Políticas
Salvador recebe Seminário Nacional Brasil Sem Racismo

Foto: Ascom Sepromi
Entre os dias 31 de maio e 1º e 2 de junho, acontece em Salvador (BA) o Seminário Nacional Brasil Sem Racismo: Povo Negro em Movimento, realizado por grupos, coletivos e pessoas de referência do movimento negro brasileiro. O evento trará grandes nomes da luta antirracista e tem como objetivo analisar a conjuntura nacional sobre os principais temas cruciais para a população negra e organizar estratégias conjuntas para enfrentarmos o período que se apresenta de forma desafiadora, principalmente para o povo preto. Espera-se mobilizar mais de 300 pessoas nos três dias. As inscrições são gratuitas e podem ser feita até 31 de maio por meio de ficha de inscrição online ou presencialmente na abertura. As vagas são limitadas.
A Campanha Brasil Sem Racismo convoca vontades, corpos em luta e chama geral para dialogar e alinhar estratégias de luta. Nem escravidão, nem ditadura!
A abertura oficial será na sexta-feira (31), no Centro Cultural da Câmara de Salvador, na Praça Municipal, no Pelourinho, com presenças da jornalista Rosane Borges, da bacharel em Letras, Lindinalva Barbosa e do ativista político Luiz Alberto, com mediação de Geovan Bantu, especialista em raça e gênero. O momento contará com apresentações culturais da cantora Nara Couto e do grupo Panteras Negras. Já nas datas 1º e 2 de junho, no Instituto Anísio Teixeira, no CAB-Paralela, serão realizadas palestras, mesas e grupos de trabalho que reunirão ativistas e especialistas de todo o país, de diversas áreas de atuação, como Saúde, Educação, Segurança Pública, Juventude, e etc. Dentre os nomes confirmados para estes dois dias estão: Edson Cardoso, Ana Luiza Flauzina, Mônica Francisco, entre outros.
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Políticas
Terreiro do Bogum agora é Patrimônio Cultural da Bahia
O Terreiro Zoogodô Bogum Malê Hundó, um dos mais antigos e representativos templos de candomblé da tradição Jeje-Mahi na Bahia, foi tombado como Patrimônio Cultural da Bahia.
Localizado no bairro do Engenho Velho da Federação, em Salvador, o Terreiro do Bogum é reconhecido por sua relevância histórica, religiosa, cultural e social. Fundado no século XVIII, por volta de 1719, o terreiro é considerado uma das mais importantes referências da tradição Jeje no Brasil e um dos principais espaços de preservação dos saberes, práticas e valores herdados dos povos Fõ e Mahi, originários da região do atual Benim, na África Ocidental.

O tombamento reconhece o valor excepcional do terreiro para a preservação do patrimônio afro-brasileiro e da memória da população negra na Bahia. Além de seu papel religioso, o Bogum se consolidou historicamente como espaço de resistência cultural diante da perseguição às religiões de matriz africana e da repressão sofrida pelas comunidades negras ao longo dos séculos.
Outros pontos históricos também reforçam sua importância: pesquisas históricas apontam a relação do Terreiro do Bogum com a Revolta dos Malês, em 1835. O espaço teria servido como ponto de encontro para lideranças do movimento, além de local de guarda de recursos destinados à insurreição; além da formação do bairro do Engenho Velho da Federação.O Bogum contribuiu para a ocupação histórica da região, hoje reconhecida como um quilombo urbano pela forte concentração de terreiros de candomblé e pela permanência de práticas culturais afro-brasileiras.

O Terreiro do Bogum preserva uma das mais antigas tradições religiosas de matriz africana existentes no país. Diferentemente da tradição Ketu, voltada ao culto dos orixás, a nação Jeje-Mahi tem como centro de sua cosmologia os voduns, divindades originárias do antigo Reino do Daomé.
Ao longo de mais de três séculos, o terreiro manteve vivos rituais, celebrações, conhecimentos ancestrais e a língua litúrgica éwé-fon. Sua territorialidade sagrada reúne edificações, árvores consagradas, espaços naturais e práticas religiosas.
Fotos: Terreiro Zoogodô Bogum Malê Hundó/Divulgação
Cultura
Roberta Rodrigues é homenageada no Prêmio Maria Felipa
A comunicóloga Roberta Rodrigues foi uma das homenageadas da 17ª edição do Prêmio Maria Felipa, realizada no último sábado (25), no Centro de Cultura Vereador Manuel Querino, na Câmara Municipal de Salvador. Conduzida pela vereadora Ireuda Silva, a solenidade reconheceu mulheres com trajetórias de destaque na defesa dos direitos humanos, no enfrentamento ao racismo e ao machismo e na valorização do protagonismo feminino.
Emocionada ao receber a honraria, Roberta destacou a importância das pessoas que fizeram parte de sua trajetória pessoal e profissional. “Ninguém constrói nada sozinho”, afirmou. Durante o discurso, dedicou o reconhecimento ao filho, à mãe, aos irmãos, sobrinhos e amigos que a acompanharam ao longo de sua caminhada, além de prestar uma homenagem à memória do pai, lembrado como um de seus grandes incentivadores.
Roberta também aproveitou o momento para deixar uma mensagem às mulheres, especialmente às mulheres negras, sobre a importância de ocupar espaços, buscar referências e abrir caminhos para as novas gerações.
“Que elas nunca desistam dos sonhos delas, que sempre procurem inspirações em outras mulheres, principalmente as mulheres negras, e procurem sempre se aprimorar e inspirar também as próximas gerações”, declarou.
A 17ª edição do Prêmio Maria Felipa integrou as celebrações pelo Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha e pelo Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. Além de Roberta Rodrigues, foram homenageadas Cristiane Santos Oliveira, Barbara Hannelore, Márcia Moreira, Anailza Meirelles, Anatalina Lourenço, Cecília Queiroz, Isaura Genoveva, Mariane Sotero e Laís Cunha.
Políticas
Julho das Pretas reforça luta antirracista
O Julho das Pretas, campanha que mobiliza organizações, coletivos e movimentos sociais em todo o Brasil, ganha ainda mais relevância neste ano ao reforçar a necessidade de ampliar o debate sobre os direitos das mulheres negras, os desafios enfrentados na diáspora e a urgência de pautar a saúde e a qualidade de vida dessa população.
Para a consultora em relações étnico-raciais e de gênero Tainara Ferreira, o mês representa, além de uma celebração da identidade negra feminina, um período de denúncia das desigualdades estruturais e de construção de estratégias para garantir que as mulheres negras tenham direito ao Bem Viver, enfrentando os impactos do racismo, do sexismo e da xenofobia.
“O Julho das Pretas nos convoca a olhar para as mulheres negras como o verdadeiro motor da transformação social, mas exige também que a sociedade pare de romantizar a nossa exaustão. É tempo de referendar nossas trajetórias e denunciar as violências estruturais, mas também de reivindicar o nosso direito de existir com qualidade. A nossa luta não tem fronteiras, até porque o racismo e a colonialidade se reorganizam globalmente para tentar nos manter no lugar da subalternidade”, destaca.
Segundo Tainara, o conceito de diáspora precisa ser compreendido para além do deslocamento geográfico, envolvendo também as experiências compartilhadas por populações negras que enfrentam diferentes formas de discriminação em diversos países.
“Falar de diáspora é falar de populações que carregam em si saberes ancestrais e tecnologias de resistência, mas que também compartilham atravessamentos muito duros, como o racismo institucional, a xenofobia e a sobrecarga de trabalho. Por isso, construir redes transnacionais de solidariedade e de afeto político é uma urgência para a nossa sobrevivência.”
Ao longo de julho, organizações negras promovem debates, atividades culturais e ações de incidência política chamando atenção para temas como violência de gênero, equidade racial, acesso à educação, saúde integral e justiça social.
Para Tainara Ferreira, ampliar esse debate é fundamental para que a sociedade avance na construção de políticas públicas efetivas que garantam não apenas a sobrevivência, mas a dignidade plena.
“Nós sobrevivemos diariamente a múltiplas violências geradas pelas hierarquias de raça e gênero, e a sociedade precisa entender que o nosso bem-estar passa, obrigatoriamente, pelo direito ao descanso remunerado, pela saúde física e mental e pela qualidade de vida. O Julho das Pretas é um chamado contínuo para que o Estado e as instituições assumam suas responsabilidades. Nós não queremos ser reconhecidas apenas pela nossa capacidade de suportar a dor; nós exigimos políticas públicas que nos garantam o direito ao Bem Viver.”
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