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Opinião

#OcupA! – Novos diálogos e narrativas no Circuito Rolezinho, Por Ícaro Jorge

Jamile Menezes

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rolezinhoA branquitude se desestabiliza quando vê a juventude negra ocupando os espaços, criando e inovando. Seja na produção cultural, na moda, na arte, na saúde. Com sua identidade, a juventude negra traz novas esperanças para essa conjuntura brasileira, que dificulta o engajamento cultural e a inovação social, ignorando as novas narrativas.

No Circuito Rolezinho, evento realizado no dia 11 de fevereiro, em Salvador, o tema foi “XS NOVXS PANTERAS NEGRAS + O MENSAGEIRO EXU”. A iniciativa, idealizada pelas baianas Monique Evelle, Luma Nascimento e Yasmin Reis, traz estas novas narrativas através da moda, cultura e arte e me fez pensar novas perspectivas de luta relacionadas à juventude negra

Durante todo o evento, fiquei bastante atento para conseguir captar toda a emoção do espaço, porém transcrever é quase impossível, visto a quantidade de emoções sentidas. Logo quando cheguei, avistei a quantidade de espaços com brechós, vendendo roupas incríveis e super baratinhas, fazendo o dinheiro correr entre os negros de forma criativa, barata e solidária. Logo fui conferir as peças de roupas e curti bastante o que vi.

A identidade do evento também é incrível, o espaço ajuda bastante, já que possui uma carga representativa gigantesca e uma vista incrível pela janela, da qual você consegue enxergar toda a ladeira e os momentos que acontecem. Ao andar pelo circuito, tive que parar para apreciar a maravilhosa exposição “Orixás”, feita por Tauan Carmo. Deslumbrante ver a forma que ele faz a arte, utilizando ferramentas simples, como o Paint, para criar uma nova identidade para as fotos.

Outro ponto que me chamou bastante atenção e que mais me emocionou durante todo o “rolê”, foi a oficina de auto cuidado ministrada por Larissa Almeida. A saúde como um completo envolvimento do ser, pensar, agir, sentir e estar. Foi maravilhoso entender e sentir o quanto a saúde mental, física e espiritual precisam estar em equilíbrio para que se possa seguir em luta e feliz.

O ato de se auto cuidar para que se possa cuidar do outro é tão esquecido que nos transformamos em máquinas que não sentem. A oficina me fez perceber o quanto precisamos de afetividade em nossas vidas para que possamos seguir bem os caminhos pautados e ocupados.

rolezinhoA oficina de gastronomia vegana, ministrada por Sista Katia, foi o momento mais descontraído. Sista Katia é uma mulher incrível, que nos trouxe uma nova narrativa, nos mostrando que pode ser barato ser vegano e que “a comida também é política”. Ela explicou como, na História, diversos confrontos foram trazidos por conta do alimento e fez um alerta sobre a indústria farmacêutica. Um dos momentos mais legais foi quando ela estava preparando o cuscuz de tapioca e o bolinho de estudante e convidou as pessoas para enrolarem o bolinho. Achei que estava na cozinha da minha casa.

Logo depois, rolou aquela oficina de stencil com @DoisDetalhes e grafitti com Srt.AS, na qual aprendemos a pintar. Paralelo, rolava desenho enorme na parede do espaço, com referências do próprio Rolezinho.

Antes da festa, rolou o papo reto com o tema: A arte como forma de diálogos, com Luma Nascimento, Yasmin Reis, Canal Flopou, Dois detalhes e Sista Katia, além do Cine Rolezinho, com exibição do filme “CINZAS”, da diretora Larissa Fulana de Tal. A partir dele, dialogamos sobre o ser negro no Brasil. Já a apresentação das bonecas Preta Pretinha e Afrotour possibilitou viajarmos para outros países da diáspora ou do continente africano de forma mais fácil e segura.

Encerramento com festa!

A mistura #CircuitoRolezinho foi uma festa com pessoas de diversos estilos, uma festa democrática e diversa com uma perspectiva maravilhosa de trocas culturais e musicais. Um dos momentos mais importantes foi a performance de “Ah Teodoro”, que durante o espetáculo chamou atenção utilizando cera de vela quente na própria pele enquanto atuava.

Destaque e palmas para as Djs Nai Sena, Jack Nascimento da Batekoo, Tia Carol, Alan Costa da AfroBapho, Coletivo Crokant com Mauro TelefunkSoul + Dj Leandro + Dj Raiz, que também fizeram o maior show e mostraram a importância da diversidade musical e cultural entre nós, jovens. OcupA!

Confiram entrevista com Yasmin Reis, uma das idealizadoras:

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Foto: João Daniel

OcupA – Qual a diferença da primeira edição para essa edição?

Yasmin Reis – Acho que dessa vez a galera foi mais presente, prestou mais atenção nas oficinas. A ocupação foi maior por conta do teaser que a gente fez e chamou atenção para a galera que é importante fortalecer e entender esses novos diálogos. Tem muitos diálogos sendo repercutidos por aí e a gente não sabe quem está por trás deles, inclusive pessoas brancas que falam de maneira errada sobre algo que elas não tem propriedade.

OcupA – Curti bastante a forma que vocês abordaram a alimentação durante as oficinas. Como surgiu a idéia de abordar alimentação como política?

Yasmin Reis – Comer alimenta seu corpo e espírito e uma das coisas que a estrutura racista quer é nos enfraquecer. Se você para de comer, enfraquece e é isso que o sistema quer. Se alimentar bem é importante e não é caro, você pode comer bem de forma barata e é isso que a gente quer divulgar, fazer novas ocupações que falem sobre alimentação.

OcupA –  Em relação à festa, qual a identidade que vocês pretendem abordar e qual a diferença de outras festas?

Yasmin Reis – Então, eu acho que a gente sempre busca temas. Da última vez, fizemos homenagem a galera do rolezinho que é sobre aquele movimento que começou em 2013, com jovens negros. Nós queremos trazer uma nova perspectiva porque nos jornais e na internet você só enxerga coisas negativas, então a gente quis trazer uma nova abordagem sobre o que é Rolezinho. Nesta segunda edição, escolhemos o tema “XS NOVXS PANTERAS NEGRAS + O MENSAGEIRO EXU”, porque os “Novos Panteras Negras” é o tema do bloco afro de meu pai e “O mensageiro Exu” é o tema do bloco afro do pai de Luma, então resolvemos unir. Esse é o diferencial, sempre buscando novas narrativas.

OcupA –  Já tem tema para o próximo?

Yasmin Reis – “Tons de pele”. A fotógrafa Juh Almeida fez um ensaio com esse tema e estamos nos inspirando nisso. Queremos pautar tons de marrom, junto com uma dança africana chamada Coupé Décalé, então acho que próxima edição vai dar o que falar também.

Fotos: Divulgação

 

A coluna OcupA! é assinada por Ícaro Jorge, 19 anos, fundador e conciliador de histórias do Ocupa Preto, blogueiro, youtuber e mobilizador social.

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#Opinião – Apropriação cultural e gente preta sofrendo racismo no mesmo lugar! – Por Aline Lisbôa

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“Para quem é preconceituoso e diz que branco não pode tocar samba”

Por ironia do racismo, dessa vez, foi numa roda de samba. Em um espaço que se intitulava livre e diverso, mas a funcionária nos vigiava, perseguia e acusava. Esse estado – a Bahia – tem uma faceta do racismo muito viva: apropriação de cultura negra para lucro, em locais que seguem deslegitimando e humilhando negros.

Olhando para um breve histórico do país, enquanto estrutura econômica, nós pessoas pretas, assim como nossos trabalhos e produções, sempre foram a moeda de troca que movimentou e segue movimentando a economia desse lugar. Se já não com escravização explícita, onde vendiam nossos corpos, como antes, camufla-se na diversidade cultural, para continuar transformando em dinheiro a nossa negritude.

Os grandes e pequenos negócios, muito falam sobre diversidade cultural como um alicerce no combate à desigualdade social, mas na verdade, convivendo nesses espaços, percebemos que o termo só enfeita a apropriação da nossa cultura e das nossas lutas, enquanto mantém-se baixíssimos salários, portas fechadas a cargos importantes e, sobretudo, um código de conduta permissível ao racismo.

No posicionamento, muitos desses lugares parecem que estão fazendo o “favor” de acolher a nossa cultura, tornando o lugar mais “livre, diverso e acolhedor”. Mas o racismo e os racistas não descansam, mesmo que a branquitude diga por aí, que são os militantes quem não param, nós negros andamos tentando e, em grande parte das vezes, o racismo nos acorda.

Não é a primeira vez, que esse fenômeno cultura negra x racismo no mesmo local, acontece. A cultura que se constituiu enquanto regional – Cultura Baiana -, na verdade é incondicionalmente nossa, da nossa diáspora, que sempre movimentou o dinheiro do estado.

Enquanto seguimos agredidos pela estrutura que grita mais alto do que nossas músicas nas festas dos brancos. Lembro-me nitidamente de defender o meu bando, que estava sendo constrangido e agredido em meio a uma roda de samba, enquanto os tambores se apropriavam do que chamam muitas vezes de “música baiana” e é música preta!

Vejamos aqui o que de fato é a apropriação cultural, que está longe da discussão das tranças afros sobre peles brancas. Trata-se do esvaziamento da nossa herança cultural enquanto nossa em espaços que não nos toleram, mas apropriam-se das nossas produções para uso e venda, Como se de nós e do nosso fossem donos, perpetuando assim mais uma camada do racismo.

O professor Rodney William, em seu livro “Apropriação cultural”, defende que o baixo índice de representatividade contrasta com a crescente apropriação de quem utiliza nossa estética e técnicas, mas não repassa esse uso em oportunidades de trabalho, incentivos ou ações que engajem o combate ao racismo.

A apropriação cultural não é homenagem, é violência simbólica, de forma sutil ou explícita. Um branco que toca samba e continua destilando o racismo – como escrito por Willia -, é quem esvazia nossa contribuição cultural e apenas se apropria dela para o lucro.

Entendamos que essa roda de samba tinha custo de entrada e todo o consumo incessante do público que o assistia, inclusive o meu, que sofri racismo. Cultura negra para lucro, corpos negros para a humilhação

Vivemos todos os dias o massacre da apropriação cultural na Bahia.

Aline Lisbôa, mulher negra, mãe solo, defensora das possibilidades acadêmicas de mães negras, graduada em Pedagogia- UNEB, pesquisadora em Racismo Estrutural, Educação e Relacões Étnico Raciais e Letramento Racial.

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#Opinião – Quem são as pombagiras? Um mistério revelado – Por Armando Januário

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Laroyê! A Espiritualidade Maior permite que continuemos[1] escrevendo sobre as Pombagiras, haja vista nosso objetivo ser contribuir para a desconstrução de preconceitos. Além do racismo religioso, encontramos o desconhecimento daquilo que Rubens Saraceni, em As Sete Linhas de Umbanda: a religião dos mistérios, denominou “O Mistério Pombagira”: governado pelo Trono Cósmico Feminino, e irradiando desejo, as Inzilas[2] polarizam horizontalmente com o Trono Cósmico Guardião dos Mistérios do Vigor, complementando-o.

Posicionadas a esquerda dos Orixás, as Pombagiras são o polo negativo, absorvendo tudo o que desequilibra a humanidade. A localização e o termo Pombagira evocam o Seu atributo de mensageiras à esquerda, que giram como o pombo-correio, enviando nossas mensagens de desejo para A Espiritualidade Maior. Logo, são seres que trabalham arduamente para A Luz Suprema, e, portanto, na regra da Umbanda, apenas servem ao Bem.

O trabalho dessas entidades é de fundamental importância, porquanto nos Planos Espirituais, adentram aos territórios inferiores, protegendo o Plano Físico de Espíritos das Trevas. Fica evidente, portanto, mais um dos Seus atributos: Guardiãs da Humanidade, nos ajudando a vencer desafios cotidianos.

Mensageiras, Protetoras e Guardiãs, as Pombagiras estão sempre presentes em nossas vidas. Cada pessoa, independente de crença, é acompanhada por um desses espíritos. Sua Energia de Vitória, irresistível, demonstra a grandiosidade do seu trabalho e denuncia o caráter deletério de quem lhes chama de demônios: muitos desses procuram o trabalho das Pombagiras em sigilo, acreditando que Elas são escravas prontas a atender qualquer pedido, de modo irresponsável. Em sua arrogância e mesquinharia, ao não lograrem êxito em suas solicitações, lançam mão da demonização dessas Nobres Senhoras.

Contudo, em algum momento todas as pessoas compreenderão o significado do tridente e do punhal, se curvando respeitosamente à intensidade das Pombagiras. Laroyê!

[1] Dedico esse artigo a Dona Maria de Padilha.

[2] Esse artigo é a sequência de Quem são as Pombagiras?, disponível em https://portalsoteropreta.com.br/2024/05/20/opiniao-quem-sao-as-pombagiras/

[3] Sinônimo de Pombagira, Inzila é termo do quimbundo pambu ia-njila e literalmente traduzido Encruzilhada.

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#Opinião – O que o esoterismo nos ensina sobre os Temporais no Rio Grande do Sul

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Em 27 de abril de 2024, os Temporais no Rio Grande do Sul (RS) tiveram início[1]. Desde então, 467 cidades foram atingidas, deixando mais de 100 pessoas mortas e pelo menos 65 desaparecidas. Falta energia e água na maioria das cidades. Os principais veículos de comunicação se referem a esse evento como uma tragédia sem precedentes. O sofrimento é incalculável!

Nessas condições, uma reflexão esotérica obrigatoriamente passa pela empatia e solidariedade. Acreditamos na urgente necessidade de intensificar as campanhas de doações, no sentido de socorrer todo o RS. Por outro lado, encontramos nesse evento o “Princípio de Causa e Efeito”, conforme O Caibalion[2]: “toda causa tem seu efeito, todo efeito tem sua causa; tudo acontece de acordo com a lei; o acaso é simplesmente o nome dado a uma lei desconhecida; há muitos planos de causalidade, porém nada escapa à lei”. Por séculos, a atividade humana tem afligido a biodiversidade de maneira tão marcante que as consequências não poderiam ser outras. Em paralelo, a legislação ambiental tem sido continuamente desrespeitada. Nesse sentido, os Temporais no RS também são resultado dos excessos humanos. Durante décadas, assistimos o exponencial desflorestamento, tanto no Brasil, quanto em outros países. Isso desequilibra o planeta, e fenômenos climáticos extremos são constantes.

O “Princípio de Causa e Efeito” nos convoca a encarar a questão climática com a máxima seriedade. O Brasil deve se esforçar para cumprir essa agenda, em conformidade com os compromissos internacionais na redução dos impactos sobre a Natureza, tornando a Terra um planeta sustentável. Disso depende a continuidade das espécies. Viver em amor e harmonia com Gaya[3], nossa Pachamama[4]: essa deve ser a essência humana.

[1] Esse artigo é dedicado ao que denomino de O Renascimento: no início da tarde de 31 de maio de 2022, fui abordado por dois homens armados, nas proximidades da Estação da Lapa. Fiquei sob a mira de um revólver apontado para o meu peito e tive pertences subtraídos. Registrei Boletim de Ocorrência. Desejo que os mesmos tenham abandonado qualquer prática criminosa. Aquele foi um momento de Iluminação. Jamais será esquecido.

[2] Com a mesma raiz da palavra Cabala, mística judaica que indica a origem da espécie humana, indo além do próprio judaísmo, o Caibalion contém os ensinamentos de Hermes Trismegisto, o deus Toth no Kemetismo Egípcio. Suas leis, ensinadas nas Escolas de Mistérios do Antigo Egito explicam os Sete Princípios Herméticos, demonstrando as correlações entre todos os planos da existência.

[3] Na cultura da Antiga Grécia, A Mãe Gaya é a própria Terra, com extraordinárias fertilidade e geração.

[4] No quíchua, língua dos incas, falada na atualidade por aproximadamente 10 milhões de pessoas em diversas etnias na Colômbia, Argentina, no Brasil e no Chile, Pachamama é a Deusa da Terra, que protege os filhos que nela se encontram, sendo cultuada desde os Ritos Ancestrais, há incontáveis eras.

[1] Esse artigo é dedicado ao que denomino de O Renascimento: no início da tarde de 31 de maio de 2022, fui abordado por dois homens armados, nas proximidades da Estação da Lapa. Fiquei sob a mira de um revólver apontado para o meu peito e tive pertences subtraídos. Registrei Boletim de Ocorrência. Desejo que os mesmos tenham abandonado qualquer prática criminosa. Aquele foi um momento de Iluminação. Jamais será esquecido.
[1] Com a mesma raiz da palavra Cabala, mística judaica que indica a origem da espécie humana, indo além do próprio judaísmo, o Caibalion contém os ensinamentos de Hermes Trismegisto, o deus Toth no Kemetismo Egípcio. Suas leis, ensinadas nas Escolas de Mistérios do Antigo Egito explicam os Sete Princípios Herméticos, demonstrando as correlações entre todos os planos da existência.
[1] Na cultura da Antiga Grécia, A Mãe Gaya é a própria Terra, com extraordinárias fertilidade e geração.
[1] No quíchua, língua dos incas, falada na atualidade por aproximadamente 10 milhões de pessoas em diversas etnias na Colômbia, Argentina, no Brasil e no Chile, Pachamama é a Deusa da Terra, que protege os filhos que nela se encontram, sendo cultuada desde os Ritos Ancestrais, há incontáveis eras.

 

Armando Januário dos Santos é Trabalhador da Luz, Mestre em Psicologia, Psicólogo (CRP-03/20912) e Palestrante. Contato: (71) 98108-4943 (WhatsApp).

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