sua produção, a produção literária de Ana “rima coletividade… uma voz ampliada, as várias famílias que nem sabemos que temos e as que temos também”. Esta é a forma mais coletiva de se pensar e viver a arte, em que a criação sai por aí, sem pedir licença, para vingar em mentes-quintais alheios.

Em tempos de redes sociais, Ana Fátima não fica de fora do Facebook e alimenta o Blog Sangue de Barro, onde planta sementes de poesias, mas tem participação em produtos tradicionais como as famosas antologias.

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Seus textos podem ser encontrados no site da Fundação Palmares (2010); Projeto Escritoras da Bahia (2015), na Revista Entrelinhas (2015) e Projeto Pé de Poesia (Salvador, 2016). Poemas e contos pela Antologia Cadernos Negros (Quilombhoje, vol. 37, 38 e 39, 2014-2016) e  Mulher Poesia I e II (Cogito, 2016-2017). Recebeu prêmio de melhor poesia pelo 2º Festival de Literatura São Francisco Xavier (2014), no 5º Concurso das Farmácias Pague Menos (2016) e no 2º Concurso do Sarau da Onça (“O diferencial da favela: poesias e contos de quebrada”, 2017, Editora Galinha Pulando).

Confere:

A cartilha da autora século XXI

De mim, muito algo a desenrolar…

Ser mulher é cheirar a ferida aberta

Pulsar a flecha certeira

Palmatória do mundo a acabar.

Profissão escolhi,

Estudos cumpri,

Casa vigiei e arrumei.

 

Mas meu deleite é outro:

Letras a bailar

Em papéis, telas e folhas;

Perpetuar nas cabeças

A alma de minhas histórias.

Carregar pedras

Para traduzir sentimentos e desejos:

Mandamentos de autora!

Pedras escritas e relidas

 

Compromisso em ser mulher

É reler e desdobrar

A hélice das tramas de meus ancestrais

Sem beber o amargor

Do chicote malfeitor.

 (publicado no Mulher Poesia. Editora Cogito, 2016)

 

Valdeck Almeida

 

Por Valdeck Almeida de Jesus para o espaço “Poesia Soteropreta”, que vai evidenciar, divulgar e fortalecer a Poesia Preta, Periférica e de Resistência do cenário literário de Salvador. Veja aqui outros artigos dele!