Literatura
Sarau Enegrescência convida Cidinha da Silva este sábado (3)

Banco de Imagens
Há dois anos, jovens se reúnem, em Salvador, para falar de culturas negras através da educação, da literatura e das artes. É o Projeto Enegrescência que tem como principal atividade o Sarau Enegrescência, que acontece no Centro Cultural Casa de Angola na Bahia. Na última edição do ano, este sábado (3), às 15h, a convidada será a escritora Cidinha da Silva.
Na ocasião, Cidinha conversará com o público e pré-lançará seu novo livro de crônicas, intitulado “#paremdenosmatar e o “Canções de amor e dengo”, de poemas. As obras poderão ser adquiridas no local. O livro #paremdenosmatar (Ijumaa, 2016) já foi lançado em outras cinco cidades.
“Não é um livro que se tenha alegria ao fazer, é o contrário disso, pois fala da morte imposta à população negra no Brasil, na diáspora e em África, tanto pelo extermínio físico, quanto pela morte cultural e simbólica. Mas a Ijumma o fez belo como objeto-livro sonhado e o entregamos muito felizes às mãos leitoras” – Cidinha da Silva.
A obra tem 240 páginas e, ao longo de 72 crônicas escritas entre 2012 e 2016, fala de resistência. “Trata-se de leitura densa que exige estômago e coragem. É um livro que exige mais do que o desgastado uso do termo “denúncia” para caracterizá-lo. Este #Paremdenosmatar! é testemunha de acusação do genocídio contemporâneo da população negra. É memória viva em transformação que se vale da crônica como suporte”, enfatiza a autora.
“Para nós, do Enegrescência, é muito gratificante ter em nosso Sarau a presença da escritora Cidinha da Silva, umas das referências da literatura negra brasileira. Finalizar o ano com um lançamento de livros que tratam sobre genocídio e afetividade negra, o primeiro como elemento cerceador dos nossos afetos, é alimentar o Sarau Enegrescência com discussões estéticas e questões urgentes para o povo negro. É perceber como a literatura negra é algo que reafirma a humanidade de negras e negros através de sua estética afetiva” – David Alves, um dos organizadores do Sarau Enegrescência.
Com o Sarau Enegrescência os/as organizadores/as visam difundir obras de autores/as negro-brasileiros/as e africanos/as. Com a ação, também busca-se dar visibilidade à estética literária negra e afrodiaspórica, além de discutir questões referentes à identidade etnicorracial, africanidades e afrobrasilidades.
SERVIÇO
Quando: 03 de dezembro de 2016, 15H
Onde: Casa de Angola na Bahia, em frente ao Corpo de Bombeiros da Barroquinha

Cultura
Larissa Luz e Paulo Rogério Nunes participam da 6ª Festa Literária Arte e Identidade
Voltar ao passado também pode ser uma forma de avançar. Nos dias 16 a 18 de setembro, a 6ª Festa Literária Arte e Identidade mostra como a ancestralidade, as memórias e os saberes construídos por gerações podem servir de ponto de partida para imaginar novos futuros. Ao longo de três dias, literatura, música, dança, moda, teatro, cinema, artes visuais e tecnologia se encontram para celebrar diferentes maneiras de criação, expressão e conhecimento em torno do tema “O Futuro é Ancestral – Arte e Literatura Afrofuturista”, no Pelourinho.
A programação começa na tarde da quarta-feira (16), a partir das 13h30, com exposições, intervenções artísticas, atividades lúdicas e ações culturais espalhadas por quatro espaços principais e equipamentos parceiros. Às 15h, a abertura oficial ganha destaque com a mesa “Afrofuturismo: O futuro é Ancestral”, no Espaço Juventudes (Largo Quincas Berro D’Água), que recebe a multiartista baiana Larissa Luz e o publicitário, empreendedor e consultor em inovação e diversidade Paulo Rogério Nunes, com mediação da educadora, pesquisadora e Mestra em Estudo de Linguagens Lindinalva Barbosa. Juntos, eles irão discutir o afrofuturismo e as possibilidades de construir o futuro a partir das referências ancestrais.
Cantora, atriz e apresentadora, Larissa Luz participará como palestrante, trazendo para o debate sua trajetória na música, no teatro, no cinema e na televisão, marcada pelo protagonismo negro e pelo empoderamento feminino. Ao lado dela, Paulo Rogério Nunes acrescenta à conversa sua experiência como cofundador da Vale do Dendê e da AFRO.TV, autor de livros sobre futuro e inovação e idealizador do Festival Afrofuturismo. Reconhecido internacionalmente, foi eleito um dos afrodescendentes mais influentes do mundo pela MIPAD e um dos 100 inovadores fora do Vale do Silício pela Rest of World, além de ter sido o único brasileiro convidado a palestrar no primeiro evento internacional da Fundação Obama, em Chicago.
Escrever é sobre imaginar – O público infantil terá um espaço reservado para explorar a imaginação e transformar a palavra falada em afirmação de identidade e protagonismo. Na quinta-feira (17), às 10h50, no Espaço Infantil Brilho (Largo Tereza Batista), o “Sarau da Infância” será conduzido por Duda Santhana, de 11 anos, declamadora, atriz e modelo que vem se destacando em saraus e festas literárias na Bahia. A intervenção artística propõe uma dinâmica interativa com poesias autorais e referências da cultura hip-hop e do slam, incentivando as crianças a escrever, declamar e compartilhar suas próprias criações no microfone.
Para Duda Santhana, expoente da nova geração de artistas periféricos, a palavra falada pode ser uma ferramenta de expressão, identidade e resistência. “A poesia é um espaço para você contar sobre a sua história e memória. É a partir desse momento que as pessoas escutam e sabem da sua identidade e sua resistência. A batalha de rima é o improviso, essa coisa de fazer na hora, pegando referências de pessoas que fizeram parte da nossa história, da cultura preta. A poesia também pode ser um espaço lúdico, onde você pode fantasiar tudo o que deseja e usar a imaginação, afinal, a escrita serve para isso”, comenta.
O corpo também fala – Corpo, memória, identidade e criação se encontram em um bate-papo sobre como dança, moda e estética podem recuperar legados ancestrais e, ao mesmo tempo, criar novas imagens sobre as existências negras. Para falar sobre essas possibilidades, ninguém melhor do que artistas e criadores que fazem dessas linguagens parte de quem são. Na roda de conversa “Corporeidades ancestrais e afrofuturos estéticos: Dança, Moda e Corpo”, na sexta-feira (18), às 14h, no Espaço Juventudes (Largo Quincas Berro D’Água), Tatiana Campêlo, Linda Rosa Rodrigues, Rey Vilas Boas e Dete Lima compartilham diferentes perspectivas sobre o tema, com mediação da escritora, poeta, educadora, coordenadora pedagógica e curadora Karla Daniella Brito.
Bailarina, coreógrafa, pesquisadora e diretora da Campêlo Cia de Dança, Tatiana Campêlo tem sua trajetória marcada pelas danças de matrizes africanas e afro-brasileiras e pela pesquisa sobre corpo, memória e identidade. Linda Rosa Rodrigues, com trajetória no Olodum desde a infância, cria os conceitos e figurinos do Bloco Olodum Mirim, em um trabalho que une moda, história e identidade negra. Rey Vilas Boas, fundador de uma marca de moda sustentável, transforma resíduos têxteis em criações autorais e aposta na moda circular e no consumo consciente. Já Dete Lima, estilista e artista visual ligada ao Ilê Aiyê e ao Terreiro Acè Jitolu, tem na estética afro-brasileira e na espiritualidade as bases de sua produção, sendo a principal responsável pela identidade estética e pela concepção dos figurinos do bloco.
O estilista Rey Vilas Boas, fundador da própria marca sustentável que leva seu nome, conta que encontrou na moda um caminho para se sentir pertencente, expressar sua identidade e fortalecer sua autoestima. Para ele, o processo de criação também está relacionado à capacidade de enxergar novos sentidos tanto nos materiais quanto nas experiências que carrega: “Ressignificar um tecido é dar uma nova possibilidade a algo que seria descartado. E isso também pode acontecer com nossas ideias. Podemos mudar aquilo que pensamos sobre nós mesmos. Podemos transformar nossas histórias em potência. Você não precisa ser definido pelo lugar onde começou”.
“Precisamos questionar os padrões de beleza que recebemos, corpos pretos são diversos. Cabelos, peles, rostos, corpos e estilos também são formas de expressão. Não precisamos caber em uma única caixa estética. Roupa também conta histórias, a moda pode falar de território, memória, identidade e ancestralidade. Eu deixei de querer apenas consumir referências e passei a querer criar referências. Eu passei muito tempo procurando referências para acreditar que eu podia. Hoje, quero ser referência para que outros meninos e meninas entendam que também podem”, ressalta Rey Vilas Boas.
Circuito de cultura e memória – Os visitantes poderão circular por quatro espaços fixos no Pelourinho, com programação simultânea, cada um dedicado a diferentes públicos: o Espaço Infantil Brilho, no Largo Tereza Batista; o Espaço Juventudes, no Largo Quincas Berro D’Água; o Espaço Empoderamento, na Casa Vale do Dendê; e o Espaço Identidades, no Museu Eugênio Teixeira Leal.
A programação se estende ainda a equipamentos culturais parceiros, como Casa do Carnaval, Casa do Idoso, Casa do Olodum, Escola Olodum, Museu de Energia, Museu Solar Ferrão, SEPROMI – Unidade Móvel do Centro de Referência Nelson Mandela e Projeto Axé – Axébuzu, ampliando as possibilidades de contato com diversas manifestações da cultura e da memória afro-brasileira.
As atrações foram pensadas para reacender os sonhos de crianças e jovens negros, indígenas e afro-indígenas, oferecendo um espaço de múltiplas aprendizagens, fruição e empoderamento. Ao colocar em circulação vários saberes e meios de expressão, o evento cria um circuito que contribui para fortalecer a representatividade, expandir horizontes e criar possibilidades para que esses públicos ocupem espaços de liberdade, criação e protagonismo.
A Festa Literária Arte e Identidade tem apoio financeiro do Estado da Bahia, através do Fundo de Cultura, Secretaria de Cultura e Secretaria da Fazenda.
SERVIÇO
Festa Literária Arte e Identidade – 6ª edição
Mesa: Conferência de Abertura “Afrofuturismo: O futuro é Ancestral” – Com Larissa Luz, Paulo Rogério Nunes e mediação por Lindinalva Barbosa
Data: 16 de setembro
Horário: 15h
Local: Espaço Juventudes, no Largo Quincas Berro D’Água
Mesa: “Sarau da Infância” – Com Duda Santhana
Data: 17 de setembro
Horário: 10h50
Local: Espaço Infantil Brilho, no Largo Tereza Batista
Mesa: “Corporeidades ancestrais e afrofuturos estéticos: Dança, Moda e Corpo” – Com Tatiana Campêlo, Linda Rosa Rodrigues, Rey Vilas Boas e Dete Lima e mediação por Karla Daniella Brito
Data: 18 de setembro
Horário: 14h
Local: Espaço Juventudes, no Largo Quincas Berro D’Água
Mais informações: @arteeidentidadeoficial
Site: https://sites.google.com/view/
Entrada Gratuita
Literatura
Cassia Valle e Luciana Palmeira lançam livros na Bienal do Livro de São Paulo
A atriz do Bando de Teatro Olodum, escritora, diretora e museóloga Cassia Valle chega à Bienal Internacional do Livro de São Paulo ao lado da escritora, atriz e museóloga Luciana Palmeira para uma programação atravessada por literatura, teatro, música, memória, identidade e representatividade negra.
As autoras participarão de dois lançamentos e apresentarão a performance Mala? No: Mala Brincante no Espaço Infâncias, integrando a programação oficial da Bienal.
No dia 12 de setembro, às 15h, noков estande da Editora Malê, Cassia Valle e Luciana Palmeira darão continuidade ao ? Circuito Sonora, programa de pré? No: darão continuidade ao Circuito Sonora, programa de pré-lançamentos do livro “Maga, Pérola Sonora”. O encontro será acompanhado por uma performance artística inspirada no universo da obra.
Inspirado na trajetória da cantora e ministra da Cultura Margareth Menezes, o livro apresenta a força de uma menina que reconhece o próprio território como mestre. Uma criança que aprende com os sons, os afetos, as pessoas e as memórias do lugar onde vive, descobrindo na música um caminho de identidade, pertencimento e transformação.
No dia 13 de setembro, às 15? No: às 15h, no estande da Editora Mostarda, as autoras lançarão “Uma? No: “Uma Pequena? No: “Pequena Leitora? No: “Pequena Leitora, Grande Museóloga”.
A obra integra uma coleção que aproxima o público infantil da literatura e apresenta diferentes profissões às crianças. Neste volume, Cassia Valle e Luciana Palmeira falam sobre a Museologia, área de formação das duas autoras, mostrando que os museus não são apenas lugares onde se guardam objetos, mas espaços vivos de preservação das memórias, das histórias, dos patrimônios e das identidades de pessoas e comunidades.
Para a atriz, escritora e museóloga Cassia Valle, os dois livros mostram como o território participa da formação das crianças e de suas identidades:
“Os dois livros falam sobre as muitas possibilidades que o território oferece para a construção da identidade. É no lugar onde vivemos que encontramos sons, histórias, memórias, profissões, afetos e referências que nos ajudam a compreender quem somos e de onde viemos. Quando uma criança reconhece a força do seu território, ela também fortalece o sentimento de pertencimento”, afirma Cassia Valle.
Para Luciana Palmeira, as obras ampliam as referências apresentadas às crianças negras e ajudam a abrir caminhos para outras escritas:
“Além de estimular o surgimento de novos leitores e autores, continuamos provocando reflexões sobre a importância da identidade preta na construção do pertencimento. Queremos que nossas crianças se reconheçam nos livros, nas profissões, nas histórias e em todas as possibilidades de futuro”, destaca Luciana Palmeira.
Ainda no dia 13 de setembro, às 19h, Cassia Valle e Luciana Palmeira apresentarão a performance Mala Brincante no Espaço Infâncias, como parte da programação oficial da Bienal.
Na apresentação, as duas autoras e atrizes abrem uma mala povoada de histórias e convidam o público a percorrer caminhos de literatura, música, poesia, ancestralidade e brincadeira. Mais do que objetos, a mala guarda lembranças, personagens, canções e saberes. A cada abertura, uma nova história ganha corpo, movimento e voz.
Com 35 anos de trajetória teatral, Cassia Valle leva para a Bienal uma experiência construída nos palcos, na literatura, na Museologia e na formação de novas gerações. Como atriz e integrante do colegiado gestor do Bando de Teatro Olodum, fundadora do Bonde da Calu e do Instituto Calu Brincante, sua produção articula teatro negro, memória, identidade e criação artística para as infâncias.
Literatura
Poeta Nelson Maca leva performance “Exu Do Amor” à Casa Preta
O poeta Nelson Maca leva à Casa Preta, no dia 4 de setembro, a performance Exu Do Amor, na qual presta um tributo aos cantores e compositores Itamar Assumpção, Jards Macalé e Luiz Melodia. Para essa apresentação, terá como convidado o Dj Pinduka, que fará uma “discotecagem comentada” sobre a obra do trio.
Exu Do Amor é um recital com letras clássicas de canções dos três músicos, com diferentes abordagens para os conflitos de amores.
“É com grande emoção que declamo letras que me acompanham desde minha infância. Acho ousado amarrá-las com meus poemas, mas penso que Exu simboliza também o conflito dos amantes. Amo demais fazer ese recital.”
Dj Pinduka, conhecido pesquisador, colecionador e ativista da cultura do vinil, faz uma discotecagem, com o mesmo recorte musical do recital. Ele apresentará vinis, num passeio pelo repertório de Itamar, Jards e Melodia.
Exu do Amor estreou em 2024 e já passou por espaços como o Memorial Esperança Garcia (PI), Itaú Cultural, Teatro Clariô e Sesc Pinheiros (SP), Muhcab (RJ), Casa Simples e Casa GOG (DF), Casa de Alzira e O Casarão (PE). Participou de eventos como Flip (RJ), Verso Livre (RS), Balada Literária (PI e SP) e Futuráfrica (SP).
A apresentação na Casa Preta faz parte do projeto Elos e Elãs, uma realização vinculada ao Programa Funarte de Apoio a Ações Continuadas, Fundação Nacional de Artes, Ministério da Cultura do Governo do Brasil.
Sobre Maca
Nelson Maca é professor de literatura brasileira, escritor e militante do movimento social negro. Fundou o Coletivo Blackitude, que realiza o Sarau Bem Black, o Slam Lonan e a Balada Literária da Bahia. Publicou os livros Gramática da Ira (poesia), Go Afrika (poesia), Relatos da Guerra Preta ou Bahia Baixa Estação (contos), Ani: todos os Felas do Mundo (romance) e Thank You Exu (poesia). Atualmente, apresenta as performances Tamborismo, CandomBlackesia, Thank You Exu e Exu Do Amor. Recebeu o prêmio pela trajetória cultural, no programa Paulo Gustavo.
Dj Pinduka
Dj Pinduka tomou gosto por colecionar álbuns no formato LP (long-play 12”) ou CP (compacto 7”). Desde o final dos anos 90, foi juntando gente amiga e não tardou para desaguar em festas regadas a música pra pular brasileira. Depois vieram feiras e eventos musicais temáticos e organizar sets tendo um assunto-guia virou um novo brinquedo. Na discotecagem comentada pós-Exu do Amor, o brincante vai girar nos pratos dos toca-discos álbuns representativos da discografia Jards Macalé, Luiz Melodia e Itamar Assumpção, com riscos de faixas incidentais afins e notícias sobre singularidades das gravações citadas.
SERVIÇO
Evento: Performance Exu do Amor
Quando: 04/9, às 19h30
Onde : Casa Preta (Rua Areal de Cima, 7, Dois de Julho)
Ingresso: R$ 30 (vendas no Sympla)
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