SoteroPreta está nas listas Think Olga e Blogueiras Negras em 2016


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Foto: Jamile Coelho

Há três anos, o projeto feminista OLGA, da jornalista Juliana de Faria, surgia com o objetivo de ser uma plataforma de conteúdo que refletisse a “complexidade das mulheres”, que tivesse como missão “empoderar mulheres por meio da informação” e que estivesse pautada na luta “para que as mulheres possam ter mais escolhas, de maneira informada e consentida”. Assim, junto a sua própria criação, foi lançada a lista Mulheres Inspiradoras, que desde 2013 vem elencando mulheres de todo o país que inspiram outras por seus trabalhos e trajetórias de vida.

Em 2016, com apenas três meses de criação do Portal SoteroPreta, integro a lista junto a outras mulheres – baianas, brasileiras – que também resolveram “colocar a cara no sol”, e reverberar suas opiniões, suas estratégias, suas ações pelos múltiplos cantos do mundo. A lista Think Olga vem com o intuito decombater a falta de reconhecimento de trabalhos protagonizados e desenvolvidos por mulheres”, e assim o faz, listando aquelas que não se calaram diante de qualquer opressão às suas existências, tão pouco às suas ideias.

O Portal SoteroPreta nasceu desta necessidade: reverberar ideias e estratégias que, há muito, inquietam esta que vos fala. Visibilizar a Cultura realizada por nós, negros e negras, em nossa cidade – Salvador – foi o start deste projeto, que só cresce, só galga novos espaços e reconhecimento. O mais recente, de mais uma grande e importante iniciativa de mulheres negras: Blogueiras Negras, plataforma coordenada pela militante baiana, Larissa Santiago, que também lista nomes e iniciativas de mulheres negras “incríveis”! A lista do 25Webnegras “foi, é e sempre será composta por pretas da web, das artes, da música, da academia e da comunidade”.

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Foto: Milla Carol

E mais uma vez o Portal SoteroPreta me leva a integrar uma lista de grandes nomes, de grandes idealizadoras, mulheres negras que referenciam outras a – mais uma vez – colocarem a cara no sol. O que me define, após estas citações, reconhecimento? Orgulho, gratidão, mas, sobretudo, a certeza de que muito trabalho me espera nesta lida diária da notícia.

Dar visibilidade a outras mulheres que fazem Cultura nesta cidade, a coletivos de jovens que chegam quebrando paradigmas, conquistando territórios, mostrando novas narrativas e lutando por elas a cada evento, cada projeto e proposta tem sido o extrato que fundamenta este Portal e que o levará adiante. “Não é por falta de mídia que estaremos invisíveis”, costumo dizer. E não é mesmo: temos portais de notícias (“Correio Nagô”, do Instituto de Mídia Étnica), revista impressa (“Quilombo”, de Alana Sena), revista digital (“Acho Digno”, de Camila de Moraes), programa de rádio (“Evolução Hip Hop”, de Dj Branco), além do portal SoteroPreta e outros canais que surgem a cada dia.

São muitas narrativas, canais de reverberação de nossas vozes que há alguns poucos anos, não nos era possível. Hoje é, e só tendemos a crescer. O Portal SoteroPreta, em 2017, estará em novos espaços, que brevemente serão divulgados aqui. Fruto de trabalho, do acreditar que é possível e que somos empreendedores desde que nascemos. Negros e negras, apossemo-nos do que é nosso, a comunicação é nosso maior trunfo e é nela que nos fazemos ouvir, ver, reconhecer.

Jamile Menezes – Jornalista, diretora da Ayo Comunicação & projetos, editora-chefa do Portal SoteroPreta, criado em outubro de 2016.