Sobre “Minha História” – Por Luciane Reis


Livro “Minha História”

 

Ao assistir “Minha História”, de Michelle Obama, não tem como não notar a importância de  compartilhar e se conectar com  experiências que fizeram com que sejamos quem somos. Durante todo o filme, Michelle nos convida a ser quem queremos ser de verdade. Ela se aproxima ao mostrar o peso de ser quem se quer e seu custo para além das palavras.

Ao relatar o peso de ser uma mulher com personalidade e em evidência ela, como muitos de nós, tem não somente suas falas e posturas deturpadas, como também a imagem sendo transformada no que consideram  “negra raivosa” detentora de uma “escrita violenta”.

Quantas vezes não ouvimos isso? Quantas vezes por motivos diversos, não formos tratadas como  loucas, incapazes e de “ difícil diálogo”,  tendo como base  a  cobrança de direitos e respeito enquanto ser humano detentor de análise crítica e visão de mundo?  Ser quem queremos ser tem um custo muito alto, é por isso que em um processo de autoconhecimento precisamos ser honestos conosco .

É preciso ter coragem de, como bem frisa Michelle Obama, não deixar que as estatísticas sobressaiam a sua história de forma a você esquecer que é ela sua força e alicerce. Lembro como viver para comer na época da universidade, me deixava envergonhada e fazia com que eu ignorasse como minha história construía não somente minha trajetória como o caminho que me traz ate aqui.

Para nós, que nos veem como número, caminhar todas as noites mais de 6 quadras para ir ao pré vestibular é algo que faz parte do nosso cotidiano. Muitas vezes não vemos a força de nossa história, recheada de persistência, resiliência e foco como bem frisa a ex primeira dama.  É exatamente ao revisitar essa caminhada que passamos, não somente a conhecer nosso caminhar, como também  entender a importância de compartilhar e  ser dono destas histórias.

Não  saímos de casa pra sermos independentes, saímos  para dar uma melhor chance a quem fica. Saímos  para construir uma outra parede de momentos e fotografias familiares,  onde nosso senso de empatia  é que nos faz não perder a noção de tempo real. Ao assistir “Minha História”, somos desafiados a  ter coragem de  dizer quem somos, revisitar quem éramos,  repensar nosso comportamento e, acima de tudo, refazer essa  caminhada  sem perder a conexão com o local de onde saímos, para  perseverar diante  da invisibilidade que nos faz perder o medo de ser vulnerável.

 

Fazer a jornada do autoconhecimento é ter coragem de ousar ser vulnerável cercada por pessoas diversas,  revisitar rituais familiares perdidos, a importância das palavras e, acima de tudo, pensar sobre atos simples como estarmos juntos à mesa de jantar. Reconectar com essas memórias e caminhadas, lembrando quem somos, de onde viemos  e como nos  conectamos espiritualmente, é relembrar os conselhos de quem viveu mais.  Minha história não é sobre a mulher mais popular do mundo, e  sim sobre como voltar às raízes, entendendo o poder da sua história, trajetória e importância para o local de onde saiu.

 

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Luciane Reis

Luciane Reis é Publicitária, idealizadora do Mercafro, Bolsista do Programa Marielle Franco de lideranças negras e mestranda em Gestão Pública na Universidade Federal da Bahia