AfroEmpreendedorismo
Preta, vem de Bike! São três anos pautando a mobilidade de mulheres negras na cidade e no país!

Originalidade, criatividade e sustentabilidade foram os ingredientes escolhidos para levar mobilidade, interação, ativismo poético e empoderamento para as mulheres negras de Salvador. Idealizado por Lívia Suarez e Maylu Isabel, em novembro de 2015, o projeto “La Frida Bike” surgiu através de um bike café poético, uma cafeteria itinerante que funcionava em cima de uma bicicleta e circulava pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Nascia então o “La Frida Bike Café Poético”, que levava em seu cardápio um acervo de livros e quando alguém comprava um café recebia uma poesia.
Uma pesquisa realizada dentro do projeto constatou que as mulheres negras não estavam incluídas nos planos de mobilidade porque não sabiam pedalar. “A gente percebia que ao redor da bicicleta se criava esse espaço de interação, socialização, criação e isso era massa… A galera tomava um café, lia um livro, ao redor da bicicleta e a gente foi percebendo que muitas mulheres negras se conectavam com a bicicleta e se questionavam ‘pô massa o projeto de vocês, né? Mas eu ainda não sei pedalar’. Isso era algo muito recorrente”.
A partir daí elas criaram o “Preta, vem de bike”, no qual ensinam mulheres negras a pedalar e, em paralelo, os Saraus La Frida – encontro de mulheres negras artistas, que é uma forma da conectar outros ciclos, seja da música, poesia, artes plásticas, fotografia. O Intuito? Conectar com a mobilidade bike. Em três anos de existência, a iniciativa já beneficiou mais de 250 mulheres negras só aqui em Salvador.
“Nós fazemos esse recorte racial e de gênero como uma maneira de abraçar, da gente começar a pensar numa equidade. E a gente foi percebendo dentro do “Preta, vem de bike” que não só a gente tava mexendo com mobilidade em Salvador, mas também com processos de sonho, autoestima, questões de saúde física e mental, economia”.

Ganhando o mundo
Além da capital baiana, hoje o La Frida está no Recôncavo e em São Paulo. Mas já realizou ações em diversas cidades do país como Rio de Janeiro, Florianópolis e Recife, além de Uruguai e Peru, a convite de empresas de mobilidade. O La Frida é o primeiro coletivo de mulheres negras, o primeiro movimento de cicloativistas negras considerado e identificado por estas empresas.

Dentre as mais recentes premiações estão o Prêmio Mobilidade 2017 e 2018, e o Prêmio Frida Fund, como coletivo de maior impacto mundial. Com o aporte financeiro resultante das premiações, o coletivo abriu a Casa La Frida, um Centro Cultural de apoio aos projetos “Movimenta La Frida”, onde acontecem diversas atividades musicais, poéticas, cíclicas e de formação. “Nós fazemos diversos cursos profissionalizantes de mecânica, oficinas que envolvem a bicicleta, customização… Enfim, a Casa La Frida abarca todos os projetos do La Frida, mas outros coletivos também ocupam o espaço. A todo momento a gente tá pensando em estratégias, em soluções, como podemos incluir, como podemos chamar mais atenção no sentido de motivação mesmo, de entendimento, de conhecimento. Então eu acho que esse é o nosso maior desafio”, comenta Lívia Suarez.
O foco também está em empregabilidade. “Dentro da Casa La Frida nós temos uma oficina de mecânica, que a gente profissionalizou mais de cinco meninas para estar nesse ofício da mecânica, como forma também de gerar empregabilidade local e ter mais mulheres nesse ofício da mecânica”.
Preta, Vem de Bike!
“A gente percebeu que a maioria das pessoas que estavam ali (evento Bicicultura, em SP) eram pessoas brancas. Éramos umas das poucas negras numa palestra sobre bicicletaria. Eu não me senti representada por aquelas pessoas que estavam ministrando a palestra”. Esse grande start de criar o “Preta, vem de bike”, o projeto de maior impacto social da ONG: “Visa fazer a inclusão das mulheres negras dentro dessa ciclomobilidade, tendo em vista que a cidade é segregacionista, que as pessoas negras e pobres estão nos espaços em territórios isolados, estão nas margens da sociedade, nas periferias, nos guetos, nos quilombos urbanos, no caso de Salvador”, diz Jamile Santana – diretora artística do “Movimenta La Frida”.
Da Saúde para o Santo Antônio, a Casa La Frida precisou de mais espaço! “A mudança de endereço foi “por conta da ampliação, pensando na localidade,que esse espaço aqui também é nosso. Por mais que tem se dito que aqui é um bairro burguês (o Santo Antônio), mas essa galera aqui veio ocupando próximo ao Pelourinho. Então esse espaço aqui é nosso, a gente tem que estar aqui sim”, diz Livia Suarez.

Primeira turma de curso profissionalizante de mecânica.
Celebração!
A festa de aniversário do “La Frida Bike” está prevista para o dia 1° de dezembro, quando acontecerá também a abertura oficial da Casa La Frida. O evento terá uma roda de conversa e contará com a presença da youtuber Nátaly Neri, que também é cicloativista. Além do bate-papo, a celebração vai oferecer oficina de mecânica básica, penteados afro, maquiagem. “A gente vai falar sobre música, sobre mulheres negras, cicloativismo. Vai ter música no final, vai ter DJ. Enfim, vai ser um dia de imersão, celebração e abertura de caminhos”, conta Lívia.
Saiba mais:
www.facebook.com/pretavemdebike
www.facebook.com/lafridabikecafe
www.facebook.com/casalafridasalvador
Instagram: @casalafridasalvador
Site: www.lafridabike.com
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Texto de Vanessa Diana, estudante de Jornalismo da UNIME.
AfroEmpreendedorismo
Tamires Santos destaca afroempreendedorismo no Julho das Pretas
O Julho das Pretas, mês dedicado à valorização da luta, da história e das contribuições das mulheres negras, também amplia o debate sobre o protagonismo feminino no empreendedorismo. Embora o número de mulheres à frente de negócios continue crescendo no Brasil, mulheres negras ainda enfrentam barreiras relacionadas ao acesso a crédito, qualificação, redes de relacionamento e oportunidades de crescimento, tornando o fortalecimento coletivo uma estratégia fundamental para a permanência e a sustentabilidade de seus empreendimentos.
Para Tamires Santos, palestrante, empreendedora, escritora, gestora pública, psicoterapeuta e especialista em Empreendedorismo e Desenvolvimento Humano, reconhecer o protagonismo das mulheres negras no empreendedorismo significa ir além dos indicadores econômicos. É preciso compreender que essas mulheres movimentam economias locais, geram renda, preservam saberes ancestrais e fortalecem comunidades, muitas vezes enfrentando jornadas marcadas por desigualdades estruturais e sobrecarga.
“Nós ainda falamos muito sobre abrir negócios e pouco sobre criar condições para que mulheres negras permaneçam empreendendo. Permanência exige acesso a conhecimento, rede de apoio, saúde emocional e oportunidades reais de crescimento. Empreender não deve ser um caminho solitário”, afirma Tamires.
Essa visão deu origem ao movimento “Uma vai e puxa outra”, iniciativa gratuita criada para fortalecer mulheres negras empreendedoras por meio de encontros que unem acolhimento emocional, desenvolvimento estratégico, trocas de experiências, acesso ao lazer, valorização da cultura e construção de redes de apoio. O movimento parte da compreensão de que negócios sustentáveis também dependem do fortalecimento de quem os conduz.
A proposta rompe com a lógica individualista frequentemente associada ao empreendedorismo e aposta na construção coletiva como ferramenta de transformação social. Ao compartilhar experiências, desafios e soluções, as participantes ampliam suas possibilidades de crescimento e fortalecem vínculos capazes de impulsionar novas oportunidades de negócios e desenvolvimento profissional.
Para Tamires, o Julho das Pretas é uma oportunidade de ampliar o olhar sobre o empreendedorismo negro feminino e reconhecer que investir nessas mulheres significa promover desenvolvimento econômico com impacto social.
“Quando fortalecemos uma mulher negra empreendedora, fortalecemos também sua família, sua comunidade e toda uma rede que cresce junto com ela. O protagonismo dessas mulheres precisa ser reconhecido não apenas em datas simbólicas, mas como parte permanente da construção de um país mais justo e com mais oportunidades”, conclui.
AfroEmpreendedorismo
Afroempreendedores podem se inscrever para a Feira Maria Felipa
Encerram neste sábado (25) as inscrições para a Chamada Artística e para a Feira Maria Felipa, iniciativas que compõem a 6ª edição da Festa Literária Arte e Identidade, a ser realizada entre os dias 16 e 18 de setembro, no Pelourinho. Podem participar autores, editoras, poetas, contadores de histórias, músicos, rappers, ilustradores, quadrinistas, empreendedores e criadores negros e indígenas independentes.
Os artistas interessados devem apresentar obras que dialoguem com o tema deste ano, “O Futuro é Ancestral – Arte e Literatura Afrofuturista”, enquanto os empreendedores podem inscrever produtos relacionados à cultura negra e indígena de forma mais ampla. As seleções buscam dar visibilidade a produções independentes, fortalecer a economia criativa e valorizar a diversidade de expressões culturais. O resultado será divulgado no dia 3 de agosto, no Instagram @arteeidentidadeoficial.
Tradicional na programação da Festa, a Chamada Artística seleciona produções autorais de artistas de Salvador e Região Metropolitana, especialmente aquelas voltadas para crianças e adolescentes negros e indígenas, contemplando diferentes linguagens, como literatura, música, teatro, artes visuais, quadrinhos, poesia e contação de histórias.
Já a Feira Maria Felipa é dedicada a empreendedores negros e indígenas que atuam com literatura, artesanato, moda, gastronomia e outros produtos culturais, fortalecendo a cadeia produtiva do livro e da economia criativa ao oferecer um espaço gratuito para exposição e vendas durante o evento.
Para a produtora geral, Sabina Henriete Possidonio, as duas iniciativas traduzem o compromisso do evento com a democratização do acesso à cultura e a valorização dos territórios criativos. “Mais do que garantir espaço para apresentações ou comercialização de produtos, a Chamada Artística e a Feira Maria Felipa permitem que esses talentos ampliem sua visibilidade, fortaleçam suas redes de contato e vivenciem a experiência de integrar um dos maiores eventos literários da Bahia. Queremos que cada participante se reconheça como protagonista dessa grande celebração da arte, da literatura e da identidade do nosso povo ”, destaca.
SERVIÇO
6ª Festa Literária Arte e Identidade – Inscrições abertas para Chamada Artística & Feira Maria Felipa*
Prazo: 25 de agosto (sábado)
Tema:“O Futuro é Ancestral – Arte e Literatura Afrofuturista”
Formulário: https://forms.gle/EGTJvgbrbA2e6cpg6
*Mais informações: @arteeidentidadeoficial
AfroEmpreendedorismo
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