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#NegrasRepresentam – Fernanda Júlia, Onisajé, das Artes, da Academia e do Axé!

Jamile Menezes

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fernanda júlia

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Contam os mais velhos que, certa feita, mãe Aninha – muito preocupada com a educação dos seus filhos – fez a seguinte afirmação: “Quero ver meus filhos aos pés de Xangô com anel de doutor”. Para muitos iniciados nesta religião ancestral, essa profecia foi o que os alicerçou nos bancos da Academia, enquanto iniciados para o Candomblé.

Fernanda Júlia ou Onisajé como é chamada, é uma destas mulheres. Mãe pequena do Ilê Axé Oyá L´adê Inan, colocou seu conhecimento a serviço da exaltação dos orixás e seus mitos. Mestra e doutoranda em Artes Cênicas, professora da Escola de Teatro da UFBA, é fundadora do Núcleo Afro brasileiro de Teatro de Alagoinhas – NATA. Indicada ao prêmio Braskem pelos espetáculos  “ Siré Obá “A festa do Rei” e Erê, ela vem em seus espetáculos mostrando a beleza e o aprendizado dos mitos e deuses africanos.

Portal Soteropreta – Como é dirigir espetáculos que exaltam não somente a cultura religiosa africana, mas  principalmente mexe  com as pessoas de maneira tão profunda?

Onisajé – É uma busca sem fim de cada vez mais poder ofertar ao espectador um espetáculo que o atravesse, que o afete. É para nós muito importante falar, mostrar, divulgar, exaltar a nossa contribuição negra na concepção do Brasil, legitimar nossas identidades negras e nossa origem africana. Falar de ancestralidade é um desafio enorme e é impossível sair desta discussão do mesmo jeito que entramos nela. Acreditamos muito no poder da memória, na capacidade que a memória tem de nos unir e reunir, desta forma vivemos numa eterna busca para conhecer e lembrar sempre.

#NegrasRepresentam – Campanha homenageia mulheres no Novembro Negro

 

Portal Soteropreta – Você é conhecida por usar de seu conhecimento para aproximar os mitos africanos da sociedade através da Arte. O que motivou esse olhar?

Onisajé – A indignação e revolta por não nos vermos nos espaços midiáticos, nos espaços de poder, nos espaços de concepção da nossa vida em sociedade. A história do nosso povo negro e indígena merece ser contada e preservada tanto quanto a história do povo branco europeu e norte americano. Outra questão é que temos tanta beleza, e é uma violência não sabermos disso. O imaginário simbólico de um povo faz dele um povo e é muito importante sabermos quem somos para povoarmos nossos imaginários e nos compreendermos enquanto povo diverso culturalmente.

https://portalsoteropreta.com.br/negrasrepresentam-renata-dias-preparada-para-repensar-cultura/

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Portal Soteropreta – Quais dos espetáculos montados por você te marcou mais? O que os tornou tão especial?

Onisajé – Cada montagem é muito singular, em cada processo de montagem aconteceram coisas que não se repetiram em outras, porém é importante falar dos espetáculos Exu – A Boca do Universo, Macumba – Uma Gira sobre Poder e Traga-me a cabeça de Lima Barreto! No espetáculo Exu – A boca do Universo amadureci bastante como pessoa, como artista, como candomblecista e como mulher negra e lésbica. Esta montagem me provou que é o amor que pode mudar as coisas, que a beleza e a poesia podem desarticular violências e emancipar discursos afirmativos. Exu – A Boca do Universo foi um desafio muito grande, é sem dúvida o espetáculo mais conhecido do NATA, pois circulou o país divulgando a força, importância e beleza de Exu e do Candomblé.

O Macumba – Uma Gira sobre Poder foi um desafio enorme, passei três meses em Curitiba dirigindo os atores da Companhia Transitória e pude contribuir para o empoderamento de mulheres e homens negros num espaço que deseja ser a capital europeia no Brasil e renega e invisibiliza seus 22% de negras e negros.

Foi um experiência incrível e o espetáculo continua vivo depois da temporada de estreia que foi em julho de 2016, já ganhou quatro prêmios e circulou pelo interior do Paraná, e agora busca circular nacionalmente.

#NegrasRepresentam – Major Denice Santiago, a segurança das mulheres, sua escolha de vida!

 

Já o Traga-me a cabeça de Lima Barreto! Foi uma enorme honra ter dirigido o monólogo de 40 anos de um ator negro importantíssimo Hilton Cobra, e celebrar os 135 anos de Lima Barreto, além da honra de dirigir um texto de Luiz Marfuz e uma equipe com nomes como Zebrinha, Jarbas Bittencourt, Márcio Meirelles, Jorginho de Carvalho, Biza Viana. Trazer a cena a genialidade e a obra incomparável de Lima Barreto foi sem sombra de dúvida um momento inesquecível em minha carreira.

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Matriarcas da Pedra de Xangô escolhem os 15 novos guardiões

Jamile Menezes

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A secretária de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais da Bahia, Ângela Guimarães, recebeu, nesta quarta-feira (28), o título de Guardiã do Parque Pedra de Xangô. A honraria foi concedida pelas Matriarcas da Pedra de Xangô, grupo de sacerdotisas responsáveis pela salvaguarda e proteção do rochedo considerado sagrado pelos religiosos de matriz africana em Salvador.

“É uma emoção e grande responsabilidade ser agraciada com o título. Assumo o compromisso pessoal e institucional com o enfrentamento do racismo religioso e a manutenção dos nossos territórios sagrados”, destacou a titular da Sepromi.

A entrega da condecoração integrou a programação da Cerimônia da Fogueira de Xangô, ritual que reverencia as divindades do fogo e fortalece a rede em defesa desse patrimônio cultural afro-brasileiro, localizado na Avenida Assis Valente, no bairro de Cajazeiras.

De acordo com as Matriarcas da Pedra de Xangô, os 15 novos guardiões foram escolhidos em função dos “relevantes serviços à cidade, a cultura, à população negra, ao Povo de Axé, às comunidades tradicionais e, em especial, ao processo de implantação, manutenção e gestão do equipamento de apoio do Parque Pedra de Xangô”.

Guardiões e Guardiãs da Pedra de Xangô 
1 – Tânia Scoofield Almeida – Presidenta da Fundação Mário Leal Ferreira – Prefeitura Municipal de Salvador;
2 – Fernando Guerreiro – Presidente da Fundação Gregório de Mattos – Prefeitura Municipal de Salvador;
3 – Bruno Monteiro – Secretário de Cultura do Estado da Bahia;
4 – Luiz Carlos Suíca – Vereador do Município de Salvador;
5 – Jose Raimundo Lima Chaves – Pai Pote – Presidente da Associação Beneficente Bembé do Mercado – Santo Amaro-Bahia;
6 – Rafael Sanzio Araújo dos Anjos – Prof. Titular & Pesquisador Sênior -CIGA\PPGGEA\UNB – Brasília;
7 – Sônia Mendes Reis Nascimento – Ìyá Egbè – Administradora e mestranda em Arquitetura e Urbanismo – PPGAU-UFBA;
8 – Ìyá Márcia D’Ògún – Presidenta do Conselho Municipal de Cultura de Salvador;
9 – Edvaldo Matos – Coordenador do SIOBÁ – Irmandade Beneficente de Ojés, Ogans e Tatas
10 – Leonel Monteiro – Presidente da AFA – Associação Brasileira de Preservação da Cultura Afro-Ameríndia;
11 – Fábio Macedo Velame – Prof. Permanente do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo – PPGAU –UFBA;
12 – Nilza Nascimento Ferreira – Mãe Nilza D’Oxum – Professora, sacerdotisa, sucessora de Mãe Zil – Santo Antônio de Jesus – Bahia;
13 – Evilásio Bouças – Taata Evilásio – Presidenta do Conselho Municipal das Comunidades Negras de Salvador;
14 – Ângela Guimarães – Secretária de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais do Estado da Bahia;
15 Maria Alice Silva – mestra e doutoranda em Arquitetura e Urbanismo – PPGAU-UFB

 

 

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Associação celebra Dia Internacional do Reggae no Pelô

Jamile Menezes

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Kamaphew Tawa

 

A Associação Cultural Aspiral do Reggae vai celebrar o Dia Internacional do Reggae – 1º de julho. A festa será na Casa Cultural Reggae (Rua do Passo) e contará com um time de artistas, djs e banda de reggae pra animar o público. Esta é a 7ª edição dessa celebração e terá shows do veterano Kamaphew Tawa & banda Aspiral do Reggae, Dj Maico Rasta, Fabiana Rasta, Jo Kallado ,Vivi Akwaba, Jadson Mc, Bruno Natty, Ras Matheus e Makonnen Tafari.

O Brasil é o segundo país do mundo que mais consome reggae, uma data definida pela jamaicana Andrea Davis, inspirada no discurso de Winnie Mandela em Kingston, Jamaica, em 1992.

“O Reggae tem sido uma grande influência nas raízes culturais e musicais da Jamaica e do mundo, misturando instrumentos africanos e europeus como violão, bongô e banjo, e criando as bases para o gênero. Ele inspirou milhares a seguirem a filosofia da cultura Rastafari, dando origem a figuras icônicas como Bob Marley, Jimmy Cliff, Peter Tosh, Toots & The Maytals, entre outros”, pontua a dirigente da Associação, Jussara Santana.

O ritmo também foi reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial pela Unesco, em 2018, por conta do seu papel sociopolítico e cultural. A celebração será neste sábado (01/7), aberta ao público, das 18h às 23h30.

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Vai rolar segunda edição da festa #Ghettos no Bombar

Jamile Menezes

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Drica Bispo

Nesta sexta (30), o Bombar no bairro do Rio Vermelho em Salvador vai receber a segunda edição da festa Ghettos edição Salcity X Guiné- Bissau, idealizada pelo produtor, Uran Rrodrigues.

“Os sons de dois dos principais centros urbanos do mundo se encontrarão na mesma pista em celebração as nossas potencialidades numa mistura musical altamente dançante e identitária” conta Uran.

Diretamente de Mirandá, gueto do Guiné, o músico, cantor e Dj Eco de Gumbé apresentará suas performances no melhor do afrobeat, dialogando com o set do dj, produtor musical e co-criador do Coletivo Trapfunk&Alivio, Allexuz95 do Nordeste de Amaralina. Ele promete beats certeiros com trap,funk e pagodão baiano.

Felupz

Do Pelourinho, Akani retorna à festa trazendo o seu groove e os remixes mais potentes da cena, abrindo as portas para sonzeira de Dricca Bispo com as autorais, como “Saudade” e os covers de Sem Pause e Inevitável.

Dricca Bispo, dançarina de Castelo Branco, já conhecida das pistas, apresentará sua nova versão como cantora. Vai rolar ainda feat especial com Felupz, que se prepara para lançar Razga com beat produzido por Doizá.

Couvert artístico R$ 25.

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