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Formação

#21DiasAtivismo – Coletivo de Entidades Negras debate violência de gênero com policiais militares

Jamile Menezes

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16 dias de ativismo

“Ele nunca me agrediu, só me xinga as vezes mas, durante esses 13 anos, ele nunca me bateu. Quero que ele saia da minha casa e ele não quer sair”, relata C.S, que estava na Delegacia de Atendimento à Mulher (DEAM), em Periperi na manhã desta terça (29).

16 dias de ativismo

Iraildes Andrade (CEN) Foto – Ascom/Ronda

O relato dela é o de muitas outras que chegam à linha de frente do atendimento às vítimas de violência doméstica – seja em ocorrências atendidas nas Delegacias ou pela Ronda Maria da Penha, criada em 2015 no âmbito da Polícia Militar da Bahia.

Para capacitar agentes policiais quanto aos tipos de violência contra a mulher, o Coletivo de Entidades Negras (CEN) esteve na Deam de Periperi neste dia, para falar com policiais sobre o tema. Na ocasião, a coordenadora de Gênero do CEN, Iraildes Andrade, falou de violência psicológica, sexual, patrimonial e moral – cujas características ainda são desconhecidas por muitas mulheres.

A ação integra a Campanha dos 21 dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra a Mulher, encabeçada, em Salvador e Região Metropolitana, pelo CEN, em parceria com o Instituto AVON e Governo do estado. A Campanha segue até dia 10 de dezembro, já tendo realizado atividades junto a mulheres em situação de cárcere, intervenções em espaços públicos com distribuição de materiais informativos. As ações seguem durante a semana, veja aqui. Na ocasião, a Ronda Maria da Penha integrou seu projeto “Papo de Homem” à Campanha, reunindo seus policiais para a formação.

16 dias de ativismo

Foto: Suzana Batista

O objetivo foi educar para a prevenção à violência doméstica e familiar, para que eles tenham o conhecimento das cinco formas de violência a que a mulher é vitima. A Ronda, comandada pela Major Denice Santiago, já vem acontecendo em outros municípios como Piritiba, Riachão de Jacuípe.

“Nós temos uma preocupação aqui na Ronda de atender a tudo que se configure a Lei Maria da Penha. Pela prática, nós percebemos que quando a Ronda também conversa com o agressor, ela explica para ele a medida protetiva e dialoga sobre sua violência. Aqui, o agressor tende a compreender mais a necessidade de seu afastamento da companheira (ou ex)”, explica major Santiago.

A violência não é só física

A violência física, psicológica, sexual, patrimonial e moral são as formas mais comuns de violência contra a mulher e são essas violências que a Ronda Maria da Penha vem tentando impedir que aconteça com tanta frequência.

 A denunciante que citamos no início deste texto, por exemplo, é retrato do que os policiais da Ronda Maria da Penha relatam, quando questionados sobre dificuldades neste tratar: lidar com a falta de informação dessas vítimas quanto ao que é violência. No caso, averiguado pelos policiais, ela sofre de dois tipos de violência: a moral e a patrimonial, uma vez que seu companheiro se nega a sair de sua casa, ameaçando seu patrimônio.

 

ronda maria da penha

Foto: Suzana Batista

A capitã Ana Paula Queiróz, subcomandante da Ronda Maria da Penha, fala sobre esta atuação. “O crime de violência doméstica é perpetuado pela cultura. Para além de atender à demanda dessas mulheres, a Ronda tem o compromisso de instruir as pessoas sobre o que são estas violências e como as mulheres podem não sofrê-las, não figurem como vítimas. É também para os homens, para que eles não comentam se tornem agressores”, explica.

“Os policiais foram receptivos à temática. Ouvimos relatos sobre patriarcado, cultura de machismo, de se colocar no lugar da mulher e entender suas dificuldades, o que nos deu a certeza de que há jeito de transformar a realidade que ainda encontramos, que é a da falta de acolhimento relatada pelas mulheres vítimas de violências. Eles são a porta da frente para elas, elas precisam enxergar nesta farda que há alguém do outro lado que pode ajudá-las. De eles estiverem conscientizados disso, sensibilizados, já teremos avançado”, afirma a coordenadora de Gênero do CEN, Iraildes Andrade. 

Estima-se que, no Brasil, cerca de 2 milhões de mulheres sofram agressão a cada ano e a Lei Maria da Penha descaracteriza esta agressão enquanto crime de menor poder ofensivo, punido com multa ou cestas básicas, tornando-a crime com pena de 1 a 3 anos de prisão. Além disso, o judiciário pode obrigar o agressor a participar de programas de reeducação ou recuperação.

Para o Cabo Djair, que é um dos primeiros integrantes da Ronda Maria da Penha, fazer parte desse projeto é muito importante ainda mais sendo homem. “Uma coisa que vem do patriarcado, uma coisa bem antiga de criar o homem com a bola, criar mulher com essa separação, essa falta de explicação de gêneros. Criou-se essa dificuldade hoje da aceitação masculina com relação à compreensão sobre a mulher e suas necessidades. Hoje, muitos homens não veem a mulher com a igualdade que elas merecem, mas a gente está tentando desconstruir isso”, afirma.

As ações do CEN na Campanha dos 21 dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra a Mulher – em parceria com o Instituto AVON – continuam em Salvador, Simões Filho e Lauro de Freitas. Saiba tudo aqui.

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Formação

Tempo Cultural abre inscrições no Subúrbio Ferroviário

Kelly Bouéres

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Oficina de Gastronomia
BecoFilms

O projeto Tempo Cultural – Vivências em Arte e Cultura está com inscrições abertas até 14 de novembro para oficinas gratuitas voltadas a jovens e adultos do Subúrbio Ferroviário de Salvador. Idealizado pelo multiartista Saulus Castro, do Coletivo Duo, em parceria com a Enter Consultoria, o projeto chega à segunda edição entre novembro e dezembro de 2025, reafirmando o compromisso com o acesso democrático à arte e à cultura.

Com foco na formação descentralizada e na valorização de profissionais locais, o Tempo Cultural reúne artistas e educadores de áreas como gastronomia, teatro, música, fotografia, audiovisual, artes visuais e capoeira.
As inscrições podem ser feitas pelo perfil @tempocultural ou presencialmente nos locais das atividades, que terão carga horária média de 20 horas e 20 vagas por oficina.

“É sobre formar pessoas, estimular sonhos e fortalecer a autoestima de um povo que produz cultura todos os dias”, afirma Saulus Castro, idealizador do projeto.

As formações acontecem em diferentes espaços do Subúrbio — Lar Pérolas de Cristo (Coutos), Colégio Estadual Barros Barreto (Paripe), Terreiro Ilê Axé Ogodogê (São Tomé de Paripe) e ESCOLAB Subúrbio 360º (Vista Alegre) — com atividades ministradas por artistas como Marcelo Saback, Israel Barretto, Alan TK, Luan Gramacho, Luiz Gustavo e Marcos “Montanha”.

Entre os destaques, estão oficinas como Confeitaria Lucrativa, Iniciação Musical com ênfase nas musicalidades da diáspora africana, O Jogo Físico na Cena, Arte Urbana em Ação, Fotografia e Território, Da Ideia à Distribuição e Capoeira – Corpo, Ritmo e Resistência. Todas as atividades são gratuitas e dão direito a certificado.

A programação culmina na Mostra Tempo Cultural, marcada para o dia 13 de dezembro, reunindo os resultados das oficinas em performances, exposições, exibições e intervenções artísticas.

“Na primeira edição, beneficiamos diretamente cerca de 280 pessoas com as oficinas e alcançamos 700 participantes na mostra. O Tempo Cultural é um gesto contínuo de resistência, formação e afeto”, reforça Saulus Castro.

Com patrocínio da Vitarella e do Governo do Estado da Bahia, por meio do Fazcultura, Secretaria de Cultura e Secretaria da Fazenda, o projeto reafirma seu papel como espaço de criação coletiva e valorização da arte feita nas periferias de Salvador.

SERVIÇO:

Oficinas gratuitas do projeto Tempo Cultural – Vivências em Arte e Cultura
Novembro e dezembro de 2025
Inscrições até 14 de novembro, via @tempocultural ou presencialmente nos locais das oficinas
Formulário: https://encurtador.com.br/tGAi
Entrada: Gratuita

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Escola Estadual Teodoro Sampaio realiza Festa Literária

Jamile Menezes

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Escola Estadual Teodoro Sampaio

A Escola Estadual Teodoro Sampaio, localizada no bairro de Pirajá em Salvador, realiza nos dias 30 e 31 de outubro, a 1ª edição da FLITEO – Festa Literária da Escola Estadual Teodoro Sampaio, com o tema “Ciranda de Saberes, Cultura de Afetos: Narrativas que nos Representam”.

O evento gratuito, das 8h às 21h, abre suas portas para estudantes, professores, artistas, pesquisadores e a comunidade em geral, com o propósito de transformar a escola em um grande território de memória, arte, espiritualidade e resistência.

Elen Fernanda

“A FLITEO é mais do que um evento. É o reflexo de uma escola que se reconhece como Kilombo contemporâneo, um espaço de produção de conhecimento vivo, feito com afeto, ancestralidade e compromisso com a transformação social”, afirma a curadora Elen Fernanda.

Para ela, o evento reafirma o papel do Teodoro Sampaio como referência na promoção de uma educação antirracista e plural. “Pirajá é um território onde as memórias africanas e indígenas estão pulsantes. Trazer essa história para o centro da festa é um gesto político e pedagógico de pertencimento.”

Jocevaldo Santiago

A programação inclui mesas de diálogo, oficinas, lançamento de livros, concurso literário, sarau poético, apresentações artísticas, performances, teatro e exposições.

De acordo com o produtor executivo da FLITEO, Jocevaldo Santiago, o evento representa um marco histórico para a comunidade escolar.

“A Festa é uma grande celebração de tudo que tem sido construído nos últimos anos pós-pandemia. Apesar dos desafios de estar em um bairro periférico, o Teodoro tem criado novas narrativas para a educação, revelando que o conhecimento é um ato de esperança e resistência. Fazer a FLITEO é reafirmar um propósito: acreditar que a educação é capaz de transformar vidas.”

SERVIÇO:

FLITEO – 1ª Festa Literária da Escola Estadual Teodoro Sampaio
Tema: Ciranda de Saberes, Cultura de Afetos: Narrativas que nos Representam
Data: 30 e 31 de outubro de 2025
Horário: 8h às 21h
Local: Escola Estadual Teodoro Sampaio – Bairro de Pirajá, Salvador – BA
Entrada gratuita e aberta ao público

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Tia Má debate Letramento Racial na Unijorge

Jamile Menezes

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Tia Má

A jornalista, escritora, roteirista e atriz Maíra Azevedo, conhecida como Tia Má, será convidada da Unijorge para a palestra de abertura da 20ª edição do Interculte, no dia 28 de outubro, às 9h, no auditório Zélia Gattai, no Campus Paralela.

Na ocasião, Tia Má vai debater o tema central do maior evento acadêmico da instituição, que este ano será “Letramento Racial: Por uma prática dialógica antirracista”. A palestra é aberta ao público e, para participar, é necessário estar inscrito no Interculte.

O Interculte é espaço de debate plural e interdisciplinar, ao propor o letramento racial como ferramenta pedagógica e emancipatória para analisar criticamente as dinâmicas raciais e estimular práticas antirracistas em diferentes contextos sociais e profissionais.

A programação será realizada de 28 a 30 de outubro, com palestras, oficinas, minicursos e apresentações acadêmicas, no Campus Paralela e em formato virtual.

Tia Má

Tia Má tem uma trajetória de sucesso em diversos trabalhos em séries, filmes e no teatro, e lançou, em 2025, o livro infantil “A Menina que não sabia que era Bonita”, obra que narra a trajetória de uma menina negra em seu processo de autoaceitação e construção da autoestima. Neste marco do Interculte, a jornalista vai conduzir um importante encontro que reforça a proposta do evento, com reflexões sobre sua história, a importância da representatividade e o combate ao racismo.

As inscrições para o Interculte devem ser realizadas AQUI. As vagas são limitadas.

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