Literatura
Paulina Chiziane é convidada dos Diálogos Insubmissos no Fórum Social Mundial!

Fto Lis Pedreira
E vem aí mais uma edição dos Diálogos Insubmissos de Mulheres Negras e vai ser no Fórum Social Mundial, que acontece de 13 a 17 de março, em Salvador. Nesta edição, no dia 16 de março (sexta-feira), serão duas mesas de debate: “Epistemologias Insubmissas de Mulheres Negras” e “Mulheres Negras, Literatura e Resistência”. Ambas acontecerão no auditório da reitoria do IFBA, no bairro do Canela e será aberto ao público.
Na primeira mesa, debaterão sobre o tema a Mestra em Sociologia e Ouvidora da Defensoria Pública do Estado, Vilma Reis (UFBA) e as Dras. Marcilene Garcia (IFBA) e Ângela Figueiredo (UFRB), com mediação da Mestra Ana Carla Portela (IFBA).
Já na segunda mesa, a mediação ficará por conta da doutoranda em Literatura e Cultura – e idealizadora dos Diálogos Insubmissos – Dayse Sacramento, que guiará o debate entre as professoras Dras. Íris Amâncio e Ana Rita Santiago. Esta Mesa contará ainda com a participação da escritora moçambicana, Paulina Chiziane.
A idéia dos Diálogos Insubmissos no Fórum Social Mundial é reunir mulheres negras de distintas áreas do conhecimento a fim de discutir sobre epistemologias, metodologias e conhecimentos contra-hegemônicos e decoloniais produzidos por estas mulheres.
“A vinda de Paulina Chiziane é fruto de uma grande e rica parceria dos Diálogos com a Katuka Africanidades e com a editora Nandyala que nos proporcionará mais um momento de criar rasuras no discurso universalizante tento da literatura brasileira como da academia brasileira, a partir destas pesquisadoras e de suas relevantes produções. A idéia é fortalecer o necessário acesso a elas pelo público que empodera os Diálogos em todas as suas edições”, diz Dayse Sacramento
Os Diálogos Submissos começam às 18h, a atividade é aberta ao público, sujeito à lotação do espaço. Como de costume, a organização dos Diálogos estimula a doação de livros de literatura negra para iniciativas sociais voltadas para o público feminino. Desta vez, a beneficiada será a Biblioteca Mentes Livres, construída pelo projeto Corpos Indóceis, coordenado pela professora, Denise Carrascosa. É uma iniciativa que atende mulheres em situação de encarceramento. Também serão aceitos livros com temática jurídica.

PAULINA CHIZIANE – Insubmissão de lá pra cá!
Autora de romances, contos e dramas, Paulina ganhou o prêmio José Craveirinha pela obra “Niketche”, em parceria com Mia Couto; a Ordem Infante Henrique, pelo governo português; a Ordem de Oficial do Cruzeiro do Sul, pelo Governo do Brasil; e o troféu Raça Negra, edição 2014. Sua obra foi traduzida em vários idiomas, com homenagens nacionais e internacionais, transformadas em dramaturgia, dança, música, artes plásticas e radionovela.
Seu primeiro livro foi lançado em 1990, o romance “Balada de amor ao vento”. Sua obra lhe valeu a nomeação como uma das mil mulheres pacíficas do mundo pelo Movimento Internacional de Paz, One Thousand Peace Women, 2005. Tem publicações de contos em jornais da Europa, Ásia, Africa e América, e participação em conferências de Arte e Literatura em Moçambique e em diferentes universidades nestes continentes.
Sua escrita é militante, versa pela causa da justiça e igualdade nas relações humanas do seu país, além de ter um reconhecimento mundial pelo seu trabalho social na promoção da mulher e dos grupos desfavorecidos.
SERVIÇO
O que: Diálogos Insubmissos no Fórum Social Mundial
Quando: Dia 16 de março (sexta-feira), 18h às 22h
Quanto: Aberto ao público, sujeito à lotação do espaço
Doação: Serão aceitos livros de literatura negra e/ou jurídicos para a Biblioteca Mentes Livres
Literatura
“Iorubahia – escritos raros sobre a cultura iorubá” e lançado na Flipelô
Neste sábado (8/8), chega às livrarias a obra “Iorubahia — Escritos raros sobre a cultura iorubá e as relações entre Brasil e golfo do Benim”, uma parceria entre o Instituto Çarê e a Fundação Pierre Verger.
A publicação reúne doze textos escritos por Pierre Fatumbi Verger entre o final dos anos 1950 e o início dos anos 1980, período em que o pesquisador aprofundou suas investigações entre a Bahia e a Nigéria, tornando-se doutor em estudos africanos e percorrendo cidades e vilas iorubás para acompanhar rituais e registrar relatos orais de babalaôs. Parte dos textos é publicada agora, pela primeira vez, em português.
Organizada por Ângela Lühning e com posfácio de Tiganá Santana, a coletânea reúne reflexões sobre as relações históricas entre o Brasil e o golfo do Benim, a religião dos orixás, o transe religioso, as plantas litúrgicas e o sistema de divinação Ifá.
O livro resulta de uma pesquisa realizada a partir do acervo da editora Corrupio, fundada em 1979 e responsável por importante parte da publicação e difusão da obra de Verger. O acervo da editora foi adquirido pelo Instituto Çarê em 2023.
Serviço
Lançamento de Iorubahia – Escritos raros sobre a cultura iorubá e as relações entre Brasil e golfo do Benim
Quando: 8 de agosto de 2026, sábado, às 16h
Onde: Casa do Olodum, Salvador – BA
Evento: 10ª Flipelô – Festa Literária Internacional do Pelourinho
Mesa de lançamento: Ângela Lühning, Angela Fileno e Tiganá Santana
Mediação: Teté Martinho
Entrada: gratuita
Literatura
Diego Araúja estreia na prosa literária na Flipelô
O multiartista Diego Araúja, cuja produção transita pelas artes cênicas, artes visuais e outras produções transdisciplinares, estreia na prosa literária com o lançamento de SSAIS, livro de contos publicado pela Malê Editora. O evento acontece no dia 7 de agosto, às 18h, na Casa Malê (na atual Casa da Ponte no Largo do Pelourinho), como parte da programação paralela da FLIPELÔ – Festa Literária Internacional do Pelourinho.
A publicação reúne prefácio do poeta, professor e pesquisador Jorge Augusto, autor do premiado Modernismo Negro: A Literatura de Lima Barreto, vencedor do Prêmio Jabuti Acadêmico 2025; e texto de apresentação do premiado escritor Marcelino Freire, vencedor do Prêmio Jabuti de Literatura por Contos Negreiros – que descreve “Um dos livros mais originais de todos os Orixás que eu li”.
O SAL DO MAR SOTEROPOLITANO
“O título do livro – SSAIS – é uma tentativa de associar a sigla da metrópole (SSA) ao sal do mar soteropolitano. Queria que fosse, somente, uma palavra, vaga e cheia ao mesmo tempo”, explica Araúja. Nesse sentido, as histórias apresentam Salvador menos como cidade e mais como um território de cruzamentos entre memória, diáspora negra e imaginação.
Os contos, ao recusarem as representações turísticas, deslocam as geografias periféricas da condição de margem para afirmá-las como centros de produção de memória, pensamento e criação contemporânea. Em muitas das narrativas, o registro documental e ensaístico, mesclado a um lirismo minimalista, constituem-se enquanto característica central da escrita; aproximando ficção, memória e reflexão crítica. Ao mesmo tempo, o livro estabelece conexões materiais, ancestrais e simbólicas entre Salvador e outros territórios, como o africano e o árabe.
UMA PERIFERIA COSMOPOLITA
No prefácio, Jorge Augusto aponta que a obra constrói um “fluxo de consciência crioula”, inspirado na noção de crioulização do poeta martinicano Édouard Glissant. Para o pesquisador, as narrativas cartografam um amplo “afrorizoma”, no qual diferentes línguas, culturas e formas literárias convergem para constituir uma “periferia cosmopolita”. A combinação entre oralidade, poliglossia, dramaturgia, roteiro cinematográfico e poesia resulta, segundo ele, em um “barroco baiano, periférico e cosmopolita”.
Já Marcelino Freire destaca a força performática da escrita de Diego Araúja. “Escrever é performance”, afirma, definindo SSAIS como “um dos livros mais originais de todos os Orixás que eu li”. Para o autor de Contos Negreiros e do recente Escalavra – também finalista do Jabuti 2025 –, a leitura conduz o leitor por uma prosa vertiginosa, “um livro, quando escrito, nos faz andar”.
Para Freire, essa caminhada transforma Salvador em uma experiência estética e sensorial em que cada conto ou narrativa surge como espaço expositivo, “Atravessei cada página como se fosse uma sala plástica”. Marcelino Freire aproxima ainda a escrita de Araúja da tradição experimental de autores como Waly Salomão, Nelson Maca e Alex Simões e conclui: “Diego Araúja é artista coirmão desse tipo de manifesto e de manifestação”.
SOBRE O AUTOR
Primeira obra de ficção de Diego Araúja no campo da prosa, SSAIS amplia para a literatura a pesquisa artística desenvolvida por seu autor ao longo de 15 anos de atuação em diferentes linguagens, reafirmando uma poética marcada pela experimentação formal, pelo diálogo intercultural e pela centralidade das periferias como produtoras de imaginários contemporâneos e críticos. No campo cênico, Araúja foi vencedor do 27º Prêmio Braskem de Teatro da Bahia na “categoria texto”, pela dramaturgia da peça Prontuário da Razão Degenerada. Sua obra cênica, QUASEILHAS, foi uma das vencedoras do 5º Prêmio Leda Maria Martins. Em 2023, criou e expos, em coautoria com a artista Laís Machado, a instalação Sumidouro n.2 – Diáspora Fantasma na 35ª Bienal de São Paulo. No campo acadêmico, Araúja é doutorando do Programa de Pós-graduação em Artes cênicas da UFBA, onde desenvolve uma pesquisa crítica sobre a produção de arte transdisciplinar, o que chama de Poética de Aproximações.
SERVIÇO:
Lançamento do livro de contos SSAIS, de Diego Araúja
Data: 7 de agosto de 2026
Horário: 18h
Local: Casa Malê – atual Casa da Ponte: Largo do Pelourinho, nº 10, Centro Histórico
Editora: Malê Editora
Evento integrante da programação paralela da Festa Literária Internacional do Pelourinho (FLIPELÔ).
Dança
Dimi Ferreira lança livro “Existe uma dança afro-contemporânea?”
Dançarina, coreógrafa e professora de Dança, Dionisia (Dimi) Ferreira estudou música, dança popular e tradicional. Baiana radicada na França, estudou técnicas clássica, Limon, Graham e Dunham nos grupos África Poesia e Mantra Companhia de Dança. Em Salvador, ela lança seu primeiro livro – “Existe uma dança afro-contemporânea” (EDUFBA) na FLIPELÔ, dia 8 de agosto, a partir das 18h, onde vai disponibilizar para novas vendas, autógrafos e diálogo com o público. O stand da EDUFBA estará na Faculdade de Medicina da Bahia, no Terreiro de Jesus (Pelourinho).

O livro é resultado de uma pesquisa de campo realizada em 1995 e 1996, quando a autora estudava na Universidade Paris V. Um compilado de relatos de coreógrafos de diferentes regiões, discutindo a diversidade da dança negra global. Na obra, o leitor encontra entrevistas com nomes como Alphonse Tiérou e Georges Momboye (Costa do Marfim), Koffi Kôkô (Benin), Germaine Acogny (Senegal), Norma Claire (Guiana Francesa e França), Katherine Joséphau (Guadalupe – Antilhas Francesas), Armando Pekeno (Brasil), Kettly Noël (Haiti), Rick Odums (EUA) e Elsa Wolliaston (Jamaica e EUA).
“Elsa, grande dama pioneira das danças africanas e da dança contemporânea de expressão africana na França, que nos deixou em março deste ano. Em 1996, ela foi a última entrevistada e a primeira que respondeu, quase 30 anos depois, ao meu pedido de autorização para publicar sua foto neste livro. Ela era tão grande na sua arte quanto acessível e sensível”, lembra Dimi.

Em suas abordagens, Dimi abriu portas para novas descobertas e reflexões sobre a diversidade de concepções, de processos criativos e de visões com relação aos outros estilos de dança. Apectos como a concepção do movimento e a técnica, a concepção musical, a relação com o públic, acessórios e figurinos, a utilização da improvisação, a distinção e a ligação entre suas danças da dança clássica, contemporânea ocidental, jazz e das danças africanas tradicionais, foram alguns dos abordados nas entrevistas.
“Espero que o compartilhamento de visões e saberes através deste livro alimente, de alguma forma, nossas danças e pesquisas. Nós, baianas e baianos, que temos os continentes africano e europeu tão perto, mas também tão afastados pelas barreiras linguísticas e geográficas”, diz Dimi.
Sobre a autora
Nascida em Cachoeira (BA), Dionisia (Dimi) Ferreira se formou em Psicologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde também se especializou em coreografia. É mestra em Dança Contemporânea, na área de Pesquisa, na Universidade René Descartes (Paris) e professora titular de Dança Contemporânea no Conservatório Charles Munch, também em Paris, desde 2012. Na instituição ela criou e dirigiu o Balé Jovem de 2015 a 2019 e, atualmente, coordena o projeto « Ce soir on improvise » (Esta noite se improvisa), que reúne jovens estudantes de música, teatro e dança de vários conservatórios de Paris.
Desde 1992, sua abordagem ao mesmo tempo simbólica e coreográfica das danças afro-brasileiras gerou várias criações. Em 2000, foi selecionada para o Festival de Bagnolet, ganhando o concurso de Danças Mestiças presidido por Norma Claire. Por 18 anos, Dimi foi professora de dança afro-brasileira na Associação Danses du Monde e no Conservatório Camille Saint-Saëns em Dieppe, na Normandia, França.
Enquanto dançarina ela colabora no Brasil com Armando Pekeno, Marcelo Moacyr, Paulo Fonseca e Lícia Morais. Em Paris ela dança para Kettly Noël, Cláudio Basílio e Thierry Guedj. Muito interessada pela improvisação, em 2003 a artista participa deum show de Steve Coleman, ao lado das dançarinas/coreógrafas brasileiras Rosangela Silvestre e Vera Passos, e em 2024 no show em homenagem a Naná Vasconcelos, a convite de Zé Luis Nascimento e Fred Soul.
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