Formação
Professora trabalha representatividade negra e educação antiracista em escola municipal
Dar referências a crianças negras em uma fase essencial à formação de suas personalidades: nas primeiras séries de sua escolarização. Esse é o objetivo do projeto “Representatividade Negra”, da professora Gleice Pinto, que ensina na Escola Municipal Sóror Joana Angélica (Nazaré) e vem desenvolvendo ações educativas antiracistas em seu projeto pedagógico. Para esta quinta (13), a professora convidou o escritor Davi Nunes, que lançará seu livro “Bucala: a princesa do quilombo do Cabula”.
Esse será o segundo lançamento de livro na escola, cuja história traz a subjetividade e autoria negras para servir de referencial às crianças. O primeiro foi “A Lua Cheia de Vento”, da escritora Mel Adún, editora Oguns Toques. O projeto tem quatro campos de atuação: lançamento de livros infantis com escritores negros e negras; empréstimo de bonecas negras – as crianças levam as bonecas para casa e devolvem no dia seguinte. “A ideia é sensibilizar as crianças em relação ao corpo negro, percebendo a necessidade de cuidado e carinho, além de enternecê-las com nossa história”, explica Gleice.
Além disso, o projeto promove doações de bonecas negras customizadas. A última entrega, inclusive, foi feita no Dia das Crianças. A quarta linha de atuação do projeto de Gleice é estender o empréstimo destas bonecas a outras escolas e municípios. Segundo Gleice, cinco delas já estão indo para Mata de São João, por exemplo, onde outra professora fará a mesma ação junto a seus alunos. Gleice foi uma das homenageadas da segunda edição do prêmio “Elas fazem a diferença: Mulheres Negras e suas Comunidades”, realizado em julho pelo Fundo Municipal para o Desenvolvimento Humano e Inclusão Educacional de Mulheres Afrodescendentes (FIEMA). O prêmio homenageou iniciativas de professoras da Rede Municipal que objetivem a inclusão e a construção política.
“O projeto é feito com recursos próprios e, às vezes, com alguma doação de apoiadores. Em minha sala de aula, trabalho com princesas e príncipes negros africanos, já usei o livro “Boi Multicor”, de Jorge Conceição, tivemos a mestra em Teoria e Crítica da Literatura e da Cultura, Jovina Souza, que também é poeta e escritora do livro de poesia “Agda”, formando os professores sobre a lei 10.639. Recebemos o griot Augusto Cardoso, de Guiné Bissau – da etnia dos Bijagós- e também já tivemos oficina com o rapper Mr. Armeng, dentre outras ações”, relata Gleice. Além de atuar na formação e conscientização das crianças, o projeto busca apoiar os escritores e escritoras negras em suas publicações. “Quando compro os livros, eles vão e divulgam o trabalho e cavam espaços”, diz.
Em novembro – Mês da Consciência Negra -, o projeto se intensifica e, este ano, já está sendo programado pela professora um trabalho voltado para a descoberta e estudo de inventores negros. O objetivo é mostrar que o protagonismo negro vai além do campo da Cultura. “Estamos pesquisando algumas tecnologias que usamos no dia a dia, que sabemos que foram inventos de homens e mulheres negras. A ideia é mostrar o invento e contextualizar com a história do inventor, africanos, americanos, brasileiros e outros negros e negras”, explica.
Quer ajudar?
Quem quiser pode doar bonecas negras, de cabelo black, livros sobre a cultura negra, jogos de origem africana, instrumentos musicais. “Também convidamos profissionais de diferentes áreas para falar às crianças sobre seus trabalhos. Queremos que elas conheçam médicas, jornalistas, advogadas e médicos negro e negras e os tenham como referências”, convida Gleice Pinto.
Contatos: Gleice Pinto gkpinto@yahoo.com.br | (71) 99235-4964
Formação
Tempo Cultural abre inscrições no Subúrbio Ferroviário
O projeto Tempo Cultural – Vivências em Arte e Cultura está com inscrições abertas até 14 de novembro para oficinas gratuitas voltadas a jovens e adultos do Subúrbio Ferroviário de Salvador. Idealizado pelo multiartista Saulus Castro, do Coletivo Duo, em parceria com a Enter Consultoria, o projeto chega à segunda edição entre novembro e dezembro de 2025, reafirmando o compromisso com o acesso democrático à arte e à cultura.
Com foco na formação descentralizada e na valorização de profissionais locais, o Tempo Cultural reúne artistas e educadores de áreas como gastronomia, teatro, música, fotografia, audiovisual, artes visuais e capoeira.
As inscrições podem ser feitas pelo perfil @tempocultural ou presencialmente nos locais das atividades, que terão carga horária média de 20 horas e 20 vagas por oficina.
“É sobre formar pessoas, estimular sonhos e fortalecer a autoestima de um povo que produz cultura todos os dias”, afirma Saulus Castro, idealizador do projeto.
As formações acontecem em diferentes espaços do Subúrbio — Lar Pérolas de Cristo (Coutos), Colégio Estadual Barros Barreto (Paripe), Terreiro Ilê Axé Ogodogê (São Tomé de Paripe) e ESCOLAB Subúrbio 360º (Vista Alegre) — com atividades ministradas por artistas como Marcelo Saback, Israel Barretto, Alan TK, Luan Gramacho, Luiz Gustavo e Marcos “Montanha”.
Entre os destaques, estão oficinas como Confeitaria Lucrativa, Iniciação Musical com ênfase nas musicalidades da diáspora africana, O Jogo Físico na Cena, Arte Urbana em Ação, Fotografia e Território, Da Ideia à Distribuição e Capoeira – Corpo, Ritmo e Resistência. Todas as atividades são gratuitas e dão direito a certificado.
A programação culmina na Mostra Tempo Cultural, marcada para o dia 13 de dezembro, reunindo os resultados das oficinas em performances, exposições, exibições e intervenções artísticas.
“Na primeira edição, beneficiamos diretamente cerca de 280 pessoas com as oficinas e alcançamos 700 participantes na mostra. O Tempo Cultural é um gesto contínuo de resistência, formação e afeto”, reforça Saulus Castro.
Com patrocínio da Vitarella e do Governo do Estado da Bahia, por meio do Fazcultura, Secretaria de Cultura e Secretaria da Fazenda, o projeto reafirma seu papel como espaço de criação coletiva e valorização da arte feita nas periferias de Salvador.
SERVIÇO:
Oficinas gratuitas do projeto Tempo Cultural – Vivências em Arte e Cultura
Novembro e dezembro de 2025
Inscrições até 14 de novembro, via @tempocultural ou presencialmente nos locais das oficinas
Formulário: https://encurtador.com.br/tGAi
Entrada: Gratuita
Formação
Escola Estadual Teodoro Sampaio realiza Festa Literária
A Escola Estadual Teodoro Sampaio, localizada no bairro de Pirajá em Salvador, realiza nos dias 30 e 31 de outubro, a 1ª edição da FLITEO – Festa Literária da Escola Estadual Teodoro Sampaio, com o tema “Ciranda de Saberes, Cultura de Afetos: Narrativas que nos Representam”.
O evento gratuito, das 8h às 21h, abre suas portas para estudantes, professores, artistas, pesquisadores e a comunidade em geral, com o propósito de transformar a escola em um grande território de memória, arte, espiritualidade e resistência.

Elen Fernanda
“A FLITEO é mais do que um evento. É o reflexo de uma escola que se reconhece como Kilombo contemporâneo, um espaço de produção de conhecimento vivo, feito com afeto, ancestralidade e compromisso com a transformação social”, afirma a curadora Elen Fernanda.
Para ela, o evento reafirma o papel do Teodoro Sampaio como referência na promoção de uma educação antirracista e plural. “Pirajá é um território onde as memórias africanas e indígenas estão pulsantes. Trazer essa história para o centro da festa é um gesto político e pedagógico de pertencimento.”

Jocevaldo Santiago
A programação inclui mesas de diálogo, oficinas, lançamento de livros, concurso literário, sarau poético, apresentações artísticas, performances, teatro e exposições.
De acordo com o produtor executivo da FLITEO, Jocevaldo Santiago, o evento representa um marco histórico para a comunidade escolar.
“A Festa é uma grande celebração de tudo que tem sido construído nos últimos anos pós-pandemia. Apesar dos desafios de estar em um bairro periférico, o Teodoro tem criado novas narrativas para a educação, revelando que o conhecimento é um ato de esperança e resistência. Fazer a FLITEO é reafirmar um propósito: acreditar que a educação é capaz de transformar vidas.”
SERVIÇO:
FLITEO – 1ª Festa Literária da Escola Estadual Teodoro Sampaio
Tema: Ciranda de Saberes, Cultura de Afetos: Narrativas que nos Representam
Data: 30 e 31 de outubro de 2025
Horário: 8h às 21h
Local: Escola Estadual Teodoro Sampaio – Bairro de Pirajá, Salvador – BA
Entrada gratuita e aberta ao público
Formação
Tia Má debate Letramento Racial na Unijorge
A jornalista, escritora, roteirista e atriz Maíra Azevedo, conhecida como Tia Má, será convidada da Unijorge para a palestra de abertura da 20ª edição do Interculte, no dia 28 de outubro, às 9h, no auditório Zélia Gattai, no Campus Paralela.
Na ocasião, Tia Má vai debater o tema central do maior evento acadêmico da instituição, que este ano será “Letramento Racial: Por uma prática dialógica antirracista”. A palestra é aberta ao público e, para participar, é necessário estar inscrito no Interculte.
O Interculte é espaço de debate plural e interdisciplinar, ao propor o letramento racial como ferramenta pedagógica e emancipatória para analisar criticamente as dinâmicas raciais e estimular práticas antirracistas em diferentes contextos sociais e profissionais.
A programação será realizada de 28 a 30 de outubro, com palestras, oficinas, minicursos e apresentações acadêmicas, no Campus Paralela e em formato virtual.
Tia Má
Tia Má tem uma trajetória de sucesso em diversos trabalhos em séries, filmes e no teatro, e lançou, em 2025, o livro infantil “A Menina que não sabia que era Bonita”, obra que narra a trajetória de uma menina negra em seu processo de autoaceitação e construção da autoestima. Neste marco do Interculte, a jornalista vai conduzir um importante encontro que reforça a proposta do evento, com reflexões sobre sua história, a importância da representatividade e o combate ao racismo.
As inscrições para o Interculte devem ser realizadas AQUI. As vagas são limitadas.
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