Música
Filme sobre a “Maestrina da Favela” será exibido em Salvador!
Elisete “Elem” De Jesus Silva. Uma jovem soteropolitana com a missão de libertar crianças de uma vida de drogas e violência no Pelourinho. Essa história será contada por meio do filme “Maestrina da Favela”, dirigido por Falani Afrika – cineasta afro-americana que se dividiu entre Salvador e EUA por 10 anos para filmar o documentário de 80 minutos. Nele, a garota Elem, de 8 anos se torna a jovem de – hoje – 23, líder artística e social de mais de 25 garotos e garotas que vivem na favela da Rocinha, localizada no Centro Histórico de Salvador. Falani e Elem cresceram juntas neste processo, hoje são grandes amigas e preparam a exibição do resultado disso tudo, em 24 de fevereiro, aqui em Salvador. O Portal Soteropreta entrevistou Falani, conheça essa história:
Portal SoteroPreta – Como você conheceu Elem e seu trabalho?
Falani Spivey – Cerca de dez anos atrás, enquanto estudava na Universidade Howard, conheci Rosana Chagas, que era uma estudante de intercâmbio e me convidou para visitá-la em Salvador. Eu vim durante o mês da Consciência Negra, com uma câmera semi-profissional para documentar minha experiência. Na minha primeira noite em Salvador, Rosana levou-me a Rocinha para vislumbrar uma comunidade que era muito resistente no processo de gentrificação. Fui recebida por Dona Nilzete,que me fez sentir em casa. Passei um mês em Salvador fazendo entrevistas e, na época, eu queria muito fazer um filme sobre 9 jovens da diáspora de volta ao Gana. Mas na minha última noite em Salvador, voltei para Rocinha para dizer a dona Nilzete adeus e foi quando conheci sua filha Elem. Pedi-lhe que me acompanhasse pela comunidade na manhã seguinte antes do meu voo. Quando eu apareci com a câmera, não tinha ideia de que ela teria uma banda.
Ela começou a organizar as crianças e fizeram um show, fiquei cativada porque essa jovem estava no comando de um grupo de percussão. A entrevistei e posso dizer que ela era sábia para além de seus poucos anos. Saí no mesmo dia em que a filmamos e, assim que voltei aos EUA, comecei a angariar fundos para voltar e continuar filmando seu trabalho como ativista da comunidade.
OUÇA ELEM:
Quando a vi aos 13 anos de idade, vivi de forma indireta por meio de seu trabalho.O crack é uma guerra química que o governo implantou em nossas comunidades e testemunhei três gerações nos EUA serem destruídas por essa droga. Ver uma jovem que combate a epidemia de crack e o racismo através da música, foi muito inspirador e foi o que provocou o documentário Maestrina da Favela.
Estou tão agradecida por ter nascido uma mulher negra e saber que pessoas como Marcus Garvey abriram o caminho para que nos juntemos globalmente para fazer a diferença. Eu não me vejo como americana, sou uma pessoa de descendência africana nascida na América, há uma grande diferença em ser americana e afro-americana. Eu acho que tanto Elem quanto as pessoas que me ajudaram a fazer esse filme entenderam que somos todos um, com apenas uma língua diferente.
Falani Spivey – Este documentário significa muito para mim porque é um filme criado por uma equipe de mulheres negras contando a história de outra negra. Embora tenha sido um desafio financiar o filme, estou muito feliz por ter controle total sobre o projeto e orgulhosa de dizer que este é o nosso filme. Durante muitos anos, nossas histórias foram contadas e controladas por pessoas brancas. Os tempos mudaram e estamos escrevendo nosso próprio destino. Este filme é dedicado a todas as mulheres negras em todo o mundo lutando para fazer uma vida melhor para as gerações futuras. Este filme não é exclusivamente meu, pertence à África e seus filhos da diáspora.
OUÇA ELEM:
SERVIÇO
Exibição do filme “Maestrina da Favela”, um filme de Falani Spivey (EUA)
Quando: Dia 24 de fevereiro (sábado), 17h
Onde: Sala Walter da Silveira (Barris)
Aberto ao público
Saiba mais sobre o filme aqui: maestrinadafavela.com
Música
Dendê Macedo faz show no Pelourinho neste domingo (19)
O cantor, compositor e multi-instrumentista Dendê Macêdo já tem data marcada para o show de estreia em Salvador. Em solo baiano para uma temporada de seis meses, no próximo domingo (19), o artista e sua banda se apresentam na Praça Quincas Berro D’Água, no Pelourinho, a partir das 17h, com entrada gratuita.
“Começar a nossa série de shows no Centro Histórico de Salvador (CHS), que é rico em cultura afro-brasileira, é muito simbólico. Vamos trazer as batidas ancestrais do samba de roda, os cantos sagrados do candomblé com influências globais de gêneros como afrobeat nigeriano, rumba cubana e mbalax de Senegal. O resultado será um espetáculo que exalta a diáspora africana e sua contribuição essencial para a formação da identidade musical brasileira”, destaca o artista.
A apresentação, que foi aclamada nos Estados Unidos e outros países, tem um repertório diverso trazendo releituras de clássicos brasileiros além de canções autorais como “Feira de São Joaquim” e “Yemanjá”, música de trabalho atual de Dendê.
Sobre Dendê
Dendê começou sua carreira artística aos 14 anos como percussionista da Timbalada e com passagens pelo bloco afro Tambores do Engenho, Samba Mirim Pingo de Ouro e Samba Fogueirão. Desde 2001 divide junto com sua banda o tempo entre a terra natal e os Estados Unidos, onde sua música vem ganhando destaque. Ao todo, são mais de 20 anos dedicados à disseminação das raízes afro-brasileiras pelo mundo. Para mais informações, acesse @dendemacedomusic nas redes sociais.
Música
Riachão terá novo disco lançado dia 24 de janeiro pela Natura Musical
“Onde eu cheguei, está chegado”, quinto disco de Riachão, estará disponível nas plataformas de streaming no dia dia 24 de janeiro (sexta-feira), com 10 canções inéditas escritas pelo artista. A obra se tornou póstuma após o mestre do samba falecer aos 98 anos, em 30 de março de 2020, apenas quatro meses depois do festejado anúncio da seleção do seu projeto de produção de um novo álbum solo no edital Natura Musical.
O cantor já tinha gravado algumas vozes, recuperadas e agora utilizadas em quatro feats com nomes de peso: Criolo e Martinho da Vila cantam com ele, Beto Barreto se junta com sua guitarra elétrica e o neto Taian traz a carga afetiva familiar. Completando o time de ouro da música brasileira na interpretação das demais faixas, estão Teresa Cristina, Josyara, Roberto Mendes, Pedro Miranda, Enio Bernardes, Juliana Ribeiro, Fred Dantas, Nega Duda e Clarindo Silva, tudo sob a produção musical de Caê Rolfsen e Paulinho Timor.
Animado com a vida como sempre, Riachão havia escolhido o título do álbum, que seria “Se Deus Quiser Eu Vou Chegar aos 100” – o que infelizmente não aconteceu. A morte do autor de clássicos como “Cada Macaco no Seu Galho” e “Vá Morar com o Diabo” parecia impedir o seguimento do trabalho que tanto o mobilizou e alegrou até o fim. É neste contexto que unir artistas que valorizassem devidamente o repertório foi primordial. Riachão volta grandioso, cantado e tocado por quem reverencia e fará ecoar o seu legado.
“Este projeto resulta de um senso de compromisso cultural com a Bahia e o Brasil no que diz respeito ao fortalecimento e prolongamento das criações musicais deste grande cantor e compositor”, diz Joana Giron, da Giro Planejamento Cultural, que contextualiza como ele havia voltado a compor após anos sem atividade: “Quando ele morreu, estava extremamente animado com o projeto e o disco estava em processo de escolha de repertório. A readequação de tudo não foi simples, mas, quase cinco anos depois, cremos que estamos prestando a homenagem mais à altura de Riachão possível”, completa.
“Ele estará presente no disco, mesmo após a sua partida. A gente queria o Malandro cantando, e felizmente conseguimos: a voz imortal de Riachão, que é sempre o seu melhor intérprete”, comemora o produtor musical Paulinho Timor, em quem Riachão tanto confiava.
Junto com o disco, também no dia 12 de dezembro, entra no ar um site que abrigará um amplo acervo de fotografias, reportagens, discos, fonogramas e documentos audiovisuais que apresentam a vida e a obra do sambista ao longo de mais de seis décadas, com pesquisa e textos do jornalista André Carvalho. Lá, ainda serão disponibilizados três minidocumentários, dirigidos por Claudia Chávez, da Apus Produtora de Conteúdo, sobre o processo de realização deste projeto peculiar.
Ainda criança, Riachão, segundo ele próprio, cantava samba chula e samba de roda como os seus antepassados escravizados cantavam na senzala. Deixou mais de 500 composições, muitas delas nunca gravadas, de samba autêntico e de tradição oral, algumas interpretadas por artistas como Jackson do Pandeiro, Jamelão, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Dona Ivone Lara, Beth Carvalho, Cássia Eller, Zélia Duncan e muitos outros. Dizia ele: “Não me dá ideia de escrever nada, o samba está dentro da minha cabeça, de acordo com o que acontece ao meu redor”. Patrimônio baiano e brasileiro, de alegria e sorriso sempre estampados, foi parceiro de irmãos de samba como Batatinha, Edil Pacheco, Walmir Lima, Panela e tantos outros que fizeram da boa música baiana profissão de fé.
A Giro Planejamento Cultural, empresa realizadora do projeto desde sua inscrição, tornou tudo uma justa homenagem à eternidade do pioneiro e mais longevo sambista da Bahia. Riachão foi selecionado pelo edital Natura Musical ao lado de Alto da Maravilha, Cabokaji, Coletivo Afrobapho, Feira Noise Festival, Jadsa, Mateus Aleluia e Tá Batenu – Culto Afrofuturista. No estado, a plataforma já ofereceu recursos para mais de 80 projetos de música até 2022, em diferentes formatos e estágios de carreira, como Margareth Menezes, Luedji Luna, Mahal Pita e Casa do Hip Hop da Bahia. O projeto também tem patrocínio do Governo da Bahia, através do Fazcultura, Secretaria de Cultura e Secretaria da Fazenda.
Sobre Natura Musical
Natura Musical é a plataforma cultural da marca Natura que há 18 anos valoriza a música como um veículo de bem-estar e conexão. Desde seu lançamento, em 2005, o programa investiu mais de R$ 190 milhões no patrocínio de mais de 600 artistas e projetos em todo o Brasil, promovendo experiências musicais que projetam a pluralidade da nossa cultura. Em parcerias com festivais e com a Casa Natura Musical, fomentamos encontros que transformam o mundo. Mais informações nas redes sociais: @naturamusical.
Música
Sambista Ruth Costa chega a Salvador com projeto “Samba da Ruth: conexão Pará-Bahia”
Um intercâmbio entre Pará e Bahia para promover o diálogo ancestral dentro da
musicalidade que vem do samba em seus mais variados estilos. Esse é o intuito do projeto
“Samba da Ruth: conexão Pará-Bahia”, que vai unir a cantora, produtora cultural e ativista
negra paraense, Ruth Costa às artistas baianas do samba, Ayrá Soares e as Ganhadeiras de
Itapuã. O projeto, que propõe o diálogo entre suas influências diaspóricas Bahia-Amazônia,
desembarca em Salvador em janeiro de 2025 e trará vivências, encontros, gravações e show
musical.
Uma das potencializadoras do samba produzido na Amazônia Paraense, Ruth Costa propõe
uma troca de saberes para fortalecer ainda mais as carreiras das mulheres envolvidas, a
partir de um diálogo sobre suas influências diaspóricas. Com o projeto, serão gravadas em
formato de audiovisual duas canções autorais, uma com cada artista convidada. O registro
ficará disponível no canal da artista Ruth Costa no Youtube. O projeto “Samba da Ruth”
prevê também rodas de samba, e diálogo com mulheres artistas da periferia de Salvador.
Os encontros irão oportunizar a vivência com o samba da Bahia, potencializando o trabalho
de cada artista na expansão da transformação social através da arte e da cultura. O projeto
“Samba da Ruth: conexão Pará-Bahia” busca reconhecer e visibilizar a ancestralidade que
permeia o ritmo do samba em momentos para trocas e fortalecimento da luta antirracista e
feminina. Trocas que trarão resultados, não somente para os territórios do Norte e
Nordeste, como para todo o país.
“Nosso objetivo com este projeto é o fortalecimento do samba produzido na Amazônia com uma conexão histórica com a Bahia. Queremos unir a história de mulheres negras que vivem da arte ancestral do samba e das culturas populares, expandindo o conhecimento sobre a musicalidade entre os dois estados. Nesta ponte, há um diálogo direto entre essa cultura ancestral e um futuro feito por mulheres negras”, explica Ruth.
A conexão Pará-Bahia pretende, ainda, proporcionar a troca cultural entre Ruth Costa e
Mestras e Mestres da cultura popular baianos, além de grupos femininos de percussão,
como o projeto Didá, em Salvador, e grupos e instituições culturais do Recôncavo.
Da Bahia para o Pará – Sobre Ruth Costa
Como contrapartida do projeto, a artista Ruth Costa irá realizar, em Belém, uma Mostra
Audiovisual, na qual irá compartilhar a experiência vivida em solo baiano por meio de
encontros em três territórios periféricos da capital paraense.
Envolvida com o canto desde os cinco anos de idade, Ruth Costa é mulher negra, lésbica,
cantora, produtora cultural e ativista negra, que vem fomentando o samba na Amazônia
Paraense desde 2019. É reconhecida por sua voz marcante e por ser um dos ícones da nova
geração do samba no Pará. Em seu trabalho na divulgação e fortalecimento do gênero e da
cultura do gênero musical na região, Ruth já produziu e idealizou rodas de samba
protagonizadas por mulheres, como o Ki Roda, Quintal das Bruxas e o Sapasamba, roda
comandada por artistas lésbicas e bissexuais.
Integrou a programação do maior carnaval do Pará, o “Circuito Mangueirosa”, em 2023 e
2024, cantando em blocos liderados por mulheres. É reconhecida por usar sua arte como
forma de resistência política, e por isso recebeu a comenda, diploma e medalha “Mérito
Cultural e Patrimônio de Belém – Mestre Verequete” (2021), concedida a pessoas que se
destacaram como incentivadores das artes, cultura e do patrimônio cultural e histórico no
município de Belém. Outra honraria recebida pela artista foi a comenda “Anastácia Livre”
(2025), que premia mulheres negras de destaque nos espaços de poder. Seu clipe “Sou
mulher preta” foi indicado ao Prêmio Amazônia de Música, premiação que reconhece
artistas da região e incentiva o lançamento de novos produtos musicais nas plataformas
digitais.
Programação
Ruth Costa estará em Salvador a partir do dia 18 de janeiro, quando fará visitas a espaços de
samba em Salvador, vivências com as artistas convidadas do projeto, com as quais fará
gravações em estúdio, a grupos femininos percussivos na cidade e em outros municípios, e
show musical no Pelourinho, concluindo o projeto.
“Salvador foi recentemente reconhecida como Capital Afro, e é também onde nós mulheres
negras reconhecemos nossas ancestralidades de quem vive no Brasil. São tambores que se
assimilam, são quilombos que mantêm sua história e cultura. Por isso a escolhemos para
este intercâmbio cultural-musical. A mistura de sons tem influência diaspórica, onde o
tambor e toda uma percussão giram ao entorno de uma ancestralidade que envolve os
territórios do Pará e Bahia. É de grande valia que mulheres destes territórios se encontrem
para fortalecimento da produção cultural no Brasil”, conclui Ruth.
Serviço
Visita a espaços de samba em Salvador, gravações com artistas convidadas, visitas a grupos
percussivos femininos de Salvador e municípios baianos – a partir de 18 de janeiro/2025.
Show Samba da Ruth – Ruth convida Ganhadeiras de Itapuã e Ayrá Soares
Quando: 26 de janeiro (domingo), 17h
Local: Largo Quincas Berro D’água – Pelourinho/Salvador
Entrada: gratuito