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Literatura

DiálogosInsubmissos – Cristiane Sobral, a insubmissa e seu aquilombamento literário!

Jamile Menezes

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Ela é natural do Rio de Janeiro, mas vive em Brasília, é escritora, atriz e mestra em Teatro pela Universidade de Brasília (UnB). Cristiane Sobral é imortal da Academia de Letras do Brasil, ocupando a cadeira número 34. É especialista em Docência Superior (UGF), licenciada em Artes Cênicas (UCB) e bacharel em Interpretação Teatral (UnB). Dirige a Cia de Arte Negra Cabeça Feita há 19 anos, é Diretora de Literatura do Sindiescritores e ganhou o Prêmio FAC 2017 de Culturas Afro-Brasileiras.

Toda esta potência negra da Literatura Brasileira estará em Salvador para participar da edição especial dos Diálogos Insubmissos de Mulheres Negras no dia 24 de novembro (sexta-feira), com o tema “Terra Negra: insubmissões de mulheres negras para transfor(a)mar” . Cristiane conversou com o Portal Soteropreta, confira:

 

Portal Soteropreta – Qual a importância dos Diálogos Insubmissos de Mulheres Negras, sob sua perspectiva?

Cristiane Sobral – O evento preenche uma lacuna histórica do ponto de vista da representação humanizada de personagens negros na literatura brasileira. Visibiliza a produção de autoras negras, insere suas publicações no mercado, forma leitores ávidos e críticos, fomentando a reflexão e a ressignificação identitária no campo literário.

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Cristiane Sobral

Portal Soteropreta – Como você enxerga o protagonismo negro feminino com estas iniciativas, especialmente em Salvador?

Cristiane Sobral – O acesso à leitura de textos de autoria de mulheres negras é um ato político e de resistência. No caso de Diálogos Insubmissos, cabe destacar também a ampliação de espaços de saberes, o fortalecimento da intelectualidade negra e a representatividade promovida por um evento capitaneado e protagonizado por mulheres negras em uma cidade como Salvador, com expressiva população preta e parda, somando quase um milhão de habitantes segundo o ranking do IBGE. Apesar dos números expressivos, o racismo estrutural e os seus paradigmas ainda vigoram no contexto da pobreza, da exclusão social, da elevadíssima taxa de homicídios, da marginalização e da precariedade do acesso aos serviços públicos. O evento apresenta uma estratégia, uma ação de enfrentamento diante das dificuldades encontradas pelos escritores negros que se posicionam como negros e escrevem sobre a subjetividade e o jeito de ser e de viver dos afro-brasileiros além dos estereótipos do mercado editorial.

Como mulheres, precisamos falar, quebrar silêncios históricos, exercer o direito de apresentar as nossas ideias, de falar em público, fortalecer a nossa confiança, liderança, autoridade e respeito. 

Portal Soteropreta – Qual a sua expectativa para essa participação e o que o público pode esperar?

Cristiane Sobral – Minha expectativa é alta no sentido do aquilombamento, do encontro, da troca de saberes e de afetos. Espero afetar e ser afetada, provocar a identificação com a minha escrita. O contato com os leitores e a formação de novos públicos é fundamental para a reflexão e o aprimoramento do ofício. Espero que os leitores desfrutem de um momento valioso, estou me preparando com afinco e muita dedicação para esse momento tão especial.

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Luedji Luna

PROGRAME-SE!

A palestra de Cristiane Sobral será mediada pela Doutora em Literatura e Cultura, Ivana Freitas, dia 24 de novembro (sexta), no Espaço Xisto (Barris). Nas intervenções artísticas, terá Rool Cerqueira, Juh França e Vanessa Coelho, integrantes do Coletivo ZeferinaS, de Poesia e encerramento com show da cantora Luedji Luna, em parceria com o projeto Novembro das Artes Negras, da Fundação Cultural do Estado/SecultBA. Ambos serão abertos ao público, com entrada sujeita à lotação do espaço, a partir das 18h.

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Literatura

Bárbara Carine lança livro na Biblioteca dos Barris

Amanda Moreno

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Bárbara Carine lança livro
Bárbara Carine lança livro (Foto: Gabriel Cerqueira)
Bárbara Carine lança livro na Biblioteca dos Barris. Após o sucesso de Como ser um educador antirracista, a pesquisadora, escritora e ativista Bárbara Carine lança novo livro pela Editora Planeta, nesta quinta-feira, 22 de fevereiro, a partir das 19h, na Biblioteca Central do Estado da Bahia (Barris), com direito a sessão de autógrafos com a autora.
Em Querido estudante negro, é possível conhecer uma faceta diferente da autora. Desta vez, em formato de cartas fictícias, Bárbara dialoga com os estudantes negros, independente das condições financeiras ou sociais, ao compartilhar as experiências que viveu. Com quase 400 mil seguidores nas redes sociais, a intelectual convida a mergulhar na complexidade da formação de subjetividades negras nesta obra.
No livro, uma estudante negra compartilha cartas com um amigo que conheceu na infância e que também é um estudante negro. Nos relatos, a protagonista vivencia situações que Bárbara enfrentou, focando na trajetória estudantil, abrangendo desde a pré-escola até o pós-doutorado.
Os personagens, principais e secundários, não são nomeados. O objetivo é que qualquer estudante negro brasileiro se identifique, pois, as histórias de vida são cruzadas. “São cartas de um ‘Eu Coletivo’. Uma história que é de uma alguém, justamente por ser a narrativa de todo mundo.”, escreveu Carine.
De forma sútil e potente ao mesmo tempo, Bárbara tece uma crítica social sobre o classicismo e o racismo. Para isso, ela apresenta dois protagonistas que têm a mesma idade, mas são diferentes. A menina é negra de pele não retinta e vive em periferia. O menino é retinto e possui uma situação abastada. Apesar das diferenças socioeconômicas, ambos têm a subjetividade completamente atravessada pelo racismo estrutural. A linguagem e complexidade das cartas mudam no decorrer da vida, mas permanece a certeza de que as experiências escolares de pessoas negras no Brasil são duras e discriminatórios.
A obra Querido estudante negro apresenta diferentes percepções e níveis de compreensão sobre o que é ser negro no país. Bárbara convida as pessoas que desejam entender os universos dos estudantes negros, seus responsáveis e professores antirracistas. Mas, seu principal foco é, sem dúvida, o estudante negro. Esse é um livro que acolhe e tenta deixar o mundo menos solitário para o jovem negro, seja aquele que ainda está trilhando o caminho ou aquele que cresceu e precisou aprender a sobreviver em meio a uma sociedade racista.
EVENTO DE LANÇAMENTO
Sessão de autógrafos com Bárbara Carine
Dia 22 de fevereiro às 19h
Biblioteca Central do Estado da Bahia
Local: R. Gen. Labatut, 27 – Barris, Salvador – BA, 40070-
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Literatura

Claudia Alexandre lança livro “Exu-Mulher e o Matriarcado Nagô”

Jamile Menezes

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Claudia Alexandre também possui uma vasta produção sobre sambas e escolas de samba de São Paulo

No próximo dia 31, às 18h30, o Museu Nacional de Cultura Afro-Brasileira (Muncab), em Salvador, receberá o lançamento do novo livro da jornalista e cientista da religião, Claudia Alexandre: Exu-Mulher e o Matriarcado Nagô – sobre masculinização, demonização e tensões de gênero na formação dos candomblés (Editora Aruanda/ Fundamentos do Axé, 2023). O evento, que tem promoção da livraria Katuka Africanidades, terá uma roda de conversa com participação da prefaciadora, a socióloga Nubia Regina Moreira, coordenadora do grupo de pesquisa Ojú Obìnrín Observatório de Mulheres Negras e professora da UESB (Universidade do Sudoeste da Bahia).

Exu-Mulher e o Matriarcado Nagô: sobre masculinização, demonização e tensões de gênero na formação dos candomblés (Editora Aruanda/Fundamentos de Axé, 2023), apresenta um debate inédito no campo dos estudos sobre as tradições e religiosidades afro-brasileiras em relação ao que foi escrito até aqui sobre o controverso orixá Exu.  Ao mesmo tempo que questiona sobre representações femininas de Exu que não foram inseridas na definição do corpo das tradições yorubá-nagô dos primeiros candomblés na Bahia.

A obra insere registros e informações sobre as experiências e protagonismo de mulheres negras – africanas, escravizadas, alforriadas, libertas, que resistiram as opressões patriarcais para manter suas práticas ancestrais. O livro destaca alterações na relação com o orixá Exu, que na iorubalândia (Nigéria, Benin, Togo…) é representado por figuras em pares – macho e fêmea, que não se popularizaram no Brasil.

O livro é baseado na tese de doutorado da autora, defendida em novembro de 2021, eleita a Melhor Tese do Ano, pelo Programa de Ciência da Religião da PUC-SP.  Foi finalista e segunda colocada do Prêmio SOTER/Paulinas de Teses 2022 (Prêmio Prof. Afonso Maria Ligório Soares), realizado pelo Congresso Internacional da Soter (Sociedade de Teologia e Ciência da Religião).
Claudia Alexandre também possui uma vasta produção sobre sambas e escolas de samba de São Paulo e é autora do livro-dissertação “Orixás no Terreiro Sagrado do Samba: Exu e Ogum no Candomblé da Vai-Vai”, também pela Editora Aruanda/Fundamentos de Axé.

Haverá sessão de autógrafos e venda de livro no local (R$ 80,00 por exemplar). O Muncab está localizado à rua das Vassouras, 25 – Centro Histórico. Entrada gratuita.

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Literatura

Conversaria na Caixa acontece este fim de semana

Jamile Menezes

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Neste sábado e domingo (dias 13 e 14 de janeiro), na Caixa Cultural acontece a Conversaria na Caixa. O projeto inspirado no Conversaria Literária, contará com poetas, músicos e escritores da Bahia e de outros estados. No local, uma conversaria musical com contações de histórias e declamações de versos na área interna e na externas, recitais e cantorias. O evento acontece a partir das 14h.

Nomes como Mariane Bígio, Sarau da Onça, Bráulio Bessa e Maviael Melo e Ana Barroso, estarão no primeiro dia do Conversaria na Caixa. Já no segundo o evento contará com Sálua Chequer, Slam das Minas e Aiace, Jéssica Caitano e Socorro Lira. A programação conta também com Exposição e Lançamento de Livros e Discos e terá um bate-papo no dia 13 com o lançamento do livro Infantil, Doçura, da vencedora do Prêmio Jabuti 2023, a baiana Emília Nuñez. Cada encontro será registrado e gravado para disponibilização nas redes sociais e no canal do Youtube do poeta e cantador Maviael Melo.

Tendo o violão como marcação sonora, em um cenário de luz marcante, Maviael conversa por 90 minutos em ilustrações poéticas e históricas de momentos, das trajetórias dos convidados e do próprio mediador, abordando temas atuais e os processos criativos de cada convidado. Pela Conversaria já passaram nomes como Bule Bule, Lirinha, Josyara, Juliana Ribeiro, Lazzo Matumbi, Aiace, Flávio Leandro, Xico Sá, Elisa Lucinda, Antônio Nóbrega, Chico Cesar, entre outros.

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