Terreiro de candomblé promove ação voltada às MULHERES TRANS!


Cantora Inaê
A cobra sagrada que morde o próprio rabo, aquela que simboliza o infinito. Conhecedor das profundezas do planeta e das transformações. Nkisi que faz a ligação entre o ntoto/Ixi e o duilo (terra e céu), que auxilia a comunicação entre os seres humanos e as divindades. Este é Angorô, caracterizado Oxumarè no candomblé Ketu, associado ao arco-íris e a serpente.
Angorô é um Nkisi andrógino, que transita entre a masculinidade e feminilidade. Por isso, no candomblé Angola, sua natureza feminina é chamada de Hongolo menha (Angorô-mean/ Angoroméia). Pensando nesta dualidade, neste trânsito de gênero, o Unzó Maiala realiza no próximo dia 08 de novembro, das 10h às 13h, o Ciclo Angoromeiá, dedicado às mulheres TRANS.
Integrando o projeto Matriarcalidade: o poder das yabás e a força geradora da vida, que conta com o apoio financeiro do edital Ela Decide, do Fundo ELAS e do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), este terceiro ciclo busca refletir a saúde, o autocuidado e as estratégias de sobrevivência deste grupo. As inscrições são gratuitas, estão disponíveis em link disponível no perfil do Instagram @unzo Maiala e são oferecidas 30 vagas (Inscrições – clique aqui – https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSf7f3kfmj3hn-W99LrfqtUrpeMNZR3GTw6-c6gb7meunen7IQ/viewform).
Já estão confirmadas a participação da atriz, cantora, performer e professora de artes Inaê Leoni, integrante-fundadora do Coletivo das Liliths, que irá apresentar seu show Afluente, que exalta corpos negros, trans, dissidentes, diaspóricos, corpos de uma Bahia profunda e, ao mesmo tempo, cosmopolita. Este círculo de mulheres será mediado pela primeira mulher trans psicóloga da cidade de Salvador e ativista social, Arianne Sena, quer irá falar a respeito a saúde psicológica e sexual deste grupo social.
A terceira convidada é a presidenta da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), Keila Simpson; por fim, a coordenadora da especializada de Direitos Humanos da Defensoria Pública do Estado da Bahia, a defensora pública Eva dos Santos Rodrigues. Keila e Eva irão abordar de que forma estas instituições atuam na defesa do corpo trans. No dia, a Defensoria Pública fará indicações para as mulheres trans que queiram saber a respeito do nome social.
Projeto
Matriarcalidade: O poder das Yabás e a força geradora da vida visa construir espaços de informação e discussão sobre o autocuidado, a saúde reprodutiva e os ciclos do corpo da mulheres negras (cis e trans) da periferia de Salvador. Já foram realizados em setembro e outubro os ciclos Ndandalunda e Nzumbarana, respectivamente.
O último ciclo terá suas ações realizadas no dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, e está referenciado em Katendê, o nkisi ligado ao poder das ervas, a cura. Chamado de Roda Griô – Saberes Ancestrais das Ervas, o workshop será ministrado pela Dona Val, griô e parteira moradora de Serra Grande, sul da Bahia, que fará uma troca de saberes sobre o uso tradicional de ervas com fins medicinais e terapêuticos.