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Políticas

Entrevista: “temos que ter contundência, mas sem achar que estamos fazendo uma ruptura extrema”, afirma Moisés Rocha (PT), pré-candidato a prefeito de Salvador!

Jamile Menezes

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Fto; Jeferson Peixoto

O vereador de Salvador Moisés Rocha (PT) é o terceiro a ser entrevistado pelo portal Mídia 4P nesta série de entrevistas com pré-candidatos negros à Prefeitura de Salvador. Em seu terceiro mandato na Câmara Municipal, ele garante que não tentará a reeleição no Legislativo, a fim de disputar o Palácio Thomé de Souza, e faz reflexões sobre os bastidores da política na capital baiana.

Nesta conversa com o jornalista e editor-chefe do 4P, Yuri Silva, no Restaurante Alaíde do Feijão, Rocha tratou sobre as questões internas do PT, a dificuldade de bancar uma candidatura negra diante da burocracia partidária racista, as divisões criadas pela estrutura para criar intrigas no movimento negro e outros assuntos correlatos.

Ele ainda repercutiu, em suas respostas, as duas primeiras entrevistas publicadas pelo portal, feitas respectivamente com o presidente do bloco afro Ilê Aiyê Antônio Carlos dos Santos, o Vovô, quadro do PDT que teve o nome lançado para a disputa pelo Executivo municipal, e com a socióloga e militante do movimento de mulheres negras Vilma Reis (PT).

Mídia 4P – O senhor foi um dos primeiros políticos negros, se não o primeiro, a colocar pré-candidatura a prefeito, inclusive dizendo que não tentaria reeleição a vereador. Qual a intenção de Moisés Rocha quando faz esse movimento? Que debate o senhor quer provocar?

Moisés Rocha – Quero iniciar parabenizando o portal por essa postura de estimular o debate, a discussão, de ouvir as pré-candidaturas negras até agora postas. Acho isso muito importante para que as pessoas tenham conhecimento não somente das motivações, das propostas e projetos, mas do porquê, da motivação real, e das referências que nós temos em nossa cidade e que podem ocupar de fato esse espaço de poder exercendo maioria. Fiquei muito feliz de você ter sugerido que essa conversa acontecesse aqui no espaço de Alaíde do Feijão, porque esse espaço é de fato um quilombo de resistência. Nós já vimos aqui rotineiramente para conversar sobre assuntos do dia a dia, mas tomamos a iniciativa de formar a Bancada do Feijão, toda terça-feira nesse formato de resenha, como a gente chama, onde a gente começou a debater questões políticas, questões do movimento negro, regado a um pãozinho com com salame e queijo, com a moela de Alaíde. Esses debates acalorados já vão fazer seis anos desde o espaço antigo até esse novo espaço. Daqui saiu a sugestão, de fato, diante de provocações, para que a gente pudesse estar disponibilizando os nomes negros que têm potencial para disputar a Prefeitura de Salvador e estar realizando dentro do partido esse debate. O objetivo de fato é mostrar que nós temos sim pessoas capacitadas, competentes e capazes. Nosso objetivo é, sob hipótese alguma, ter projeto pessoal. O Partido dos Trabalhadores, por exemplo, tem projeto de cidade pronto e entregue desde a primeira candidatura de (Nelson) Pelegrino (a prefeito pelo PT). E não fomos nós que inventamos, foram nossos antepassados, nossos revoltosos lá de trás, que deixaram toda essa bagagem pronta para que a gente pudesse usar agora. Então nós fizemos essa provocação e colocamos o nosso nome. Reforçamos recentemente no Grupo de Trabalho Eleitoral, deixando explícito, como disse Mano Brown, que nós precisamos estar com olhar atento para a nossa fase.

Nosso partido precisa fazer, os partidos progressistas precisam fazer isso, dialogar mais, conversar mais. Existe uma população negra nessa cidade, e também de não negros, que sente a necessidade de que isso aconteça numa cidade majoritariamente negra.

Mídia 4P – Como o senhor avalia os movimentos dos outros pré-candidatos? Talvez a gente nunca tenha tido tantas pré-candidaturas negras como temos esse ano.

Moisés Rocha –  Acho extremamente positivo. Eu gosto de conversar com pessoas ao lado que testemunham o que aconteceu aqui. Alaíde está aqui ao lado e ela sabe que nosso objetivo não era de que houvesse um nome. A gente pode partir para uma convergência até, mas nosso objetivo era que vários nomes pudessem ser postos para poder mostrar que essa cidade tem quadros (negros) capazes e competentes. E existem nomes inclusive que estão fora das citações e que poderiam estar colocados. Poderíamos citar Elias Sampaio, Sérgio São Bernardo, Samuel Vida, Lívia Vaz, Margareth Menezes, como temos Lecy Brandão deputada, como tivemos Netinho de Paula candidato. Temos nomes competentes e é isso que essa cidade precisa entender. As pessoas dizem que acham importante, mas que a eleição não passa pela questão de ser branco ou de ser negro, que acha que tem ser competente. Isso acontece porque primeiro eles tentam nos dividir usando a teoria de Lynch, muito usada no escravismo. Para nos manter dominado, provocam que o negro brigue com o branco, que o negro brigue com a negra, que o jovem brigue com o mais velho, que o mais claro brigue com o mais escuro, que o partido A brigue com o partido B, e aí vai impedindo que a gente ocupe os espaços de poder. Quando eles falam que o importante é a competência, querem negar que sejamos competentes. O que é absurdo e anormal é uma cidade com 84% de população negra não conseguir eleger um prefeito negro. Edvaldo Brito foi prefeito de agosto de 1978 a abril de 1979, por 8 meses, e depois não conseguiu ser candidato, mesmo sendo um nome qualificado. Nós precisamos deixar explícitos que, primeiro, não vão nos dividir.

Precisamos fazer com que a convergência negra aconteça de fato. E segundo de que nós temos capacidade, competência, parar com esse discurso de que a cor não importa. Estranho é essa cidade não conseguir nos colocar para exercer maioria. Em 1937, Getúlio Vargas acabou com a Frente Negra Brasileira porque sabia que ali era um caminho para que a gente pudesse galgar espaços de poder. Sempre tem uma estrutura tentando fazer com que a gente não se reorganize para exercer maioria que somos.

Mídia 4P – Seu partido tem pelo menos três pré-candidatos, citando só os negros. Vilma Reis, Valmir Assunção e o senhor. Como é que vai ser internamente essa discussão? Vocês conseguem unidade para disputar com os brancos que historicamente são candidatos pelo PT?

Moisés Rocha – Eu citaria até outros nomes, como o do vereador Luiz Carlos Suíca, que poderia estar colocando seu nome. Tem a vereadora Marta Rodrigues, uma mulher que está no seu segundo mandato, que já foi presidente do partido e que poderia colocar o nome, e acho até que seria uma renovação na tendência política da qual ela faz parte. Temos quadros importantes. Quem está com o olhar mais atento sobre isso, entendendo que a gente precisa compreender a linguagem das ruas, que precisamos ouvir a base, é nosso grande líder, grande revolucionário José Sérgio Gabrielli, que fez uma carta aberta fantástica, chamando a atenção das instâncias superiores do partido para ter a perspicácia de perceber que é um movimento diferente e que é preciso não surfar nessa onda, mas ajudar essa onda a se tornar realidade. Nós não queremos dizer que temos um nome que é o melhor ou que é o pior. Nós temos um projeto que desde cedo, dentro das instâncias do partido, entregamos ao partido. O governador Rui Costa sabe, por exemplo, que dentro do Programa de Governo dele tem diversas propostas do movimento negro. Se não implementa, é porque não tem interesse, mas tem lá. Foi entregue. Nós vamos tentar, dentro desse processo de eleição direta do PT agora, pautar essa questão da candidatura própria e da candidatura negra para que o PT possa fazer diferente e fazer reparação.

Mídia 4P – O senhor e Valmir Assunção são muito próximos e os dois são pré-candidatos. Como vocês têm conversado sobre isso? Qual a estratégia que vocês estão pensando?

Moisés Rocha – Dentro do PT, somente dois vereadores tiveram três mandatos seguidos. Um é de uma enormidade fantástico, respeitado por todos independente de grupo político, que está fazendo revolução onde ele estiver, que é Zezéu Ribeiro. E eu, mesmo com toda dificuldade, críticas, momentos em que disseram que provavelmente estaria de fora. E eu sou o único que não sou de tendência nenhuma. Não sou ligado a nenhum deputado estadual, nenhum deputado federal, não fui candidato prioritário de nenhum deles na minha trajetória política. Já fui coordenador de campanha Estive em cinco campanhas do ex-deputado federal Luís Alberto, ajudando a construir, ajudando a fazer acontecer, mas nunca fui de tendência, até porque na época o grupamento dizia que não tinha tendência, tinha o Coletivo Dois de Julho. Então me sinto muito à vontade. Tenho respeito muito grande por Valmir. Já comemos de colher lambida em muitas marchas do MST. Ele sabe do meu compromisso, da minha relação com o segmento, minha participação no dia a dia de muito tempo. Por isso tenho carinho muito grande por Lucinha, uma simpatia pessoal, e inclusive ela é candidata no PED (processo de eleição direta do PT). Então, eu converso com Valmir com a mesma tranquilidade que dialogo contigo. Ele esteve recentemente no nosso gabinete conversando e eu falei “Valmir, acho que você é um excelente nome, mas acho que você deve demonstrar mais proximidade com a cidade, mais carinho pela cidade, demonstrar vontade de exercer liderança na cidade, porque você é um quadro fantástico”.

Eu não teria problema, em nome de uma convergência, de uma perspectiva de unidade, de retirar. Não tenho vaidade pessoal. Temos é que parar de falar que queremos fazer uma política diferente e nunca estarmos na cabeça. Na última eleição, ficou evidenciado que nem para vice nós servimos. Tínhamos a pré-candidatura de Gilmar, a pré-candidatura de Valmir, a de de Luís Alberto e depois a chapa foi composta por duas pessoas não negras.

Mídia 4P – Além do PT, tem outros pré-candidatos negros em outros partidos. Qual nome o senhor acha mais aglutinador?

Moisés Rocha – Se não deixarmos nos contaminar pela teoria de Lynch, qualquer um dos nomes poderá aglutinar. Quero lembrar que aqui no nosso país, em Porto Alegre já teve um prefeito negro, Alceu Colares, que depois foi governador negro do Rio Grande do Sul. O Espírito Santos já teve governador negro. Rio de Janeiro elegeu uma senadora negra que foi governadora depois, a Benedita da Silva. É muito, muito estanho Salvador não fazer o mesmo. É estranho o meu partido, o PT, não enxergar a referência nacional do senador negro Paulo Paim. O senador do Estatuto da Igualdade Racial, do Estatuto do Idoso, do Estatuto da Pessoa com Deficiência, o único senador do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste que se reelegeu nessa última batalha que enfrentamos. O único senador que tem campanha nacional. Os aposentados do Brasil se unem para defender a candidatura de Paulo Paim. Ele, para mim, seria o nome para a Presidência da República. Mas teimam em deixá-lo na invisibilidade. Aqui a gente comete o mesmo defeito, às vezes até entre nós mesmos. Washington, Chicago, Nova York e São Francisco elegeram prefeitos negros. Nova York tem uma diferença pequena de maioria negra. São Francisco negros não chegam a 10%. É estranho Salvador não eleger um negro ou uma negra. E aí eu digo com toda convicção, é logico que alguns estão um pouco mais à frente, pois estão em uma trajetória mais longa, galgaram espaços políticos. Então, nesse patamar nós podemos dizer que a deputada Olívia Santana, se for colocar como se fosse uma maratona, ela seria uma atleta de elite. Existem alguns atletas de elite. O importante é não deixar o ciúme, a vaidade e a individualidade tomar conta desse processo.

Precisamos fazer inversão de valores nessa cidade, que é uma cidade pobre. Essa cidade que só investe R$ 15 milhões em reparação, que paga para as mães não colocarem os filhos na creche, em vez de fazer creche. Nós precisamos sair dos nossos gabinetes, precisamos de um prefeito ou prefeita que dialogue de fato com as comunidades.

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Mídia 4P – Qual o impacto, na sua avaliação, com sua experiência de três mandatos, que teria a eleição de uma prefeita ou prefeito negro para Salvador nas políticas públicas?

Moisés Rocha – Certamente iria haver uma pressão muito grande para manter o status quo. Do mesmo jeito que não existe almoço de graça, não existe distribuição de poder. Poder se conquista. Você quando ganha uma prefeitura, não necessariamente você ganha o poder. Primeiro precisa ter muita vontade política. Depois, tem que ter muita habilidade. Em pouco tempo, deu para perceber que, se eles quiserem, eles tiram. Então vai ser importante ter interlocução com todos os segmentos. Vai ter que fazer investimento maior em educação, em saúde. Nós precisamos investir bastante em assistência social, para cuidar do nosso povo, e investir bastante, bastante mesmo, em educação básica, nas creches, na pré-escola, na escola de tempo integral. E aí está o grande problema. Quando aquele que estão controlando, dominando o poder há muito tempo percebem a acensão mesmo que mínima, mesmo que a passos de tartaruga, eles se rebelam e utilizam o poder financeiro para controlar a mídia e os meios políticos.

Mídia 4P – Então, para eleger um prefeito negro a gente teria que fazer alianças amplas, inclusive com esse status quo, ou seria possível vencer a eleição sem essas alianças?

Moisés Rocha – Tem uma coisa que é fundamental: nem todo negro é aliado e nem todo branco é inimigo. Tem uma música do Ilê que diz “o negro dissidente é traidor”. E nós temos muitos negros dissidentes. E temos alguns poucos brancos que entendem a importância de a gente corrigir os rumos dessa cidade. O sistema político brasileiro não passou por uma reforma profunda e, infelizmente, só se constrói governos ditos de coalizão. Não tenho dúvida que, num primeiro momento, nós precisaremos fazer como já foi feito em diversos outros momentos. O Apartheid, apesar de toda luta, toda resistência, todo enfrentamento, foi fundamental para garantir a vitória, mas não garantiu Mandela presidente, numa ruptura drástica. Temos que ter contundência, objetiva, definição do que queremos, mas sem achar que estamos fazendo uma ruptura extrema, uma revolução, porque não estamos fazendo. Gostaríamos até, mas não estamos fazendo. Sem ceder, sem abrir mão de princípios e projetos políticos, vamos precisar dialogar. Esse é o caminho para uma construção que seja ampla e que não corra risco de ser interrompida no meio do caminho. Estive dentro de movimentos com visão de ruptura drástica, mas ainda não temos acumulado força para essa ruptura drástica. Mas não tenho dúvida de que a gente deve caminhar mostrando para a população a importância do exercício de maioria. E a fala de Vovô é interessante nesse sentido.

O novo na política é o negro e a negra no poder. Se for o negro, para a cidade é uma vitória fantástica. Se for uma negra, é uma vitória duas vezes fantástica. Porque estaremos vencendo a barreira do racismo e do machismo. É fundamental, apesar de que essa cidade não deu oportunidade a nenhum dos dois.

Mídia 4P – Até onde vai a disposição de quem colocou seus nomes de ir até o fim no enfrentamento dos seus partidos para que essa candidatura negra exista?

Moisés Rocha – Pode ter certeza que nosso objetivo é ir até o fim nesse debate, nessa discussão. Costumo dizer que quem tem que ter vergonha são eles, de nos negar esse direito. Eu posso tranquilamente abdicar, abrir mão, em favor (de outro). Já falei a Vovô que, se o PDT disser que ele é candidato, eu estou com ele e não abro mão. Eles precisam começar a entender que não dá pra ser partido de esquerda com olhar para os negros igual aos outros. Te digo com muita convicção que precisamos inverter prioridades. Competência nós temos, quem sabe o que é melhor para a nossa dor somos nós. Quem sabe a dor é quem sabe.

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Mídia 4P – Para finalizar, o que para o senhor é mais difícil para alcançar esse objetivo e o que pode quebrar esse empecilho?

Moisés Rocha – Nós temos algumas falhas, algumas vaidades, algumas dificuldades de entendimento entre nós mesmos que precisamos superar. Mas esse não é nosso maior entrave sem dúvida alguma. Nosso maior entrave certamente é aqueles que dominam o poder em Salvador, na Bahia e no Brasil entenderem a importância de fazer essa transição. E tenho muita convicção que, tal qual fizeram com o Ilê em 1974, irão fazer conosco agora. Vão dizer que queremos uma candidatura negra de forma açodada. Essa cidade, esse tempo todo sem eleger um prefeito ou uma prefeita negra, vão dizer que não é o momento, que a sociedade não está preparada, vão dizer que o importante não é o nome mas o projeto político. É preciso ter vontade política. Porque, quando se tem vontade política, se faz Rui Costa virar governador. Rui Costa hoje anda com as próprias pernas. Ocupou espaço estratégico no governo e isso o potencializou.

 

Por que os candidatos negros não podem servir para ocupar cargos estratégicos que potencializem seus nomes? A pergunta fica para o partido e para o governador. Por que nunca se pensou no nome do deputado federal Luís Alberto para espaço estratégico e para prefeito de Salvador? Então falta vontade política. Esse é o nosso maior desafio: vencer a falta de olhar carinhoso e de vontade política de quem comanda os partidos.

 

Entrevista concedida originalmente ao repórter Yuri Silva para o Portal Mídia 4P, publicado em 02 de ago de 2019. Acesse aqui!

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Julho das Pretas inscreve atividades pra agenda coletiva

Jamile Menezes

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Julho das Pretas chega em sua 12ª edição e abre inscrições para as atividades que vão compor a agenda coletiva de 2024.

O Julho das Pretas chega em sua 12ª edição e abre inscrições para as atividades que vão compor a agenda coletiva de 2024. Neste ano o tema da agenda segue sendo “Mulheres Negras em Marcha por Reparação e Bem Viver”, com o objetivo de apontar para a Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver, que acontecerá em Brasília (DF), em 2025.

O tema também propõe o fortalecimento da luta por reparação histórica para a população negra e traz o Bem Viver como um projeto de sociedade que orienta o movimento de mulheres negras no Brasil.

As inscrições podem ser realizadas até o dia 14 de junho através do formulário disponível aqui. As atividades incluem rodas de conversa, festivais, exposições, ciclos de formação política, seminários e marchas, dentre diversas outras ações que dialoguem com o tema da edição.

Podem inscrever atividades organizações e coletivos de mulheres negras, organizações de movimentos negros e organizações sociais em geral que tenham o antirracismo e o combate ao sexismo como perspectiva central de sua atuação, instituições de ensino, grupos de pesquisa, associações de categorias trabalhistas, grupos de empreendedoras negras e empreendedoras negras individuais.

Inscrições realizadas por autarquias e instituições do Estado, partidos políticos e empresas privadas que não sejam de propriedade de mulheres negras serão desconsideradas.

O 12º Julho das Pretas – Mulheres Negras em Marcha por Reparação e Bem Viver é organizado pela Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB), Rede de Mulheres Negras do Nordeste e Rede Fulanas – Negras da Amazônia Brasileira.

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Movimento Hip-Hop terá comissão estadual para dialogar com entes públicos

Jamile Menezes

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Movimento Hip-Hop da Bahia

Integrantes do movimento Hip-Hop da Bahia vão estabelecer criação de comissão estadual para dialogar com os entes públicos formas de fomento e valorização da cultura. A criação da organização coletiva foi um dos encaminhamentos realizados após mais de quatro horas de discussão na audiência pública promovida pela Ouvidoria Cidadã da Defensoria Pública da Bahia em parceria com a Construção Nacional do Hip-Hop Bahia, realizada na segunda-feira (27), no auditório da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba).

O evento reuniu representantes do movimento hip hop de 19 municípios baianos com representantes dos poderes públicos e ressaltou a incidência realizada pela cultura de rua na educação, segurança pública, cultura e saúde mental dos jovens de comunidades. Intitulada “Proteção, Garantia e Promoção Hip Hop”, a audiência foi promovida em parceria com a Construção Nacional do Hip Hop seção Bahia e foi a culminância de uma série de reuniões virtuais e presenciais com a comunidade hip Hop do estado feitas pela Ouvidoria da DPE/BA.

De acordo com a ouvidora-geral, Naira Gomes, a atuação da Ouvidoria busca fomentar espaços culturais nas comunidades marcadas pela guerra às drogas. “Nós temos defendido que as mortes de jovens negros não se resume à física.  Antes disso, acontece a morte simbólica pela interdição de acesso à educação, à cultura, aos direitos. Depois disso, se torna tão pouco matar um jovem negro”, argumentou Naira.

Para Naira, considerando a extensão territorial e diversidade do estado, a criação da comissão deliberada na audiência é um importante passo para fortalecimento da cultura Hip Hop no estado por possibilitar a unificação dos pleitos. A Ouvidoria da DPE/BA é um dos órgãos que vai  constituir a estrutura a ser criada. “Nosso papel será de retaguarda. Vamos continuar abrindo espaços, fortalecendo pedidos, mas garantindo que o movimento tenha protagonismo”, explica a ouvidora-geral da DPE/BA.

Para a rapper Udi Santos, que dividiu a presidência da audiência pública com Naira, a criação da comissão se insere como mais um passo para o fortalecimento do hip hop no estado. No ano passado, junto com a Construção Nacional, foram criados grupos temáticos, inclusive um GT Parlamentar. “Foi esse grupo que nos trouxe aqui hoje, porque ele buscou autoridades e a Defensoria para criarmos um diálogo constante com o poder público para criação de políticas públicas que possam existir por anos e anos”, lembra.

O compromisso de um trabalho conjunto para fortalecimento da incidência promovida pelo hip hop nas comunidades também foi reforçado pela defensora-geral, Firmiane Venâncio. Para ela, a Defensoria e o movimento hip hop possuem uma extrema conexão com seus propósitos e razão de existir. “A Defensoria Pública existe para caminhar juntos daqueles(as) que não foram reconhecidos, que não estão incluídos dentro daquilo que o sistema fez questão de excluir”, reforçou.

Além da defensora-geral, o evento foi prestigiado pelas deputadas Fabíola Mansur e Olívia Santana; pela coordenadora do Escritório da Unicef em Salvador, Helena Oliveira Silva; representantes do Ministério da Cultura; secretarias de Cultura, Política para Mulheres, Promoção da Igualdade Racial; Emprego Trabalho e Renda, entre outros. Todos os órgãos presentes se comprometeram com as demandas do movimento hip hop.

Movimento cultura com incidência social

De acordo com dados das plataformas de streaming apresentados pelo MC Gold CBX, a Bahia é o 7º estado brasileiro que mais consome hip hop no país. “A gente consome muito, mas não consome daqui porque não temos suporte técnico e equipamentos para produzir em nível de competitividade com o eixo Rio-São Paulo”, criticou.
Para ele, o movimento hip hop precisa ser visto como uma expressão da economia criativa, que garante renda não só para DJs e MCs, mas também para designers, fotógrafos e outros profissionais. Já o MC Jotta D, classifica o trabalho realizado nas comunidades como a possibilidade do poder público olhar o hip hop e atingir a segurança pública, a saúde e a cultura.

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Deputada Olívia Santana denuncia abordagem policial sofrida em Salvador

Jamile Menezes

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A deputada estadual do PCdoB, Olívia Santana, relatou em suas redes sociais uma abordagem policial violenta sofrida por ela e sua equipe, na última quarta-feira, Dia do Trabalhador,  no bairro do Vale das Pedrinhas, em Salvador. A parlamentar frisou que a abordagem foi “completamente inadequada, daquelas que o nosso povo sofre todos os dias. É preciso garantir urgentemente câmeras nas fardas dos policiais”, disse a deputada.

Confira o vídeo com o relato:

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