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#Opinião – Segurança, coworking e essa tal publicidade! – Por Mirtes Santa Rosa

Mirtes Santa Rosa

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Um sorriso ilumina a alma. Por isso sempre sorrio ao entrar em um elevador. Ganhei outro dia uma placa de uma amiga com essa frase, nem sei se ela sabe do quanto me fez feliz aquele singelo presente que chegou em boa hora para ficar pendurado no meu mais novo local de trabalho. Meu escritório ou posso dizer meu gabinete? Antigamente os apês tinham gabinetes. Ainda dizem gabinete nas campanhas de vendas de apartamentos pela cidade?

Lembro de visitar a casa de um amigo da escola e na casa dele tinha um gabinete e ele disse: É onde meu pai conversa com as pessoas. Achei tão de gente chique ter um gabinete. Com certeza, eles estavam muito à frente de meus pais no critério Brasil quando o IBGE fazia o Censo naqueles tempos longínquos. Meu escritório é onde eu também converso com as pessoas. Outro dia recebi em um semáforo aqui perto de casa um folheto produzido com couchê de 180g, bem impresso, bem rico de produção gráfica (amamos esses clientes que aceitam o valor dessas produções e entendem que bons folhetos passam qualidade).

Que nesse novo empreendimento, que segue o projeto autorizado da Prefeitura de Salvador para essa região (informação que estava no texto de apresentação do empreendimento), tem espaço de coworking todo equipado, kids house e kids garden, pet care – depois de quase 20 anos de formada em publicidade, continuo achando estranho usar termos em inglês.

Então, se agora falamos em trabalhar de forma coletiva, os empreendimentos não precisam de gabinetes para termos despachos e sim de coworkings para conhecermos nossos vizinhos, fazermos networking e depois marcamos para tomar uma em nossa piscina de borda infinita.

Nada contra esses benefícios, inclusive usufruo de muitos deles onde resido, mas também sou a que, em muitos momentos quando estou com meus vizinhos. penso no poder de um sorriso, no poder de não viver de aparência, e sim de acreditar que o coletivo sempre será maior que a individualidade. Vivemos em um local em que cada vez percebemos a retomada, mesmo que devagar do setor imobiliário, focado nas possibilidades de novos locais para morar na orla ainda não destruída com grandes arranha-céus, onde o que importa é viver apenas dentro desse ambiente preparado e equipado para não andarmos pela cidade.

Muitos dos folhetos dizem que a pessoa pode fazer tudo onde vive. É como se, ao se mudar para esse ambiente, fôssemos viver em uma bolha onde nada de ruim vai acontecer. Mas isso é viver bem na cidade? Para mim, menina do Imbuí, que sempre bateu perna por todos os bairros adjacentes, viver a cidade é conhecer os locais, ocupar os espaços. Saber que horas sai o pão quentinho na padaria, quem está sentado na praça, saber quem são os fofoqueiros mais amados da rua, quem tem cachorro educado, quem tem gato que anda solto, quem começou a namorar com quem, a hora que a criança vai chegar da escola e inclusive quem nasceu e quem morreu.

Na semana passada, vimos em todos os noticiários a pauta da segurança no Centro Histórico, em especial no bairro do Pelourinho. Pergunto a muitos quando o assunto surge nas minhas rodas de conversa: quando esse bairro não tem iluminação ou não tem mobilidade pública, nós sociedade acreditamos que vai acontecer o quê?

Até que dia continuaremos sem entender que é necessário olhar a cidade a partir do que é coletivo e não do que é particular? Posso supor, então, que no novo empreendimento da orla de Salvador, meus vizinhos vão viver uma Salvador perfeita, inclusive vão viver em comunidade e com muita segurança particular, já que no seu empreendimento bairro, existe coworking e tudo mais que as famílias margarinas precisam para serem aceitas na cidade e nos negócios.

E não esqueçamos que esses moradores podem ainda dizer: do lado de meu apê existe o Parque de Pituaçu, então eu consigo avistar a comunidade. Parece às vezes loucura de minha parte (conversarei com minha terapeuta mais uma vez sobre essa minha tendência),e eu acho muitas vezes que preciso parar de olhar um simples folheto e realizar nele uma análise social e econômica (essa é minha tendência), pois eu bem sei que no briefing de criação apenas dizia que incorporadora tal quer vender as unidades que ainda não conseguiu.

Que a criação do título não fez nada demais em usar uma palavra estrangeira para falar do modo de viver, e que meus colegas de profissão só queriam era riscar esse item de sua pauta. Então, ficar realizando essas análises só causa angústia. Entender que a questão da segurança passa por compreender que nossa Salvador pertence a todos e sua ocupação é necessária em todos os lugares. Inclusive na cidade alta e na cidade (baixa?).

Mirtes Santa Rosa é publicitária e especialista em Comunicação e Gerenciamento de Marcas também trabalha com planejamento estratégico comunicacional de projetos culturais, no qual pode mesclar suas duas maiores habilidades profissionais: gestão e comunicação. É umas das idealizadoras e apresentadoras do Umbu Podcast. Confira aqui outros artigos de Mirtes.

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#Opinião – O sentido místico do Dia dos Namorados – Por Armando Januário

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Por aspectos históricos e econômicos, o Brasil celebra o Dia dos Namorados em 12 de junho. A 1948, o publicitário João Dória, pai do ex-governador de São Paulo, foi contratado por uma loja. Ele percebeu que o Mês das Mães era rentável para o comércio, em oposição a junho, um mês de queda nos lucros. Planejando estender os ganhos comerciais, Dória escolheu a véspera do Dia de Santo Antônio – na tradição católica, O Santo Casamenteiro – para aquecer os corações e o comércio. A estratégia deu certo e temos o Dia dos Namorados em junho, mais de 4 meses após a data tradicional, 14 de fevereiro, Dia de São Valentim. Contudo, essas tradições oficiais envolvem um mistério muito anterior.

No Império Romano, havia a celebração do deus Lupercus, para afastar os maus espíritos e atrair fertilidade. A Lupercália era marcada pelo momento em que os homens retiravam de um jarro o nome das mulheres que seriam suas companheiras nessa festa e nas seguintes. Posteriormente, alguns desses casais se apaixonavam e se casavam, porque teriam o que se considera “sorte no amor”. Essa expressão envolve ser agraciado através do sorteio, que, inicialmente, seria puro acaso. Não obstante, o sentido esotérico de sorte abrange saber o instante adequado para consolidar um plano. Percebemos, então, que o sentido dado a esta palavra se afastou significativamente do seu conceito original. Fica também evidente a inexistência da sorte como percebida nos tempos atuais, mas, sim, que ela obedece às Leis Cósmicas, sobretudo, a Lei de Atração. O oculto no Dia dos Namorados se apresenta.

A celebração dos apaixonados potencializa a vibração e atrai a pessoa amada para o campo magnético do emissor. Não se trata de magia ou acaso. Antes, falamos do Poder Divino[3] manifesto em nós. Por isso, quando pensamos em viver um amor com a firme convicção de sua existência, a materialização dessa realidade ocorre, obedecendo o Mistério denominado Tempo.

Portanto, o Dia dos Namorados, longe de uma data comum, oferece a oportunidade vibracional para ser A Unidade Eterna, Princípio de Todas As Coisas, que utiliza o desejo para cocriar sonhos.

[1]Dedico esse texto a minha noiva, Andrêina.

[2]Armando Januário dos Santos é Trabalhador da Luz, Mestre em Psicologia, Psicólogo (CRP-03/20912) e Palestrante. Contato: (71) 98108-4943 (WhatsApp)

[3]Em João 10:34, Jesus de Nazaré argumenta com seus opositores: “na Lei de vocês está escrito que Deus disse: “Vocês são deuses”” (O Mestre Jesus, em João 10:34). Deixamos com a pessoa do leitor a perspicácia para compreender o ensino secreto do Mestre.

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#Opinião – O poder transformador de um mentor: minha gratidão ao professor Helio Santos

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Há momentos na vida em que nos deparamos com pessoas que se tornam faróis em nosso caminho, iluminando nossas trajetórias e transformando nossa jornada de maneiras inimagináveis. Para mim, uma dessas figuras é o Professor Helio Santos. Permita-me compartilhar como sua presença impactante moldou minha vida, tanto pessoal quanto profissionalmente.

Conheci o Professor Helio através do Instituto Cultural Steve Biko, no âmbito do projeto Portas e Mentes Abertas (POMPA). Desde o primeiro encontro, seu comprometimento com a mudança e sua crença no potencial das pessoas, independentemente de suas origens, foram palpáveis. Para alguém como eu, cuja história se originou na Saramandaia, bairro popular de Salvador e sem perspectivas de desenvolvimento e crescimento econômico, suas palavras foram como uma brisa fresca de esperança.

O impacto de Helio na minha experiência pessoal é inestimável. Ele foi um dos primeiros a enxergar além das circunstâncias habituais, acreditando firmemente que eu poderia transcender expectativas e moldar meu próprio destino. Sua mentoria foi um farol em momentos de escuridão, um guia que me ajudou a superar desafios e a abraçar meu potencial.

Entretanto, seu papel transcende o acadêmico. Durante minha jornada acadêmica, do curso de graduação ao mestrado, Helio Santos não foi apenas um educador. Enquanto um mentor ativo, ele continuou desafiando-me a pensar de forma crítica, influenciando meus valores e impulsionando meu desenvolvimento enquanto um ser pensante comprometido com outras convicções e habilidades.

Para alguém como eu, sem uma rede sólida de apoio, sua contribuição foi e é o alicerce que faz toda a diferença. Helio não apenas moldou minha formação acadêmica, sendo um dos meus principais intelectuais do campo econômico. Ele contribuiu significativamente para meu crescimento pessoal. Sua orientação foi a chave que moldou parte da pessoa que sou hoje.

Estamos a menos de uma semana da entrega do título de doutor Honoris Causa ao mesmo, pela Universidade Federal da Bahia. Trata-se de uma honraria concedida a personalidades que se destacaram singularmente por sua contribuição à cultura, à educação ou à Humanidade. Sob essa ótica, refletir sobre suas realizações notáveis é um exercício inspirador.

Sua habilidade de caminhar ao lado de mulheres que desafiam e questionam, sem se sentir ameaçado, é admirável e rara. Ele é um verdadeiro exemplo de como transformar força e diversidade feminina em vantagem e elemento que as impulsionam e não que deprecia, feito que admiro profundamente.

Expressar minha gratidão ao Professor Helio Santos é um privilégio. Sua orientação foi fundamental para esculpir um futuro além das expectativas limitadas impostas a uma jovem de Saramandaia, sem redes de suporte. Sou eternamente grata por sua presença em minha jornada, por abrir portas e expandir horizontes.

Neste momento, enquanto expresso minha profunda gratidão, desejo ao Professor Helio Santos sucesso contínuo em todas as suas empreitadas. Sua dedicação incansável à luta pela igualdade e sua influência inspiradora nas vidas daqueles que cruzam seu caminho são uma bússola para um mundo mais justo e inclusivo.

A vida nos presenteia com mentores que nos desafiam e nos capacitam a ser mais do que jamais imaginamos. Helio Santos é um desses presentes em minha vida, e por isso, meu agradecimento é eterno diante desta honraria tão emblemática.

Obrigada por tudo, Professor Helio Santos. Suas contribuições vão além do que palavras podem expressar.

Luciane Reis é publicitária, especialista em educação digital pela Faculdade de Educação da UFBA e mestra pela Faculdade de Administração da UFBA. Teve no professor Helio Santos, a partir do POMPA, um aliado em suas diferentes caminhadas.

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#Opinião – De onde vem e para onde vão os corpos negros executados na Bahia? – Por Aline Lisbôa

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No Brasil, o racismo aniquila vidas de forma sistemática todos os dias, ou pior, todas as horas. Desde que esse território foi invadido e se tornou Brasil, exterminar gente preta faz parte dessa história. Na Bahia, os altos índices de assassinatos – cerca de 97,9% dos casos são de vítimas negras – tem um significado ainda mais profundo se consideradas as teorias de marginalização da raça, difundidas por Raimundo Nina Rodrigues, de quem o Instituto Médico Legal (IML) herdou o nome.

Além de todo o processo histórico de colonização e escravização de pessoas negras no Brasil, contextualizado pelo conceito de raça e teorias etnocêntricas da branquitude, aqui na Bahia, no século XIX, difundiu-se também o racismo científico, que teoriza, sem nenhum fundamento comprobatório, a marginalização e inferioridade da raça negra e até mesmo destacava, através da medicina legal, que as diferentes raças deveriam ser um fator de responsabilidade penal.

Um dos principais percursores do racismo científico no Brasil, sobretudo na Bahia, foi Nina Rodrigues. Como membro da Escola Tropicalista Baiana, onde desenvolveu as suas conjecturas racistas, sem nenhum fundamento concludente, o médico maranhense, elaborou teorias antropológicas pautadas na inferioridade do negro.  Nina também acreditava na mestiçagem como um processo de degradação da sociedade em um futuro distante.

Entretanto, a mais violenta das suas teorias foi fundamentada através da medicina legal, caracterizando a raça supostamente inferior como imatura e violenta, estando assim, mais propícia à criminalidade e sugerindo que se as raças variam, o conceito de crime também se torna relativo.

Os corpos negros executados na Bahia vem deste racismo científico, que alimentou o racismo estrutural no Brasil.

Mesmo sem fundamento algum, os escritos do médico racista eram de bastante prestígio aqui no Brasil, lastreando esse conhecido racismo estrutural que no nosso dia a dia marginaliza a população negra nas ruas da Bahia e de todo o país.  Esse racismo científico do século XIX reflete na estrutura da sociedade atual, que cotidianamente expõe negros e negras a atos vexatórios, através de acusações, falsas suspeitas, abordagens violentas e desproporcionais, tirando-nos, por fim, o direito de ir e vir e à própria vida, matando violentamente negros todos os dias.

A teoria assusta, mas a prática de extermínio da população negra nos becos e vielas do estado é naturalizada a ponto de o Instituto Médico Legal, para onde serão levados esses copos, animalizados, com raízes na teoria de Nina Rodrigues, carregar o seu nome.

Em 2022, a Defensoria Pública do Estado, contra o racismo estrutural, pediu mudança do nome do Instituto, um espaço a serviço da população baiana, que carrega o nome de um indivíduo autodeclarado racista pela suas produções anti-intelectuais de grande impacto negativo à comunidade negra. Aguardamos respostas.

CONTRA O RACISMO ESTRUTURAL QUE TOMBA OS NOSSOS, NENHUM PASSO ATRÁS!

Aline Lisbôa, mulher negra, mãe solo, defensora das possibilidades acadêmicas de mães negras, graduanda em Pedagogia- UNEB, pesquisadora em Racismo Estrutural, Educação e Relacões Étnico Raciais e Letramento Racial.

 

 

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