#PoesiaSoteropreta – O amor e a liberdade na poesia de Nádia Ventura!


Nadia_Ventura

 

Nádia Ventura escreve há 51 anos sobre o amor em suas várias vertentes, com a pretensão de se libertar.  poesia é sua essência e, através desta arte, Nádia viaja. Na sua escrita, não tem horizonte impossível: sonhos, imaginação, lembranças, dores, frustrações, desencanto, cenas do cotidiano… Com intenção de dividir, canalizar sentimentos, fazendo com que o leitor se identifique e sinta que a poesia faz parte da sua vida desde a hora que acorda, até quando dorme e sonha. “Todos nós somos poetas, vivemos a poesia que a vida nos dá, amarga ou doce… Alguns sabem como externá-las, outros apenas a sentem…”, segundo a poetisa!

Nádia se inventa e reinventa na poesia. “A minha arte é puramente literária. Dentro da literatura eu me reinvento e me realizo nos Romances, Contos, Crônicas e em Artigos políticos…”.

Poesia e família. “Para a poesia rimar com Família, depende muito do momento do autor. Pode rimar de uma forma boa ou má. Nenhuma Família é perfeita fora dos porta-retratos, fora da imagem que cada um pretende mostrar à sociedade”, diz Nádia. E ela afirma que a família é como a vida, cheia de altos e baixos, de amor e ódio, de tristeza, alegrias e decepções… E segue o raciocínio: “A família tradicional para mim já não existe. A Ancestralidade Comum, também já não conta. Outras formas, outros valores tomaram lugar, porque evoluímos”.

Nadia_Ventura

E Nádia não para por aí.

“Então, esse grupo familiar já não divide necessariamente o mesmo teto, expandiu-se aos amigos. Mãe é pai e pai é Mãe, avó, tias(os) são pais e mães. Casais sem filhos adotam; casais brancos adotam crianças de outras raças; assim como homossexuais, lésbicas, travestis e trans, também adotam, formando assim uma nova família contemporânea. Portanto, hoje, a consanguinidade não quer dizer Família. Família hoje são escolhas… Temos o direito inquestionável de criar a nossa própria Família, amá-la sem a obrigatoriedade parental… E essa diversidade é MARAVILHOSA e EVOLUTIVA…”… Essa é a trama da poesia de Nádia Ventura, que não tem limites ou receitas prontas. Tudo é poesia, e poesia é tudo na vida a poeta.

E a poeta iniciou bem cedo seus exercícios de poesia. Começaram a ser escritos desde a infância, mais ou menos aos oito anos de idade. O primeiro poema, entretanto, só foi publicado na idade adulta, em uma antologia organizada pelo jornalista Valdeck Almeida de Jesus. “Eu sou muita grata ao poeta por isto. Depois desta publicação vieram vários convites e estou em treze Antologias no Brasil, Europa e países de língua portuguesa”, enumera Nádia.

Onde estão os textos de Nádia Ventura: Prêmio Literário Galinha Pulando 2012, Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus 2014, Era das Palavras – Antologia Internacional Multiacadêmica BRASIL/SUÍÇA, Palavra é Arte – Antologia Poética, COGITO – Antologia Internacional II, COGITO – Antologia Internacional III, Incertezas e Suas Fragilidades, Antologia SOLILÓQUIO, Antologia MEMÓRIAS, Antologia PARADIGMA (Editado em Portugal e países de língua portuguesa), Mulher Poesia – Antologia Poética vol. 2, Doce Poesia Doce, KAMA – Poesia e Contos Eróticos. E não para por aí. Tem outros textos no prelo, que sairão nas publicações: Focus – Antologia Poética XII, Antologia Memórias 2, Perdida – Romance (Solo), Contos que te Conto em Versos e Prosas (SOLO)”.

Nádia por Nádia: “Sou uma pessoa apaixonada pela vida, apesar da dor. Sou apaixonada pela minha família, meus amigos, pela natureza, pelos animais, pelas crianças, pela ciência, pela minha religião e por todas as expressões artísticas, principalmente pela literatura…”

 

A Moça e o Menino
(Para Fátima Celeste Nascimento)

Era um segredo de amor
Só para dois,
Cheios de expectativas
Na noite escura
Ou na madrugada calada…
Um dia o segredo tomou corpo,
Criou coragem,
Ganhou o dia, 
Chegou ás ruas,
E sem pressa 
Entrou no quarto.
Primeiro lutaram contra o estranhamento.
Depois o acasalamento.
Ela, tranquila,
Sabia todos os passos daquela dança…
Ele, nervoso, 
Admirava o ritmo tranquilo daquela moça.
E Colados, dançaram por horas, 
Até adormecerem…
Quando dia chegou
O desencanto se fez real
Cada qual seguiu calado a sua via.
E a noite quando veio
Nunca mais foi a mesma… 
O segredo se desfez,
Quando a expectativa fugiu.
Mas o menino guardou na memória, a voz rouca e sensual
Que lhe falava delícias, 
Na penumbra do quarto
Que cheirava a óleo de sândalo. 
A moça por sua vez,
Chorou o desencanto e partiu
Levando consigo toda a dor
De um amor impossível
Numa tarde fria 
De um dia qualquer… (Nádia Ventura)

 

Valdeck Almeida

Por Valdeck Almeida de Jesus para o espaço “Poesia Soteropreta”, que vai evidenciar, divulgar e fortalecer a Poesia Preta, Periférica e de Resistência do cenário literário de Salvador. Confira aqui outros textos desta coluna.