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Literatura

Fabiana Lima – a Poetiza, Periférica e Feminista à frente do Slam das Minas

Jamile Menezes

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fabiana lima slam das minas
slam br

Créditos: Leonardo Mussi

Em dezembro de 2016, São Paulo viu surgir novos nomes que ganhariam o cenário nacional no ramo das batalhas poéticas. Na final do Slam BR, dentre 29 representantes, quatro estados estavam classificados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia.

Dentre os melhores poetas de rua do país, pela primeira vez, uma mulher conquistou o título, neste caso a paulistana Luz Ribeiro (foto acima), de 28 anos. Logo após ela, está a baiana, Fabiana Lima, que faturou o segundo lugar.

O Portal SoteroPreta conversou com Fabiana, que neste mês organiza o primeiro Slam voltado, exclusivamente, para mulheres na Bahia: o Slam das Minas.

A batalha será no dia 11 de março, na Estrada das Barreiras (saiba mais) e envolverá 20 poetizas. Com a palavra, Fabiana Lima, que também integra o Grupo de Poesia Resistência Poética, formado por um grupo de jovens, “moradores de diversos bairros periféricos da cidade de Salvador que escolheram a poesia marginal como a principal forma de expressão”:

fabiana lima slam das minas

Acervo Pessoal

Portal SoteroPreta: Fabiana, fala pra gente o que é a Poesia pra você.

Fabiana Lima – A poesia é uma arma contra a opressão e uma forma de libertação . A poesia marginal, em especial, que é o que eu faço. A poesia salva e liberta pessoas, pois ela é informação. Então, quanto mais mulheres estiverem escutando poesias, mais elas irão entender a forma de opressão que sofremos. Com as poesias “feministas”, a ideia é empoderar o máximo de jovens negras e periféricas.

Portal SoteroPreta – Como é pra você ser a segunda melhor do Brasil?

Fabiana Lima – É muito gratificante estar entre as três melhores do Brasil, o que mostra o reconhecimento do trabalho que já vem sendo realizado há quatro anos. Foi a primeira participação do Nordeste em uma nacional, então ele está sendo muito bem representado. Há uma hegemonia sulista na poesia, então foi muito importante mostrar que nós estamos na cena e que também somos bons poetas.

Portal SoteroPreta – E o Slam das Minas – primeira batalha poética na Bahia só com mulheres – qual a expectativa?

Fabiana Lima – O primeiro Slam feminino da Bahia vem pra fortalecer esta cena. Há muito poucas mulheres disputando o Slam por aqui, então a ideia é movimentar, que elas se sintam confiantes vendo outras mulheres competindo. Não só a poesia, mas o Slam traz o fortalecimento das redes de mulheres, que também vão expor suas peças e artigos no dia do evento, além das cantoras da cena de Salvador. A ideia é nos fortalecer mesmo.

fabiana lima slam das minas

Acervo Pessoal

É mulher, tem poema pra competir e quer entrar nessa batalha? Se prepara e manda ver, o Slam é aberto ao público, gratuito e as inscrições serão feitas no local. Confere matéria aqui.

Literatura

Bárbara Carine lança livro na Biblioteca dos Barris

Amanda Moreno

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Bárbara Carine lança livro
Bárbara Carine lança livro (Foto: Gabriel Cerqueira)
Bárbara Carine lança livro na Biblioteca dos Barris. Após o sucesso de Como ser um educador antirracista, a pesquisadora, escritora e ativista Bárbara Carine lança novo livro pela Editora Planeta, nesta quinta-feira, 22 de fevereiro, a partir das 19h, na Biblioteca Central do Estado da Bahia (Barris), com direito a sessão de autógrafos com a autora.
Em Querido estudante negro, é possível conhecer uma faceta diferente da autora. Desta vez, em formato de cartas fictícias, Bárbara dialoga com os estudantes negros, independente das condições financeiras ou sociais, ao compartilhar as experiências que viveu. Com quase 400 mil seguidores nas redes sociais, a intelectual convida a mergulhar na complexidade da formação de subjetividades negras nesta obra.
No livro, uma estudante negra compartilha cartas com um amigo que conheceu na infância e que também é um estudante negro. Nos relatos, a protagonista vivencia situações que Bárbara enfrentou, focando na trajetória estudantil, abrangendo desde a pré-escola até o pós-doutorado.
Os personagens, principais e secundários, não são nomeados. O objetivo é que qualquer estudante negro brasileiro se identifique, pois, as histórias de vida são cruzadas. “São cartas de um ‘Eu Coletivo’. Uma história que é de uma alguém, justamente por ser a narrativa de todo mundo.”, escreveu Carine.
De forma sútil e potente ao mesmo tempo, Bárbara tece uma crítica social sobre o classicismo e o racismo. Para isso, ela apresenta dois protagonistas que têm a mesma idade, mas são diferentes. A menina é negra de pele não retinta e vive em periferia. O menino é retinto e possui uma situação abastada. Apesar das diferenças socioeconômicas, ambos têm a subjetividade completamente atravessada pelo racismo estrutural. A linguagem e complexidade das cartas mudam no decorrer da vida, mas permanece a certeza de que as experiências escolares de pessoas negras no Brasil são duras e discriminatórios.
A obra Querido estudante negro apresenta diferentes percepções e níveis de compreensão sobre o que é ser negro no país. Bárbara convida as pessoas que desejam entender os universos dos estudantes negros, seus responsáveis e professores antirracistas. Mas, seu principal foco é, sem dúvida, o estudante negro. Esse é um livro que acolhe e tenta deixar o mundo menos solitário para o jovem negro, seja aquele que ainda está trilhando o caminho ou aquele que cresceu e precisou aprender a sobreviver em meio a uma sociedade racista.
EVENTO DE LANÇAMENTO
Sessão de autógrafos com Bárbara Carine
Dia 22 de fevereiro às 19h
Biblioteca Central do Estado da Bahia
Local: R. Gen. Labatut, 27 – Barris, Salvador – BA, 40070-
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Literatura

Claudia Alexandre lança livro “Exu-Mulher e o Matriarcado Nagô”

Jamile Menezes

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Claudia Alexandre também possui uma vasta produção sobre sambas e escolas de samba de São Paulo

No próximo dia 31, às 18h30, o Museu Nacional de Cultura Afro-Brasileira (Muncab), em Salvador, receberá o lançamento do novo livro da jornalista e cientista da religião, Claudia Alexandre: Exu-Mulher e o Matriarcado Nagô – sobre masculinização, demonização e tensões de gênero na formação dos candomblés (Editora Aruanda/ Fundamentos do Axé, 2023). O evento, que tem promoção da livraria Katuka Africanidades, terá uma roda de conversa com participação da prefaciadora, a socióloga Nubia Regina Moreira, coordenadora do grupo de pesquisa Ojú Obìnrín Observatório de Mulheres Negras e professora da UESB (Universidade do Sudoeste da Bahia).

Exu-Mulher e o Matriarcado Nagô: sobre masculinização, demonização e tensões de gênero na formação dos candomblés (Editora Aruanda/Fundamentos de Axé, 2023), apresenta um debate inédito no campo dos estudos sobre as tradições e religiosidades afro-brasileiras em relação ao que foi escrito até aqui sobre o controverso orixá Exu.  Ao mesmo tempo que questiona sobre representações femininas de Exu que não foram inseridas na definição do corpo das tradições yorubá-nagô dos primeiros candomblés na Bahia.

A obra insere registros e informações sobre as experiências e protagonismo de mulheres negras – africanas, escravizadas, alforriadas, libertas, que resistiram as opressões patriarcais para manter suas práticas ancestrais. O livro destaca alterações na relação com o orixá Exu, que na iorubalândia (Nigéria, Benin, Togo…) é representado por figuras em pares – macho e fêmea, que não se popularizaram no Brasil.

O livro é baseado na tese de doutorado da autora, defendida em novembro de 2021, eleita a Melhor Tese do Ano, pelo Programa de Ciência da Religião da PUC-SP.  Foi finalista e segunda colocada do Prêmio SOTER/Paulinas de Teses 2022 (Prêmio Prof. Afonso Maria Ligório Soares), realizado pelo Congresso Internacional da Soter (Sociedade de Teologia e Ciência da Religião).
Claudia Alexandre também possui uma vasta produção sobre sambas e escolas de samba de São Paulo e é autora do livro-dissertação “Orixás no Terreiro Sagrado do Samba: Exu e Ogum no Candomblé da Vai-Vai”, também pela Editora Aruanda/Fundamentos de Axé.

Haverá sessão de autógrafos e venda de livro no local (R$ 80,00 por exemplar). O Muncab está localizado à rua das Vassouras, 25 – Centro Histórico. Entrada gratuita.

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Literatura

Conversaria na Caixa acontece este fim de semana

Jamile Menezes

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Neste sábado e domingo (dias 13 e 14 de janeiro), na Caixa Cultural acontece a Conversaria na Caixa. O projeto inspirado no Conversaria Literária, contará com poetas, músicos e escritores da Bahia e de outros estados. No local, uma conversaria musical com contações de histórias e declamações de versos na área interna e na externas, recitais e cantorias. O evento acontece a partir das 14h.

Nomes como Mariane Bígio, Sarau da Onça, Bráulio Bessa e Maviael Melo e Ana Barroso, estarão no primeiro dia do Conversaria na Caixa. Já no segundo o evento contará com Sálua Chequer, Slam das Minas e Aiace, Jéssica Caitano e Socorro Lira. A programação conta também com Exposição e Lançamento de Livros e Discos e terá um bate-papo no dia 13 com o lançamento do livro Infantil, Doçura, da vencedora do Prêmio Jabuti 2023, a baiana Emília Nuñez. Cada encontro será registrado e gravado para disponibilização nas redes sociais e no canal do Youtube do poeta e cantador Maviael Melo.

Tendo o violão como marcação sonora, em um cenário de luz marcante, Maviael conversa por 90 minutos em ilustrações poéticas e históricas de momentos, das trajetórias dos convidados e do próprio mediador, abordando temas atuais e os processos criativos de cada convidado. Pela Conversaria já passaram nomes como Bule Bule, Lirinha, Josyara, Juliana Ribeiro, Lazzo Matumbi, Aiace, Flávio Leandro, Xico Sá, Elisa Lucinda, Antônio Nóbrega, Chico Cesar, entre outros.

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