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Literatura

#PoesiaSoteropreta – O Poeta Crônico Anderson Shon!

Jamile Menezes

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Anderson_Shon

Anderson_Shon

Anderson Shon é o nome artístico de Anderson Mariano de Santana Santos, que escreve desde sempre mas que, somente em 2013, encarou a arte da palavra como profissão. Aí sua poesia ficou crônica. Para além da primeira impressão, a ‘crônica’ aí é a forma de escrita híbrida, já observada pelo poeta em outros artistas da palavra, porém, ainda, segundo ele, não havia essa denominação de poesia-crônica, ou poesia narrativa, que conta uma história ou um fingimento de história (O poeta é (sempre), um fingidor).

E como para bom fingidor meia palavra não basta, quer dizer, para o bom entendedor meia palavra basta, Shon se expressa, ou finge, contando histórias do cotidiano, transformando o simples fazer diário de um humano qualquer em combustível para a poesia, cuja escrita poética, por sua vez, retroalimenta o fingimento do poeta e vira combustível para o dia-a-dia. (Não precisa entender).

Ah, a poesia-crônica de Anderson Shon serve, ainda, de biombo, refúgio, para que o poeta se esconda do dia (ou da noite, ou da madrugada). E, nessa fuga-refúgio, ele inventa formas de interação com o mundo real (vai saber que mundo é esse!). E, como o poeta é professor de Redação, usa a língua (a portuguesa, claro), e as facilidades de sua formação acadêmica para atender aos pedidos que a poesia faz… Já viu que o poeta vira poesia e vice-VERSO, o tempo todo, né?

Como bom fingidor, ooops, poeta, Anderson Shon se mete em outras áreas como música (já gravou um CD), tem contos e romances (escritos, no papel, literatura, mesmo!), mas sua paixão, real, de carne e osso, é mesmo a literatura. Já viu que não dá para saber o que é real ou imaginário num poeta, não é?

E a poesia delira em Shon. Até a família entra na roda. Mas se você está pensando que é apenas a tradicional, com pai, mãe, irmãos etc, inclui mais aí: não precisa ter relação de sangue, consanguínea. Parente de poeta é pai, mãe, bonecos, ídolos, livros: “tudo que exista para ajudar o seu existir é sua família”, diz Shon. E aqui não é fingimento do poeta!

Anderson_Shon

Mas nem só de fingimento vive um poeta. Anderson Shon revela, em primeira mão, que vem por aí um aplicativo próprio para lhe ajudar a controlar a sua produção artística e alcançar um público maior. Antes disso, ele já atua nas redes sociais para divulgar sua poesia. Tem um site  e já publicou numa coletânea (Poesia Todo Dia), um conto no livro Artistas Liberais e um livro autoral: Um Poeta Crônico.

TÔ DE CACHO CHEIO PRA VOCÊ

 

Moda?

Pelo amor dos deuses

Vá procurar o que fazer

Pois hoje

Eu estou de cacho cheio pra você

 

Empoderar

É deixar qualquer madeixa

Solta pelo ar

E se comercial de shampoo

Ditava o liso

Hoje, com orgulho,

Eu digo

Que disso eu não preciso

Já posso escolher

E escolho

Estar de cacho cheio pra você

 

Ser black, afro

Cacho, curto

Liso, careca

A beleza mora

Na pessoa que se olha

E abre o sorriso

Eleva a estima

E ignora o blasé

Cara,

Tô de cacho cheio pra você

 

E sempre tem alguém

Pra puxar para baixo

Eu acho

Que há um pouco de inveja

Pois nas minhas fotos

Há uma beleza mais bela

Que foi renegada pela ditadura

Mas não hoje

Não amanhã

 

No futuro

Ninguém ouvirá o termo

Cabelo duro

Haverá respeito

O que mais puder haver

Diferente disso

Eu insisto

Mundo,

Estou de cacho cheio pra você.

 

(Anderson Shon, Um Poeta Crônico)

 

Valdeck Almeida

Por Valdeck Almeida de Jesus para o espaço “Poesia Soteropreta”, que vai evidenciar, divulgar e fortalecer a Poesia Preta, Periférica e de Resistência do cenário literário de Salvador. Confira aqui outros textos desta coluna. 

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Literatura

Valter Sales Alágbi lança de MÃo de Pilão

Kelly Bouéres

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Elis Freire
Elis Freire

Após o sucesso do primeiro lançamento, MÃo de Pilão reencontra o

público em um novo território: o Parque São Bartolomeu, em São João do

Cabrito, no Subúrbio Ferroviário de Salvador. Em um local atravessado

por memórias, ancestralidade e resistência, o professor, ativista e escritor

Valter Sales Alágbi divide novas nuances do livro com os

soteropolitanos e leitores presentes na cidade, no próximo sábado, dia

12 de setembro, a partir das 10h.

O momento contará com leitura de trechos da obra, sessão de

autógrafos, além de um coffee break para acolher e aproximar a todos.

O jornalista, assessor de comunicação e produtor audiovisual Ivan Costa

será o responsável por mediar o evento, trazendo perguntas,

contextualização e provocando o autor sobre MÃo de Pilão.

Um livro que retorna às suas raízesA escolha do local não é por acaso. Para Valter, levar MÃo de Pilão ao

Parque São Bartolomeu significa fazer com que o livro retorne para onde

diferentes camadas se encontram: a memória dos povos originários, a

resistência do Quilombo do Urubu, a relação das religiões de matriz

africana com a natureza do local e as lembranças de sua própria família.

O parque, localizado no Subúrbio Ferroviário de Salvador, é parte da

narrativa que atravessa a primeira obra do autor, guardando uma relação

afetiva e ancestral com a trajetória familiar e religiosa de Alágbi.

Enquanto a resistência do Quilombo do Urubu, liderado pela figura

feminina de Zeferina naquele espaço, é uma inspiração de luta, a história

de seu avô Guiguio de Obaluaiê que liderou um terreiro no bairro de São

João do Cabrito, nas proximidades do São Bartolomeu, o sensibiliza de

forma ainda mais íntima.

“Trazer esse segundo lançamento para esse espaço é florescer memórias

afetivas, memórias de um povo, memórias do terreiro e memórias que

muitas vezes eu não vivi, mas escutei através dos relatos da minha mãe,

da minha tia e até do meu próprio avô”, conta Valter Sales, que também é

um egbomi de Oxaguian.

Publicado pela editora Oxente, MÃo de Pilão entrecruza poesia e prosa,

memória, espiritualidade e crítica social para refletir sobre identidade

negra, ancestralidade e enfrentamento ao racismo. A obra nasce do

encontro entre experiências pessoais, oralidade, ensinamentos dos mais

velhos e vivências das periferias, em uma estreia na literatura que é

também uma conquista coletiva.

“O MÃo de Pilão surgiu do desejo de registrar aquilo que muitas vezes é

silenciado e de afirmar que nossas histórias também são dignas de ocupar

as páginas da literatura”, diz Valter.

Natureza e escrita sagradas

A relação com o Parque São Bartolomeu também passa pela dimensão

espiritual, muito presente na obra que apresenta o racismo estrutural e o

racismo religioso como questões centrais. Para reapresentar suas prosas e

poesias para novas mentes e corações, estar em meio a folhas sagradas

em um remanescente de Mata Atlântica reforça o significado de MÃo de

Pilão: “Quem é de terreiro sabe muito bem que sem folha não tem orixá”,

afirma.Desde o próprio nome da obra “MÃo de Pilão”, um objeto sagrado para

Oxaguian, orixá que guia Orí do autor, a relação com a matriz africana

está presente como energia criativa em sua literatura. Agora, a escrita

ancestral se encontra com um terreno de ancestralidade.

Para além disso, o autor reforça a importância de ocupar espaços culturais

periféricos de Salvador e pressionar pelo fim do sucateamento dessas

localidades: “Levar o livro para o Parque São Bartolomeu é dizer que ele

existe, que ele resiste, mesmo com todo o sucateamento, e que tem uma

grande potência ancestral, um grande legado para as comunidades pretas

de Salvador e, acima de tudo, para a comunidade de terreiro”.

Valter Sales Alágbi: nome, sobrenome e dijina

Licenciado em Letras pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Valter

Sales Alágbi é professor, poeta e ativista do movimento negro. Doutor

Honoris Causa pela Ordem dos Capelães e pela Faculdade Febraica,

construiu uma trajetória dedicada à promoção da educação antirracista, à

valorização da identidade negra e à defesa das religiões de matriz

africana.

Atualmente, é educador do projeto Juventude Negra e Participação

Política (JNPP), da CIPÓ – Comunicação Interativa, e colaborador da

Agência Nacional das Favelas (ANF). Também é idealizador do Cirandas

Pretas, projeto voltado à valorização das infâncias negras, e um dos

fundadores da Frente Makota Valdina.

Na tradição afro-religiosa, Valter é Egbomi de Oxaguian e carrega o nome

ancestral Alágbi, chamado no candomblé de “dijina”. Em MÃo de Pilão,

sua trajetória como educador, ativista, poeta e homem de terreiro se

encontra com as memórias familiares e coletivas que atravessam sua

escrita.

SERVIÇO

O quê: Lançamento do livro MÃo de Pilão no Parque São Bartolomeu

Quando:12 de setembro (sábado), às 10h

Onde: Centro de Referência do Parque São Bartolomeu, Parque São

Bartolomeu, SN, São João do Cabrito, Salvador (BA)
Gratuito

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Cultura

Larissa Luz e Paulo Rogério Nunes participam da 6ª Festa Literária Arte e Identidade

Kelly Bouéres

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Divulgação
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Voltar ao passado também pode ser uma forma de avançar. Nos dias 16 a 18 de setembro, a 6ª Festa Literária Arte e Identidade mostra como a ancestralidade, as memórias e os saberes construídos por gerações podem servir de ponto de partida para imaginar novos futuros. Ao longo de três dias, literatura, música, dança, moda, teatro, cinema, artes visuais e tecnologia se encontram para celebrar diferentes maneiras de criação, expressão e conhecimento em torno do tema “O Futuro é Ancestral – Arte e Literatura Afrofuturista”, no Pelourinho.

A programação começa na tarde da quarta-feira (16), a partir das 13h30, com exposições, intervenções artísticas, atividades lúdicas e ações culturais espalhadas por quatro espaços principais e equipamentos parceiros. Às 15h, a abertura oficial ganha destaque com a mesa “Afrofuturismo: O futuro é Ancestral”, no Espaço Juventudes (Largo Quincas Berro D’Água), que recebe a multiartista baiana Larissa Luz e o publicitário, empreendedor e consultor em inovação e diversidade Paulo Rogério Nunes, com mediação da educadora, pesquisadora e Mestra em Estudo de Linguagens Lindinalva Barbosa. Juntos, eles irão discutir o afrofuturismo e as possibilidades de construir o futuro a partir das referências ancestrais.

Cantora, atriz e apresentadora, Larissa Luz participará como palestrante, trazendo para o debate sua trajetória na música, no teatro, no cinema e na televisão, marcada pelo protagonismo negro e pelo empoderamento feminino. Ao lado dela, Paulo Rogério Nunes acrescenta à conversa sua experiência como cofundador da Vale do Dendê e da AFRO.TV, autor de livros sobre futuro e inovação e idealizador do Festival Afrofuturismo. Reconhecido internacionalmente, foi eleito um dos afrodescendentes mais influentes do mundo pela MIPAD e um dos 100 inovadores fora do Vale do Silício pela Rest of World, além de ter sido o único brasileiro convidado a palestrar no primeiro evento internacional da Fundação Obama, em Chicago.

Escrever é sobre imaginar – O público infantil terá um espaço reservado para explorar a imaginação e transformar a palavra falada em afirmação de identidade e protagonismo. Na quinta-feira (17), às 10h50, no Espaço Infantil Brilho (Largo Tereza Batista), o “Sarau da Infância” será conduzido por Duda Santhana, de 11 anos, declamadora, atriz e modelo que vem se destacando em saraus e festas literárias na Bahia. A intervenção artística propõe uma dinâmica interativa com poesias autorais e referências da cultura hip-hop e do slam, incentivando as crianças a escrever, declamar e compartilhar suas próprias criações no microfone.

Para Duda Santhana, expoente da nova geração de artistas periféricos, a palavra falada pode ser uma ferramenta de expressão, identidade e resistência. “A poesia é um espaço para você contar sobre a sua história e memória. É a partir desse momento que as pessoas escutam e sabem da sua identidade e sua resistência. A batalha de rima é o improviso, essa coisa de fazer na hora, pegando referências de pessoas que fizeram parte da nossa história, da cultura preta. A poesia também pode ser um espaço lúdico, onde você pode fantasiar tudo o que deseja e usar a imaginação, afinal, a escrita serve para isso”, comenta.

O corpo também fala – Corpo, memória, identidade e criação se encontram em um bate-papo sobre como dança, moda e estética podem recuperar legados ancestrais e, ao mesmo tempo, criar novas imagens sobre as existências negras. Para falar sobre essas possibilidades, ninguém melhor do que artistas e criadores que fazem dessas linguagens parte de quem são. Na roda de conversa “Corporeidades ancestrais e afrofuturos estéticos: Dança, Moda e Corpo”, na sexta-feira (18), às 14h, no Espaço Juventudes (Largo Quincas Berro D’Água), Tatiana Campêlo, Linda Rosa Rodrigues, Rey Vilas Boas e Dete Lima compartilham diferentes perspectivas sobre o tema, com mediação da escritora, poeta, educadora, coordenadora pedagógica e curadora Karla Daniella Brito.

Bailarina, coreógrafa, pesquisadora e diretora da Campêlo Cia de Dança, Tatiana Campêlo tem sua trajetória marcada pelas danças de matrizes africanas e afro-brasileiras e pela pesquisa sobre corpo, memória e identidade. Linda Rosa Rodrigues, com trajetória no Olodum desde a infância, cria os conceitos e figurinos do Bloco Olodum Mirim, em um trabalho que une moda, história e identidade negra. Rey Vilas Boas, fundador de uma marca de moda sustentável, transforma resíduos têxteis em criações autorais e aposta na moda circular e no consumo consciente. Já Dete Lima, estilista e artista visual ligada ao Ilê Aiyê e ao Terreiro Acè Jitolu, tem na estética afro-brasileira e na espiritualidade as bases de sua produção, sendo a principal responsável pela identidade estética e pela concepção dos figurinos do bloco. 

O estilista Rey Vilas Boas, fundador da própria marca sustentável que leva seu nome, conta que encontrou na moda um caminho para se sentir pertencente, expressar sua identidade e fortalecer sua autoestima. Para ele, o processo de criação também está relacionado à capacidade de enxergar novos sentidos tanto nos materiais quanto nas experiências que carrega: “Ressignificar um tecido é dar uma nova possibilidade a algo que seria descartado. E isso também pode acontecer com nossas ideias. Podemos mudar aquilo que pensamos sobre nós mesmos. Podemos transformar nossas histórias em potência. Você não precisa ser definido pelo lugar onde começou”. 

“Precisamos questionar os padrões de beleza que recebemos, corpos pretos são diversos. Cabelos, peles, rostos, corpos e estilos também são formas de expressão. Não precisamos caber em uma única caixa estética. Roupa também conta histórias, a moda pode falar de território, memória, identidade e ancestralidade. Eu deixei de querer apenas consumir referências e passei a querer criar referências. Eu passei muito tempo procurando referências para acreditar que eu podia. Hoje, quero ser referência para que outros meninos e meninas entendam que também podem”, ressalta Rey Vilas Boas.

Circuito de cultura e memória – Os visitantes poderão circular por quatro espaços fixos no Pelourinho, com programação simultânea, cada um dedicado a diferentes públicos: o Espaço Infantil Brilho, no Largo Tereza Batista; o Espaço Juventudes, no Largo Quincas Berro D’Água; o Espaço Empoderamento, na Casa Vale do Dendê; e o Espaço Identidades, no Museu Eugênio Teixeira Leal. 

A programação se estende ainda a equipamentos culturais parceiros, como Casa do Carnaval, Casa do Idoso, Casa do Olodum, Escola Olodum, Museu de Energia, Museu Solar Ferrão, SEPROMI – Unidade Móvel do Centro de Referência Nelson Mandela e Projeto Axé – Axébuzu, ampliando as possibilidades de contato com diversas manifestações da cultura e da memória afro-brasileira. 

As atrações foram pensadas para reacender os sonhos de crianças e jovens negros, indígenas e afro-indígenas, oferecendo um espaço de múltiplas aprendizagens, fruição e empoderamento. Ao colocar em circulação vários saberes e meios de expressão, o evento cria um circuito que contribui para fortalecer a representatividade, expandir horizontes e criar possibilidades para que esses públicos ocupem espaços de liberdade, criação e protagonismo.

A Festa Literária Arte e Identidade tem apoio financeiro do Estado da Bahia, através do Fundo de Cultura, Secretaria de Cultura e Secretaria da Fazenda.

 

SERVIÇO

Festa Literária Arte e Identidade – 6ª edição

Mesa: Conferência de Abertura “Afrofuturismo: O futuro é Ancestral” – Com Larissa Luz, Paulo Rogério Nunes e mediação por Lindinalva Barbosa 

Data: 16 de setembro

Horário: 15h

Local:  Espaço Juventudes, no Largo Quincas Berro D’Água

Mesa: “Sarau da Infância” – Com Duda Santhana

Data: 17 de setembro

Horário: 10h50

Local:  Espaço Infantil Brilho, no Largo Tereza Batista

Mesa: “Corporeidades ancestrais e afrofuturos estéticos: Dança, Moda e Corpo” – Com Tatiana Campêlo, Linda Rosa Rodrigues, Rey Vilas Boas e Dete Lima e mediação por Karla Daniella Brito

Data: 18 de setembro

Horário: 14h

Local:  Espaço Juventudes, no Largo Quincas Berro D’Água

Mais informações: @arteeidentidadeoficial

Site: https://sites.google.com/view/arteeidentidade/home

Entrada Gratuita

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Literatura

Cassia Valle e Luciana Palmeira lançam livros na Bienal do Livro de São Paulo

Kelly Bouéres

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A atriz do Bando de Teatro Olodum, escritora, diretora e museóloga Cassia Valle chega à Bienal Internacional do Livro de São Paulo ao lado da escritora, atriz e museóloga Luciana Palmeira para uma programação atravessada por literatura, teatro, música, memória, identidade e representatividade negra.

As autoras participarão de dois lançamentos e apresentarão a performance Mala? No: Mala Brincante no Espaço Infâncias, integrando a programação oficial da Bienal.

No dia 12 de setembro, às 15h, noков estande da Editora Malê, Cassia Valle e Luciana Palmeira darão continuidade ao ? Circuito Sonora, programa de pré? No: darão continuidade ao Circuito Sonora, programa de pré-lançamentos do livro “Maga, Pérola Sonora”. O encontro será acompanhado por uma performance artística inspirada no universo da obra.

Inspirado na trajetória da cantora e ministra da Cultura Margareth Menezes, o livro apresenta a força de uma menina que reconhece o próprio território como mestre. Uma criança que aprende com os sons, os afetos, as pessoas e as memórias do lugar onde vive, descobrindo na música um caminho de identidade, pertencimento e transformação.

No dia 13 de setembro, às 15? No: às 15h, no estande da Editora Mostarda, as autoras lançarão “Uma? No: “Uma Pequena? No: “Pequena Leitora? No: “Pequena Leitora, Grande Museóloga”.

A obra integra uma coleção que aproxima o público infantil da literatura e apresenta diferentes profissões às crianças. Neste volume, Cassia Valle e Luciana Palmeira falam sobre a Museologia, área de formação das duas autoras, mostrando que os museus não são apenas lugares onde se guardam objetos, mas espaços vivos de preservação das memórias, das histórias, dos patrimônios e das identidades de pessoas e comunidades.

Para a atriz, escritora e museóloga Cassia Valle, os dois livros mostram como o território participa da formação das crianças e de suas identidades:

“Os dois livros falam sobre as muitas possibilidades que o território oferece para a construção da identidade. É no lugar onde vivemos que encontramos sons, histórias, memórias, profissões, afetos e referências que nos ajudam a compreender quem somos e de onde viemos. Quando uma criança reconhece a força do seu território, ela também fortalece o sentimento de pertencimento”, afirma Cassia Valle.

Para Luciana Palmeira, as obras ampliam as referências apresentadas às crianças negras e ajudam a abrir caminhos para outras escritas:

“Além de estimular o surgimento de novos leitores e autores, continuamos provocando reflexões sobre a importância da identidade preta na construção do pertencimento. Queremos que nossas crianças se reconheçam nos livros, nas profissões, nas histórias e em todas as possibilidades de futuro”, destaca Luciana Palmeira.

Ainda no dia 13 de setembro, às 19h, Cassia Valle e Luciana Palmeira apresentarão a performance Mala Brincante no Espaço Infâncias, como parte da programação oficial da Bienal.

Na apresentação, as duas autoras e atrizes abrem uma mala povoada de histórias e convidam o público a percorrer caminhos de literatura, música, poesia, ancestralidade e brincadeira. Mais do que objetos, a mala guarda lembranças, personagens, canções e saberes. A cada abertura, uma nova história ganha corpo, movimento e voz.

Com 35 anos de trajetória teatral, Cassia Valle leva para a Bienal uma experiência construída nos palcos, na literatura, na Museologia e na formação de novas gerações. Como atriz e integrante do colegiado gestor do Bando de Teatro Olodum, fundadora do Bonde da Calu e do Instituto Calu Brincante, sua produção articula teatro negro, memória, identidade e criação artística para as infâncias.

 

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