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Literatura

Quartinhas de Aruá terá edição especial com lançamento do 39º Cadernos Negros

Jamile Menezes

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quartinhas de aruá

quartinhas de aruá

Há 11 anos, um grupo de poetas dava início ao primeiro Sarau de Literatura Negra em Salvador: A Quartinhas de Aruá – Encontros de Literatura Negra. A ideia da professora Lindinalva Barbosa e dos poetas José Carlos Limeira e Lande Onawale era criar um espaço que possibilitasse a reflexão sobre literatura negra no Brasil, África ou diáspora e deu certo. Neste tempo, as Quartinhas se consolidaram enquanto espaço de visibilização de autoras e autores negros – sobretudo baianos.

E na próxima quarta (21) – última do ano -, no Ceao (Dois de Julho), em edição especial da Quartinhas, haverá o lançamento dos Cadernos Negros – Vol. 39, que conta com a participação de 14 autores baianos e que residem na Bahia. São eles e elas: Alessandra Sampaio, Ana Fátima, Benício dos Santos Santos, Cláudia Gomes, Fernando Gonzaga, Guellwaar Adún, Fausto Antonio, Luís ‘Aseokaýnha’, Jocelia Fonseca, Jovina Souza, Lande Onawale, Louise Queiroz, Negranória d’Oxum e Urânia Munzanzu. A atividade é aberta ao público e o Portal SoteroPreta é parceiro do evento.

A publicação surgiu em 1978, reunindo – anualmente – poemas e contos de estilos e autorias diversas. Com o tempo, a distribuição foi ampliada, chegando a escritores e poetas negros de vários estados do Brasil. Os Cadernos Negros são, hoje, a principal antologia publicada regularmente com textos de autores afro-brasileiros, sendo um dos mais tradicionais veículos de visibilidade desta literatura.

“Este espaço se constituiu como um tipo de território de aquilombamento de poetas, escritorxs, pesquisadorxs e estudiosxs da literatura e demais artistas de outras linguagens. Costumamos dizer que a Quartinhas tem vida própria e, mesmo depois de perdermos a regularidade de edição, de repente, a Quartinhas se insurge. Agora ela chega em celebração aos Cadernos Negros 39 – Poemas, numa reafirmação da literatura negra brasileira feita por Quilombhoje, um dos mais exitosos projetos da luta anti-racista e da cultura negra na diáspora”, diz Lindinalva Barbosa.

 

quartinhas de aruá

Quartinhas 2010

Na ocasião, a partir das 18h30, será dado início à ritualística característica das Quartinhas, com performances artísticas da atriz Vera Lopes, da cantora Alexandra Pessoa e da dançarina Tainara Cerqueira, tendo a literatura como base. Logo após a abertura, o público dialogará com a profa. dra. Florentina Souza, que falará da importância dos Cadernos Negros na literatura brasileira.

 “O passar do tempo, para nós do Candomblé, é engrandecedor quando persistimos no tempo realizando coisas com dedicação, inteireza. Começamos em um momento em que não havia saraus de literatura negra como hoje, quando temos iniciativas brilhantes e diversas. A Quartinhas se encaixa neste cenário com sua prática de integrar os enfoques políticos, acadêmicos e artísticos, aliados à ancestralidade africana”, pontua Lande Onawale.  

 

No lançamento do 39º Cadernos Negros, os autores autografarão os livros. Logo após, o espaço será da poesia, com o tradicional recital “poétnico” das Quartinhas de Aruá.  O nome é emblemático, permeado por símbolos: os encontros sempre ocorrem às quartas, “quartinhas” são vasos de barro ligados à pré-iniciação no Candomblé e o “aruá”, bebida da culinária afro-baiana também comum na religião, que é servido ao público ao longo do Sarau.

 

Itinerância

A Quartinhas de Aruá já foi realizada em diversos espaços de Salvador, sempre ligados a demandas da comunidade negra da cidade, como a Casa de Angola, o CEAO, CEPAIA, ONG Quilombo Cecília, no Pelourinho, na biblioteca comunitária Betty Coelho, na Boca do Rio, no Teatro Solar Boa Vista, dentre outros espaços. Diversos/as escritores/as, poetas já passaram pelo projeto, que resiste em prol da preservação da literatura feita por negros e negras.

“Escrever é uma forma de me manter viva, escrever nos Cadernos Negros é vida,

honra e dignidade para mim e para os nossos”, – Urânia Munzanzu. 

 

SERVIÇO

O que: Quartinhas de Aruá – Lançamento do 39º volume dos Cadernos Negros

Quando: 21/12 (quarta-feira), 18h30

Onde: CEAO (Dois de Julho)

Aberto ao público

Literatura

Larissa Reis lança livro “Dançando com as Estações”

Jamile Menezes

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Além de escritora, Larissa é também uma poeta, pedagoga antirracista,

A escritora soteropolitana, Larissa Reis lançou sua mais recente obra, “Dançando com as Estações: diário poético de um corpo-morada pulsante”, publicado pela editora Ascensão.

A obra narra os momentos poéticos de um corpo feminino negro que dançou ao ritmo das estações, do outono de 2021 ao verão de 2022. Como um escudo de resiliência, autocuidado e autoamor diante do isolamento imposto pela pandemia da Covid-19, Larissa conta aos leitores como enfrentou os longos dias de tristeza e ansiedade através da dança e da poesia, explorando movimentos, sons, cores, ritmos e sentimentos durante as estações vivenciadas.

Além de escritora, Larissa é também uma poeta, pedagoga antirracista, contadora de histórias afro-brasileiras, pesquisadora e doutora em Educação e Contemporaneidade pela UNEB.

“Na obra narro os momentos poéticos do meu processo de dança durante as 4 estações vivenciadas na pandemia ocasionada pela Covid-19, considerando o outono de 2021 ao verão de 2022. Como um escudo de resiliência, autocuidado e autoamor diante do isolamento imposto pela pandemia, eu expresso como foram os meus longos dias de tristeza e ansiedade através da dança e da poesia, explorando movimentos, sons, cores, ritmos e sentimentos durante as estações vivenciadas. Esse livro representa um espelho pra mim. Um mantra. Um registro de que tudo passa e que é importante buscarmos armamentos de resiliência. Na arte da poesia e dança eu encontrei remédio para a minha alma. Como essa obra revela o meu diário poético sobre esses dias vividos, xs leitorxs encontrarão a Larissa como ela é: uma mulher negra intensa, romântica, esperançosa, estrategista e que possui muita fé. Com isso, falo também sobre a ancestralidade que me ampara e me ensina a cada dia que eu não ando só”, diz a autora. 

Sobre ela

Larissa Reis é uma escritora negra, poeta, pedagoga antirracista, contadora de histórias afro-brasileiras, pesquisadora e doutora em Educação e Contemporaneidade pela UNEB. Com uma paixão pela linguagem e pela cultura, ela busca constantemente empoderar e inspirar outros através de suas palavras.

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Literatura

Circuito Letras Pretinhas leva literatura pro Subúrbio

Jamile Menezes

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O Circuito Letras Pretinhas conta com recursos de acessibilidade em Libras e audiodescrição.

O Circuito Letras Pretinhas realiza uma programação cultural que envolve  arte e literatura, entre os dias 15 e 30 de maio, que percorrerá bibliotecas comunitárias e escolas públicas do Subúrbio Ferroviário de Salvador. A iniciativa é realizada pelo projeto Calu Brincante (@calubrincante), que conta com coordenação da atriz, escritora e diretora Cássia Valle.

A programação acontece a partir de uma imersão literária na poética da literatura preta infantojuvenil, tomando como base três livros de autoria de Cássia Valle: “Calu, uma menina cheia de histórias”, vencedor do prêmio APCA como melhor livro infantil em 2017, “Aziza, a preciosa contadora de sonhos” e “Felipa, Maria Felipa”. Serão realizadas contações de histórias, leitura dramática, apresentações teatrais e oficinas de escrita criativa e musicalização, sempre integrando os jovens.

O Circuito Letras Pretinhas conta com recursos de acessibilidade em Libras e audiodescrição. A circulação acontece em uma das regiões majoritariamente negras de Salvador e abrange quatro bairros do Subúrbio. O encerramento do projeto contará com uma apresentação do espetáculo “Sarauzinho da Calu”, gratuito e aberto para toda a comunidade local.

“Nossas crianças precisam ter acesso a suas raízes ancestrais, ver representações positivas de sua imagem através de diferentes narrativas. A arte e literatura são grandes ferramentas de transformação neste sentido. De forma lúdica e leve destacamos a beleza da cultura afro-brasileira ao mesmo tempo que usamos uma educação antirracista”, destaca a escritora Cássia Valle, coordenadora do Circuito Letras Pretinhas.

PROGRAMAÇÃO

13/05 (segunda – 9h às 11h ) BIBLIOTECA PAULO FREIRE – ITACARANHA

– Oficina Musicalização

– ⁠Oficina Escrita Criativa

– ⁠Leitura Dramática

16/05 (quinta – 14h às 16h) ESC. COMUNITÁRIA STO. ANTÔNIO – PERIPERI

– Oficina Musicalização

– ⁠Oficina Escrita Criativa

– ⁠Bailinho da Aziza (mini espetáculo teatral)

20/05 (segunda – 9h às 11h ) – ACERVO DA LAJE – ACERVINHO – PLATAFORMA

– Oficina Musicalização

– ⁠Oficina Escrita Criativa

– ⁠Leitura Dramática

23/05 (quinta – 14h às 16h) – CRECHE E ESCOLA MÃE NILDETE – VISTA ALEGRE 

– Oficina Musicalização

– ⁠Oficina Escrita Criativa

– ⁠Mini Recital Maria Felipa

Foto Anderson Moreira

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Literatura

Festa Literária da Praia do Forte trará herança africana na programação

Jamile Menezes

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Festa Literária da Praia do Forte trará herança africana na programação

 

No dia 16 de maio (quinta-feira), começa a 5ª Festa Literária da Praia do Forte, com uma mesa de abertura preta e potente: “Do mar que nos separa à ponte que nos une”. Será às 19 horas, com a participação da cantora e compositora Luedji Luna (BA/SP), da doutora em crítica literária e cultural, Denise Carrascosa (BA) e mediação da doutora em letras e pesquisadoras de autorias negras na literatura, Fernanda Miranda.

A abertura aborda a travessia da cultura brasileira pelo Atlântico, por onde chegaram centenas de escravizados, formando a Bahia e todo o país. A mesa convoca as convidadas para uma conversa sobre a herança africana, expressa na música, na dança, na literatura e também no pensamento crítico brasileiro, formando uma ponte imaginária entre continentes.

Com duração até 19 de maio (domingo), a Festa Literária da Praia do Forte parte do tema Dentro do mar tem rio – narrativas e memórias percorridas pelas águas.  O acesso a toda a programação é gratuito.

Confira aqui: https://www.flipf.com.br/

A FLIPF recebe autores baianos, brasileiros e estrangeiros, que vão se desdobrar em diversas atividades: Mesas literárias, bate papos, lançamentos de livros, oficinas, performances e apresentações artísticas. São dezenas de autores consagrados e iniciantes, de todas as idades.

Vai ter ainda Lívia Natália (BA), Amanda Julieta, Pau de Cabinda (angolano), Ana Fátima e Jorge Augusto, com curadoria também de Anderson Shon.

A partir do tema proposto, “as Mesas irão tratar dessa influência das águas em várias perspectivas desde a compreensão dos oceanos como fronteiras e locais de travessias que constituíram o país até as águas na cosmologia africana e para a astrologia”, explica a curadora do espaço, a jornalista e Doutora em Literatura Edma de Góis.

O Multiverso FLIPF, com curadoria do escritor e poeta Anderson Shon, tem programação dedicada aos jovens, com a realização de bate-papos, lançamentos,  oficinas e Slam, “tornando o espaço um local para o diverso existir… o Multiverso apresentará autores Lgbt’s, Pcd, trans, indígenas, negros, negras, negres,  jovens… a pluralidade também está em seus gêneros, pois passearemos pela poesia, pelo horror, por quadrinhos, games, orixás, origamis… e o bom é que tudo isso cabe no nosso universo, afinal ele é múltiplo, é o Multiverso”, explica Shon.

Passam pelo espaço escritores, ilustradores e artistas como Sued Hosaná, Lorena Ribeiro, Luciene Nascimento, Sofia Oliveira, Ester de Oxum, Ian Fraser, Michelle Oliveira, Dyo, João Mendes, Etiennette Bosetto, Daniel Cesart, além do palestrante Paulo Rogério (único baiano na lista dos 100 futuristas mais importantes de origem africana no mundo), e o escritor angolano Pau de Cabinda, fundador do Afrobooks. O Sarau da Onça também marca presença na 5ª Flipf.

SERVIÇO

5ª FLIPF – Festa Literária Internacional da Praia do Forte

Data: de 16 a 19 de maio (quinta a domingo)

Programação gratuita e espalhada pela vila de pescadores

Site: https://www.flipf.com.br/

Instagram: @flipfoficial

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