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#Opinião – Espiritualidade e Saúde Mental na População Preta – Por Sérgio Barreto

Sergio Barreto

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O objetivo deste artigo é trazer algumas reflexões, de forma suscinta, sobre o que tenho estudado sobre espiritualidade e saúde mental na população preta. É um tema deveras importante para mim, não apenas por ser psicólogo, mas também (e talvez principalmente) por ser um homem negro e um corpo de terreiro de Umbanda.

E para as pessoas pretas que, como eu, vivenciam sofrimentos diversos por conta do racismo em suas diversas expressões (estrutural, institucional e religioso, por exemplo). Meu lugar de fala (termo popularizado pela filósofa e escritora Djamila Ribeiro) nesse contexto seria então este: homem negro, corpo de terreiro de Umbanda e psicólogo.

Estamos envolvidos diariamente em diversas demandas de cunho material e/ou emocional, vivenciando-as às vezes de forma funcional e resolutiva e outras de forma disfuncional. A saúde mental diz respeito justamente a como lidamos com as diversas demandas, estressoras ou não, que temos em nossa vida e de como nos (re)organizamos emocionalmente frente a elas sem prejudicar nosso bem estar.

Porém, assim como a definição de saúde é abrangente, conceituar saúde mental sem fazer nenhuma estratificação, observando marcadores como gênero, orientação sexual, raça/etnia e classe, por exemplo, é não dar importância devida às diferenças entre as populações e como seus indivíduos são considerados ou não com saúde mental, vislumbrando isso inclusive sobre um viés interseccional.

A OMS (Organização Mundial de Saúde), desde 1946, preconiza a saúde como “o estado de completo bem-estar físico, mental e social” e não apenas ausência de doenças. Apesar deste conceito ser questionável por apresentar uma possibilidade inatingível (acredito que para grande maioria da população mundial), nos faz pensar sobre a importância de pelo menos haver um certo equilíbrio entre as três esferas citadas.

Ao mesmo tempo em que é importante pensar esse bem-estar aludido, abre-se a possiblidade de existência de outros vetores da qualidade de vida dos indivíduos e, obviamente, também da saúde mental, como a questão da espiritualidade. Em 1988, a OMS amplia o conceito de saúde, abarcando justamente a dimensão da espiritualidade, não centralizando a questão relacionando-a a uma prática religiosa especifica ou crença, mas sim a um sentido da vida. Oliveira e Jungles (2012) conceituam espiritualidade como sendo “conjunto de todas as emoções e convicções de natureza não material, com a suposição de que há mais no viver do que pode ser percebido ou plenamente compreendido”.

Espiritualidade diz respeito então a essa vinculação com algo que transcende a perspectiva material, e as práticas espirituais são uma parte importante da cultura de um povo.

Espiritualidade distingue-se de religião no sentido que, enquanto a primeira diz respeito ao contato com algo que de alguma forma transcende as realidades consideradas como o padrão “normal” da vida, a segunda refere-se ao aspecto institucional e doutrinário de uma determinada crença com seus dogmas e ritos específicos.

A espiritualidade pode ou não estar vinculada à religiosidade, apesar de muitas vezes serem colocadas como sinônimos uma da outra.  Quando pensamos nesta questão relacionando-a à saúde mental da população negra, é preciso compreender algumas peculiaridades. A principal: os efeitos do racismo.

Ao observar a configuração da população brasileira, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2021), os negros (o somatório de pretos e pardos) constituem 56,1% da população.

Porém, apesar de ser maioria da população, entendemos que o colonialismo e o modo de produção ocidental geram um padrão de existência a partir de uma sociedade de consumo, de produtividade e lucro, o que leva a população negra, historicamente violada, a anular perspectivas de melhor cuidado de si e do outro. Entenda-se esse cuidado sob a perspectiva de bem-estar físico, mental, social e espiritual.

Algumas estatísticas sobre a saúde da população negra em nosso país:

  • Segundo pesquisa publicada este ano pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP), a expectativa de vida de uma pessoa negra é em média 67 anos e de uma pessoa branca 73 anos, isso se explicaria pela questão da violência urbana, ao pior acesso da população negra aos serviços de saúde, à realização de trabalhos mais desgastantes ao longo do ciclo de vida, por exemplo;
  • Quando comparado com pessoas brancas, adolescentes e jovens negros têm maior probabilidade de cometer suicídio no Brasil, de acordo com dados do Ministério da Saúde de 2016;
  • 77% das mulheres negras relatam violência obstétrica, enquanto 57% mulheres brancas passam pela mesma violência (SOARES, 2019)

Lembremos que ao serem sequestrados, vendidos e escravizados, os negros ao chegarem ao Brasil tinham sua subjetividade anulada. Eram retirados de suas comunidades e famílias; levados a um país estranho; rotulados como inferiores, coisificados e classificados como sem alma; desvinculados de seus nomes e deslegitimados de sua crença.

Mesmo após a “abolição” da escravatura, os nossos antepassados continuaram em situação precária de existência, não recebendo nenhum tipo de suporte que alavancasse suas potencialidades. Apesar de “livres” não possuíam, nem lhes foi dado, acesso a educação formal; possibilidade de possuírem terras para produção; acesso a representatividade em instituições públicas ou privadas. Tudo isso que foi dito pode ser resumo em uma estratégia de dominação e imposição de inferioridade. (PRUDENTE, 2020).

A discriminação racial impacta a população negra gerando sofrimento físico e mental, que pode ser relacionado à precariedade que viveram e vivem até hoje. Damasceno e Zanello (2018) citam que diversos estudos relacionam o ser negro a maiores índices de estresse, hipertensão arterial, diabetes, ansiedade, ataques de pânico, depressão, distorção do autoconceito e dificuldade de construir uma identidade saudável.

Temos então indivíduos pretos e pretas que chegam à psicoterapia com sentimentos de inferioridade, baixa autoestima, inadequação, autocobrança frutos das repercussões psíquicas que surgiram desde o sistema escravocrata, com a desumanização do povo africano, seguido de uma ideologia de subjugação racial.

Apesar da tentativa de apagamento, a população negra buscou preservar pontos de sua cultura e espiritualidade. Para Farias et al (2015) o modelo civilizatório negro-africano (e por consequência dos negros no processo da diáspora) estrutura-se num sistema de valores, crenças e ideias que resulta numa forma muito própria de observar, agir e compreender o universo em suas dimensões visível e invisível, isso tanto a nível individual como coletivo.

Dessa forma de ver o mundo e suas relações (cosmovisão) podemos, para efeito de análise para essa discussão, destacar dois pontos que seriam a autoconsciência de sua própria história e a construção de sua identidade.

Esses dois pontos, que fazem parte das religiões de matriz africana, possibilitam os sujeitos compreenderem sua história enquanto pertencente a uma ancestralidade que originalmente não era escrava, mas que foi escravizada; a uma cultura que gerou conhecimentos na área de construção de embarcações, conceitos de astronomia moderna, conhecimentos de geometria e matemática, por exemplo; que valoriza a experiência dos mais velhos e se preocupa com o coletivo.

Tudo isso pode impactar de forma positiva na (re)construção da identidade do indivíduo, favorecendo melhor saúde mental.

Peres, Simão e Nasello (2007) trazem em sua análise sobre espiritualidade, religiosidade e psicoterapia, diversas pesquisas que sinalizam que indivíduos com conhecimento e valorização de seu sistema de crenças aderem de forma mais positiva à psicoterapia. Além disso, as pesquisas indicam que com envolvimento religioso e espiritualidade se tem melhores índices de saúde e qualidade de vida, e menores índices de transtornos mentais como depressão e ansiedade.

Sendo assim, é preciso pensar a prática em saúde mental não somente a nível do indivíduo, mas também por um viés do coletivo no sentido que existem perspectivas do sofrimento daquelas populações que foram colocadas em situação de apagamento.

Entendamos o cuidar da espiritualidade como autocuidado e este como sendo um ato político. Para uma população que foi historicamente violentada pelo colonialismo e pelo racismo, ter consciência de si e do que é ser negro em um país racialmente desigual, nos dá força e autoestima.

Axé!

 

BIBLIOGRAFIA

DAMASCENO, Marizete Gouveia; ZANELLO, Valeska M. Loyola. Saúde Mental e Racismo Contra Negros: Produção Bibliográfica Brasileira dos Últimos Quinze Anos.  Psicol., Ciênc. Prof. Vol 3. Jul-Sep. 2018. Disponível em: https://www.scielo.br/j/pcp/a/gPSLSxDcHDhDccZgpk3GNVG/?lang=pt . Acesso em Maio de 2023.

FARIAS, Katia Peres; CROSSETTI, Maria da Graça Oliveira; Góes, Marta Georgina Oliveira; PORTELA, Vera Catarina. Práticas em saúde: ótica do idoso negro em uma comunidade de terreiro. Rev Bras Enferm. Jul-Ago. 2016. Disponível em: SciELO – Brasil – Práticas em saúde: ótica do idoso negro em uma comunidade de terreiro Práticas em saúde: ótica do idoso negro em uma comunidade de terreiro. Acesso em Maio de 2023.

OLIVEIRA, Márcia Regina; JUNGES, José Roque. Saúde mental e espiritualidade/religiosidade: a visão de psicólogos. Estud. psicol. Vol 17. Dez 2012. Disponível em: https://www.scielo.br/j/epsic/a/w3hnsrp3wzVcRPL3DkCzXKr/?lang=pt . Acesso em Maio de 2023.

PERES, Júlio Fernando Prieto; SIMÂO, Manoel José Pereira; NASELLO, Antônia Gladys. Espiritualidade, religiosidade e psicoterapia. Arch. Clin. Psychiatry. Vol 34. 2007. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rpc/a/YFghx4LyPBm6vVMH78Z4h8J/. Acesso em Maio de 2023.

PRUDENTE, Eunice. A escravização e racismo no Brasil, mazelas que ainda perduram. Disponível em: https://jornal.usp.br/artigos/a-escravizacao-e-racismo-no-brasil-mazelas-que-ainda-perduram/. Acesso em Maio de 2023.

Sérgio Barreto é psicólogo, negro, gay e macumbeiro. Apaixonado por seres humanos.|sergio_psy@hotmail.com|@sergiobarreto_psicologo

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#Opinião – O poder transformador de um mentor: minha gratidão ao professor Helio Santos

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Há momentos na vida em que nos deparamos com pessoas que se tornam faróis em nosso caminho, iluminando nossas trajetórias e transformando nossa jornada de maneiras inimagináveis. Para mim, uma dessas figuras é o Professor Helio Santos. Permita-me compartilhar como sua presença impactante moldou minha vida, tanto pessoal quanto profissionalmente.

Conheci o Professor Helio através do Instituto Cultural Steve Biko, no âmbito do projeto Portas e Mentes Abertas (POMPA). Desde o primeiro encontro, seu comprometimento com a mudança e sua crença no potencial das pessoas, independentemente de suas origens, foram palpáveis. Para alguém como eu, cuja história se originou na Saramandaia, bairro popular de Salvador e sem perspectivas de desenvolvimento e crescimento econômico, suas palavras foram como uma brisa fresca de esperança.

O impacto de Helio na minha experiência pessoal é inestimável. Ele foi um dos primeiros a enxergar além das circunstâncias habituais, acreditando firmemente que eu poderia transcender expectativas e moldar meu próprio destino. Sua mentoria foi um farol em momentos de escuridão, um guia que me ajudou a superar desafios e a abraçar meu potencial.

Entretanto, seu papel transcende o acadêmico. Durante minha jornada acadêmica, do curso de graduação ao mestrado, Helio Santos não foi apenas um educador. Enquanto um mentor ativo, ele continuou desafiando-me a pensar de forma crítica, influenciando meus valores e impulsionando meu desenvolvimento enquanto um ser pensante comprometido com outras convicções e habilidades.

Para alguém como eu, sem uma rede sólida de apoio, sua contribuição foi e é o alicerce que faz toda a diferença. Helio não apenas moldou minha formação acadêmica, sendo um dos meus principais intelectuais do campo econômico. Ele contribuiu significativamente para meu crescimento pessoal. Sua orientação foi a chave que moldou parte da pessoa que sou hoje.

Estamos a menos de uma semana da entrega do título de doutor Honoris Causa ao mesmo, pela Universidade Federal da Bahia. Trata-se de uma honraria concedida a personalidades que se destacaram singularmente por sua contribuição à cultura, à educação ou à Humanidade. Sob essa ótica, refletir sobre suas realizações notáveis é um exercício inspirador.

Sua habilidade de caminhar ao lado de mulheres que desafiam e questionam, sem se sentir ameaçado, é admirável e rara. Ele é um verdadeiro exemplo de como transformar força e diversidade feminina em vantagem e elemento que as impulsionam e não que deprecia, feito que admiro profundamente.

Expressar minha gratidão ao Professor Helio Santos é um privilégio. Sua orientação foi fundamental para esculpir um futuro além das expectativas limitadas impostas a uma jovem de Saramandaia, sem redes de suporte. Sou eternamente grata por sua presença em minha jornada, por abrir portas e expandir horizontes.

Neste momento, enquanto expresso minha profunda gratidão, desejo ao Professor Helio Santos sucesso contínuo em todas as suas empreitadas. Sua dedicação incansável à luta pela igualdade e sua influência inspiradora nas vidas daqueles que cruzam seu caminho são uma bússola para um mundo mais justo e inclusivo.

A vida nos presenteia com mentores que nos desafiam e nos capacitam a ser mais do que jamais imaginamos. Helio Santos é um desses presentes em minha vida, e por isso, meu agradecimento é eterno diante desta honraria tão emblemática.

Obrigada por tudo, Professor Helio Santos. Suas contribuições vão além do que palavras podem expressar.

Luciane Reis é publicitária, especialista em educação digital pela Faculdade de Educação da UFBA e mestra pela Faculdade de Administração da UFBA. Teve no professor Helio Santos, a partir do POMPA, um aliado em suas diferentes caminhadas.

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#Opinião – De onde vem e para onde vão os corpos negros executados na Bahia? – Por Aline Lisbôa

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No Brasil, o racismo aniquila vidas de forma sistemática todos os dias, ou pior, todas as horas. Desde que esse território foi invadido e se tornou Brasil, exterminar gente preta faz parte dessa história. Na Bahia, os altos índices de assassinatos – cerca de 97,9% dos casos são de vítimas negras – tem um significado ainda mais profundo se consideradas as teorias de marginalização da raça, difundidas por Raimundo Nina Rodrigues, de quem o Instituto Médico Legal (IML) herdou o nome.

Além de todo o processo histórico de colonização e escravização de pessoas negras no Brasil, contextualizado pelo conceito de raça e teorias etnocêntricas da branquitude, aqui na Bahia, no século XIX, difundiu-se também o racismo científico, que teoriza, sem nenhum fundamento comprobatório, a marginalização e inferioridade da raça negra e até mesmo destacava, através da medicina legal, que as diferentes raças deveriam ser um fator de responsabilidade penal.

Um dos principais percursores do racismo científico no Brasil, sobretudo na Bahia, foi Nina Rodrigues. Como membro da Escola Tropicalista Baiana, onde desenvolveu as suas conjecturas racistas, sem nenhum fundamento concludente, o médico maranhense, elaborou teorias antropológicas pautadas na inferioridade do negro.  Nina também acreditava na mestiçagem como um processo de degradação da sociedade em um futuro distante.

Entretanto, a mais violenta das suas teorias foi fundamentada através da medicina legal, caracterizando a raça supostamente inferior como imatura e violenta, estando assim, mais propícia à criminalidade e sugerindo que se as raças variam, o conceito de crime também se torna relativo.

Os corpos negros executados na Bahia vem deste racismo científico, que alimentou o racismo estrutural no Brasil.

Mesmo sem fundamento algum, os escritos do médico racista eram de bastante prestígio aqui no Brasil, lastreando esse conhecido racismo estrutural que no nosso dia a dia marginaliza a população negra nas ruas da Bahia e de todo o país.  Esse racismo científico do século XIX reflete na estrutura da sociedade atual, que cotidianamente expõe negros e negras a atos vexatórios, através de acusações, falsas suspeitas, abordagens violentas e desproporcionais, tirando-nos, por fim, o direito de ir e vir e à própria vida, matando violentamente negros todos os dias.

A teoria assusta, mas a prática de extermínio da população negra nos becos e vielas do estado é naturalizada a ponto de o Instituto Médico Legal, para onde serão levados esses copos, animalizados, com raízes na teoria de Nina Rodrigues, carregar o seu nome.

Em 2022, a Defensoria Pública do Estado, contra o racismo estrutural, pediu mudança do nome do Instituto, um espaço a serviço da população baiana, que carrega o nome de um indivíduo autodeclarado racista pela suas produções anti-intelectuais de grande impacto negativo à comunidade negra. Aguardamos respostas.

CONTRA O RACISMO ESTRUTURAL QUE TOMBA OS NOSSOS, NENHUM PASSO ATRÁS!

Aline Lisbôa, mulher negra, mãe solo, defensora das possibilidades acadêmicas de mães negras, graduanda em Pedagogia- UNEB, pesquisadora em Racismo Estrutural, Educação e Relacões Étnico Raciais e Letramento Racial.

 

 

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#Opinião – Nós, LGBTQIAPN+, existimos! – Por Laina Crisóstosmo

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Ser LGBTQIAPN+ nunca foi seguro, mas nos últimos tempos tem sido ainda mais assustador perceber e sentir o ódio e a vontade que eles tem de nos exterminar. Falam de religião, Bíblia, Deus, amor, mas pregam “cura” para o que não é doença, ou naturalizam nossas violência e morte .

Nossos direitos ainda são muito recentes e é possível listar cada um deles:

1. Retirada do CID que nossa orientação sexual como doença (homossexualismo) da Classificação Internacional de Doenças pela OMS em 1990
2. Tentativa de aprovação do Projeto de Lei 122/2006 que visava criminalizar a LGBTfobia, proposta por Iara Bernardi (PT-SP),
3. Proposta de casamento homoafetivo por Clodovil com o PL 580 em 2007
4. Conquista da União estável 2011 pelo STF
5. Casamento civil equiparado ao casamento previsto no Código Civil em 2013 também pelo STF
6. Conquista do direito ao uso do Nome social em 2016
7. Tipificação do crime de estupro corretivo, crime patricado especialmente contra mulheres lésbicas e pessoas trans como forma de “cura” em 2018 com a Lei de Importunação Sexual
8. Aprovação da Lei de Criminalização da LGBTfobia em 2019 no STF mais uma vez colocando o crime dentro da Lei 7716/89, Lei CAÓ (lei que prevê o crime de racismo)
9. Direito a Doação de sangue por pessoas LGBTQIAPN+ em 2021 em especial para homens gays e pessoas trans e travestis

Parece muito, mas ainda lutamos todos os dias para provar que não só existimos, resistimos, mas que precisamos de políticas públicas, direitos e acessos. Nessa semana estive em Brasília e foi assustador perceber o quanto os fundamentalistas e facistas nos odeiam, sentir isso na pele, nos olhares, nas falas, ver a deputada federal lésbica Daiana Santos adoecer após ataques e precisar fazer uma cirurgia de urgência foi entender o que nos espera mesmo com a derrota de Bolsonaro. A politica dele ainda está extremamente presente em todas as casas legislativas do Brasil e em especial no Congresso Nacional.

A comissão da previdência, assistência social, infância, adolescência e família decidiu derrubar o direito ao casamento LGBTQIAPN+ e isso tem nos movido para algo que é ou deveria ser óbvio: NENHUM DIREITO A MENOS! Imagine desde 2011 nossas famílias podem ser oficializadas e desde então somos mais de 80 mil famílias em todo o Brasil (dados de 2021), de acordo com pesquisas mais de 51% da população brasileira concorda com o casamento civil homoafetivo.

Mas no último dia 19 de setembro o que vimos foi um show de horrores, transfobia, LGBTfobia, violência, ameaças, deboche, desdém com direito ao uso da Bíblia para dizer o que é família, utilização de falas sobre sexo biológico, violação da lei que criminaliza LGBTfobia desde 2019. Estar lá me fez ter medo, ter crise de ansiedade, ter angústia, mas também ter certeza de que nós existimos e TUDO QUE NÓS TEM É NÓS!

Conseguimos suspender a votação, garantimos que no próximo dia 26 de setembro haverá uma audiência pública sobre o tema e no dia 27 de setembro provavelmente será votado. Certamente perderemos, temos poucos dos nossos, mas que são fundamentais para saber quem está do nosso lado e entender que o #OAmorVence, tem vencido e seguirá vencendo!

Passará pela comissão, depois precisa ir ao plenário da Câmara Federal, depois Senado e se passar por tudo isso com aprovação ainda tem a possibilidade do veto de Lula, então nossas famílias vencerão e seguirão a existir, é preciso ter esperança e união entre nós!

O amor vencerá e nós seguiremos lutando na coletividade!

Laina Crisóstomo
Mulher negra, lésbica, gorda, filiada ao PSOL, mãe, candomblecista, antiproibicionista, advogada feminista e popular, fundadora da ONG TamoJuntas, co vereadora na Mandata Coletiva Pretas Por Salvador e procuradora parlamentar da Mulher da Câmara Municipal de Salvador.

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