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Opinião

Para ler ao som de Me Libera Nega do MC Beijinho! – Por Frida Costa

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mc beijinho me libera nega
Programação-Carnaval-Salvador-2016-1

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Existem dois acontecimentos que marcaram o mundo. O primeiro, a invenção dele o segundo, o Carnaval. De chicleteiro a folião pipoca, não tem aquele que não comemore essa época. E aí todo mundo se prepara alguns meses antes. É quando a galera já está juntando sua grana e garantindo a cerveja gelada – periguete 3 por 5 –, o Uber e o churrasquinho da tia. E claro, carnavalesco de verdade vai pra avenida com a aposta da música do Carnaval na ponta da língua. Esse ano não será diferente.

E o meu texto é sobre uma revelação da música baiana. Aposto que nem preciso dar muita dica porque você já sabe de quem estou falando, né? Mas para os desavisados, o personagem da história – e que pra mim vai ganhar como cantor revelação – é o MC Beijinho (Me libera, nega. Deixa eu te amar, me libera nega, novinha vou te sentir…). Desculpe, mas é impossível falar o nome dessa cara e não começar a cantar Me Libera, Nega. Já está tipo osmose.

mc beijinho me libera negaMas enfim, continuando, MC Beijinho, como todos sabem, apareceu pela primeira vez em rede nacional – no fundo de uma viatura – em um programa popular super conhecido acusado de furtar um aparelho de celular.

Ao ser questionado pelo repórter sobre o ocorrido, o cara simplesmente teve uma sacada genial de mandar sua composição na lata pra todo mundo ouvir. E, em poucas horas, Me Libera, Nega já estava na boca do povo, de Simone e Simara, de Caetano Veloso. Legal, né?

O problema é que isso incomodou muita gente, principalmente quem acredita que bandido bom é bandido morto, ainda mais sendo negro. E é aí que você vê como o racismo e o preconceito com quem já foi preso e/ou acusado por algum crime está enraizado em nossa sociedade. As pessoas não acreditam na mudança, na melhoria dessas pessoas, na falta de oportunidade. Essas mesmas pessoas não questionam o sistema prisional brasileiro; a falta de educação e oportunidade para quem é preto, pobre e da periferia (principalmente) e o número alarmante de negros ocupando cadeias públicas.

população carcerária brasileira

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Segundo o Ministério da Justiça, 60% da população carcerária brasileira é formada por negros, o que garante o título ao nosso País de 4º maior número de detentos do mundo. E eu me pergunto: quantos desses chegaram ao ensino médio?

Tiveram a carteira de trabalho assinada? Uma cesta básica completa? Uma base familiar bem estruturada? Um adulto dizendo o que é certo e errado? Hein?!? Quantos desses aprenderam um outro idioma, viajou pelo mundo, conheceu o seu pai? Não quero justificar crime algum. Para mim, quem comete um crime tem que pagar. Mas meu amigo, minha amiga, a lei tem que ser pra todos.

Seja você preto, branco, hétero, bi, trans, travesti, gordo, magro, morador do Corredor da Vitória, da Liberdade, de Simões Filho, da Graça. Seja você rico. Seja você pobre. A lei, torno a falar, deve ser pra todos. Não adianta você da sua cobertura, comendo pão com cream cheese, viajando uma vez por ano pra Disney, recebendo mesada mesmo depois dos 30, falar que bandido bom é bandido morto e apoiar político corrupto, parente corrupto.

Bandido bom é o que tem a oportunidade de mudar “de vida.” De ser outra coisa. É por isso que esse ano, mesmo não gostando de Carnaval, vou estar feliz da vida em casa, assistindo os flashes e reportagens para ver o MC Beijinho liberar a Bahia, o Brasil e o mundo dessa hipocrisia.

 

 

Frida CostaFrida Costa é redatora publicitária, assessora de imprensa, social media e integrou a equipe do A Tarde Online. Descobridora dos sete mares, vive procurando músicas e artistas “desconhecidos”, documentários e filmes independentes.

Artigos

#Opinião – O sentido místico do Dia dos Namorados – Por Armando Januário

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Por aspectos históricos e econômicos, o Brasil celebra o Dia dos Namorados em 12 de junho. A 1948, o publicitário João Dória, pai do ex-governador de São Paulo, foi contratado por uma loja. Ele percebeu que o Mês das Mães era rentável para o comércio, em oposição a junho, um mês de queda nos lucros. Planejando estender os ganhos comerciais, Dória escolheu a véspera do Dia de Santo Antônio – na tradição católica, O Santo Casamenteiro – para aquecer os corações e o comércio. A estratégia deu certo e temos o Dia dos Namorados em junho, mais de 4 meses após a data tradicional, 14 de fevereiro, Dia de São Valentim. Contudo, essas tradições oficiais envolvem um mistério muito anterior.

No Império Romano, havia a celebração do deus Lupercus, para afastar os maus espíritos e atrair fertilidade. A Lupercália era marcada pelo momento em que os homens retiravam de um jarro o nome das mulheres que seriam suas companheiras nessa festa e nas seguintes. Posteriormente, alguns desses casais se apaixonavam e se casavam, porque teriam o que se considera “sorte no amor”. Essa expressão envolve ser agraciado através do sorteio, que, inicialmente, seria puro acaso. Não obstante, o sentido esotérico de sorte abrange saber o instante adequado para consolidar um plano. Percebemos, então, que o sentido dado a esta palavra se afastou significativamente do seu conceito original. Fica também evidente a inexistência da sorte como percebida nos tempos atuais, mas, sim, que ela obedece às Leis Cósmicas, sobretudo, a Lei de Atração. O oculto no Dia dos Namorados se apresenta.

A celebração dos apaixonados potencializa a vibração e atrai a pessoa amada para o campo magnético do emissor. Não se trata de magia ou acaso. Antes, falamos do Poder Divino[3] manifesto em nós. Por isso, quando pensamos em viver um amor com a firme convicção de sua existência, a materialização dessa realidade ocorre, obedecendo o Mistério denominado Tempo.

Portanto, o Dia dos Namorados, longe de uma data comum, oferece a oportunidade vibracional para ser A Unidade Eterna, Princípio de Todas As Coisas, que utiliza o desejo para cocriar sonhos.

[1]Dedico esse texto a minha noiva, Andrêina.

[2]Armando Januário dos Santos é Trabalhador da Luz, Mestre em Psicologia, Psicólogo (CRP-03/20912) e Palestrante. Contato: (71) 98108-4943 (WhatsApp)

[3]Em João 10:34, Jesus de Nazaré argumenta com seus opositores: “na Lei de vocês está escrito que Deus disse: “Vocês são deuses”” (O Mestre Jesus, em João 10:34). Deixamos com a pessoa do leitor a perspicácia para compreender o ensino secreto do Mestre.

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Opinião

#Opinião – Apropriação cultural e gente preta sofrendo racismo no mesmo lugar! – Por Aline Lisbôa

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“Para quem é preconceituoso e diz que branco não pode tocar samba”

Por ironia do racismo, dessa vez, foi numa roda de samba. Em um espaço que se intitulava livre e diverso, mas a funcionária nos vigiava, perseguia e acusava. Esse estado – a Bahia – tem uma faceta do racismo muito viva: apropriação de cultura negra para lucro, em locais que seguem deslegitimando e humilhando negros.

Olhando para um breve histórico do país, enquanto estrutura econômica, nós pessoas pretas, assim como nossos trabalhos e produções, sempre foram a moeda de troca que movimentou e segue movimentando a economia desse lugar. Se já não com escravização explícita, onde vendiam nossos corpos, como antes, camufla-se na diversidade cultural, para continuar transformando em dinheiro a nossa negritude.

Os grandes e pequenos negócios, muito falam sobre diversidade cultural como um alicerce no combate à desigualdade social, mas na verdade, convivendo nesses espaços, percebemos que o termo só enfeita a apropriação da nossa cultura e das nossas lutas, enquanto mantém-se baixíssimos salários, portas fechadas a cargos importantes e, sobretudo, um código de conduta permissível ao racismo.

No posicionamento, muitos desses lugares parecem que estão fazendo o “favor” de acolher a nossa cultura, tornando o lugar mais “livre, diverso e acolhedor”. Mas o racismo e os racistas não descansam, mesmo que a branquitude diga por aí, que são os militantes quem não param, nós negros andamos tentando e, em grande parte das vezes, o racismo nos acorda.

Não é a primeira vez, que esse fenômeno cultura negra x racismo no mesmo local, acontece. A cultura que se constituiu enquanto regional – Cultura Baiana -, na verdade é incondicionalmente nossa, da nossa diáspora, que sempre movimentou o dinheiro do estado.

Enquanto seguimos agredidos pela estrutura que grita mais alto do que nossas músicas nas festas dos brancos. Lembro-me nitidamente de defender o meu bando, que estava sendo constrangido e agredido em meio a uma roda de samba, enquanto os tambores se apropriavam do que chamam muitas vezes de “música baiana” e é música preta!

Vejamos aqui o que de fato é a apropriação cultural, que está longe da discussão das tranças afros sobre peles brancas. Trata-se do esvaziamento da nossa herança cultural enquanto nossa em espaços que não nos toleram, mas apropriam-se das nossas produções para uso e venda, Como se de nós e do nosso fossem donos, perpetuando assim mais uma camada do racismo.

O professor Rodney William, em seu livro “Apropriação cultural”, defende que o baixo índice de representatividade contrasta com a crescente apropriação de quem utiliza nossa estética e técnicas, mas não repassa esse uso em oportunidades de trabalho, incentivos ou ações que engajem o combate ao racismo.

A apropriação cultural não é homenagem, é violência simbólica, de forma sutil ou explícita. Um branco que toca samba e continua destilando o racismo – como escrito por Willia -, é quem esvazia nossa contribuição cultural e apenas se apropria dela para o lucro.

Entendamos que essa roda de samba tinha custo de entrada e todo o consumo incessante do público que o assistia, inclusive o meu, que sofri racismo. Cultura negra para lucro, corpos negros para a humilhação

Vivemos todos os dias o massacre da apropriação cultural na Bahia.

Aline Lisbôa, mulher negra, mãe solo, defensora das possibilidades acadêmicas de mães negras, graduada em Pedagogia- UNEB, pesquisadora em Racismo Estrutural, Educação e Relacões Étnico Raciais e Letramento Racial.

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Opinião

#Opinião – Quem são as pombagiras? Um mistério revelado – Por Armando Januário

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Laroyê! A Espiritualidade Maior permite que continuemos[1] escrevendo sobre as Pombagiras, haja vista nosso objetivo ser contribuir para a desconstrução de preconceitos. Além do racismo religioso, encontramos o desconhecimento daquilo que Rubens Saraceni, em As Sete Linhas de Umbanda: a religião dos mistérios, denominou “O Mistério Pombagira”: governado pelo Trono Cósmico Feminino, e irradiando desejo, as Inzilas[2] polarizam horizontalmente com o Trono Cósmico Guardião dos Mistérios do Vigor, complementando-o.

Posicionadas a esquerda dos Orixás, as Pombagiras são o polo negativo, absorvendo tudo o que desequilibra a humanidade. A localização e o termo Pombagira evocam o Seu atributo de mensageiras à esquerda, que giram como o pombo-correio, enviando nossas mensagens de desejo para A Espiritualidade Maior. Logo, são seres que trabalham arduamente para A Luz Suprema, e, portanto, na regra da Umbanda, apenas servem ao Bem.

O trabalho dessas entidades é de fundamental importância, porquanto nos Planos Espirituais, adentram aos territórios inferiores, protegendo o Plano Físico de Espíritos das Trevas. Fica evidente, portanto, mais um dos Seus atributos: Guardiãs da Humanidade, nos ajudando a vencer desafios cotidianos.

Mensageiras, Protetoras e Guardiãs, as Pombagiras estão sempre presentes em nossas vidas. Cada pessoa, independente de crença, é acompanhada por um desses espíritos. Sua Energia de Vitória, irresistível, demonstra a grandiosidade do seu trabalho e denuncia o caráter deletério de quem lhes chama de demônios: muitos desses procuram o trabalho das Pombagiras em sigilo, acreditando que Elas são escravas prontas a atender qualquer pedido, de modo irresponsável. Em sua arrogância e mesquinharia, ao não lograrem êxito em suas solicitações, lançam mão da demonização dessas Nobres Senhoras.

Contudo, em algum momento todas as pessoas compreenderão o significado do tridente e do punhal, se curvando respeitosamente à intensidade das Pombagiras. Laroyê!

[1] Dedico esse artigo a Dona Maria de Padilha.

[2] Esse artigo é a sequência de Quem são as Pombagiras?, disponível em https://portalsoteropreta.com.br/2024/05/20/opiniao-quem-sao-as-pombagiras/

[3] Sinônimo de Pombagira, Inzila é termo do quimbundo pambu ia-njila e literalmente traduzido Encruzilhada.

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