Para ler ao som de Me Libera Nega do MC Beijinho! – Por Frida Costa


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Existem dois acontecimentos que marcaram o mundo. O primeiro, a invenção dele o segundo, o Carnaval. De chicleteiro a folião pipoca, não tem aquele que não comemore essa época. E aí todo mundo se prepara alguns meses antes. É quando a galera já está juntando sua grana e garantindo a cerveja gelada – periguete 3 por 5 –, o Uber e o churrasquinho da tia. E claro, carnavalesco de verdade vai pra avenida com a aposta da música do Carnaval na ponta da língua. Esse ano não será diferente.

E o meu texto é sobre uma revelação da música baiana. Aposto que nem preciso dar muita dica porque você já sabe de quem estou falando, né? Mas para os desavisados, o personagem da história – e que pra mim vai ganhar como cantor revelação – é o MC Beijinho (Me libera, nega. Deixa eu te amar, me libera nega, novinha vou te sentir…). Desculpe, mas é impossível falar o nome dessa cara e não começar a cantar Me Libera, Nega. Já está tipo osmose.

mc beijinho me libera negaMas enfim, continuando, MC Beijinho, como todos sabem, apareceu pela primeira vez em rede nacional – no fundo de uma viatura – em um programa popular super conhecido acusado de furtar um aparelho de celular.

Ao ser questionado pelo repórter sobre o ocorrido, o cara simplesmente teve uma sacada genial de mandar sua composição na lata pra todo mundo ouvir. E, em poucas horas, Me Libera, Nega já estava na boca do povo, de Simone e Simara, de Caetano Veloso. Legal, né?

O problema é que isso incomodou muita gente, principalmente quem acredita que bandido bom é bandido morto, ainda mais sendo negro. E é aí que você vê como o racismo e o preconceito com quem já foi preso e/ou acusado por algum crime está enraizado em nossa sociedade. As pessoas não acreditam na mudança, na melhoria dessas pessoas, na falta de oportunidade. Essas mesmas pessoas não questionam o sistema prisional brasileiro; a falta de educação e oportunidade para quem é preto, pobre e da periferia (principalmente) e o número alarmante de negros ocupando cadeias públicas.

população carcerária brasileira
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Segundo o Ministério da Justiça, 60% da população carcerária brasileira é formada por negros, o que garante o título ao nosso País de 4º maior número de detentos do mundo. E eu me pergunto: quantos desses chegaram ao ensino médio?

Tiveram a carteira de trabalho assinada? Uma cesta básica completa? Uma base familiar bem estruturada? Um adulto dizendo o que é certo e errado? Hein?!? Quantos desses aprenderam um outro idioma, viajou pelo mundo, conheceu o seu pai? Não quero justificar crime algum. Para mim, quem comete um crime tem que pagar. Mas meu amigo, minha amiga, a lei tem que ser pra todos.

Seja você preto, branco, hétero, bi, trans, travesti, gordo, magro, morador do Corredor da Vitória, da Liberdade, de Simões Filho, da Graça. Seja você rico. Seja você pobre. A lei, torno a falar, deve ser pra todos. Não adianta você da sua cobertura, comendo pão com cream cheese, viajando uma vez por ano pra Disney, recebendo mesada mesmo depois dos 30, falar que bandido bom é bandido morto e apoiar político corrupto, parente corrupto.

Bandido bom é o que tem a oportunidade de mudar “de vida.” De ser outra coisa. É por isso que esse ano, mesmo não gostando de Carnaval, vou estar feliz da vida em casa, assistindo os flashes e reportagens para ver o MC Beijinho liberar a Bahia, o Brasil e o mundo dessa hipocrisia.

 

 

Frida CostaFrida Costa é redatora publicitária, assessora de imprensa, social media e integrou a equipe do A Tarde Online. Descobridora dos sete mares, vive procurando músicas e artistas “desconhecidos”, documentários e filmes independentes.

De Transs pra Frente celebra 1 ano e debate a Cisgeneridade nesta quarta (7)


De Transs pra frente
Jenny Muller

O Coletivo de Transs pra Frente comemora  um ano do evento De Transs Pra Frente na próxima quarta-feira (7). A 12ª edição fará o seguinte questionamento no debate “Tensionando a Cisgeneridade: “Será que nascemos mesmo homens ou mulheres?

O evento começa às 18h, com a performance “Emoldurada”, da artista Jenny Müller, que usa a musicalidade para retratar as violências sofridas por pessoas trans e travestis. O debate será mediado por Diego Nascimento, ativista do coletivo De Transs Pra Frente e da rede de adolescentes LGBTs da Unicef; e contará com as convidadas Line Pereira, fotógrafa, feminista negra interseccional e pesquisadora em gênero; Fran Demétrio, professora adjunta da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), doutora em Saúde Coletiva pelo ISC/UFBA e coordenadora e pesquisadora do LABTrans/UFRB/CNPq. Terá também Diego Alcântara, integrante do coletivo Casa Monxtra, formada em artes cênicas pela Ufba, drag, figurinista, que encontra nas artes integradas uma forma de unir as linguagens a favor de seu discurso “desgenerado”.

“Então assim, como a gente nomeia transgeneridade pra fazer dela uma marcação, a gente também precisa nomear a cisgeneridade, para não cair no “normal” e no diferente. Compreende, assim, as duas como possibilidades de se vivenciar o gênero” – Diego Nascimento.

De Transs pra Frente
Foto: Andrea Magnoni

 

Diego Nascimento – Homem trans, preto, pansexual, 16 anos e ativista!

Informe-se!

O termo cis ou cisgeneridade surgiu entre os movimentos trans há alguns anos, com o objetivo de destacar que os homens e mulheres ditos “normais” também têm identidade de gênero. Que normas sociais e culturais produzem – por meio das violências – a suposta normalidade dentro da qual mulheres trans, homens trans, travestis e pessoas não binárias não podem existir. Desta maneira, ser homem ou mulher cis significa estar em alinhamento (em diferentes formas e graus) com padrões de gênero socialmente legitimados/respeitados.

 

A noite é aberta para pessoas cis, trans e travestis e segue com o formato de Pague Quanto Puder.

Serviço:

O quê: 1 ano do De Transs Pra Frente, com a mesa Tensionando a Cisgeneridade.

Quando: 7 de junho.

Onde: Teatro Gregório de Mattos.

Quanto: Pague Quanto Puder.

Em oito cidades: Preta, vem de bike!


La Frida Bike

Um projeto feminino de cicloativistas negras que roda a cidade, unindo a bicicleta com inclusão social, igualdade étnica e igualdade de gênero. Assim se define o La Frida Bike que, de Salvador, agora vai ganhar o Brasil, depois de já ter ensinado a arte do pedalar a mais de 100 mulheres.

Com o projeto “Preta, vem de bike!” – no mês de maio – as minas vão levar a mobilidade urbana, além da orla, fazendo-a chegar também nas periferias. Serão aulas de bike para meninas da periferia, fazendo-as ocupar espaços com confiança, segurança e autoestima.

“O Preta, vem de bike!” tem a função de abraçar nós mulheres, trazendo-nos de forma gradativa para o mundo da mobilidade urbana consciente.” 

La Frida Bike

O projeto – que tem o apoio do Banco Itaú e parceira com a Bike Anjo – começa este mês, e estará em oito cidades pelo Brasil: São Paulo-SP, Rio de Janeiro-RJ, Belo Horizonte-MG, Fortaleza- CE, Aracaju-SE, Recife-PE, Florianópolis-SC e Porto Alegre- RS.

Quer ser voluntária neste projeto? Saiba como aqui. 

Além  das aulas, terá também coleta de bikes para restauração ou doação para as meninas que não possuam uma. O projeto que já ensinou mais de 100 mulheres a pedalar tem como objetivo criar  uma rede de mulheres negras que pedalam e melhorar a mobilidade das mulheres da periferia.

O La Frida Bike foi capa da última edição da revista Bicicleta, ganhou Menções Honrosas na Categoria Ação Educativa e de Sensibilização do Prêmio Mobilidade 2017 e o Prêmio Frida Found.



Inscreva-se para as aulas | PRETA, VEM DE BIKE! |

Fotos: Divulgação

As Muquiranas e a representatividade da hipocrisia no Carnaval


as muquiranas
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Tenho um amigo que não perde o carnaval de Salvador. Todo ano, lá está ele, colocando a peruca alugada pela mãe, passando a maquiagem da prima, vestindo a calcinha da irmã, a meia calça e espartilho da namorada. Na rua, não tem um que não ache graça. E apertam os peitos, passam a mão na bunda, beijam na boca, chama de “poderosa”, “maravilhosa”…os mais saidinhos já partem pra o “gostosa”, “delícia”, “eu te engravido, viu?” e “tesuda.”

Claro que esse meu amigo se poca de rir. Afinal, faz parte da “brincadeira” e da fantasia das Muquiranas essa esculhambação. Seria trágico se não fosse cômico. Seria legal se só fosse brincadeira sem graça. Mas não é! Infelizmente (ou felizmente para ele) ele não tem que ouvir piadas machistas, comentários sexistas, não precisa ter medo de sair à rua usando um decote e/ou uma minissaia.

Ele não precisa se preocupar com quem horas vai voltar; se o ônibus “só” tem homem; em levar o copo com a bebida para o banheiro; em conferir se trancou bem a porta; ouvir um monte de pagode mandando abrir as pernas, chamar o bonde pra f**** com ela porque é piriguete, vadia, cachorra porque “dá” pra todo mundo – aliás, que mal há dar pra todo mundo? – ; em ser obrigada a aceitar gente oportuna passando a mão nos seus cabelos, na sua bunda, nos seus peitos e em muitos casos, nas suas partes íntimas por achar que você não está acompanhadx de um homem, te dá direito a isso – e aí de você falar alguma coisa.

É um soco na boca do estômago na certa. Como é sortudo esse meu amigo. Ele nem precisa andar acompanhado de outro homem. Quem ousaria mexer com ele? Ainda mais no alto dos seus 1.82? 

Só em 2016, a Bahia registrou mais de 10 mil casos de violência contra a mulher. Desses dados, 51% correspondem a violência física, 31% a psicológica, 7% a moral, 5% a sexual e outros 5% a cárcere privado, segundo dados da Central de Atendimento à Mulher, o Ligue 100.

LEI antibaixaria
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Mesmo com a lei 12.573/12, conhecida como a Lei Antibaixaria, da deputada Luiza Maia, o que se vê (e escuta) em festas organizadas e/ou patrocinadas pelo governo e a prefeitura é baixaria. Letras que induzem à violência física, o abuso sexual, à violência moral, o racismo, gordofobia, lesbofobia, transfobia e homofobia, além do sexo sem consentimento e sem preservativo. Pesquisa realizada pelo Data Popular de 2015, revela que 67 milhões de mães no Brasil, 31% são solteiras e a maioria é nordestina, negra, indígena, pobre e de baixa ou nenhuma renda.

E por falar em renda….A mulher continua recebendo menos que o homem (Segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento, homens ganham 30% a mais que as mulheres da mesma idade e nível de instrução). A diferença também se encontra em comparação a mulheres brancas e negras. As mulheres negras ganham bem menos.

Findo o Carnaval, vou chamar esse meu amigo para a Marcha das Mulheres que acontece no dia 8 de março, na Praça da Piedade, a partir das 13h e ele vai ver como tem sorte em “ser mulher” apenas uma vez por ano.

 

Frida CostaFrida Costa é redatora publicitária, assessora de imprensa, social media e integrou a equipe do A Tarde Online. Descobridora dos sete mares, vive procurando músicas e artistas “desconhecidos”, documentários e filmes independentes.

Colaboradorxs


O Portal SoteroPreta possui a contribuição de autores em diversas áreas da Cultura Negra. São narrativas de Salvador e outros estados que, de forma permanente, acrescentam seus olhares e percepções das realizações negras no campo da Cultura. Conheça:

 

Luciane Reis

Luciane Reis é publicitaria, idealizadora do MerC’afro e pesquisadora de Afro empreendedorismo, Etno desenvolvimento e negócios inclusivos.

Confira aqui suas contribuições.

pec 55 e negrosÍcaro Jorge, 19 anos, é fundador e conciliador de histórias do Ocupa Preto, blogueiro, youtuber e mobilizador social.

Confira aqui suas contribuições.

Davi NunesDavi Nunes  é mestrando no Programa de Pós-graduação em Estudos de Linguagem- PPGEL na Universidade do Estado da Bahia- UNEB, graduado em Letras Vernáculas pela mesma instituição, é poeta, contista e escritor de livro Infantil.

Confira aqui suas contribuições.

hisan2

Hisan Ferreira é em Produção Cultural pela PRACATUM, criador da Fanpage Meu Crespo.

Confira aqui suas contribuições.
suzana batistaSuzana Santos Batista, Jornalista, jovem negra e feminista, capoeirista.

Confira aqui suas contribuições.

 

coletivo crespas e cacheadasO Coletivo Cacheadas e Crespas de Salvador, com a coluna “Ouriçadas!”, reúne as soteropretas, Sâmara Azevedo, 35 anos, professora de Língua Portuguesa da Rede pública estadual, Fundadora do Coletivo; Fernanda Borges, 38 anos produtora cultural e coordenadora do Armazém Cenográfico do TCA, é Adm do Coletivo; Ana Paula Couto, 34, administradora, moderadora do Coletivo.

Confira aqui suas contribuições.

ricardogonzagakaiala

 

Ricardo Gonzaga é ator e diretor teatral.

Confira aqui suas contribuições.

 

josi acosta

 

Josi Acosta é atriz, professora de teatro e produtora cultural.

Confira aqui suas contribuições.

 

Frida Costa

Frida Costa é redatora publicitária, assessora de imprensa, social media e integrou a equipe do A Tarde Online. Descobridora dos sete mares, vive procurando músicas e artistas “desconhecidos”, documentários e filmes independentes.

Confira aqui suas contribuições.

Salvador recebe Mostra Nacional de Negras Autoras dias 21 e 22 de janeiro


 

Mais de 20 mulheres negras – artistas, compositoras, poetas – estarão reunidas durante dois dias, em Salvador, para a I Palavra Preta – Mostra Nacional de Negras Autoras, produzida pela cantora e compositora soteropolitana Luedji Luna e da poeta/cantautora brasiliense Tatiana Nascimento. A mostra acontecerá na Casa Preta, bairro do Dois de Julho e ingressos serão vendidos a R$5 no local (para cada dia), começando às 16h.

A Mostra Palavra Preta tem como objetivo ser mais um espaço negro de confluência, compartilhamento e visibilização do protagonismo de artistas afrobrasileiras com ênfase na produção cultural poética, musical, performática e plástica. Na ocasião, comidas serão vendidas pelo projeto La Frida e terá também exposição da artista, Annie Gonzaga.

 

 

tatiana nascimento
Tatiana Nascimento Foto: Priscilla Bertolucci

“A primeira Palavra Preta traz pra Salvador a confluência do sonho de muitas que trouxeram, de longe e de antes, nossos passos até aqui: sendo donas da nossa voz, da nossa palavra, do nosso canto e de nossa poesia, alimentamos a nós mesmas, e nutrimos também umas às outras” – Tatiana Nascimento. 

As organizadoras pretendem lançar um olhar crítico ao silenciamento e invisibilização que historicamente tem sido impostos às mulheres negras e seus fazeres culturais. Por meio do encontro, serão postos em diálogo – através das diversas artes – os papeis subalternos, exotizados, e/ou estereotipados associados às mulheres.

Luedji Luna
Luedji Luna – Foto Joice Prado

“Com Palavra Preta materializamos uma recusa frutífera e criativa aos lugares rasos que o racismo, o cissexismo, a lesbofobia, o classismo nos destinam: ao mercado artístico que nos carnavaliza, à mídia corporativa que exibe nosso sangue como troféu, respondemos com nossa própria voz, nossa própria canção, nossa própria poesia” – Tatiana Nascimento.

 

Confira a programação:

 

Dia 21/1 – Sábado

Compositoras:

Alexandra Pessoa

Aline Lobo

Aryani Marciano (SP)

Tatiana Nascimento (DF)

Emillie Lapa

Zinha Franco

 

Poetas:

Cidinha da Silva (MG)

Maiara Silva

Natália Soares

Sol (Dricca Silva)

 

Dia 22/1 – Domingo

Compositoras:

Jadsa Castro

Verona Reis

Luedji Luna

Marília Sodré

Vanessa Melo

A Intêra

 

Poetas:

Lívia Natália

Jamile Santana

Sys Fagundes

 

SERVIÇO

I Palavra Preta – Mostra Nacional de Negras AutorasQuanto:

Onde: Casa Preta (Rua Areal de Cima, 40 – Dois de Julho)

Quanto: R$5/dia

Horário: 16h

 

 

Coletivo de Entidades Negras e Instituto AVON juntos em campanha contra violência de gênero


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Foto: Ruy Barbosa Pinto

A partir desta sexta (25), o Coletivo de Entidades Negras (CEN) inicia, em Salvador e Região Metropolitana, ações pautadas na campanha dos “21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres”, em parceria com Instituto Avon e a Prefeitura de Salvador.

A campanha envolve uma extensa programação que começa com a iluminação especial do maior símbolo de Salvador – o Elevador Lacerda. Desta sexta até dia 10 de dezembro, o Elevador refletirá a cor laranja – em solidariedade à luta pelo enfrentamento a todas as formas de violência sofridas pelas mulheres.

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Tradicionalmente, é de 16 dias, mas este ano, para evidenciar a maior incidência da violência de gênero que vitimiza mulheres negras, a Campanha foi antecipada para o dia 20 de novembro, culminando os 21 dias em 10 de dezembro. As ações que serão realizadas pelo CEN, a partir desta sexta (25), envolvem a sociedade civil, o aparato de segurança pública (Polícia Militar e Sistema Penitenciário), Universidades Públicas e órgãos do Legislativo e do Executivo.

“A mudança começa onde o silêncio termina”

Com este mote, a Campanha busca, nestes 21 dias, ressaltar a “violência invisível”, com o intuito de provocar uma mudança de comportamento, em especial dos homens. É voltada para a violência doméstica, propagada por companheiros, maridos, namorados, pais e demais familiares do sexo masculino, mais próximos das vítimas.

“Muitos homens justificam seus atos violentos contra as mulheres com base no amor, dizem que amam demais, que sentiram ciúmes demais e vários outros motivos, sempre baseados no amor. A imprensa costuma chamar esses casos de “crimes passionais”, como se eles tivessem sido motivados por amor. Mas amor não mata! O que mata é a sensação de poder que o agressor tem sobre a vítima”, diz Iraildes Andrade, coordenadora de Gênero do CEN.

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Conforme dados do Ligue 180, no primeiro semestre de 2016 foram registrados cerca de 68 mil relatos de violências, sendo mais de 86% delas referentes situações previstas na Lei Maria da Penha. Na Bahia, criada em 2015 no âmbito da Polícia Militar da Bahia, a Ronda Maria da Penha – comandada pela Major Denice Santiago – tem atuado no policiamento ostensivo a estas chamadas.

Para sensibilizar os profissionais que atendem estas mulheres, em Delegacias ou ocorrências, o Coletivo de Entidades Negras, em parceria com a Ronda, promoverá formações junto a policiais e comandantes no dia 29 de novembro e 5 de dezembro. “Mulheres sofrem quando tentam fazer uma denúncia, são desanimadas pela atitude de alguns profissionais, então precisamos falar sobre isso”, enfatiza Iraildes.

“Quanto mais invisível for a violência, mais difícil dela ser identificada e mais prejudiciais e profundos são os danos causados por ela. Por isso, não podemos partir da premissa de que apenas apontar o erro já é suficiente para provocar uma mudança de comportamento. Precisamos que as pessoas sejam protagonistas e passem a reconhecer que existe um problema que é de todos nós e só pode ser enfrentado com mudanças de atitude”, afirma Mafoane Odara.

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O gênero no cárcere

As mulheres encarceradas também terão atenção especial ao longo desta Campanha. No Presídio Feminino, em Salvador, o Coletivo de Entidades Negras realizará, dia 28, uma “Oficina de Estética”. Na ocasião, serão ofertadas aulas de auto maquiagem – com produtos da AVON -, cuidados com os cabelos, além de conversa sobre violência de gênero.

“Fomentar estas discussões junto às mulheres do sistema penitenciário é trazer à baila uma discussão ainda incipiente e que precisa acontecer para que o chamado empoderamento feminino possa fortalecer as mulheres. É fazê-las, a cada dia, mais autônomas e capazes de refutar todas as formas de violência”, enfatiza Andréa Mércia, coordenadora geral da  Central de Apoio e Acompanhamento às Penas e Medidas Alternativas (CEAPA).

mulher encarcerada
Foto: Charles Guerra / Agencia RBS

O debate continuará no dia 5/12, com a Roda de diálogos sobre Racismo e Gênero, na sede a OAB, em Salvador, onde 25 mulheres que cumprem pena alternativa estarão presentes. Já em Lauro de Freitas – Região Metropolitana de Salvador -, no dia 7 de dezembro, o diálogo chegará à juventude.

“Temos percebido discursos e comportamentos por parte de jovens daquela região, que reproduzem violências de gênero, então precisamos também conversar com eles de forma mais direta”, aponta Iraildes, que coordena toda a programação que o Coletivo realiza neste período.

Ao longo dos 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres também serão realizadas diversas intervenções na cidade: a cor laranja estará nas gordinhas de Ondina, na Reitoria da UFBA, na Estação da Lapa, na Fábrica da AVON – em Simões Filho -, e na Caminhada do Samba, em Salvador, neste final de semana (27/11). No Shopping Barra, uma ação fotográfica reúne 42 personalidades, incluindo artistas, que aderiram à Campanha. O Portal SoteroPreta fará matérias especiais sobre a programação.

Confira aqui algumas das peças já criadas pelo Instituto AVON que podem ser compartilhadas nas redes sociais, com a hashtag #vamosconversar.

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MAFRO e Você trouxe história de vida de Luiz Bokanha


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Durante o mês da Consciência Negra, o Museu Afro-Brasileiro da Universidade Federal da Bahia realiza a 5º edição do programa O MAFRO e você. O projeto foi idealizado por Marcos Rodrigues, integrante do Museu, que propôs, com esse evento, dar visibilidade a protagonistas negros que se destacam nos mais variados seguimentos – sejam eles artísticos ou não.

O MAFRO e você 2016 acontece desde o inicio do mês, todas as quartas-feiras de novembro com temáticas que dão voz e vez aos personagens negros. Na última quarta (16) foi a vez de Luiz Bokanha falar sobre sua trajetória como bailarino e coreógrafo.

Projetos como esses são muito importantes e devem ser multiplicados. Tem muita história de vida de negros talentosos que precisa ser conhecida. Criar projetos como esses serve como um espaço onde o negro pode relatar suas experiências, contar sua história. A cultura só funciona quando espaços como esses exitem” – Marcos Rodrigues

A trajetória de vida de Bokanha é sofrida e muito parecida com a de muitos negros que moram em bairros periféricos de cidades como Salvador. Oriundo do Nordeste de Amaralina, Bokanha sempre quis fugir dos destinos violentos e curtos que seus amigos de infância tiveram. Foi através da percussão e, em seguida, com o balé que ele conseguiu fugir desta realidade existente em bairros como o Nordeste.

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Depois de ter iniciado o balé na escola do SESC e passar pelo Balé Brasileiro da Bahia, viajou para o Rio de Janeiro e São Paulo, cidade que não conhecia quase ninguém. Apostou na Capoeira para conseguir dinheiro e ligar para sua mãe e dizer que estava bem. Mas a sua vida mudou a partir da audição do Balé Municipal de São Paulo. Uma vez dentro, conheceu o mundo através do balé, foi a países como Polônia, Suíça e, por 20 anos, foi diretor da Casa de Show Maracanã, em Firenze na Itália.

Depois de muita luta Luiz se recorda de tudo que passou e sabe que valeu a pena tanto esforço, tanta dedicação. Hoje ele é reconhecido internacionalmente devido a sua carreira como bailarino . A lição que Bocanha tem para seus alunos e todos que vivem do balé é “não desista, insista e persista em seu sonho”.

Saiba mais da programação do MAfro e Você 2016. 

Fotos: Suzana Batista

#SoteroRelato – Analú Ribeiro, a intolerância religiosa e de cor


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Analú Ribeiro

Todos os anos fico afoita para ver o tema da redação do ENEM e, nesse ano, estava como chefe de sala. Só depois de coletar os dados biométricos dos participantes pude dar uma olhadinha no tema da temida dissertação argumentativa. Olhei e sorri. Explicarei o porquê.

Sou católica desde sempre, mas nunca tolerei a intolerância vivida por nenhuma religião. Nós (católicos) passamos por maus bucados nos tempos antigos, e ainda hoje, em locais de guerra, onde nossa fé precisa ser cultuada nos “porões”. Mas, muito além de tudo isso, o povo de santo vive uma intolerância que perpassa tempos e gerações, e nenhuma outra crença é tão sofrida quanto essa.

Ontem, diante da efervescência que foi esse tema, muitos católicos se mostraram indignados pelo fato de – ao falar intolerância religiosa  -automaticamente esse tema ser relacionado ao Candomblé. E, sim, não tem como ser diferente. Além de todos estigmas, o povo de santo também, em sua maioria, é preto!

Penso que toda essa discussão vai muito além do culto a um Deus, aos santos ou aos orixás. Ela também é política e racial. Enquanto se tem um racismo enraizado em nosso país e um preconceito latente em todas esferas, a intolerância religiosa ainda será constante em nosso meio.

*Analú Ribeiro é estudante de jornalismo da Faculdade de Comunicação da UFBA.

 

O Espaço #OpiniãoPreta valoriza seu relato, vivência, sua opinião.

Participe com Artigos, Relatos sobre algum aspecto da Cultura Negra. 

Envie sua sugestão para [email protected]

O Poder da Minha Cor começa este sábado (5) e segue todo mês


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Maíra Vilas Boas

Durante todos os sábados do mês de novembro, o Espaço Cultural Casa 14 – Pelourinho promoverá o evento “O Poder da Minha Cor”, um encontro multilinguístico de manifestações artísticas pela valorização da Cultura Negra. Começa este sábado (5), às 17h.

O evento reunirá artistas e bandas locais como Som de Crioulas, Banda Lama e Dj Elton Santos além dos grupos e membros de movimentos culturais que lutam pela representatividade e empoderamento negro, especialmente os jovens, como o Grupo Desabafo Social e a Marcha do Empoderamento Crespo de Salvador, e contará também com a presença da editora chefe do Portal SoteroPreta, Jamile Menezes e da Superintendente de Políticas para Mulheres, Mônica Kalile, que abordará sobre: violência contra mulher x direitos humanos, entre outros temas atuais voltados para a mulher.

No dia 05 de novembro às 17h, primeiro dia do evento, será marcado pelo lançamento da Exposição Coletiva de três jovens estudantes, que abordará a temática do negro na sociedade atual, além do som do Dj Elton Santos da Festa Afro Rave, que fará um esquente do seu evento que acontecerá no mesmo dia.

O projeto O Poder da Minha Cor é uma iniciativa colaborativa mas que tem sua idealização pela produtora cultural Cris Rodrigues e a designer e artesã Maíra Vilas Boas. A realização é do Espaço Cultural Casa 14 – Pelourinho.

Os ingressos serão cobrados apenas para os shows, que começam a partir das 19h e custam R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia), os acessos podem ser adquiridos no local, a partir das 17h.

PROGRAMAÇÃO

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Cris Rodrigues

DIA 05/11

17h – Conversas Empoderocriativas com a Superintendente Mônica Kalile (SMP – Superintendência de Políticas para Mulheres de Salvador), Nadja Santos, membro da Marcha do Empoderamento Crespo de Salvador, e Jamile Menezes, autora do Portal SoteroPreta.

19h – Show da Banda Lama 20h – Dj Elton Santos e a Festa Afro Rave

20h40 – Show da Banda Som Crioulas e Convidados

DIA 12/11

17h – Conversas Empoderocriativas com Grassyela Nobre (Campanha Jovem Negro Vivo), e poesias em rimas com o grupo Militância Poética.

19h – Show da Banda Lama 20h – Dj Elton Santos e a Festa Afro Rave

20h40 – Show da Banda Som Crioulas e Convidados

DIA 19/11

17h – Conversas Empoderocriativas com Lívia Soares, Jamile e Maylu Isabel (Projeto La Frida – Bike Café Poético), e com o grupo Desabafo Social.

19h – Show da Banda Lama 20h – Dj Elton Santos e a Festa Afro Rave

20h40 – Show da Banda Som Crioulas e Convidados

DIA 26/11

17h – Conversas Empoderocriativas com o grupo Ágape (Sarau da Onça) e o Rapper Preto Joy.

19h – Show da Banda Lama 20h – Dj Elton Santos e a Festa Afro Rave

20h40 – Show da Banda Som Crioulas e Convidados