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#Opinião Festa da Democracia – Por Mirtes Santa Rosa

Mirtes Santa Rosa

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Uma das coisas mais bonitas da festa da democracia são os dias que antecedem o pleito. Entretanto, essa semana insiste em não querer passar. O que senti foi muita aflição, ansiedade e um desejo enorme de domingo chegar logo, pra acordar cedo e pegar meus pais, que já têm roupa de ir, têm  mais de 70 anos e vão votar. Eles são da geração que não entende como alguns jovens não se interessam por política e ir exercer o direito de escolher em quem quero votar e apertar o confirma. Eu treino todos os dias o que vou apertar na urna, pois moro no 13º e, nesses elevadores novos, a pessoa escolhe o andar e depois confirma.

Toda vez que aperto o 13, riu por dentro e penso, “eu já escuto os teus sinais”. Essa semana também lembrei de vários momentos de quatro anos atrás, quando, nesses mesmos últimos dias, senti esses sintomas acrescidos de medo e desespero. Em 2018, o medo foi meu companheiro. Quanto mais se aproximava o dia da festa da democracia, mais eu ficava pensando em um eterno loop de como seria esse Brasil retrógrado, que nas redes sociais ovacionava a barbárie, dizia não aos livros, à ciência, à luta dos movimentos sociais e à liberdade de imprensa. Que dizia ser bonito as armas e que falava que bandido bom é bandido morto.

Lembro de ter feito inúmeras postagens dizendo em quem eu ia votar, de procurar quem estava vendendo a camisa do “Ele Não” com a personagem Mafalda, de comprar a camisa do Mídia Ninja com a bandeira do Brasil que diz ” proteja seus amigos”. De ir no lançamento do livro de Manuela D´Ávila no Porto da Barra e ficar conversando com meus amigos sobre as mulheres na política e de como todos tínhamos medo do futuro, mas que não podíamos esmorecer. De ir na caminhada de Haddad e chorar com minhas amigas e Gato Preto, artista de rua que conheci em Cachoeira, declamando poesia em cima de um trio em Ondina. Eu me posicionei e exercitei a democracia como aprendi com meus pais, com coragem e de cabeça erguida.

Aceitei o resultado, chorei, fui acolhida, vi meus vizinhos comemorarem na piscina com champanhe e senti ódio mortal de muitos deles, mas como aprendi naquela semana, se a sociedade não enxerga o óbvio, o tempo é o melhor remédio. O ditado que diz “aceita que dói menos” foi o melhor caminho para levantar da cama e ir trabalhar na segunda da ressaca e da tristeza.  Agora em 2022, o medo é da violência pós resultado, pois vamos ganhar, sendo no primeiro ou no segundo turno. A certeza é que vamos ganhar de forma limpa, com voto útil e (re)construiremos um país.

Seremos felizes de novo mas, até chegar 1º de janeiro de 2023, sabemos que é importante andar com um olho nas costas,  que os dias de transição não serão fáceis nem simples, pois alguns perdedores gostam de incitar seus asseclas, falando sobre ameaças de golpes ou mesmo buscando desestabilizar a sociedade com mentiras produzidas por pessoas que amam difamar seus adversários, que nunca aprenderam sobre o verdadeiro valor da democracia ou nunca entenderam o que o verso da canção, “Apesar de você, amanhã há de ser outro dia”, de Chico, quer dizer.

Sempre acho que essa galera que acredita em escola sem partido e ideologia de gênero nunca estudou figuras de linguagens, mas a culpa é de seus pais que colocavam essas criaturas em escolas mamãe pagou, filhinho passou. A culpa pra essa galera sempre é da professora ou professor que não ensina direito e que corrigiu a prova com muito rigor. Mas quero informar que o amanhã chegou e é domingo, 2 de outubro de 2022, e não adianta se esconder, dizer que as urnas eletrônicas não são confiáveis, pois a primavera estará em cada cidadão livre que confirmar o número da esperança. Acho pouco provável que este ano eu tenha muitos vizinhos felizes, mas o que sei é que minha varanda estará em festa, ela já tem uma linda toalha com os dizeres que o meu voto é secreto, que uma das cadeiras da mesa desse cômodo da casa tem uma bandeira vermelha com uma linda estrela.

Embelezar a fachada do prédio não tem preço, por isso que a notificação da multa pode chegar, pois estarei ainda embriagada de esperança e nada vai me fazer ter medo de ser feliz e de me emocionar como Gato Preto quando começar a escutar Chico Buarque na farra da vitória.

 

Mirtes Santa Rosa é publicitária e especialista em Comunicação e Gerenciamento de Marcas e também trabalha com planejamento estratégico comunicacional de projetos culturais, no qual pode mesclar suas duas maiores habilidades profissionais: gestão e comunicação. É umas das idealizadoras e apresentadoras do Umbu Podcast.

Confira mais aqui. 

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#Opinião – João: um sol místico na Judeia – Por Armando Januário

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Entre os santos mais populares do Brasil, São João Batista é uma das figuras mais importantes na tradição judaico-cristã. Reverenciado pela cultura nordestina nas celebrações de junho, o Batizador de Jesus, desde os primórdios da sua existência, cultivou intimidade com os arcanos da Sabedoria Universal.

João foi educado nos preceitos judaicos e logo adentrou ao nazireado, costume típico do judaísmo, no qual algumas famílias destinavam seus filhos para uma vida ascética: os nazireus deixavam crescer a barba e os cabelos, se privavam de bebidas alcoólicas e uvas, e não tocavam em cadáveres. Essa moral era o caminho encontrado para a introdução em conhecimentos profundos sobre A Energia Criativa. O Batista afirmava que batizava em água, contudo, viria Aquele que batizaria em fogo, sendo maior que ele (Mateus 3:11). Essa passagem bíblica dá a entender que João já conhecia a iminente Manifestação Crística em Jesus de Nazaré. Com efeito, ele é o filho de Isabel, que ainda no ventre da sua mãe, pula de júbilo quando ela ouve a saudação de Maria, grávida de Jesus (Lucas 1:41-44). Esse momento indica que João e Jesus se conheciam de outras existências.

Antes de o imperador Justiniano, no Concílio Ecumênico de Constantinopla, em 553, condenar a reencarnação, o cristianismo primitivo encarava a pluralidade das existências como realidade. Por isso, quando Jesus afirmou que João “[..] é Elias, que havia de vir” (Mateus 11:14), o Mestre alude a vida pregressa do Batista, algo que certamente não causou surpresa aos presentes. A própria encarnação de João, anunciada pelo anjo Gabriel confirma a existência pretérita de João como Elias: “[…] e [João] irá adiante dele com o espírito e a virtude de Elias, a fim de reconduzir os corações dos pais para os filhos” (Lucas 1:13).

João Batista é uma figura tão especial que os festejos em sua homenagem uniram certas tradições antigas[1], na qual a data está inserida no solstício de verão, quando o ângulo do sol se distancia ao máximo da Terra. Esse fenômeno ocorre apenas duas vezes por ano: em junho, no Hemisfério Norte e em dezembro, no Hemisfério Sul. Temos, portanto, dois sóis: João, o sol que vem para anunciar a chegada de outro sol, reluzente e soberano: Jesus, o Cristo Planetário.

[1] Os celtas comemoravam o solstício de verão em honra ao deus Sol, para o qual pediam proteção contra maus espíritos e pragas nas colheitas. As festas incluíam fogueiras e fartura, apontando para o desejo de prosperidade espiritual e física.

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#Opinião – O sentido místico do Dia dos Namorados – Por Armando Januário

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Por aspectos históricos e econômicos, o Brasil celebra o Dia dos Namorados em 12 de junho. A 1948, o publicitário João Dória, pai do ex-governador de São Paulo, foi contratado por uma loja. Ele percebeu que o Mês das Mães era rentável para o comércio, em oposição a junho, um mês de queda nos lucros. Planejando estender os ganhos comerciais, Dória escolheu a véspera do Dia de Santo Antônio – na tradição católica, O Santo Casamenteiro – para aquecer os corações e o comércio. A estratégia deu certo e temos o Dia dos Namorados em junho, mais de 4 meses após a data tradicional, 14 de fevereiro, Dia de São Valentim. Contudo, essas tradições oficiais envolvem um mistério muito anterior.

No Império Romano, havia a celebração do deus Lupercus, para afastar os maus espíritos e atrair fertilidade. A Lupercália era marcada pelo momento em que os homens retiravam de um jarro o nome das mulheres que seriam suas companheiras nessa festa e nas seguintes. Posteriormente, alguns desses casais se apaixonavam e se casavam, porque teriam o que se considera “sorte no amor”. Essa expressão envolve ser agraciado através do sorteio, que, inicialmente, seria puro acaso. Não obstante, o sentido esotérico de sorte abrange saber o instante adequado para consolidar um plano. Percebemos, então, que o sentido dado a esta palavra se afastou significativamente do seu conceito original. Fica também evidente a inexistência da sorte como percebida nos tempos atuais, mas, sim, que ela obedece às Leis Cósmicas, sobretudo, a Lei de Atração. O oculto no Dia dos Namorados se apresenta.

A celebração dos apaixonados potencializa a vibração e atrai a pessoa amada para o campo magnético do emissor. Não se trata de magia ou acaso. Antes, falamos do Poder Divino[3] manifesto em nós. Por isso, quando pensamos em viver um amor com a firme convicção de sua existência, a materialização dessa realidade ocorre, obedecendo o Mistério denominado Tempo.

Portanto, o Dia dos Namorados, longe de uma data comum, oferece a oportunidade vibracional para ser A Unidade Eterna, Princípio de Todas As Coisas, que utiliza o desejo para cocriar sonhos.

[1]Dedico esse texto a minha noiva, Andrêina.

[2]Armando Januário dos Santos é Trabalhador da Luz, Mestre em Psicologia, Psicólogo (CRP-03/20912) e Palestrante. Contato: (71) 98108-4943 (WhatsApp)

[3]Em João 10:34, Jesus de Nazaré argumenta com seus opositores: “na Lei de vocês está escrito que Deus disse: “Vocês são deuses”” (O Mestre Jesus, em João 10:34). Deixamos com a pessoa do leitor a perspicácia para compreender o ensino secreto do Mestre.

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#Opinião – O poder transformador de um mentor: minha gratidão ao professor Helio Santos

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Há momentos na vida em que nos deparamos com pessoas que se tornam faróis em nosso caminho, iluminando nossas trajetórias e transformando nossa jornada de maneiras inimagináveis. Para mim, uma dessas figuras é o Professor Helio Santos. Permita-me compartilhar como sua presença impactante moldou minha vida, tanto pessoal quanto profissionalmente.

Conheci o Professor Helio através do Instituto Cultural Steve Biko, no âmbito do projeto Portas e Mentes Abertas (POMPA). Desde o primeiro encontro, seu comprometimento com a mudança e sua crença no potencial das pessoas, independentemente de suas origens, foram palpáveis. Para alguém como eu, cuja história se originou na Saramandaia, bairro popular de Salvador e sem perspectivas de desenvolvimento e crescimento econômico, suas palavras foram como uma brisa fresca de esperança.

O impacto de Helio na minha experiência pessoal é inestimável. Ele foi um dos primeiros a enxergar além das circunstâncias habituais, acreditando firmemente que eu poderia transcender expectativas e moldar meu próprio destino. Sua mentoria foi um farol em momentos de escuridão, um guia que me ajudou a superar desafios e a abraçar meu potencial.

Entretanto, seu papel transcende o acadêmico. Durante minha jornada acadêmica, do curso de graduação ao mestrado, Helio Santos não foi apenas um educador. Enquanto um mentor ativo, ele continuou desafiando-me a pensar de forma crítica, influenciando meus valores e impulsionando meu desenvolvimento enquanto um ser pensante comprometido com outras convicções e habilidades.

Para alguém como eu, sem uma rede sólida de apoio, sua contribuição foi e é o alicerce que faz toda a diferença. Helio não apenas moldou minha formação acadêmica, sendo um dos meus principais intelectuais do campo econômico. Ele contribuiu significativamente para meu crescimento pessoal. Sua orientação foi a chave que moldou parte da pessoa que sou hoje.

Estamos a menos de uma semana da entrega do título de doutor Honoris Causa ao mesmo, pela Universidade Federal da Bahia. Trata-se de uma honraria concedida a personalidades que se destacaram singularmente por sua contribuição à cultura, à educação ou à Humanidade. Sob essa ótica, refletir sobre suas realizações notáveis é um exercício inspirador.

Sua habilidade de caminhar ao lado de mulheres que desafiam e questionam, sem se sentir ameaçado, é admirável e rara. Ele é um verdadeiro exemplo de como transformar força e diversidade feminina em vantagem e elemento que as impulsionam e não que deprecia, feito que admiro profundamente.

Expressar minha gratidão ao Professor Helio Santos é um privilégio. Sua orientação foi fundamental para esculpir um futuro além das expectativas limitadas impostas a uma jovem de Saramandaia, sem redes de suporte. Sou eternamente grata por sua presença em minha jornada, por abrir portas e expandir horizontes.

Neste momento, enquanto expresso minha profunda gratidão, desejo ao Professor Helio Santos sucesso contínuo em todas as suas empreitadas. Sua dedicação incansável à luta pela igualdade e sua influência inspiradora nas vidas daqueles que cruzam seu caminho são uma bússola para um mundo mais justo e inclusivo.

A vida nos presenteia com mentores que nos desafiam e nos capacitam a ser mais do que jamais imaginamos. Helio Santos é um desses presentes em minha vida, e por isso, meu agradecimento é eterno diante desta honraria tão emblemática.

Obrigada por tudo, Professor Helio Santos. Suas contribuições vão além do que palavras podem expressar.

Luciane Reis é publicitária, especialista em educação digital pela Faculdade de Educação da UFBA e mestra pela Faculdade de Administração da UFBA. Teve no professor Helio Santos, a partir do POMPA, um aliado em suas diferentes caminhadas.

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