#PoesiaSoteropreta – Carlos Leleco: o poeta dos muros grafitados e das redes sociais!


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Desde 2013, Carlos Leandro Pinheiro de Souza, o Carlos Leleco, é o corpo que transmite a língua do povo, aqueles poemas, causos, escritos populares, com o sotaque próprio de quem nasce e vive uma vida simples. A atuação de Leleco, para além da propagação da poética roceira, tem a arte da performance e da escrita como meio para alimentar a alma e propiciar o seu crescimento como escritor, com vários objetivos, dentre eles “passar mensagens contra qualquer tipo de discriminação, preconceito e abuso de gêneros e a valorização da autoestima negra”, diz o poeta.

Para Carlos Leleco a poesia é uma das armas mais eficientes para a reflexão das questões raciais que nos rodeiam. E não é à toa que o poeta sai por aí, como um cavaleiro andante, com a espada-poesia em uma mão e a rima certeira na outra. Suas atuações são marcantes e marcadas pela cadência do verso, do movimento, da expressão séria e sisuda, se a poesia assim exige, mas, também, de um jeito maroto, quando o texto é mais faceiro e despretensioso.

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Mas não só de poesia vive o poeta. O grafite também é outra arte que ele carrega na tinta, só Deus sabe por onde ele anda, sobe, desce, para conseguir uma boa tela para expor seus talentos. Além das paredes e muros, onde deixa sua marca de spray, Carlos Leleco se equilibra, também, nas redes sócias (com a linguagem do matuto prosador), postando poemas sem rima, por escolha e licença poética. O fato de não rimar, por opção, não significa descompromisso ou desconhecimento, é pura escolha, mesmo. As escritas, no entanto, se situam num espaço, tempo e intencionalidade, como ele frisa:

“Nas intenções, existe sempre o cuidado e cumplicidade entre aquelas pessoas que se gostam. É aquela que se cuida e que mesmo magoando, exorta sua irmã ou seu irmão para uma melhor conduta social”. Numa autocrítica, o poeta não poupa sinceridade:

“Sou uma pessoa agradável, inquieto e um tanto cuidadoso(chato) para as questões raciais. Não aturo tudo, nem concordo com tudo o que o próprio povo negro tem como verdade. Afinal de contas, quem escreve ou divulga algo precisa ter o cuidado com o seu ponto de vista, algumas pessoas têm determinadas ideias como verdades”.

Jardim da Vida

No jardim da vida
Topamo um monte de flor
A deixar seus aroma ao vento
Quando por uma dessas fragrâncias somos atingidos
Ficamo tingido
Ao ponto de, mermo distante,
Sinti o exalar da vida
Invadir nossos pensamento
Aí então,
Nesse momento nos encontramos regozijados
A saborear desse tal perfume
Essas essências
Afirmo
Jamais sairão de nossas mentes.

(Carlos Leleco)

Valdeck Almeida

Por Valdeck Almeida de Jesus para o espaço “Poesia Soteropreta”, que vai evidenciar, divulgar e fortalecer a Poesia Preta, Periférica e de Resistência do cenário literário de Salvador. Confira aqui outros textos desta coluna.