#PoesiaSoteropreta – Andrei Williams, o poeta incubado do Rede ao Redor! – Por Valdeck Almeida


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Andrei Williams Santos Rocha, ou Andrei Williams, é um jovem poeta negro de 21 anos que vive na cidade de Salvador. Cursa o Bacharelado Interdisciplinar em Humanidades na UFBA, onde conheceu e entrou no grupo de pesquisa e extensão Rede ao Redor, que considera fundamental para a sua formação.

A escrita de poesia começou aos 16-17 anos e hoje, aos 21, já tem uns cinco anos de exercício. No início não tinha um bom ritmo e os temas se limitavam ao amor e abandono. Após o Rede ao Redor e as visitas aos saraus da cidade, “o que prevalece é a questão racial, mergulhando no racismo, na desigualdade e na violência policial”, ressalta Andei Williams.

Mas seus versos continuam dando o tom na métrica, na forma, nas rimas. São versos rebeldes: “tento impor uma métrica nos versos, entretanto, na maioria das vezes, eles preferem romper com essa forma. A meu ver, a métrica consegue dar ritmo à poesia e isso envolve o ouvinte/leitor além do próprio conteúdo. Mas ando falhando nisso (risos)”. 

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O nome artístico surgiu numa apresentação de poetas, em que este colunista do Portal SoteroPreta – e também participante do grupo de pesquisas no Rede ao Redor-IHAC-UFBA -, lhe apresentou, e Andrei reagiu com o bom humor que lhe é peculiar: “Valdeck me anunciou outro dia como “Andrei Williams, o poeta incubado do Rede ao Redor (kkkk) e, como uso muito pouco as redes sociais para postar poemas e não os tenho divulgados em outras plataformas, acho que sou um poeta incubado mesmo”, brinca Williams.

Poesia pra Andrei é coisa séria e deve ser pautada na reflexão acerca das transformações necessárias na nossa sociedade, para que alcancemos um estado de coisa de valoração da dignidade humana.

“Poesia é intimidade e ferramenta para quebrar barreiras: através dela busco tocar o campo mais íntimo das pessoas, me conectar a elas. Atualmente as pessoas, ou por segurança, ou por medo, ou por qualquer outra coisa, acabam isolando seus espíritos para com as outras e também para a realidade, como se envolvessem de várias camadas, igual uma cebola. A poesia tem essa potência de transpassar as camadas e se conectar com os espíritos”.

Sobre a relação da poesia com família “eu nunca havia pensado e estou reflexivo agora. Mas, caso se pense família como uma relação íntima e forte entre seres, então, talvez, quando se está diante de uma poesia e seu espírito está todo voltado para ela, nesse momento pode haver um nível de relação suficiente a ponto de se falar em família”.

Ainda segundo o poeta Andrei, cada poesia pode querer alguma coisa. Algumas podem incentivar, outras podem alertar, outras podem pedir socorro; já outras podem criticar, denunciar, chorar, se expressar, mas sempre em conexão com o que há de mais íntimo de cada pessoa. A relação muda quando entra a intervenção do poeta: “então, eu pretendo com a poesia construir essa relação íntima com as pessoas quando recito, mas também desabafar e organizar no papel os sentimentos que eu trago comigo”.

O poeta e o cidadão estão juntos na luta por afirmação e por conquista de poder. E o ingresso no BI da UFBA foi apenas o primeiro passo no mundo acadêmico. A curto prazo ele pretende ingressar no curso de Direito da UFBA. Já a médio e longo prazo ele busca alcançar postos de poder dentro do cenário baiano. “Quanto mais pretos no poder, melhor será a nossa realidade frente a esse sistema esdrúxulo”, decreta. 

Fotos Divulgação

Preto no Poder

Veja a minha indignação

De quem está eternamente na mira do seu Estado de Exceção

Olha porra! Veja o ódio, mas também veja a paixão

De quem está disposto a dar a vida pra matar esse seu sistema de opressão

E não, não olhe pra lá

As correntes vão cair e sua hora vai chegar

E, caralho, como vai ser difícil de quitar

Se a cada segundo uma gota de sangue negro corre a me atormentar

Porque foi o seu racismo que fez a nossa desigualdade

Mas não dá mais para viver essa sina covarde

De todo dia ter que provar a porra da minha humanidade

De estupro e violência a miscigenação se fez

Quem sabe um dia toda essa maldade volte procês

Porque meu corpo do crime já é freguês

Vida espancada, arma na cara, hoje pode ser a minha vez

E quem foi que disse que eu sou o ladrão?

Esquivando do seu chicote eu busco todo dia a minha redenção

Mas eu vou dar um papo, apesar de ser censurado

Que tem várias famílias na Vitória que fizeram fortuna traficando escravo

E isso parceiro… não vai passar

Vamos tomar de assalto sua fortuna secular

Mas, calma, branco!

Não deixe que seu racismo venha te iludir

Porque meus punhos contra você… eu não vou dirigir

Você vai presenciar mais um feito da geração tombamento

Pra fazer burguês chorar em canto de lamento

Na cidade fora da África mais preta

Que nunca viu um prefeito, preto, eleito

Vamos invadir todos os espaços e exigir o seu respeito

Se é verdade que uns preferem morrer a ver o preto vencer

Então amarra a corda e se joga

Porque nós vamos tomar todos os postos de PODER!!!

Andrei Williams

Valdeck Almeida

Por Valdeck Almeida de Jesus para o espaço “Poesia Soteropreta”, que vai evidenciar, divulgar e fortalecer a Poesia Preta, Periférica e de Resistência do cenário literário de Salvador. Confira aqui outros textos desta coluna. 

#PoesiaSoteropreta – A transcendente poesia de CR Moska! – Por Valdeck Almeida


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CR Moska escreve desde o início da década de 90, quando começou misturando temas sociais com existenciais mas, hoje, diz: “cada vez mais amplio e agrego novas possibilidades poéticas sem perder as abordagens anteriores”.

O poeta foi o criador do extinto grupo poético musical “Prazer Atômico”, que fez dezenas de apresentações em recitais poéticos. Através deste coletivo, ele publicou seu primeiro zine poético literário em 1997, homônimo. Desde então participa, organiza e colabora com recitais poéticos do universo poético/literário soteropolitano.

Em 2009, iniciou mais um projeto poético intitulado “Páginas de Concreto”, que levou às ruas de Salvador pequenos poemas, no estilo haikai, com objetivo de estabelecer uma relação direta com as pessoas no ambiente urbano. Também participou do projeto “Poesia em Trânsito” como poeta, fotógrafo e vídeomaker. Atualmente, trabalha na finalização como diretor e editor do DVD “Poesia em Trânsito”. Em 2015, CR Moska recebeu o  prêmio de melhor vídeo-poema com o trabalho “Aqui Começam Minhas Palavras”, no Festival FENAPO 2015.

Em 2010, começou a produzir, dirigir e atuar em vídeos-poemas que estão disponíveis na internet. Possui um blog que agrega toda a diversidade das suas criações, como poemas, foto-poema, música, poesia e vídeo-poema.

Mesmo com uma atuação diversificada na cena artística de Salvador, CR Moska considera a poesia, “antes de tudo, para mim, uma forma de transcendência, ou seja, eu a uso como uma forma de desabafo, conforto, de prazer, de brincar com as palavras, de reagir e protestar contra as coisas que incomodam, frustram…”

A poesia é algo indefinível para CR Moska: “Nunca soube bem definir o que é poesia, mas fiquei satisfeito com alguém – que já não recordo quem -, que a definiu como uma forma de resumir tudo…”.

CR Moska deixa bem claro sua maneira de poetizar: “Eu nunca fui um poeta metódico, nunca medi ou pensei a poesia como algo que se pode meticulosamente planejar, ter métrica, versos rígidos, sentido combinado ou qualquer interpretação confabulada; portanto, não uso recurso, escrevo de forma intuitiva e sem nenhuma pretensão de sofisticação literária, tampouco domino a gramática…”

Mas é consciente do papel deste gênero literário em sua vida. Segundo Moska, a poesia está em todas as áreas de sua vida e, materialmente, não o levou a lugar algum, mas o cercou de amigos, cúmplices e companheiros das palavras. “Me tirou a solidão, as dores do mundo, os infortúnios e as coisas que transcendo quando escrevo…”, confessa.

Um Pequeno Saldo Positivo na Bolsa de Valores Emocional

O mundo se move com cifras milionárias.
Quantias e números que fazem brilhar.
Os olhos frios da opulência.
E os que fazem de sua conta bancária.
Uma forte razão para existir.

Eu com meus pequenos pormenores sentimentais.
Com uma insignificante quantia de moedas no bolso.
Sou obrigado a aprender tirar “leite de pedra”.

Foi um dia tão monótono e desastroso.
Faltavam flores e algo que me resgatasse.
Daquela sensação impiedosa de derrota.
Mas o destino não é tão desumano, cruel e avarento.
Às vezes, em meio a tantos infortúnios significativos, ele me presenteia.
Com pequenos e sutis gestos de misericórdia sentimental.
E me favorece na bolsa de valores emocional.
Com um ridículo e positivo saldo de alegria.

Eu preciso de pouco.
Ou quase nada material para viver sossegado no meu canto.
Conformo-me com uma aparição repentina.
De alguém especial e cativante…
E não há nada mais relevante e gratificante.
Que ganhar de bom grado um largo sorriso sincero…
Para ter alegria, alegria, alegria.

CR Moska

#PoesiaSoteropreta – Milica San: Filha da poesia e da filosofia! – Por Valdeck Almeida


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Jamili Soares (Milica San) escreve desde os 11 ou 12, “pequenas coisas nos diários, coisas que realmente aconteciam. Começaram a mudar quando passei das ‘coisas que realmente aconteciam’, para ‘coisas que realmente poderiam ter acontecido”, fantasias, o Mundo de criança, um mundo de Possibilidades”.

Aos 15 anos Milica meteu a ideia na cabeça de escrever um romance, cujo título era “E a Vida Real?”. Saiu dos sonhos, das utopias e das inocências infantis: “Tudo o que estava escrito nele não se parecia em nada com o que conhecemos sobre o assunto”, deixa escapar.

E a evolução continuou: vieram os estudos em Filosofia; A vida, a obra, as ideias dos grandes filósofos e uma paixão por Conhecer, fervendo dentro da poetisa. “O contato com a Filosofia fizeram as coisas se arrumarem; Permitiu a síntese entre realidade e fantasia”, divulga Milica San.

A temática é variada e a inspiração vem do que Milica San consegue ver de olhos fechados: O caos. A fuga do caos. Drogas, sexo, amor e Rock n’ Roll. O porre de todos eles juntos. A saudade e a morte. O outro. E ela dá uma dica: “Escrever sobre o Outro na perspectiva de meu semelhante, é pensar em mim como uma grande vilã, ao culpar O Outro pela dor da vez”.

A poesia de Milica San não foi feita para ferir ninguém, como ela mesma diz. “faço-a para curar. A mim mesma. Tenho um cuidado muito grande com isso”. E sua poesia é uma miríade de aconchegos, é moradia, é motivo para ser bruxa, flor, Deus, ou o nada absoluto. Mas ela não se limita aos poemas. Passeia pelo mundo da música, criando, cantando, misturando, aprendendo instrumentos, fazendo uns barulhos, tudo na tentativa de se encontrar nos olhos do outro. E, nesse jogo, ela se vê nos olhos dos amigos, irmãos reais ou fantásticos.

Seus textos podem ser lidos no Facebook na página “Os Vinhos deste Mundo”, além de alguns livretos, pequenas doses de suas poesias para as ruas. Tem, ainda, “A Angústia da Página em Branco”, publicado pela Antologia Galinha Pulando e mais textos publicados na Revista Òmnira.

 


O último Outono durou mais que o possível.
Está durando, sem previsão de fim.
Estou amando,
aceitando, sem dizer “sim”.
Entregando a parte de mim
que também é tua.
Preferindo morar em Ti
quando posso escolher qualquer lugar de rua.
O primeiro Outono está durando.
A primeira noite em que brincamos
entre risos…
Primeiros e últimos sons
deste amor que nasce, cresce,
reproduz e move.
Reajo muda, quieta,
miúda, imóvel.
Aceito sem dizer “sim”
Sem forças pra te negar
mesmo num balançar de cabeça.
Esqueça! Acho que há algo errado em minha autodefesa.
Deve ser o tempo,
e a tempos desejei fraqueza.
Precisar de um cuidado especial,
como o das crianças.
É que ser forte demais,
às vezes cansa.
O último Outono durou mais que o possível.
Está durando.
Você promete me dar de lembrança
qualquer coisa com o seu cheiro,
qualquer coisa com o seu jeito
se por descuido permitirmos a chegada do inverno?
Que inferno!
Não quero nem pensar nisso…
Eu Renasci no Outono

Milica San

#PoesiaSoteropreta – Lidiane Ferreira: poesias desenhadas na imaginação! – Por Valdeck Almeida


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Lidiane do Espírito Santo Ferreira de Jesus, ou Lidiane Ferreira, não escolheu escrever sobre a temática negra. A Literatura que lhe escolheu, inclusive a forma, o gênero e o assunto, fruto, inclusive, das discussões que seus textos suscitavam. Desde sempre! A infância lhe traz lembranças dos diários cheios de ficção e dos desenhos “com vida”, fruto de muita imaginação.

O lugar de mulher negra é a vertente de sua produção atual, fruto de seu ingresso na Universidade Federal da Bahia – UFBA, e, consequentemente, depois do contato com as literaturas afro-brasileiras e africanas de língua portuguesa; e, em especial, com a sua construção identitária. Segundo Lidiane Ferreira, sua escrita foi, por muito tempo, “uma rota de fuga do racismo. Hoje, ela é o símbolo da minha luta contra o racismo, o machismo, o sexismo, dentre outros fatores discriminatórios de nossa sociedade. A minha escrita resiste a tudo isso, mas também serve de seta, apontando novos caminhos”.

Esta sua descoberta e militância literária, entretanto, não afloraram tão facilmente. Para Lidiane, “O racismo fez com que, por muito tempo, eu escondesse a minha escrita. Faz cerca de dois anos que eu os divulgo. Tenho poemas publicados na Antologia Poética do Servidor Público Estadual (2015) e no livro Enegrescência Coletânea Poética, publicado pela Editora Ogum’s Toques Negros (2016)”.

Lidiane se considera uma poetisa que escreve a partir do silêncio, do isolamento. Além de poemas, escreve contos e tem um romance em construção, e se declara amante de teatro, com planos de fazer um curso, mesmo que amador. Com temática diversificada, o que escrevia durante a infância era o cotidiano e o universo familiar. “Lembro que eu utilizava muito as características da minha irmã mais velha, Paloma, nos personagens.

Durante a adolescência, consigo perceber os reflexos do racismo em minha escrita, pois a maioria dos poemas continha temas como a morte, a solidão e a perda”. Com a entrada na Steve Biko, a inspiração se redirecionou. “O meu ingresso no Instituto Cultural Steve Biko não apenas me preparou para o vestibular, mas para a superação e o enfrentamento ao racismo. A Biko pôde me mostrar que há outras possibilidades para uma mulher negra e pobre como eu”.

Lidiane Ferreira sempre usou a Literatura como refúgio, não para se esconder, mas para explorar e expor tudo o que lhe consome, intriga, incomoda. Ela versa sobre o lugar da mulher negra na sociedade, sobretudo no que tange às várias sexualidades. Para além de aconchego, ela se utiliza da produção artística como arma, intencionalmente, como ato político, para retratar as vivências do povo negro mas, principalmente, para influenciar mudança social.

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Isso resultou no coletivo Enegrescência, criado com amigos, cuja busca é apresentar e divulgar as literaturas afro-brasileiras e africanas, de forma não hierarquizada. Lidiane acredita que “a literatura é um fator relevante para a mudança social”. Fruto deste trabalho em conjunto, nasceu uma coletânea poética, da qual Lidiane Ferreira participa, também, como escritora.

A poetisa Lidiane Ferreira se auto define: mulher negra, bikuda do ano de 2010, periférica, feminista, graduada em Letras Vernáculas, e pós-graduanda em Educação em Gênero e Direitos Humanos, ambos pela Universidade Federal da Bahia – UFBA; uma jovem escritora de literatura preta.

 

 

 

 

 

Desenlace

No emaranhado dos fios o tempo,

pentes desembaraçam nós.

E eu rio

escorrendo maçãs

abaixo

Estiagem: trinco nunca mais aberto.

Valdeck Almeida

Por Valdeck Almeida de Jesus para o espaço “Poesia Soteropreta”, que vai evidenciar, divulgar e fortalecer a Poesia Preta, Periférica e de Resistência do cenário literário de Salvador. Confira aqui outros textos desta coluna. 

#PoesiaSoteroPreta – Yuretta e sua Trans-Poesia! – Valdeck Almeida


Yuretta Santanna

No começo, jogos de RPG online foram inspirações, pois era necessário narrar, em forma de contos, coletivamente e online, histórias e ações de personagens. Isso foi em 2005. O gosto pela escrita veio daí e Yuretta deu início a seus próprios romances e fanfictions, depois contos, crônicas e, por fim, poemas, que lhe fascinaram e lhe conquistaram por inteira. Num outro universo paralelo, compunha letras de música.

Atualmente a temática que prevalece são provocações de gênero e sexualidade, e a poesia é a ferramenta pela qual a trans-poetisa dá voz às coisas que não conseguiria dizer de outra forma senão pela poesia!

Para Yuretta, poesia é “pulsão de vida. É beleza. É fôlego. E também seus avessos. É intenção. Aquilo que nos move, nos ostraciona, nos provoca e nos afeta. É a mensagem transmitida de maneira sensível. Ou, ainda, o sensível transmitido através de mensagens”, declama, lindamente!

Com estilo transgressor, Yuretta diz que, em seus textos, “o uso de alguns recursos linguísticos não são intencionais nem com a pretensão de enquadrar obras em determinados modelos por considerá-los superiores a outros menos criteriosos”.

Mas a poetiza investe em burilar suas criações, e diz que “abusa de figuras de linguagem como aliteração, metáfora, prosopopeia” e completa, já pensando como musicista: “metrifico alguns poemas, especialmente na forma de soneto, minha paixão. Gosto de valorizar o ritmo e a musicalidade do texto, acho que são as palavras chaves de uma boa poesia”.

Como a música e a poesia são indissociáveis para esta menina sapeca, ela se expressa também através do canto, da performance e, com menos frequência, dança e teatro. Transita pelas artes.

Suas músicas-poemas rimam com família sempre, pois “família é sinônimo de amor e respeito. Família é o sentimento de pertencimento a um núcleo de afeto e também o grupo unido por esse sentimento. Que poesia maior poderíamos ter?”, questiona Yuretta.

Se você quiser conferir mais das criações poéticas de Yuretta, procure a página Vale dos Alfarrábios, no Facebook, onde tem poemas publicados do livreto do Coletivo Atuar, da revista eletrônica do CEPA e de antologias poéticas como Várvara e Liberdade. Vai lá!

Yuretta Sant’Anna é cantora, compositora e poetisa transgênera. Baiana, natural de Salvador, apaixonada pela transdisciplinaridade, aborda em seu trabalho artístico a generificação dos corpos e suas performatividades. Graduanda em Artes pela Universidade Federal da Bahia, é ativista dos estudos de gênero e diversidade, área de concentração de suas pesquisas e produções.

 

Transfiguração

Se me percebo, me questiono.
Se me questiono, me perco.
Se me perco, me acho.
Se me acho, me toco.
Se me toco, me percebo.
E tudo recomeça.
E tudo é vã conversa.
Ou vil engano,
ou grã acerto,
mas sempre um firme acordo
de fins e recomeços,
onde cada tempo é O Tempo
e todo T maiúsculo é uno,
verdadeiro,
dispensando a obrigação
de servir ao lado A
ou ao lado B
pois no alfabeto do ser
nasceu entre o fim e o meio,
no seio do início de um anseio
marcado por
trans
figura
ação.

Yuretta

 

Por Valdeck Almeida de Jesus para o espaço “Poesia Soteropreta”, que vai evidenciar, divulgar e fortalecer a Poesia Preta, Periférica e de Resistência do cenário literário de Salvador.

 

#Paremdenosmatar é Letramento Racial em crônicas! – Por Valdeck Almeida


parem-de-nos-matar cidinha da silva

O livro #Paremdenosmatar, de Cidinha da Silva, composto de crônicas publicadas antes em sites e blogs na internet, chama a atenção por vários aspectos. Dentre eles, a alta qualidade editorial (papel, fontes, coloridos) e o esmero, na leve e cuidadosa linguagem da escrita e na promoção da humanidade das pessoas negras.

Tudo isso, apesar de tratar de temas áridos como as mortes simbólica e cultural, massacres, extermínios, genocídio do povo negro, homofobia, apagamentos e invisibilizações de negros e negras, crimes bárbaros, racismo institucional, racismo velado, intolerância religiosa, violência policial, violência de gênero, negação da condição humana para negros e negras, etc. Para além do registro humanizado, é ferramenta de insubmissão e incentiva a autoestima, memórias, estética, beleza, histórias, humanidades, religiosidades, cultura.

O título, na primeira pessoa do plural, já nos inclui e chama para o coletivo (ninguém nasce só, vive só, morre só): o grito uníssono, o afetivo, o convívio comunitário, familiar, o desespero dos que morrem e dos que podem estar na fila. Evoca um chamado por socorro, para que cada um/a de nós atente para o perigo real e iminente que acomete negros e negras todos os dias. Principalmente jovens das periferias de todo o Brasil.

Denuncia chacinas orquestradas pelo racismo institucionalizado, sofisticado, engendrado e enraizado nesse país desde sua fundação, em que negros e negras são subjugados, subalternizados e mortos. O mesmo racismo mantido até hoje, disfarçado, mascarado de democracia racial – propalado, inclusive, por redes nacionais de mídia, como a Rede Globo -, que exclui e elimina, nega direitos, encarcera e aniquila.

O mesmo racismo que sonega informações, direitos inalienáveis como o direito à vida; o mesmo racismo exercido pelo Estado, através do seu braço armado, a Polícia, que acusa, julga e executa com “balas perdidas”, sob a justificativa do “Auto de Resistência”, sem direito a apelação, muitas vezes sem direito a um funeral digno. O mesmíssimo racismo genocida do povo negro, cujos corpos são numerados para estatística e dos quais se retira a alma.

parem de nos matar
Banco de Imagens

São enterrados como indigentes, em valas comuns, ou desovados em pontos bem conhecidos de todos; o mesmo racismo midiático que sequer cita nome e sobrenome dos assassinados e que serve carne negra em banquetes macabros na hora do almoço, em que pseudojornalistas justiceiros são coniventes com o linchamento de corpos e subjetividades e com essa barbárie, equivalente à queda de um grande avião por dia.

#Paremdenosmatar sangra em cada parágrafo, rememora o massacre de Ruanda (1994), o genocídio e crimes sexuais praticados pelo Boko Haram, na Nigéria (2014/15), que causam menos comoção que um atentado a um jornal satírico em Paris. O massacre dos treze rapazes do Cabula, em Salvador, em 2015.

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Banco de Imagens

#Paremdenosmatar faz a denúncia da morte física, mas também a espiritual e das subjetividades, da morte em vida, dos choros engolidos, do medo de depor e ser o/a próximo/a da lista. Escancara os crimes de ódio, que destroem e invadem casebres, ofendem em redes sociais ou em bancadas de jornais em rede nacional – caso Maju: Maria Júlia Coutinho. Humilham em estádio de futebol – Mário Lúcio Duarte Costa, o goleiro Aranha.

Mas o livro é também a resistência, trincheira e porta-voz de mães/pais, filhos/as, irmãos/ãs, amigos/as desses jovens mortos a cada dia. Nas crônicas, linhas e entrelinhas, a dignidade do ser humano é resgatada, não cai no esquecimento. As mortes não são contadas como meros números, muito menos comparadas às partidas de futebol, nem coisificadas. A beleza do livro é demostrar a luta contra toda sorte de preconceitos: racial, de classe, de gênero, religioso. Nos chama à responsabilidade, através da literatura de Cidinha da Silva. Denunciemos os criminosos, façamos justiça a cada gota de sangue, a cada agressão. E matemos o racismo!

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Reprodução facebook

Texto produzido, especialmente, para o Portal SoteroPreta.

Valdeck Almeida de Jesus é jornalista, escritor, ativista cultural, poeta e blogueiro.

V edição do Sarau Fábrica de Rimas terá serviços de saúde, rap, dj e break na Estrada Velha do Aeroporto!


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Divulgação
O Sarau Fábrica de Rimas chega à sua 5ª edição no próximo dia 24 de novembro (sábado).  Com entrada gratuita, o evento reúne música, dança, grafite, poesia, feira de empreendedores independente e oficinas.
A novidade desta edição é a feira de saúde, que conta com o apoio do projeto Viva Melhor Sabendo Jovem Salvador, que ofertará ao público teste rápido por fluído oral para HIV, além de orientação sobre a importância da prevenção, informações sobre saúde bucal e aplicação de flúor.
O sarau terá como tema “Hip hop na quebrada, onde tudo começou”. Segundo o grafiteiro e um dos fundadores do coletivo Fábrica de Rimas, Josemar Nascimento, “a representação dos valores históricos e resistência da cultura negra foram os principais fatores para a escolha”. “Quase todos os movimentos culturais e sociais nascem dentro do subúrbio, periferias, guetos e quebrada. Foi assim com o hip hop”, completa. 

Atrações

O grupo Contenção 33 estará no evento com seu EP Vida do Avesso, lançado no final de outubro. A sonoridade percussiva e dançante do rapper Mr. Armeng também estará presente, além de Mana Bella. Será partir das 9h, na Praça do Loteamento Vila Mar, na região da Estrada Velha do Aeroporto.
 
O grupo andaraiense Os Diamantina, que vem se destacando no interior da Bahia, e as revelações da Fábrica de Rimas, Latro e Smurf, se juntam ao time. Haverá apresentação também de MC Ramon, RBF, ODU, Vírus, Estilo Livre, Castele, Jamvibes, Robert Jack e Errejota. A dança fica por conta de Ananias Break e B-boy Tom, além da discotecagem de Dj Bandido. O recital de poesia traz Marina Lima, Deise Fatuna, Valdeck Almeida de Jesus e a Cia Piccola de Teatro Icbie.

Histórico

A Fábrica de Rimas foi criada pelos artistas Welber Santiago e Josemar Oliveira, em 2013, com o intuito de fomentar, incentivar e empoderar a juventude negra, através da cultura hip hop, além de descentralizar as atuações e mobilizações artísticas da cidade.
Serviço
O quê: Sarau Fábrica de Rimas
Quando: 24 de novembro (sábado), às 9h.
Onde: Praça do Loteamento Vila Mar – Estrada Velha do Aeroporto.
Quanto: Entrada Gratuita

IV Balada Literária da Bahia homenageia Lazzo Matumbi com programação diversa!


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A Balada Literária da Bahia chega à quarta edição, entre os dias 14 e 17 de novembro, celebrando a força dos encontros artísticos e o poder político e transgressor da arte. Realizada uma semana antes da edição paulista do evento – que está no 13º ano – a versão baiana elege como seu principal homenageado o cantor e compositor Lazzo Matumbi, mas também celebra as obras do cantor Itamar Assumpção e da escritora Alice Ruiz, os homenageados nacionais.

Nos quatro dias, a Balada baiana oferece uma programação que combina saraus, bate-papos, oficina, lançamentos e performances artísticas. Entre os destaques desta edição estão as presenças das cantoras Anelis Assumpção, Alzira E, da escritora Alice Ruiz e de Carlos Verçosa, escritor e pesquisador parceiro de Itamar Assumpção na juventude; o lançamento em Salvador de Bagageiro, novo livro do escritor Marcelino Freire; a presença do autor moçambicano Ungulani Ba Ka Khosa, pela primeira vez na Bahia; uma conversa musical com Lazzo; a edição especial do Sarau Bem Black; e uma conversa-oficina sobre produção literária em tempos digitais, que contará com a participação de Talita Taliberti, gerente de autopublicação da Amazon.

Este ano, todo o evento acontece na Casa do Benin, no Pelourinho.  E a programação começa na quarta (14) com uma edição especial e afetiva do Sarau Bem Black, que celebra o Novembro Negro e as obras essenciais de Lazzo Matumbi e Itamar Assumpção (1949-2003).

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Alex Simões – Foto Meredith Lackey

PROGRAMAÇÂO

QUARTA-FEIRA / 14.11

19h às 22h – SARAU BEM BLACK 
Homenagem a Lazzo Matumbi e Itamar Assumpção
:: Presença de Anelis Assumpção
:: Performance de Alex Simões
:: Participação de Jorjão Bafafé
:: Marcelino Freire lança “Bagageiro”
:: Exibição do clipe “Moço lindo do Badauê”
Saudação do rap baiano ao Mestre Moa do Katendê

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Caminhada do Engenho Velho

QUINTA-FEIRA / 15.11

XIV CAMINHADA PELO FIM DA VIOLÊNCIA E DA INTOLERÂNCIA RELIGIOSA, PELA PAZ
Não haverá programação. Estaremos na caminhada.
14h – Concentração no Busto de Mãe Runhó
Final de linha do Engenho Velho da Federação

SEXTA-FEIRA / 16.11

10h às 12h – VIDA DE ARTISTA
Conversa sobre produção de livros e ideias
com Berimba de Jesus, Luciany Aparecida e Sarah Rebbeca Kersley
Mediação: Jorge Augusto

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Mariella Santiago

14h às 15:40 – EU E NEGO DITO, VULGO BELELÉU
Conversa com Carlos Verçosa e Mariella Santiago
Mediação: Nelson Maca

16h às 17:40 – QUEM CANTA SEUS MALES ESPANTA 
Conversa literomusical com Alice Ruiz e Alzira E
Mediação: Marcelino Freire

18h às 18h:30 – JURACI TAVARES – POCKET SHOW 1

18h:30 às 19h – MARIELLA SANTIAGO – Ella canta Itamar! – POCKET 2

19h às 21h – SARAU DA DIVERSIDADE
:: Apresentação Ed Marte e Bia Mathieu
– Performance de Bia Mathieu, Ed Marte e convidados

 

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Bia Mathieu – Fto Divulgação

SÁBADO / 17.11 

10h às 13h – “SOCORRO” – O AUTOR QUANDO CAI NA REDE

Uma oficina/conversa sobre a escrita, a organização do livro, a auto-publicação. Como movimentar-se na rede. Mediação do curso com o escritor Marcelino Freire
e a participação da escritora Gisele Mirabai, Prêmio Kindle de Literatura, Talita Taliberti, gerente de autopublicação da Amazon, e Evanilton Gonçalves, escritor lançado pela Paralelo 13S, e do escritor Itamar Vieira Vieira Junior, Prêmio Leya de Literatura 2018

14h ÀS 16h – LAZZO: “O FILHO DA TERRA” 
Conversa com Lazzo Matumbi
Por: Ana Cristina Pereira, Dão e Lázaro Erê

16:10h às 17:40 – “NAVALHA NA LIGA” – POÉTICAS PERIFÉRICAS 
Convidados: Autores da coletânea Poética Periféricas: Novas Vozes da Poesia Soteropolitana
Mediação: Valdeck Almeida de Jesus

17:50h às 19h – “SEI DOS CAMINHOS” – MOÇAMBIQUE E BRASIL 
Conversa com o escritor moçambicano Ungulani Ba Ka Khosa
Por: Nelson Maca E Wesley Correia

:: 20h: SHOW POÉTICO MUSICAL (R$ 20|R$10)
Homenagem a Alice Ruiz e Itamar Assumpção
20h às 20h:20min- Este Tal Recital lê Alice Ruiz. Com Lúcia Santos, Luiza Gonçalves, Jamile Resende e Clara Barreto.
20:30 às 21h – Diálogo  entre poesias de Conceição Evaristo e Carolina Maria de Jesus, com Vera Lopes e Emillie Lapa
21:10h às 22h:30 – PARALELAS, show com Alice Ruiz e Alzira E – Participação de Luiz Waack

SERVIÇO

Evento: IV Balada Literária de Salvador

Quando: de 14 a 17 de novembro

Onde: Casa do Benin (Largo do Pelourinho)

Ingresso: Gratuito, com exceção do show Paralelas, com Alice Ruiz e Alzira E

#Flipelô – Casa do Benin terá várias atividades sobre Literatura Negra e Periférica!


Foto: PalomaCarvalho

 

Entre os dias 09 e 12 de Agosto, a Casa do Benin (Pelourinho) se junta à movimentação da 2ª FLIPELÔ e oferece ao público uma programação que envolve literatura, culinária, música e muito mais. Com destaque para a produção literária negra e da periferia da cidade, a mesa da Casa do Benin terá comida afrodiáspórica da chef Angélica Moreira, do Ajeum da Diáspora, e conversas literárias, performances poéticas, apresentações musicais, além de um encontro de saraus e de um slam (batalha poética). Também acontece uma feira livre com livros e produtos afins.

Nos quatro dias de programação, o acervo da Casa do Benin, com obras coletadas por Pierre Verger em expedições à África, estará aberto à visitação sempre das 10 às 17h. No primeiro dia, 09, quinta-feira, o grupo Gangara realiza uma roda de capoeira. Já na sexta, dia 10, às 19h, as editoras Organismo e Segundo Selo realizam a primeira roda de conversas sobre Literatura Negra Contemporânea e Processos Criativos, coordenada por Silvânia Carvalho e que contará a participação dos autores baianos Davi Nunes, Vânia Melo e Alex Simões.

SERVIÇO

O que: Programação da Casa do Benin na Flipelô

Quando: 09 a 12 de Agosto

Onde:  Casa do Benin

Quanto: Programação Cultural e Visitação – Gratuita, Feira Literária – Livro com preços acessíveis, Ajeum da Diáspora – R$30,00 – Entrada e Prato Principal

 

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Sandro Sussuarana

CASA DO BENIN NA 2ª FLIPELÔ

PROGRAMAÇÃO COMPLETA

 

– QUINTA, dia 09/08

10 às 17h – Visitação à Exposição Permanente do Acervo da Casa do Benin

19h – Roda de Capoeira com o Grupo Gangara

 

– SEXTA, dia 10/08

10 às 17h – Visitação à Exposição Permanente do Acervo da Casa do Benin

19h – Roda de Conversas: Literatura Negra Contemporânea e Processos Criativos – Roda de Conversas coordenada por  Silvânia Carvalho, com a participação dos autores: Davi Nunes, Vânia Melo e Alex Simões. Organizado pelas editoras Organismo e Segundo Selo.

– SÁBADO, dia 11/08

10 às 17h – Visitação à Exposição Permanente do Acervo da Casa do Benin e PeriFeirAfro Literária – Exposição e venda de livros e produtos afins, com sessão de autógrafos de escritores e escritoras da periferia. Editoras convidadas: Organismo, Segundo Selo, Malê, Galinha Pulando e outras.

A partir de 11h – Ajeum Lítero-Sonoro – A chef Angélica Moreira e seu Ajeum da Diáspora – apresenta e serve o prato do dia: Cozido. DJ Gug Pinheiro discoteca Música Periférica Brasileira

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A partir de 13h – Ocupação Poéticas Periféricas  organizada por Valdeck Almeida e pela Editora Galinha Pulando

13h – Sarau e lançamento do livro Poéticas Periféricas: A nova voz da poesia Soteropolitana, com a participação de poetas da coletânea.

14h – Roda de Conversas: A Poesia Periférica no Centro da Literatura Sorteropolitana, com a participação dos poetas Gisele Soares, Sandro Sussuarana, Samuel Lima, Luz Preta Marques, Fabrícia de Jesus e Rilton Júnior.

15h – Encontro de Saraus – Roda poética com representantes de importantes saraus e coletivos poéticos da cidade – Sarau Bem Black, Sarau da Onça, Sarau do Cabrito, Sarau do JACA, Sarau da Raça, Sarau Bairro da Paz Vive e Coletivo Pé Descalço.

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Angélica Moreira – Ajeum da Diáspora Foto Juh Almeida

– DOMINGO, dia 12

10 às 17h – Visitação à Exposição Permanente do Acervo da Casa do Benin PeriFeirAfro Literária – Exposição e venda de livros e produtos afins, com sessão de autógrafos de escritores e escritoras da periferia. Editoras convidadas: Organismo, Segundo Selo, Malê, Galinha Pulando e outras.

A partir de 11h – Ajeum Lítero-Sonoro – A chef Angélica Moreira e seu Ajeum da Diáspora – apresenta e serve o prato do dia: Efó, com peixe ou com frango. DJ Gug Pinheiro discoteca Música Preta Brasileira

13h – CandomBlackesia: Axé e Poesia na Batida – Performance afro-poética e musical com Nelson Maca & Afro-Power-Trio: Dj Gug, João Teoria e Mestre Jorjão Bafafé e convidados: Alexandra Pessoa, Lee27, Vera Lopes e Netas de Francisca: Lucia Santos e Luiza Gonçalves

14h – Letras e Vozes de Mulheres Negras – Vera Lopes e Emile Lapa apresentam performance com diálogo entre poemas de Carolina Maria de Jesus e Conceição Evaristo

15h – Roda de Conversas: Escrita Atual da Bahia Preta – Roda de conversa com escritores e escritoras que participam da PeriFeirAfro Literária

16h: Free Pelô: Slam dos Slans – Slam de poesia com representação de slams pioneiros de Salvador – Slam da Onça, Slam Lonan, Slam das Minas e Slam da Raça

Livro “Poéticas periféricas: novas vozes da poesia soteropolitana” será lançado em Salvador!


Banda_Zimoblack
Banda_Zimoblack

 

Contemplado pelo Calendário das Artes da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb/SecultBA), o livro “Poéticas periféricas: novas vozes da poesia soteropolitana” será lançado em 7 de julho, às 18h, no Sarau da Onça, em Sussuarana. A publicação reúne cerca de 100 poemas e é resultado do trabalho coletivo de vários protagonistas de saraus, slams, grupos e coletivos de artistas da palavra oriundos das periferias de Salvador.

O evento já começará animado ao som da Banda Zimoblack. Em seguida, a diretora-geral da Funceb, Renata Dias, a jornalista e atriz Tia Má, que escreveu a orelha do livro, e os prefaciadores da publicação: Geilson dos Reis e Dhay Borges falarão sobre o livro. O microfone ficará aberto para poetas do livro, e no final haverá sessão de autógrafos e Banda Zimoblack.

“Poéticas periféricas: novas vozes da poesia soteropolitana” registra parte da produção literária de Salvador e denúncias contra o genocídio da juventude negra e periférica, racismo, homofobia, racismo religioso, machismo e todas as opressões, além de poemas de amor, sonhos e alegria. O livro será vendido no na ocasião por R$ 30,00.

“A publicação pretende dar visibilidade, proporcionar a compilação de poemas para fontes de pesquisas, além de valorizar o movimento de leitura e escrita, bem como fortalecer políticas de formação de leitores e facilitar o acesso à produção poética da periferia para os interessados”, conta o proponente do projeto, poeta e jornalista, Valdeck Almeida.

Valdeck Almeida
Valdeck Almeida

Serviço:
Lançamento do livro “Poéticas periféricas: novas vozes da poesia soteropolitana”
Quando: 7 de julho (sábado), às 18h
Onde: Sarau da Onça – Rua Albino Fernandes, 50-C, Novo Horizonte/Sussuarana, em Salvador-BA
Quanto: Entrada gratuita.
Livro: R$ 30,00 (trinta reais)