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Religião

Religiosos se preparam para a 9ª Caminhada da Pedra de Xangô!

Jamile Menezes

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No próximo dia 4 de fevereiro, será realizada a 9ª Caminhada da Pedra de Xangô, localizada na Avenida Assis Valente, bairro de Cajazeiras X. A pedra é símbolo da luta dos escravos pela libertação, pois ali se reuniram os negros no período colonial para organização do quilombo conhecido por Buraco do Tatu.

“Uma agressão tanto a nossa religião, quanto ao respeito pela gente que não desrespeita ninguém e quando acontece um ato desses, claro nos sentimos ofendidos, machucados e discriminados”, disse Mãe Iara de Oxum, fundadora da caminhada.

A construção da avenida valorizou comercialmente a região e, desde a inauguração em 2010, os rumores de destruição do rochedo crescem junto com a especulação imobiliária e deixando a pedra exposta a atentados de intolerância religiosa. Exemplo disso aconteceu na madrugada do dia 10 de novembro de 2015, quando oferendas foram destruídas, e onde se encontrou sal grosso e pichações.

Ambientalistas e historiadores estão convidados a juntar-se aos adeptos do candomblé, todos vestidos de branco, às 7h30min no local conhecido como Campo da Pronaica, de onde partirá a caminhada.

9ª Caminhada da Pedra de Xangô

Onde: Pedra de Xangô – Avenida Assis Valente, Cajazeiras X

Quando: Dia 4 de fevereiro (domingo), 7h30

 

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Opinião

#Opinião – Quando pai Oxossi e o tapete de Corpus Christi ultrapassam a escala 6×1

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Que o mês de junho já começou, todos nós já sabemos. O que ainda não percebemos é o quanto a mesa do trabalhador brasileiro, com escala 6×1, vêm se sobrepondo em fé e resiliência diante de um salário mínimo de R$ 1.621,00, com aumento de 6,79% em relação a 2025. Tendo uma cesta básica de R$616,28 em Salvador, segundo dados da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos realizada pelo DIEESE e Conab em janeiro de 2026, os soteropolitanos não tem o hábito de deixar a sua “Fé Faiar”, como bem retrata a música de seu conterrâneo Gilberto Gil.

Com uma população cercada por hábitos sincréticos de fé, Salvador amanheceu no dia 4 de junho entre as águas de um frente fria, e muita fé no chão nos arredores das Igrejas Católicas que celebram o feriado de Corpus Christi. E, ao mesmo tempo, o dia do Rei da Caça, que não permite que falte alimento na mesa dos adeptos do Candomblé.

Calculada pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), com base em 3.329 cotações de preços realizadas em 89 estabelecimentos comerciais de Salvador, a Cesta Básica de Alimentos passou a custar R$657,01 no mês de maio de 2026.

A pergunta que não quer calar é: “Como sobreviver sem fé em Salvador?”

 Trabalhadores soteropolitanos vivem no fio da navalha que não é a da sua feitura/iniciação, e nem muito menos a navalha que corta centímetro a centímetro, em partes iguais, a hóstia sagrada – elemento central da celebração da Eucaristia na Igreja Católica.

Esse sim é o render-se ao verdadeiro mistério vivido, dia após dia, dos trabalhadores na capital baiana e no Brasil, acreditando na presença real de Jesus Cristo e do orixá Oxóssi durante o café da manhã, almoço e jantar da sua família.

 

Bernardes

Seja aos pés da imagem de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, na Igreja homônima, no Centro Histórico de Salvador, ou seja confeccionando durante a madrugada o tapete orgânico de Corpus Christi, que simbolizam a passagem do Corpo de Cristo; expressando fé, devoção e arte popular nas ruas durante a procissão eucarística. O que é fato público é que está cada vez mais desafiador manter a matéria/ser humano com saúde plena e segurança alimentar diante de um país ao qual as trincheiras de sobrevivência refletem uma bancada parlamentar em âmbito federal que resiste e insiste em não escutar o ilá (som) da precarização da saúde física e mental de seu próprio povo.

Será esse o motivo real da confluência/fusão da celebração de Corpus Christi e a reverência a Oxóssi no Brasil ao longo dos séculos?

Quantos cânticos em iorubá, cozimentos de axôxô (prato ritualístico da culinária afro-brasileira) e tambores entoando a nutrição, tanto do corpo quanto do espírito, do trabalhador brasileiro ciente do seu futuro profissional incerto diante da nova Legislação Trabalhista da Escala 6×1?

A insegurança alimentar está associada ao aumento de sintomas de depressão, ansiedade e estresse, sugerindo que a mesma pode contribuir para a saúde mental.

Párocos, babalorixás e yalorixás seguem clamando por misericórdia pelos seus fiéis e filhos/as de orixá em sua rotina diária no Brasil.

Okê Arô … Amém …

 

Patrícia Bernardes Sousa é yawo de Oxum do Ilê Axé Koboxê (Fazenda Grande IV Cajazeiras), jornalista, gestora e mobilizadora de projetos de Impacto Social. 

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Religião

Guia contra o racismo religioso chega à 2ª edição

Kelly Bouéres

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Criola
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Dados alarmantes do Ministério de Direitos Humanos e Cidadania revelam que denúncias de ataques contra terreiros tiveram um aumento de 67% de 2023 para 2024, saltaram de 1418 para 2472.

Saber como agir em casos de racismo religioso é fundamental para que os povos de terreiro possam se resguardar desses crimes. Nesse sentido, CRIOLA, organização de mulheres negras, lança a segunda edição da cartilha “Terreiros em Luta: Caminhos para o Enfrentamento ao Racismo Religioso”, um guia prático para capacitar instituições da sociedade civil e lideranças de matriz africana, reunindo mapeamento de leis, canais de denúncia, orientações jurídicas e estratégias de incidência nacional e internacional para proteger os povos de terreiro das crescentes violações de seus direitos.

Conforme destaca Maiah Lunas, diretora executiva de CRIOLA e parte da equipe editorial da segunda edição da cartilha, as mulheres negras e a população LGBTQIAPN+ são as mais atingidas por esse crime que, desde 2023, passou a ser enquadrado como racismo, tornando qualquer tipo de violência, hostilidade ou impedimento de cultos de matriz africana inafiançável e imprescritível.

“É fundamental compreender que o racismo religioso vai além da intolerância religiosa, pois está diretamente ligado à discriminação histórica contra as religiões de matriz africana – daí a importância de seu reconhecimento como crime de racismo desde 2023. Para além dos avanços na legislação, como a instituição do Abril Verde, o enfrentamento a essa violência passa, necessariamente, pelo fortalecimento das comunidades de terreiro e pela ampliação do acesso à informação sobre seus direitos. Iniciativas como a cartilha ‘Terreiros em Luta’ são essenciais nesse processo, pois oferecem instrumentos para a construção de estratégias de enfrentamento ao racismo religioso.”.

O que é racismo religioso
Racismo religioso é um conjunto de práticas violentas que expressam ódio e discriminação especificamente contra as religiões de matriz africana, seus adeptos, tradições culturais e territórios sagrados. Essa forma de violência opera de maneira estrutural no país e se manifesta de diversas formas no cotidiano: desde agressões físicas e psicológicas, xingamentos, depredação e invasão de terreiros (muitas vezes orquestradas por grupos armados), até a proibição do uso de paramentos sagrados e graves ataques de intolerância dentro de escolas e nas redes sociais.

 

Sobre a cartilha
A cartilha “Terreiros em luta: caminhos para o enfrentamento ao racismo religioso” é uma iniciativa do projeto Racismo Religioso e Redução da Violência e Discriminação contra Praticantes de Religiões Afrodescendentes no Brasil, uma ação para o enfrentamento do racismo religioso no Brasil, a partir do fortalecimento institucional das organizações não-governamentais, organizações religiosas e outros movimentos de religiões de matriz africana, ampliando as capacidades dessas organizações para a incidência nacional e internacional e para a garantia dos direitos humanos e da liberdade religiosa.

 

A obra, realizada em parceria com o Ilê Axé Omiojuarô (RJ) e o Ilê Axé Omi Ogun Siwajú (BA); apoiada por Instituto de Raça, Igualdade e Direitos Humanos, Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos do Estado do Rio de Janeiro, Observatório Estadual Mãe Beata de Iemanjá e mandata Renata Souza, será disponibilizada no formato digital, com distribuição gratuita.

 

Sobre CRIOLA

CRIOLA é uma organização da sociedade civil fundada em 1992 e conduzida por mulheres negras. Atua na defesa e promoção de direitos das mulheres negras em uma perspectiva integrada e transversal, tendo por missão trabalhar para a erradicação do racismo patriarcal cisheteronormativo, contribuindo com a instrumentalização de meninas e mulheres negras, cis e trans, para a garantia dos direitos, da democracia, da justiça e pelo Bem Viver.

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Religião

Santuário anuncia 4ª Caminhada de Zé Pilintra

Kelly Bouéres

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Caminhada de Zé Pilintra
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Salvador apresenta, entre os dias 25 e 26 de abril, a 4ª Caminhada de Zé Pilintra – Caminhos do Sagrado, Território e Resistência, manifestação cultural e religiosa que reúne comunidades de matriz africana, movimentos sociais, pesquisadores e apoiadores da liberdade religiosa no Centro Histórico da capital baiana.

A iniciativa é liderada pelo Babalorixá Pai Wellington Luís, fundador do Santuário de Zé Pilintra, localizado na Rua do Corpo Santo, no bairro do Comércio, e tem como objetivo fortalecer o enfrentamento à intolerância religiosa e valorizar as tradições afro-brasileiras no espaço urbano.

A programação terá início no dia 25 de abril, com solenidade de abertura no plenário da Câmara Municipal de Salvador, seguida pela realização do 1º Fórum Popular com Mesas Temáticas, na sede da OAB Bahia. O encontro propõe reflexões sobre dois eixos centrais: a malandragem como expressão de resistência cultural nas cidades brasileiras e o papel das religiões de matriz africana no enfrentamento à violência contra mulheres.

O ponto alto da programação será no dia 26 de abril, com a realização da 4ª Caminhada de Zé Pilintra, que partirá da Praça Castro Alves em direção à Rua do Corpo Santo, reunindo devotos, lideranças religiosas, artistas e representantes de diferentes tradições espirituais em uma manifestação pública de fé, cultura e resistência.

Além de ser um cortejo religioso, a caminhada se consolida como um ato simbólico de afirmação da diversidade religiosa e da presença cultural das tradições afro-brasileiras no território urbano de Salvador.

Criado em 2023, o Santuário de Zé Pilintra tornou-se um espaço de referência espiritual e cultural dedicado à entidade, reconhecida nas tradições da Umbanda e de outras religiões afro-brasileiras como símbolo de proteção, sabedoria popular e resistência.

Pai Wellington Luís foi iniciado no Candomblé em 2006 e tornou-se Babalorixá do Ilê Baba Ala Piti Oke em 2018. Em 2023, fundou o santuário em Salvador e passou a organizar ações culturais e religiosas voltadas ao combate à intolerância religiosa e à valorização da ancestralidade afro-brasileira. Em 2024, foi eleito conselheiro estadual de cultura da Bahia, ampliando sua atuação na promoção da diversidade cultural e religiosa.

A expectativa dos organizadores é ampliar a participação de terreiros, grupos culturais e lideranças comunitárias, fortalecendo a caminhada como uma das principais manifestações públicas em defesa da liberdade religiosa na cidade.

SERVIÇO

25 de abril
Solenidade de abertura
Câmara Municipal de Salvador

25 de abril
1º Fórum Popular – Mesas Temáticas
OAB Bahia

26 de abril
4ª Caminhada de Zé Pilintra
Saída: Praça Castro Alves
Chegada: Rua do Corpo Santo – Comércio

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