#PoesiaSoteroPreta – Julianx França Lima: A Poeta das quebradas!


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Julianx França Lima: A Poeta das quebradas, conhecida como Juh França, escreve desde que se entende por gente. Em tenra idade, a menina já tateava nas letras, e foi evoluindo, chegou a incluir nos textos análises sobre fatos históricos e, a partir daí, a poesia marginal cruzou seu caminho. A descoberta de um novo horizonte na arte de escrever. A própria Juh reconhece a força do gênero na sua atividade literária:

“Desde então não me separei mais” (da poesia marginal), assume!. E continua: “A poesia é a minha forma de transcender os meus; quando recito, levo comigo uma legião. A minha escrita blasfêmica é pra apontar e denunciar toda a opressão e sofrimento vividos principalmente por mim e pelos meus”, conclui!Juh_França

Juh carrega em si o significado de viver por si e pelo coletivo. Segundo ela, as lutas diárias, suas e de seus pares, principalmente da galera esquecida pela “cultura”, é que dá o tom e a inspiração para sua resistência na poesia. E é por meio da arte que ela demonstra, claramente, que a luta poética é persistência, e que jamais haverá desistência.

Para a poetisa, a poesia é a própria essência de sua vida, sem a qual ela declara não ser ninguém. “Sem poesia eu não sou nada nem ninguém, poesia é vida”, resume Juh França. A luta pela sobrevivência é a prática da poesia, na carne e na alma, por isso Juh se define como arte por inteiro. A escrita é sua melhor e mais poderosa arma.

“Quando recito e canto ecoam comigo gritos de amor e dor, não só meus, mas de todos que me permitiram estar aqui”, declama, em forma de verso livre.

A poeta declara seu amor pela vida, pela família, o “nós por nós” e observa que a poesia não é para ser compreendida, mas, sim, sentida, na pele, na emoção. Ainda sem texto publicado, a poetisa trilha os caminhos dos registros formais antes de se aventurar pelos papeis. Entretanto, nas formas virtuais, Juh França tem o seu fã-clube nas redes sociais, nos saraus e nas apresentações que faz por esta cidade do Salvador.

Sou Poeta!

Sou arte

Sou face

Sou heresia

Sou canto

Encanto

Sou poesia

Sou imoral

Sou Real

Sou inventor

Nas letras me faço eterno

Sou marginal versador (Juh França)

Valdeck Almeida

Por Valdeck Almeida de Jesus para o espaço “Poesia Soteropreta”, que vai evidenciar, divulgar e fortalecer a Poesia Preta, Periférica e de Resistência do cenário literário de Salvador. Veja aqui outros artigos dele!

Poeta Indemar Nascimento prepara Festival Arte Invade a Soronha!


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Indemar Nascimento

 

Conhece a Soronha, em Itapuã?! É de lá que vem o poeta e rapper Indemar Nascimento que, junto ao Grupo de Capoeira Raça, organizam – para outubro – o “Festival Arte Invade a Soronha”. Os detalhes ainda estão sendo firmados, mas vai ser um domingo inteiro e já se pode antecipar algumas coisas: vai rolar corte de cabelo gratuito, oficinas de turbante, apresentações musicais convidadas, pintura de grafite, uma grade artística e muito mais.

E ainda vai ter almoço para todos os presentes. Na ocasião, Indemar também lançará seu EP “Mundo dentro de outro mundo”.

“O trabalho é baseado na minha relação e visão do que é a minha favela. tudo que eu vi, senti, participei, tá nesse EP. Temos que olhar mais pra o social, olhar mais pelo povo que, em formato de genocídio, tá sendo dizimado. Pelas mulheres que são violentadas, esse guerra contra o tráfico de drogas, armas etc… o EP é grito de quem não pode gritar mais. Aos 12 do Cabula, da chacina do Cosme de Farias, Luquinhas, Amarildo, Cláudia, dentre outras e outras”, diz Indemar.

“A Soronha é um lugar é visto como um quilombo urbano. A arte você pode ver em cada olhar atento de um moleque onde, infelizmente, se torna homem muito cedo. E é neste imenso lugar-sonho que vive o poeta sonhador e semeador de poesias Indemar Nascimento. É ali onde ele pretende realizar o projeto, unir mãos e braços em apertos e abraços, para concretizar a poesia da vida”, descreve o escritor e poeta, Valdeck Filho, que lançou na plataforma Kikante uma campanha pra realização do Festival. A meta é de R$1mil! 

 

Acesse aqui e contribua com o Festival Arte invade a Soronha!

#PoesiaSoteropreta – Rafael Pugas e a poesia da estética da requenguela!


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Rafael Muniz David Pugas, ou simplesmente Rafael Pugas, é psicólogo formado pela UFBA em 1997. A poesia está presente em sua vida desde jovem, e sua inspiração sempre foi as injustiças. Bastante sensível, muito mais que seus irmãos, Rafael não colava com a turma dos “bambambans”. Preferia a defesa de quem sofresse qualquer tipo de discriminação. Poesia em família é o tom de Rafael Pugas. Casado com uma poeta, ele tem dois filhos-poesias e o casal escreve, cada um a seu turno, sobre temas diversificados. A matriarca dedica seus textos ao poeta e esposo.

Sempre foi baixinho mas não deixou essa característica lhe diminuir. E para lutar em pé de igualdade, fez judô até a faixa preta e também boxe, mas somente para impor respeito e manter a autoestima em alta. Desde então suas lutas e desafios foram para o campo da poesia. A inspiração vem de tudo que rima com revolução, amor, injustiça.

Quando entrou pra faculdade passou a escrever na agenda vazia de compromissos, ideia de um amigo. Isso aumentou seu fluxo poético, andava com a agenda em mãos e, se não tinha nada pra fazer, escrevia…Ainda no curso universitário conheceu um poeta que declamava de improviso, mas não com rimas, era influenciado por Pessoa. A estreita amizade fez os dois desenvolverem projetos juntos. Aí Rafael descobriu a Psicologia Social, mergulhou no curso e, inclusive, realizou o III Encontro Nordestino de Psicologia Comunitária na Bahia.

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O À TU AR surgiu após uma temporada em Lençóis e Saúde em 1998, onde conheceu um grupo de artistas autodidatas: dirigiam, encenavam, iluminavam e construíam tudo em seus espetáculos. Se juntou ao coletivo e propôs um projeto que nunca recebeu respostas da prefeitura. Em 2001, em Salvador, botou o À TU AR em cena…, coletivo baseado na estética da requenguela, proposta por Alvinho. Na capital produziu o espetáculo Pintando o Sete de Setembro no sertão, encenado por Isaías Oliveira no Teatro Gamboa.

O declamador nasceu em 2002, quando alugou uma casa no Rio Vermelho com amigos, onde passaram 18 meses. Se sentiu impelido a declamar, pois todos o faziam e ele não seria diferente…

“Em relação à Poesia, pretendo ser poeta profissional, viver dela. Mas, sinceramente, não sei o que a poesia é pra mim, uma válvula de expressão, uma possibilidade de mudar o mundo, como a Psicologia Social já foi um dia, ainda é, de alguma forma”.

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Passeia por outras artes: a música como forma de expressão, “mas diante de tantos bons músicos com quem convivi, nunca esperei da música nada mais do que ser músico pra mim, como era poeta antes do À TU AR, não era pra mostrar, se não fosse o À TU AR o mundo não conheceria meus escritos. Gosto da escultura, da pintura, da dança, mas a título de expressão livre, sem pretensões profissionais”.

Não dá a mínima para publicações: “desde cedo publiquei os meus livros, não participo de concursos, não acho válido comparar poemas, acho terrível qualquer disputa em arte, não somos galos de rinha”.

Posta profissionalmente no Facebook pela possibilidade de ser lido em qualquer lugar do mundo. Aceita todos os pedidos de amizade virtual, pelas infinitas possibilidades de leituras. Além disso, mantém o canal Rafael Pugas no Youtube, onde divulga poemas declamados.

 

Por Valdeck Almeida de Jesus para o espaço “Poesia Soteropreta”, que vai evidenciar, divulgar e fortalecer a Poesia Preta, Periférica e de Resistência do cenário literário de Salvador.

 

 

#PoesiaSoteropreta – Ana Fátima e a poesia-martelada para adolescer!


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Foto: Leo Ornelas

Licenciada em Letras Vernáculas e Mestra em Crítica Cultural (UNEB), Ana Fátima Cruz dos Santos escreve desde os oito anos, uma poetisa precoce. Ou melhor dizendo, já nasceu com o dom. Mais conhecida como Ana Fátima, ela é ativista do movimento negro, filha do Ilê Axé Iboro Odé, educadora e consultora de beleza.

Estuda e analisa a formação de professores(as) em educação para as relações etnicorraciais e, atualmente, desenvolve pesquisa sobre produção de materiais didáticos para Educação Escolar Quilombola e educação antirracista sob a ótica da Linguística Aplicada.

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Foto: Leo Ornelas

Além de poemas, Ana romanceia para adolescer. E se joga mesmo nas letras: conto e literatura infanto-juvenil e literatura acadêmica (artigos, resenhas), com o sonho de libertar seus sonhos e fazer outras pessoas negras creem em seu potencial. E pra quem pensa que escrever é um ato complicado, para Ana Fátima é como respirar. Para ela, a “poesia é vida. Brota, vinga, cresce e floresce. Uso muitas aliterações e frases curtas como marteladas, lembretes da memória”.

Para além da escrita, uma arte da solidão, ou que requer um certo isolamento na sua produção, a produção literária de Ana “rima coletividade… uma voz ampliada, as várias famílias que nem sabemos que temos e as que temos também”. Esta é a forma mais coletiva de se pensar e viver a arte, em que a criação sai por aí, sem pedir licença, para vingar em mentes-quintais alheios.

Em tempos de redes sociais, Ana Fátima não fica de fora do Facebook e alimenta o Blog Sangue de Barro, onde planta sementes de poesias, mas tem participação em produtos tradicionais como as famosas antologias.

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Seus textos podem ser encontrados no site da Fundação Palmares (2010); Projeto Escritoras da Bahia (2015), na Revista Entrelinhas (2015) e Projeto Pé de Poesia (Salvador, 2016). Poemas e contos pela Antologia Cadernos Negros (Quilombhoje, vol. 37, 38 e 39, 2014-2016) e  Mulher Poesia I e II (Cogito, 2016-2017). Recebeu prêmio de melhor poesia pelo 2º Festival de Literatura São Francisco Xavier (2014), no 5º Concurso das Farmácias Pague Menos (2016) e no 2º Concurso do Sarau da Onça (“O diferencial da favela: poesias e contos de quebrada”, 2017, Editora Galinha Pulando).

Confere:

A cartilha da autora século XXI

De mim, muito algo a desenrolar…

Ser mulher é cheirar a ferida aberta

Pulsar a flecha certeira

Palmatória do mundo a acabar.

Profissão escolhi,

Estudos cumpri,

Casa vigiei e arrumei.

 

Mas meu deleite é outro:

Letras a bailar

Em papéis, telas e folhas;

Perpetuar nas cabeças

A alma de minhas histórias.

Carregar pedras

Para traduzir sentimentos e desejos:

Mandamentos de autora!

Pedras escritas e relidas

 

Compromisso em ser mulher

É reler e desdobrar

A hélice das tramas de meus ancestrais

Sem beber o amargor

Do chicote malfeitor.

 (publicado no Mulher Poesia. Editora Cogito, 2016)

 

Valdeck Almeida

 

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Coletivo De Transs Pra Frente pauta a despatologização trans e travesti nesta quarta (9)!


Despatologização trans
Viviane Vergueiro Foto: Andreia Magnoni

Falta de cobertura e acolhimento, discriminação, assédio, invasão de privacidade e falta de capacitação dos profissionais de saúde são alguns dos obstáculos que formam a realidade de pessoas trans e travestis. Neste sentido, o Coletivo De Transs Pra Frente promove na próxima quarta-feira, 9, 18h, no Teatro Gregório de Mattos, um debate aberto a todos os profissionais da saúde da Bahia, buscando aproximar o campo das necessidades reais da comunidade trans e travesti, e da discussão a nível internacional sobre a despatologização das identidades de gênero.

Segundo a pesquisadora e referência no debate sobre saúde trans, Viviane Vergueiro, “não é possível pensar a despatologização de pessoas trans e travestis sem pensar nas violências, exotificações e apagamentos delas na saúde integral e suas relações com a linguagem utilizada na Classificação Internacional de Doenças (CID) para nos descrever”.

Para dialogar sobre estes conflitos, a mesa do próximo De Transs Pra Frente terá como tema a “Despatologização trans e travesti: autonomia, cuidado, conhecimento”. Para pensar o assunto no campo prático, do acesso à saúde, também serão discutidos elementos da próxima revisão do Código Internacional de Doenças (CID), como a retirada das identidades trans da seção de transtornos da identidade sexual (F64 — Transtornos da identidade sexual), e sua relação com os direitos das pessoas trans e travestis à saúde, bem-estar e à identidade.

A mesa contará com a mediação da psicóloga Bila Brandão, psicóloga clínica; e participação de Carlos Porcino, transativista, psicóloga voluntária na ATRAS e doutoranda pela UFBA; Fernando Meira, médico de família e articulador do Transaúde; e Viviane Vergueiro, ativista transfeminista e pesquisadora do CuS-UFBA. A abertura fica por conta da cantora Yuretta Sant’Anna, que apresentará um pocket show.

#PoesiaSoteroPreta – Yuretta e sua Trans-Poesia! – Valdeck Almeida

 

SERVIÇO:

O que: 14ª edição do De Transs Pra Frente – Despatologização trans e travesti.

Quando: 9 de agosto de 2017, 18h

Onde: Teatro Gregório de Mattos.

Quanto: Pague quanto puder.

#Soteropoesia – Alex Bruno, de repente nasce um texto!


Poesia preta

Leo escreve desde a infância, entre os 10 e 12 anos, e revela que tinha a mania de relatar os seus afazeres em “diários”, por apenas algum tempo, mas que os textos foram logo perdidos…

Aos 18 anos ele diz que começou a compor uma obra que considera realmente literária, com uma compilação de textos de onde nasceu um romance, hoje, já esquecido. A partir de então, a escrita lhe acompanha, o que tem desenvolvido o hábito da leitura e que, com uma pausa aqui outra ali, escreve poemas, crônicas, resenhas filosóficas e atualmente, voltou à escrita dos diários.

Leo não tem preferência por uma temática específica. Segundo ele, “de repente nasce um texto, porém, hoje tenho dado prioridade aos textos que analisem a minha existência Homem – Artista – Criador – Cidadão de um meio conflituoso e complexo como o mundo moderno”.

Sua pretensão na poesia é “Apenas dizer… Dizer o que no geral, as pessoas fecham os ouvidos. Trazer à tona tudo que é dissimulado. A poesia é uma forma de dizer para mim mesmo, em primeiro lugar, o que acontece ao meu redor, contemporâneo a minha existência”.

Poesia preta

O sentido da poesia para Leo é a catarse, desabafo, na mesma linha do que Freud definiu na Psicanálise. Uma forma de terapia, nos moldes em que os gregos faziam quando levavam para os palcos as grandes tragédias que relatavam os anseios e as adversidades da vida. Como a vida do poeta é repleta desses questionamentos, a fonte de inspiração não termina nunca!

A atuação de Leo não se limita à escrita, apesar de ter livro solo e textos divulgados em sites e blogs, o que ele considera “passado”, um lugar onde ele não pode mais alcançar. Na atualidade, ele transita pelo teatro, música, dança e segue filosofando, poetizando, como na descrição sobre si.

Leo por ele mesmo:

Estranho escrever sobre si. Eu poderia escrever sobre tantas coisas. Sobre o mar, o vento, os sonhos que não existem mais. Acho que todo o ser é latente. Move-se o tempo inteiro. Está acima dos gêneros, das raças, da conta bancária, da roupa que veste ou do corte do cabelo. Todo ser é antes ser. 

Posso dizer que ainda estou numa descoberta, que se abre a cada dia. Surpreso pelas ironias da vida, não devia, mas é difícil não surpreender.

Daí penso, Aristóteles estava certo quando disse que a filosofia nasce do espanto – surpresa. Então nasce a filosofia. Hoje, posso dizer que sou um ser filosófico, tenho mil questões ainda, sem respostas, mas a cada dia, sinto que construo um degrau. E sinto que é preciso continuar, mesmo que um tsunami de caos e desilusões venha se abatendo sobre mim, é preciso continuar, implacavelmente deve-se continuar, afinal, é para isso que estamos aqui.

Por Valdeck Almeida de Jesus para o espaço “Poesia Soteropreta”, que vai evidenciar, divulgar e fortalecer a Poesia Preta, Periférica e de Resistência do cenário literário de Salvador.

jovem negro vivo
Banco de Imagens

CABULA

“Pela decisão dos anjos, e julgamentos dos santos. Excomungamos, expulsamos, execramos e mal dizemos” (Baruch de Espinosa). Verdadeiramente maldito é o homem detido em sua arte diante do poder e do Estado. As suas fábricas infestam os nossos céus com suas cores artificiais. A vitrola em seu gabinete, toca uma melódica de mentiras.

Tupi, índio guarani, Angola, Guiné, Negros Bantos e seus orixás, AXÉ! A câmara de gás engolindo os olhos no holocausto. A ciência desenvolve armas para conter as mentes mais exacerbadas, a cura? Está na moeda! O governo recruta uma polícia especializada em disseminar uma doença racista.

Bala! E Fogo, comem carne preta!

Adriano de Souza Guimarães, Agenor Vitalino dos Santos Neto, Bruno Pires do Nascimento, Caíque Bastos dos Santos, Évison Pereira dos Santos, Jeferson Pereira dos Santos, João Luís Pereira Rodrigues, Natanael de Jesus Costa, Ricardo Vilas Boas Silva, Rodrigo Martins Oliveira, Tiago Gomes das Virgens, Vitor Amorim de Araújo

Aos 12 mortos do Cabula! E por mais que vocês nos matem, eu renasço!

Vejam nossas maternidades agora, estão cheias do choro da vida. Martin Luther King, Malcom X!

Meus heróis tombaram pela intolerância de seus Estados! O desatino da sucessão de novidades vazias, não varrerá da história o que foi escrito com sangue…

#PoesiaSoteroPreta – Teimosia é o nome dessa menina-poesia-preta, Fabrícia de Jesus!


Fabricia de Jesus

O poema “Dor” foi o debut, a estreia de Fabrícia de Jesus. Escondido no final do caderno, estripulia de quem ainda não sabia que é poeta. Poeta de poesia preta, escrita em 2003 durante o cursinho pré vestibular no Instituto Cultural Steve Biko. A cumplicidade foi com a professora de Português, que lhe batizou poetisa, em 2013. Até então Fabrícia não se sabia escritora nem se compreendia negra. Foram duas descobertas fascinantes, libertadoras!

Este recorte racial, agora consciente, atravessa toda a sua produção, carrega as vivências, que é molhada de suor, labutas, abstratos expressos, cotidianos de quem sente a negritude em pele.

Na escrita, Fabrícia fala da alma, estampa a retina do seu terceiro olho, evoca os alvoroços de suas dúvidas, a complexidade das verdades questionáveis. A poesia desta menina-poeta é linha de partida; seus meios, seu chegar, seu fio de alta tensão, a arritmia do seu apanhador, do seu carrega-dor, do pulsante afagador que lhe guia. A poesia é sua fuga, sua busca; é ela mesma, poeta, empurrando as portas, as normas; se traduz em seus caminhos, os passos, os laços, os nós, a própria voz.

“A poesia tem o poder de unir gente, neste aspecto faz rima com família, já que nos fortalece, integra, identifica, nos torna pertencentes e usuários de mesmo corpo – língua”, afirma Fabrícia de Jesus.

Além de escrever nos ônibus, ela publicou no Sarau Brasil, Revista Quilombo e na coletânea “O Diferencial da Favela: Poesias e Contos de Quebrada” (Sarau da Onça, Editora Galinha Pulando), além de postar no Facebook.

E sobre a publicação, Fabrícia viaja: “acho que tenho mais escritos no busu do que publicados (rsrs), embora reconheça a importância de estar nestes impressos, visto que precisamos sair da posição de “estudados” para sermos sujeitos contadores e protagonistas de nossa própria história. Mas confesso que gosto de pensar que no coletivo, entre um destino e outro vários ‘eus’, viajam nas minhas curvas e linhas, em trânsito está a subjetividade das minhas poesias”.

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A Menina-Poesia Soteropreta

Fabrícia de Jesus, mãe de uma linda e moleca menina, preta, suburbana, filha de uma família dominada por mulheres valentes, foi gerada por amor e criada nele. Já vendeu quiabos, já vestiu robalos, já passou maus bocados, e teve um período que sofria escondida, fase brusca da vida, outros tempos…

É estudante de Serviço Social, poetisa, ativista, parte do coletivo Sarau do Cabrito (pelo qual carrega uma enorme gratidão), membro do Coletivo de Entidades Negras–CEN, é feliz e desenvolve um trabalho na ONG E². É atravessante de mar para amar de perto, é o próprio verso, seja ele cortante em protesto ou doce feito riso rio. É uma errante encabulada que pede suco de acerola no bar e se embriaga sem nem sentir o pecado na boca.

É teimosa, às vezes engraçada, segundo os amigos. É desenfreada e fascinada pelos detalhes mais baratos, e repete pra si: “já que a vida é indefinida eu prefiro sentir”.

 

A Solidão é Preta

Como se não bastassem as mazelas excludentes erguidas pelas dimensões de direitos sociais negados, resguardados a nós diversos crivos psicoemocional. Somos perpassantes em construções machistas racistas. Somos assassinos e vítimas desta sociedade perversa.

A dor lateja, maltrata e adoece o corpo… Somos frutos da história. A poesia de raça única não declama-se diante um povo brutalmente violentado. Quanto mais negroide nossos traços quanto mais preta nossa pele, mais preterimento mais exclusão mais dor mais solidão.

Fomos sentenciadas ao celibato definitivo. A invisibilidade. Ao prazer momentâneo. Ao esquecimento. Aos danos. Aos danos.

Somos seres sem sermos, pedaços… Sobreviventes nestes 128 anos de alforria desencontrada, marginalizada. Fomos as estupradas para o nascimento do Brasil mestiço. Somos desumanizadas, confinadas ao encolhimento do corpo, ao silêncio da sala. Na frieza do colorismo, nos índices dos feminicídios, as tristezas não ficaram nas senzalas. 

Na falácia que o amor não tem cor, a conta nunca bate exata, sobram as pretas, multiplicam-se as mágoas. Proclamaram que status é loira ao lado. Que peso. Que fardo… Gosto é construção social e o homem preto também fora submetido aos padrões eurocêntricos. Subjetividades agredidas. A solidão tem cor. Desconstruir é preciso. Se o amor faz bem… nós queremos também. Ficar só é normal… quando opcional. (Fabrícia de Jesus)

Valdeck Almeida

Poesia Soteropreta

Texto inaugural de Valdeck Almeida de Jesus para o espaço “Poesia Soteropreta”, que vai evidenciar, divulgar e fortalecer a Poesia Preta, Periférica e de Resistência do cenário literário de Salvador. O Espaço será alimentado semanalmente pelo escritor, pautando novos e novas [email protected] que despontam na Poesia negra da cidade. Valdeck é escritor, poeta, jornalista, ativista cultural. Membro-fundador da União Baiana de Escritoress – UBESC e do Fala Escritor (2009).

Poeta Sandro Sussuarana lança primeiro livro em noite de autógrafos


SANDRO sussuarana
Foto: Lissandra Pedreira

O poeta Sandro Sussuarana (Sarau da Onça) lançará o seu primeiro livro,Verso (s) Sob (re) Mim, em uma noite de autógrafos no dia 1ª de abril. O lançamento será em casa: no Sarau da Onça,que acontece quinzenalmente no Centro Pastoral Afro Padre Heitor, Novo Horizonte (Salvador).

Com capa e contracapa do artista Zezé Olukemi e editado pela editora Galinha Pulando, a obra reúne poesias e contos que tratam de questões sociais, empoderamento negro e erotismo.

“Escrevo porque preciso colocar no papel o que estou sentindo e acredito que em algum lugar alguém possa estar precisando ler aquilo que escrevo”, destacou o autor.

Sarau da Onça divulga selecionados no II Concurso Literário

 

Durante o lançamento, alguns poetas convidados vão recitar poesias do autor juntamente com o autor e seu livro estará à venda no local pelo preço promocional de R$10.

Quem é Sandro Sussuarana?

 

Natural de Salvador (BA), Sandro Sussuarana é um dos idealizadores do projeto Sarau da Onça e articulador de Jovens do bairro de Sussuarana.

Atualmente, ensaia e coordena adolescentes de 7 a 15 anos no Sarau na Laje, que também acontece no bairro de Sussuarana. Em 2013, recebeu menção honrosa no concurso literário Valdeck Almeida de Jesus com o poema “A Realidade”.

Organizou a antologia poética O Diferencial da Favela – Poesias quebradas de quebrada (2014), do Sarau da Onça e a antologia A Poesia Cria Asas, do Grupo Ágape (2014).

 

 

 

Chega lá..é FREE!

O quê: Lançamento do Livro Verso (s) Sob (re) Mim

Quando: 01/04/2017, às 19h

Onde: Anfiteatro Abdias do Nascimento – CENPAH, Novo Horizonte, Salvador-BA

Entrada Gratuita

 

Colaboradorxs


O Portal SoteroPreta possui a contribuição de autores e autoras em diversas áreas da Cultura Negra. São narrativas de Salvador e outros estados que acrescentam seus olhares e percepções das realizações negras no campo da Cultura. Conheça [email protected] [email protected]:

 

 

 

Luciane Reis é publicitaria, idealizadora do MerC’afro e pesquisadora de Afro empreendedorismo, Etno desenvolvimento e negócios inclusivos.

Confira aqui suas contribuições.

Davi NunesDavi Nunes  é mestrando no Programa de Pós-graduação em Estudos de Linguagem- PPGEL na Universidade do Estado da Bahia- UNEB, graduado em Letras Vernáculas pela mesma instituição, é poeta, contista e escritor de livro Infantil.

 

Valdeck Almeida

Valdeck Almeida de Jesus é jornalista, escritor, ativista cultural e poeta, editor do Blog Galinha Pulando, destinado a divulgar a literatura baiana.

 

Danielle Santos é graduanda em Comunicação Social – Jornalismo na Faculdade de Tecnologia e Ciência (FTC).

 

 

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