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Opinião

Estrelas Além do Tempo: um filme necessário para todas nós.

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Estrelas Além do Tempo

Katherine Jhonson

Katherine Johnson, Física, responsável pelos cálculos que possibilitaram os primeiros voos a Mercúrio, a missão americana à lua (Apollo 11), a corrida a Marte e a viagem do primeiro norte-americano em torno da Terra (1962). Negra.

Dorothy Vaughn, cientista que liderou mais de 20 mulheres negras chamadas “computadores de cor”. Ela programou a primeira máquina IBM na NASA, quando dezenas de homens brancos não deram conta. Negra.

Mary Jackson, primeira Engenheira da NASA, sem a qual não seria possível construir a cápsula que lançaria o homem no espaço. Conseguiu estudar para entrar na Universidade após ação judicial, na qual ela mesma se defendeu. Negra.

O título original deste filme – que concorre em três indicações ao Oscar (“Melhor Filme”; “Atriz Coadjuvante” e “Roteiro Adaptado”) é “Hidden Figures”, que podemos traduzir por “Personalidades Escondidas”. Mas no Brasil você assistirá como “Estrelas Além do Tempo”, nos próximos dias. Uma decisão ingrata, aliás, renomear tão rasamente. Deveriam ter sido fiéis, ao meu ver.

estrelas além do tempo

Mary Jackson

A pre-estreia do filme, nesta segunda (30), contou com a presença de mulheres negras soteropretas que em muito podemos identificar em cada personagem retratada pelas brilhantes atrizes Taraji P. Henson, Octavia Spencer (indicada a Atriz Coadjuvante) e Janelle Monáe, respectivamente.

Estrelas Além do Tempo

Dorothy Vaughn

Digo isso, pois é um filme que fala de algo muito reverberado por nós, mulheres negras, Brasil a fora: a tal REPRESENTATIVIDADE.

Talvez nós não tivéssemos jovens negras sem confiança em si próprias e em seus ideais, se logo cedo elas soubessem a história de Mary Jackson. Uma mulher negra que enfrentou a Justiça norte-americana, e a seu marido negro que tentou silenciá-la, para poder cursar as aulas que a levariam a ser a primeira mulher engenheira a determinar o curso da história dos EUA no espaço. Ela conseguiu e muitas de nós poderíamos tê-la como referência.

Talvez nós não tivéssemos jovens negras pensando que seu lugar é apenas o que tá posto: o último, o mais simples, o mais “fácil”, o mais “adequado” para sua cor de pele, se a história de Dorothy Vaughn fosse pauta de conversas em suas famílias ou de aula, em suas escolas. Uma mulher negra que – escondida – conseguiu o que os mais brilhantes cérebros não deram conta.

Ela programou a primeira máquina IBM que ameaçava seu próprio emprego enquanto “computador de cor”, ao fazer milhões de cálculos em segundos. Ela estudou, aprendeu, programou, ensinou às suas mulheres negras também “computadores”, e se tornou professora e supervisora das brancas e brancos que vieram depois.

estrelas além do tempo

Ivy Guedes, Anhamona de Brito, Jamile Menezes, Andréa Souza e Nadja Santos (esq-direita).

Talvez nós não tivéssemos jovens negras amedrontadas de dizer o que pensam, de enfrentar patrões, chefes, homens e mulheres que tentem “colocá-las em seus lugares”, por serem negras. Não teríamos jovens negras isoladas em suas inteligências e brilhantismos intelectuais, com medo de se destacarem em seus espaços, de assinarem seus nomes em seus projetos e colocarem “a cara no sol que não é pra todos”, se elas conhecessem Katherine Johnson. A primeira em tudo, precoce, destemida, que se colocou à frente de quem a quis dominar e silenciar para provar suas ideias e conclusões. Ela era um computador. De cor.

estrelas além do tempo

Todas negras, como nós que estávamos na plateia desta pre-estreia e vibramos com cada resposta, cada olhada, cada ato destas norte-americanas que vieram de longe. Mas elas estão muito mais próximas do que imaginamos.

“Eu não conhecia suas histórias, mas agora, posso falar delas em um Portal de Notícias que eu criei e mantenho com a força que me mantém viva todos os dias. Sejamos o que não esperam de nós: computadores a desafiar os cálculos e números que nos oprimem todos os dias. Mas sejamos juntas, levando as outras, pois do contrário, já nos fazem.”

O filme “Estrelas Além do Tempo” estará em cartaz em todos os cinemas a partir desta quinta (2). Veja o trailler e só vá!

Texto de Jamile Menezes – Editora Chefe do Portal SoteroPreta

O Portal foi convidado para pre-estreia do filme “Estrelas Além do Tempo”,

em sessão exibida nesta segunda (30), no Cinemark. 

Opinião

#Opinião – Uma questão planetária – Por Armando Januário

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Somos uma sociedade ainda distante do amor genuíno. Moramos em uma Casa onde o outro é a ameaça, o estranho, o inimigo. Essas fobias nos afastam do Deus que somos, porquanto “[…] o perfeito amor lança fora o temor, porque o temor implica castigo, e o que teme, não chegou à perfeição do amor” (1 João 4:18).

Enquanto escrevo, pessoas LGBTQIAPN[1]+ certamente sofreram alguma violência, sendo privadas de acessar cidadania e dignidade. Pessoas que a partir das suas identidades de gênero e/ou orientações sexuais nos convocam a aprender que somos espíritos encarnados, em experiências previamente planejadas, visando nossa evolução para além de visões extremistas.

Estamos em uma Transição Planetária[2] e é exatamente nesse pormenor que a população LGBTQIAPN+, desde A Revolta de Stonewall em 1969[3] – liderada pelas travestis Marsha P. Johnson e Sylvia Rivera – nos convoca a repensar essa modelos de colonização psíquica, que, até o momento, servem apenas para aprisionar, muitos deles em nome de um Deus vingativo, sedento para castigar.

Somos chamados pelas pessoas LGBTQIAPN+ a conhecer o humano para além de critérios biomédicos, os quais embora úteis, são classificações limitadas, haja vista não se atentar para as subjetividades próprias da nossa espécie. Neste sentido, como Buscadores da Verdade, devemos amar, respeitar e acolher as pessoas LGBTQIAPN+ em sua tarefa espiritual de convocar a família humana para exercitar diariamente o amor sobre todas as coisas, tal qual o Mestre Jesus nos ensinou em João 15:17: “Isto vos mando: amai-vos uns aos outros”.

[1] A sigla se refere a lésbicas; gays; bissexuais; travestis e transexuais; queers[1]; intersexuais; assexuais, andróginos e agêneros; pansexuais e não-binários. O termo queer significa estranho e foi utilizado como ataque a população LGBTQIAPN+. Entretanto, a própria comunidade, em um movimento de luta pelos seus direitos, tomou esse termo para si, em uma referência às pessoas que não se encaixam na heterocisnormatividade, a imposição compulsória da heterossexualidade e da cisgeneridade.
[2] Transição Planetária é um termo que define o árduo processo de encerramento de um padrão de consciência atrasado, para o advento da fraternidade universal e da supremacia do Bem. Sugiro a leitura da obra Transição Planetária, psicografia de Divaldo Franco, ditada pelo espírito Manoel Philomeno de Miranda e publicada em 2008.
[3] No ano de 1969, as batidas policiais em bares com clientela homossexual eram constantes em Manhattan, Nova York: agentes da segurança pública adentravam a esses espaços, espancando clientes e profissionais dos bares. Todavia, na madrugada de 28 de junho de 1969, durante uma operação policial no bar Stonewall Inn, os clientes reagiram, expulsando a polícia, em um conflito que se arrastou até o dia 03 de julho de 1969. Acontecia ali a Revolta de Stonewall, dando origem ao atual Movimento LGBTQIAPN+.
Armando Januário dos Santos é Trabalhador da Luz, Mestre em Psicologia, Psicólogo (CRP-03/20912) e Palestrante. Contato: (71) 98108-4943 (WhatsApp).
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Opinião

#Opinião – Por que racializar a terapia? – Por George Barbosa

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Ainda há muitos questionamentos, principalmente entre não-negros, sobre o motivo pelo qual surgiu, dentro da Psicologia,  a necessidade em discutir, estudar e pesquisar sobre  a saúde mental da população negra. Acredita-se que a psiquê humana é uma só e que a ciência abarca a todos. No entanto, a ciência sempre foi e continua sendo utilizada como ferramenta do racismo.

A exemplo da frenologia que não muito obstante, defendia a ideia de que pessoas negras possuem traços neurológicos que o colocam em situação de submissão. Basicamente como se a era escravagista tivesse surgido por conta dessa “habilidade inata” das pessoas de cor.

As religiões também foram utilizadas na perseguição, extermínio e o “apagamento” de pessoas negras. A exemplo do catequismo feito aos povos indígenas que já tinham suas próprias crenças e divindades. Foram forçados a catequizar-se para serem aceitos por um Deus que em tese, eles nem conheciam.

Levando em consideração que a ciência engloba: educação, medicina, saúde, nutrição, política etc…É o suficiente para reconhecer que a formação mental de um sujeito que tenha suas possibilidades e estímulos afunilados por um contexto racista é adoecedora.

Em outras palavras, um indivíduo de cor, não tem nenhuma desvantagem cognitiva ou genética, mas encontra-se em desvantagem no mundo desde o processo do seu nascimento. Até porquê as maiores taxas de erro médico e violência obstétrica apontam que pessoas negras estão estatisticamente mais vulneráveis do que pessoas brancas. Em suma, quanto mais retinta for a sua melanina, maior será a sua exposição aos diversos tipos de violência e microviolência em nossa sociedade.

Logo… Não! A pessoa negra não tem a mesma formação de psiquê uma vez que o contexto modela o comportamento do sujeito. Se por um lado as pessoas brancas detêm possibilidades, heranças coloniais, sobrenomes invejáveis, a religião mais aceita, o saber científico mais utilizado no nosso processo educativo, dentre tá das outras vantagens e privilégios, então a psiquê da pessoa negra precisa de um cuidado ímpar.

E isso, apenas um profissional antirracista que compreenda essas estruturas e simbologias genocidas irá conseguir mapear, compreender para assim, melhor auxiliar seu analisado.

George Barbosa – Psicólogo Clínico e Fundador Projeto Terapia no Bairro

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Artigos

#Opinião – João: um sol místico na Judeia – Por Armando Januário

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Entre os santos mais populares do Brasil, São João Batista é uma das figuras mais importantes na tradição judaico-cristã. Reverenciado pela cultura nordestina nas celebrações de junho, o Batizador de Jesus, desde os primórdios da sua existência, cultivou intimidade com os arcanos da Sabedoria Universal.

João foi educado nos preceitos judaicos e logo adentrou ao nazireado, costume típico do judaísmo, no qual algumas famílias destinavam seus filhos para uma vida ascética: os nazireus deixavam crescer a barba e os cabelos, se privavam de bebidas alcoólicas e uvas, e não tocavam em cadáveres. Essa moral era o caminho encontrado para a introdução em conhecimentos profundos sobre A Energia Criativa. O Batista afirmava que batizava em água, contudo, viria Aquele que batizaria em fogo, sendo maior que ele (Mateus 3:11). Essa passagem bíblica dá a entender que João já conhecia a iminente Manifestação Crística em Jesus de Nazaré. Com efeito, ele é o filho de Isabel, que ainda no ventre da sua mãe, pula de júbilo quando ela ouve a saudação de Maria, grávida de Jesus (Lucas 1:41-44). Esse momento indica que João e Jesus se conheciam de outras existências.

Antes de o imperador Justiniano, no Concílio Ecumênico de Constantinopla, em 553, condenar a reencarnação, o cristianismo primitivo encarava a pluralidade das existências como realidade. Por isso, quando Jesus afirmou que João “[..] é Elias, que havia de vir” (Mateus 11:14), o Mestre alude a vida pregressa do Batista, algo que certamente não causou surpresa aos presentes. A própria encarnação de João, anunciada pelo anjo Gabriel confirma a existência pretérita de João como Elias: “[…] e [João] irá adiante dele com o espírito e a virtude de Elias, a fim de reconduzir os corações dos pais para os filhos” (Lucas 1:13).

João Batista é uma figura tão especial que os festejos em sua homenagem uniram certas tradições antigas[1], na qual a data está inserida no solstício de verão, quando o ângulo do sol se distancia ao máximo da Terra. Esse fenômeno ocorre apenas duas vezes por ano: em junho, no Hemisfério Norte e em dezembro, no Hemisfério Sul. Temos, portanto, dois sóis: João, o sol que vem para anunciar a chegada de outro sol, reluzente e soberano: Jesus, o Cristo Planetário.

[1] Os celtas comemoravam o solstício de verão em honra ao deus Sol, para o qual pediam proteção contra maus espíritos e pragas nas colheitas. As festas incluíam fogueiras e fartura, apontando para o desejo de prosperidade espiritual e física.

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